Sociedade e Desenvolvimento
Burocracia: transformando o fácil em difícil através do inútil

"A burocracia tem um poder de sedução incrível: parece que está se produzindo algo, mas, não está..." Oseias Faustino Valentim

- Desculpe, Senhor! Sua Carteirinha de Idoso está vencida! Precisa ir pessoalmente ao Órgão responsável, com seus documentos, preencher e assinar em três vias o requerimento, ir até o Banco recolher a taxa e retirar sua nova Carteirinha após 3 dias úteis! Ah, essa retirada também deve ser pessoalmente, caso contrário deverá mandar uma autorização com firma reconhecida com quem for retirar!

Ao que o Idoso respondeu: - Por acaso, após dois anos, eu deixo de ser idoso, pra ter que renovar a Carteirinha?

Quem nunca ouviu algo parecido de um órgão do qual estava aguardando um documento essencial para cumprir a legislação? Quem nunca se incomodou em receber todo tipo de justificativa para seu pedido demorar muito mais do que o razoável, quando se trata de Governo?

Pois bem... o Brasil é considerado o país mais burocrático do mundo. Segundo estudos do Banco Mundial, as empresas gastam em média 1.958 horas por ano para cumprir todas as regras do Fisco. Na planilha da burocracia tributária no Brasil estão 63 tributos, 97 obrigações acessórias e 3.790 normas. No papel, uma extensão de seis quilômetros de burocracia, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação - IBPT. Isso pra pagar imposto!!

Em Campo Mourão, fizemos um levantamento no final de 2018 mapeando o processo a ser percorrido para a abertura de uma empresa. O resultado foi de que demora-se entre 90 e 251 dias para que todos os trâmites sejam cumpridos.

Para ter sucesso, um empreendimento depende do conhecimento, da capacidade produtiva – própria ou da equipe, do talento econômico e ainda da aceitação de seus clientes, fornecedores, empregados, credores e investidores. A burocracia, por sua vez, apenas precisa obriga-lo a obedecer às decisões dos burocratas de plantão, que, muitas vezes sem nunca ter pisado no chão de uma fábrica, exercem poderes arbitrários e o forçam a trabalhar em função de regras discutíveis e nem sempre razoáveis.

Porque, ao contrário do empreendedor, que precisa ter uma visão abrangente sobre seu negócio e seu mercado para sobreviver, os burocratas pensam cada um na sua caixinha. O empreendedor não pode forçar ninguém a comprar seus produtos: se comete um erro, se não atende bem, ou se tem o preço um pouco acima do mercado, seu cliente simplesmente vai embora, e ele assume os prejuízos. O burocrata não corre esse risco: se ele comete um erro, você sofre as consequências. Se o processo te obriga a apresentar vários documentos, várias vezes, para várias repartições, o problema é seu.

Algumas iniciativas estão sendo tomadas no sentido de “desregrar” o Estado. Mas ainda muito tímidas e carentes de lógica e agilidade. Não há investimentos visíveis em integração de dados, automação e agilização de processos.

É preciso que os gestores dos Serviços Públicos nas 3 esferas assumam uma postura de empreendedorismo público e cidadão, e, assim como o empreendedor econômico, busque na criatividade, na iniciativa e no protagonismo as ações necessárias para mudar essa realidade do país. Só espero que a burocracia não atrase a desburocratização.

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Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

As causas e os efeitos

A partir deste mês, introduzirei alguns temas novos no escopo do tema central da Coluna, Sociedade e Desenvolvimento. Serão temas voltados à gestão e liderança, que tem um importante papel na melhoria das condições socioeconômicas de um município, região ou país.

Quando estudamos processos de Gestão da Qualidade, uma das ferramentas analíticas mais importantes é a Análise de Causa e Efeito. Materializada no famoso Diagrama de Ishikawa, ou Diagrama de Causa e Efeito, é utilizada para identificar as reais causas de um problema, uma a uma, a fim de comprovar qual delas está realmente causando o efeito (problema) que se quer eliminar ou mitigar.

Apesar de ter sido criada na década de 60, a metodologia está longe de ser amplamente aplicada em organizações privadas ou públicas, cujos gestores muitas vezes insistem em resolver os efeitos, gastando consideráveis somas de recursos e energia sem tratar aquilo que realmente solucionaria o problema, ou seja, sua causa principal.

