José Eugênio Maciel
Última

                                             Chega um dia em que o dia se termina

                                               antes que a noite caia inteiramente.

                                               Chega um dia em que a mão, já no caminho,

                                               de repente se esquece do gesto.

                                               Chega um dia em que a lenha não chega

                                               para acender o fogo da lareira.

                                               Chega um dia em que o amor, que era infinito,

                                               de repente se acaba, de repente.

                                               Força é saber amar, perto e distante,

                                               com o encanto de rosa livre na haste,

                                               para que o amor ferido não acabe

                                               na eternidade amarga de um instante

A aprendizagem amarga – Thiago de Mello

           

                        Antes a última. Sem o depois.

                        Principia o fim. Acabado o começo.

                        O que não goteja evapora.

                        Escuridão definitiva antes da luz temporária.

                        Dias contados. Descontado o adiado.

                        Vestígio do vestido. No corpo nu.

                        Fogo apagado. Brasa sem brisa.

                        Entender. Estender. Tudo tende. Tudo pende.

                        Último aperto. Perto do último.

                        Vagais com palavras vogais. Vagões vagos.

                        Memória da última história. Vitória sem ganho.

                        Pão de massa. Amassado sem assado.

                        Mastigação ante, antes, engolir. Bocado e bocanha.

                        Tropeços e saltos. Sobressaltos.

                        Botadas todas as cores. Desbotadas.

                        Não mais qualquer ato. Sem fato.

                        Cometido. Come dito. Medito.

                        Última palavra. Não escrita. Não lida.

                        Palavra não ouvida. Nem palavra foi.

                        Final vivido. À vida que vai. Esvai.

                        Não era para escrever nada disso. Mas é disso que é escrito o nada. 

Fases de Fazer Frases (I)

            A ausência mais sentida é a falta maior.

Fases de Fazer Frases (II)

             Pesadelo é desistir do sonho sem ter outro.

Fases de Fazer Frases (III)

            Arrepio de pássaro é pio.

Fases de Fazer Frases (IV)

            Só tem volta aquilo que não foi ainda.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Em Apucarana, viagem a trabalho, paramos na praça Rui Barbosa, centro da cidade, para perguntar sobre restaurante na proximidade. Bem solícito, um dos vendedores indica dois e comenta, Aquele lá a comida é requentada!. A colega de trabalho Cristiane Real Ramos, assistente social, logo percebeu efetivamente o que queria dizer o vendedor.  Ele se referia a requinte.

            Mais um caso da nossa linda língua, palavras parecidas foneticamente mas com sentido diferente, que gera confusão algumas vezes. Como ratificar e ratificar.

Caixa Pós-tal

            O ubiratanense Josué Moreira cumprimenta o conteúdo da Coluna. Se não me fizesse pensar, refletir, não teria sentido ler, aponta.

Reminiscências em Preto e Branco

            A falta de algo é mais notável em relação ao contrário dela. Como agora, calor e sol intensos elevam o desejo da chuva.          

Pátria párea, parida

I - Quando arrombou o imóvel/ De Geddel em Salvador, /O agente da Polícia
Foi tomado de um torpor: - Nós entramos foi num banco! –,/ Disse ele no corredor.
II - Havia grana em toda parte,/ Uma cortina foi feita/ Com a quantia de 1 milhão/
III - Testemunhando os trabalhos,/ Convocaram João Tenente,/Que conhecia Geddel Desde quando era carente:Juntou dinheiro tomando/ De quem via pela frente. (...)
V - Furtou a bacia de um cego/ Na Ladeira de São Bento,/ Assaltou um aleijado/
Na esquina do convento/ E despojou Carga Torta/ Do único bem: um jumento.(...)
Fazia como Tio Patinhas/ (…) No dia que estava triste,/ Se deitava no dinheiro.
VII - Guardava dinheiro em malas,/ Em travesseiro e colchão,/ (…)/
Escondido num caixão/ Que ele tomou de uma velha/ Numa visita ao Sertão.
VIII - De tanto tomar do povo,/ Geddel foi se acostumando: Quanto mais ele amava, amava,/ Uma fortuna ia juntando.
IX - Desde os tempos de ACM,/ Passando em FHC,/ Tendo seu cartaz em alta/
No governo do PT,/ Geddel se achou imbatível/ Na arte de enriquecer./
X - Só que veio a Lavajato/ Pôr ordem no cabaré: Na esquerda ou na direita, /
Não tem mais/ querequequé,/ Roubou é investigado,/ Finda preso e algemado,!/ (...)

Miguezim de Princesa – Como Geddel Juntou Dinheiro -   (Coluna Diário do Poder)

            Rápida e direta troca de mensagens eletrônicas entre mim e o Henrique Thomé, responsável pela edição da Tribuna. Na quarta eu queria saber se era para enviar o texto da Coluna, caso não fosse circular o jornal na sexta. A objetividade (minha e dele) me atrapalhou, pode mandar, foi a resposta à minha pergunta. Mas eu fiquei com mais dúvida, mandar hoje ou sexta?.

            Faz sentido citar o fato, pois tinha decidido escrever sobre o Sete de Setembro e os casos de corrupção. Só iria citar notícias desta semana, caso tivesse que antecipar o envio do texto.  

