José Eugênio Maciel
Às voltas com o voto

“Quando você votar, poderá eleger alguém tão honesto quanto foi o seu voto”.

Paulo Sérgio Krajewski

 

            Dois comportamentos perigosos marcaram o primeiro turno da eleição presidencial e estão presentes no segundo turno. Os dois não são uma referência direta aos candidatos. Tem a ver com o comportamento político e eleitoral do brasileiro.

            Sentimento de profunda inimizade, passionalidade diante do outro desejoso do mal. Bélico rancor. Repulsa, altercação violenta, antipatia, palavras que definem o ódio entre brasileiros.. .Notícias e exemplos negativos continuam abundantemente.

             O ódio levou à impaciência de grande´número de eleitores. É imprescindível salientar que a falta de paciência foi usada tanto para a direção positiva quanto rumou para o lado negativo.

            Agitado, com pressa, aflito, inconformado, excessos de vontade, revolta, condutas de quem não tem paciência, sempre propenso a reclamar.

             No Paraná parte da impaciência do eleitor foi positiva pelo voto a governador e Senado. O parananense se cansou do Richa e de Requião. A prisão do Richa o levou à derrota acachapante. Requião vive últimos dias no Senado.

            A impaciência não se restringiu a baixa votação dos dois. Ela foi canalizada na escolha um estreante, Oriovisto e deu a chance a Flávio voltar ao Senado.

            Impaciência ocorreu com um povo conhecido pela cautela, os mineiros tiraram do segundo turno o atual governador do PT Pimentel e barraram Dilma, derrotada, quinto lugar ao Senado. Ela voltará a casa gaúcha, a lá mineira.

            Eleitorado impaciente para assistir a debates e programas eleitorais, para ouvir pessoas à sua volta expressarem posições eleitorais. Impaciência negativa na ação e reação impulsivas.

            A pior eleição presidencial como processo teve os piores ingredientes de retórica, tipos de candidatos, haja vista terem Bolsonaro e Haddad apoios, preferências e simpatias praticamente na mesma proporção dos respectivos rejeição e ódio. Nem é paradoxal, o voto para um é para negar o outro, no cenário do voto em branco ou nulo.

            A democracia brasileira está em construção, alicerçada na Constituição que neste mês (cinco) fez 30 anos. Como são inéditas e novas a participação do povo, disposto a descruzar os braços e usar a própria voz, até para vociferar.

Fases de Fazer Frases

            A verdadeira vergonha não verga. O que verga é sem vergonha.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            O sufrágio não foi ágil, domingo anterior. Em Campo Mourão também houve reclamações ao longo das filas longas nas secções. O curioso, reclamações tinham como parâmetro o pleito anterior, quando eram só dois votos, para prefeito e vereador, enquanto que agora foram seis.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            Quando eu aguardava a vez de votar, um dos organizadores veio ao corredor para chamar eleitores que tivessem mais de 60. Nem bem concluiu o anúncio uma senhora chegou até ele, “moço, eu faço 60 em novembro”, enfatizou a esperançosa. Não teve jeito, “lamento, só para quem JÁ TEM 60”, educada e laconicamente disse o mesário.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

            Na volta da democracia passamos a votar diretamente para presidente, o que não ocorria há 21 anos devido ao golpe militar abolir autoritariamente tal escolha. Hoje são oito eleições: 1989, 1994, 1998, 2002, 2006, 2010 e 2018.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

            Estamos na oitava eleição presidencial e os personagens são poucos, só seis. Praticamente os mesmos nesses exatos 29 anos: Collor, Itamar, Fernando Henrique, Lula, Dilma e Temer.

            Collor foi cassado, assumiu o vice Itamar (único falecido), FHC foi eleito e reeleito. Lula também teve dois mandatos. Dilma foi cassada e assumiu o atual, Temer.

Reminiscências em Preto e Branco (III)

            Só dois presidentes iniciaram e terminaram seus mandatos, FHC e Lula. Ambos têm influência na política atual. Uma grade os separa: um do lado de fora e outro no de dentro.

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]