Sociedade e Desenvolvimento
Fortalecer para crescer

"Se você traçar metas absurdamente altas e falhar, seu fracasso será muito melhor que o sucesso de todos" – James Cameron, cineasta

Algumas de nossas ações relacionadas à melhoria da competitividade das pequenas empresas de Campo Mourão são o tema da coluna de hoje:

  1. Banco do Empreendedor recebe prêmio da Fomento Paraná

O Banco do Empreendedor, que funciona na Casa do Empreendedor, já liberou R$ 1,9 milhão em créditos para 180 micro e pequenas empresas, desde março de 2017. E, na semana passada, obteve um importante reconhecimento estadual, ao receber, em Curitiba, o prêmio de terceiro lugar no quesito Qualidade, entre todos os mais de 200 pontos do Banco no Estado do Paraná.

A premiação levou em conta boas práticas do uso do microcrédito para a competitividade dos pequenos negócios no Paraná, e a manutenção do Banco na Casa do Empreendedor faz parte de nossa atuação estratégica com as pequenas empresas mourãoenses.

  1. Projeto Comendo Bem

Firmamos uma parceria com a UTFPR de Campo Mourão para auxiliar os produtores de alimentos a produzir com qualidade, segurança e respeito a legislação. O projeto inclui treinamentos, visitas aos locais de produção e comercialização e sugestões para adequação dos espaços, além de assessoria para construção de rótulos dos produtos.

As ações são realizadas por alunos do Curso de Engenharia de Alimentos, supervisionados por professores da UTFPR, e os atendimentos são gratuitos aos empreendedores.

Fizemos o lançamento no ultimo dia 18/10, e nesta primeira fase, serão atendidos cerca de 10 empreendedores de áreas diferentes, sempre relacionados a produção de alimentos.

O projeto inclui ainda a disponibilização de um selo de qualidade às empresas participantes, indicando que o empreendedor está de acordo com as normas e promove a qualidade de seus produtos e processos.

  1. Geração Empreendedora

Sonhamos com uma cidade mais ativa, onde as pessoas tenham vontade e motivação para empreenderem. Em parceria com a ONG Aliança Empreendedora, trouxemos para Campo Mourão, o Desafio Paraná. É um programa que quer valorizar o movimento da transformação dos pequenos negócios, e apóia o participante a entender tudo sobre empreendedorismo de uma maneira interativa e online, de forma gratuita.

Atende tanto quem já possui um negócio próprio como quem tem uma ideia de negócio, e com isso pretendemos dar o impulso que faltava, com capacitação gratuita em gestão, acesso a mentoria e ainda possibilidade de investimento para o negócio.

A primeira turma já se iniciou. Em breve teremos mais novidades.

  1. Voa MEI

Um programa voltado a acelerar a empresa do Micro Empreendedor Individual (MEI). Contando com a forte parceria do Sebrae, montamos um programa que promove capacitações, consultorias e orientações para que o Mei se desenvolva mais rápido e de maneira mais consistente.  São mais de 30 horas de capacitações em marketing, finanças e processos.

É a segunda edição do Programa, que em 2017 chamava-se Acelera Mei, e este ano conta com 20 participantes.

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Cadeias propulsivas

“O truque está no que se enfatiza. Ou nos tornamos infelizes ou nos fortalecemos. A quantidade de trabalho é a mesma.” Carlos Castaneda.

Quando estudamos desenvolvimento econômico local, um conceito que não pode deixar de ser analisado na região em foco é o de Cadeias Produtivas Propulsivas. As cadeias propulsivas são aquelas que proporcionam o ingresso da renda na região. Elas podem ser de diversas categorias, como, por exemplo: as exportadoras, as que se baseiam em recursos públicos transferidos para o território, e as baseadas na oferta de serviços e produtos a pessoas físicas ou jurídicas de fora da região ou município.

