José Eugênio Maciel
Saudação para o Nilson

    A morte – esse pior que tem por força que acontecer;

                                          Esse cair para o fundo do poço sem fundo;

                                          Esse escurecer universal para dentro;

(...)

                                        E é areia sem corpo escorrendo-me por entre os dedos

                                         O pensamento e a vida.

                                         A gare no deserto, deserta;

                                         O intérprete mudo;

(…)

A Partida - Alvaro Campos (Fernando Pessoa

            Fui levar o que imaginava ter, consolo.

            No velório a dor sentida buscaria amenizá-la com a dos familiares. 

            O que a morte diz? Silêncio, responde ela.

            “Ele é luz!”, sintetizava a senhora que irá em abril completar 90 anos.

            Marcas do tempo, as mãos dela tocavam as do filho sem vida. 

            Alternava-as ao segurar o livro de orações e cantos. Pulso firme da fé

            Dona Lourdes Piacentini continuará a ser mãe dele e dos demais. Dos amigos dele.

            A dor em meio a busca, assimilar a perda do filho para o céu, vida eterna.

            Nilson André Piacentini era filho dos pioneiros de Campo Mourão Avelino (saudosa memória) e da dona Lourdes. Amigo de infância, tínhamos de então uma convivência cotidiana. Já contei aqui o fato marcante quando Nilson e eu fomos jantar na famosa Churrascaria Marabá, propriedade do pai dele. Seu Avelino nos serviu com a mesma fidalguia como atendia a todos, e  nos ensinou o cultivo da amizade. Cravada na memória aquela noite, dois piás a saborear a vida.

            Crescemos, nos tornamos gente grande. O Nilson tinha uma perdulariedade, a gargalhada ou o sutil sorriso, cativantes. O abraço fraternal nos transportava até o tempo da infância. Nilson sintetizou a Campo Mourão que tínhamos, “podíamos atravessar a avenida sem olhar para lado algum, eram poucos os carros e  pessoas circulando”. Disse-me ainda, “conhecíamos todo mundo, e todos conheciam a gente, filhos da dona Lourdes, da dona Elza (em memória), éramos irmãos”.

            Sempre à vontade, para quem pudesse duvidar da amizade, a senha era como ele me chamava desde garoto e que o Nilson prosseguiu: Gudé. Temos praticamente a mesma idade, 54 e ele 53.

            Perdi o amigo de infância. Ele leva, como deixa, a lembrança à italiana do bom humor, solidário e fraternal.

            “Leio o que você escreve, me sinto em Campo Mourão. É como se continuássemos aquelas nossas conversas daqueles tempos”, escreveu, morando em Curitiba. 

            Desde o 19 último não mais está aqui, bem disse vossa mãe, agora “é luz”. Nilson, espero que leia esta (intenção) de homenageá-lo. Como biólogo dedicado, cuide daí da vida, regue com a chuva do céu todas as plantas. Olhe para a sua mãe. Continuaremos amigos, Nilson.                 

Fases de Fazer Frases

            Estrada. Entrada. Estada. Caminhos sem ou com data.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            A fiscalização visa cumprir o Código de Defesa do Consumidor, promete o Procon mourãoense. Vem a calhar nessa época de vendas natalinas. É fragrante o abuso publicitário das lojas ao não informarem preços, juros e o total do valor final da compra. Quando tem, as letras são miúdas. Exceções existem, raras como as letrinhas.  

Caixa Pós-tal

            Texto instigante, ávido, muito bom, me fez lembrar da minha avó paterna que usava este termo para seus apliques em suas costuras. Melhor mesmo: 'a vida é um quebra cabeça que o coração consegue montar'. Será? Manifesta Estter Piacentini, se referindo ao tema principal desta Coluna (Bocete), semana anterior. E, especificamente sobre o Fases de Fazer Frases, a presidente da Academia Mourãoense de Letras indaga se é mesmo o coração que consegue montar, o quebra cabeça. Ela assimilou o duplo sentido do coração em ser o que cria ou desmonta o quebra cabeça.

Reminiscências em Preto e Branco

            O ditado não é velho para quem acaba de conhecê-lo.    

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]