José Eugênio Maciel
Comeu gabiroba?

“Saudade da infância
De terra na mão
Brincadeira de roda
Correr na rua
Pés descalços
Birra pro banho
Muita bagunça
Pouca importância
Nenhuma preocupação”

 Karlene Magalhães

            Ela é miúda e saborosa. Existe principalmente no cerrado brasileiro. Também é nativa de Campo Mourão. Presente no nosso cerrado, outrora com grandes áreas que foram cedendo lugar para a expansão urbana bem como a lavoura.

            Mais do que ter por aqui e na região, a gabiroba era fácil de encontrar, os pés estavam sempre carregados. O sabor da frutinha varia entre doce e ardidinha.

            Gabiroba foi o gosto de aventura dos adultos que caçavam pombinhas e outros pássaros, aventura dos meninos, embrenhando-se nas densas matas, cerrados ou não para logo saboreá-las aos montes.

            A grandeza territorial faz florescer abundantemente a fala e denominações, e gabiroba é como a frutinha é conhecida aqui. Já guabiroba e guavira é como são chamadas em outras regiões brasileiras. Além de alimentar, alternando variações de sabores doce/amargo, o sol do cerrado determina tal condição, como a cor aparente, amarelo rústico. Todas elas são comestíveis, servindo também para fins medicinais, segundo índios e caboclos sertanejos.

            Se o caro leitor já comeu gabiroba aqui é com certeza um mourãoense legítimo! É ou tem contato com a história de Campo Mourão. Ser comedor de gabiroba, por apreciar a frutinha, apanhando no pé, e, no seu derredor, mastigá-la.

            Comparando com o ser paranaense, quem o é tem como prova o gostar do pinhão e admirar a beleza da árvore araucária. Aqui já escrevi sobre o ser e modo de comprovar quem é parananense legítimo: o que carrega no coração a beleza do nosso pinheiro nativo e altivo, a imponente Araucária. (dispensa-se exclamação).

            É verdade que existem outros bons mourãoenses, mas o legítimo mourãoense é o comedor de gabiroba.

Fases de Fazer Frases (I)

            Quem dá de bom grado bem recebe agrado.

Fases de Fazer Frases (II)

            Qualquer palavra serve para quem não diz nada: silêncio.   

Fases de Fazer Frases (III)

            Resta a réstia, feixe de luz da fresta do ontem, tênua do entardecer.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Basta noticiarem sobre pagamento de impostos como IPTU, e não falta quem se refira as condições de pagamento. Aí surge, o “cota única”. Assim como não está certo “parcela única”, tanto uma quanto a outra não pode ser única. Não é a primeira nem será a última vez que o erro é aqui apontado.

Farpa e Fiapo (I)

            Quando uma língua estrangeira contamina a nossa, a identidade brasileira perde espaço. Facebook é “abreviado” para “Face”, (o som de “feice”). Ao ler um texto extraído de jornal, o título era A Face do Povo Brasileiro, mas o dito estudante leu “A Feice do Povo Brasileiro”. 

Farpa e Fiapo (II)

            Por maiores que sejam os cargos que ocupam, posições em nível nacional, Bolsonaro e Maia , presidente da república e da Câmara, conseguem se apequenar, tornam-se mutuamente minúsculos e esbugalhados, quando brigam e quando se apazíguam.

Reminiscências em Preto e Branco

            “Saudade é como um pouco de fome: só passa quando se come a presença”. A escritora, jornalista, poetisa oferece, com a frase acima, uma reflexão sobre a saudade e como nos colocamos diante dela. Em tempos recentes de tantas perdas importantes para a nossa cidade, com fome ou não, engolimos a realidade da perda sem desejá-la presente.

Reminiscências em Preto e Branco – Há 30 anos

            Quando do primeiro texto desta Coluna, há 30 anos, este Jornal só tinha uma única edição, semanal, aos domingos. Não tinha sede própria nem parque gráfico. Foram e são pioneiros os primeiros passos, primeiras jornadas desta Tribuna do Interior.

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