Quando uma indústria se instala no município, por exemplo, e vende seus produtos para empresas ou pessoas de outras regiões, o recurso que entra nesta empresa vem acrescentar à economia local, aumentando a riqueza em circulação, transformada em impostos, salários, pagamento de fornecedores locais, etc. Isso também pode acontecer no comércio, desde que ele tenha capacidade de atração de pessoas de outras localidades. Caso contrário, o giro de riqueza ficará apenas no local, transferido de uma pessoa para outra, sem aumento de volume. Então, será apenas uma atividade reflexiva, ou reflexa.

O Professor Carlos Paiva, em seu trabalho denominado Fundamentos da Análise e do Planejamento de Economias Regionais, de 2013, apresenta alguns critérios para que possamos hierarquizar as cadeias propulsivas, e assim pensarmos em prioridades. Salienta Paiva: “A hierarquização destas cadeias para fins de políticas de desenvolvimento regional se estrutura sobre seis critérios fundamentais: 1) volume absoluto e percentual de emprego e renda, gerados atualmente pela cadeia no território; 2) perspectivas de mercado e capacidade de expansão da produção internamente; 3) potencial de “alongamento” (internalização de novos elos) e “adensamento” (incorporação de novos agentes e organizações nos elos já consolidados) da cadeia no território; 4) padrão de distribuição territorial das mesmas; e 5) capacidade de enfrentamento de gargalos e desafios a partir da mobilização dos recursos endógenos e 6) sinergia com as demais cadeias”.

Assim, se quisermos pensar em priorizar alguns focos enquanto política pública regional de desenvolvimento econômico, deveríamos pensar nestes critérios, aplicados em um estudo das cadeias existentes na região da Comcam. Nesse sentido, geração de empregos, potencial de mercado, capacidade de expansão – seja no alongamento como na inclusão de novos agentes – seriam as pistas mais importantes no sentido de definir prioridades.

Ainda é necessário mapear os gargalos destas cadeias, e a capacidade de superação através de esforços próprios da comunidade envolvida, pois, quanto maior for essa capacidade, mais será a velocidade e o crescimento da cadeia.

Todos sabemos que os recursos, sejam públicos ou privados, são limitados, e cabe então avaliar que resultados queremos. Pois  a pulverização desses recursos apenas baseada na demanda dos agentes e empreendedores, sem um estudo que possa priorizar alguma perspectiva de resultados mais significativos a curto e médio prazos, pode levar a resultados pífios, ou a nenhum avanço. É preciso investir com cautela e discernimento para alavancar a economia local/territorial.  

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Uma nova chance

“A política não se faz com discursos, festas populares e canções; ela faz-se apenas com sangue e ferro”. Otto von Bismarck

Escrevo esse texto exatamente às 20h30 do domingo, dia 28. Há poucos instantes tivemos os resultados das urnas, numa data histórica onde os brasileiros elegeram de forma democrática seu novo presidente.

Não há como não tratar hoje deste assunto, portanto. É o grande momento, esperado por todos os brasileiros nos últimos dias. E porque é tão importante?

Primeiro, porque representa o início de uma nova fase do Brasil. Esperamos que melhor, mas é uma nova etapa. O país vem de um período conturbado, com impeachment, crise econômica, inúmeras denúncias de corrupção, contas públicas esfaceladas, enfim, um sem-fim de problemas. O final do período eleitoral representa a simbologia de fechamento de um ciclo de dificuldades e angústias, e ao mesmo tempo, a esperança de uma melhor fase.

Tivemos um tempo de campanha bem agitado, sem discutir os reais problemas do Brasil (já escrevi sobre isso), e isso elevou ainda mais o sofrimento do brasileiro. Deixamos de avançar em pontos-chave para o nosso desenvolvimento para falar de assuntos de caráter moral, de preconceito, de ameaças, e etc (também já escrevi sobre isso).