Nem precisa ser um especialista em qualidade para organizar um raciocínio de causa e efeito. Basta dedicar um tempo com pessoas envolvidas no problema – seja pessoal interno, clientes, fornecedores ou usuários – e ouvir suas experiências, perguntando sempre: “Por que isso está acontecendo?”, e ir aprofundando nas questões, até chegar à raiz do problema.

Esse princípio é particularmente relevante se o combinarmos com outra regra bastante conhecida, o Principio de Pareto, que afirma que, para muitos eventos, aproximadamente 80% dos efeitos vêm de 20% das causas (simplifiquei bem). Essa regra é aplicada em muitas áreas, como gestão, saúde, acidentes, esporte, software, entre outras.

Por exemplo, a Microsoft notou que, ao corrigir os primeiros 20% dos bugs mais relatados, 80% dos erros e panes relacionadas em um dado sistema seriam eliminados. Outro: profissionais de segurança usam o princípio para definir prioridades, assumindo que 20% dos perigos representam 80% dos acidentes.

Em épocas de recursos escassos, pensar e agir de forma estratégica nos pontos-chave de cada situação deve ser o diferencial entre investir na solução definitiva dos problemas prioritários ou ficar “correndo atrás do rabo”, atenuando sintomas sem extirpar sua causa.

Imagine, então, se relacionássemos os principais problemas da Saúde do Município, por exemplo: utilizando as metodologias combinadas, talvez identificássemos alguns gargalos importantes para uma atuação mais estratégica, com alguns focos bem claros na aplicação de recursos e pessoas, que talvez resolvessem 80% dos efeitos.

E no trânsito? Quais serão as causas reais que precisam ser atacadas para minimizar os problemas?

E na sua organização? E na sua casa? E na sua vida financeira? Experimente pensar um pouco sobre as reais causas de seus problemas. Repita a pergunta “Por que isso acontece?” pelo menos 5 vezes para cada problema levantado, e chegará a uma causa mais concreta e central que gera os efeitos indesejados.

A partir daí será bem mais simples atacar o problema.

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Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

Uma difícil equação

"Lucro é subproduto das coisas bem-feitas." Philip Kotler

Brumadinho, MG. Sexta-feira, dia 25 de janeiro de 2019, 12h30. Uma barragem destinada a reter resíduos sólidos e água resultantes de processos de extração de minérios, necessária exatamente para evitar danos ambientais, se rompe, liberando cerca de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos, lançando uma lama que alcançou cerca de 80 quilômetros por hora, somente perdendo o ritmo à medida que os rejeitos percorriam os vários quilômetros de todo o entorno do município. Mais de 170 mortos e 160 ainda desaparecidos.

Rio de Janeiro, RJ. Outra sexta-feira, desta vez 8 de fevereiro de 2019, madrugada. Um incêndio atingiu o centro de treinamento conhecido como Ninho do Urubu, em referência à ave-mascote do maior time do Rio, o Clube de Regatas Flamengo. O alojamento que pegou fogo servia de dormitório para jogadores na faixa de 14 anos de idade. Matou dez pessoas e feriu três, de acordo com o Corpo dos Bombeiros.

O que estas duas tragédias, acontecidas com menos de 15 dias de distância uma da outra, tem em comum? Várias coisas, talvez. Gostaria hoje de discorrer sobre a questão da responsabilidade, e refletir com você, leitor, sobre algumas questões com as quais tenho me deparado agora que estou no Setor Público.

Bem, esses dois acontecimentos fatídicos estão em destaque pelas suas dimensões. Mas, sem sombra de dúvida, nestes pouco mais de 40 dias de 2019 certamente já tivemos outros tantos acidentes – se é que podemos chamar de acidente – ou situações que quase se transformaram em tais.

Fato é que, quando acontece algo nessas dimensões, passamos a nos questionar porque essas pessoas e empresas tão poderosas desprezam tanto as normas de segurança, a legislação, os cuidados básicos e os investimentos em manutenção e preservação.

E digo novamente: essas duas são destaques pela sua repercussão. Mas quantas vezes já vimos obras irregulares, destruição ambiental, formação de cartéis, e outros tantos desrespeitos às normas vigentes?

