José Eugênio Maciel
Seu nome é também o seu lugar

“Sem identidade não se é. E a gente tem que ser, isso é que é importante. Mas a identidade obriga

depois à dignidade. Sem identidade não há dignidade, sem dignidade não há identidade, sem

estas duas não há liberdade. A liberdade impõe, logo de começo, o respeito pelo próximo.

Isto pode explicar um pouco os limites da própria vida”.

Manoel Oliveira

Por ter trocado de veículo, tive que colocar a nova placa. Uma perda de identidade. Não se trata da estética da placa em si. A questão é que nela não tem mais o nome do município e do estado, ou seja, não mais sou identificado como sendo de Campo Mourão e do Paraná.

O assunto não é novo mas não envelheceu e cabe outra reflexão atual. O campeonato paranaense de futebol, transmissão na tv pela RPC-Rede Globo. Teve vezes que a exibição das partidas terminava sem mostrar todos os gols dos demais jogos, o resultado das partidas e a tabela de classificação, tudo para transmitirem campeonatos carioca ou paulista. E o “nosso” Paraná?

Nossa identidade, quando aparece, não significa conter o brilho necessário. Porém, tem quem enfatize com orgulho a identidade que possui. No próprio campeonato de futebol dois bons exemplos estão em Cascavel e nos servem de lição. A cidade possui dois times na primeira divisão, e os dois levam o nome de Cascavel. Um é o Futebol Clube e o outro o Clube de Futebol Recreativo.

Deixar de lado o nome do lugar é horrível quando homenageiam times de futebol famosos e até estrangeiros, do tipo “River Pleite”, “Botafogo da Paraíba”, “Flamengo da Piauí” e por aí vai. Já tivemos outra estupidez ainda maior, aqui manifestada, o extinto J. Maluceli que passou a se chamar “Corinthians do Paraná”, tendo ganhado apelido “Timãozinho”. A bobagem durou tão pouco.

quando continuaremos ser paranaenses sem identidade do Paraná? Para começar, não se envergonhando desta terra e não aceitar mais nomes sem vínculo concreto com nosso território.

Fases de Fazer Frases

Se se diz o que se diz. Diz-se se se diz.

Olhos, Vistos do Cotidiano

O Brasil é ricamente pobre e pobremente rico, repito a frase deste escrevinhador aqui. A vizinha Rancho Alegre do Oeste é exemplo: um milhão de reais é o cálculo de autoridades quanto ao dinheiro do esquema de falsificação de identidades, noticiou esta Tribuna, dia dois. Imagina se o que poderia ser feito pela prefeitura na educação ou saúde, por exemplo?

Caixa Pós-Tal

“Hoje eu moro em São Paulo, capital. Tenho saudades de Campo Mourão de ter comido gabiroba. Como escreveu você, Maciel, ‘saborear’ a frutinha deliciosa’. Saboreei também seu texto. Não sou mais de Campo Mourão, só tenho uns poucos parentes aí, vivi aí minha na infância”. Maria Vitória Gonçalves.

“Prof. Maciel. Muito boa a ‘Face que é feice’. Parabéns, abraços (…). Marcos Lopes. Peabiru. Grato aos dois caros leitores pelas mensagens sobre a Coluna anterior.

Fiapo e Ferpa

A concessionária no Paraná Viapar fez acordo e vai depositar nos cofres públicos 500 milhões, ao reconhecer repassa ilegal de dinheiro. E o ex-governador Beto Richa, solto quinta anterior, alega inocente. Os 500 milhões seriam doação, agora para o Erário, otário?

Reminiscências em Preto e Branco

“Na próxima semana (dia 10 de abril) o Câmpus Campo Mourão completa 24 anos. Muitas pessoas que veem a estrutura do Câmpus hoje não sabem que tudo começou dentro do Ginásio, com instalações improvisadas (e que o professor China e a professora Claudete já estavam por aqui. Parabéns, UTFPR-CAM! Utfcm24anos”. Texto postado dia três. Os professores Claudete e China fazem parte dos primeiros passos da materialização da UTFPR de Campo Mourão, então CEFET.

Me intrometo na bela história porque dela faço parte. Fui secretário da educação mourãoense, desencadenado – logicamente não sozinho mas com todo o respaldo do então prefeito e vice do Município Rubens Bueno e Tauillo – a doação do Ginásio Belim Carolo à União para viabilizar a referida Universidade. Depois do improviso, tudo se organizou até chegar na atual estrutura, que continua a crescer solidamente.

Outro detalhe importante: os primeiros anos, também para viabilizar a hoje UTFPR, o Município de Campo Mourão é que pagou toda a folha de servidores contratada pela União, até que ela tivesse autorização legal para concurso público. O Tribunal de Contas chegou a implicar com a prefeitura, ele “estranhou” o elevado valor das despesas. Pude escrever em resposta, “despesas, não!”. Investimento! Parabéns CEFET-UFTPR!

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José Eugênio Maciel | [email protected]