Pedro Washington
"Propinocracia"

O leitor, como o eleitor, pouco se manifesta em relação à política, fora das urnas. Como se essa não fosse uma atividade que impacta na sua vida. Raras vezes a caixa postal do colunista dá sinal de vida. O leitor, lê, concorda ou não com a opinião emitida e fica por isso mesmo. De vez em quando, opina, como no caso da afirmação que a coluna fez, antecipando a saída de ministros para se incorporarem à campanha, para vencer as resistências finais que a frágil candidatura de Marina Silva apresenta. Frágil pela legenda. Frágil pela estrutura física (inclusive pessoal) e econômica de que dispõe. Frágil pelo tempotrês vezes menor no rádio e nas TVs, que o governo comprou a peso de ouro. Com duas coisas a seu favor: a sua história, de menina surgida dos seringais da Amazônia, reforçada pela derrota que sofreu ao tentar montar um partido político diferente dos demais, onde pudesse defender suas ideias, em função da pressão do governo que ao mesmo tempo aprovava o PSD de Kassab que jurava submissão; beneficiada pela comoção despertada pela inesperada e violenta morte de Eduardo Campos, cuja candidatura substituiu. Em segundo lugar, pela intenção popular que por algum tempo ocupou as manchetes, de mudaro estado de coisas reinante no país. A começar pelo governo que agora promete realizar "os desejos de junho". Curiosamente o leitor que agora se manifesta, chama a atenção para um fato que o colunista antecipara: as grandes redes de comunicação, parece já terem sentido a mão pesada do governo que cria e retira concessões de rádios e TVs, através um ministro que, pela abrangência de seu cargo,tem largo trânsito entre elas. Restam alguns veículos de expressão menor (jornais e revistas) ou de impacto regional, cuja liberdade mantém incólume a ideia de que vivemos numa "democracia". Pelo andar da carruagem nos últimos anos, uma "propinocracia", seria a definição mais apropriada ao regime.

Destino

Se o atilado leitor observar a sequência dos fatos, Marina Silva virou um obstáculo ao assumir a figura em quem os desejos populares se concentraram, por obra do destino. Associada a Eduardo Campos, tinha nas pesquisas números muito mais suculentos do que o candidato. Mas, não transferia a ele seu prestígio, confirmando uma máxima política que Lula quebrou: "prestígio não se transfere".  Lula elegeu Dilma afirmando "que ela venceria a crise". Não venceu. Pelo contrário. Ela está aí acenando atempos piores.

Esperança vã

Com Aécio, que vinha de um aparentemente bem sucedido governo mineiro, e Eduardo Campos, igualmente coroado de êxito em sua administração pernambucana, imaginava-se que a disputa seria equilibrada. Ao início não foi. Um e outroconfundiam-se  com as aristocracias políticas que mandam há séculos no país. Precisou a candidatura cair no colo de Marina, para as poucas brasas da fogueira em cinzas, reaquecerem : a mudança parecia possível! Em sua boa fé, os brasileiros descontentes imaginavam que a fogueira damudança reapareceria; constata-se que o regime hoje vigente no país, precisa de muito mais que simples vontade popular para ser derrubado. A corrupção que tudo compra, está incrustrada no DNA da política brasileira.

Cuidado com a História

Até quando o povo irá conviver na base do "pão e circo", que imperadores romanos e francesesimplantaram. O pior está por vir. Com trinta e três partidos ansiosos por serem partícipes do poder (alguns autênticos), nem que seja através das migalhas que caem do jantar suntuoso (não há o menor interesse numa reforma), fundo partidário (dinheiro do orçamento, curto para as necessidades maiores) , horárioeleitoral (dito|) gratuito para engambelarem o povo, coligações esdrúxulas feitas a custa de cargos com os resultados que se viu na Petrobras, um judiciário sedento de vantagens ( a exemplo de legislativos) que o governo atende com prazer para cooptá-lo, o cenário para a situação continuar está armado. Com tanto poder nas mãos, esquecem-se porém de um detalhe: a História se repete. Fica o alerta!

Filosofando

Quando se envelhece, idade que os mais intelectualizados chamam de “idade provecta” e os humoristas de “melhor idade”, o indivíduo, com  a vivência que teve,  passa a filosofar, isto é, enxergar o mundo com outros olhos. Francamente o que se vê fora do Brasil não entusiasma, a não ser em países de primeiro mundo, com governantes sérios. Por aqui falta muito a ser feito. E o que tem sido realizado, está longe de ser bem feito. A imprensa inclusive, só tem dado contribuição em divulgar, nas condições atuais, malfeitorias que atendem mais ao paladar do consumidor, que as boas ações, que andam rareando. Como a um analista experiente, não é dado se iludir com a maquiagem que os governos fazem, inclusive através da propaganda maciça, vamos examinar um fato atual à luz da verdade. Paulo Roberto Costa, assustado com os 40 anos de prisão dados a Marcos Valério, por conta do mensalão, resolveu contar os fatos da Petrobras. Vamos por partes: Dilma achou estranho,  ele, funcionário de carreira da Petrobras, ter feito o que fez. Lembre-se porém que em 2004, governo Lula, com órgãos de governo sendo fatiados, coube ao espertíssimo deputado londrinense  José Janene,  já falecido, “um dos pilares do mensalão” na visão do jornalista Elio Gaspari, indicá-lo para a diretoria da empresa. Em cargo chave,  financeiramente falando.  Janene do PP, aproximara-se do PT de Londrina, núcleo mais forte do partido no Paraná que emplacara três ministros, o prefeito londrinense e  o deputado André Vargas, que por sua vez “conhecia” o doleiro Alberto Yousseff. Estava formada a base para os caminhos do dinheiro, em função dos bilionários negócios da estatal petrolífera.  Nesses oito anos, cachoeiras (ou um mar de lama) passaram  por baixo da ponte, sem que ninguém do governo que hoje  diz “que não sabia de nada”, enxergasse. Se Sherlock Holmes vivo estivesse diria: “elementar meu caro Washington”.

