José Eugênio Maciel
Mãe

            Um princípio, instinto maternal bem antes de se tornar mãe.

            Uma origem, fecundidade a brotar no coração.

            Uma fertilidade, germinar no ventre venturoso.   

            Uma concepção, amor.

            Uma esperança, nascer.

            Uma luz, vida.

            Um gesto, carinho.

            Uma canção, ninar.

            Um sono, reparador após o filho dormir.

            Um sentimento, doce amar.

            Um olhar, enxergar além do horizonte.

            Uma palavra, entusiasmo.

            Uma lágrima, de tristeza ou alegria, sempre autêntica.

            Um afago, conforto e proteção.

            Um jeito de ser, braços e coração abertos.

            Uma aflição, passageira agonia, substituída pela esperança.

            Uma solidão, finita, sabe que o filho retorna.

            Uma amizade, verdadeira e reparadora.

            Uma devoção, nunca medindo esforços.

            Um orgulho, a emoção como razão de ser.

            Uma liberdade, não se pode nunca prendê-la, a não ser do filho que a liberta.

            Uma sensibilidade, a de perceber tudo e a todos.

            Uma satisfação, por pequena que pareça, a coloca em êxtase.

            Um medo, o próprio, de não encontrar forças, embora saiba, a fé não a deixará sem energia.

            Um perdão, todos os que sejam sinceros, decentes e justos.

            Uma consciência, equilibrada e sábia.

            Uma história, de incontáveis exemplos.

            Uma crença, um mundo melhor.

            Um sonho, não propriamente o seu, mas o que sonham os seus filhos.

            Uma direção, sempre ao encontro deles.

            Um obstáculo, todos hão de serem vencidos com altivez e tenacidade.

            Um tempo, todos os instantes do criar e recriar a vida.

            Um lugar, que nele exista espaço harmônico, a paz.

            Um dia, qualquer clima, o que importa é viver, descobrindo-o num encontro consigo mesma.

            Uma flor, todos os jardins.

            Uma cor, o brilho de todas elas.

            Um objeto, nada lhe pertence, pronto para ser dado a quem dele precisar.

            Uma homenagem, todas, o sentido humano: verdadeiro, elevado, puro e imorredouro.

            Uma condição: gerar vidas que nunca inteiramente dela se desprenderão.

            Uma vida, a dos filhos que é a dela como se fosse una, unida na ternura eterna.

            Um ser, não existe a melhor mãe do mundo: a mãe sempre é quem torna o mundo melhor.

Fases de Fazer Frases (I)

            Palavras o tempo não apaga, ele escreve, descreve.

Fases de Fazer Frases (II)

            Das Mães é o Dia, de Hoje, do Ontem, do Amanhã.

            Sem o tempo tirar de nós nenhuma delas, são elas que nos deixam sem palavras.              

Olhos, Vistos do Cotidiano

             A publicidade do DETRAN – Departamento de Trânsito – Governo do Paraná – em relação ao Dia das Mães, é o depoimento das que perderam os filhos em acidentes nas estradas. Além da condição da mãe, devido ao dia delas muitos saem pelas estradas e causam ou são vítimas de acidentes com mortes ou mutilação. Muitas mortes que poderiam ser evitadas.    

Reminiscências em Preto e Branco

            Compartilho minha interrogação com o caro leitor, há mais duas décadas uma senhora, voz de idosa, doce, suave, humilde, me pedia, todos os anos, para republicar o texto de hoje,”por favor, publique novamente aquele texto...lindo, comovente...obrigado, meu filho”. Ela não mais ligou. O pedido dela permanece sendo atendido Hoje, Dia das Mães.           

Apenas um rapaz... vindo do interior

“Hoje eu sei que quem me deu a ideia /

 de uma nova consciência e juventude /

Está em casa guardado por Deus /

 contando o vil metal.”

Belchior – Como nossos pais

 

            Imediatamente a reminiscência em preto e branco, no colorido de minha adolescência, via-me retratado na imagem da casa dos meus saudosos pais, diante da vitrola, entre tantos discos de vinil. Ponho para escutá-lo entre muitas e centenas vezes, o grande bolachão preto: Belchior! Talvez, apenas por mim, não o tivesse descoberto, escutado, ou, ainda, teria deixado de lado. Mas não, a influência que temos na vida é também sonora, musical, que ouvimos através do outro que ouve, no caso o irmão Elio.

            No domingo passado, em meio à leitura dos jornais, ligo a televisão e sequer me fixo na imagem fixa, a notícia direta. O anúncio da morte do compositor e intérprete Belchior tomou conta de mim, tristeza às avessas, “como um sol no quintal”. Mando mensagem para o mano, “Belchior morreu”. A tristeza mútua ligava amargamente Campo Mourão e Florianópolis (onde mora Elio Brisola Maciel).

