José Eugênio Maciel
Plug 15 anos, o Paraná te vê

PLUG 15 ANOS, O PARANÁ TE VÊ

Minha Terra tem Pinheiro,
Onde canta a Gralha Azul.
Os Pinheiros ainda semeiam,
Mas as Gralhas, nunca vi.

Os rios que aqui permeiam,
Não tem mais o mesmo azul.
Quanta vida, quanta água,
Desperdiçada ou mal tratada.

Minha terra é tão linda,
tem bicho do Paraná.
Tem um povo trabalhador,
de uma cultura exemplar.

Simone Martins – Pinheiro do Paraná

O Paraná te vê. Nós parananenses vemos e somos espelhados nas imagens do Plug. Há 15 anos o programa foi exibido pela primeira vez, em agosto, pela RPC TV, afiliada da Rede Globo no Paraná.

Cada programa exibido é como a nossa gralha azul que sai a enterrar a pinha, e, como a ave não consegue depois comer todas elas, viram sementes, frutos que se tornarão majestosos pinheirais nativos, nosso símbolo como ser e estar paranaense. O Plug é nossa Araucária imponente, autêntica que contempla a história e a atualidade.

Cada lugar, município, urbano, rural, região, é apresentado com informações de suas origens históricas, contextualização, etimologia do nome, são aulas da própria história, geografia, trajetória de existência.

Entrevistas, depoimentos, pessoas que enaltecem as tradições, curiosidades de todos os pontos do Paraná. As bem cuidadas imagens editadas chamam a atenção do telespectador, natureza, pontos turísticos, tanto das nossas metrópoles quanto das pitorescas comunidades.

Não faltam a fé, lugares de congregação religiosa, assim como estão sempre presentes o folclore, a tradição, música, dança, artes cenas, o esporte e a colunária, se destacam receitas de doces e salgados, receitas de confraternização e irmandade.

Passando aos sábados, início da tarde, é como se tivéssemos em mão uma linda enciclopédica ilustrada, fotos, mapas, gráficos, textos primorosos e didáticos, do Paraná, abrimos páginas entrelaçamos com a dinâmica de nossos irmãos paranaense.

Plug é o encontro familiar, gerações reunidas na varanda, na sala para saborear uma refeição ou em dia de festa, amigos a comungar a vida no quintal, no campo ou no da cidade, embevecidos pela satisfação de sermos todos do Paraná, terra de todas as etnias, de todos e diversos retratos, uma galeria que no Plug é registro e é a promoção do espírito fraternal. s 15 anos é só o começo.

Fases de Fazer Frases

Melhor seria que o melhor sempre seja.

Olhos, Vistos do Cotidiano

Projeto de Lei contra abuso de autoridade passou no Senado. Até aqui, feito por autoridades que não querem abuso contra elas. Abuso, a quem não tiver colarinho branco.

Fiapo e Ferpa

É gritante o silêncio covarde.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

Londrina se prepara para realizar um dos mais importantes encontros do teatro da América do Sul, o FILO – Festival Internacional de Londrina. Será a 50ª edição. A falta de patrocínio, ano passado, resultou no cancelamento. Agora o espetáculo será para marcar meio século de história.

Assim como após a reconstrução do magnífico Cine Teatro Ouro Verde, que pegou fogo e foi reconstruído, a restauração remete a Fênix, que ressurgiu das cinzas. Nada melhor do que o FILO, Londrina e o Paraná como palco do pulsar da nossa cultura.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

Em preto e branco, chiados, chuviscos, o televisor era móvel da sala. Assistir tevê deixava o telespectador imóvel. O controle remoto de hoje não lembra mudança manual de canal, tempo remoto, imagem congelada no tempo hoje imaginado de lembrança.

José Eugênio Maciel | [email protected]

Quando estiver sozinho, fale com você

“Frequentemente tenho longas conversas comigo mesmo, e sou tão inteligente que algumas vezes não entendo uma palavra do que estou dizendo”.

Oscar Wilde

 

Sem que eu pare para pensar, a fim de começar a escrever, inicio conversa comigo, sozinho. Deixo fluir, tão naturalmente, que fico à vontade para puxar assunto com o meu eu. E o meu eu pega o assunto ou apresenta o dele.

Na maioria das vezes ficamos inteiramente a vontade para nossos bem construídos diálogos, asas que pousam ou levantam voos livres, leves, realmente imaginativos e imaginavelmente reais.

Não chega a ser sempre meditação, oração espiritual. Não são necessariamente diálogos a construírem conteúdos ou a partir deles a reflexão.

É conversa para e de um apenasmente falar com e do outro:

- “Olá, como vai, tudo bem?”

“Sim (ou tô indo), e você?”

São três situações básicas, quando os dois desejam e conseguem conversar; se um quer, mas o outro, não; e quando os dois não podem; ou não querem dialogar.

Fico confuso com a fusão do meu eu que fala comigo.

Intriga-me o divisor da minha pessoa com a pessoa minha.

Estar sozinho, ainda que só, não é solidão. Ela é o indivíduo na multidão, ambos sentindo não se pertencerem.

É preciso estar só para falar sozinho. Mas o ser sozinho não pressupõe falar solitariamente.

Se é bom conversar na ocasião em que o diálogo é apenas entre duas pessoas, imagine quando os dois sujeitos são única pessoa!

