José Eugênio Maciel
Bocete

Nenhum pensamento é imune à sua comunicação, e basta já expressá-la

num falso lugar e num falso acordo para minar a sua verdade.

Theodor Wieseneirud Adorno

            Foi a primeira e única vez que estive diante dela. Com esse nome.

            Nunca achei possível uma nova situação que então me levaria a lembrá-la.

            O dito impossível acontece. Obviamente se ocorre não é mais impossível.

            Exclamaria, é incrível, na verdade querendo afirmar, é crível.

            Rememoro a artesã a dizer ser o mais belo bocete.

            Mais ainda, segundo a mesma artesã, por estar junto ao vestido.

            Nunca seria eu a duvidar da bela artesã. Fosse um artesão, talvez.

            A artesã tinha a convicção da beleza, no caso única, em relevo, róseo.

            Nada reparei. Continuaria a ser ignorante total ante à nova e antiga palavra: bocete.

            Indiretamente ela está presente no nosso Hino Nacional, o florão da América.

            A palavra natural e instantaneamente  lançada ao esquecimento. 

            Mas não! Ela vem com a força da memória viva: bocete.

            Não lembrá-la? Não garanto a mim e ao caro leitor, com todo o respeito. 

            Porém, julgo que não serei levado a lembrar se carecer ocasião. 

            Só caso a artesã provocar... 

            Ela intimamente ligada à artesã, tecer o que é, bocete.

            O mais lindo que vi em toda minha vida:

            Ornato circular, como cabeça de prego convexa posta em antigas saias de malha e couraça.

            Bocete dá beleza, ornamenta ricamente o florão, toque sublime.       

Fases de Fazer Frases (I)

            A vida é um quebra-cabeça que o coração consegue montar.

Fases de Fazer Frases (II)

            Tristeza maior é não perceber poder alegrar-se.

Fases de Fazer Frases (III)

            Vir toda a virtude é vir em virtude de vir.

Fases de Fazer Frases (IV)

            Toda a mancha se desmancha. Desmanchado pelo manchado nem sempre achado. 

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            Por acaso existe a criação de velhos empregos? Ora, a própria palavra criar pressupõe algo que dá origem; formar; fazer existir; algo de inédito.

            A propaganda do governo federal enaltece ele mesmo, ao se referir à retomada da economia, “criação de novos empregos”. Ninguém viu na agência de publicidade? Dos que foram encarregados de ver, analisar e definir a peça publicitária para aprová-la, ninguém reparou?  Se é criar, só pode ser mesmo algo novo.    

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            Aproveitando o embalo do subtítulo acima, em Campo Mourão tem uma lanchonete com uma enorme placa de anúncio do estabelecimento: Montes Claro. É claro, faltou o s.

Olhos, Vistos do Cotidiano (III)

            Ainda no embalo das duas notas acima, tem um erro que não parece ser fácil eliminar e por parte daqueles que devem primar pela correção da comunicação, os jornalistas. Dizem muitos deles – não todos, é verdade! - “Quais são os seus planos para o futuro? Indago ao caro leitor, tem quem faça planos para o passado

Caixa Pós-tal

            Reginaldo Vieira escreveu: “Gosto da variedade, quando talvez esperamos um texto sobre política, você escreve sobre o social. Ou ainda sobre cultura, quando esperaria sobre economia. A surpresa é boa, obrigado!”. O agradecimento é mais meu pelo prestígio.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            A velocidade tecnológica é tão célere que o novo em bem pouco tempo se torna antigo, ultrapassado pelas novas descobertas e invenções que mudam a vida humana, humana vida que emana de mudanças.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

            No fogão à lenha a chama aquece a água da chaleira que irá aguar o chá que espalha o aroma na chalaça de palha parecida com chalé, bebida servida, sorvida por todos enquanto a chalrear. 

Por José Eugênio Maciel | [email protected]