            As músicas, todas dele, tenho a sensação de ouvi-las, todas de uma vez só. Como naquela casa de madeira que não mais existe, perderam-se no tempo os discos, a vitrola, a criançada, depois mocidade adulta, amadurecida pelos anos, fios de cabelos brancos, dos que teimam em ficar no couro. A voz anasalada chega aos meus ouvidos, harmoniosamente com o silêncio da perda: Em cada luz de mercúrio vejo a luz do seu olhar / Passas praças, viadutos, nem te lembras de voltar / De voltar, de voltar / No corcovado quem abre os braços sou eu /Copacabana esta semana o mar sou eu / Como é perversa a juventude do meu coração / Que só entende o que é cruel e o que é paixão / E as paralelas dos pneus n'água das ruas / São duas estradas nuas em que foges do que é teu /... / No corcovado quem abre os braços sou eu / ... / Como é perversa a juventude do meu coração / Que só entende o que é cruel e o que é paixão /

            Então recém-lançado, comprei o livro e imediatamente comecei a lê-lo, era dezembro, férias, cada página o melhor da nossa cultura musical, registrada e analisada por um dos nossos maiores conhecedores, Nelson Mota. O livro 101 canções que tocaram o Brasil contextualizam cantores, autores, letras e música como elas brotaram para se tornarem marcantes. Mota põe na referida lista Como nossos pais, ele menciona outras canções do Belchior gravadas por cantores como a Elis Regina, 1972, “lírica e nostálgica ‘Mucuripe’”, Belchior compõe com outro cearense, o Fagner. Além de Elis, Roberto Carlos gravou (“impecável”), o que já era sucesso tornou-se sublime. O som de palavras que juntadas dão uma fonética doce, melodia pura: Aquela estrela é dela/vida vento vela leva-me daqui/.

            São duas reminiscências, em preto e branco ou coloridas, alternando-se na ordem, misturando sentimentos do tempo, uníssonas na presença que se torna ausência, marcantes e inesquecíveis. Foi no Teatro Municipal Campo Mourão que estávamos lá, o meu irmão Elio, eu (e... pouca gente sim). Belchior cantou seus sucessos. No camarim atendeu a todos com gentileza e amabilidade. O professor e artista Bernardo de Mattos ganhou autógrafo no disco de vinil.

A emoção de ao vivo ouvir o cantar instantâneo do artista se torna parte da imortalidade que eles conseguem, sobretudo não pelo legado que deixam, mas por não saírem da mente e do coração dos que apreciam a obra. Belchior, para citar algumas das canções, Apenas um rapaz latino-americano, Paralelas, Medo de avião, no impossível anonimato que almejou nessa década, agora é saudade, aos 70 anos, melodia.

Fases de Fazer Frases (I)

            Esperar por nada? Se possível esperar, nada não será nada.

Fases de Fazer Frases (II)

            Pensar não vale nada? Nada a pensar vale o quê?

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Água da chuva na janela é deixada pelo vento. Gotas frias escorrem pelo vidro. Foi a ínfima pausa que tive enquanto escrevia esta Coluna.    

Reminiscências em Preto e Branco

            Em vão enterramos o passado. Ele ressuscita na reminiscência do presente. 

De volta à crônica dois paranaenses

“Aparentemente, todos leem o tempo todo, mas nada além de

     manchetes, pedaços de frases e caixas de comentários” 

Cristóvão Tezza

            Que excelente notícia! A literatura paranaense, em especial o jornalismo deste lugar, qualquer que venha a ser a referência exemplar, o nome deles legitimamente integra qualquer das melhores listas. Aliás, é o que temos de melhor. De há muito os dois são reconhecidos nacionalmente e com publicações no exterior.

            Nascido lá, tem a feição rural e ao mesmo tempo urbana. De volta à crônica, de volta também ao mais importante e tradicional jornal do interior paranaense, a Folha de Londrina. Cronista, contista, romancista Domingos Pelegrini está de volta como cronista, a Coluna dele ressurge com o criativo e marcante título: Aos Domingos Pelegrini. Retorna o autor certamente com textos criativos, levam à reflexão para o que parece ser simples, mas é complexo. Chama a atenção ante o não é notado e que requer outro olhar, mais humano.

            E desde o domingo anterior, outro Jornal, outra Folha, a de São Paulo passa a publicar outro paranaense (nascido em Lages, Santa Catarina, chegou aqui bem pequeno), Cristóvão Tezza. Ele tinha uma Coluna semanal no Jornal Gazeta do povo, o último texto dele, “despedida de um cronista”, provocou em mim uma certa tristeza incerta. Professor universitário, cronista, romancista e contista e crítico literário. O primeiro texto dele, publicado no domingo passado, Literatura, internet e silêncio, enfoca a chamada revolução digital, o fenômeno da internet. Saborosamente Tezza contextualiza ele próprio e o tempo vivido.   

Fases de Fazer Frases (I)

            Ter asas para a imaginação... Mas aonde pousam as ideias?

Fases de Fazer Frases (II)

            Para ser notado, o mais importante é a chegada ou o ir embora?

Fases de Fazer Frases (III)

            Para não ser interrogado? Basta tirar o sinal de interrogação?