Lembra da Boate Kiss? Pois bem, a partir de 2013 – por coincidência o acidente também foi em janeiro – uma série de normas e leis foram alteradas buscando maior segurança e regulamentação sobre prevenção a incêndios. Hoje, como Secretário de Desenvolvimento Econômico, ouço diariamente reclamações sobre o rigor dos bombeiros, os custos necessários para adaptar prédios e o suposto exagero nas medidas. Também nos deparamos diariamente na Prefeitura com obras irregulares, construções executadas sem projeto e sem alvará, entre tantas outras tentativas de “agilização” dos processos.

Pois é. Também sou a favor da desburocratização. Aliás, estamos trabalhando entre várias Secretarias para buscar a celeridade de processos. Mas chamo a atenção para a difícil equação que será: de um lado, permitir que os novos negócios surjam com agilidade; e de outro, fazer cumprir a normatização que pode prevenir tragédias como as que vimos nos últimos dias.

Os objetivos de geração de emprego e renda, investimentos no município, fomento ao empreendedorismo são extremamente válidos e devem ser perseguidas. Mas não se pode confundir tudo isso com deixar de lado a correta aplicação das normas, a fiscalização constante e a punição exemplar a quem quer seguir nebulosos atalhos para obter lucro.

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Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

Crer para ver

“Uma pessoa com uma crença é igual a 99 que tenham somente interesses”.

John Stuart Mill

Não, você não leu errado não... o que quero dizer hoje é que, se queremos progredir, seja em nossa vida pessoal, seja na profissão, ou em qualquer área ou projeto, precisamos acreditar firmemente que conseguiremos. O sucesso é muitas vezes uma questão de crença.

Por isso, ao contrário de São Tomé, aquele que ficou famoso por não ter acreditado quando os discípulos lhe contaram que haviam visto Jesus ressuscitado, dizendo mais ou menos assim: “Se eu não ver com meus próprios olhos e tocar suas feridas com minhas mãos, não acreditarei”, ao contrário disso, a reflexão de hoje é sobre confiar em algo que ainda não viu, mas que almeja como futuro.

Quando começamos um novo ano, ou um novo projeto, um novo emprego, precisamos crer que dará certo, para depois ver o resultado. Então trata-se de confiar que as coisas darão certo, que teremos a competência de acertar e que nossas decisões serão as melhores.

Outro dia conversava com uma pessoa sobre o quanto a economia depende da confiança, por exemplo. A expectativa positiva e o otimismo leva a maiores investimentos, que por sua vez geram mais empregos, as pessoas têm mais renda, consomem mais, e a roda gira positivamente. A expectativa negativa faz com que deixemos de investir, as empresas demitem, a renda cai, as dívidas aumentam, e paramos de consumir, gerando mais desemprego.

Não se trata de “viajar na maionese” e achar que tudo se resolve sendo otimista. Mas trata-se de confiança nas pessoas, instituições e empresas. Porque onde não há confiança, não há progresso. Se o patrão não confia no empregado, sua empresa não vai progredir, porque ao invés de buscar novos mercados, vai ficar no caixa cuidando para não ser roubado. Se a empresa não confia no fornecedor, vai investir em caros sistemas de controle ao invés de progredir através de outras parcerias.

Acontece que quando trata-se de confiança, temos dois extremos: a confiança cega, também chamada de ingenuidade, ou a desconfiança severa, que podemos chamar de suspeita. Ambas podem nos trazer problemas. É preciso, na minha opinião, que a sociedade comece a agir com uma confiança inteligente, onde parte-se da premissa que as pessoas são confiáveis até que provem o contrário.

A desconfiança é muito cara. Imagine só quantos milhões de dinheiros são gastos no mundo todo sob a justificativa de que é preciso fiscalizar, garantir, controlar. No Brasil, você vende seu carro olhando no olho do comprador, e precisa comprovar em cartório que você é você mesmo, que o carro é aquele mesmo, que a assinatura é sua mesmo, tudo isso em duas vias autenticadas, porque senão o outro cartório não reconhece o que o primeiro carimbou.

Multiplique isso pelos milhões de processos diários criados por uma burocracia baseada na premissa de que ninguém é confiável. Imagine isso se a premissa fosse exatamente o contrário.