Aeroportos à deriva

Uma opinião do leitor Omer Yazbek mostra um fato que o governo, antes de fatiar o setor aeroportuário, não enxergou. São mais de sessenta aeroportos operando oficialmente no país, administrados pela Infraero. Desses, no máximo 12, são os mais rentáveis. Todos eles precisando de melhorias. Incapaz de resolver os problemas mais emergentes, a estatal, por necessidade das obras da Copa,  resolveu entregar as cinco mais importantes à iniciativa privada para administrar. Agora com apenas 35% do orçamento de que dispunha é que os demais ficarão a “não ver aviões”.

Inoportuno

O vereador Stica (PT-CTBA)  levou à discussão na Câmara Municipal um projeto para que a população participe dos custos de obras efetuadas pela Prefeitura em seu benefício. Mesmo sem conhecer detalhes da sugestão, num país em que o volume de impostos, contribuições e taxas pagos pela população equipara-se aos maiores do mundo, com pouquíssimo  benefício em contrapartida, qualquer sugestão que impacte mais o bolso do contribuinte é mal recebida.

Carga total

A carga pesada do governo, jogando toda sua força em cima de Marina Silva que ameaçara seriamente o projeto do poder do PT, inclusive com os “gênios cibernéticos  partidários” atuando forte e maldosamente nas redes sociais, conseguiu estancar a queda de Dilma Rousseff nas pesquisas. A mudança de rumo no marketing, deixando “o que ela fez” e mudando para “o que você recebeu”, surtiu melhor efeito. Sem contar o tempo de exibição de Dilma, conquistado pelos métodos que se conhece, que é pelo menos três vezes maior que do PSB.

Oportunidade

A prejudicar  a oscilação da presidente Dilma nas pesquisas, as suas próprias contradições em relação ao assunto Petrobras. Primeiro negando-se a tratar do assunto por se tratar apenas de “notícia de jornal”. Depois admitindo que “tudo indica que houve” malfeitoria na Petrobras mas, “tudo já está estancado”. São afirmações incoerentes. Se não sabia do que acontecia antes, como pode afirmar que agora não mais ocorre! Afirmações em  que o candidato tucano, que despenca nas pesquisas,  vai se agarrar. É sua última oportunidade de conseguir reverter a atual situação. Afinal, é um escândalo que atravessa três mandatos!

Memória curta

Enquanto a Petrobras retira de águas profundas, a custos altos, o petróleo, governistas de todos os níveis abastecem suas contas nos poços rasos do caixa da empresa. O que tira a autoridade da candidata à reeleição de citar a petroleira brasileira como um dos sucessos de seu governo. O escândalo propiciado pelas novas denúncias do ex-diretor Paulo Roberto Costa, na tentativa de obter as benesses da delação premiada, tira inclusive da atual e do anterior presidente do país, a “condição de competência” tão auto apregoada. Principalmente Dilma Roussef que foi ministra de Minas e Energia, à qual a Petrobras está afeta, presidente do Conselho e Chefe da Casa Civil de Lula, quando a roubalheira teve início e em seu auge. Durante oito anos, surrupiou-se a empresa sem que ninguém se desse conta disso, apesar do grande número de pessoas beneficiadas. E ainda vêm falar em “administração competente”! Interessante é que a queda do valor das ações da Petrobras nas bolsas de valores, parecia denotar que os investidores sabiam de alguma coisa. A queda era inexplicável, num momento em que o governo festejava a descoberta sem limites dos poços do pré-sal. A preocupação do governo, agora com explicações pífias como “o não sabia de malfeitos na Petrobras” de Dilma, parece levar à tentativa de superar a eleição sem que o fato gravíssimo tenha impacto sobre o 5 de outubro, ou o segundo turno. Depois é outra história. O brasileiro que já conviveu, e pela sua reação desde que alguma “bolsa família” caia no seu bolso, continuará a conviver com escândalos como esse, logo terá esquecido  mais esse episódio. Esperar  pela Justiça, daqui há alguns anos, no STF, que hoje conta com oito dos atuais dez ministros (Joaquim Barbosa ainda não foi substituído) indicados por Lula e Dilma, é muito otimismo!

Reações diversas

Há um outro aspecto a considerar nessa situação dramática em que se encontra a nossa principal empresa estatal. Desta vez não podem acusar a imprensa de estar fazendo ilações. São fatos tenebrosos que a cada dia vêm à tona, que em qualquer país sério cortaria mandatos e colocaria gente na cadeia. Se na China ou no Irã, com direito a pena de morte. No Japão, harakiri! No Brasil, nem vermelhos ficam!