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            Uma linda foto. Como é bela a decoração da vitrine da Loja Aquatro Informática, na Avenida Capital Índio Bandeira, centro de Campo Mourão. A imagem é da cidade, destaca a Catedral, as praças e, com toque de sensibilidade, flores de um ipê amarelo. A pressa não me deu tempo de me saber do autor da foto, tão logo saiba farei o devido registro.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            Como amplamente noticiado, o goleiro Bruno, mandante confesso do assassinato da mãe do filho dele, retornou à prisão. Condenado a 22 anos, estava preso há seis. O Supremo Tribunal Federal acatou o recurso interposto pelo jogador até que a Justiça de Minas Gerais apreciasse outro pedido. Assim, tanto ele como Varginha, cidade mineira, foram notícia porque o time de futebol Boa Esporte o contratou, tendo perdido importantes patrocínios. Em março esta Coluna registrou o fato, tema principal intitulado Bruno, marca do assassino, pênalti!

Olhos, Vistos do Cotidiano (III)

            Infelizmente o mensalão e atual Lava-a-jato não intimidam a corrupção, servindo para aumentar a desconfiança quanto a um Brasil sério. A manipulação do processo licitatório direcionado para contratar agência de publicidade para o Banco do Brasil. Pois é, 500 milhões foram “carimbados” para favorecer uma empresa. A Folha de S. Paulo publicou no Jornal a informação cifrada. É, não é só o banco que tem fundos, o Brasil tem a porta, dos fundos.   

Reminiscências em Preto e Branco

            Faria 80 anos em 20 de maio. Mineiro de Três Pontas, além de jornalista foi professor de comunicação social e tinha também diploma de Direito. Televisão, rádio e jornal impresso, foi colunista e comentarista. Conhecia os meandros do poder de Brasília. Era conservador, de voz branda e texto equilibrado. Recentemente trabalhou na Rede de TV CNT. Carlos Chagas morreu na quarta 26, mal súbito. 

Soltem os ladrões, de galinhas

“A corrupção brasileira bem poderia ser um produto para exportação.

Poderia, mesmo com tanta corrupção, ela é toda consumida aqui

mesmo toda a demanda. Assim não sobra para vendê-la a

 outros países, sequer superfaturado”

Estive Nólocal (b.d.C.)

            Ele arrogantemente tinha toda a certeza que ficaria atrás das grades, não alguns dias, mas algumas horas.  Tinha a certeza que pagaria os melhores e mais caros advogados. Chamado de príncipe, continua preso, há mais de dois anos. E, antevendo que ficaria, continuaria na prisão em Curitiba, resolveu delatar. Tanto o príncipe Marcelo quanto o pai dele, o Emílio Odebrecht, evidenciam negócios escusos, verdadeira privatização do Estado brasileiro, instrumento do lucro e desvio bilionário a enriquecer a Construtora e muitos políticos.

            Segundo eles, a corrupção está arraigada há pelo menos trinta anos no Brasil, que “não tem jeito, todo mundo mete a mão no dinheiro público”.

            O acordo da delação por enquanto prevê que Marcelo ficará preso até dezembro deste ano. A partir de tal data cumprirá prisão domiciliar, no caso até o momento serão 19 anos. Ficará recluso na mansão dele. O crime terá compensado?

            A política brasileira há pelo menos vinte anos está polarizada entre dois partidos, o PT e o PSDB. Afinal eles ocuparam o mais alto cargo, a presidência pública, Fernando Henrique Cardoso, PSDB, por dois mandatos e em seguida, também por dois mandatos, o PT com Luís Inácio Lula da Silva. Tem ainda Dilma, mas a petista não completou o mandato.

            Tais Partidos ficaram nesses anos todos protagonizando um processo intenso e sem limites apontando o outro como o pior, e apontando a si mesmo como melhor em todo. Eis que, sem ser novidade alguma, estão no centro da política. Além da disputa presidencial acirrada entre Dilma e Aécio, também ocupam as manchetes com escândalos a transbordar. Um tem razão quando fala do outro. Valeram-se dos mesmos métodos, dinheiro público abastecendo caixa dois e por aí vai. As principais figuras de tais partidos têm contas a prestar. Claro, todos eles negam, declaram-se inocentes e, quase que ao mesmo tempo, apontam o adversário como culpado.

            Tem ainda um partido que não sofre desgaste suficiente comparado com os escândalos, o PMDB, Partido como fiel da balança ao longo nessa polarização entre o PSDB e PT. Peemedebistas serviram tanto a um quanto a outro, ministérios, verbas, souberam também se servirem bem. E, sem tibieza, ao contrário, com singular esperteza, sempre souberam abandonar o barco e pular para outro, tudo para se manter no poder.

O crime compensa quando a recompensa não é “crime”? Grandes grades. Gradação a agradar quem?

Fases de Fazer Frases (I)

            Na corrida contra o tempo, é o tempo que conta.  

Fases de Fazer Frases (II)

            Paira no ar a poeira. Se chover, vira lama.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            Quinta passada foi o Dia Municipal do Turismo em Campo Mourão. Mais uma vez a data limita-se a referência discursiva. Pontos com palavras e não pontos turísticos.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            O Basquete de Campo Mourão tornou-se motivo de torcida e orgulho. Fez campanha belíssima. O estágio atual da modalidade é o referencial maior para o planejamento visando à elite brasileira, é a certeza de novas conquistas.