Um dos maiores negócios de crédito do mundo, o Grameen Bank, foi fundado por Muhammad Yunus exatamente com a premissa de que os pobres precisavam de um voto de confiança para empreender e viver de forma digna. Aliás, essa história eu adoraria contar em uma próxima coluna.

Por hoje, o que gostaria de deixar é a mensagem de que a falta de confiança pode ser uma grande barreira para seu progresso. Acredite que seu ano será fantástico, e que as pessoas são boas. Verá como isso fará diferença em sua vida.

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Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

 

2019 – boas perspectivas

"Faça o teu melhor, na condição que você tem, enquanto você não tem condições melhores, para fazer melhor ainda!" - Mario Sergio Cortella

Quando sentamos com a equipe para pensar nos projetos para 2019, me lembrei da história do menino que atirava pedras. Todas as tardes, após as aulas,  ele fazia a mesma coisa:  atirava pedras para o alto. Um dia, curioso por sempre vê-lo fazendo aquilo, perguntei o que ele tentava acertar, pois não tinha visto nenhum alvo aparente. E ele me respondeu que tentava acertar a Lua. Disse-lhe: “Ora garoto, a Lua é muito longe, você jamais vai conseguir acertá-la”. Ele então virou-se para mim e disse: “posso nunca conseguir acertar a Lua, mas vou ser aquele que atira pedras mais longe”.

Assim também é quando estabelecemos metas para nossa vida ou trabalho. Às vezes podem parecer ousadas, inatingíveis, mas elas são poderosas para forçar-nos a buscar a excelência.. Pode ser que não consigamos tudo o que almejamos no tempo que queremos, mas certamente seremos melhores do que outros que acomodam-se em suas zonas de conforto.

Na semana passada relatei algumas das realizações que conseguimos em 2018. Foram nossas pedras atiradas o mais longe possível com as condições que tínhamos. Para 2019, temos planos de avançar em algumas perpectivas, que resumo a seguir:

Fomento ao Empreendedorismo: com o objetivo de incentivar e fomentar o empreendedorismo principalmente entre os jovens em Campo Mourão, temos programadas as seguinte ações:

  1. Mostra de Franquias – com marcas paranaenses, que têm interesse em expansão para o município.
  2. Escola de Empreendedorismo – em parceria com a Unespar, vamos desenvolver um programa de empreendedorismo entre jovens de 12 a 15 anos, estimulando-os a serem protagonistas de suas vidas e buscarem a realização de seus sonhos.

Assistência aos empreendedores já formalizados: ampliação dos serviços da Casa do Empreendedor e outras atividades:

  1. Atendimento dos setores de alvará, vigilância sanitária e Bombeiros na Casa do Empreendedor: com vistas a facilitar e agilizar os processos de formalização de empresas.
  2. Semana DASN e Semana MEI – Duas semanas de intensa programação para atendimento aos MEI´s mourãoenses. A primeira será um mutirão para as Declarações Anuais obrigatórias, e a segunda uma semana de capacitações e encontros.
  3. III Feira MEI – durante a semana MEI, uma feira de produtos e serviços que realizaremos na Praça São José.

Estímulo à inovação, ciência e tecnologia: atividades que realizamos para motivar os jovens a empreenderem e permanecerem em Campo Mourão:

  1. Pinto f Science: evento internacional de ciências, onde pesquisadores têm a oportunidade de apresentar seus trabalhos em ambientes descontraídos, como bares, para empreendedores e investidores, gerando uma integração entre conhecimento e capital.
  2. Empreende Week 2019 – terceira edição do Empreende Week, a ser realizada em setembro.

Atração de investimentos: para incentivar a instalação de novas empresas ou ampliação das já existentes no município:

  1. Novos terrenos à venda com subsídios: nos próximos dias teremos um novo edital para venda de 8 terrenos com subsídios para indústrias, que pode chegar a 80% do valor do imóvel. Durante o ano, novos terrenos serão disponibilizados.
  2. Parque das Pequenas Indústrias: um novo parque industrial com terrenos menores, para viabilizar a instalação de pequenas indústrias no município, com condições favoráveis ao empreendedor.

Entre outros, essas são alguns de nossos projetos. Estamos aprendendo que no Setor Público às vezes não conseguimos tudo o que queremos e no tempo que gostaríamos, para isso não é nem um pouco desmotivador para nós.