Assim, uma certa sensação de alívio surge com a expectativa do novo governo. Precisamos acreditar agora, independente da opção de cada um, de que o Brasil deve trabalhar em conjunto para retomar seu crescimento e sair definitivamente desse momento difícil. Essa motivação renovada deve servir de energia positiva para nos impulsionar a agir, trabalhar, empreender e sermos protagonistas de nossa história.

A armadilha pode ser acreditar que o novo presidente e os novos eleitos no legislativo agora vão resolver tudo. Certamente, a tarefa de retomar o crescimento e fazer as reformas necessárias não será fácil, e a participação da sociedade será imprescindível se quisermos avançar. Fiscalizar, propor, acompanhar, conhecer a realidade serão atribuições de cada cidadão disposto a morar em um país mais justo e competitivo.

Acreditemos nesse novo Brasil que pode nascer. E trabalhemos para que ele cresça e se fortaleça.

Um mês de trabalho duro

Outubro foi para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão um mês de muitas ações.

De 17 a 19, realizamos o Empreende Week 2018, em parceria com o Sebrae, UTFPR e Sindimetal. Um magnífico evento de Ciência, Tecnologia, Inovação e Empreendedorismo que levou cerca de 4mil pessoas ao Parque de Exposições Getúlio Ferrari, e teve momento memoráveis de envolvimento dos jovens mourãoenses com atividades como robótica, lançamento de foguetes, projetos empresariais, palestras, entre outros.

No dia 18, fizemos o lançamento do programa “Comendo Bem”, em parceria com a UTFPR. Trata-se de um projeto voltado à capacitação e consultorias de boas práticas de manipulação de alimentos, e que na primeira rodada atenderá 8 empresas ou profissionais da área de alimentação.

E no dia 26 lançamos o Geração Empreendedora, em parceria com a ONG Aliança Empreendedora. É um programa para incentivar o empreendedorismo para pessoas entre 18 e 35 anos. Conta com capacitação gratuita, acesso a mentoria e ainda a possibilidade de investimento para o negócio.

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A inovação como saída

“Algo mudou radicalmente no terreno dos negócios mundo afora”. (Tapscott, 2012)

Transformar Campo Mourão numa cidade inovadora. Este é o principal objetivo do Pacto pela Inovação, assinado por diversas Entidades, Empresas e Poder Público na última sexta, 19, no encerramento do Empreende Week 2018.

A economia do século XXI é reconhecidamente baseada no conhecimento. Depois de um século em que a economia mundial se baseou em fontes energéticas, matérias-primas e industrialização, agora é a vez do talento e tecnologia predominarem no cenário de desenvolvimento econômico.

Antes de tudo, é importante dizer que o conceito de inovação não pode ser entendido apenas como implementação de inovações tecnológicas, robotização, criação de softwares e hardwares e coisas afins ligadas à indústria.

O conceito de inovação, segundo o Manual de Oslo, é a introdução de um bem ou serviço novo ou significativamente melhorado, no que se refere às suas características ou usos previstos, ou ainda, à implementação de métodos ou processos de produção, distribuição, marketing ou organizacionais novos ou significativamente melhorados. Ou seja, uma organização qualquer, seja pública ou privada, indústria ou comércio, pode ser inovadora, desde busque formas diferentes de realizar seus processos ou entregar seus produtos.

Isso quer dizer que inovar é fundamental para que as empresas e o próprio país se desenvolvam. E isso nem sempre requer investimentos, mas sim criatividade e determinação. Inovamos para evoluir. E evoluir é da natureza humana. Inovar é fazer de um jeito diferente para buscar um resultado melhor. E nos últimos anos, com o desenvolvimento tecnológico avançando em ritmo alucinante, a inovação tem ocupado um destacado lugar nas discussões sobre desenvolvimento.