Olhos, Vistos do Cotidiano (III)

            É de perder a paciência. Quarta passada, no programa televisivo do Alderi o assunto estava lá: o sinaleiro no trevo do Lar Paraná em Campo Mourão. Prefeitura, DER e DENIT não se entendem. Vai projeto, vem projeto, mas o problema fica pendente. As respostas são formais, burocráticas. Essa turma toda tem que se reunir logo, dialogar e estabelecer ações imediatas.

            Estão brincando com pedestres e motoristas mourãoenses e dos que trafegam por lá provenientes de outros lugares.

            O único sinal é o de alerta: pouca, para não dizer má vontade.       

Salma, o olhar da senhora

“Os sapatos envelheceram depois de usados 
Mas fui por mim mesmo aos mesmos descampados 
E as borboletas pousavam nos dedos de meus pés. 
As lágrimas correndo podiam incomodar 
Mas ninguém sabe dizer porque deve passar 
(...) 
Mas quando voltei, como se não houvesse voltado, 
Meus pássaros caíam sem sentidos. 
No olhar do gato passavam muitas horas 
Mas não entendia o tempo àquele tempo como agora. 
Não sabia que o tempo cava na face 
Um caminho escuro, onde a formiga passe 
Lutando com a folha. O tempo é meu disfarce”
.

 Sentimento do Tempo - Paulo Mendes Campos

            A página deveria ficar em branco. Em branco o antagônico preto do luto. Sem qualquer palavra escrita, dita, para que o silêncio tome conta do imenso e indizível vazio da falta do agora, hoje, do amanhã, anos, de toda a vida pela vida que se findou. Sallime João Abraão de Lima és saudade, dia oito passado. A dona Salma tinha 87 anos.

            Mãe dos filhos de sangue, mãe-avó dos netos dela, foi também a mãe de tantos meninos e meninas hoje crescidos, adultos, “donos do próprio nariz”. Agora, no pranto, somos uma molecada sem amparo, a mãe que se foi era dos amigos da gente. Estamos órfãos. Pioneira como o esposo sempre querido por ela, o seu Irineu Ferreira Lima, são eles protagonistas do crescimento de Campo Mourão, aqui criaram e formaram os filhos. Constituíram uma amizade sólida e encantadora com outras famílias. Aqui abriram, alargaram, trilharam caminhos de generosidade, confiança, trabalho árduo e honesto. Na pequenez do espaço urbano e do número de habitantes todos se conheciam e as famílias cuidavam dos seus próprios filhos e dos outros também.

A dona Salma, dela guardarei o tempo quando meninos a nos cuidar, ensinar, demonstrar um afeto característico  e próprio dela manifesto para e em nós. O olhar dela falava, sorria, dava atenção peculiar. O olhar do ensinamento. O olhar de amor para cada um como singularidade e no somatório de todos os gestos de ternura.  

            Sem almejar reconhecimento, respeito sim, que não era para si mesma, mas para que praticássemos com os demais, os mais velhos que nós. Assim a chamávamos de senhora ou de dona Salma. A lição dela não diferia a da minha saudosa mãe Elza, que a vida toda recebia este tratamento, de senhora.

            Saiba, dona Salma, ainda que a senhora nos pudesse pedir para não sentíssemos a dor da sua partida, não tem como: inevitável a tristeza.

Seus exemplos de ser humano extraordinário são luzes a iluminar sabiamente caminhos e direções dos seus filhos, netos, noras, genros, assim como dos amigos, das famílias. Descanse em paz e, com todo respeito, que a senhora olhe aqui para esta turma como sempre olhou, acudiu, apoiou, incentivou, aplaudiu, para que, como sempre, ponha a gente no rumo. Aí das alturas celestiais, que a senhora se encante com aqueles que bem cativou a fazer o bem.           

Fases de Fazer Frases

            Alvorecer, alvo do ser.   

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Empresto a caneta na fila do banco. A pessoa só devolve. Antes não falou bom dia e depois obrigado. Não serve uma a quem não sabe escrever.

Reminiscências em Preto e Branco

            Tristezas são inevitáveis na vida. Faziam parte da sua. Entretanto, por maior que fosse a barreira você dava um jeito de sorrir, demonstrar a esperança e apreço pela vida, a sua e dos seus, esposa, filhos e o grande número de amigos. Os lábios unos, para sempre, quem sabe eles nem serão notados naquele adeus, pois o que ficará vibrantemente na recordação é o sorriso que tinha do bom homem, de caráter, que jamais lhe faltaram. Mas que agora falta a todos que o conheceram. A paz o acompanhe, José Gabriel da Silva. Adeus, Gabriel (11, terça passada, 47 anos).   

Defronte com a fonte

“Quem sabe, muitas vezes não diz. E quem diz muitas vezes não sabe”.

Máxima do jornalismo investigativo

            Todos querem ser, ter e saber da verdade. Até parece mentira, mas o contraditório é que todos – muitos? maioria? minoria? – servem como meios para a passarem adiante o que é mentira ou uma verdade incompleta.

            Notadamente na rede mundial de computadores, a velha e cada vez mais nova internet é território vasto e fértil a infinita quantidade de propagação, desde a mais nociva e engendrada intenção da proeza de arquitetar uma bela mentira vestida com a linda verdade. E todos e tudo têm o próprio blogue, cada um com autofalante a gritar propagandeando o que bem quiser. Basta ter, criar e vincular uma notícia e cada um se intitula jornalista.

