José Eugênio Maciel
Fúlvio, apogeu do apóstolo

“Assim que tenho visto que não há coisa melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras,

porque essa é a sua porção; pois quem o fará voltar para ver o que será depois dele?

Eclesiastes

            A origem de fúlvio é latina e diz respeito historicamente a famílias italianas. Além de referenciar cor da pele e cabelos, clara e dourados respectivamente, ser fúlvio associa-se à característica do sentimento humano com o intuito de ajudar quem precisar ou procure e, ainda, o fúlvio tem a qualidade do líder, sente e responde positivamente a anseios de um grupo humano.

            Tínhamos um fúlvio, o nosso Fúlvio Pozza. “Ele foi um baluarte de nossa Catedral. Rezemos pelo seu descanso eterno e pelo consolo dos familiares”, disse o padre Jurandir Coronado Aguiar, nas homenagens derradeiras e no preito que já é saudade. Fúlvio Pozza nasceu em 1926, outubro, dia 18. Tornou-se saudade a partir do dia 11 de julho. Completaria 91 anos.

            A ausência dele é inestimável, aplacada comiseração que não se limita a querida e devotada família, a esposa Idalina, os quatros filhos, 12 netos e 12 bisnetos. É sentimento da irreversível perda dos cristãos católicos da Catedral, comunidade mourãoense, do vasto círculo de amigos.

            Fúlvio era fúlvio antes de alguém carecer de auxílio, ele prontamente se apresentava e sobretudo tinha atitude humilde, serena, discreta para não ferir, ao contrário, que restabelecesse a dignidade humana daquele necessitado. Auxiliador espiritual e amparador material, sabia ouvir, se compadecer, ser conselheiro. Não fazia juízo de valor condenatório, caminhava e encaminhava ao lado daquele que se apoiava naquelas mãos de conforto, amparo, compreensão, esperança, de luz.

            A Catedral, igreja da Igreja Católica, vive o ápice do silêncio intenso e sublime, a enaltecer o filho, pai, irmão, avô, bisavô, o homem de Jesus que tão vivamente frequentou aquele templo para também assistir a missa, orar, receber a comunhão. Fúlvio integrava à igreja para servir à Igreja, com fraternal e generoso coração. Cumpria tarefas como apóstolo, se tornou o brilho espelhado nas imagens sacras, o brilho no piso que varria, lavava, enxugava. O brilho na preparação e nas manifestações da fé.

            A vida do senhor Fúlvio era apostolado. A da fé como primado das obras, das palavras sempre expressas autenticamente com ações, de honradez, caráter, humildade, realizações de congregação. A vida terna de um homem sabiamente simples é agora eterna. Eterna será presente a sua falta e os seus incontáveis exemplos, lições que minimizam a dolorosa ausência dele. 

Fases de Fazer Frases

            Tudo à vida assiste. Tudo na vida consiste.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Para ter uma nova senha, tem empresa que só aceita cadastrá-la desde que o consumidor digite a antiga. É como exigir trancar a gaveta com a mesma chave e na mesma gaveta.

Caixa Pós-Tal

            “Parabéns Maciel, amigo, confrade e professor. A persistência, idealismo, inteligência e sabedoria estão à disposição de todos, mas nem todos sabem e usam como deveriam. Com alegria, registro que, até o último domingo de junho de 2001 fizemos dobradinha na Tribuna: você com sua coluna e eu com a coluna “'Tocando de Primeira'”. (…). Aponta Ilivaldo Duarte, que ainda fez um resumo para destacar os 29 anos deste espaço. Blog do Ilivaldo Duarte pôs fotos do escrevinhador, além do texto na íntegra.   

            “JOSÉ EUGÊNIOMACIEL, 29 ANOS COM A PENA E A CONVERSA AFIADAS. Segundo Darcy Ribeiro, escrever é ter coisas para dizer, ou seja, é deixar uma marca. É impor ao papel em branco um sinal permanente, é capturar um instante em forma de palavra. Já para Pablo Neruda, escrever é fácil: você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca ideias! Ao nosso estimado amigo, confrade e professor José Eugênio Maciel, externamos os cumprimentos com o desejo de que essa marca se repita por muitas vezes, sempre temperada com sua inteligência ímpar e o bom humor peculiar. 29 anos na ativa, com a pena afiada nas mãos e na Coluna, precisa ter muita ideia para colocar no meio. – PARABÉNS!

            “Um dia irei para Campo Mourão, para conhecer esse Maciel e essa. Minha vontade foi despertada ao começar a ler seus textos. Maravilha, grande talento, lindas palavras. E esses 29 anos, hein? Muito legal. No último adorei o seguinte, 'Perdemos tempo não ganhado. Ganhamos tempo perdido’. Lindo! Lindo!”, escreveu Irene Silva Oliveira, catarinense de Porto União.

Reminiscências em Preto e Branco

            Não ter uma imagem concreta é ter motivo para concretamente imaginar o que se quiser ter.