José Eugênio Maciel
A música sem o Melodia, Pérola Negra

Se alguém quer matar-me de amor
Que me mate no Estácio
Bem no compasso, bem junto ao passo
Do passista da escola de samba
Do Largo do Estácio
O Estácio acalma o sentido dos erros que eu faço
Trago não traço, faço não caço
O amor da morena maldita do Largo do Estácio
Fico manso, amanso a dor
Holliday é um dia de paz
Solto o ódio, mato o amor
Holliday eu já não penso mais

Luiz Melodia – Estácio, Holly Estácio

            A música brasileira está inteiramente triste. Notas espedaçadas. Uma nota só. Com a melodia e sem o Melodia. Estácio, o morro, lugar carioca, da escola de samba, do samba de escola, onde nasceu, foi lapidada a pérola negra. Tudo agora é Brasil, somos Estácios vazios, sem estações. Luiz Carlos dos Santos, o Luiz Melodia morreu na madrugada desta sexta. Tinha 66 anos, câncer de medula óssea.  

            Morreu de amor. De amor viveu. Amor compôs. Amor cantou. Interpretou singularmente a melhor música, vivências felizes, tristezas, perdas, saudades. Quantas foram às morenas malditas que conheceu ou que no cenário do morro narrou, bem no compasso, bem junto ao passo do passista da escola de samba. Foi passista pacifista.

            Fazia questão de ser tão original como compositor e intérprete magistral. Letras, conteúdo de uma simplicidade bela, expandidas pela voz única, identidade do artista da palavra, da letra, da poesia, da música, espetáculo maior: a canção da nossa cultura.

            As cantoras Gal Costa e Maria Bethânia foram fundamentais para abrir espaço ao jovem compositor. Pérola Negra, 1971, possibilitou que o sucesso da canção levaria Melodia a subir ao palco, e sempre, também a cantar, Pérola, foi a sua primeira e mais lembrada marca. Bethânia, ano seguinte, lançou Estácio, Holly Estácio e assim Melodia não mais sairia do palco e, sem descer/esquecer-se do morro, Estácio tornou-se mais conhecido pelos brasileiros, como Juventude Transviada nosso retrato bem mais que carioca, nossa nacionalidade, lava roupa todo o dia, que agonia.

            Além da voz ímpar, sonoridade límpida, foi maestro, o caracterizava em todos os seus álbuns, harmonia dos instrumentos, acordes, acústica que reverberava canções que se tornaram, e permanecerão certamente como patrimônio de nossa melhor música.           

Fases de Fazer Frases

            Ideias podem polemizar. E polinizar.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Na edição de ontem, o colunista Walter Pereira destaca a notícia desta Tribuna sobre o risco de acabar o Proerd – Programa Estadual de Resistência às Drogas, matéria do dia 13 do mês passado, quanto ao deputado estadual (PMDB) Nereu Moura ter requerido informações ao governo estadual. Na Coluna deste escrevinhador aqui, o tema foi abordado QUESTÃO (NÃO) FECHADA, citando a reportagem e tecendo comentário. O assessor do parlamentar Moura, Gilmar Cardoso, ex-prefeito do Farol, me enviou cópia do requerimento.

Caixa Pós-tal

            Gosto de ler palavras que não tenho ideia ou pouco sei na sua Coluna, aí procuro saber o significado. Você escreve como se fosse um diálogo, destacou o cascavelense, terapeuta José Luís Oliveira. 

Reminiscências em Preto e Branco

            Melodia não era o nome na certidão de nascimento de Luiz Carlos dos Santos (tema principal da Coluna de hoje). Nem musicalmente e de propósito adotado por ele. Melodia era como ficou conhecido o pai dele, Oswaldo, compositor e cantor reverenciado na Estácio, mas que não fez sucesso, (apenas na vida boêmia). O filho Luiz herdou e bem conquistou o legado musical, até no apelido.  

Questão (não fechada)

A maneira mais rápida de acabar com uma guerra é perdê-la

George Orwel

            Quem não chora não mama, o ditado espelha fatos pertinentes a Campo Mourão e  região. O mais recente, a Defensoria Pública do Paraná daqui está sem defensores, as duas que ocupavam o cargo foram transferidas, sem designarem outro profissional. Mais prejudicados, pessoas sem ou com renda que não dá para arcar despesas para sobrevivência, sequer bancar demandas judiciais que só podem impetrar sem custas. O previsto fechamento da 183ª Zona Eleitoral é outro evento que desencadeou reação contrária, reunião e mobilização públicas. 

                Sério risco é a interrupção das ações públicas de prevenção ao uso de drogas nas escolas,  noticiou esta Tribuna, dia 13 passado: Ex-instrutor do Proerd teme o fim do programa na região. Segundo o policial aposentado, vereador de Engenheiro Beltrão Valdir Hermes da Silva (PSB), só dois policiais trabalham nos 25 municípios. O Proerd – Programa Estadual de Resistência às Drogas e à Violência se fundamenta em ações preventivas nas escolas. Se um policial em sala de aula é um policial a menos nas ruas, estando ele lá, terá que atender a maior número de dependentes químicos que poderiam não estar nessa condição, caso a prevenção não fosse trocada pela repressão.