            O que mudou de quarta até sexta? (dia de encaminhar a Coluna). As malas de dinheiro com 51 milhões encontradas em um apartamento vazio em Salvador, que levou o dia inteiro para ser contado com maquininhas, foi a maior apreensão em dinheiro vivo feita no Brasil. E pensar que a maior mala de dinheiro era do paranaense Rocha Loures, ex-deputado (PMDB).    

            Da última quarta até esta sexta (quando escrevo a Coluna), o dono do dinheiro foi preso!  Geddel Vieira Lima estava em prisão domiciliar sem tornozeleira. Dispensa apresentações, ele tem processos deste quando entrou na política, tornando-se conhecido no Brasil como dos mais ativos  Anões do Orçamento.

            Se esta Coluna tivesse sido publicada, estaria desatualizada. O texto não mencionaria outro fato, o depoimento em audiência do Antônio Palocci, então todo poderoso ministro da Casa Civil, braço direito de Lula e Dilma. Preso há quase um ano e condenado a 20 anos, ele abriu o verbo, enumerou dinheiro e mais dinheiro para campanha e para o bolso do Lula e Dilma, só para citar os dois ex-presidentes. Fortunas repassadas pelo empresário construtor Emílio Odebrecht.

            O Paraná infelizmente é manchete nacional devido a denúncias de corrupção.  PT e PSDB envolvidos, a senadora petista Gleisi Hoffann e o governador tucano Beto Richa. Pesam sobre eles graves acusações, talvez não saiam sem culpa de nada.  

            Concluo a Coluna. Advirto o caro leitor, o conteúdo deverá ficar desatualizado devido a  desdobramentos, novos detalhes, e também ante a novos casos, denúncia, investigação.

            Pátria Independente, Grito do Ipiranga, gritante corrupção. Roubam, brava gente brasileira.          

Fases de Fazer Frases

            Para sorver sopa não carece usar dentadura.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Não somos independentes? Independentemente do que somos?

Caixa Pós-tal

            A advogada e educadora social, servidora pública Ana Cláudia Padilha, declarou a emoção que sentiu ao ler a Coluna anterior ULIANA, PAZ QUE DEIXA. Uliana era bisavó dos filhos da Ana. 

Reminiscências em Preto e Branco

            Quando alguém estava na pior tinha uma referência comum nos meus tempos de meninice, está tão ruim para o fulano que ele está comendo de marmita. Marmita era típico dos trabalhadores braçais como os da construção civil, os de beira de estrada, (barnabés). Atualmente, não, é até de bom gosto (duplo sentido), prática, econômica. Os restaurantes há tempo oferecem marmita e entregam. Enfim, coisa de pobre, coisa de rico.   

Uliana, paz que deixa

                                                     Tu tens um medo: Acabar.

                                                       Não vês que acabas todo o dia.

                                                       Que morres no amor. (…). Na dúvida. No desejo.

                                                       Que te renovas todo o dia. No amor. (…) Na tristeza. (...)

                                                       Que és sempre o mesmo. Que morrerás por idades imensas.

                                                       Até teres medo de morrer. E então serás eterno.

                                                                              Cecília Meireles

            Preparou-se para levantar da cama. O sol ainda era alguns raios nas frestas da janela. O sono nem sempre a repousava inteiramente, não pela idade e sim ante os seres que amava. Generoso, o coração de puro afeto não deixou que ela saísse do quarto, da cama. O sono agora é eterno. O coração terno silencia no infinito. O descanso da incansável batalhadora veio depois do sereno invernal, mansamente e pouco antes da estação primaveril, repousa como brisa. Escolhera ou foi poupada da despedida última. O destino encenado silenciosamente. Antes que as novas flores chegassem, que ela contemplaria, elas hão de homenageá-la.

            Autenticamente brasileira, ainda assim conservava o sotaque italiano, sobretudo carregado nas palavras verbalizadas como se estivesse numa colônia da Calábria ou na Sicília, evidentemente pelos gestos largos dos braços, mãos, do olhar e voz que acolhia o mundo a partir do pitoresco. Provinda do Rio Grande do Sul, Veranópolis trouxe o sonho de edificar a família com o esposo, de saudosa memória. Foi paranaense sem deixar de ser gaúcha, como ser brasileira sendo italiana.

            A paz é a palavra que alicerçou toda a trajetória de vida. A paz que acalentava. A paz que concebia e concedia no partilhar. A paz que não era apenas ausência de conflito. Tinha ela a paz da inquietação, da consciência que não sossegava se alguém carecesse de um gesto fraternal. Independente, resoluta, altiva, a Nona era peculiar no cuidar das plantas, colher hortaliças, cozinhar, bordar e tinha seu oratório, rogava por todos.

            Nasceu em 1920, 13 de julho, Uliana Facchin Sartor nesses 97 anos sofreu perdas que deixaram marcas profundas, mas que não levaram a sucumbir. Ficou viúva e perdeu dois filhos tragicamente em acidentes automobilísticos. Tornou-se mãe de netos criados com a educação exemplar, palavras claras de discernimento, lições éticas, tudo envolto no sentimento cristão e da dignidade humana. 30 de agosto, derradeira despedida, para sempre a ser enaltecida. 

Fases de Fazer Frases

            Deixe-se de se deixar sozinho. Só não deixar-se sozinho.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Donos, da avenida, das árvores, donos do espaço (que seria?) público. Eles fecharam a avenida e puseram mataram árvores. Revoltante, fato registrado no Sítio Boca Santa, com imagens posterior explicação da prefeitura, segundo ela o corte não foi autorizado. Donos de mais o quê? 