Conversar sozinho pode ser em voz alta, e, no silêncio de seu eu, você fale a encontrar eco.

De ser sussurro, confidências segredadas/segregadas:

Inferência/referência/conferência/interferência como prosa ou poesia.

Converso sem oralidade, diálogo brota da mente, vai ao coração, dele semeio o cérebro.

Sobre o que falo comigo? De mim, sobre o eu que comigo diz, condiz.

Converso comigo ideia a saber de mim, o que acho dela: Apensando pensamento.

Tudo agradável? Na troca de palavras entre mim e eu, debato, me bato, abato.

Tento que o eu me entenda e atenda o eu meu.

Falar sozinho é essencial, me vigora, revigora.

Desagradável é deixar meu eu falando sozinho, ou sair sem nada a dizer.

O caro leitor deve assim se sentir, texto inconcluso que o abandona aí.

Porém, no pífio esquivo, afirmo, não sou eu quem te abandona, é o texto de hoje.

O diz sozinho da Coluna, como se só os dois dialogassem, porque ninguém irá lê-los.

Fases de Fazer Frases (I)

Não sou contra o verso controverso. É o verso que é contra o que verso.

Fases de Fazer Frases (II)

Amor sem prática é flor de plástico regada cotidianamente.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

Já são 3,6 milhões desde quando começou a cumprir prisão em Curitiba, 2018. O ex-presidente Lula custa 30 mil reais por mês. Um preso comum que não está comumente preso.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

Estão sendo apurados supostos desvios na operação quadro-negro no Paraná, que chegam a 22 milhões de reais. Preso, solto, preso, solto, o ex-governador Beto Richa (PSDB) é apontado como o chefe dos desvios. Obras superfaturadas ou sequer edificadas são lições vergonhosas. Olhos, Vistos do Cotidiano (III)

O deputado federal pastor Marco Feliciano (Podemos) nem disfarçou, foi cínico ao confirmar que “gastou” 157 mil reais para tratar os dentes dele. Pagos pelo contribuinte. O curioso é que o assaltante público dinheirento na verdade teria gasto “só” 7 mil, o dentista dele deu recibo superfaturado. Caso ele levasse um bem-dado soco na boca, seria lesão ao patrimônio público?

E o povo a pastar sem dentes.

Fiapo e Ferpa

Corte palavras que cortam fere/ferem menos.

Reminiscências em Preto e Branco

Invocam-se passados, provocam-se lembranças.

José Eugênio Maciel | [email protected]                 

A história pausa, tributo ao historiador Altoé

“As nossas mentes, aprendeu o homem moderno, talvez contenham sombras estranhas e irracionais do passado sub-humano – sombras que, sob tensão, podem por vezes alongar-se e incidir sombriamente na soleira da porta da nossa vida racional”.

Loren Eiseley

 

Ele é o pioneiro dos Caminhos de Peabiru, ao descobrir e percorrê-lo. Não foi ao acaso. Nada de por acaso. Estudioso dedicado, perspicaz e apaixonado pelo conhecimento humano, notadamente o civilizatório e a condição com as gerações.

Um prolífico do saber que adquiria, ampliava, diversificava e partilhava com enorme serenidade e entusiasmo, pois sabia fixar relação harmoniosa entre serenidade e empolgação necessária em termos de cultura e educação.

Chegou em Campina da Lagoa em 1964, fincou raízes no solo fértil. Foram 54 anos de um vínculo fecundo e forte com a nossa região, sobretudo como ser humano extraordinário, singular. Aplicado às Ciências Sociais foi historiador, arqueólogo, antropólogo. Cultivou amizades, referencial marcante como indivíduo e como ser social.

Findada a vida dia primeiro agora, 82 anos, Pedro Altoé produziu e é legado intelectual vasto, Caminhos de Peabiru é o saber de nossa ancestralidade indígena, brasileira e latina. Convém salientar, respeitado e querido pelos estudiosos afeiçoados desde sempre com o modo de ser, laços duradouros da amizade.

A terra das campinas e das lagoas tinha vestígios materiais étnicos que encontrou e buscou mais artefatos, logo convidou e disseminou tal achado. Desenterrou o então desconhecido passado, ligando fatos históricos à compreensão da humanidade e seu ciclo evolutivo.

Campina da Lagoa em vida reconheceu a importância do educador, homem que era peculiar no trato com as pessoas, espectador e veiculador do espetáculo da vida.

Trouxe a história e o sentimento humano para bem junto das crianças e jovens, despertados pelas ensinanças do professor. O mestre, era ele caminho inspirador e exemplar em todas as direções do aprendizado.

Fases de Fazer Frases (I)

Furto o tempo, ele que nunca me rouba.

Fases de Fazer Frases (II)

Faço de tudo para que o nada não me desfaça.

Fases de Fazer Frases (III)

vez resta-me réstia do sol que escapa pelas frestas do tempo.

Fases de Fazer Frases (IV)

Foge de mim aquela que me forja a saudade que levo.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

São 27 candidatos ao Conselho Tutelar de Campo Mourão. O que dá sinais de crescimento e a ganhar simpatia é o clima de renovação por meio de nomes e novas propostas de trabalho.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

O STF – Supremo Tribunal Federal decidiu que a demarcação das terras devem ser respeitadas. A terra é dos índios! Curioso, eram eles os primeiros e legítimos donos e continuariam a ser, mas a colonização e a ânsia incontrolável deseja ainda roubar dos índios o que é deles.