            Autoridades estão atentas ao enorme dano caso o Proerd enfraqueça ainda mais?

            Outro fechamento contínuo e crescente mas que infelizmente parece não existir, por não sensibilizar a todos, é o fim de turmas e o encerramento de cursos nas escolas públicas, sobretudo no período noturno. Reduzir ou diminuir custo é a alegação do governo estadual, que não pode ser ignorada.

            O que tem feito o governo? Muito pouco, para não dizer, nada! Sequer publicidade institucional que apele aos próprios jovens e adultos à formação educacional e profissional. Ademais, falta empenho concreto do subserviente Núcleo Regional de Ensino, restrito a obedecer  ordens e engajos louvaminheiros superiores.  

            Quem estuda e não desiste, resiste. É punido injustamente, privado de prosseguir seus estudos quando turma e curso fecham. Os colégios públicos estaduais mourãoenses e da região travam uma luta unida à comunidade educacional. Divulgam os cursos ofertados, bem como são encetadas ações pedagógicas que visam o estímulo, permanência e sucesso escolares.  

            Podem exclamar, professores contrários ao fechamento têm posição corporativista. Se válido o raciocínio, ele poderá ser aplicado à Zona Eleitoral e à Defensoria. 

            Tudo acontecendo e eu aqui ma praça dando milho aos pombos, canta Zé Geraldo.                     

Fases de Fazer Frases (I)

            Monólogo é fato falar por si ante à alheia mudez. 

Fases de Fazer Frases (II)

            Mais se aproxima da morte quem se distancia da vida.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            A propósito do tema principal da Coluna: Ruim é a sala com poucos alunos, esvaziada pela evasão. Pior é desconsiderar os que estudam com ameaça e fechamento do curso. Custa o (ao) poder público saber o que é custo?

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            A notícia se espalhou no Brasil, a morte do jogador João Pedro da Silva Rocha, 21 anos. Súbita, enfarto fulminante ao iniciar o treino, à espera do contrato com o Sport de Campo Mourão. Lamentável é assistir imagens televisivas do corpo do atleta estendido e coberto no gramado. Ainda que a preservar a cena para os peritos, é indigno o ser humano exposto, desvelado da consternação.

Caixa Pós-tal

            (…) inclusive para dormir sem medo do escuro, conclui a propaganda da Copel, citada e elogiada na Coluna anterior. A comerciária umuaramense Daniela Fregoneze indagou: nada de fantástico. Respeito a opinião dela. O elogio é devido ao duplo sentido e por tratar-se de empresa geradora de energia e luz. A foto da criança enfatiza o texto sobretudo, sem medo do escuro. Explica-se: escuro no dormir com luz apagada; e sem medo de ficar no escuro, garante a Copel.   

Reminiscências em Preto e Branco

            Para lembrar da casa dos meus saudosos pais Elza e Eloy, com frequência uso naftalina, (nome comercial) para matar baratas e outros insetos. O cheiro me faz sentir naquela casa. Rememoro piadinha tão cheia quanto vazia de graça: Sem conseguir matar baratas mesmo a usar muitas bolinhas, o indivíduo reclamava. Mas ele atirava as bolinhas sem acertar o alvo: as baratas!     

Ela é mais que a RG

Somente quando as coisas podem ser vistas por muitas pessoas, numa variedade de aspectos, sem

mudar de identidade, de sorte que os que estão à sua volta sabem que veem o mesmo na mais

completa diversidade, pode a realidade do mundo manifestar-se de maneira real e fidedigna.

Hannah Arendt

            O nome, o dos pais, data e local de nascimento, impressão digital do polegar e a foto são dados importantes, entre outros, constantes na Cédula de Identidade. Aliás, erroneamente chamada de RG, Ninguém tem RG, subentendido minha 'RG'. O Registro Geral, nome já o diz, registra todas pessoas, e cada uma tem um número próprio na Cédula (única) de identidade.

            A Identidade é Identidade de cada um como foto, retrata momento específico, sem perder a validade. Porém, nossa identidade não é restrita à Cédula. Individual ou social, tal identidade tem constante feitura e firmamento, espelham mudanças no curso da vida. 

            Cronológica e socialmente, temos ema nossa identidade o sobrenome como mais importante que o nome, uma vez que iniciamos a vida conhecidos em face de nossos pais. Somos o filho da dona Maria, do seu José. Na escola ainda a referência é a família, mas acrescida de um novo grupo social a sala e os demais integrantes do colégio. 

            A identidade de cada um existe e é visível conforme os grupos que integramos. Além dos familiares, da escola, é comum o esportivo, religioso, cultural, geográfico, econômico. Identidade inclui etnia, cor da pele, modos de falar, vestir, gostos. Possuímos identidades, as que são substanciais na vida toda e as que farão parte por um bom tempo, transitórias e as efêmeras.

            Identidade é nome e renome, o como pessoas são conhecidas e reconhecidas. Nome  conhecido não pressupõe renome e reconhecido, no sentido dos fatos, que poderão não corresponder ao conteúdo, não passam de imagem. Um profissional pode ter uma fama irreal. Ou uma pessoa com marca negativa acentuada, embora tenha deixado de existir, como o alcoólatra que não bebe mais. Faz lembrar o grande cantor e compositor Ataulfo Alves, (Na cadência do Samba): O meu nome não se/ vai jogar na lama/ Diz o dito popular/ Morre o homem, fica a fama/.                   

