Sociedade e Desenvolvimento
Política x gestão pública

O Brasil progride à noite, enquanto os políticos estão dormindo. Elias Murad

Neste texto, vou me permitir usar o vocábulo “Política” como sinônimo da Política Partidária, essa que nós vemos diariamente nos noticiários, essa dos acordos de poder. Então, para efeitos desta coluna de hoje, não estou falando da Ciência de Governar, nem do conceito aristotélico de homem político.

Isto posto, o que vemos é um descrédito quase unânime com a política. E desde os manifestos de 2013 as decepções só crescem. Na sequência do movimento das ruas veio a Lava-Jato, e cada nova operação deflagrada traz uma nova lista de políticos envolvidos em algum esquema de propina, financiamento de campanha, desvio de recursos públicos, etc, etc.

Ocorre que estamos prestes a realizar uma Eleição de enormes dimensões. E, ao meu ver, o momento é muito mais delicado do que outras eleições pelas quais passamos. Primeiro, porque a enxurrada de delações, denúncias e operações envolvendo os políticos atuais e ex-ocupantes de cargos públicos criou uma espécie de desconfiança generalizada da sociedade, não se distinguindo neste meio os bons e maus políticos. Depois, esse desgaste generalizado dos políticos leva a população em geral a não querer aprofundar debates, muitas vezes simplesmente porque “não quer saber desses políticos”.

Este segundo aspecto é facilmente perceptível quando observamos a superficialidade de debates em torno de projetos importantes para o País, o Estado ou o Município.

Cada vez mais comum é o cidadão colocar “no mesmo saco” os políticos profissionais e os gestores públicos.

Se quisermos superar as agruras do momento atual e buscar iniciar um novo ciclo de desenvolvimento para o Brasil, é necessária uma reflexão mais profunda quanto ao perfil dos ocupantes de cargos públicos.

Lembro quando o João Dória se elegeu prefeito de São Paulo, e não perdia uma oportunidade de dizer que não era político, e sim gestor. Claro que se tratava de um embuste, tanto que largou o cargo rapidamente para se candidatar a governador. Mas a tentativa dele naquela época era justamente descolar da figura do político profissional e tentar emplacar a imagem de um gestor público.

Mas, diferente do exemplo do ex-prefeito, temos nas diversas instâncias de poder pessoas com alta capacidade de gestão. São profissionais capacitados que colocam seus conhecimentos e experiência ao bem do público, cuidando de Ministérios, Secretarias, Procuradorias, Educação, Desenvolvimento Econômico, etc.

Como citei, esses profissionais podem e devem contribuir para um debate firme e de qualidade, produzindo ideias e projetos capazes de produzir resultados de longo prazo ao País.

Estamos em um momento que exige reformas estruturais em diversos aspectos. Deixar esses debates ao sabor dos acordos de poder entre partidos, ou das trocas de favor entre lideranças dos poderes legislativos e executivo é a receita certa para a catástrofe.

A manutenção da democracia e a chance de mudanças só se dará através do voto. Dizer que não quer saber de política, não querer participar de debates, não ouvir gestores públicos competentes, é terceirizar seu futuro e o futuro do país. Não exercer sua opção é deixar os outros optarem por você.

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Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

Empreendedorismo como propósito

 “Escolha um trabalho que você ama e você nunca terá que trabalhar na vida”.

A frase proferida por Confúcio, por volta do ano 500 a.C., resume uma tendência cada vez mais forte entre aqueles que decidem empreender no Brasil – a de empreender como um propósito, uma opção de carreira.

Um novo Estudo de Tendências de Sustentabilidade para Pequenos Negócios, divulgado pelo  Centro Sebrae de Sustentabilidade demonstra que cada vez mais são criadas empresas por profissionais de diversas idades e áreas que se retiram do setor corporativo devido ao cansaço de negócios convencionais e desejo de trabalhar em ambientes menos hierárquicos e mais abertos a novas ideias.