Caixa Pós-tal

Agradeço a todos, antes agora e sempre, pelas manifestações a respeito da Coluna anterior – PARA A ISADORA, SEMPRE AMADA – comovente e comovedora, palavras e sentimentos que me confortam, ante a perda, aos 22 anos, daquela criança que vi nascer, crescer e que vivemos juntos sobretudo na infância uma relação de afeto típico de amor autenticamente intenso e que me põe ao mesmo tempo triste e prostrado, quanto sendo imperativo ter que seguir a vida, mesmo sem ela, a não ser em meu coração.

Fiapo e Ferpa

Poder estar com os poderosos, - e não ficar-, é estar com o poder próprio.

Reminiscências em Preto e Branco

Tempo do vidraceiro, vinha retirar janela quebrada, punha nova. A quebrada geralmente por uma bola do jogo de futebol na rua.

José Eugênio Maciel | [email protected]                 

Para a Isadora, para sempre, amada

*“Caminhos são eternos, os passos é que não são”

(JEM)

            Jamais seria imaginável supor que existiria essa última despedida. Derradeiramente o adeus. Isadora Lenara Pescador Loss, o texto agora explica resumidamente o que você representa para mim. Falamos-nos pela última vez no seu aniversário, dia 18 de julho, parabenizei pelos seus 22 anos. Disse as mesmas palavras que você antes escreveu e falou, “Ti amo”.

            A seguir a Coluna do dia 22 de julho, 2007, há exatos 12 anos, para homenagear, li pra você, expliquei algumas palavras e anos mais tarde tu é que leu para mim.

            Deixou-me mais uma grande lição, a de doar os seus órgãos. Foi feito, menos o seu coração. Levou o nosso. A frase abaixo do título apareceu no Fases de Fazer Frases, e agora oportuno, como a citação e o texto abaixos:    

ISADORA, FIGURINHA

“Meninha do meu coração

Eu só quero você

A três palmos do chão

Meninha, não cresça mais não

Fique pequeninha na minha canção

           [...]

Fique assim, fique assim

Sempre assim

E se lembre de mim

Pelas coisas que eu dei

E também não se esqueça de mim

Quando você souber enfim

De tudo o que amei

Meninha – Vinícius de Moraes e Toquinho

            Exatamente todos os dedinhos das suas mãos dizem quantos anos tens agora. Lembro-me da mãozinha destacando o indicador para nos mostrar o primeiro ano. Isadora Lenara, não só eu, mas eu também, feliz e imensamente tenho a minha vida inteiramente transformada com a tua chegada.

Se o tempo passou tão depressa, parece que foi ontem, a sensação mais significativa é que este tempo jamais foi dividido, ele é inteiro, preenchido com a tua existência.

A casa tinha que se adaptar, o silêncio para que o sono teu de anjinho não fosse despertado antes da hora e para ouvirmos o chorinho de resmungo querendo atenção. Portas e janelas tinham que ser fechadas na hora do banho, nenhuma corrente de ar, toda uma estrutura preparada, banheira, água quente, sabonetinho, toalha, talco, pomadas, fraldas, macacãozinho colorido, meinhas mais ainda. E depois vinha a mamadeira, o embalo, e eu ali, diante de uma criatura tão especial que sempre trouxe consigo um brilho próprio nos olhos claros, cheia de vida, encantadora.

Vi e participei do teu crescer. Sabe, Isadora, cresci muito com você, perdi a conta das vezes em que refleti a cerca da grandiosidade do ser humano, tão forte e ao mesmo tempo pequeno e frágil.

 Você engatinhando por todos os cantos foi outra fase apreciável, o cuidado para não derrubar algo que pudesse te machucar, não pôr os dedinhos nalguma tomada e levar choque. E, num descuido nosso, do tipo que um confia que o outro está olhando a criança, e vice-versa, falamos em coro: “cadê a Isadora?!” Você tinha subido sozinha e quietinha os degraus do sobrado, chegando ao andar de cima felizmente sã e salva. Acho que foi a sua primeira aventura/travessura.

As papinhas, o babador, os primeiros cachinhos do cabelo polaco. E também os primeiros dentinhos, lembram-me que te pedi, ao colocar um dos meus dedões na tua boca, que então você mordesse, e foi o que fez, deixando em mim a primeira marca das tuas peraltices.

Isadora, vou escrevendo e não sem o que colocar no papel, tantas são as lembranças, os incontáveis motivos para me sentir verdadeiramente capaz de amar e ser amado por alguém tão especial. Quando você estiver lendo esta crônica recordará quando íamos à banca comprar jornal e então aproveitávamos para passear de carro, levávamos mais tempo a te colocar segura na cadeirinha no banco de trás do que propriamente o tempo até a banca. Você, ao aprender a falar e caminhando saltitante, eu não conseguiria ir pegar os jornais sem a tua companhia, e foi a partir de então que passou a escolher suas revistinhas em quadrinhos. Folheando as páginas, você era só fascínio, imaginava a historinha ou me pedia que a contasse.