Pesquisas em alta

È curiosa a reação dos candidatos. Mesmo tentando desqualificar as pesquisas, como ocorreu com um dos governáveis, semana passada, ficam todos na expectativa de divulgação das novas avaliações. Com isso propiciam cenas como as vividas em 98, quando Requião e Lerner disputavam o governo. Lerner, à reeleição. Requião, como agora, em meio a um mandato de senador. Até os 15 dias finais, Lerner apresentava dianteira expressiva. Airton Pisseti, comandando a campanha requianista, esmerava-se em denegrir Ibope, Datafolha, que revelavam a vantagem lernerista. Nos dias seguintes Requião deu uma melhorada nas pesquisas. Suficiente para seus  marqueteiros mudarem a cantiga: “a hora da virada está chegando”! Não virou. Perdeu no primeiro turno.

Gado em alta

Quem persistiu na pecuária bovina, sem reduzir seus rebanhos,  vive agora um momento de preços melhores. Expandir o rebanho com gado gordo, especialmente pelo inverno e as pastagens prejudicadas pelo frio, está difícil. Chance para os pecuaristas que praticam o confinamento: compram agora o boi magro e em 90 dias ganham quase 100 quilos por cabeça. A reposição do rebanho no Paraná, por dispor de menos espaços, será menor que no Mato Grosso do Sul, maior produtor de carne bovina do país.

Conflito de objetivos

Agora, quase doze anos depois de assumir o comando do país, pressionado pelo descontentamento popular manifestado em 2013 e pelas pesquisas eleitorais que ameaçam a hegemonia do partido no país, o PT propõe “assembleia constituinte exclusiva” para sugerir os itens da reforma política. Se a coluna entendeu bem, o povo elegeria os constituintes que não poderiam ser eleitos posteriormente para parlamentos. Se deixarem ao gosto do partido, retirará os “constituintes” dos Conselhos que pretendem implantar no país, se o Congresso não cassar a ideia estapafúrdia que Dilma criou por decreto. Ou Conselhos ou Congresso: os dois não convivem bem!

Mensalão maior

Não há como desqualificar as denúncias que Paulo Roberto Costa está fazendo ao Ministério Público e à Polícia Federal, numa tentativa de ser beneficiado com a delação premiada. Não quis ele seguir o caminho de Marcos Valério, operador do mensalão que quando tentou esse benefício que a lei concede, para reduzir a sentença  que fatalmente sofreria, era tarde: o escândalo já vazara. Acabou condenado a  40 anos de prisão, quando os que foram os verdadeiros artífices, em alguns meses já estarão na rua. O que não foi levado em consideração é que Marcos Valério foi introduzido no governo pelos que tinham poder para isso. Caso de Paulo Roberto. Desde 2004 quando foi indicado para o cargo de diretor da Petrobras, foi estimulado a praticar atos ilícitos para beneficiar os que no governo e no Congresso, lhe davam sustentação. Segundo seus depoimentos, o próprio então presidente Lula frequentemente tinha reuniões com ele: para tratar do que?é a pergunta que não cala! De lá até 2012 quando foi denunciado, "deitou e rolou"! Sempre dividindo com alguém as benesses. Segundo ele, para políticos como o João Vacari Neto, tesoureiro nacional do PT, o ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, e uma infinidade de deputados, senadores e até governadores, 3% dos contratos. Dizer agora que isso não passa "de uma reportagem (revista Veja) que não lança suspeita sobre seu governo, na medida em que ninguém foi oficialmente acusado", como afirmou Dilma, é repetir a postura evasiva de Lula quanto ao mensalão. Prometeu provar que não existiu: tentou? Não! Terminado o governo esqueceu a promessa. Não dá para fechar os olhos. Mesmo que seguindo a trilha das investigações que ao chegarem ao Supremo levarão anos até serem julgadas (o mensalão começou em 2005), esse escândalo vai colocar o Brasil em posição ainda pior no índex dos mais corruptos do mundo.

Socializando as estatais

A coluna sempre teve uma visão crítica das empresas estatais. Elas surgem para resolver determinado problema, e acabam pelo envolvimento político, reduto de dirigentes cuja única qualificação para o cargo é a filiação partidária, prestando-se a toda espécie demalfeitoria. É assim com a Petrobras, até governos atrás, discutívelmas defendida pelos brasileiros. Foi assim com os Correios, com o BNDES e outros. Todas estão fatiadas entre partidários. Até o Banco do Brasil e a Caixa. Daí a dúvida sobre se vale a pena governo manter estatais. Faria melhor se cuidasse bem do que realmente lhe diz respeito: educação, saúde, segurança e normatização de infraestrutura. Em outras áreas só criar normas e fiscalizar suas aplicações.

Privatizante, quando convém!

O governo atual petista, seguindo o exemplo de outros que desde Collor vêm privatizando empresas estatais, privatização que antes de Lula assumir era satanizada pelo partido, privatizou dois bancos, duas hidrelétricas e três aeroportos. As hidrelétricas privatizadas (Jirau e Santo Antônio) pelas dificuldades ambientais enfrentadas, não tem ainda garantia de funcionamento; o próprio governo, através dos órgãos ambientais (além dos indígenas) , tem criado os maiores problemas para a conclusão.  Já os aeroportos, com a Infraero como sócia, é o que se sabe!