Essas pessoas resolvem criar empresas e empreendimentos que correspondem às suas crenças e valores, segundo Ricardo Voltolini, coordenador técnico do Estudo. O objetivo delas é contribuir com soluções para os desafios da insustentabilidade da sociedade e do planeta, assim como para as questões socioambientais, sem visar apenas lucro. Nesse terreno, nascem os negócios de impacto social e ambiental.

Se há alguns anos quase metade dos novos empreendimentos no Brasil era derivada do chamado empreendedorismo ”por necessidade”, hoje o perfil tem mudado bastante, e empreender é cada vez mais uma opção de vida.

Uma nova geração de empreendedores busca realizar propósitos pessoais e contribuir com a solução de desafios da sociedade, criando seus próprios negócios com foco mais amplo do que somente o dinheiro.

São empreendimentos com visão “além do lucro”, que buscam contribuir de alguma maneira com o planeta e suas necessidades, e propiciar aos seus criadores melhor qualidade de vida, muitas vezes trocando salários e benefícios por flexibilidade, agilidade e realização.

Formados principalmente por jovens, esses novos negócios que estão chegando ao mercado são focados na insatisfação com as soluções atuais apresentadas, e buscam seu espaço utilizando-se de tecnologias para identificar os gaps do mercado e procurar solucioná-los com novos produtos e serviços.

Produtos exclusivos para veganos, livrarias para público evangélico, salões de beleza para pele e cabelos negros, roupas plus size e outras iniciativas ligadas à segmentação de mercado representam oportunidades de negócios para os empreendedores atentos.

Tecnologias para reciclagem, produtos verdes, novas formas de distribuição, internet das coisas, agrosmart, biotecnologia, nanotecnologia, robótica, enfim, uma infinidade de possibilidades que favorecem o início de novos negócios tem sido o grande estímulo a essa geração.

Importante ressaltar que o poder público deve estar atento às novas tendências, e aproveitar as oportunidades de aproximar o setor produtivo, as universidades, incubadoras, e empresários para o surgimento de novos negócios. Pois, assim como a diversidade de negócios e oportunidades, são diferentes também as demandas destes empreendedores.

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A criatividade é mais importante que o conhecimento

Não foi exatamente assim que este aforismo foi publicado em 1931 pelo físico Albert Einstein. Na verdade o parágrafo inteiro diz mais ou menos assim: “Eu acredito na intuição e na inspiração. A imaginação é mais importante que o conhecimento. O conhecimento é limitado, enquanto a imaginação abraça o mundo inteiro, estimulando o progresso, dando à luz à evolução”.

E criatividade é o principal ingrediente do que estamos vendo todos os domingos na praça São José em Campo Mourão. Idealizada pelo Prefeito Tauillo Tezelli e organizada pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SEDEC), a Feira de Economia Criativa, em menos de 4 meses, já torna-se um programa dominical para centenas de mourãoenses.

A ideia de reunir na Praça São José atividades da chamada Economia Criativa – artesanato, coleções, antiguidades, culinária, produção agrícola, entre outras – surgiu de uma demanda da população que já frequentava a Praça, porém buscava algo mais para o domingo com a família. Como a Sedec já desenvolvia um trabalho de apoio e desenvolvimento aos MEI´s – microempreendedores individuais, percebeu-se uma forma de unir as duas coisas.

Soma-se ainda o fato da Economia Criativa ser uma tendência de trabalho bastante em alta no mundo todo, principalmente em períodos de recessão. No Brasil, segundo dados do SEBRAE, o setor tem mais de 2 milhões de empresas e movimenta em torno de R$ 110 bilhões (2,7% do PIB).

Outro ponto que vale destacar é que a Economia Criativa envolve muitos outros setores, que vão bem além do que vemos na Praça São José. O setor envolve também as áreas de design, arte digital, arquitetura, mídia, artes visuais entre outras.