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2018 – um ano intenso

“Quando você não pode, quando você não tem liberdade para pegar sua ideia e transformá-la em um empreendimento, todos nós perdemos”. Mark Zuckerberg.

2018 foi um ano de muitas realizações para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Casa do Empreendedor. Aproveitarei a primeira coluna de 2019 para fazer uma breve descrição das principais.

1) A Casa do Empreendedor já se firmou como ponto de referência aos microempreendedores de Campo Mourão. Em 2018, foram 15464 serviços prestados, com a abertura de 687 novos MEI´s. Na Casa do Empreendedor são realizadas consultorias gratuitas nas áreas financeira, gestão de processos, ambiental e marketing. Graças a esse trabalho, recebemos o Prêmio de Referência em Atendimento do SEBRAE no Paraná.

2) Funciona na Casa do Empreendedor o Banco do Empreendedor, parceria com a Fomento Paraná e que permite levar aos pequenos empresários linhas de crédito para alavancagem dos negócios. Em 2018, foram R$ 1.085.062,60 financiados em 92 operações. Conquistamos também o terceiro lugar no quesito Qualidade no atendimento – reconhecimento do Sebrae e Fomento Paraná.

3) Feira da Economia Criativa: depois de algumas edições-teste no final de 2017, consolidamos a FEC como uma atividade dominical para os mourãoenses e visitantes. Foram 36 edições da Feira, com um faturamento total de R$ 352.239,20. Temos mais de 60 feirantes cadastrados e a média de participação a cada domingo foi de 23. A FEC é a porta de entrada de novos empreendedores ao mercado. É através dela que o empreendedor valida seu produto, conhece o consumidor e faz as primeiras redes de negócios.

4) Em julho, realizamos em parceria com várias Secretarias Municipais e Entidades a 27ª. Edição da Festa Nacional do Carneiro no Buraco. Superando as dificuldades financeiras e operacionais do Município, conseguimos promover um evento bonito, seguro e com excelente participação da comunidade. Foram 7800 pratos servidos em mais de 140 tachos, R$ 100.024,23 repassados para 11 entidades, e com uma avaliação de 83,1% como ÓTIMO/ BOM .

5) Capacitar os microempreendedores, aproximá-los de empresários experientes e permitir o acesso a parceiros e rede de mentores foram os objetivos do VOA MEI – Programa de Aceleração dos Micro-Empreendedores Individuais. Foram 48 MEI´s no processo seletivo, mais de 30 h de oficinas presenciais e 3 rodadas de mentoria com empresários.

6) Em outubro foi a vez do Empreende Week – soluções para o amanhã. O maior evento de Empreendedorismo, Ciência e Tecnologia que a região já viu teve como realizadores a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, o Sebrae, a UTFPR e o Sindimetal. Foram mais de 4 mil participantes, 2 palestras nacionais, 1º Hackathon Procon do país e mais de 35 eventos simultâneos, entre eles concurso de Robótica e Lançamento de Foguetes.

7) Uma das linhas de atuação da Secretaria tem sido o Fomento ao empreendedorismo e inovação. Trabalhamos em 2018 para formar um ambiente de inovação e parceria entre Universidades e Empreendedores, proporcionando rede de contatos com investidores e parceiros. Foram 2 Encontros para apresentação de projetos, com 102 participantes, que permitiram a identificação de mais de 50 projetos de tecnologia e ainda 4 palestras de tecnologia para o segmento.

Temos como meta transformar Campo Mourão em uma cidade com o melhor ambiente para empreender. Trabalhamos para qualquer pessoa que tenha interesse em iniciar ou melhorar seu negócio encontre motivação, assessoramento, crédito e oportunidade para desenvolver-se.

Para isso, já estamos com vários outros projetos para 2019. Mas isso será o tema da próxima semana.

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Liderança para Transformar

Se o Líder dentro da empresa tem um papel extremamente importante, no ambiente externo pode exercer o protagonismo da transformação social.

Senão vejamos: na empresa, suas atitudes contribuem para que exista maior ou menor performance da equipe, pois os funcionários o têm como exemplo. Seu trabalho é uma bússola para o desenvolvimento das ações, e se não possuir algumas características mínimas pode causar grandes prejuízos.

Pois bem: esse líder empresarial ou institucional, não raramente, assume o papel de líder público (ou líder cívico, no sentido que passa a envolver-se em questões comunitárias), seja através de uma Associação Comercial, Sindicato, ou até mesmo como Vereador ou Prefeito de um município.