Burocracia a favor

A respeito de burocracia governamental, da qual o Brasil é pródigo, dificultando a vida de quem quer investir no país, uma informação a que o colunista teve acesso, através um jovem amigo da família. Conta ele que na Suécia, onde hoje vive como funcionário de grande empresa local, o governo, ao contrário do que acontece por aqui, facilita o empreendedor. Todos os que resolvem abrir seu próprio negócio, recebem assessoria gratuita de uma entidade do governo. Facilitando inclusive a pequena documentação exigida. Uma espécie de Sebrae  governamental. Por aqui, "cria-se dificuldade, para vender facilidade"; frase do Afif Domingos, antes de ser ministro.

Moralização política

Uma das mudanças de melhor efeito na legislação eleitoral brasileira, seria a coincidência de mandatos:  de vereador a Presidente, eleitos numa única eleição de 5 em 5 anos. Reduzindo igualmente o mandato de senador para igual período. Isso de vereador candidatar-se a deputado, senador ou governador; deputado candidato a prefeito; senador candidato a governador ou Presidente, em meio aos mandatos, sem sequer precisar se desincompatibilizar ou renunciar, como deveria ocorrer, é um acinte. À atual situação chama-se "oportunismo político". Requião, Gleisi, Aécio, se derrotados continuam senadores!

Força total

Premido pelo crescimento  de Marina Silva que ameaça sua possibilidade de um segundo mandato, a presidente Dilma convoca toda a força do governo para a campanha. Assim, pelo menos quatro ministros entrarão com o peso de seus ministérios, tentando reverter o quadro ainda desfavorável à candidata à reeleição. Ministros como  Paulo Bernardo, das Comunicações, com o poder de pressão que poderá exercer sobre rádios e tevês,  dependentes das suas determinações legais, poderão conseguir resultados positivos para a campanha governista. Além dele são previstas as licenças de Gilberto Carvalho, para arregimentar os movimentos sociais  na campanha; Ricardo Berzoini das Relações Institucionais e Miguel Rosseto do Desenvolvimento Agrário, também deverão pressionar os segmentos a eles ligados, especialmente o MST.  Em resumo: o governo vem com todo seu poder para a disputa, usando sua força para tentar reverter o quadro ainda favorável a Marina. A esta restará, diante do ataque avassalador que irá sofrer, apelar para o descontentamento popular manifestado em junho e convocar o povo a vir às ruas. Se conseguir motivá-lo será um fogo contrário capaz de anular o esforço final do governo, que não se constrange em usar todas as armas disponíveis para tentar reverter a disputa em sua reta final. Um excesso governamental  jamais visto em campanhas anteriores.  A ligeira reação esboçada pela campanha de Dilma, refletida nas recentes pesquisas, reanimou as forças governistas, empenhadas agora mais que nunca, em mudar o quadro definitivo. Custe o que custar!

Maaaantega!

Uma das tentativas de somar apoios, por parte da presidente Dilma, resistente até dias atrás em admitir mudanças no governo, mesmo com o time da economia sendo derrotado,  surgiu agora em São Paulo. Depois de tentar sem sucesso  comparar Marina a Jânio e Collor, a presidente abriu mão de uma de uma de suas últimas resistências: admitir que a equipe econômica não fez bem o seu papel. “É governo novo e equipe nova. Não tenha dúvida disso”, admitiu. Em Belo Horizonte, falando a representantes da indústria, já admitira mexer na equipe econômica caso obtenha um segundo mandato.

Massacre

O que se verá nestes 30 dias que restam até a eleição, é o massacre publicitário de que dispõe  a presidente e a fragilidade da hoje principal concorrente. Além de toda máquina publicitária do governo, com estatais como a Caixa, Petrobras e BB, disputando espaços com a Casas Bahia, 11 minutos de propaganda eleitoral com a repetição de todos os feitos dos governos petistas nos últimos doze anos. Tudo isso para tentar superar o desgaste que escândalos como o mensalão e os maus investimentos da Petrobras e do BNDES realizaram e que geraram o descontentamento atual da população.

Bancada reduzida

Não só na possibilidade de derrota de Dilma, vive hoje a preocupação do PMDB. Uma perda de espaço para o PT, no Congresso, pode significar também a perda do comando do Senado  e da Câmara.  Renan e Eduardo Cunha são ainda as apostas do partido para fazer valer seu poder de barganha com o governo, seja ele qual for. Renan por sinal continua forte; além de não precisar disputar vaga no Senado, na medida em que seu atual mandato está na metade, o filho lidera as pesquisas de governo em Alagoas. Com apoio financeiro inclusive de hospitais de São Paulo, como divulgado.

Ataques continuados

A pesquisa Ibope que apresentou 44% de apoio a Beto Richa, contra 28% de Requião e 14% de Gleisi, mudou o foco da campanha do peemedebista. Recrudesceram seus ataques a Beto Richa, deixando por ora de lado a concorrente do PT. Fiel ao seu estilo agressivo, Roberto Requião agora concentra críticas na administração do tucano.  Outro alvo de sua ira é o próprio Ibope, desqualificado pelo candidato, embora seja ao lado do Datafolha o mais respeitado instituto de pesquisa nacional.

Se dá para atrapalhar..

Por que facilitar... Esse deve ser o raciocínio de burocratas do Detran, ao obrigarem os automobilistas a pagarem seus débitos exclusivamente num banco oficial. Situação inaceitável num momento em que recursos modernos  permitem pagamentos pela Internet, e outros recursos eletrônicos. Além de transferências bancárias. No próximo governo espera-se que o órgão chegue à modernidade.