Caixa Pós-tal

            A sua última Coluna me mandaram. Parece que você sabe do meu caso, finalizou a mourãoense Maria Isabel Braga, sobre a última Coluna, DEVOLVA foi compartilhada por muitos. Faço o registro, agradeço em especial à Maria e a todos os demais, ainda sem saber quem são.   

Reminiscências em Preto e Branco – AS VOCAÇÕES DE JOSÉ HAITO DOI

            Vocação é talento, capacidade nata ou adquirida. São três as vocações destacadas nele, agora reminiscências eloquentes para evocá-lo numa saudação à memória, conteúdo de valor que não se pode precisamente estimar. A vocação de ser humano franco, leal, austero nos valores como decência. Assim formou os filhos com exemplos cotidianos de caráter. Outra vocação, a profissional, medicina pautada bem mais do que o mister laboral, foi a de orientar, assistir, socorrer o paciente para cessar, amenizar dor, sofrimento. Dedicava-se a medicina como a cuidar de um pomar, cada árvore, cada fruta com zelo, sapiência cirúrgica. Deixa pomares, legado harmônico: familiares, amizades, pacientes, comunidades. E a terceira vocação era servir, cooperar fraternalmente, somando-se socialmente com empenho. Ao exercer cargos públicos, vereador e secretário municipal, fixou equilíbrio entre a saúde privada e pública, buscava a junção com a experiência de estudar, ouvir, falar, consultar e ser consultado a partir do paciente. Era enérgico, veemente com prescrição ele dirigia com vigor, e que poderia inicialmente não agradar, mas era uma atitude daquele que não conseguia – nem tentava – só atender e, o paciente virava as costas, Doi agiria igual. Paranaense de Cambará, pioneiro como médico, fundou o Hospital Anchieta de Campo Mourão, década de 60. Aos 83 anos, é, (30 de agosto) ausência e saudade eternas, sentidas.        

Devolva

Quem empresta e não devolve, não presta.

Quem se presta a não emprestar, presta.

Estive Nólocal (b.d.C)

            Quem bate esquece, quem apanha, não, o ditado muito conhecido dá para aplicar quando se tratar de empréstimo. Quem recebe um empréstimo, esquece, mas quem emprestou, não esquece.

            Quem tiver algo para devolver, devolva! Fazer-se de esquecido do tipo não se lembrar, mesmo, que emprestou dinheiro ou algum objeto, é comportamento errado, lesar ao se apropriar de algo que foi apenas cedido. Apropriação indevida. Desmerecer e abusar da confiança.

            Antes – ou depois – que o caro leitor pense, o texto não tem qualquer motivação e intenção pessoais. Sequer possuo algum fato para contar relacionado a empréstimo e a não restituição. 

            Formas sutis ou diretas são sugestões dadas para quem pretende ter de volta o que emprestou, não faltam. Além do objeto emprestado, tem um aspecto que exerce influência e bem maior ou de maior valor, o orgulho ferido. Quem emprestou tem a autoestima atingida, daí a ofensa poder alcançar proporções tão elevadas que são comuns desfechos trágicos.

            Caso exista quem tenha me emprestado algo, dinheiro, objeto..., sei lá mais o quê, por favor, se manifeste do tipo, ô, Maciel, devolve aí. Te emprestei e não me devolve mais!.

            Vou devolver! Vô dá jeito de reparar o dano. Tenham paciência. Lembrem-me o que devo. 

            Nunca é tarde para devolver. Mesmo que simbólico, devolver, muito tempo depois, pode ser que tenha a ver com drama de consciência.

            Há anos li a notícia sobre uma pessoa que, passados mais de 30 anos, devolveu o livro emprestado de uma biblioteca chinesa. O exemplar era igual a muitos com o mesmo título. É possível que na biblioteca ninguém mais tenha notado a falta, embora constado no registro a não devolução.

            A pessoa que tinha tal dívida, estava no leito de morte e foi a última vontade, entregar o livro para o acervo da biblioteca.

            À época e como agora estou intrigado e continuo sem saber: Qual o título e nome do autor do livro? E o surrupiador, leu ou não leu o livro?

Fases de Fazer Frases (I)

            A inveja por não ter sorte é o maior azar.

Fases de Fazer Frases (II)

            Estranho é achar tudo normal. Normalmente não é estranho.

Fases de Fazer Frases (III)

            Bom da idade é bondade. Mal da idade é maldade.           

Fases de Fazer Frases (IV)

            Mar das incertezas é preferível, ao leito seco do pessimismo.

Fases de Fazer Frases (V)

            A vida é troca. A vida é toca. A vida não é oca.      

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            Falta de dinheiro ou falta de prestígio? Ainda que tenha passado semanas, não deixa de ser surpreendente o fato de a Copel e a Sanepar deixarem de patrocinar o Basquete de Campo Mourão. Não é só a nossa região que perde e sim o Paraná em termos nacionais nessa modalidade. Se as duas companhias controladas majoritariamente pelo governo estadual alegam não ter dinheiro, a impressão é que foi fácil a aceitação por parte das nossas ditas lideranças regionais. 