O fato de escolhermos a praça central também é parte de todo o movimento de empoderar e induzir a população a ocupar novamente os espaços públicos da cidade. E a Praça São José veio bem ao encontro de se criar um espaço democrático de convívio, consumo e entretenimento. Afinal, esse espaço tem sua função social, e se buscarmos os conceitos de Praça, veremos que um ponto comum é exatamente o local de reuniões e encontros. “As praças são locais onde o povo se reúne para fins comerciais, políticos, sociais ou religiosos ou, ainda, onde se desenvolvem atividades de entretenimento. A praça contemporânea não tem uma função específica; sua finalidade é a de se constituir um lugar atrativo de encontros e reuniões”, diz a Engenheira Florestal Alessandra Teixeira Silva, em seu artigo A Praça e sua Função Social.

Aos poucos vão chegando os expositores, pequenos produtores, artistas, artesãos, e que hoje já somam uma presença média de 18 tendas, com um faturamento que já passa dos R$ 51 mil reais nas oito edições da Feira. Além do entretenimento, a ideia é que os pequenos empreendedores tenham a oportunidade de se lançar no mercado, testar produtos, testar tendências, comercializar e se expor com o menor custo possível. Se a imaginação é capaz de abraçar o mundo inteiro, por que não imaginar o mundo inteiro abraçando a nossa praça?

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Empreendedorismo se faz com... empreendedores!

Na última semana, perdemos uma pessoa que para mim foi muito especial como amigo, profissional e homem de caráter. Um cara empreendedor à sua maneira. Essa coluna é em homenagem ao Professor João Carlos Leonello.

Já escrevi aqui em outras ocasiões sobre o que é ser empreendedor. Diferente de ser empresário, ser empreendedor é uma postura, um estilo de vida, que permite à pessoa fazer alguma coisa para ver o nascimento de algo positivo, criar algo. Por isso, não precisa abrir um negócio próprio ou ter aquela excelente ideia para ser e agir como um empreendedor.

A carreira é, provavelmente, o maior consumidor de tempo de nossa vida. Então, porque não fazer dela a melhor coisa da vida? Porque não fazer desse tempo o melhor tempo da sua vida? É a sua vida!!  Se tiver uma postura empreendedora e com propósito, pode fazer de seu trabalho seu maior amor e o seu melhor passatempo. E quando vemos alguém perder a vida num flash, isso toma uma importância gigantesca.

A fugacidade da vida não permite que simplesmente passemos os dias. Passar os dias pensando naquilo que poderia ser e não é, naquilo que realmente gosta e fazer e não faz, naquela felicidade adiada pelas obrigações, é a receita para o stress, a depressão, o desânimo. 

O primeiro quesito para superar isso é a paixão, o propósito. Se está em um momento de sua carreira que não gosta do que faz, então mude. Não tenha medo de mudar pelo que realmente faz sentido para você! Porque a sua paixão é o que alimenta seus dias, é o que faz você levantar todas as manhãs – ou desligar o despertador e virar pro outro lado. Ser feliz, mesmo na relação com os outros, depende de sentir-se bem no dia-a-dia.

Não se iniba de sonhar. De buscar seu ideal. Isso não significa ficar insatisfeito ou ingrato pelo que tem. Significa ficar insatisfeito com o que não tem e que gostaria de ter. Isso não é somente em termos de bens materiais, mas também de conhecimento, profissionalismo, bem-estar da família, sonhos pessoais e dos filhos. 

O trabalho que faz sentido é aquele que o ajuda a ser melhor, moldando suas habilidades e competências e permitindo que as use para o bem comum. E é conquistado com esforço, pois ninguém conquista aquilo que gosta sem uma dose de sacrifício.

Você já se perguntou qual o seu papel dentro da sociedade em que atua? Qual será seu legado, sua herança? Como as pessoas se lembrarão de você? Respondendo a essas questões, certamente encontrará seus valores principais, que são a base para seu propósito de vida.