 

 

 

 

 

Exemplo cabal

Este mês de agosto cumpre o que parece ser o seu destino  aziago para a política brasileira e também para a área empresarial.  Acrescenta neste ano as perdas na intelectualidade do país, com três mortes  sentidas. Para completar, na véspera dos 60 anos que lembram o suicídio de Getúlio Vargas, antevéspera dos 52 anos da renúncia frustrante de Jânio Quadros que tantos problemas gerou  à democracia do país, mais uma perda lamentável. Morreu um dos mais respeitados empresários brasileiro. Um homem cuja trajetória de vida foi um exemplo a ser seguido. Poderoso líder de um grupo empresarial da maior importância, dono de invejável  fortuna, viveu sem ostentação  e demonstrações de arrogância. Ao revés. O colunista que não o conheceu pessoalmente  mas  sempre o admirou, por entre outras virtudes, sua doação permanente a uma instituição benemerente como a Beneficiência Portuguesa, tem na memória a imagem de Antônio Ermírio de Morais chegando ao trabalho dirigindo seu carro de marca comum, seguramente dois ou três anos abaixo do modelo do ano. Uma imagem que associei a outro homem do Paraná, de características de vida muito similares, que também aprendi a admirar.  São Paulo perdeu a oportunidade de ter esse homem no seu comando, na única experiência política em que aceitou colocar seu nome. Disputando o governo com Paulo Maluf  e Orestes Quércia, Antônio Ermírio viu-se envolvido no pior estilo de alguns políticos em campanha. Fazendo o que fazem de melhor: destruir o adversário. Uma situação de uma das fazendas do grupo em Pernambuco foi apontada por Maluf como “de trabalho escravo”. Forjou provas e bateu com tanta insistência que a cotação de Ermírio foi rebaixada. Sem segundo turno,  o primeiro colocado foi  o vencedor: Orestes Quércia, o mais rejeitado ao início. Um exemplo que mostra o porque da resistência de muitos bons nomes,  em adentrarem esse empolgante mas perigoso campo: a política. Fica aí prevalecendo o que Canet preconizava: “quando os bons não ocupam o espaço, ‘outros’  se locupletam”.  

Desinformação

Uma viagem do colunista a João Pessoa por compromissos familiares o manteve afastado dos fatos locais. Para se ter uma ideia da complexidade deste país continental, alí no nordeste nenhuma notícia sobre Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, chega; a não ser que envolva desastres. Como o que vitimou Eduardo Campos e colocou São Paulo em evidência  por lá. Em compensação os métodos políticos não divergem muito. Em compensação fica-se sabendo  tudo que ocorre na China ou em Israel.

Os mesmos; sempre!

Verdade que, embora acentuados  aqui, vícios como o nepotismo político, no nordeste são surpreendentes. Mesmo quem não é familiarizado com a política de forma global, no lá chamado  de “guia eleitoral” (horário eleitoral gratuito) ao ouvir os nomes disputando cargos diferentes, percebe que nada mudou. São os mesmos sempre.  Quem já foi prefeito, agora é candidato ao Senado. Senador ao governo que já exerceu e por aí vai.

Mesmo caminho

Parece não haver espaço para novos no governo, nos legislativos e nas principais prefeituras. Talvez a vereador os menos favorecidos pelo sobrenome consigam algum espaço. Mesmo caminho que o Paraná trilha.  “Figurinhas carimbadas” do Senado, da Câmara Federal , tem filhos na disputa por governos, casos de Renan em Alagoas e Jader Barbalho no Pará. Um fato estranho, por sinal, talvez não divulgado aqui. Um grande hospital particular paulista investiu na candidatura de um governador. Paulista, não! No filho de Renan em Alagoas. R$ 2 milhões de reais. Alguém entende isso! A explicação um dia virá à tona!

Arquivos da História

Voltando à nossa realidade. Uma verdade que os políticos de hoje precisam lembrar. “Palavra dita, palavra gravada”. Está difícil para Requião, com toda sua irreverência, fugir aos questionamentos que o irritam. Coisas como pedágio, aposentadoria de governador que foi sua arma em 1990 contra José Richa, empréstimos retardados. O jeito é sair pela tangente, irritar-se e “esta entrevista está encerrada. O Scanagatta prometeu que eu seria bem tratado”, como ocorreu na rádio Capital, em Cascavel. Nos tempos modernos, o que se disse há vinte, trinta anos, está armazenado.

Razão a mais

A participação de dois senadores do Paraná no debate sobre a criação por decreto de “conselhos chapa branca”,  pretendida pelo governo da presidente Dilma, com resistência no Congresso por praticamente usurpar suas finalidades, abre caminho para outra avaliação. Requião, citou no debate, “ter criado conselhos populares em sua administração como prefeito de Curitiba, sem objeção do governador (Álvaro Dias)”. Álvaro ao seu lado, contestou: “Mas não criou uma política nacional, nem deu outras providências”. Assim ocorrem as coisas no cenário federal. Cria-se ou elimina-se órgãos, conselhos e se toma “outras providências” conforme o interesse do mandante de plantão. Um caso típico: o sistema S criado pelos setores empresariais, entidades corporativas patronais dedicadas à aprendizagem profissional, e assistência técnica como Sesc, Senac, Senai, Sesi e Senar, sempre sofreram forte resistência do PT, mais afinado com os sindicatos de trabalhadores. Estranhamente, depois de assumirem o poder o assunto esvaziou-se. Sabe-se agora o porque?  O ex-presidente da CUT e ex-deputado federal, Jair Meneguelli, preside o Sesi, informa a revista Época.  Salário de até R$ 60 mil, dois carros à disposição em São Paulo e São Bernardo do Campo;  alí também  pendura funcionários fantasmas como um ex-assessor de Lula na época do Planalto, uma das noras do ex-presidente e a mulher do ex-deputado mensaleiro João Paulo Cunha. Razões mais que suficientes para o partido ter o maior interesse na manutenção do sistema S e continuar no poder. Até o sistema S, entre outros setores,  foi aparelhado! Como ensina a sabedoria  popular, ”ninguém  dá ponto sem nó”.