Então, essas mesmas características de liderança até então praticadas (ou não) dentro de sua organização, agora tomam uma dimensão muito mais abrangente e importante, pois irão afetar toda uma sociedade.

Em tempos de uma quarta revolução industrial, inovações disruptivas, tecnologias digitais, onde startups bilionárias surgem do nada e empresas mundiais desaparecem, mais do que nunca a capacidade do líder é testada.

Já escrevi numa outra ocasião sobre como um líder público pode ser capaz de engajar a comunidade em ações de mobilização. Creio firmemente que só passaremos pelos desafios que temos pela frente no Brasil se tivermos líderes corajosos para cumprir uma missão muito nobre: trabalhar pelo futuro com a consciência de que os resultados serão colhidos pelas futuras gerações.

Lideranças que visualizam somente os resultados de seu mandato não tem credibilidade nem legitimidade para transformações. Aqueles que preocupam-se somente com os votos que irão ganhar ou perder somente vão perder.

As cidades ou países que deram saltos de desenvolvimento contaram em algum momento de sua história com líderes visionários, que não se dobraram diante de reações negativas de parte de seus liderados, e sim mantiveram-se firmes em seu propósito e sua missão.

O principal papel do líder público é articular e desenvolver as pessoas, despertando o potencial delas para o desenvolvimento da sociedade, atuando para fazer com o que o todo seja maior do que as partes. Um líder inspirador leva um propósito comum a todos, e trabalha pelo entendimento e engajamento a este propósito.

Tenho absoluta convicção que somente faremos as transformações necessárias a este País se os líderes acreditarem em seu papel e buscarem fazer conexões, criar uma visão de futuro que mobilize e aglutine sua comunidade, e entender que precisam pensar em formas diferentes de fazer as coisas, dando o melhor de si para todos.

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Estamos nos últimos dias de 2018. Um ano de muitos desafios, mas também de muitas conquistas. É momento de agradecer pelas coisas que obtivemos, pelos projetos que pudemos concretizar, e até pelos erros que cometemos, pois somente através deles aprendemos. Também é momento de pensar nos desafios, e restaurar as energias para o futuro ano que promete...

E, falando em restaurar as energias, esta é a última coluna do ano. Retornaremos na segunda quinzena de janeiro.

Desejo um Feliz e Santo Natal, e um 2019 repleto de conquistas!!!

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Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

Pense como um Empreendedor

"Para de perseguir o dinheiro e comece a perseguir o sucesso" – Tony Hsieh, empreendedor

A carreira é, provavelmente, o maior consumidor de tempo da vida. Passamos os anos mais produtivos de nossa existência trabalhando. Então, porque não fazer dela a melhor coisa da sua vida? Porque não fazer de todo esse tempo um tempo melhor?

Pensar e agir como um empreendedor pode fazer de seu trabalho algo muito mais eficiente e muito menos estressante. Independentemente de ser você o dono de seu negócio ou um funcionário. Porque ser empreendedor é um comportamento que faz com que você aja para fazer algo positivo, criar algo. Idealizar algo e agir para concretizar.

Os empreendedores são pessoas inquietas, que estão sempre à procura de melhorar seu entorno. Têm iniciativa e buscam fazer algo de positivo em busca de seus sonhos. Alguns pensamentos são comuns entre eles:

1. Paixão

Uma das características mais marcantes do empreendedor é que tem paixão pelo que faz. Se ele se encontra em uma fase da carreira que não gosta do que faz, então… muda!

Passar dias e dias pensando naquilo que poderia ser mas não é, ou naquilo que gostaria de fazer, mas não faz. Ou fazer planos para quando se aposentar poder fazer o que gosta, é a receita pronta para tornar-se depressivo, angustiado, para afetar seu desempenho, e consequentemente, criar uma imagem profissional negativa.

2. Correr riscos

Este aspecto é ligado com o anterior. Dizem que empreendedores fracassam em média 3 vezes antes de atingir um patamar de sucesso. Também é uma verdade que quanto mais riscos corrermos, maior será a recompensa. Aqui cabe uma análise de riscos, mas não deixar de encará-los. Sob pena de nunca sair de sua zona de conforto. E, como disse no item anterior, sua zona de conforto pode tornar-se desconfortável com o tempo.