João Appolinário, fundador da Polishop, diz que “qualquer empreendedor tem problemas todos os dias. Mas o empreendedor não pode ser um cara que só enxerga problemas, tem de enxergar oportunidades.”

Pessoas empreendedoras, cada uma de seu jeito, fazem o mundo acontecer. São aqueles seres iluminados que nos provocam a sermos melhores. Seja através do compartilhamento de uma experiência, de uma provocação de melhoria, um conselho ou apenas pelo convívio agradável. Através delas aprendemos a pensar positivamente e agir em prol de uma causa. Com elas percebemos que é necessário lutar, ter iniciativa, persistência e propósito.

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Liderança Cívica

Liderança é ação, não posição. Donald H. McGannon

Essa frase, do Donald H. McGannon, executivo americano da Westinghouse Broadcasting Company, falecido em 1984, resume, em minha opinião, o entendimento de várias questões relacionadas à falta de liderança.

Acontece que tenho visto muitos profissionais, estudantes, donas-de-casa, executivos, enfim, pessoas de todas as classes e categorias profissionais que, num suspiro, expressam: ah, se eu fosse o dono disso, se eu fosse o presidente daquilo, se eu fosse o responsável por aquele outro, aí sim faria diferença!

Ora, quem foi que disse que você precisa de uma posição ou cargo para liderar e fazer as coisas como acha correto?

Quem age dessa forma, além de não se permitir contribuir, ainda deixa uma carga de trabalho e responsabilidade nas costas dos pobres voluntários que assumem os cargos nas instituições!

Falando em liderança cívica e cooperativa, precisamos ir muito além das posições. Se queremos ter um lugar melhor para viver, cada um deve utilizar-se de sua capacidade de mobilização e agir.

Aliás, a palavra mobilização hoje é interpretada como um movimento público, uma manifestação numa praça, ou uma passeata em prol de alguma causa.

No entanto, manifestação significa convocar desejos e vontades para buscar um objetivo comum (parece que já falamos sobre isso?!). As pessoas têm a escolha por fazer ou não, sem precisar de uma posição formal de liderança.

No trabalho de um líder, é comum ser necessária uma ação de mobilização. O líder tem que perceber em que ações a mobilização é a ferramenta a ser utilizada para alcançar os objetivos, pois demandará dele credibilidade e legitimidade.

Isso somente será conseguido com o líder cumprindo o prometido aos seus liderados. Se não se tem autonomia para honrar uma promessa, não se deve assumir compromissos.

E a crise de liderança que vivemos atualmente talvez pela falta exatamente desta credibilidade. Para alcançar os objetivos, o líder deve assumir responsabilidades, motivar seus pares e repassar os créditos de sucesso a seus liderados.

É simples: podemos notar nas cidades mais desenvolvidas que são os empreendedores visionários e os líderes cívicos os fatores críticos de sucesso da sua história. Neste conceito se incluem os prefeitos empreendedores, os líderes políticos e os líderes comunitários que trabalham de forma integrada para o benefício de todos.

Neste contexto, aparece o conceito de líder cívico, que é um articulador de energias sociais através da tríade identidade-confiança-interatividade. O papel do líder cívico é articular e desenvolver as pessoas, despertando o potencial delas para o desenvolvimento de toda a comunidade, atuando para fazer com o que o todo seja maior do que as partes.

A principal crença de um líder cívico é que há desenvolvimento quando os talentos humanos dão o melhor de si. A começar por ele mesmo.

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Meu amigo Pedro

Promova o respeito e verás teus valores respeitados.

Escrevi um texto para a Revista da Acicam há algum tempo e achei interessante relembrá-lo.

O tema central é “Valores”. Valores são princípios morais ou éticos que consideramos bons e importantes. É aquilo que faz sentido para nós. Muitas pessoas passam boa parte da vida sem parar para pensar em quais são seus valores mestres, aqueles inegociáveis. São esses valores governam nossas decisões, e é nos momentos de decisão que nosso destino é traçado. Então, quando você define claramente seus valores, pode decidir com muito mais clareza o quer para sua vida, ou sua empresa. Fica muito claro porque você admira certas coisas e abomina outras.