Torneira aberta

Agora que a legislação eleitoral dificulta a aplicação de recursos referentes aos empréstimos obtidos pelo estado e que dependiam de formalização em Brasília, os recursos continuam a ser facilitados. Depois dos R$ 817 milhões do Proinveste, na terça-feira o Senado aprovou empréstimo de US$ 67,2 milhões ao Banco Interamericano de Desenvolvimento. Com  participação favorável dos três senadores do Paraná, o que é um avanço. Recursos para o programa Paraná Seguro. Falta ainda a assinatura do contrato com o BID para a liberação. Outros virão!

Questionamento antecipado

A reunião em que se preparou perguntas e respostas para a CPI da Petrobras no Senado, ocorreu no gabinete da presidência da Petrobras, agora exercida  por Graça Fortes, que ocupa todo o segundo andar do prédio da estatal em Brasília. A informação de O Estado de São Paulo, complementa a reportagem divulgada no final de semana pela revista Veja, denunciando a preparação dos dirigentes questionados na CPI. A informação do relator senador José Pimentel, de que as perguntas a serem formuladas “já haviam sido divulgadas no plano de trabalho da Comissão para que os convocados pudessem se preparar melhor”, provoca  risos.

Debate necessário

O caráter político na formação dos tribunais de contas tem sido questionado em função de acontecimentos recentes aqui e em nível nacional. A sugestão mais aceita é de que o formato atual precisaria de mudanças para garantir-lhes a eficiência nas ações dos vários segmentos governamentais sujeitos a  suas fiscalizações.  O modelo vigente, com indicação de conselheiros nos estados e ministros no TCU, por governadores e presidentes da República, implica em tolerância para os investigados de maior expressão.  Sobra ‘chumbo’ para  os de menor.

Mais um suplente

O senador Álvaro Dias, fez na terça seu último ato antes da tentativa de reeleição ao Senado. Depois de participar da sessão que aprovou novo recurso para o Paraná, licenciou-se do cargo por quatro meses para dedicar-se à  campanha. Seu suplente é Wilson Matos (PSDB), diretor do Centro Universitário Cesumar de Maringá. A propósito: extinção de suplências no Senado é uma das propostas de campanha  do também candidato a senador Marcelo Almeida. Sua alegação é de que senadores costumam aceitar cargos executivos, deixando aos suplentes que não são votados, uma representação indevida de seu estado.

Farsa

FHC definitivamente voltou à ativa. É sua a afirmação sobre denúncias envolvendo a CPI da Petrobras, com perguntas e respostas ensaiadas:  “Realmente o Congresso  tem que explicar. Se isso for assim,  ele  (Congresso) está participando de uma farsa, o que é inaceitável”. 

Assunto incômodo

Se a presidente Dilma tivesse noção dos incômodos que a participação num Conselho de estatal, cargo normalmente destinado a melhorar a remuneração salarial de gente do Poder Executivo, nos níveis federal e estaduais, certamente preferiria não presidir o da Petrobras, enquanto Ministra. A poderosa petroleira brasileira não para de lhe criar incômodos na Presidência da República, agora que se desnudou as inúmeras situações que caracterizam o aparente antro de corrupção em que se transformou. Embora se tente por todos os meios demonstrar a lisura de negociações como a compra de Pasadena, as negociações com a petroleira argentina e agora com uma africana, a construção da refinaria  em Pernambuco, que dos previstos US$ 2 bilhões iniciais já ronda os 20 bi. Nem o Pangloss, o eterno otimista do Voltaire, acredita que ninguém tenha enriquecido nessas histórias. Só faltava para completar o quadro de malandragens envolvendo a empresa que Getúlio Vargas fundou e os brasileiros defenderam com unhas e dentes, transformada em cabide de negociações políticas,  um episódio sórdido como o que mostrou depoimentos forjados na  CPI da Petrobras, no  Senado. A ideia de preparar tais depoimentos dos principais personagens envolvidos, com participação de gente frequentadora dos gabinetes palacianos, lança uma dúvida séria sobre o comportamento do governo, que o ministro/bombeiro Gilberto Carvalho se apressou em descaracterizar. A presidente Dilma, sem o desembaraço com que Lula desviava episódios grotescos como o mensalão e os aloprados de seu entorno, ao afirmar que caberia ao Congresso resolver o assunto, titubeou.

Pró-Paraná

O Movimento Pró-Paraná, que o paranista Jonel Chede preside, vai cobrar dos candidatos ao governo, alguns posicionamentos em assuntos de extremo interesse do estado. Caso da definição do mar territorial paranaense, em que mais uma vez o Paraná é prejudicado. Jonel preconiza um entendimento das bancadas que o representam, quando temas como esse estiverem em discussão. Lembra que a falta de empenho de nossos representantes conduziu à derrota do Paraná por São Paulo, quando o ICMS da energia elétrica foi discutido. Centenas de milhões de reais por ano.

