José Eugênio Maciel
Vê-se o vice vai ser só vice

“No Brasil de hoje, os cidadãos têm medo do futuro e os políticos têm medo do passado.”

Chico Anysio

Escolher para quem votar, o brasileiro leva em conta o candidato a vice? Ao menos simbolicamente o vice ganhou importância maior no próprio ato de votar, ele tem o retrato ao lado do titular que aparecem na urna eletrônica.

Não carece um olhar muito atento para observar que os candidatos a presidente e a governador deixaram por último a escolha do vice na chapa.

Apenas situar na história recente da política brasileira, a vice-presidência saiu do banco de reserva para ser o titular do cargo. Sentar em definitivo na cadeira de presidente levou a história republicada a outras conjunturas.

José Sarney assumiu definitivamente como presidente por ser o vice de Tancredo Neves, que nem tomou posse, morreu antes. O fim da ditadura militar foi marcado pela eleição de um presidente civil e a última indireta via colégio eleitoral.

O primeiro presidente eleito diretamente pelo povo renunciou para não ser cassado. Fernando Collor não esquentou a cadeira. Assumi o vice Itamar Franco.

Dilma Rousseff perdeu o mandato para o atual e então vice Michel Temer.

Sem desconsiderar que o eleitor deve ficar atento quanto aos candidatos à vice, se é que todos ficam de olho, o que isso na prática representa?

Talvez nada. Ainda o principal para definir uma escolha seja o titular, com todos os riscos de perda de mandato que leve o substituto a assumir o cargo de vez.

É lamentável ter que ressaltar a história recente – e ainda atual, já que os reflexos e personagens estão como atores da política, principais ou coadjuvantes – só dois presidentes concluíram o mandato e transmitiram o cargo para o sucessor: Fernando Henrique Cardoso passou a faixa presidencial para Luís Inácio Lula da Silva, que, por sua vez, colocou a faixa em Dilma Rousseff.

A propaganda eleitoral irá dar algum tipo de destaque para os vices, sobretudo aqueles que agregarem importância tanto política quanto eleitoral, o que tornará menos difícil ao brasileiro analisar os prováveis substitutos.

Para o Senado, saber quais são o primeiro e segundo suplentes é muito difícil, os próprios candidatos a senador não fazem questão de divulgar. É que historicamente a prática comum foi escolher parentes ou alguém que financie a campanha. Da escuridão das cavernas políticas surgiram suplentes que assumiram definitivamente o Senado, sem que soubessem o fossem lembrados pelos eleitores.

Se for exagero considerar mais importante o vice do que o titular, restará torcer (ou não) para que o titular não morra, não seja cassado ou deixe o cargo.

Fases de Fazer Frases (I)

Velhas verdades, inofensivas ante as novas, porque as antigas se conhecem.

Fases de Fazer Frases (II)

Não existe uma só palavra, seus significados a tornam plurais.

Olhos, Vistos do Cotidiano

“A Coluna do Ely noticiou sexta passada, Campo Mourão tem 415 novos eleitores por mês. No total são 64 mil e 313 eleitores”. Não é mais somente uma tendência, mas sim um constante crescimento no número de eleitores, ainda que possa ser considerado pequeno.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

Relativo ao tema principal da Coluna de hoje, existem dois vices que não concluíram os mandatos após terem assumido o cargo de presidente do Brasil. A conjuntura à época foi notoriamente delicada. Devido ao suicídio de Getúlio Vargas assumiu a presidência o vice Café Filho que tinha pouca expressão política. Café morreu, tendo governado por pouco tempo: 1954-55. Com a renúncia de Jânio Quadros quem assumiu foi João Goulart, 1961-64, que foi derrubado pelo golpe militar.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

Em meio a vices que assumem a titularidade do cargo, antes fica a cargo do cidadão o título de eleitor que não pode ser substituído por outrem a votar no lugar dele.

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Por José Eugênio Maciel | [email protected]