Fases de Fazer Frases (I)

            Experiência, lição capaz de solução.

Fases de Fazer Frases (II)

            Antes flores sem vaso. Antes vazo sem flores.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            Um feito histórico, 45 anos como colunista e no mesmo jornal! Um dos mais longevos, inspiração e exemplo para este modesto escrevinhador que acaba de chegar aos 29 anos de Tribuna. Quem tinha 45 anos de coluna? Basta ler Reminiscências em Preto e Branco (I).

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            Nossos clientes confiam em nossos serviços de olhos fechados. Inclusive para dormir sem medo do escuro, lindas palavras ilustradas com foto de uma menina dormindo, na propaganda que informa, a Copel foi escolhida a melhor distribuidora do Brasil. Parabéns!

Caixa Pós-Tal

            A presidente da Academia Mourãoense de Letras – AML, Ester Abreu Piacentini cumprimentou os 29 anos desta Coluna, marca importante do colunismo. Do catarinense de Caçador, Geovane Gabriel: gosto quando escreve sobre política, contundente. Obrigado!

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            São 45 anos anos de uma Coluna escrita no mesmo Jornal, o Zero Hora. Ela chega ao fim  com a morte do titular Paulo Sant'Ana, 78 anos. Cronista esportivo dos melhores textos do jornal brasileiro, torcedor do Grêmio, o que não me impediu de lê-lo e respeitar, mesmo sendo eu torcedor do Internacional. Para homenageá-lo transcrevo como meu time registrou perda: "Figura marcante da crônica gaúcha, sempre demonstrou respeito ao Clube do Povo, alimentando uma rivalidade saudável no futebol do Rio Grande do Sul. Seus textos e comentários perspicazes, a sua personalidade forte e o humor inteligente farão falta na imprensa. O Internacional se solidariza com a família e os admiradores de Paulo Sant'Ana."

Reminiscências em Preto e Branco (II)

            Novamente destaco, certo que não será a última vez. Ser paranaense é admirar nossa linda árvore nativa, a araucária. Neste frio, a elevar o ser do Paraná, é comer o saboroso pinhão. Usar a grimpa no fogo para assá-lo.             Grimpa são os galhos secos que caem do pinheiral.  Queimada, ela produz som dos estralinhos, aconchegos que aproximam pessoas e nos faz ainda mais paranaense.  

Fúlvio, apogeu do apóstolo

Assim que tenho visto que não há coisa melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras,

porque essa é a sua porção; pois quem o fará voltar para ver o que será depois dele?

Eclesiastes

            A origem de fúlvio é latina e diz respeito historicamente a famílias italianas. Além de referenciar cor da pele e cabelos, clara e dourados respectivamente, ser fúlvio associa-se à característica do sentimento humano com o intuito de ajudar quem precisar ou procure e, ainda, o fúlvio tem a qualidade do líder, sente e responde positivamente a anseios de um grupo humano.

            Tínhamos um fúlvio, o nosso Fúlvio Pozza. Ele foi um baluarte de nossa Catedral. Rezemos pelo seu descanso eterno e pelo consolo dos familiares, disse o padre Jurandir Coronado Aguiar, nas homenagens derradeiras e no preito que já é saudade. Fúlvio Pozza nasceu em 1926, outubro, dia 18. Tornou-se saudade a partir do dia 11 de julho. Completaria 91 anos.

            A ausência dele é inestimável, aplacada comiseração que não se limita a querida e devotada família, a esposa Idalina, os quatros filhos, 12 netos e 12 bisnetos. É sentimento da irreversível perda dos cristãos católicos da Catedral, comunidade mourãoense, do vasto círculo de amigos.

            Fúlvio era fúlvio antes de alguém carecer de auxílio, ele prontamente se apresentava e sobretudo tinha atitude humilde, serena, discreta para não ferir, ao contrário, que restabelecesse a dignidade humana daquele necessitado. Auxiliador espiritual e amparador material, sabia ouvir, se compadecer, ser conselheiro. Não fazia juízo de valor condenatório, caminhava e encaminhava ao lado daquele que se apoiava naquelas mãos de conforto, amparo, compreensão, esperança, de luz.

            A Catedral, igreja da Igreja Católica, vive o ápice do silêncio intenso e sublime, a enaltecer o filho, pai, irmão, avô, bisavô, o homem de Jesus que tão vivamente frequentou aquele templo para também assistir a missa, orar, receber a comunhão. Fúlvio integrava à igreja para servir à Igreja, com fraternal e generoso coração. Cumpria tarefas como apóstolo, se tornou o brilho espelhado nas imagens sacras, o brilho no piso que varria, lavava, enxugava. O brilho na preparação e nas manifestações da fé.

            A vida do senhor Fúlvio era apostolado. A da fé como primado das obras, das palavras sempre expressas autenticamente com ações, de honradez, caráter, humildade, realizações de congregação. A vida terna de um homem sabiamente simples é agora eterna. Eterna será presente a sua falta e os seus incontáveis exemplos, lições que minimizam a dolorosa ausência dele. 