Então, se é para buscar algo que lhe trará felicidade, melhore sua postura e traga mais ânimo à sua vida, não vale a pena correr riscos?

3. Insatisfação

Não se uma pessoa satisfeita nunca pode ser uma importante sugestão para buscar soluções melhores. Isso não quer dizer ser uma pessoa que só vê problemas, mas sim que traz melhorias e sugestões.

É comum encontrarmos aspectos de trabalho que nos deixarão insatisfeitos em algum momento. A questão é como agimos em relação à eles. A insatisfação está levando a novas soluções? Empreendedores nunca estão satisfeitos, mas querem sempre criar mais, inovar mais, dar mais.

4. Tempo para pensar

Essencial ter tempo para pensar. Para manter uma atitude de inovação e constante mudança, deve-se ter tempo para pensar e criar. Criar situações, projetar soluções, discutir com equipe e colegas. Buscar informações em jornais e revistas especializadas, visitar novas experiências, discutir com especialistas e mentores.

Um empreendedor é uma pessoa com ideias em movimento, criativa, propositiva. Então, reserve um tempo para pensar.

5. Sonhar

Isso tem a ver com a insatisfação já mencionada.

O sonho, no sentido de ser um objetivo, uma idealização, é a alavanca que movimentará seu cotidiano. Não significa ficar eternamente insatisfeito com o que tem, isso seria uma injustiça. Significa ficar insatisfeito com o que ainda não tem e gostaria de ter. E agir para tê-lo. E não apenas no campo material, como casa, carro, bens. Mas no sentido profissional também.

O importante é que mantenha sonhos e busque atingi-los, que queira mais e lute por isso.

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Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

Engajamento e confiança

“Perca dinheiro para a empresa, e eu entenderei. Perca um pingo de reputação, e eu serei implacável”. Warren Buffett

As eleições de 2018 no Brasil mostraram a força das mídias sociais, principalmente quando se trata do poder de comunicar às diversas facetas da população.

Uma ferramenta onde já estão as empresas que buscam estar diretamente em contato com seu público, posicionando-se em relação àquelas questões do cotidiano de seus consumidores ou potenciais clientes.

E deve ser utilizada mesmo, cada vez mais. Recente sondagem realizada em 8 países, a Edeman Earned Brand 2018, mostrou que duas a cada três pessoas pagam por um produto motivadas pelo posicionamento da marca sobre temas da sociedade. Foi a quarta edição do levantamento, que foi feito na China, França, Alemanha, Índia, no Japão, Reino Unido, Estados Unidos e no Brasil, entre junho e julho deste ano.

E, por falar em Brasil, o estudo apontou que 69% dos brasileiros decidem se compram ou não de uma marca em virtude de sua posição social ou política. E mais: esse número é 13 pontos percentuais maior que o último estudo, de 2017. Além de ser maior que a média mundial (64%), este crescimento mostra que o brasileiro está a cada dia mais atento ao que pensam os grandes empresários. Na última campanha presidencial observamos alguns posicionando-se claramente para um ou outro lado, o que refletirá sem dúvida na atitude de seus consumidores. Afinal, ao explicitar seu posicionamento político, a empresa inclui mais uma variável na percepção do cliente sobre seus valores.

Além disso, o mesmo estudo apontou que 59% dos entrevistados brasileiros responderam que as empresas têm ideias melhores que o governo para resolver os problemas. E também que fazem amis do que os governos para solucionar questões sociais – 63% responderam com essa afirmativa.

“Os consumidores estão depositando nas empresas seus desejos de mudança”, disse Marcília Ursini, vice-presidente de Engajamento para Marketing na Edelman. “Cada vez mais, as companhias estão indo além de seus negócios tradicionais para se posicionar sobre questões relevantes para elas e seus públicos, seja por meio de um posicionamento consistente, seja pela defesa de questões atuais e do ativismo de causa”, concluiu.

Estas últimas questões estão diretamente relacionadas ao nível de confiança no governo, que tem sofrido queda livre em todas as esferas. Outro estudo da mesma organização mostrou que 81% da população acredita que no Brasil, o governo é a instituição mais corrompida, pior que empresas, ONG´s e mídia. Embora em queda, neste quesito as empresas lideram com 41% de credibilidade.