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            Um assunto puxa o outro (em relação à nota acima), faz lembrar o presídio em construção em Campo Mourão. Quando paralisada a obra por longo o tempo, o silêncio foi geral. Bastou retomarem a construção para tudo mundo aparecer e posar para a foto. Embora ninguém deseje, mas, caso venha acontecer outra paralisação ou atraso, ninguém (ou quase) aparecerá para o retrato.

Caixa Pós-tal

            Rafael Carlos Eloy Dias, professor em Santa Catarina, dá notícias ao escrevinhador aqui, tio dele, e comenta: Não liguei porque meu celular está no conserto (se ele estivesse no concerto, estaria no teatro municipal, não na assistência!). O doutor em Química também sabe do idioma.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            Relógio sem hora certa é questão de tempo.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

            Não lembrar da memória, largá-la num lugar para não ser achada, alargada.

Sem carteira, o duplo péssimo sentido

Pensei que o mais difícil era encontrar emprego, mas estou vendo que a dificuldade maior

será conseguir a Carteira de Trabalho. Preciso da Carteira de Trabalho para entrar

no Jovem Aprendiz e ingressar no mercado de trabalho.

Adolescente A.H.F, 15 anos

            O lugar que dá mais trabalho; ou não dá trabalho algum é a Agência do Ministério do Trabalho e Emprego em Campo Mourão. A Tribuna destacou na primeira página matéria do jornalista Clodoaldo Bonete, dia oito. A Agência nem sempre atende, literalmente é comum a porta fechada. Faltam, além de mais funcionários, carteiras de trabalho, internet com boa conexão, impressora com tinta e ainda tempo para atender todas as pessoas que vão à repartição dita pública.

            O problema não é novidade, é crônico e não se tem em vista solução que restabeleça o direito do trabalhador, empregado ou não, de ser cidadão. Segundo a reportagem, a responsável não tem autorização para conceder entrevista.

            A declaração, (abaixo do título), o adolescente evidencia estarrecimento ao procurar a Agência e não ser atendido, assim como  outro jovem, Rafael Grella, relatou o fato de a funcionária não ter comparecido ou por não ter material. Em tempos de desemprego - mais de 14 milhões - , quando as raras oportunidades surgem, é um absurdo que um brasileiro possa perder vaga por não ter carteira de trabalho.

            A Agência só tem o nome de Emprego e Trabalho. O vereador Edílson Martins (PR) requereu informações ante ao descaso. O que farão as autoridades públicas e os sindicatos patronal e o dos empregados? 

            Absolutamente indigno uma pessoa perder o que sequer obteve, um trabalho, por não ter  carteira profissional, direito negado ante à irresponsabilidade  seja lá de quem for: Intolerável! 

Fases de Fazer Frases (I)

            Se a moral alheia é só invejada, ela é falsa.  

Fases de Fazer Frases (II)

            O que vem a calhar não vai encalhar.

Fases de Fazer Frases (III)

            Viagem é com g. Viajo é com j.

            Dirijo é com j. Dirigir é com g.

            Ao destino leve mala. Amar a palavra destina, amá-la.    

Fases de Fazer Frases (IV)

            Vi elas nas vielas.

            Vê-las sem velas.

            Vão elas. É delas as vielas sem elas?

            Elas sem as vielas?

            Todas elas são vielas.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            O jovem Eliel Dias Soares Júnior dá um salto enorme na carreira, ser selecionado para um curso técnico da Escola de Artes Circenses. Nível nacional, com méritos, foi aprovado no exame teórico-prático pela Funarte – Fundação Nacional de Artes. 19 anos, é professor da Escola de Circo de Campo Mourão, larga experiência cênica, educador, é notável a paixão dele pela lona, picadeiro. Talento, dedicação, entusiasmo, características decisivas nessa merecida vitória, sem surpreender quem o conhece. Parabéns ao meu ex-aluno no Colégio Estadual Campo Mourão.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            O Rio do Campo está morrendo, título do texto na Tribuna Livre, (sexta anterior) do Félix Santiago de Souza, aborda o risco iminente do rio desaparecer. O escritor, com vários livros publicados, apela à sociedade para ações concretas visando salvar a ainda corrente natural de água.   

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            ...sempre lembro das suas palavras na sala de aula, além de professor, advogado e sociólogo, um homem humilde e sábio onde transforma as palavras na realidade, escreveu o  jovem Gilberto Bazzo. De Araruna, foi meu aluno quando lecionei lá no Colégio Estadual Princesa Isabel. Bazzo é formado em Gestão Tecnológica e Recursos Humanos, um batalhador esforçado  para o trabalho. Almeja colocação compatível com a formação dele.

Reminiscências em Preto e Branco

            Meu pai, a sua falta é sempre presente. Os pais, a presença de quem nunca falta.

A música sem o Melodia, Pérola Negra

Se alguém quer matar-me de amor
Que me mate no Estácio
Bem no compasso, bem junto ao passo
Do passista da escola de samba
Do Largo do Estácio
O Estácio acalma o sentido dos erros que eu faço
Trago não traço, faço não caço
O amor da morena maldita do Largo do Estácio
Fico manso, amanso a dor
Holliday é um dia de paz
Solto o ódio, mato o amor
Holliday eu já não penso mais

Luiz Melodia – Estácio, Holly Estácio

            A música brasileira está inteiramente triste. Notas espedaçadas. Uma nota só. Com a melodia e sem o Melodia. Estácio, o morro, lugar carioca, da escola de samba, do samba de escola, onde nasceu, foi lapidada a pérola negra. Tudo agora é Brasil, somos Estácios vazios, sem estações. Luiz Carlos dos Santos, o Luiz Melodia morreu na madrugada desta sexta. Tinha 66 anos, câncer de medula óssea.  