Contar historinha sempre foi uma forma de estarmos próximos. Para adormecer, além de prazerosamente levá-la no colo até o teu berço, ouvia o teu doce apelo, “me conta uma itólia?”. É, a vida é sempre um Era Uma Vez... Curiosa, atenta, observadora nata, sempre prestou atenção, as que mais gostava, pedia-me que repetisse, sem esquecer toda a encenação. Muitas das histórias fizeram cessar o choro de alguma dorzinha. E a tua capacidade de observar e pensar gerava perguntas e tudo você queria saber. Antes mesmo de saber ler, pegava os jornais que eu propositadamente deixava pelo chão, olhava as figuras, sempre ali comigo, ou então lendo teus gibis, cantarolando, pintando, colorindo e encantando. (quando você chegou de viagem para passar as férias com a adorada vovó Iara, fez questão de nos mostrar o livro que está lendo, com marcador de página e tudo).

Sempre fomos amigos, a nossa relação é marcada pela lealdade e companheirismo, como te aprontando para ir à escola e quando não era mesmo possível comparecer às tuas apresentações a cobrança era feita. Assim como nas oportunidades que eu comparecia, você sempre me enxergava em meio a tanta gente, e logo depois vinha ao meu encontro, a tua corrida em direção ao abraço e ao colo são e continuarão sendo repletos de bondade, afeto, ternura, cumplicidade e amor.

Diante da minha correria do dia a dia, das decepções e dos objetivos não alcançados na vida, inevitáveis ou não, chegar até você é poder encontrar naturalmente forças advindas do teu abraço, da sua presença constante e envolvente a “grudar” na gente, ou do modo singelo com que dormia, novamente revigoravam em mim a busca por um mundo com menos injustiça, mais humano, que ele até mesmo não seja para mim, mas para você, querida Isadora. Parabéns!          

José Eugênio Maciel | [email protected]                  

Nem tomada nem retomada

“Lutemos por um mundo novo. Um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à juventude e segurança à velhice”.

Charles Chaplin

O Brasil vive momentos tão críticos que apontar exemplos de problemas agudos é difícil quando se trata de apontar quais são os mais greves e emergencialmente mais gritantes.

Legalmente previsto mas moralmente inaceitável é o recesso parlamentar. Deputados e senadores federais gozarão o recesso, termo elegantemente esculpido para cobrir com manto transparente o que é, na verdade, férias no meio do ano.

Independentemente das condições e do mérito, a reforma da previdência ficará para quando os parlamentares após o merecido gozo. O brasileiro que espere! Que se desespere.

Demandas na Justiça que esperem o regresso dos senhores ministros do Supremo Tribunal Federal, também de recesso.

Brasileiros, esperem! Não se desesperem! Não se exasperem!

A economia estagnada aponta que é pouco declarar que este ano é de dificuldade, que por si só se soma aos anteriores. Economia sinalizada de há muito como década esvaida caracterizada pela recessão.

O horizonte é sem perspectivas. O que se tem é ilusão com o que chamam de uma nova previdência. Delírio tal qual a da reforma trabalhista, o discurso apologista apregoava a geração de empregos, pois o peso do poder público só atrapalhava e que as garantias sociais para os trabalhadores estariam preservadas.

O velho chavão é tão novo quanto cansativo, a relação da economia como questão política e a política como questão econômica, que sozinhas ou separadas se espraiaram de há muito na aridez da inapetência governamental e a incapacidade e o desalento da chamada iniciativa privada, que continua dependente do fomento ou privilégio público paternalista.

Temos o silêncio e o ruidoso do governo que não se governa e da oposição sem posição.

Fases de Fazer Frases (I)

O estafeta está estafado com o estafe dele.

Fases de Fazer Frases (II)

O bom de briga não é quem ganha. É quem sabe evitar brigar.

Fases de Fazer Frases (III)

O preconceituoso evidencia a inferioridade quanto maior se julgar superior.

Fases de Fazer Frases (IV)

Olhares não se encontram quando não se tocam. Se trocam.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

400 vagas para a construção da nova ponte que ligará Brasil e Paraguai. E são 11 mil os que querem trabalhar. Apenas é um dos muitos exemplos dramáticos socialmente do desemprego que avassala o Brasil.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

Deslizem acontecem, mas de professores são considerados imperdoáveis erros no uso da fala, sobretudo os mais graves. O presidente da APP – Sindicato, ao responder perguntas dos repórteres a respeito da reposição das aulas, após a suspensão da greve, advertiu que cada escola fará o calendário de reposição. Até aqui, tudo bem. A questão é que ele falou de “consenso, geral, de todos”, à Rádio Bandeirantes – Maringá. Inexiste consenso da maioria ou de uma parte, consenso é sempre de todos, ou seja, consequência de unanimidade. O presidente da APP é Hermes Silva Leão, professor de Educação Física e pedagogo.

Farpas e Ferpas (I)

Não se deve dizer tudo que sabe, pois ninguém sabe tudo.

Farpas e Ferpas (II)

Pau para toda obra, ditado popular não só entre carpinteiros e marceneiros…

Farpas e Ferpas (III)

Ninguém dá a palavra se não a tiver.

Reminiscências em Preto e Branco

Embalagens imprimem o prazo de validade. Devemos aproveitar bem a vida quando a validade está no prazo a nos embalar.