Fases de Fazer Frases

            Tudo à vida assiste. Tudo na vida consiste.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Para ter uma nova senha, tem empresa que só aceita cadastrá-la desde que o consumidor digite a antiga. É como exigir trancar a gaveta com a mesma chave e na mesma gaveta.

Caixa Pós-Tal

            Parabéns Maciel, amigo, confrade e professor. A persistência, idealismo, inteligência e sabedoria estão à disposição de todos, mas nem todos sabem e usam como deveriam. Com alegria, registro que, até o último domingo de junho de 2001 fizemos dobradinha na Tribuna: você com sua coluna e eu com a coluna 'Tocando de Primeira'. (…). Aponta Ilivaldo Duarte, que ainda fez um resumo para destacar os 29 anos deste espaço. Blog do Ilivaldo Duarte pôs fotos do escrevinhador, além do texto na íntegra.   

            JOSÉ EUGÊNIOMACIEL, 29 ANOS COM A PENA E A CONVERSA AFIADAS. Segundo Darcy Ribeiro, escrever é ter coisas para dizer, ou seja, é deixar uma marca. É impor ao papel em branco um sinal permanente, é capturar um instante em forma de palavra. Já para Pablo Neruda, escrever é fácil: você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca ideias! Ao nosso estimado amigo, confrade e professor José Eugênio Maciel, externamos os cumprimentos com o desejo de que essa marca se repita por muitas vezes, sempre temperada com sua inteligência ímpar e o bom humor peculiar. 29 anos na ativa, com a pena afiada nas mãos e na Coluna, precisa ter muita ideia para colocar no meio. – PARABÉNS!

            Um dia irei para Campo Mourão, para conhecer esse Maciel e essa. Minha vontade foi despertada ao começar a ler seus textos. Maravilha, grande talento, lindas palavras. E esses 29 anos, hein? Muito legal. No último adorei o seguinte, 'Perdemos tempo não ganhado. Ganhamos tempo perdido’. Lindo! Lindo!, escreveu Irene Silva Oliveira, catarinense de Porto União.

Reminiscências em Preto e Branco

            Não ter uma imagem concreta é ter motivo para concretamente imaginar o que se quiser ter.

29 anos é tempo

O tempo que passa não passa depressa. O que passa depressa é o tempo que passou.

Vergílio Ferreira – escritor

            O tempo não é invenção humana. É âmago da natureza.

            O homem marca o tempo visível. Da ampulheta à cronometria.

            Tempo, duração efêmera, longa, perdura. Contínua, descortina.  

            Perdemos tempo não ganhado. Ganhamos tempo perdido.

            É construção, demolição. Erigido firme, ruína.

            Foram todos os tempos. Não são mais. Mais são. Serão.

            Tempo inscrito. Escrito no tempo.

            Caso e acaso. Coisa, causa, causo.

            O tempo agora 29 anos. 10 de julho:

            Desta Coluna sem lacuna. Com alcunha. Cunhada em tempos. 

            Ela é temporal e atemporal. Passadas. Quiçá inçadas por quem leu.

            Tempo manifesto, o permanente reconhecer. 

            Graças para e a cada ledor. Leitor no eito do texto, palavras semeadas.

            Textos a florescer. Contextos a frutificar.

Fases de Fazer Frases (I)

            Direis que ireis? Dirás que irás? Digamos, iremos. Sem irarmos.

Fases de Fazer Frases (II)

            Separar bem ideias é o melhor argumento para juntá-las.  

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            O selo comemorativo dos 70 anos de Campo Mourão começou a ser colado nas correspondências, está à venda nos Correios. Registro a lembrança feita pelo historiador Jair Elias dos Santos quanto a este escrevinhador como autor da lei municipal que instituiu tal selo a cada década. A ocasião era os 50 anos de autonomia mourãoense. Coincidência ou não, o selo dos 70 tem a mesma pessoa como prefeito, Tauillo Tezelli.

            Dois fatos valem recordar resumidamente. No selo dos 50 anos muitos estabelecimentos comerciais, públicos e demais espaços, a logomarca foi desenhada. Outro fato, a cervejaria Schincariol colocou gratuitamente o selo no rótulo das garrafas. O lançamento foi na Associação Comercial e Industrial de Campo Mourão – Acicam. Tudo à altura do então meio século. 

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            Não é crítica à própria Tribuna, ocorreu, aliás, é raro. Na edição anterior o conteúdo desta Coluna foi publicado mas sem o título dela. Constou como TRIBUNA LIVRE. Pelo menos um leitor do Jornal sabia tratar-se deste escrevinhador. Dilmar Antonio Peri, gerente de produção da CrediCoamo, ao registrar o elogio à Coluna pela homenagem ao pioneiro mourãoense Joel Albuquerque, (JOEL TRIGUEIRO).      

Caixa pós-tal

            Além do Dilmar, citado no subtítulo acima, outro leitor assíduo é Valdir Rocha, funcionário da Caixa Econômica Federal. Ele é importante referência da nossa cultura como ator profissional.      