            Morreu de amor. De amor viveu. Amor compôs. Amor cantou. Interpretou singularmente a melhor música, vivências felizes, tristezas, perdas, saudades. Quantas foram às morenas malditas que conheceu ou que no cenário do morro narrou, bem no compasso, bem junto ao passo do passista da escola de samba. Foi passista pacifista.

            Fazia questão de ser tão original como compositor e intérprete magistral. Letras, conteúdo de uma simplicidade bela, expandidas pela voz única, identidade do artista da palavra, da letra, da poesia, da música, espetáculo maior: a canção da nossa cultura.

            As cantoras Gal Costa e Maria Bethânia foram fundamentais para abrir espaço ao jovem compositor. Pérola Negra, 1971, possibilitou que o sucesso da canção levaria Melodia a subir ao palco, e sempre, também a cantar, Pérola, foi a sua primeira e mais lembrada marca. Bethânia, ano seguinte, lançou Estácio, Holly Estácio e assim Melodia não mais sairia do palco e, sem descer/esquecer-se do morro, Estácio tornou-se mais conhecido pelos brasileiros, como Juventude Transviada nosso retrato bem mais que carioca, nossa nacionalidade, lava roupa todo o dia, que agonia.

            Além da voz ímpar, sonoridade límpida, foi maestro, o caracterizava em todos os seus álbuns, harmonia dos instrumentos, acordes, acústica que reverberava canções que se tornaram, e permanecerão certamente como patrimônio de nossa melhor música.           

Fases de Fazer Frases

            Ideias podem polemizar. E polinizar.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Na edição de ontem, o colunista Walter Pereira destaca a notícia desta Tribuna sobre o risco de acabar o Proerd – Programa Estadual de Resistência às Drogas, matéria do dia 13 do mês passado, quanto ao deputado estadual (PMDB) Nereu Moura ter requerido informações ao governo estadual. Na Coluna deste escrevinhador aqui, o tema foi abordado QUESTÃO (NÃO) FECHADA, citando a reportagem e tecendo comentário. O assessor do parlamentar Moura, Gilmar Cardoso, ex-prefeito do Farol, me enviou cópia do requerimento.

Caixa Pós-tal

            Gosto de ler palavras que não tenho ideia ou pouco sei na sua Coluna, aí procuro saber o significado. Você escreve como se fosse um diálogo, destacou o cascavelense, terapeuta José Luís Oliveira. 

Reminiscências em Preto e Branco

            Melodia não era o nome na certidão de nascimento de Luiz Carlos dos Santos (tema principal da Coluna de hoje). Nem musicalmente e de propósito adotado por ele. Melodia era como ficou conhecido o pai dele, Oswaldo, compositor e cantor reverenciado na Estácio, mas que não fez sucesso, (apenas na vida boêmia). O filho Luiz herdou e bem conquistou o legado musical, até no apelido.  

Questão (não fechada)

A maneira mais rápida de acabar com uma guerra é perdê-la

George Orwel

            Quem não chora não mama, o ditado espelha fatos pertinentes a Campo Mourão e  região. O mais recente, a Defensoria Pública do Paraná daqui está sem defensores, as duas que ocupavam o cargo foram transferidas, sem designarem outro profissional. Mais prejudicados, pessoas sem ou com renda que não dá para arcar despesas para sobrevivência, sequer bancar demandas judiciais que só podem impetrar sem custas. O previsto fechamento da 183ª Zona Eleitoral é outro evento que desencadeou reação contrária, reunião e mobilização públicas. 

                Sério risco é a interrupção das ações públicas de prevenção ao uso de drogas nas escolas,  noticiou esta Tribuna, dia 13 passado: Ex-instrutor do Proerd teme o fim do programa na região. Segundo o policial aposentado, vereador de Engenheiro Beltrão Valdir Hermes da Silva (PSB), só dois policiais trabalham nos 25 municípios. O Proerd – Programa Estadual de Resistência às Drogas e à Violência se fundamenta em ações preventivas nas escolas. Se um policial em sala de aula é um policial a menos nas ruas, estando ele lá, terá que atender a maior número de dependentes químicos que poderiam não estar nessa condição, caso a prevenção não fosse trocada pela repressão.

            Autoridades estão atentas ao enorme dano caso o Proerd enfraqueça ainda mais?

            Outro fechamento contínuo e crescente mas que infelizmente parece não existir, por não sensibilizar a todos, é o fim de turmas e o encerramento de cursos nas escolas públicas, sobretudo no período noturno. Reduzir ou diminuir custo é a alegação do governo estadual, que não pode ser ignorada.

            O que tem feito o governo? Muito pouco, para não dizer, nada! Sequer publicidade institucional que apele aos próprios jovens e adultos à formação educacional e profissional. Ademais, falta empenho concreto do subserviente Núcleo Regional de Ensino, restrito a obedecer  ordens e engajos louvaminheiros superiores.  

            Quem estuda e não desiste, resiste. É punido injustamente, privado de prosseguir seus estudos quando turma e curso fecham. Os colégios públicos estaduais mourãoenses e da região travam uma luta unida à comunidade educacional. Divulgam os cursos ofertados, bem como são encetadas ações pedagógicas que visam o estímulo, permanência e sucesso escolares.  