Sendo assim, os territórios (cidades, estados, países) também podem ser inovadores, à medida que sejam capazes de criar condições para que as capacidades instaladas sejam bem utilizadas e que possam ter uma utilização inteligente. É o chamado “ecossistema”, onde os atores locais interagem e cooperam de forma a criar um ambiente propício e estimulante a práticas inovadoras.

Com isso, buscamos um ambiente que cultive a crença de que a inovação não vem apenas das lideranças ou empresas, mas que pode partir de qualquer pessoa, em qualquer posição. É a cultura da inovação, na qual as pessoas compreendem que manter o status quo não é mais suficiente para competir de forma eficaz, que é necessário buscar novas formas de fazer e obter resultados, em todas as instâncias.

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico tem estado atenta a este cenário, e está atuando como um agente indutor e catalisador junto aos parceiros municipais para que o ecossistema de inovação mourãoense esteja cada vez mais fortalecido.

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Uma oportunidade perdida

“Se você colhe o que planta, não regue suas ervas daninhas”. Mayara Aline

Faltando 6 dias para o primeiro turno das eleições, difícil não falar desta temática. No próximo dia 7, mais de 147 milhões de brasileiros irão votar para escolher seu novo Presidente da República, Governadores, Senadores, Deputados Federais e Estaduais.

Na minha modesta opinião, acabamos de perder mais uma importante oportunidade de discutir alternativas para um país com profundas necessidades de mudança.

Em qualquer roda de conversa com pessoas um pouco esclarecidas, é fácil listar as principais expectativas em relação ao futuro de curto prazo do Brasil: como viabilizar um sistema de previdência sustentável, que tipo de sistema tributário seria mais justo e proporcionaria um fôlego para a economia e para as pessoas, como tornar o Estado brasileiro capaz de voltar a investir em áreas como infraestrutura, saúde, segurança, entre outras?

E, apesar de tentar acompanhar um pouco dos programas e reportagens durante a campanha, o que eu vi (talvez tenha perdido algo), foram discussões, acusações, ataques e quase nenhuma profundidade de debate em nenhum desses itens que citei.

Em geral, a própria mídia – não generalizando – contribuiu para isso. Alguns programas e emissoras, por exemplo, promoveram entrevistas com os principais candidatos, até com um bom tempo de duração. Mas, ao invés de questioná-los sobre como fazer o país voltar a andar, passaram quase a totalidade do tempo tentando encontrar alguma incoerência no discurso do candidato, ou alguma acusação referente à sua atuação passada, etc. Projeto para o País? Não obrigado. Vamos falar das coligações, das acusações, das investigações.

E olhem só como o interesse do eleitor vai se afastando: segundo o TSE, o número de jovens eleitores, aqueles que tem o voto facultativo, caiu 14% nestas eleições. Outro dado: segundo o Google Trends, plataforma que demonstra as pesquisas do Google, nos último 7 dias, no tema “Principais questões sobre votar”, as principais buscas foram, pela ordem: 1) O que é voto útil? 2) Como anular o voto? 3) Como justificar o voto? 4) o que acontece se eu não votar? e 5) o que acontece com o voto nulo?.

Perceba que, ao invés de o eleitor buscar Planos de Governo, ou resposta aos seus anseios através de conhecer seu candidato e suas propostas, o que está fazendo é se ausentar do debate e do interesse. Isso abre um espaço para que o melhor discurso, e não o melhor projeto, ganhe espaço. Pior: cria um sectarismo perigoso.

A eleição 2018 vai resolver os nossos problemas? Não, é claro. Mas não pode agravá-los. E, acredite: com a polarização que parece ter se formado, isso não é tão difícil de acontecer. A menos de uma semana, nos resta torcer para que o eleitor ainda consiga superar sua decepção com a política e fazer as escolhas certas.

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The book is on the table

Já há tempos é notório que os termos em inglês estão cada vez mais presentes no nosso cotidiano. Principalmente no mundo dos negócios. Mas nos últimos anos, com o movimento das startups (taí um deles!), ficaram muito mais frequentes.