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            Há 29 anos, (texto que abre o espaço de hoje) despretensiosamente no sentido de sem querer e espontaneamente, começou esta Coluna: 10 de julho de 1988. O texto de estreia foi sobre o pioneiro de Campo Mourão Avelino Piacentini, que morreu no dia quatro. Este espaço passava a abordar outros temas, sem deixar de prestar tributo a entes queridos da nossa terra.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

            Para o texto chegar até aqui, ele era entregue diretamente na redação ou vinha por carta, depois encomenda, telex e fax. Antes só aos domingos e bissemanal. Jornal impresso em preto e branco, reminiscências. Agora a ultrapassagem do tempo é a velocidade colorida, instantânea.      

Reminiscências em Preto e Branco (III)

            O título da Coluna foi posto pelo Jornal. JOSÉ EUGÊNIO MACIEL ficou assim nominado. À TRIBUNA DO INTERIOR  e aos caros leitores do Jornal, a minha gratidão. Sempre!                   

Reminiscências em Preto e Branco (IV)

            Quem vende queijo e vaca não tem, de algum lugar o leite vem, falava o saudoso Antônio Skowronski, pioneiro mourãoense, tornado saudade há seis anos. O filho dele, que foi vendedor de pastel, carteiro e vereador, hoje advogado, herdou do pai o gosto pelos ditados, e Izael tem o dele: o que abunda não prejudica. (Escrito não gera dúvida, só oralmente: a bunda). Claro, Izael nunca quis gerar dupla interpretação. Ironia à parte, somos amigos dos tempos de meninice.                  

Joel trigueiro

Se nada nos salvar da morte, pelo menos que o amor nos salve da vida.

Pablo Neruda

            Se for preciso separar o joio do trigo, o ditado não se aplica quando não existe o joio, do trigo bom chamado Joel. O Joel Albuquerque foi sempre trigueiro, no sentido de maduro, moreno, próprio desta terra que o recebe na eternidade. Joel Albuquerque se caracterizou vida toda como aquele ser humano de todos os campos, dos mourões com sagacidade e sentimentos estoicos que herdou dos saudosos pais desbravadores Francisco e Anita. Deles Joel assimilou a lição que jamais careceu ser cobrado, devoção por Campo Mourão.

            Trigueiro que espalhou a semente como pessoa querida e a querer o bem de todos os seus, familiares e amigos. A amizade com ele principiava no primeiro aceno, cumprimento, encontro, firmes os pés nesta terra vermelha que amorenava a cor da pele, do semblante. O abraço passaria a ser, como sempre, a fraternal convivência de um mourãoense digno de sê-lo, à altura dos Albuquerques.

            Cancioneiro das modas de viola, dos clássicos, da cantoria improvisada, o proseador da roda de causos. Envolvia-se nas boas iniciativas comunitárias, não carecia chamá-lo, pronto para fazer bem qualquer tarefa que a ele fosse confiada. Gestos grandiosos somados às ações cotidianas simples de camaradagem.

            A voz emudece. As cordas, teclados, baterias, todos os instrumentos musicais silenciam. A exceção é para executar a marcha fúnebre. Gestos expansivos, olhares telúricos, afeto, o homem pródigo em atenção, sempre na evocação ao bem querer deste lugar, leva com ele o que era peculiar e que o fazia notoriamente. Manancial repleto de exemplares do companheirismo vicinal.

Bem mais do que contabilizar um mourãoense a menos, é que ficamos e somos menos mourãoenses. Entretanto, recebemos o brilho legítimo do trigueiro. É agora saudade, Joel D’Aparecido Albuquerque, 17 de maio, 1938; 27 de junho, 2017.

Fases de Fazer Frases (I)

            Soa o som do sino. Sino que soa só. Só o som é do sino.

Fases de Fazer Frases (II)

            Despistar palavras é despi-las.  

Fases de Fazer Frases (III)

            Aonde a Íria iria eu não iria sem a Íria.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            Se era de fato por falta de placas, o departamento de trânsito da prefeitura de Campo Mourão iniciou a colocação delas para disciplinar caminhões pelas vias urbanas. A fiscalização anuncia que será para valer. Com as placas, que infrações e abuso sejam implacavelmente punidos.   

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            Sem desejar me desfazer de nem uma delas, velhas, jovens ou novas, eu sabia: todas carentes de mais furos. Assim foi feito. Elas continuam inseparáveis de mim, uso todas conforme a ocasião. O que variou é que algumas foi preciso poucos furos e outras, mais. São as minhas sintas. Elas não deixam caírem minhas calças.  

Olhos, Vistos do Cotidiano (III)

            Não importa se é costume de pobre, o fato é que o Código de Defesa do Consumidor é pouquíssimo respeitado no aspecto da informação dos preços, que deveria constar, etiquetado. Não é mais uma informação, e sim indispensável, útil. Embora paciente, quase desisti de indagar o preço do produto na vitrine. Quando soube do preço, mais pobre me senti. Pobre e sem etiqueta, sem preço e apreço.  

Caixa Pós-tal

            Lindo texto professor! Realmente nós brasileiros temos orgulho desse "manezinho da ilha’", escreveu a pedagoga Erenice Macedo, quanto à Coluna intitulada GUGA, (10 de junho). De Maringá, o estudante de Fisioterapia ressaltou o estilo da Coluna, observo os textos, existem os eruditos e os de conteúdo popular. São atraentes e compreensíveis, ressaltou Waldemar P. Silva.