Raul Seixas, considerado um dos pioneiros do rock brasileiro, falecido em 1989, tem uma música muito interessante, chamada Meu Amigo Pedro, feita em parceria com Paulo Coelho, onde trata com um amigo sobre os valores e a visão de mundo dos dois, que eram bem distintos.

Na música, Raul fala do amigo Pedro, que é um burocrata frustrado, que chora no banheiro, usa sempre o mesmo terno, se queixa da solidão e não sabe se o seu trabalho é bom ou ruim.

Por outro lado, Pedro rotula Raul de vagabundo e louco, e tenta ensiná-lo que a vida é dura, e que ele deve arrumar um emprego.

Sob a ótica de valores, não podemos julgar nem um nem outro. Simplesmente porque o que importa para cada um deles são coisas diferentes.

Enquanto Pedro valoriza a segurança, a seriedade, o trabalho formal como algo dignificante, Raul quer viver da arte e da música, sem compromisso.

A questão começa a “esquentar” quando um tenta convencer o outro a mudar, argumentando que os seus valores é que são os melhores, mais corretos do ponto de vista da aceitação social – que, aliás, é também um valor de muita gente.

Isso tem muito a ver com alguns conflitos que vivemos hoje! Pois, sem uma coerência de valores entre as pessoas, não se constrói um projeto comum.

Numa empresa, por exemplo, se o líder não deixa claro os valores da Organização, dificilmente conseguirá alcançar resultados positivos no longo prazo. Percebe-se que, nutrindo bons valores, será possível obter o engajamento de seus funcionários e chegar a resultados muito melhores.

Conheço empresas que definem seus valores e os colocam em um quadro na parede. Muito mais do que isso, é preciso praticar esses valores por meio das atitudes diárias. Talvez os valores sejam a parte da Identidade Organizacional que mais tenha efeito na gestão das pessoas. Se as ações diárias não são coerentes com o quadro na parede, a confiança é quebrada e os efeitos são nefastos.

Isso vale também para qualquer projeto coletivo, porque quando as pessoas conhecem seus valores e sabem respeitar os valores dos outros, torna-se muito mais fácil a negociação e a convivência entre as partes.

E antes de reclamar que as pessoas não estão engajadas em projetos, empresas ou entidades, lembre-se: As pessoas não deixam as organizações; elas simplesmente abandonam líderes cujos valores conflitam com os seus.

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Somos mais do que isso!

Eu escolho ser otimista. Porque se escolher ser pessimista, tudo acaba antes de começar. Gary Vaynerchuk

Quando estudava no ensino fundamental, havia uma piadinha. Diziam que Deus, ao criar o mundo, foi indagado por um de seus anjos assessores: Senhor, estás criando o mundo, e naquele país chamado Brasil não há terremotos, maremotos, nem vulcões, nem peste! Deus respondeu: ah, mas você não sabe o povo que vou colocar lá!

Naquela época também eu ouvia dizer que o Brasil era o país do futuro. Que era um país “em desenvolvimento”! Quase quarenta anos depois, esse futuro não chegou?

Vivemos nesses anos todos vários ciclos, ora com mais progresso, ora com retrocesso. Em 2016 chegamos a indicadores socioeconômicos idênticos a 10 anos atrás. Deixamos o país retroceder. Deixamos muitos sonhos virarem pesadelos. Deixamos muitos municípios – o nosso inclusive – estacionados econômica e socialmente.

Quero neste texto refletir um pouco sobre o nosso – me incluo – posicionamento passivo enquanto cidadão. Porque há uma mania de pensar que ser cidadão é ter direitos. E que lutar pelos direitos é legitimo, necessário e suficiente. E que nossos direitos têm que ser providos por alguém, seja o Prefeito, o Deputado, o Vereador, o Patrão, o Chefe, o Vizinho. E que se não temos nossos direitos atendidos devemos ter o direito de reclamar.