Há alguns dias, no lançamento do Empreende Week – evento de tecnologia e empreendedorismo que será realizado de 17 a 19 de outubro no Parque de Exposições – citamos alguns termos e observamos comentários sobre a frequência deles no vocabulário dos empreendedores atuais.

De fato, pode até ser um exagero. Mas as empresas de tecnologia tendem a ser empresas globais, ou pelo menos internacionalizadas. Então seus jovens criadores acabam incorporando a terminologia até para uma melhor comunicação com parceiros mundo afora.

Neste sentido, recentemente assisti uma palestra em Curitiba de uma startup paranaense que está fazendo muito sucesso nos Estados Unidos. Já tem até escritório no Vale do Silício. E a principal mensagem do palestrante/empresário foi: sua empresa deve nascer com foco no mercado mundial. A startup em questão, só para termos uma ideia, começou a projetar seu aplicativo totalmente em inglês. O site da empresa é em inglês. As páginas dos seus criadores são em inglês. E eles não falavam nada de inglês.

É no mínimo muito interessante ouvirmos as falas do pessoal jovem ligado ao movimento, pois eles criam quase que um novo idioma, um misto de português e inglês, porém com alguns termos que não são nem uma coisa nem outra.

Apenas a título de curiosidade, alguns termos que ouvimos constantemente:

Startup: empresa emergente com um modelo de negócio escalável.

Co-working: Espaço de trabalho compartilhado por diversas empresas, que passam a poder se relacionar e a trocar conhecimentos. Uma variação é o “co-living”, que é um espaço compartilhado para moradia (lembra da república? Virou co-living).

Pitch: apresentação da ideia para investidores e/ou mentores, de forma muito rápida;

Hackaton: eventos com propósito de unir criadores de produtos em competições para desenvolver uma solução ou resolver um problema da empresa patrocinadora.

Founder: Criador de um negócio.

Crowdfunding: forma de levantar recursos para um projeto baseada em financiamento coletivo, normalmente feito por uma plataforma especializada.

Core Business: negócio principal da empresa.

Business plan: plano de negócios.

Business model Canvas: ferramenta para definir o modelo de negócio a ser seguido durante todo o projeto. É a fase mais básica do planejamento.

MVP (Minimum Viable Product): produto minimamente viável. É basicamente um produto que é lançado no mercado em teste.

Outsourcing: terceirização de um trabalho.

Open inovation: inovação aberta. Podem ser eventos parecidos com o hackaton, porém sem prototipagem.

Spin-off: Parte de uma empresa que se separa da empresa mãe e ingressa no mercado.

Venture Capital: capital de risco. É o investimento feito em empresas muito jovens que apresentam alto potencial de crescimento.

Pivotar: Pivotar significa mudar a estratégia e o rumo de uma empresa.

E, como estes, muitos outros estão cada vez mais no nosso cotidiano. E você, o que está esperando para fazer um pitch, apresentar seu MVP e encontrar um venture capital para pivotar sua startup?

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O Sebrae vai virar museu?

O museu pegou fogo. E quem se queima é o Sebrae...

Hoje peço licença para sair um pouco do tema da coluna e tratar de um assunto que tomou conta de parte da mídia na última semana. Aliás, não acho que saiamos tanto do tema, uma vez que trata-se de um atentado à maior instituição brasileira de fomento ao empreendedorismo: falo da proposta de criação de uma agência de museus que pretende utilizar cerca de 200 milhões de recursos oriundos do Sebrae.

Como todos já sabem, um incêndio destruiu grande parte do acervo do Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, na Zona Norte do Rio, no domingo dia 2 de setembro. E, em apenas uma semana, sem sequer ter esclarecido as causas do incêndio, muito menos proporcionado um debate sobre o tema (conservação de patrimônio histórico-cultural), o Governo editou uma medida provisória na segunda-feira, dia 10, criando a Agência Brasileira de Museus (Abram), que substitui o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).