            Podem exclamar, professores contrários ao fechamento têm posição corporativista. Se válido o raciocínio, ele poderá ser aplicado à Zona Eleitoral e à Defensoria. 

            Tudo acontecendo e eu aqui ma praça dando milho aos pombos, canta Zé Geraldo.                     

Fases de Fazer Frases (I)

            Monólogo é fato falar por si ante à alheia mudez. 

Fases de Fazer Frases (II)

            Mais se aproxima da morte quem se distancia da vida.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            A propósito do tema principal da Coluna: Ruim é a sala com poucos alunos, esvaziada pela evasão. Pior é desconsiderar os que estudam com ameaça e fechamento do curso. Custa o (ao) poder público saber o que é custo?

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            A notícia se espalhou no Brasil, a morte do jogador João Pedro da Silva Rocha, 21 anos. Súbita, enfarto fulminante ao iniciar o treino, à espera do contrato com o Sport de Campo Mourão. Lamentável é assistir imagens televisivas do corpo do atleta estendido e coberto no gramado. Ainda que a preservar a cena para os peritos, é indigno o ser humano exposto, desvelado da consternação.

Caixa Pós-tal

            (…) inclusive para dormir sem medo do escuro, conclui a propaganda da Copel, citada e elogiada na Coluna anterior. A comerciária umuaramense Daniela Fregoneze indagou: nada de fantástico. Respeito a opinião dela. O elogio é devido ao duplo sentido e por tratar-se de empresa geradora de energia e luz. A foto da criança enfatiza o texto sobretudo, sem medo do escuro. Explica-se: escuro no dormir com luz apagada; e sem medo de ficar no escuro, garante a Copel.   

Reminiscências em Preto e Branco

            Para lembrar da casa dos meus saudosos pais Elza e Eloy, com frequência uso naftalina, (nome comercial) para matar baratas e outros insetos. O cheiro me faz sentir naquela casa. Rememoro piadinha tão cheia quanto vazia de graça: Sem conseguir matar baratas mesmo a usar muitas bolinhas, o indivíduo reclamava. Mas ele atirava as bolinhas sem acertar o alvo: as baratas!     

Ela é mais que a RG

Somente quando as coisas podem ser vistas por muitas pessoas, numa variedade de aspectos, sem

mudar de identidade, de sorte que os que estão à sua volta sabem que veem o mesmo na mais

completa diversidade, pode a realidade do mundo manifestar-se de maneira real e fidedigna.

Hannah Arendt

            O nome, o dos pais, data e local de nascimento, impressão digital do polegar e a foto são dados importantes, entre outros, constantes na Cédula de Identidade. Aliás, erroneamente chamada de RG, Ninguém tem RG, subentendido minha 'RG'. O Registro Geral, nome já o diz, registra todas pessoas, e cada uma tem um número próprio na Cédula (única) de identidade.

            A Identidade é Identidade de cada um como foto, retrata momento específico, sem perder a validade. Porém, nossa identidade não é restrita à Cédula. Individual ou social, tal identidade tem constante feitura e firmamento, espelham mudanças no curso da vida. 

            Cronológica e socialmente, temos ema nossa identidade o sobrenome como mais importante que o nome, uma vez que iniciamos a vida conhecidos em face de nossos pais. Somos o filho da dona Maria, do seu José. Na escola ainda a referência é a família, mas acrescida de um novo grupo social a sala e os demais integrantes do colégio. 

            A identidade de cada um existe e é visível conforme os grupos que integramos. Além dos familiares, da escola, é comum o esportivo, religioso, cultural, geográfico, econômico. Identidade inclui etnia, cor da pele, modos de falar, vestir, gostos. Possuímos identidades, as que são substanciais na vida toda e as que farão parte por um bom tempo, transitórias e as efêmeras.

            Identidade é nome e renome, o como pessoas são conhecidas e reconhecidas. Nome  conhecido não pressupõe renome e reconhecido, no sentido dos fatos, que poderão não corresponder ao conteúdo, não passam de imagem. Um profissional pode ter uma fama irreal. Ou uma pessoa com marca negativa acentuada, embora tenha deixado de existir, como o alcoólatra que não bebe mais. Faz lembrar o grande cantor e compositor Ataulfo Alves, (Na cadência do Samba): O meu nome não se/ vai jogar na lama/ Diz o dito popular/ Morre o homem, fica a fama/.                   

Fases de Fazer Frases (I)

            Experiência, lição capaz de solução.

Fases de Fazer Frases (II)

            Antes flores sem vaso. Antes vazo sem flores.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            Um feito histórico, 45 anos como colunista e no mesmo jornal! Um dos mais longevos, inspiração e exemplo para este modesto escrevinhador que acaba de chegar aos 29 anos de Tribuna. Quem tinha 45 anos de coluna? Basta ler Reminiscências em Preto e Branco (I).

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            Nossos clientes confiam em nossos serviços de olhos fechados. Inclusive para dormir sem medo do escuro, lindas palavras ilustradas com foto de uma menina dormindo, na propaganda que informa, a Copel foi escolhida a melhor distribuidora do Brasil. Parabéns!