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José Eugênio Maciel | [email protected]

Rebeis, sentir da vida

"A sublime, serena e sensata sabedoria é simplesmente sentir o ser que sutilmente se sensibiliza com o sentir da vida"

Thomás A. S. Foiporeze

Sentir a vida, a que se tem. Sentir a vida de todos que dão a vida a quem sente. Pacientemente sentia a vida de todos os seus pacientes, que se não eram, se tornariam amigos. A medicina foi sempre missão e vocação. Dedicado, estudioso desde os tempos universitários,  formado, aportou em Campo Mourão no principiar da década de 1960.

Nascido em Lins, São Paulo, tinha 84 anos, Sérgio Rebeis deixou, mais do que marca, um molde exemplar da ética na ciência médica, familiarmente, com os muitos amigos, na sociedade mourãoense.

Com valores e modos peculiares, se punha no lugar das pessoas, o diálogo dele muitas vezes era principiado por meio do silêncio, dos olhos atentos, da expressão que denotava respeito, compreensão, decência. O diagnóstico levava em conta a pessoa, assim como o contexto, a trajetória da própria existência humana.

O que simboliza o pioneirismo de bons feitos por este lugar, que tinha nele um luzeiro cursor, foi o prédio do então Hospital Anchieta, modernas instalações e equipe de profissionais (atualmente unidade de serviços do Centro Universitário Integrado, centro da cidade). Rebens declarou ter sido um empreendimento ousado mas viável à época.

“Tenho dó do meu país”, disse-me ele quando o visitei no apartamento, ao comentar o que escrevera na cédula eleitoral (quando ela era de papel), no que para ele foi um momento “sem opção de segundo turno”, a disputa à presidência entre Collor e Lula. Assumia posições políticas, partidárias, não se omitia, tanto é que pôs o próprio nome para deputado federal. Fez política com desprendimento pessoal e com comprometimento público, legítimo.

Franco, aberto, expansivo, indignado com os erros, que se contrapunha como notável combatente, Sérgio Rebens também gargalhava-se com fatos pitorescos e humor. Tinha luz própria que perpassava com generosidade, lucides e afeto.

Fases de Fazer Frases (I)

Vida é passos, espaços, pasmos.

Fases de Fazer Frases (II)

Só, fala curta, incabível companhia.

Olhos, Vistos do Cotidiano

Emendas bancaram aprovação da reforma na Câmara. Velha política não se emenda.

Farpas e Fiapos

Velha política não saiu de cena, trocou o traje, é militar.

Reminiscências em Preto e Branco – Javete de Almeida Weiler: Lições de vida e escola

“Uma coisa importante que aprendi com a vida: Eu também sei deixar saudades” (Edelzia Oliveira).

Antes de ilustrar o quadro com lições, ela sabia que o maior aprendizado, adquirido e praticado, se tornaria fruto como exemplo. Ao longo de uma vida de plenitude humana formou gerações, notadamente na comunidade educacional da Escola Municipal Paulo VI, aprendizes das primeiras letras, primeiras contas, palavras, somas.

É uma parte bela, fundamental da história do ensino mourãoense que ela bem soube preencher, páginas, capítulos, memórias que no envolver do tempo sempre foram e serão memórias de conhecimento basilar.

Herança maior para a educação da professora, foi também a de mãe e avó, sensível, humana, justa, educadora com rigor e ternura, sempre elegantemente, firme, eloquentemente vívida.   

Reminiscências em Preto e Branco – João Gilberto: Chega a saudade, que não vai

“Vai, minha tristeza, e diz a ela/ Que sem ela não pode ser/ […] Porque eu não posso mais sofrer” […]…

O trecho acima é da composição de Vinícius Moraes e Tom Jobim, Chega de Saudade, marcada pela genialidade do intérprete que a consagrou. Dia 10 de julho ela fez 60 anos e simboliza o nascimento da Bossa Nova. João Gilberto morreu no sábado anterior aos 88 anos.

Voz e Violão, ou João Voz; Gilberto Violão. A influência é imensa, do Brasil ritmo perfeito que encantou o mundo, impregnou culturas dos todos os povos. Perfeccionista, na ambientação exigia exclusivamente o som da voz e o do violão. Gerações da música foram feitas tornando-as tão nossas, riquíssimas, para o mundo.

Silêncio, para o artista ecoar o som puro do intérprete. Silêncio ao ouvi-lo. Da despedida.

Reminiscências em Preto e Branco – 31 anos da Coluna

10 de julho de 1988 nasceu esta Coluna. Quarta anterior fez 31 anos. Grato a todos.

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José Eugênio Maciel | [email protected]

Nascida da fogueira

“Porque o fogo que me faz arder é o mesmo que me ilumina”

Etienne de La Boeyie

Há pelo menos 400 milhões de anos o homem iniciava verdadeiramente uma trajetória irreversível rumo à civilização graças a descoberta do fogo.

Dito assim direto sem vírgulas e entonação parece que foi tudo fácil. Fácil só na narrativa dos fatos históricos.

A observação dos raios que atingiam as árvores, espalhadas as labaredas, exerceram no homem das cavernas fascínio pelo fogo, ao mesmo tempo irresistível atração e afastamento.

A descoberta propiciou ao homem inventar uma multiplicidade de usos presentes hoje e sustentáculos da modernidade, pois o fogo é recurso e sentido de nossas ações.