Em meio a uma discussão sobre reduções de recursos e responsabilidades, causas e efeitos, Governo e Universidade se estapeavam trocando acusações, mas o Presidente Temer sacou mais rápido e deu o ultimato: assaltar o Sistema S e criar um novo cabide (ops), serviço, transformando o Instituto em Agência (agora sim!!) com recursos e gestão no modelo de Organização Social.

Interessante observar que ambos os lados reclamam que não foram ouvidos. Nem o pessoal do atual Ibram – que, aliás, tem sérias críticas ao modelo proposto; nem o pessoal do Sistema S – que vai entrar com os recursos.

Parece-me aquela típica solução mais desastrosa do que o próprio desastre. Só pra se ter uma ideia, na enquete da própria página do Congresso Nacional onde é noticiada a Medida Provisória (https://www.congressonacional.leg.br/materias/medidas-provisorias/-/mpv/134245) aparece uma avaliação de 5.956 opiniões negativas contra 169 positivas (dados de 16/9 às 20h).

Mas, além do atropelo que considero ter sido cometido com a decisão, cabe aqui ressaltar a importância de uma Instituição tão representativa do empreendedorismo e do apoio aos pequenos negócios como o Sebrae, embora a questão dos recursos do Sistema S volta e meia se encontra em debates.

Criado em 1990 pela Lei 8.029, o então Cebrae (com C) desvinculou-se do poder público e transformou-se em serviço social autônomo, passando a ter acesso aos recursos do chamado Sistema S, e tornou-se o responsável pelo atendimento ao segmento das micro e pequenas empresas, setor responsável por 12,2 milhões de estabelecimentos no Brasil atualmente.

O orçamento do Sistema Sebrae para 2018, segundo o Portal da Transparência da entidade, é de 4,5 bilhões, dos quais 3,1 são da chamada Contribuição Social. No entanto, segundo o mesmo portal, pouco mais de 26% do orçamento são gastos de gestão operacional e investimentos, sendo mais de 70% aplicados na operação, ou seja, reinvestidos no atendimento a seu público-alvo. Bem diferente dos gastos do governo.

Enfim, é claro que, como em qualquer instituição, possam haver ajustes e economias a fazer. Assim como na gestão dos museus também deve ser feito algo. A questão é porque fazê-lo de forma tão abrupta, sem quaisquer indícios de algum estudo mais aprofundado sobre o tema. E justamente utilizando recursos tão importantes para incentivar o empreendedorismo, que é significativo para fomentar a economia, gerar empregos e irrigar o próprio governo com mais impostos. Parece uma saída pela contramão.

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Capital Humano

“Quando o capital e a tecnologia são acessíveis a todos igualmente, o que marca a diferença é a qualidade do capital humano”. Tom Peters

Na coluna de 22 de agosto tratamos sobre um dos pilares de qualquer processo de Desenvolvimento sustentável: o capital social. Hoje, gostaria de tratar de outro destes pilares, tão importante quanto o primeiro: o Capital Humano.

Afinal, quem são os protagonistas do desenvolvimento, senão as pessoas que residem na localidade/região? Ou seja, os moradores de uma determinada região assumem seu papel de sujeitos de sua própria história. Então, em qualquer processo de desenvolvimento que se queira sustentável a premissa básica é a de envolvimento e capacitação das pessoas.

Porque para buscar o desenvolvimento, é necessário que as pessoas mudem seu status atual, através do crescimento de habilidades, conhecimentos e competências. Este conjunto de fatores vou considerar aqui como o Capital Humano.

Então, ampliar o capital humano significa investir em educação, principalmente, mas também em outros fatores relacionados à vida das pessoas, como condições de saúde, alimentação, habitação, segurança, entre outros. Pois a educação por si só, não consegue atingir seus objetivos se as pessoas não tiverem satisfeitas suas necessidades básicas.