Reminiscências em Preto e Branco

            O adágio pode ser andrajo por serem populares.             

Quando o carteiro chegou (...)

 

QUANDO O CARTEIRO CHEGOU (...).

Quando o carteiro chegou e o meu nome gritou
Com uma carta na mão
Ante surpresa tão rude, nem sei como pude
Chegar ao portão
Lendo o envelope bonito e no seu sobrescrito
Eu reconheci
A mesma caligrafia, que disse-me um dia
Estou farto de ti
Porém não tive coragem de abrir a mensagem
Porque na incerteza
Eu meditava e dizia:
Será de alegria?
Será de tristeza?
Quanta verdade tristonha ou mentira risonha
Uma carta nos traz
E assim pensando rasguei, sua carta e queimei
Para não sofrer mais

Cícero Nunes e Aldo Cabral

            A palavra postal originalmente é latina, post e significa depois de. Ela remete à outra palavra, pós, da mesma origem etimológica, sinônimo de posterior. A palavra pós liga-se a outro elemento pelo hífen, e, como exemplo, pós-graduação; pós-guerra. Ainda do latim vem à tona da memória o tal, palavra sinônimo de esse, este, aquele, assim, igual, semelhante.

            Palavras e sentidos com o intuito de chamar a atenção do caro e raro leitor desta Coluna. Ela tem a partir de hoje um novo subtítulo: Caixa Pós-tal, que ficará em seguida dos Olhos, Vistos do Cotidiano e antes de Reminiscências em Preto e Branco. O estreante subtítulo destina-se a registrar manifestações relacionadas a todo o conteúdo aqui publicado. Por escrito ou verbalmente, é para crítica do leitor a favor ou contra, sugestões, apontamento dos erros. Por gostar de brincar com palavras, sempre iminente e enorme perigo para mim, as conheço e domino bem pouco, então, para personalizar tal espaço, em vez de postal, será pós-tal. O que vier depois, tal pós, pós-tal.

            Não longe no tempo, quando não era obrigatório a caixa postal padronizada, a música transcrita narra o carteiro a chegar e gritar o nome do destinatário com a carta na mão. Mensagem é uma das canções mais populares cantaroladas. Foi o maior sucesso da cantora paulistana Isaura Garcia, intérprete magistral nos anos 40 e 50. Morreu em 1993.

            A riqueza da nossa arte, como a musical, é caracterizada pela diversificação nos arranjos, na voz, estilo. Mensagem tem lindas interpretações como a de duas cantoras brasileiras, Vanusa e Maria Bethânia. Se existirá uma melhor que a outra, é arriscado, pois a mesma canção com diferentes tons, sons, tudo numa musicalidade, tão bonitas e diferentes como Isaurinha. 

Fases de Fazer Frases

            Volto meus olhos para as voltas que não vi.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Vem a avisar. Visa suave ou intensa, sopro que traz o frio: No ver o inverno.    

Caixa Pós-tal

            Gabriela Gonçalves, cada linha que li imaginava o senhor naquele momento. Curiosa para saber se estava tudo bem com o ‘babão’ aí apaixonado pela araucária, escreveu a telefonista mourãoense. Aqui da Tribuna, o amigo Clodoaldo: Quando comecei ler o texto já ia te ligar para saber se estava bem. Aí continuei a leitura e fiquei aliviado. Ambos se referem à última Coluna, intitulada FINGI QUE FUGI.      

Reminiscências em Preto e Branco

            Mensagem, transcrita literal na Coluna de hoje, cabe comparar no tempo, não tive coragem de abrir a mensagem, (...)... rasguei a sua carta e queimei. Como caixa postal também é endereço eletrônico, não precisamos rasgar, queimar, basta deletar.  

FINGI QUE FUGI

Ninguém sabe o que verdadeiramente sente: é possível sentirmos alívio com a morte

 de alguém querido, e julgar que estamos sentindo pena, porque é isso que se

 deve sentir nessas ocasiões; a maioria da gente sente convencionalmente,

embora com a maior sinceridade dos homens.

Álvaro de Campos/Fernando Pessoa

 

            - Professor Maciel, o senhor está bem?

            - Quer ir pra sua casa? Nós te levamos!

            - O senhor está precisando de alguma coisa?

            - Podemos ajudar?

            - Maciel, o senhor está passando bem?

            Todas as perguntas foram feitas uma seguida da outra e com a pressa do casal para me ajudar no que for preciso. Perguntas que começaram a ser dirigidas a mim quando os dois praticamente não tinham saído do carro. Depois se aproximaram a passos rápidos, olhares atentos voltados para mim.

            Tarde ensolarada, cerca de 16 horas e 30 minutos, quinta-feira, dia normal de trabalho. Eu estava de folga. Estava a caminhar pela cidade mourãoense. Naquele exato instante eu estava parado a olhar um enorme pinheiro nativo paranaense, uma esplendorosa araucária. Eu já iniciara o caminho de volta para casa e parei para contemplá-la, ao longe, a nossa imponente árvore-símbolo do Paraná. Eu estava a me localizar para, noutra caminhada ir ao encontro dela.