E é bem nesse aspecto que eu creio que perdemos muito espaço para outros povos. Porque nos depreciamos, nos desvalorizamos e terceirizamos a responsabilidade pelo nosso sucesso. E essa baixa autoestima nos leva a olhar sempre para o copo meio vazio.

Mas o Brasil e o brasileiro precisam ser mais do que isso. Porque somos milhões de honestos a mais do que alguns políticos corruptos. Somos multidões de solidários a mais do que alguns egoístas. Somos uma massa de tolerantes contra alguns racistas e homofóbicos. Somos uma legião de empreendedores e apenas alguns descrentes e desmotivados. Somos muito mais solidários do que alguns indiferentes. Somos um país de riquezas, embora com algumas regiões de pobreza.

Sabe qual é a grande armadilha? É a grande maioria deixar-se levar pelas queixas dos reclamadores de plantão. É desanimar-se a cada crítica recebida. É pensar que a vida é assim mesmo, não conseguiremos passar disso. É começar a achar que não vale a pena discutir porque desgasta. A grande armadilha acontece quando os bons silenciam.

Porque é isso mesmo que os pessimistas, críticos, maldosos e corruptos querem. Apostam no “quanto pior, melhor”. Jogam não para subir, mas para fazer os outros caírem. Buscam o equilíbrio no nível deles, o mais baixo possível.

Essa é a arapuca. É disso que devemos fugir. E nesse caso, fugir significa enfrentar. E enfrentar é argumentar, participar, discutir, apresentar ideias, dar exemplo.

Somos mais do que isso que estamos vendo.

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O que atrai uma empresa

“Você pode ficar desapontado se falhar, mas você está condenado se não tentar” – Beverly Sills.

A existência de programas estruturados para tornar a região ou o município mais atraentes para o investidor é uma boa ideia, pois “despersonaliza” o apoio e o faz mais duradouro.

No Paraná existe, a título de exemplo, o Programa Paraná Competitivo. Criado em 2011 como uma evolução do Paraná Mais Empregos, investe em novas empresas ou na expansão das já instaladas no Estado. Os benefícios são fiscais, como parcelamento, diferimento ou transferência de crédito de ICMS, ou isenção deste imposto na energia elétrica e gás.

Campo Mourão, por sua vez, possui o Pro-Campo, criado em 1995 para incentivar o desenvolvimento industrial do Município. Sua última revisão, em dezembro de 2015, permite ao Município várias formas de apoio ao empreendedor: isenção de tributos, prestação de serviços, alienação subsidiada de imóveis, concessão de direito de uso de barracões industriais e capacitação de mão-de-obra.

Indo um pouco além dos benefícios fiscais característicos destes programas, um município eficiente na captação de empresas pressupõe outros atrativos.

Localização

A localização é importante para a logística, e esta pode ser determinante na planilha de custos de uma indústria. Muitas empresas e indústrias escolhem aonde irão abrir suas filiais pela localização. Estar perto de aeroportos, estradas e rodovias que interligam os Estados, que passam entre grandes polos industriais ou que levam aos portos é um ponto fundamental na escolha do município pelas indústrias.

Infraestrutura

Oferecer a infraestrutura necessária, como tratamento de água, rede de esgoto, estradas e energia elétrica e rede de internet que chegam até as empresas são condições básicas.

Uma oportunidade pode ser tentar trazer os fornecedores das empresas e indústrias que já estão alocados no município. É preciso saber quem são, do que precisam para a produção de seus produtos/serviços, e ir atrás deles, condensando a cadeia no município ou região.

Mão de obra qualificada

Quem nunca reclamou de não conseguir mão-de-obra qualificada? É preciso ver se a cidade terá pessoas que ofereçam esses serviços. As empresas, antes de escolherem onde abrirão novas fábricas e filiais, procuram se informar se a mão de obra da região irá atender suas necessidades. Nesse caso, é preciso se antecipar e procurar por parcerias com escolas profissionalizantes. A presença de boas universidades e incubadoras de empresas aumenta a oferta de mão-de-obra qualificada.