Baixos índices de capital humano, obviamente, se traduzem em menores possibilidades de desenvolvimento. Se as pessoas não desenvolverem suas potencialidades, não será possível falar de desenvolvimento, cujo princípio básico é o de melhorar as condições de vida das pessoas.

O desenvolvimento não é um resultado somente do crescimento econômico, envolve relações humanas, e o desejo dessas pessoas em alcançarem uma melhor qualidade de vida para todos. O desenvolvimento depende da adesão das pessoas, elas precisam se colocarem como sujeitos do movimento. Então, a qualidade do processo de desenvolvimento depende diretamente da qualidade das pessoas, e de seu interesse e capacidade de aderir e contribuir com o processo.

Não é possível existir desenvolvimento sem que as pessoas tenham desenvolvido suas competências e qualidades. O capital humano passa a ser a principal fonte do valor. E este valor não está somente nos bens físicos, mas principalmente nos bens imateriais, como intelecto, tecnologias, conhecimento aplicado, etc.

Pessoas bem preparadas contribuirão com a boa governança do processo, melhorando a capacidade da sociedade de construir canais de participação, com níveis de representatividade, legitimidade e confiança entre o Governo e a sociedade organizada.

Um bom governo também depende das qualidade e compromissos dos governantes, mas sobretudo, da capacidade de escolha das pessoas que o elegerão.

E isto, indiscutivelmente, está relacionado com os níveis de empoderamento da sociedade, o que por sua vez depende dos níveis de capital humano e capital social.

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O PIB e você

“Um dos grandes segredos da sabedoria econômica é saber aquilo que se não sabe”. John Galbraith, economista, filósofo e escritor estado-unidense.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgou na última sexta-feira (31), o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no 2º trimestre de 2018. O resultado é que cresceu 0,2%, na comparação com os três meses anteriores, Em valores correntes, o PIB totalizou R$ 1,693 trilhão.

Desmembrando um pouco esse número, temos as seguintes variações:

  • Serviços: 0,3%
  • Indústria: -0,6%
  • Agropecuária: 0
  • Consumo das famílias: 0,1%
  • Consumo do governo: 0,5%
  • Investimentos: -1,8%
  • Construção civil: -0,8%

 

Na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, o PIB avançou 1%. No acumulado em 12 meses, o PIB cresceu 1,4% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores.

Diante deste cenário e em plena campanha eleitoral, como isso afeta a vida do cidadão? Algumas considerações de um administrador se metendo a economista:

  1. Observe que um dos setores avaliados para determinar o crescimento do PIB é o consumo das famílias. Ocorre que estamos vivendo um período de desemprego recorde e isso obviamente afeta diretamente este indicador. No trimestre encerrado em julho, 12,9 milhões de trabalhadores estavam desempregados no Brasil. E tem um outro indicador interessante: o chamado “desalento”, formado por aqueles que não trabalham, mas também não procuram vaga – esse número chegou a 4,8 milhões.
  2. Observe também que, exceto pelo setor de serviços, a atividade econômica continua dando sinais de recessão. Indústria e Construção Civil apresentaram variações negativas, e a Agropecuária não variou. A incerteza eleitoral e a baixa capacidade de investimentos do setor produtivo certamente são algumas das causas deste resultado.
  3. Um item positivo – aliás, o maior – é o consumo do governo: positivo em meio ponto percentual. Este é um ponto polêmico, e não é o objetivo aqui discutir o nível de gastos do governo. O fato é que esse indicador foi positivo no trimestre por conta do calendário eleitoral, que provocou uma antecipação de gastos e fez com que o consumo do governo fosse o componente de maior crescimento do indicador do PIB. O problema é que a eleição vai passar.... e não podemos esperar muitos investimentos com um déficit primário de R$ 17,82 bilhões só no primeiro semestre.