            O suor no rosto me levou a tirar o boné e, com a mão (em substituição a aba dele) pus ela junto da minha testa, fez sombra nos meus olhos para olhar sem que os raios solares me impedissem de enxergar a araucária.

            Tal cena levou o casal a achar que eu não estava bem fisicamente, perdido emocionalmente, longe de casa, sem saber para onde ir ou por onde voltar. Sem memória e, quem sabe, ser desejar regressar à morada. Essa foi a impressão que tiveram quando me avistaram. Se tivesse no lugar deles seria a imagem que eu teria. 

            - Podem ficar despreocupados: eu estou bem!

            Ficaram a me observar atentamente enquanto eu reafirmava que de fato eu estava ótimo. Enfatizei o quanto me sentia melhor, afagado por eles, tamanha gentileza comigo.

            Por ter tantos ex-alunos e sem poder lembrá-los, pois os anos modificam nossas aparências, também pelos trajes e cabelos, não os reconheci. Não deu tempo de perguntar o nomes deles. Partiram, afinal o dia era útil para eles.

            - Valeu, professor! Se cuida, mestre!

            É, a culpa é dela! Linda! Paixão tão grande a minha que motivou o casal parar pra me socorrer. Eu devia estar com cara de babão. Culpa dela, a araucária!     

Fases de Fazer Frases (I)

            Vida é abreviar o tempo. Ela já é breve.

Fases de Fazer Frases (II)

            Vida é ser.

            É ter-se. Vida é tecer.

            Ter que ser o que a vida é.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Até quem acompanha a política paranaense poderá não ter notado, o fato é que o peso morto deixou o governo. Não fará falta. Foi mais um cargo que preencheu com o vazio político que o caracteriza há tempos, como quando senador, vice-governador, secretário da educação. Mero registro, a saída dele teve repercussão zero, eis a nota. Não é mais secretário para assuntos estratégicos. Flávio Arns teve que pegar o boné.  

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            Olhe o tempo: colhe, recolhe, tolhe

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            Dicionário aberto para livrar alguma palavra antiga presa não por ele e sim devido ao desconhecimento, esquecimento. Nem pousa na tela do computador, ela vai embora. Tem razão, rica como ela é, não ficaria aqui neste texto tão pobre. Não tenho palavra.   

Guga

Nas minhas primeiras raquetadas em Florianópolis, era

 garoto, desengonçado, meio sem jeito para o esporte;

 precisei sair para o mundo para arriscar a sorte.

Gustavo Kuerten

            Guga pode ser dicionarizado como sinônimo de carisma; brasilidade; ética. É um modo legítimo de homenagear cristalinamente o nosso manezinho da Ilha.

            Independentemente da posição, em qualquer lista ele está presente, honra ao mérito do tênis, do esporte, do desporto, como cidadão brasileiro exemplar. O carisma do Gustavo Kuerten é inspirador do tipo magnético, instantâneo e já a perfazer o carisma atemporal.

Há 20 anos, dia oito de junho, a zebra conquistou o primeiro título. O mundo do tênis pouco o conhecia, assim como o Brasil. A vitória dele foi acachapante, três sets a zero sobre o espanhol Sergi Bruevera. Zebra no sentido do improvável, expressão genuinamente brasileira, e zebra como desengonçado em certos momentos de atuar em quadra do jovem tenista Gustavo Kuerten, que fará 41 anos de idade este ano.

Vieram mais dois títulos depois daquele primeiro de 1977, 2000 e 2001.

Guga está agora em Paris para receber homenagens pelos 20 anos da primeira conquista. Simples e humildade, sempre enfatizou que não esperava, jamais, ter ganhado o título. A disputa para ele era sem aspiração, a não ser a de jogar, aprender, conquistar experiência. Sendo ou não a zebra de 1977, as duas outras conquistas ele já era ídolo.

Ao desenhar com a raquete na quadra de saibro impregnou o Brasil com aquele gesto. Brasil que se emocionou e passou a se orgulhar dele tanto que mantém o mesmo nível de respeito, admiração, afeto. Nem careceu entender de tênis, pois bastava entender do esporte, a saga do saibro.

A bela Florianópolis da linda ilha de Santa Catarina é cumplicidade pura do Guga Manezinho, amor correspondido, referência para brasileiros de todas as nossas ilhas e nossos continentes. Sequer cogitou mudar-se de lá, o porto seguro familiar, dos amigos.  

Como se nós todos desenhássemos fora da quadra um coração para ele, Guga não está abaixo de ninguém, ídolo que a nação, ao mesmo tempo em que se orgulha, sabe ela que temos enorme carência de tal qualidade.      

Autêntico ao falar, vestir-se e de gestos espontâneo faz de Guga a imagem do conteúdo que ele produz, caráter, decência. De esforço e tenacidade contínuos, de tropeços, derrotas e de ser digno dos títulos, do aplauso e do respeito.                            

Fases de Fazer Frases (I)

            Não confundamos: estupefato com o estúpido fato.

Fases de Fazer Frases (II

            Não confundamos: o mor mente com o mormente.