            Evidentemente que a generalização seria um pecado, afinal existem sim excelentes e bons jornalistas, assim como blogueiros.

            Cada qual com a sua lanterna a mão e em meio à escuridão, só acham que acharão a verdade com o iluminar da própria lanterna, a dos outros parece não ter valia.

            O jornal Folha de São Paulo lançou recentemente novo conteúdo editorial com o compromisso de verificar o que de fato é fato, checar a verdade por intermédio de um filtro que promete tirar e retirar o que seja invencionice, boato. Se um dos mais importantes veículos de comunicação impresso e da era digital, a Folha tem grande tradição conquistada pela credibilidade de uma empresa, da seriedade dos seus jornalistas e da relação que tem com os leitores, assinantes ou não.

            Em meio a tantos e quantos meios de comunicação como assegurar que a notícia ou outro fato é mesmo a verdade?

            Conhecer as fontes. A palavra fonte significa a água que brota viva da terra. O jornalismo adotou fonte como água cristalina, límpida e sem, portanto, com a terra de onde ela brota. Fontes são referências constituídas de pessoas que têm conceito nas suas áreas de formação e como se integram à sociedade. São também fontes as enciclopédias, a literatura, as ciências em todos os seus campos do saber.

            Embora pensem que têm a própria lanterna, e pode ser verdade, mas o que ela ilumina também depende da direção e alvo que cada um determina. E experiência é saber olhar o que a lanterna clareia, mesmo que a lanterna não seja a própria.

            E por falar em fonte e jornalismo, o mais antigo jornal do Paraná anunciou que a edição impressa já morreu. A Gazeta do povo só existirá em digital. Será mesmo que é uma aposta na inovação? Ousadia?

A ponderação, cabe salientar, é que ela criou ou comprou jornais impressos e deu o fim neles todos bem antes da era digital ser palpável, assim desapareceram O Estado do Paraná; Tribuna do Paraná e Jornal de Londrina. Aliás, o Jornal de Londrina foi criado para, mais do que concorrer com a Folha de Londrina, a intenção era liquidar com o jornal londrinense, e o grupo da Gazeta foi além e, desesperadamente passou a vender os exemplares a preços simbólicos e depois distribuí-los gratuitamente. A estratégia foi uma aposta alta que contou inclusive com mensagem publicitária na RPC, leia-se Rede Globo no Paraná. O londrinense e grande parte dos paranaenses têm na folha uma identidade e patrimônio que continuam fortes.

Fases de Fazer Frases (I)

            Palavras dizem o que não se quer dizer, escritas e não lidas.

Fases de Fazer Frases (II)

            Não espantem os pássaros! Esperem que voem. Pousarão humana imaginação.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            O desrespeito ante o consumidor, também qualificado como cliente, transborda em estupidez. Atendo o telefone fixo de casa e a operadora OI vai logo me comunicando do “novo plano, que já entrou em vigor”. Pela primeira vez resolvi interromper. Eu, assinante, não fui consultado em momento algum, tenho que passivamente receber o que já está determinado? Desliguei.

Reminiscências em Preto e Branco

            Relógio para. Tempo não. Espera vem. Esperança vai. Noite adia. Dia foi.                 

Parte que não se reparte, autismo

O autismo não se cura, se compreende”

Ávila

            O dois de abril é o Dia Mundial do Autismo. A data foi oficializada pela ONU – Organização Mundial das Nações Unidas, instituída a celebração a partir de 2007.

            Em Campo Mourão foram muito bonitas as manifestações públicas referentes ao autismo.  Além dos autistas e familiares, muitas pessoas fizeram parte, sensibilizadas.

            O distúrbio neurológico é preponderante como obstáculo para a interação social do autista, a começar com e pela família, posteriormente no início e na integração dele com outros grupos sociais. Obstáculos, desafios, sim, são grandes as barreiras, assim como é necessário o tempo, cronológico  e o tempo com o vagar das emoções que o autista recebe e irá responder no tempo dele.

            O autista não vive nem deveria viver como se não fizesse parte do nosso “mundo real”, ou se o autista fizesse parte de um “outro mundo”. As condições cerebrais, que espelharão as da realidade do meio onde o autista vive, existirão progressivamente quando o autista for devidamente  estimulado e contar com os recursos materiais como o pedagógico e sobretudo humanos.

            O olhar, o gesto, a expressão do rosto. A pausa entre o silêncio e a ausência de som. O espaço entre o ser não com o ter que ser, e sim com o vir a ser.

            O autista é o caminhante que demora e se detém a perceber qual a estrada e o rumo a tomar. É ele quem irá tomar a iniciativa de pegar a mão ou aceitá-la quando estendida. O autista carece,  mais do que auxílio, será preciso aguardá-lo, perceber os passos dele, da vida que busca nos demais, autistas ou não, a vivência humana que nele ocorre e espelha a vida que para ele é voltada  pelo afeto, amor, pela compreensão, apoio, pela cumplicidade do ser que é: Extraordinário.        

Fases de Fazer Frases (I)

            Para o Bastião basta chamá-lo Tião.

