José Eugênio Maciel
Mãe

Um princípio, instinto maternal bem antes de se tornar mãe.

Uma origem, fecundidade a brotar no coração.

Uma fertilidade, germinar no ventre venturoso.

Uma concepção, amor.

Uma esperança, nascer.

Uma luz, vida.

Um gesto, carinho.

Uma canção, ninar.

Um sono, reparador após o filho dormir.

Um sentimento, doce amar.

Um olhar, enxergar além do horizonte.

Uma palavra, entusiasmo.

Uma lágrima, de tristeza ou alegria, sempre autênticas.

Um afago, conforto e proteção.

Um jeito de ser, braços e coração abertos.

Uma aflição, passageira agonia, substituída pela esperança.

Uma solidão, finita, sabe que o filho retorna.

Uma amizade, verdadeira e reparadora.

Uma devoção, nunca medindo esforços.

Um orgulho, a emoção como razão de ser.

Uma liberdade, não se pode nunca prendê-la, a não ser do filho que a liberta.

Uma sensibilidade, a de perceber tudo e a todos.

Uma satisfação, por pequena que pareça, a coloca em êxtase.

Um medo, o próprio, de não encontrar forças, embora saiba, a fé não a deixará sem energia.

Um perdão, todos os que sejam sinceros, decentes e justos.

Uma consciência, equilibrada e sábia.

Uma história, de incontáveis exemplos.

Uma crença, um mundo melhor.

Um sonho, não propriamente o seu, mas o que sonham os seus filhos.

Uma direção, sempre ao encontro deles.

Um obstáculo, todos hão de serem vencidos com altivez e tenacidade.

Um tempo, todos os instantes do criar e recriar a vida.

Um lugar, que nele exista espaço harmônico, a paz.

Um dia, qualquer clima, o que importa é viver, descobrindo-o num encontro consigo mesma.

Uma flor, todos os jardins.

Uma cor, o brilho de todas elas.

Um objetivo, nada lhe pertence, pronto para ser dado a quem dele precisar.

Uma homenagem, todas, o sentido humano: verdadeiro, elevado, puro e imorredouro.

Uma condição: gerar vidas que nunca inteiramente dela se desprenderão.

Uma vida, a dos filhos que é a dela como se fosse una, unida na ternura eterna.

Uma ser, não existe a melhor mãe do mundo: a mãe sempre é quem torna o mundo melhor.

Reminiscências em Preto e Branco

O Artigo principal, homenagem as mães, tem pelo menos 20 anos que é (re) publicado. Quando saiu pela primeira vez, o tempo passou até próximo ao novo dia de comemoração, e uma senhora ao telefone me pede que eu publicasse o referido texto. Assim foi feito, durante muitos anos ela ligava e pedia, sempre agradecendo enfaticamente. O tempo continuou a passar, mas a anônima senhora não mais ligou. Ainda assim, é como se ela ligasse para fazer o mesmo pedido, novamente aceito.

Mãe seria mais um entre tantos textos esquecidos.

Não é, evidentemente pelo conteúdo, embora também o seja, mas sim primeiramente pelo significado e circunstâncias.

___

José Eugênio Maciel | [email protected]