Caixa Pós-Tal

            A presidente da Academia Mourãoense de Letras – AML, Ester Abreu Piacentini cumprimentou os 29 anos desta Coluna, marca importante do colunismo. Do catarinense de Caçador, Geovane Gabriel: gosto quando escreve sobre política, contundente. Obrigado!

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            São 45 anos anos de uma Coluna escrita no mesmo Jornal, o Zero Hora. Ela chega ao fim  com a morte do titular Paulo Sant'Ana, 78 anos. Cronista esportivo dos melhores textos do jornal brasileiro, torcedor do Grêmio, o que não me impediu de lê-lo e respeitar, mesmo sendo eu torcedor do Internacional. Para homenageá-lo transcrevo como meu time registrou perda: "Figura marcante da crônica gaúcha, sempre demonstrou respeito ao Clube do Povo, alimentando uma rivalidade saudável no futebol do Rio Grande do Sul. Seus textos e comentários perspicazes, a sua personalidade forte e o humor inteligente farão falta na imprensa. O Internacional se solidariza com a família e os admiradores de Paulo Sant'Ana."

Reminiscências em Preto e Branco (II)

            Novamente destaco, certo que não será a última vez. Ser paranaense é admirar nossa linda árvore nativa, a araucária. Neste frio, a elevar o ser do Paraná, é comer o saboroso pinhão. Usar a grimpa no fogo para assá-lo.             Grimpa são os galhos secos que caem do pinheiral.  Queimada, ela produz som dos estralinhos, aconchegos que aproximam pessoas e nos faz ainda mais paranaense.  

Fúlvio, apogeu do apóstolo

Assim que tenho visto que não há coisa melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras,

porque essa é a sua porção; pois quem o fará voltar para ver o que será depois dele?

Eclesiastes

            A origem de fúlvio é latina e diz respeito historicamente a famílias italianas. Além de referenciar cor da pele e cabelos, clara e dourados respectivamente, ser fúlvio associa-se à característica do sentimento humano com o intuito de ajudar quem precisar ou procure e, ainda, o fúlvio tem a qualidade do líder, sente e responde positivamente a anseios de um grupo humano.

            Tínhamos um fúlvio, o nosso Fúlvio Pozza. Ele foi um baluarte de nossa Catedral. Rezemos pelo seu descanso eterno e pelo consolo dos familiares, disse o padre Jurandir Coronado Aguiar, nas homenagens derradeiras e no preito que já é saudade. Fúlvio Pozza nasceu em 1926, outubro, dia 18. Tornou-se saudade a partir do dia 11 de julho. Completaria 91 anos.

            A ausência dele é inestimável, aplacada comiseração que não se limita a querida e devotada família, a esposa Idalina, os quatros filhos, 12 netos e 12 bisnetos. É sentimento da irreversível perda dos cristãos católicos da Catedral, comunidade mourãoense, do vasto círculo de amigos.

            Fúlvio era fúlvio antes de alguém carecer de auxílio, ele prontamente se apresentava e sobretudo tinha atitude humilde, serena, discreta para não ferir, ao contrário, que restabelecesse a dignidade humana daquele necessitado. Auxiliador espiritual e amparador material, sabia ouvir, se compadecer, ser conselheiro. Não fazia juízo de valor condenatório, caminhava e encaminhava ao lado daquele que se apoiava naquelas mãos de conforto, amparo, compreensão, esperança, de luz.

            A Catedral, igreja da Igreja Católica, vive o ápice do silêncio intenso e sublime, a enaltecer o filho, pai, irmão, avô, bisavô, o homem de Jesus que tão vivamente frequentou aquele templo para também assistir a missa, orar, receber a comunhão. Fúlvio integrava à igreja para servir à Igreja, com fraternal e generoso coração. Cumpria tarefas como apóstolo, se tornou o brilho espelhado nas imagens sacras, o brilho no piso que varria, lavava, enxugava. O brilho na preparação e nas manifestações da fé.

            A vida do senhor Fúlvio era apostolado. A da fé como primado das obras, das palavras sempre expressas autenticamente com ações, de honradez, caráter, humildade, realizações de congregação. A vida terna de um homem sabiamente simples é agora eterna. Eterna será presente a sua falta e os seus incontáveis exemplos, lições que minimizam a dolorosa ausência dele. 

Fases de Fazer Frases

            Tudo à vida assiste. Tudo na vida consiste.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Para ter uma nova senha, tem empresa que só aceita cadastrá-la desde que o consumidor digite a antiga. É como exigir trancar a gaveta com a mesma chave e na mesma gaveta.

Caixa Pós-Tal

            Parabéns Maciel, amigo, confrade e professor. A persistência, idealismo, inteligência e sabedoria estão à disposição de todos, mas nem todos sabem e usam como deveriam. Com alegria, registro que, até o último domingo de junho de 2001 fizemos dobradinha na Tribuna: você com sua coluna e eu com a coluna 'Tocando de Primeira'. (…). Aponta Ilivaldo Duarte, que ainda fez um resumo para destacar os 29 anos deste espaço. Blog do Ilivaldo Duarte pôs fotos do escrevinhador, além do texto na íntegra.   