A capacidade de observação, senso comum quando aliada à capacidade inventiva, conduziu o homem a se aproximar e se juntar aos demais, reunidos em torno da fogueira, a se aquecerem ante as noites gélidas, olhar pela primeira vez na escuridão no rosto dos seus semelhantes.

A fogueira se tornou fator de confraternização, também servia para manter animais bem longe dos humanos. Aliás, sem temer animais ferozes, o então pré histórico concluiu que poderia dormir mais e melhor, visto que o fogo era a vigília dele.

Em torno do fogo feito e apreciado como ritual social e sacrário, transformou o homem carnívoro que só ingeria e conhecia carne crua. O fogo foi determinante para que, aliada a colunária e a invenção da agricultura, o homem deixasse de lado a condição de bandos nômades extrativistas para se tornar fixo no mesmo lugar, sedentário.

Lembremos disso agora no rotineiro hábito de acender a chama do fogão ou da churrasqueira e agradeça aos nossos rudes antepassados das cavernas.

Nos tornamos civilizados ao superarmos o instinto de viver, sobreviver reunidos e não mais em bandos conquistando a consciência da real necessidade de viver coletivamente, de termos e fazermos com a consciência a própria história.

A gélida temperatura das densas florestas nas madrugadas foi aquecida pelo fogo como associação humana. Chamas que são agora o lume civilizatório, o homem-animal se tornou gente iluminada e iluminadora, claríssima humanidade.

Fases de Fazer Frases (I)

O fogo afaga. É fagulha. Fogueira fagueira.

Fases de Fazer Frases (II)

Somos parte do todo de toda parte.

Fases de Fazer Frases (III)

Ações semeiam hábitos para serem cultivados.

Fases de Fazer Frases (IV)

Guarde no tempo só o que (es)tiver passado.

Fases de Fazer Frases (V)

Se mentes, não dá frutos. Sementes são frutos.

Olhos, Vistos do Cotidiano

Sexta anterior, blogue do jornalista Fábio Campana reproduziu notícia da revista Veja: o senador do Paraná (Rede) Flávio Arns nomeou o segundo suplente dele e homônimo num cargo com salário de 22 mil. O suplente Flávio está no gabinete do titular Flávio. É favor ou paga?

Farpas e Ferpas (I)

Arranjo de palavras é mero enfeite do diz nada.

Farpas e Ferpas (II)

A sanha é a senha da fúria icúria assanhada

Caixa Pós-Tal

“O Estado é Rondônia”, concisa assim escreveu Gleyze Jeane Teodoro ao apontar o erro aqui, pois escrevi que o senador Acir Gurgacz (PDT) como sendo do Acre. Agradeço a ela por apontar e me permitir corrigir o erro na Coluna passada Férias do senador ladrão.

“Parabéns pela coluna do dia 22/06, me fez olhar para algumas atitudes das quais tenho que mudar. Muito obrigada!”, palavras da professora Hélyda Radke Prado Mitsui, em referência a Coluna “Desligue o celular!”. Também sobre a mesma Coluna vieram cumprimento e crítica num só tempo: “Você tem razão, porque as pessoas não estão nem aí, atendem, falam alto, postam e não tiram o olho do celular. Na escola, trânsito, velório, verdadeiro absurdo!”, escreveu o Recifense Valdomiro Oliveira Silva, estudante pernambucano. A todos eles, obrigado.

Reminiscências em Preto e Branco

O pobre para parecer nobre é esnobe. E o ex-nobre finge manter-se nobre.

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José Eugênio Maciel | [email protected]mail.com

As férias do senador ladrão

“A corrupção não é uma invenção brasileira, mas a impunidade sim”.

Jô Soares

Senador por Roraima Acir Gurgacz (PDT), Fernando Luiz de Lacerda Messere, juiz do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e a promotora Elizabet Helena, ignoraram um dos princípios constitucionais, a moralidade. Do senador condenado no regime domiciliar, do juiz que não viu violação alguma e da promotora que não fiscalizou.

Dependendo de todos eles, o senador Acir estaria no Caribe para gozar férias, na nossa cara!. Vida de ladrão não é fácil, o senador Acir “trabalha” naquela reputada Casa, depois vai para prisão domiciliar a partir das 22 horas. Ele foi condenado por meter a mão no dinheiro público.

A democracia resiste bravamente, sem cair em completo desalento, o povo se revolta. Bastou a opinião pública tomar conhecimento e a reação foi virulenta pelos meios de comunicação e rede sociais, legítima pressão que levou o ministro do STF – Supremo Tribunal Federal Alexandre Moraes a revogar a sentença ainda na quarta-feira, ao atender o pedido da procuradora-geral da República Raquel Dodge.

O senador rapace, por ter roubado 525 mil de verba pública do Banco da Amazônia, precisava descansar da rapinagem, por 16 dias em um luxuoso hotel da referida ilha.

Sem fixar ordem de atribuições e cronologia, a indignação veemente pública de quem quer que seja ante os poderes públicos, tal protesto é apenas o começo.

É preciso acabar com tamanho escárnio: Como os sérios senadores se sentem em ter como colega um ladrão já condenado? O larápio debatendo e a votar matérias como reforma da previdência? Sem moral alguma! E o PDT, partido do senador Acir, o mantém filiado! Em nome da moralidade pública falta o que para expulsá-lo, vez que condenado em segunda instância. Medo? Rabo preso?