Deputados a favor

O assunto AMP versus Tribunal de Contas não saiu de foco. Conta inclusive com maioria dos deputados na Assembleia Legislativa, na medida em que deputados dependem dos votos carreados pelos prefeitos do Paraná. O objetivo do projeto agora em discussão é amaciar as pressões exercidas contra a atuação de prefeitos, com prestações de contas contendo falhas, quando não caracterizem má-fé. A  exemplo da boa vontade demonstrada com os governadores nas aprovações de suas contas “com ressalvas”. O detalhe é que o atual regimento interno do TC foi aprovado na AL.

Ameaça de greve

O estudo realizado pela assessoria do prefeito curitibano Gustavo Fruet, em relação às progressões na carreira do magistério municipal, alcançara boa receptividade entre os 12 mil professores e pedagogos que prestam serviço à educação no âmbito da capital paranaense. Ao custo de R$ 78 milhões. Embora concordem que o plano é um avanço, e trará impactos positivos nas salas de aula por promover capacitação e valorização na carreira, a dificuldade orçamentária alegada pela Prefeitura para aplicação imediata, pode redundar em greve da categoria. Dois anos é o prazo de implantação previsto pelo prefeito Gustavo Fruet. A categoria quer implantação imediata.

Paraguai sem Porto

Um terminal cedido ao governo paraguaio no Porto de Paranaguá há dezenas de anos,  sofre paralisação. O motivo é a disputa de empresas que disputam o sistema de correias ligadas aos armazéns. A decisão judicial pedida pela empresa Consórcio Mercosul que venceu a licitação para administrar o conjunto armazéns/esteira, encontra resistência da Armazéns Gerais Terminal Ltda que por 25 anos atendeu à estrutura. O prejuízo com a paralisação não ocorrerá, segundo a APPA por ter praticamente terminado o embarque da última safra de soja. O sistema paraguaio responde por 18% da estrutura do Porto.

Futebol em crise

Vem aí mais uma discussão acirrada em torno de um esporte que é tido como paixão nacional. Que, infelizmente como se tem visto nos últimos tempos, situação escancarada na “Copa das Copas”, tem sido muito mal tratado pelos dirigentes esportivos, com visível degradação da qualidade do futebol praticado por aqui. Agora, Governo, Congresso, entidades e clubes pretendem encontrar uma solução, não apenas para a qualidade do futebol mas,  igualmente, para a situação de penúria a que os clubes foram conduzidos. Tomara não seja tarde e a solução encontrada seja realmente salvadora. O torcedor brasileiro desolado, merece!

Filho renegado

Um levantamento dos jornalistas André Gonçalves e Guilherme Voitch  coloca as coisas nos seus devidos lugares. Realmente, tirante São Paulo com seu fantástico orçamento,  Rio de Janeiro, este por ter sido a capital do país desde sua origem, e Brasília, que pelos investimentos em  sua construção não oferece parâmetro de avaliação, o Paraná é o estado que menos investimentos recebe do governo federal. Embora o levantamento não retroceda até o período  Geisel, deve ter sido naquele momento, pela presença forte de Ney Braga em seu governo, que o Paraná foi melhor aquinhoado. De resto,  amarga um menosprezo irritante para os paranaenses. Nem agora, quando contou com três ministros, obteve melhor sorte. Daí esse número decepcionante: de cada R$ 42,60 em tributos federais o estado recebe R$ 1 real de retorno em obras federais. Sem contar o fato de que outros estados mais aquinhoados  por politicamente mais fortes, contam com inúmeras universidades bancadas pelo governo federal – Minas e Rio Grande do Sul somavam até anos atrás, 19 delas, e o Paraná pioneiro, uma única. Nem se mencione o fato de agora termos  universidades tecnológicas. Elas foram distribuídas entre vários estados. Não foi exclusividade nossa. As estaduais que o estado é obrigado a bancar, iniciadas no governo Paulo Pimentel  há mais de quarenta anos atrás, consomem quase um bilhão anual do orçamento estadual. É importante que esse assunto seja discutido na campanha estadual deste ano e que os candidatos federais assumam compromisso com o estado, de mudarem essa situação discriminadora, quando vierem pedir votos aqui.

Federação resgatada

Quando esta matéria escrita no sábado  estava sendo publicada no domingo, a Gazeta do Povo entrevistara o candidato  Aécio Neves (PSD) que visitava o Estado. Depois de sua caminhada pelo centro de Curitiba, em companhia de seu companheiro  de partido, candidato à reeleição, Beto Richa,  fazia uma afirmação que confirma o que a coluna informou: “Eu quero resgatar a parceria com os estados e com o Paraná, em especial, porque vem sendo o mais prejudicado. Quero resgatar a Federação”. Que não seja promessa!

Sem licença

Álvaro Dias, anuncia que pedirá 120 dias de licença, para entregar-se  à campanha. Beto Richa por enquanto concilia o governo e a disputa. Admite porém entregar o cargo nos próximos dias a Flávio Arns, seu vice. De Gleisi e Requião não se tem notícia de afastamento, até porque daqui até o 5 de outubro o Senado só trabalhará duas semanas. A primeira começou ontem. A isso se chama, “esforço concentrado”!