Fases de Fazer Frases (II)

            Custa o ódio do Custódio?

Fases de Fazer Frases (III)

            O Homero é mero e não homérico.

Fases de Fazer Frases (IV)

            Só o alho caiu no assoalho: ato falho.

Fases de Fazer frases (V)

            Não confundamos: Encompridar com Em cumpre dar.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            O que não tem remédio, remediado está, é o ditado. Desde a sexta passada entrou em vigor o reajuste do preço dos medicamentos, de 1,36% a 4,76%. Principalmente quem compra  medicamentos de uso contínuo, é uma dor de cabeça a mais. Contínua.

Reminiscências em Preto e Branco

            Começando pelo presente dia de hoje, primeiro de abril, o Concurso Pinóquio será realizado em Campo Mourão no Teatro Municipal a partir das 19:30 horas. É o Dia da Mentira e também o concurso de causos em sua 24ª edição.

            Tudo começou em 1994 no Centro de Criatividade da Fundação Cultural (quando o Centro funcionava em uma casa alugada pela prefeitura nas proximidades da Faculdade Estadual), como uma rodada de causos e contadores de mentiras, ao redor da fogueira. Graças ao grande sucesso é que no ano seguinte foi instituído o Concurso Pinóquio. (O prefeito era Rubens Bueno e o vice  Tauillo, que depois foi prefeito e agora mantém o Concurso, o que também ocorreu nas gestões dos prefeitos Nelson Turck e Regina Dubai).

            Eu era o secretário da educação e cultura, evidentemente que foi graças a toda uma equipe que apostou na iniciativa e viu o sucesso ocorrer em todas as edições seguintes. Vieram outros prefeitos, só uma vez fui convidado (fui jurado). Não reclamo por não participar em nada. Continuo  a escrever sobre a cultura brasileira oral, que é uma das maiores atrações: Concurso Pinóquio. Lembro do diálogo com o saudoso professor e promotor Rubens Luiz Sartori, na definição de causo, fato breve narrado que não precisa ser engraçado. Trouxemos à tona a palavra causo que sempre constou no dicionário sem ser chulo como se imaginava “coisa de caipira”.

            É o Dia da Mentira. E da verdade como começou o Concurso, verdade nem sempre presente em imagens sem correta contextualização.  

Bruno, marca do assassino: pênalti!

Impunidade, hipocrisia, dançam de mãos dadas

o hino nacional de uma nação condenada.”

Charlie Brown Jr.

            Faz parte da cultura brasileira o futebol. Futebol que nem sempre é cultura a merecer ser cultuada. Em meio a tantas questões de inegável relevância que dizem respeito a todos nós brasileiros que, não noticiar e analisá-los parecerá alienação. Assim poderá ser considerado todo aquele que só acompanha o futebol, jogos, noticiários, comentários e nada mais que não seja o futebol de cada dia.

            Será que o brasileiro que só tem atenção para o futebol prestou atenção no noticiário que informou a contratação do goleiro Bruno? O jogador foi solto no dia 24 de fevereiro e não demorou muito para o time de futebol da cidade mineira de Varginha, o Boa Esporte, ter anunciado a contratação do goleiro.

            Condenado a 22 anos de reclusão por homicídio qualificado, ele foi solto por decisão do Supremo Tribunal Federal para recorrer liberdade. A decisão não adentra o mérito e sim o exame do direito constitucional de poder recorrer em liberdade, o que não aconteceu até agora pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

            A convocação do Boa Esporte foi noticiado pelo Brasil todo e até internacionalmente. Evidentemente que não tem nada a ver com o inexpressivo time de futebol, mas por ser o criminoso confesso da mãe do filho dele, o Bruninho. (O corpo de Elisa Samúdio não foi encontrado e teria sido jogado para ser devorado por cães).

            Durante a coletiva o responsável pelo time avisou que o goleiro Bruno só responderia a perguntas relacionadas ao futebol e dele como jogador. Dito e feito, uma repórter indagou sobre como ele se sentia estando solto e o que pretendia quanto a criança. Enfaticamente ele e o dirigente do time se recusaram terminantemente a responder.

            “A vida dela não vai voltar”, lacônica e cinicamente declarou por mais de duas vezes na tentativa fracassada e patética para atenuar o seu premeditado e hediondo crime. Patrocinadores e torcedores disseram que não irão apoiar e torcer para o time. Se o Boa Esporte queria ser manchete, conseguiu, embora negativamente. 

            Varginha ficou famosa em todo mundo pelo extra terrestre que por lá apareceu, conhecido episódio o ET de Varginha, e há anos a cidade explora bem o fato com todo tipo de propaganda sobre o “ser de outro planeta”.

            Seria mais fácil – ou menos difícil – acreditar no ET em vez da absurda contratação de um criminoso que até agora só cumpriu seis anos da pena de 22, que só poderá ser concedida a progressão para o regime aberto após 17 anos e seis meses atrás das grades.       

Fases de Fazer Frases (I)

            Eva porá água.

            Evaporará a água da Eva?

            Que vá a água da Eva.

            Que não vá a Eva com a água.

Fases de Fazer Frases (II)

            Não verá nada o olhar para o tempo quando o tempo não tiver nada olhando.