Ao Conselho Nacional de Justiça e ao Brasil devem explicações juiz e promotora. Vale frisar de novo, Senado e PDT podem como devem cassar e expulsá-lo por falta decoro, respectivamente.

Fases de Fazer Frases (I)

Tem quem se interesse mais aparentar mandar na banda do que dançar conforme a música.

Fases de Fazer Frases (II)

Palavra chave a desencadear. Mágica ao truque. Palavra grafada lida em silêncio.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

Moralidade, palavra-chave do tema principal da Coluna hoje, é também o que faltou para quem usou e se beneficiou de carro público da prefeitura de Corumbataí do Sul para ir a um motel em Maringá. O veículo oficial da saúde levou pacientes em tratamento. O prefeito já afastou o servidor, o nome não foi revelado, embora toda a cidade já saiba do ocorrido. Antes que a moralidade seja confundida como moral e moralismo, quem quis ir ao motel, o problema foi com veículo público. Marotagem a parte, vão se foder!

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

A ex-governadora Cida Borgueti terá que arrumar outra fonte de renda, o pedido de aposentadoria dela foi negado pelo governador Ratinho. Coitadinha, após trabalhar arduamente por seis longos meses como governadora, não terá mensalmente – para toda a vida dela – 33 mil reais mensais. Se é preciso citar o fato de terem sido adversários na eleição ao Palácio Iguaçu, importa é que futuros governadores não mais terão embolsado do contribuinte esse dinheiro.

Olhos, Vistos do Cotidiano (III)

Ainda sobre o senador ladrão, ou ladrão senador Acir, ele é de família tradicional e rica no Paraná, Cascavel. Quando foi condenado a mais de quatro anos de prisão, se internou no Hospital São Lucas naquela cidade, médicos conseguiram impedir que ele fosse preso, alegaram que o senador estava até de cadeira de rodas. Foi preciso uma ordem do Supremo Tribunal Federal para que a Polícia Federal o prendesse. O luxuoso hotel do Caribe teria cadeira de rodas para o magano.

Farpa e Ferpa

Governo fardado. Governo fadado. Governo são dados.

Reminiscências em Preto e Branco

Novamente lembro da minha saudosa mãe. Foi quando atendi a campainha tocar, três moços moradores do Jardim Modelo. Indagaram se eu gostaria de comprar sonhos. Comprei, agradeci, desejei sorte. Bem criança me tornei apreciador legítimo dos saborosos sonhos que dona Elza fazia. Comentei na família sobre os sonhos. A apenas sonho, recordação.

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José Eugênio Maciel | [email protected]

"Desligue o celular!"

“Vou pedir só ali: coronel, se quiser desligar o celular enquanto o governador estiver falando, agradeço. Se o senhor tiver algo urgente, pode sair da sala e usar o celular. Mas enquanto o governador estiver falando, por favor, preste atenção. O mesmo vale em relação ao seu comando”.

João Dória, governador de São Paulo

“Desligue o celular!”, certamente o caro leitor já ouviu tal expressão. E que fique bem claro, leitor, o já ouviu a expressão, não significa que a tenha escutado como sendo crítica direta a você, mas sim testemunhado o fato em relação a alguém que não larga o telefone móvel.

Quando não se tem mais ou suficientemente a vergonha, somada ao o individualismo e sensação de impunidade, pessoas se sentem mais a vontade para agirem, sem a menor preocupação com as outras. Falta de vergonha caracterizada pela irresponsabilidade social é o indivíduo atender o celular a hora que bem ele entender e da modo que achar conveniente, para ele, tão somente.

O problema ganhou maior dimensão de desrespeito que já não é atender o celular. Mas sim o de acessar todas as mensagens, respondê-las e tudo mais, não estando nem aí para quem quer que seja ou esteja em ambiente público.

É na escola, o estudante com o fone de ouvido, aparelho como o único “material escolar” que ele jamais esquece. É nos cinemas, luzes dos aparelhos que competem com a telona. São encontros os mais diversos que o mundo a parte e prioritário é estar vidrado no celular.

O curioso é que reclamamos, comentamos ou lamentados a falta de atenção humana do ser humano para com os semelhantes. Uma boa dose de demagogia e hipocrisia estão embutidas, por não se tomarem atitudes que resultem na atenção de fato para com os outros, que deveria ser a de olhar nos olhos, prestar atenção.

Para mencionar uma única situação como exemplo e sem precisar dar aqui a resposta, já que o caro leitor bem saberá responder. Em uma consulta como ficará o paciente, se o médico der mais atenção ao “Zap zap” e sem se importar com o caro leitor paciente?

E quem achar que o governador de São Paulo foi arrogante, fato discutível, é provável, na maioria dos casos, que a motivação de quem não gostou é subterfúgio para não assumir o que está infelizmente se naturalizando, o desrespeito.

O desrespeito ao atender ou celular ou acessar mensagens não é porque se trata de governador, mas a afronta cotidianamente se constata, comportamento individualista como se estivessem numa bolha.

Mais grave ainda são reuniões que visam se ter conhecimento do que é relevante e a consequentemente reflexão sobre fatos. Gravíssimo é tomar decisões sem ouvir, prestar atenção, comportamento que vai além de ser omissivo e irresponsável, é desonesto.

