José Eugênio Maciel
Mélqui, o sorriso canino

"Olhei para os animais abandonados no abrigo... os renegados da sociedade humana. Vi em

 seus olhos amor e esperança, medo e horror, tristeza e a certeza de  terem  sido traídos.

Eu me revoltei e rezei:- Deus, isso é horrível! Por que o Senhor não faz nada a respeito?

 E Deus respondeu:- Eu fiz. Eu criei você.”

Jim Willis

            Numa manhã chuvosa estudantes do Colégio Estadual Prefeito Antônio Teodoro de Oliveira, localizado no grande Lar-Paraná em Campo Mourão, se agitavam para assistir o recolhimento de um cãozinho que se encontrava no terreno baldio do outro lado da rua daquela escola. Ele estava muito magro, pulguento, pouca pelagem, costelas visíveis, arriado. Ainda assim o cão ladra, encontra força para não ser pego. Com muito jeito e paciência maior ainda, o homem da carrocinha estava ali para realizar o trabalho dele, dedicado e zeloso. Um menino, com aproximadamente seis anos, estava atento a cada ação daquele senhor, o garoto procurava entender, apreensivo, o que aconteceria com o animal.

Olhos se entrecruzam, do cão a latir bravamente, se contradizendo ao perceber que não escaparia ou por sentir que seria melhor para ele encontrar abrigo e sair das ruas molhadas, da chuva fria que encharcou seu franzino corpo. Olhares do menino que sentia que a preocupação dele – do cão e de si próprio – não tinham mais motivos. Tais dois olhares que se interligaram com o homem da carrocinha a apanhar o animal. Aquele homem, sem dizer uma palavra, transmitiu ao cão e ao menino o sentimento que ambos poderiam confiar nele, estava ali para acolher, mais do que recolher o cãozinho.  

Despediram-se. O cão veio ao encontro do Mélqui, sem antes deixar de olhar para o menino que acenou para o animal. Aceno daquele garoto que foi também endereçado para o homem que cuidaria dele.

A amizade pode brotar da adversidade, da incerteza e do infortúnio. Da compaixão e do socorro. Recordo o que parecia em mim depositado no esquecimento, mas emergiu noutro dia chuvoso, do carnaval, cenário no qual foi noticiada a morte do Melquisedec Ramos Santos, dia 12 passado. Chuva que descia suavemente no dia do enterro, a me lembrar de outra, aquela próxima ao colégio.

Mélqui era uma das pessoas mais queridas de Campo Mourão, por trabalhar com afinco incansável, a recolher animais, a dar-lhes o que não tinham, perderam ou nunca conheceram, o olhar de consideração.

O sorriso sempre de afeto, de gentileza e de amizade era uma marca dele, maior que o trabalho que realizava. Assim para com todos, ao cumprimentá-lo, a simpatia fora sempre nascente dos olhos impregnados de respeito. E não apenas nós, seres humanos e principalmente aqueles que o conheciam, sabíamos disso, o sorriso dele era de acolhimento sincero pelos animais errantes, que ele os fazia certos.

Fases de Fazer Frases

            Opostos são elo do duelo.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            O trabalho no Brasil não tem a menor importância e ficou para depois do carnaval. Pelo menos no âmbito do governo federal, passado um mês sem que a anunciada ministra da pasta conseguisse tomar posse, situação levada aos tribunais. A indicada, deputada federal Cristiane Brasil é fruto do loteamento de cargos partidários, filha do comandante da sigla, o PTB, ex-deputado Roberto Jefferson. O próprio nome-título do Partido não poderia indicar outro “trabalhista”? Não, o nome é só fachada. A pendenga jurídica foi provocada por um grupo de advogados trabalhistas e apontou, a deputada é descumpridora das leis. O Ministério do Trabalho ou qualquer política do trabalho não é sério no governo Temer, fosse assim outro nome já teria assumido.

Caixa Pós-tal

            Do goioerense José Roberto Gomes, “Basta eu começar a ler e não deixo de ir até o fim do texto, parabéns!”.

Reminiscências em Preto e Branco

            O passado também é uma tábua agarrada pelo náufrago.    

__

Por José Eugênio Maciel | [email protected]