Facilidade na abertura e manutenção

Municípios com processos burocráticos mais céleres, atendimento ao empreendedor centralizado, setores da administração focados no desenvolvimento econômico são diferenciais para novos empreendimentos.

Qualidade de vida

Outro fator, muitas vezes não levado em conta, é o apoio que a cidade oferece para os empresários. Analisa-se se há hotéis, hospitais, escolas, shoppings ou áreas de lazer no município ou em uma cidade ao redor.

De 2000 a 2010, os Estados Unidos viram uma migração de 13 milhões de pessoas da área rural para a urbana. Desse total, seis milhões optaram por morar nos municípios menores. Na prática, isso significa que as grandes cidades vêm perdendo participação na população urbana. Muitas pessoas, empresários ou não, têm fugido dos males das grandes cidades, como custo de vida alto, trânsito caótico e violência.

Cuidar da cidade

Ninguém gosta de trabalhar numa cidade visualmente feia, suja e pouco arborizada. Cada vez mais estes fatores estão sendo levados em consideração.

É necessário extrapolar os aspectos apenas tributários e buscar oferecer diferenciais para novos investidores em nosso município.

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Atração de empresas

A maior força de uma cidade é ter muitos cidadãos instruídos. Martinho Lutero

As cidades geralmente competem para atrair investimentos externos. Não é raro ver prefeitos, vereadores, governadores e deputados lutando para atrair uma empresa de porte para seu reduto eleitoral. E eu considero um anseio justo, por conta da necessidade de geração de empregos e tributos que irrigarão a economia local, tornando-a mais sustentável frente à crescente demanda social.

Uma consideração que faço é a respeito da qualidade do emprego que se pretende gerar. Sabemos que a quantidade de vagas é importante. Melhor as pessoas trabalhando do que dependentes da ação social. Em alguns casos, porém, os empregos gerados podem custar caro à municipalidade. Senão vejamos: uma empresa que detém grande porcentual de sua força de trabalho em níveis salariais mínimos, cria uma demanda ao poder público de investimentos em saúde, educação, transporte, moradia, entre outros, pois seus funcionários certamente não terão condições de arcar com esses custos.

Quero dizer com isso que, por exemplo, uma empresa que gera 200 empregos insalubres de salário mínimo, demandará do poder público a manutenção dessas pessoas através de saúde, educação e transporte gratuito, entre outros custos. Se para atrair essa empresa a cidade abriu mão de impostos e fez investimentos como doações ou serviços, daí então não recuperará esses recursos nem a médio prazo.

Logicamente essa não é uma equação fácil de resolver. Afinal, nenhum governante optaria em não investir em uma empresa que geraria centenas de vagas de trabalho, não é mesmo?

A solução talvez seja mais a longo prazo. Investir na qualidade do emprego. Atração de empresas mais competitivas e tecnológicas, fortalecimento das pequenas empresas locais, para que estas contratem mais ou pelo menos mantenham seus funcionários são algumas apostas. Melhorar o perfil de sua economia através de maior valor agregado, exportações, e incentivos para instalação de empresas de base tecnológica podem contribuir muito.

Bem, o fortalecimento das pequenas empresas locais pode-se buscar de forma mais rápida, pois elas já estão instaladas no município. Necessário o poder público dialogar com o setor produtivo, entender suas demandas, buscar parcerias e dar respostas adequadas. É como aquela história de tentar conquistar um novo cliente e esquecer daquele que já compra na sua loja. As empresas já estão na cidade, então, se o município vai fazer investimentos para atrair outras de fora, pode também fazê-los para as que já estão trabalhando no local.

A vinda de novas empresas é importantíssima também, para oxigenar a economia, trazer novos modelos de gestão, acirrar a concorrência e, claro, ampliar a oferta de empregos e os recolhimentos de tributos.