E já que estamos em época de avaliar propostas de governo, importa considerar que não haverá uma solução mágica, ou um salvador da pátria que mudará essa situação rapidamente. Embora os candidatos insistam em tentar nos convencer disso.

Uma politica fiscal austera, que permita conter os gastos do governo, aliada a uma agenda reformista, não são soluções simples de implementar. Necessitarão de apoio político e da sociedade, e principalmente de tempo, como em um campeonato de várias rodadas, onde o próximo resultado depende do desempenho imediato.

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A difícil missão da inovação no Brasil

“Tecnologia é qualquer coisa que não estava por aí quando você nasceu”. Alan Kay – cientista da computação.

As dificuldades e entraves enfrentados pelos inovadores no Brasil foi tema de uma publicação lançada em junho no auditório da Fapesp, em São Paulo. Trata-se do livro Novos Caminhos para a Inovação no Brasil, da economista Fernanda de Negri, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O trabalho foi desenvolvido com apoio da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma) e do Wilson Center Brazil Institute, em Washington, a partir de entrevistas com parlamentares brasileiros e empreendedores.

No livro, a autora traz um levantamento sistematizado dos fatores que afetam a inovação, apontando três fatores principais – pessoas, infraestrutura e o ambiente. Os três são influenciados pelas políticas públicas, formando um ecossistema propício ou não para a inovação. O livro mostra que ainda falta muito no ecossistema brasileiro de inovação, seja nos três fatores principais, seja nas políticas públicas. Conclusão: é difícil inovar no Brasil.

Nas entrevistas com empresários, a economista ouviu argumentos de que inovação não depende apenas de financiamento e de instalações, mas também de um ambiente estimulante e dinâmico, onde as competências existentes possam prosperar e se desenvolver adequadamente. Há uma crença de que o Brasil tem competências relevantes em várias áreas, mas a burocracia dificulta que os conhecimentos produzidos nos ambientes universitários se transformem em novos produtos.

Algumas condições para a melhoria do ambiente de inovação foram apontadas na pesquisa de De Negri. Em primeiro lugar, capital humano. Nas se faz ciência sem pessoas. Depois, uma infraestrutura adequada para que esse capital humano possa produzir, incluindo aí instalações, equipamentos, etc. Cercando isso, uma regulação menos burocratizada e que proporcione que o conhecimento científico seja transferido para o setor produtivo. Para complementar, um sistema de propriedade intelectual que dê segurança e previsibilidade, para que os investimentos de risco sejam incentivados.

O último fator relacionado ao ambiente diz respeito à estrutura de mercado. O argumento é de que a competição é o motor fundamental da inovação. Uma economia fechada, com empresas protegidas de seus concorrentes, não tem incentivos para produzir inovação.

Outro aspecto interessante da publicação diz respeito aos investimentos públicos e empresariais em inovação. Somando gastos públicos e empresariais, o Brasil investe 1,27% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em P&D. Isso é bem menos do que a média dos países da OCDE, onde esse investimento representa 2,38% do PIB, mas está acima de países latino-americanos, como México e Argentina. “Mas, se os investimentos totais em P&D do Brasil não são tão baixos, os investimentos empresariais, que deveriam ser estimulados pelas políticas públicas, são menores do que em vários outros países e têm permanecido relativamente estáveis ao longo do tempo. No Brasil, as empresas respondem por pouco menos da metade dos investimentos em P&D realizados no país, o que totalizou aproximadamente 0,6% do PIB em 2014. Essa proporção costuma ser maior nos países desenvolvidos. Tomando a média da OCDE como exemplo, nesses países as empresas são responsáveis por quase 70% do investimento total em P&D, ou cerca de 1,63% do PIB”, conclui a autora.

Então, a melhoria das condições institucionais e sistêmicas, produzindo conhecimento de ponta ao mesmo tempo que incentiva as empresas para inovarem, através de um ambiente favorável e estimulante é o que poderá mudar este cenário no Brasil.

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