Fases de Fazer Frases (III)

            O botão da florista abriu. O da flor dela? Ou o dela?

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Quando andam, quando andam, as instituições brasileiras trombam umas nas outras. É o caso do Município de Moreira Sales. Após o quarto recurso interposto pelo candidato Hugo Berti, que o manteve inelegível, serão marcadas novas eleições. Ele, que já foi prefeito e ganhou o pleito,  não poderá mesmo assumir. 

            O grande prejudicado no processo eleitoral é a população, pois o Município vem sendo administrado pelo presidente da Câmara, prefeito interino. Tudo fica em compasso de espera e não é só o vereador que está como prefeito, pessoas estão ou poderiam compor a administração pública, ficam a mercê. O povo tem culpa de votar no candidato que comprovou-se ser inelegível? Sim e não! Se o nome dele estava lá na urna, o povo resolveu crer que ele estava impedido de disputar. 

Reminiscências em Preto e Branco

            Despidos os pés, olham eles para o velho calçado e o indagam se ele não estaria cansado.

            Responde o calçado que cansado não fica, mais ainda quando não fica calçado nos pés. 

Contraefeito, efeito com efeito

O herdeiro de um parente rico quer organizar o enterro deste com muita solenidade e contrata

carpideiras profissionais. Mas seu intuito  é malsucedido e ele se queixa: 'Quanto mais

dinheiro dou às minhas carpinteiras para parecerem  tristes, mais alegres elas ficam”

Emanuel Kant (anedota contada por ele)

 

            Cópia bem feita? Não. Perfeita! Tais expressões são comuns. Que o digam os piratas. No ambiente escolar a prática de copiar trabalho alheio de um colega estudante começa cedo e chega ao nível superior, pós, doutorado...

            Professor de Sociologia, certa ocasião, há anos, os estudantes tiveram como trabalho pesquisar sobre a família de cada um deles, origem, trajetória e atualidade. Quando da entrega do trabalho, a aula foi destinada a reflexão sobre tal pesquisa.    Posteriormente fiz a leitura atenta de todos os trabalhos. Em dado momento considerei estranho ao começar, já na capa título do trabalho, a sensação de ter lido sobre a mesma família, e sabia que não tinha naquela turma irmãos ou outro grau de parentesco próximo. Interrompo a correção e examino novamente cada trabalho. Então me deparei com idêntico conteúdo! O que não era igual era apenas e tão somente a capa, diferenciada pelo nome e número. Nem careceu da minha parte indagar quem copiou de quem. Afinal, um era autêntica história da vida do estudante com todos os dados. Os mesmos dados copiados pelo outro, que apenas mudou o nome e número. 

            Apanhando a concepção do direito, contrafeito é “falsificação”; e, no sentido figurado,  “constrangimento”. O estudante que copiou o “trabalho” só teve o “trabalho” de fazer uma capa. Tão desatento que não percebeu que o tema da pesquisa era sobre A Família,  mais especificamente:  família de cada estudante.

            O contrafeito teve o efeito – sentido da consequência a pior possível e imperdoável para a chamada cópia fiel. O contrafeito teve o efeito da nota zero. E o mesmo contrafeito levou ao com efeito, - no sentido ao modo efetivo, que gramaticalmente é a locução com ênfase. O estudante que emprestou o trabalho jamais imaginou que o colega fosse só mudar o nome e o número. Eis o caso de se tornarem irmãos, ao menos na “esperteza”. Detalhe, o estudante do original do trabalho, de fato dele, pediu desculpas, reconhecendo que não deveria ter emprestado o próprio trabalho, e imaginou que eu, como professor, não “vai ler o trabalho, só dar a nota pela “cara da capa”.                    

Fases de Fazer Frases (I)

            O machado machuca o macho. Não é do macho machucado o machado.

Fases de Fazer Frases (II)

            O aprendiz aprende e diz. E diz apreender.

Fases de Fazer Frases (III)

            Conserve o que serve, se sirva do que sirva. Sorva antes de sorvar.

Fases de Fazer Frases (IV)

            Quem em nada acha graça, corre mais risco de encontrar desgraça. 

Fases de Fazer Frases (V)

            Quem costuma falar sozinho nem sempre se opõe quando todos o deixam sozinho a falar.    

Olhos, Vistos do Cotidiano

            O dia foi muito quente. Veio a chuva. Nas principais vias urbanas centrais mourãoenses a água rapidamente forma enxurrada célere para os boeiros. Naquele fim de tarde e começo da noite o trânsito era intenso, engarrafamento. Ao sair da avenida e ingressar numa rua a fila de carros era imensa. Aí tudo para: Uma senhora que puxava o carrinho dela repleto de papelão, certamente apanhado após um dia inteiro de trabalho, usava a vida porque a calçada próxima estava cheia de entulhos que não permitiam nem a passagem de pedestre. De repente uma pessoa nm baita carrão buzina sem parar e gesticula direcionando toda a ira para com a senhora. A idosa com a carrinhola,  a olhar de um lado para outro, tentando evitar o transtorno, assustada com a buzina. 