Fases de Fazer Frases (III)

            Não confundamos: o verme ver-me com o ver do verme.

Fases de Fazer Frases (IV)

            Não confundamos: a tenuidade com nu e idade.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Fora de qualquer dúvida, o jornalista Luiz Geraldo Mazza é um dos mais profundos conhecedores da política brasileira e paranaense. Escreve categoricamente com estilo. É independente. Articulista da Folha de Londrina maneja com inteligência perspicaz a palavra, o trocadilho, o humor, a memória e o aforismo. A da última quinta, conclui o texto:

De repente, o cabelo bem posto do Rodrigo Rocha Loures é um detalhe com status claríssimo e estratégico até para esquecer do Sérgio Cabral na sua desdita. É que como o cabelo a pessoa também pode cair, o que é fortemente redundante

Reminiscências em Preto e Branco

            Volta e meia, a memória bate na porta da frente. Espera, sem paciência ou não. Ela dá então à volta, vai para a porta do fundo. Faz o mesmo. Se não for atendida, dorme do lado de fora. Aspira. Suspira. Produz som. Fabrica o silêncio. Talvez seja encontrada ainda em repouso. Ou já tenha partido sem maiores vestígios. Só memória. Que não está só. Ela mora, se ou sem demora, dentro ou fora da casa da gente.      

Professora Marlei sabe fazer contas

Se os fins justificam os meios, o que justifica os fins?

Leon Trotski

            Ele recebeu 95 mil reais. O valor foi declarado ao Tribunal Regional Eleitoral. A prestação de contas da candidata à deputada federal (PT) foi aprovada pela Justiça Eleitoral. Sem ressalvas. O citado valor é doação feita pelo Grupo JBS a quase dois mil candidatos Brasil a fora e que inclui uma lista de paranaenses, amplamente divulgada pelos meios de comunicação.

Professora Marlei Fernandes de Carvalho não se elegeu. Quase. Quase que fez 30 mil votos. Quase a metade do que faltou para eleger-se. Ela tem formação em Língua Portuguesa e em Pedagogia. É a secretária de finanças da APP – Sindicato, órgão classista do magistério paranaense. O fato de não ter pertencer à área de matemática, finanças, contábeis, a prestação de contas dela, já dito acima, foram aprovadas!

Cabe ressaltar: as contas aprovadas se referem à Justiça Eleitoral. Convém frisar também, incluem os 95 mil da JBS para ela.

Tangentes às contas da APP – Sindicato, eu não tenho a menor noção se ela, na condição de ser a secretária das finanças tem prestado e aprovado as contas da entidade. Como não sou sindicalizado pode ser que exista quem diga não ser meu tal direito. E com razão! Assim como ela tem contas à Justiça Eleitoral, todos os eleitores podem acessar tais informações. Não fiz e não farei. Os 95 mil que ela recebeu doados legalmente não me levaram a dúvida. Só fiquei surpreso pelo doador e pela importância da cifra alta, seja pela quantia e por não ser ela um nome de expressão no Paraná. Professora Marlei é um nome no Sindicato. Um nome no PT. Ela obteve votos dos professores. Insuficientes para elegê-la.

Marlei fez dobradinha com o colega de Partido, que foi eleito com mais de 42 mil votos. O professor Lemos é deputado e certamente recebeu votos dos professores. O que ele não recebeu foi dinheiro da JBS, de acordo com o Tribunal Eleitoral.

O discurso da APP que tem reunião prevista para hoje (sábado em Cascavel) terá como destaque as negociações com o governo estadual. Na página oficial virtual do Sindicato a notícia: As contas não batem! Governo Richa aumenta arrecadação, mas não paga o que deve.

As contas não batem! As do Richa e da professora estão certas e aprovadas! Claro, as da doação legal, dele e dela. Beto recebeu mais de um milhão de reais!

Matemático de formação, o professor Lemos poderá ser útil - não se pressupõe que não o seja – tanto na Assembleia como parlamentar ante às contas do governador Richa (PSDB) e quanto nas da APP.

Saberemos quais, quantas batem ou não as contas?                                       

Fases de Fazer Frases (I)

            O fazer de conta é mais difícil do que fazer conta?

Fases de Fazer Frases (II)

Quem conta presta, presta conta?

Fases de Fazer Frases (III)

            Não confundamos: Guarda a tua mala com o guarda da Guatemala.

Fases de Fazer Frases (IV)

            Não confundamos: Acrobacia com a cor da bacia.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Com destaque e rubor brilhoso até então, professora Marlei momentaneamente não é mais a grande manchete na página virtual da APP – Sindicato. Aparecia mais do que o presidente Hermes Silva, o fato lembra o apresentador televisivo Luciano Huck, que rapidamente tirou imagens dele com o senador afastado Aécio Neves (PSDB).    

Reminiscências em Preto e Branco

            A diversidade contempla a pluralidade de pensamento, opinião, e o conhecimento é conteúdo essencial no amplo debate que é respeitar divergências. O trecho é da Coluna intitulada A ‘Lição’ da Velha Cartilha da APP. É, as contas não batem! E sem debate – das contas também – e não apenas as da Justiça – aí sim se debatem os que fizeram as contas.