José Eugênio Maciel
Povo é conduzido. Massa é induzida. Quem seduz?

“Em grupo, os homens sentem, pensam e agem exatamente da mesma forma, como se tivessem

uma alma coletiva, mesmo que individualmente sintam, pensem e ajam de formas

inteiramente  diversas das observadas quando imersos na multidão”

Gustave Le Bon

            O espaço público a todos pertencem, ao mesmo tempo em que não é de ninguém individual e exclusivo. Praças, ruas são legítimos à manifestação, solitária, pequenos grupos e das multidões.

            É fácil ver e ter exemplos das pessoas reunidas como povo, massa, público, multidão, o Brasil está repleto. Basta referenciar fatos recentes no âmbito da composição do Estado e formas de governar (ou de não). Legislativo, Executivo e Judiciário são alvos de manifestações dos brasileiros. 

            Ainda que sejam apontadas objeções nas causas e maneiras de agir, é inegavelmente  relevante é que os brasileiros estão a descruzar os braços, falam, escrevem, empunham cartazes, vão deixando de lado o receio de assumir alguma posição, até a de não ter posição alguma. É  democracia que pressupõe a liberdade de manifestação, sem qualquer censura prévia e sem o anonimato. É estado de direito ainda num processo de construção que implica no caráter permanente de edificar  e de se consolidar, próprio de uma sociedade que não é estática.

            Episódios antecedentes, durante e depois da prisão de Lula não autorizam a qualificara as manifestações antagônicas como sendo uma sociedade dividida. Não procede haja vista tratar-se da  diversidade imensa ante ao tamanho do nosso território, temos um continente de etnias, concepções e de interesses espraiados ou contidos nessa numerosa gente que somos e a que queremos ser.

            As questões sociais, que são também judiciais e sem deixar de fora as legislativas e que cotidianamente refletem como o Estado brasileiro é ou deveria se tornar, mobilizam brasileiros com elementos que variam, da força e clareza, da omissão e da indiferença.

            Se estamos experimentado a exteriorização dos sentimentos, com o ímpeto de verbalizar o que pensamos, aspiramos, é preciso refletir o conteúdo e intuito das nossas próprias manifestações, pessoal e coletivamente. 

            Engendrando a liberdade que estamos a conquistar, exercitar e ampliar, existe infelizmente o  autoritarismo quando cremos e agimos como se só nós tivéssemos razão, e os contrários são impingidos como os absurdamente errados. Existe até o maniqueísmo esquerda e direita; mortadelas e coxinhas. Aí espaços públicos viram campos de batalhas físicas, de teses, de ideologias, de regimes, de partidos, de classes e de pessoas.

            Se somos, por quem ou por quê somos conduzidos? Enquanto massa, nos espaços públicos, na conversa informal com a família e amigos, estamos sendo induzidos por exemplo pelo veículo de maior comunicação, a TV? O próprio Brasil nos seduz? Gostamos de fato de sermos brasileiros a ponto de tornar realidade fática um Brasil de e para todos os brasileiros?

            Um país dos adoradores do Lula, contra os odiosos do Lula? A própria indagação é por si estupidez que deveria ser inconcebível. Mas se a interrogação contém insensatez, a responsa pode resultar na reflexão, ponderação e percepção que sociedades abertas pressupõem riscos que não podem sofrer restrições ao exercício da liberdade, pois seria incorrer no risco de, ao jogar fora a água da banheira do banho do bebê, jogar também o próprio bebê.                 

Fases de Fazer Frases (I)

            O caráter de uma multidão é não ter uma personalidade individual.

Fases de Fazer Frases (II)

            Não dê efeito a defeito

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Só 100 associados (segundo o Sítio Boca Santa) votaram na única chapa da ACICAM – Associação Comercial e Industrial de Campo Mourão, eleito presidente Alcir Rodrigues da Silva. É pouco, comparado com 1200 filiados. A Associação convenceu prefeito e vereadores a transferirem o feriado de 10 de outubro, aniversário do Município. À época pressionaram levando à Câmara empregados a mostrar ser legítima tal mudança. Se 1200 é pouco, 100 é insignificante perante os quase 100 mil habitantes.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            Não culpo os grãos de areia da ampulheta pela passagem do tempo.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

            Oportuno rememorar o dizer do mestre Buda: Pode-se induzir o povo a seguir uma causa, mas não a compreendê-la.        

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]