Neste aspecto, é importante que o gestor municipal tenha em mente o que deve fazer para que seu município oferte condições diferenciadas para atrair empresas de qualidade. Entrar em guerras fiscais ou de incentivos tributários é o pior caminho, pois via de regra as empresas interessadas somente nestes tipos de benefícios não têm muito compromisso com o município.

Enfim, não existe fórmula mágica: a cidade tem que ser atrativa e viável para gerar uma economia saudável, e assim gerar recursos para as demandas sociais cada vez mais crescentes.

Na próxima semana, trarei algumas ponderações sobre o que mais atrai as empresas a uma cidade.

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Poder de compra público

Anda! Parar é covardia e olhar para a cidade do passado é ignorância! Khalil Gibran

Você imagina quantas empresas de Campo Mourão tem um volume de compras de quase 100 milhões por ano? Devem ser bem poucas, mas uma delas é a Prefeitura. Segundo o Portal da Transparência, o orçamento de 2018 apresenta despesas correntes na ordem de 267 milhões. Tirando a folha de pagamento, algumas transferências a entidades, juros e pagamento de dívidas, o restante praticamente todo é consumido comprando-se alguma coisa.

As Secretarias do Município, para fazerem frente às demandas da população, compram produtos e serviços. Combustíveis, manutenção de frotas, material de escritório, equipamentos de informática, veículos e pneus, enfim, uma lista enorme de itens.

Essas compras todas são realizadas com o dinheiro dos impostos, lógico. Então, cada vez que a Prefeitura adquire um bem ou serviço de uma empresa de fora, na prática ela pega nosso dinheiro, e repassa a uma empresa de outro município, para que esta preste um serviço ou entregue um bem. A empresa, por sua vez, emprega pessoas, recolhe impostos e compra matéria-prima na sua cidade de origem. Ou seja, nós pagamos os impostos aqui e os recursos são transferidos para o desenvolvimento de outro Município ou Estado.

O ciclo virtuoso – contrário ao que descrevi acima – seria: o Município usa os recursos que a população pagou de impostos, compra de suas pequenas empresas locais, e estas, por sua vez, empregam a mão-de-obra, recolhem seus impostos, compra matéria-prima do próprio Município. Daí os recursos ficam aqui. A mesma pessoa que pagou o IPTU, por exemplo, pode trabalhar na empresa que fornece o Município, e paga seu salário. Ele compra no supermercado local, que paga o imposto pro Município, e assim a roda gira.

Para acontecer esse ciclo virtuoso, é necessário que ambos os lados – comprador e vendedor – estejam dispostos a colaborar.

De parte da legislação federal, já existem importantes ajustes para permitir aos Municípios darem prioridade às pequenas empresas locais em seus Editais de Licitação. Editais exclusivos a Micro e Pequenas Empresas, possibilidade de pagamento de até 10% a mais para uma empresa local, quando concorrente de uma empresa de fora, são alguns exemplos. Existem outros dispositivos.

O outro lado, no entanto, parece carecer de maior atenção. Pelo menos em Campo Mourão, temos encontrado dificuldades em ter participação de empresas locais nas licitações. Na semana passada comentei sobre uma pesquisa que apontou algumas razões. O fato é que temos diversas concorrências desertas, dificuldade em obter orçamentos e, consequentemente, comprar das empresas mourãoenses.

Preparação e racionalização do processo aquisitivo por parte do Município será fundamental para atingirmos os objetivos. Precisamos repensar o modelo para permitir à pequena empresa local competir nas vendas à Administração Pública. Pregões presenciais, cronogramas de entrega coerentes, registros de preços, ampla divulgação das necessidades de compra, aquisição de cooperativas locais e produtores rurais, celeridade e pontualidade nos pagamentos, enfim, são muitas as possibilidades de a Prefeitura ampliar o volume de compras locais e contribuir para manter os recursos circulando no próprio Município.

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