Vices abonados

Uma nota publicada em jornais nacionais comenta o fato de normalmente o suplente de senador, ser um homem muito rico que banca a campanha do titular. Um tem voto e outro o dinheiro informa a nota que aponta o vice do candidato do PSD no Rio, Ronaldo Cezar Coelho e Joel Malucelli do Paraná. Por aqui  o candidato titular Marcelo Almeida, pode se dar ao luxo de bancar a candidatura de seu candidato a governador  e de não depender do suplente.

Futuro e presente

A pressão exercida pelo governo sobre o Banco Santander, pelo relatório de um de seus analistas enviado aos clientes, prevendo dificuldades para o país em caso de reeleição de Dilma Rousseff, determinou a demissão do técnico. Não impediu  que a imprensa divulgasse ontem o mau resultado da economia brasileira nos dois primeiros semestres deste ano. A previsão é mais pessimista que a feita pelo analista. Aquela refere-se ao futuro. A divulgada ontem, ao presente.

Problema sério

Um tema que irá dar o que falar: a prorrogação do prazo para a implantação de soluções aos lixões. Realmente um problema sério de saúde pública e preservação ambiental, não honrado por grande número de municípios brasileiros, apesar do enorme espaço que tiveram. Faz parte das dificuldades municipais a cada dia com mais deveres e menos recursos. Se  não tiveram recursos para a solução, não terão para pagamento das multas que lhes serão aplicadas.

Tempo de prometer

Como no início do confinamento de bois, que vai do inverno, quando o gado está magro,  para dali há noventa dias estar com seis arrobas a mais de peso, o período eleitoral é o tempo de ‘engorda das promessas’. Período que dura de agora até 1º de janeiro, dois meses depois das eleições. Nesse tempo os problemas do país estarão “resolvidos”.  Pelo menos as promessas de solução estarão no ar. Os candidatos ao cargo de Presidente  da República, especialmente os que lutam pela primeira vez, ainda podem merecer alguma credibilidade quando às iniciativas que prometem tomar para resolver os entraves que atrasam a chegada do país ao primeiro mundo. A que pleiteia a reeleição, tem que ter suas promessas recebidas pelo povo com um pé atrás!  Afinal somados o seu e os dois períodos anteriores, tempo houve de sobra para implantar o seu principal comprometimento de agora: a mudança da lei trabalhista. Promessas de campanha é uma  situação que se repete a tanto tempo que, a exemplo do que se criou no final do período de Fernando Henrique, deveria ser implantado no Brasil uma Lei de Responsabilidade da Palavra, incidindo sobre tudo o que é prometido. Quem não cumprisse sofreria como penalidade não poder mais participar da vida pública. A tese surge ao ler as participações dos três principais candidatos à presidência, além da supracitada, de Dilma Rousseff. Abaixo, os compromissos assumidos pelos candidatos perante bom número de empresários reunidos pela Confederação Nacional da Indústria. Pena que nenhum tenha usado a frase-lema do ex-governador do Paraná, Jaime Canet Jr.: “Não prometo; assumo compromisso”.

Dilma promete!

A participação da presidente Dilma no encontro com empresários, foi marcada pela sua justificativa de ter seu governo trabalhado para reduzir os efeitos da crise mundial (de 2008) sobre o país, razão do  crescimento menor que o esperado mas responsável por manter a economia girando num momento ruim. Afirmou levar em consideração os 42 pontos levados a ela, que segundo o empresariado, se solucionados, garantiriam a arrancada vitoriosa da economia. Inclusive, a flexibilização das leis trabalhistas que afora o 13º salário e o FGTS (intocáveis segundo Dilma) , pode ser avaliada e transformada em projeto de lei em seu segundo mandato.

Aécio também!

Aécio Neves, além das críticas naturais a um candidato de oposição, cristalizado na comparação dos 7 x 1 que também receberá  se eleito, “7% de inflação e 1% de crescimento”, garantiu ampliar dos atuais 18% para 24% o investimento total do governo em  relação ao PIB, “numa grande articulação do governo com o setor privado”, o que garantirá um “ambiente seguro para os investidores”. Na primeira semana de seu governo, garantiu, “a reforma tributária será encaminhada ao Congresso”.

Campos, igualmente!

A primeira participação entre os candidatos com o empresariado, foi a de Eduardo Campos. Igualmente prometeu o encaminhamento da reforma tributária na primeira semana de um eventual  governo seu, mas garantiu que não tirará direito dos trabalhadores. Ele que até terça-feira evitava críticas ao ex-presidente Lula, agora não o poupou por ter atrasado o processo de concessões e parcerias público-privadas, essencial para deslanchar a sucateada infraestrutura brasileira. “Quando  o atual governo  deu início a essas parcerias, já sob o comando da presidente Dilma, fizemos de uma maneira atravessada (...), parecia que se fazia a contragosto”. Na linha de sua  vice Marina Silva, Campos afirmou que “é preciso uma nova política” para que a economia do país evolua.

Fundos abutres aqui!

A expressão da moda, cunhada pela Argentina que amarga a moratória, também existe por aqui. Ao invés de “fundos abutres”, são “fundos compradores de precatórios”. Os que têm ‘facilidade’ de recebê-los, ou tempo para aguardar o resgate, compram dos que têm urgência do dinheiro que lhes é devido,  por 25, 30% do valor de face. Por R$ 250 mil, um de R$ 1 milhão! Só que os pobres beneficiários de tais precatórios aqui, não têm quem os defenda em Caracas.