            JOSÉ EUGÊNIOMACIEL, 29 ANOS COM A PENA E A CONVERSA AFIADAS. Segundo Darcy Ribeiro, escrever é ter coisas para dizer, ou seja, é deixar uma marca. É impor ao papel em branco um sinal permanente, é capturar um instante em forma de palavra. Já para Pablo Neruda, escrever é fácil: você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca ideias! Ao nosso estimado amigo, confrade e professor José Eugênio Maciel, externamos os cumprimentos com o desejo de que essa marca se repita por muitas vezes, sempre temperada com sua inteligência ímpar e o bom humor peculiar. 29 anos na ativa, com a pena afiada nas mãos e na Coluna, precisa ter muita ideia para colocar no meio. – PARABÉNS!

            Um dia irei para Campo Mourão, para conhecer esse Maciel e essa. Minha vontade foi despertada ao começar a ler seus textos. Maravilha, grande talento, lindas palavras. E esses 29 anos, hein? Muito legal. No último adorei o seguinte, 'Perdemos tempo não ganhado. Ganhamos tempo perdido’. Lindo! Lindo!, escreveu Irene Silva Oliveira, catarinense de Porto União.

Reminiscências em Preto e Branco

            Não ter uma imagem concreta é ter motivo para concretamente imaginar o que se quiser ter.

29 anos é tempo

O tempo que passa não passa depressa. O que passa depressa é o tempo que passou.

Vergílio Ferreira – escritor

            O tempo não é invenção humana. É âmago da natureza.

            O homem marca o tempo visível. Da ampulheta à cronometria.

            Tempo, duração efêmera, longa, perdura. Contínua, descortina.  

            Perdemos tempo não ganhado. Ganhamos tempo perdido.

            É construção, demolição. Erigido firme, ruína.

            Foram todos os tempos. Não são mais. Mais são. Serão.

            Tempo inscrito. Escrito no tempo.

            Caso e acaso. Coisa, causa, causo.

            O tempo agora 29 anos. 10 de julho:

            Desta Coluna sem lacuna. Com alcunha. Cunhada em tempos. 

            Ela é temporal e atemporal. Passadas. Quiçá inçadas por quem leu.

            Tempo manifesto, o permanente reconhecer. 

            Graças para e a cada ledor. Leitor no eito do texto, palavras semeadas.

            Textos a florescer. Contextos a frutificar.

Fases de Fazer Frases (I)

            Direis que ireis? Dirás que irás? Digamos, iremos. Sem irarmos.

Fases de Fazer Frases (II)

            Separar bem ideias é o melhor argumento para juntá-las.  

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            O selo comemorativo dos 70 anos de Campo Mourão começou a ser colado nas correspondências, está à venda nos Correios. Registro a lembrança feita pelo historiador Jair Elias dos Santos quanto a este escrevinhador como autor da lei municipal que instituiu tal selo a cada década. A ocasião era os 50 anos de autonomia mourãoense. Coincidência ou não, o selo dos 70 tem a mesma pessoa como prefeito, Tauillo Tezelli.

            Dois fatos valem recordar resumidamente. No selo dos 50 anos muitos estabelecimentos comerciais, públicos e demais espaços, a logomarca foi desenhada. Outro fato, a cervejaria Schincariol colocou gratuitamente o selo no rótulo das garrafas. O lançamento foi na Associação Comercial e Industrial de Campo Mourão – Acicam. Tudo à altura do então meio século. 

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            Não é crítica à própria Tribuna, ocorreu, aliás, é raro. Na edição anterior o conteúdo desta Coluna foi publicado mas sem o título dela. Constou como TRIBUNA LIVRE. Pelo menos um leitor do Jornal sabia tratar-se deste escrevinhador. Dilmar Antonio Peri, gerente de produção da CrediCoamo, ao registrar o elogio à Coluna pela homenagem ao pioneiro mourãoense Joel Albuquerque, (JOEL TRIGUEIRO).      

Caixa pós-tal

            Além do Dilmar, citado no subtítulo acima, outro leitor assíduo é Valdir Rocha, funcionário da Caixa Econômica Federal. Ele é importante referência da nossa cultura como ator profissional.      

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            Há 29 anos, (texto que abre o espaço de hoje) despretensiosamente no sentido de sem querer e espontaneamente, começou esta Coluna: 10 de julho de 1988. O texto de estreia foi sobre o pioneiro de Campo Mourão Avelino Piacentini, que morreu no dia quatro. Este espaço passava a abordar outros temas, sem deixar de prestar tributo a entes queridos da nossa terra.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

            Para o texto chegar até aqui, ele era entregue diretamente na redação ou vinha por carta, depois encomenda, telex e fax. Antes só aos domingos e bissemanal. Jornal impresso em preto e branco, reminiscências. Agora a ultrapassagem do tempo é a velocidade colorida, instantânea.      

Reminiscências em Preto e Branco (III)

            O título da Coluna foi posto pelo Jornal. JOSÉ EUGÊNIO MACIEL ficou assim nominado. À TRIBUNA DO INTERIOR  e aos caros leitores do Jornal, a minha gratidão. Sempre!                   

Reminiscências em Preto e Branco (IV)

            Quem vende queijo e vaca não tem, de algum lugar o leite vem, falava o saudoso Antônio Skowronski, pioneiro mourãoense, tornado saudade há seis anos. O filho dele, que foi vendedor de pastel, carteiro e vereador, hoje advogado, herdou do pai o gosto pelos ditados, e Izael tem o dele: o que abunda não prejudica. (Escrito não gera dúvida, só oralmente: a bunda). Claro, Izael nunca quis gerar dupla interpretação. Ironia à parte, somos amigos dos tempos de meninice.