José Eugênio Maciel
Remanescer e nascer

“Quero nascer de novo cada dia que nasce. Quero ser outra vez novo, puro, cristalino.

Quero lavar-me, cada manhã, do homem velo, da poeira velha, das palavras gastas

dos gestos rituais. Quero reviver a primeira manhã da criação, o primeiro abrir

dos olhos para a vida. Quero que cada manhã, a alma desabroche do sono

como a rosa do botão, e surja, como a aurora do oceano, ao sorriso dos

teus lábios, ao gesto de tua mão. Quero me engrinaldar para a festa

renovada com que cada dia nos convidas e desdobrar as asas como

águia em demanda do sol. Quero crer, a cada nova aurora, que

esta é a definitiva, a do encontro com a felicidade, a da

permanência assegurada, a de teu sim definitivo”.

Chico Xavier 

            Troca do tempo passado e presente pelo que virá. Horas, dias por novo amanhecer.

            Dos sonhos realizados, revezes e dos adiados por novas aspirações repletas de esperança.

            Troca de roupa vestida ou em desuso, pelos tecidos com novas costuras.

            Das palavras, adjetivos, por conteúdo original e endereçado a novos destinatários.

            Troca as antigas canções por melodias que adentrem os ouvidos pela primeira vez.

            Os vícios, velhas tradições por hábitos que cultivem prazeres nunca antes sentidos.

            Troca do último dia, do último mês e este ano, do calendário pelo 2019.

            Desprenda do que não tem retorno e deixe-o rumar ao fim, pelo abraçar do bem-vindo. 

            Troca do remediar sem cura pelo que dê vida intensa ainda que desprovida da perenidade.

            Das estradas sem rumos e prumos, pelos novos horizontes, com passos mais firmes.

            Troca das luzes alucinantes das telas do computador e celular, pelas cores do arco ires. 

            Das noites sem sono pelo adormecer no chão da varanda ou do sofá com sonhos.

            Troca entre amigos, conquistando-os com laços mais fortes de respeito e devoção.

            Dos amores se impossíveis ou unilaterais pelo amar do mergulho mútuo de ambos.

            Troca do prejulgamento pela compreensão e ponderação.

            Do que apenas somos por melhor que nos consideramos, pelo sermos melhores a tudo.

            Troca do que seja bom e belo, pelo que seja justo e digno.

Fases de Fazer Frases (I)

            Seu beijo sobejo é lampejo sem pejo que não vejo: desejo.

Fases de Fazer Frases (II)

            Entre o útil e o agradável, prefira o útil, que poderá agradar-se.

Fases de Fazer Frases (III)

            Em briga de diplomatas a elegância nunca perde.

Fases de Fazer Frases (IV)

            Em briga de muitos obesos não tem como saírem de fininho.

Fases de Fazer Frases (V)

            Em briga de lavadeira lava a roupa quem é trouxa.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            Tem um terreno para venda próximo ao “Caique”, assim escrito nos Classificados desta Tribuna, (sexta anterior). O correto é CAIC – Centro Integral à Criança. A sigla como é conhecida a Escola Municipal Florestan Fernandes, professor e grande sociólogo brasileiro. “Caique” é nome próprio, sem ter nada a ver com a escola de Campo Mourão.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            Em alusão ao subtítulo acima, vale recordar um anúncio há muitos anos publicado no Jornal Gazeta do Povo. Lia-se: Vendem-se malas por motivo de viagem. Típico anúncio do tempo em que era comum informar o motivo da venda ou da compra. A Gazeta hoje não existe mais impressa, só página virtual.

Reminiscências em Preto e Branco

            Cercas elétricas hoje fazem parte do cenário das residências e estabelecimentos comerciais, tudo para ao menos dificultar a ação de criminosos. Antes, quando não existia essa tecnologia, era comum muros altos com cacos de vidros de garrafas na parte de cima, sem qualquer aviso, como hoje é obrigatório o alerta sobre o possível choque, claro, para evitar que pessoas de fé boa toquem sem querer, pois os arrombadores, roubadores e furtadores têm medo da casa cair, a deles.

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]