            Lamentável cena, como se a buzina resolvesse impulsionar a mulher do carrão que fazia um papelão no confronto com a senhora do carrinho sem sinal. Uma no conforto e luxo, vidros fechados, banho tomado, perfume, a buzinar para a outra, roupas puídas, suor de um dia inteiro, cabelos desalinhados, no intenso labor a puxar o que é o ganha-pão.   

Reminiscências em Preto e Branco

            Saborosa era a gabiroba abundante nos tempos de minha meninice em Campo Mourão. A pé ou de bicicleta até a antiga pedreira, passar pela bica d'água e apreciar o fruto. A aventura, tão boa, lá não parecia longe da cidade. A estrada vicinal, a mata e a gabiroba estão sendo engolidas pela cidade. Fica no vestígio reminiscente o sabor da vida como fruto.    

A história dos jovens está pronta: para ser feita

A infância é a idade das interrogações, a juventude

a das afirmações, a velhice a das negações”.

Pablo Mantegazza

             Cada um fez a apresentação, nome, idade, se é do Colégio ou oriundo de outra escola, se trabalha, município e bairro onde mora, entre outras informações. Eles relatam sonhos, planos de vida. O contato inicial entre os estudantes  e com o professor objetiva a interação entre todos.       

            Uma das características dos jovens é a espontaneidade, eles ficam à vontade, até sem limites, desde quando já se consideram integrados na turma ou grupo social. Porém, até que se conheçam, no caso do primeiro dia de aula, o primeiro contato com o professor é a inibição, receio de se apresentar, de se expor, de causar enfim uma impressão negativa. Não são poucos os que relutam, pedem para não se apresentar, alegam que não tem nada a dizer. É preciso estimular, encorajá-los e insistir, quando enfatizo a importância da apresentação, início dos contatos, de pessoa com pessoa; de pessoa com a turma; do professor com a turma e dele com cada estudante. 

            Se não chega a ser vergonha, é significativo o número de jovens que evita mencionar a cidade onde mora (um dos motivos é porque ela é (ou bem) menor em relação a Campo Mourão, e quando é daqui, se possível evitam informar o bairro quando trata-se de periférico, de pessoas,  locais e de moradias simples.

            Quando eu percebia que eles falavam em um tom de voz muito baixo e ao apressarem a apresentação para logo não mais ser alvo de atenção, eu, como professor, indagava sobre o que eles não tinham feito menção. Enfatizei ser fundamental que todos prestassem atenção em cada um durante tal atividade. 

            Timidez, receio, inibição, orgulho, autocensura, entre outros aspectos, é comum o ser humano quando pela primeira vez inicia um contato ter embaraço. Sendo indispensável a integração do indivíduo com o grupo, agir para promover e facilitar a convivência social. 

            Conceito sintético sociológico, a socialização é quando o ser humano começa a responder/corresponder como partícipe de um determinado grupo. A Socialização  é inerente a valores, regras e papéis sociais. Aliás, a socialização é permanente, dinâmica coletiva.  Em vasto sentido a Escola como Instituição Social é caracterizada como socialização: do conhecimento, da prática pedagógica, da troca de experiência, do saber individual e coletivo. 

            Ao incentivá-los, após a apresentação de todos, discorri que superassem o receio de falarem de suas vidas. Não envergonharem-se do que são e querem se tornar. A vida deles apenas está em início,  não devem escondê-la, ainda que possuíam fatos negativos, têm “uma vida inteira pela frente”. São e serão capazes de serem sujeitos ativos da história. 

            Horizontes imaginados, sonhados, vislumbrados para dias vindouros. Serão palpáveis horizontes a partir dos dias de hoje. O agora, trajetória de vida feita de desafios, fracassos, conquistas. Podemos criar, valer-se das oportunidades para crescermos como seres humanos. São muitos os exemplos de filhos com elevado grau de escolaridade e  cultura que tiveram grandes incentivadores e esteio: os pais iletrados, sem eles não teriam base e impulso às conquistas.                Fases de Fazer Frases

            Pressa maior é de quem nunca teve ou desprezou calma possível.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Meu carro na oficina, precisei de táxi (ponto nº 4, perto do Hospital Pronto Socorro). Saúdo o motorista. A corrida é retorno ao passado. O taxista Waldemar Cintra rememora meu saudoso pai Eloy, citando fatos, elogios. Eu, não por gentileza e sim por serem famílias amigas, também revivo o saudoso Waldomiro Cintra, oleiro que fabricava tijolos. O irmão do taxista trabalhou muitos anos no escritório de contabilidade do meu pai, o Oswaldo Cintra.  

            Anos 60, 70, quando Campo Mourão era bem menor do que hoje, todos se conheciam pelo nome, sobrenome, profissão, onde moravam. A saudade do Waldemar e minha, nos acompanhou até meu destino. Nos despedimos com a idêntica conclusão, a vida vale a pena, sentir falta de nossos pais é compreender mais e melhor o que eles representam. 

Reminiscências em Preto e Branco

            O taxista Waldemar, subtítulo Olhos (…) faz recordar da profissão com outras denominações antigas:  chofer de praça; motorista de carro de aluguel. Detalhe na pronúncia  oral chofer, como “Chofêr”. Tempos mourãoenses, anos 50, 60, sotaque francês.