Este descrédito, certamente emerge do ambiente impregnado de escândalos de corrupção, crise política e econômica dos últimos anos. Isso fez o Brasil ser o terceiro país com maior queda do índice de confiança, atrás apenas de Estados Unidos e Itália, dos 28 pesquisados. E, veja só: nestes dois países, reviravoltas nas últimas eleições e maciças campanhas nas redes sociais amplificaram todo tipo de discurso e foram vitais na disputa.

A conquista da confiança é um grande desafio para instituições e organizações. Afinal, votar ou comprar dependem dela.

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Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

Abraham Lincoln e o coitadismo brasileiro

Abraham Lincoln foi o 16.° presidente dos Estados Unidos e o primeiro a ser eleito pelo Partido Republicano. Nasceu no estado Kentucky e morreu assassinado em 65, com 56 anos. Sua eleição para a presidência em 1861 provocou grandes insatisfações políticas e acabou por iniciar uma sangrenta guerra civil.

Lincoln encontrou o governo sem recursos, sem exército e com uma opinião pública desfavorável, ainda mais agravada pelo seu discurso contra a escravatura e suas atitudes liberais.

Apesar de movimentos separatistas, ele percebeu a necessidade de preservar a unidade política do país que se não fosse por isso, teria se dividido em duas nações.

Através de sua brilhante oratória, ele exprimiu suas convicções de uma maneira tão clara e enérgica que milhões de compatriotas acabavam por aderir às suas ideologias.

Realizou proposições avançadas para sua época, como concessão de fazendas aos colonos com reserva de terras para escolas que mais tarde tornaram-se universidades estatuais. Preparava um programa de educação dos escravos libertados e chegou a sugerir que fosse concedido, de imediato, o direito de voto a uma parcela de ex-escravos.

Um dos maiores feitos, no entanto, foi a de fortalecer a auto-estima e o senso de capacidade e responsabilidade ao cidadão americano. Em várias de suas frases é possível identificar isso:

1. Não poderás ajudar aos homens de maneira permanente se fizeres por eles aquilo que eles podem e devem fazer por si próprios.

2. Não fortalecerás os fracos, por enfraquecer os fortes. Não ajudarás os assalariados, se arruinares aquele que os paga. Não estimularas a fraternidade, se alimentares o ódio.

3. O homem que não faz nem um pouco além daquilo para o qual é pago, não merece o que ganha.

4. Ser feliz não é ter uma vida perfeita, mas deixar de ser vítima dos problemas e se tornar autor da própria história.

Com isso, contribuiu muito para a geração de um povo livre, mas responsável. Empreendedor, mas fraterno. De atitudes, sem conformismo.

Durante muitos anos vimos estes comportamentos transformarem a nação americana na mais poderosa do mundo. Apesar de crises e dificuldades, cada cidadão busca agir para melhorar de vida e criar suas próprias condições de sustento.

Não admiro o povo americano em todos os aspectos. Mas, creio que há muito não temos uma liderança capaz de tirar o povo brasileiro dessa “Síndrome do Coitadismo”.

Coitadismo é a qualidade que reflete um comportamento passivo, onde se espera tudo do Governo, dos outros, da família, de alguém. Onde o cidadão não exerce sua cidadania, mas cobra que os outros façam.

Coitadismo é achar que tem todos os direitos, mas não faz nenhuma das obrigações.

Coitadismo, como diz Lincoln, é aquele que não faz nada além do mínimo suficiente para ganhar seu salário, mas exige dos patrões sempre mais direitos.

Exemplo de Coitadismo é jogar-se no sofá quando chega em casa, dar um vídeo-game pro filho não ficar “enchendo o saco”, e depois reclamar da escola.

É coitadismo também sequer varrer a rua em frente a sua casa, jogar entulhos na calçada, e cobrar “seus direitos” quando alguém da família pega dengue.

Precisamos de líderes que gerem riqueza para as pessoas. Mas não riqueza material, pois a riqueza material é resultado da riqueza de espírito. E ser espiritualizado não é ter uma religião, frequentar a igreja regularmente, mas ter força de vontade, coragem e determinação. Se a liderança não propicia isso aos indivíduos, está sendo praticada de modo errado, ou encontra-se completamente fora dos rumos do Desenvolvimento.

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Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]