Fases de Fazer Frases (I)

A vida, sem dúvida, é uma dúvida sem vida.

Fases de Fazer Frases (II)

Mesmo quando começo a escrever… Não paro de começar.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

Rodo desculpas ao caro leitor. Na Coluna anterior – Reminiscências em Preto e Branco (II) – foi registrada a morte de um grande jornalista. Porém, não foi colocado o nome dele. Graças ao pedagogo e amigo desde infância Gilberto Santa de Alencar, ao ler, ele se manifestou: “faltou dizer que o nome do jornalista é Clóvis Rossi.”. Grato, caro amigo.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

Árvore morta numa rua mourãoense. É nítido, ela desaparece para aparecer a fachada comercial. Ali os pássaros não mais batem palmas. Talvez nem baterão as asas.

Farpa e Ferpa

Se tiver que afiar a língua, o melhor é o dicionário.

Reminiscências em Preto e Branco

Há oito anos, 21 de junho, pedíamos a bênção pela última vez, eu supunha. Mas não. A bênção é constante, de eterna gratidão e saudade. A falta que a senhora faz é por tudo que fez de amor, pelos filhos. Uma falta preenchida de saudade vinculada em seus todos pertences, mais ainda nas grandes lições de mãe que, sem falta, corrigia e antes ensinava o que era falta. Com o pedido de bênção, obrigado, dona Elza Brisola Maciel.

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José Eugênio Maciel | [email protected]

Ela Luzia

“O que passou, passou, mas o que passou luzindo, resplandecerá para sempre”. Goethe

É a primeira e provavelmente a última vez que escrevo o verbo luzir, no futuro subjuntivo:

Quando eu luzir.

Quando tu luzires.

Quando ela luzir.

Quando nós luzirmos.

Quando vós luzirdes.

Quando eles luzirem.

Luzíamos em todos os verbos, tempo, entonações das declamações.

Infelizmente luziremos sem Luzia. Era ela quem melhor luzia, próprio dela.

A luz está agora apagada. Para sempre. De repente, intensa, abrupta.

Sempre luz a brilhar nos amigos, colegas de trabalho e sobretudo familiares.

Era luz própria do luzir radiante, alma e espiritualidade.

Brilhava, a encandecer todos a volta dela, assim era a professora Luzia Terezinha Francisco.

Ela laborava na Coordenação Financeira, Núcleo Regional de Educação de Campo Mourão.

Transmitia a serenidade na voz versada no equilíbrio.

Apegada a rotina, relógio de pulso, pulsava a vida que ela sabia bem marcar.

Antes de iniciar as férias dela, comentou sobre educação:

Apesar dos problemas, acreditava, pelo saber é possível suplantar realidade adversa.

A luz própria da Luzia brilha agora no infinito inalcançável para nós mortais.

Prossegue a luzir, clarear de tão grandiosos feitos edificantes de um ser humano sublime.

A luz do sol no entardecer prenuncia despedida. E vem a luz da lua, brilho belo da noite.

nossos olhos fecharem para sempre não veremos o sol e a lua.

Fechados os olhos da Luzia eles recolhem a luz que ela tinha, leva e nos deixa.

Domingo passado o brilho dela é memória a nos iluminar, inefável saudade sentida.

Fases de Fazer Frases (I)

Sem querer tudo é querer mesmo quando não se quer.

Fases de Fazer Frases (II)

Sem querer, tudo é querer mesmo quando não se quer.

Fases de Fazer Frases (III)

Sem querer tudo, é querer mesmo quando não se quer.

Fases de Fazer Frases (IV)

Sem querer, tudo é querer, mesmo quando não se quer.

Olhos, Vistos do Cotidiano

Na comunicação deve-se evitar o duplo sentido. A chamada ambiguidade se torna pior também no jornalismo. E se ainda contiver o gerúndio, é o pior dos piores. Eis a questão: “Campo Mourão vende área do antigo pesqueiro”, título da notícia do Jornal Folha de Londrina, publicada na Coluna Giro pelo Paraná. O verbo vende pode levar a conclusão que a prefeitura conseguiu vender a citada área, pois no gerúndio está, repitamos, escrito vende.

O terreno ainda está a venda, ou seja, não foi vendido. Sugestão modesta, Campo Mourão põe a venda. No futebol é comum o gerúndio e a ambiguidade, como: o time vence a partida. Quem não estiver acompanhando ao vivo o jogo, pode ser levado a concluir que o time venceu de fato a partida. Mas o vence poderia ser o registro de um fato ainda acontecendo.

Fiapo e Ferpa

O é dono da verdade não a põe a venda. Põe a venda quem não a tem.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

Antigamente quando o relógio começava a atrasar ou parava, era preciso dar corda.

Em sua maioria relógios há muito tempo não têm corda nem ponteiros.

Relógios apontam cordas ponteiras do tempo que somos ou deixamos de ser.

Ora somos adiantados, ora atrasados Somos horas que somamos.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

Morreu um dos mais importantes jornalistas brasileiros. Aos 76 anos, era integrante do Conselho Editorial e colunista da Folha de São Paulo. Desde os anos 80 sou leitor da Folha e dele. Independente, lúcido o conhecimento era retratado nos profícuos textos jornalísticos, verdadeiras aulas de narração dos fatos e análise precisa.

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José Eugênio Maciel | [email protected]