Sociedade e Desenvolvimento
Uma nova Secretaria

“Quando você não pode, quando você não tem liberdade para pegar sua ideia e transformá-la em um empreendimento histórico, todos nós perdemos” Mark Zukerberg.

Inauguramos nesta terça-feira (8) as novas instalações da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e da Casa do Empreendedor. Com uma estrutura bem mais ampla, e com uma equipe de 15 profissionais, a Secretaria agrega importantes serviços para os empreendedores que pretender investir em Campo Mourão, e principalmente para os que já estão operando do município.

Temos ouvido há tempos sobre as dificuldades econômicas e financeiras dos Municípios. As receitas não crescem na mesma proporção das despesas, e muitos sofrem por não terem recursos para investimentos importantes nas áreas mais demandadas, como Saúde, Educação e Ação Social. Em Campo Mourão não é diferente. Parece que já ouviu algo a respeito, não?

Pois bem... no conjunto de receitas de um Município existem várias fontes, mas no final, todas se dividem em a) aquelas que o Município mesmo consegue gerar – ISS, IPTU, algumas Taxas, etc. .. e b) aquelas que recebe de repasses da União ou do Estado – cota parte do ICMS, Fundo de Participação dos Municípios, SUS, etc... O que importa é que, independentemente da forma que esse dinheiro chega ao Município, ele é gerado de uma única forma: pela atividade econômica. Ou seja, quanto mais aquecida está a economia do País, ou do Município, maior o faturamento das empresas, maiores as vagas de empregos, maiores os salários. Quanto mais competitivas forem as empresas, maior sua chance de crescimento, e, de novo, maiores faturamentos, empregos, salários.

O que muitos municípios fazem é colocar a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, cuja responsabilidade é exatamente a de gerar e desenvolver empresas, empregos e renda, como última na prioridade orçamentária. Ou seja, aquela que deveria auxiliar na irrigação da economia local para gerar recursos é a que menos recebe.

Essa é uma realidade cruel porque não aparece no curto prazo. Se uma Secretaria de Saúde ou Educação por exemplo não funcionam a os efeitos são sentidos rapidamente. Faltou médico, faltou professor, a sociedade percebe na hora e reclama. E isso é legítimo.

Mas se uma Secretaria de Desenvolvimento Econômico não funciona, ou funciona mal, a percepção não é imediata. Sem Políticas Públicas de qualidade para o Desenvolvimento Econômico, a economia municipal vai se enfraquecendo, as empresas vão minguando, os empregos caindo de qualidade e valor, mas isso acontece gradativamente, e vai se tornar grave quando as receitas municipais não crescem. Aí vai faltar o dinheiro para a Saúde, para a Educação.

Municípios que hoje tem condições financeiras melhores são aqueles que fizeram boas escolhas e boas políticas de desenvolvimento. Investiram em empresas de base tecnológica, incentivaram seus jovens a empreender, investiram em Educação para ter mão de obra qualificada.

Estamos, desde 2017, “virando a chave” na política de desenvolvimento econômico de Campo Mourão. Claro que a atração de empresas continua sendo importante e buscada sempre. Para isso temos o Pró-Campo, com possibilidades de incentivos fiscais e econômicos para quem quer se instalar ou ampliar sua empresa. Mas estamos também apostando nas startups, nos Micro Empreendedores, nos feirantes, nas parcerias com as Universidades, que trazem a ciência e a tecnologia para os empreendimentos, na capacitação dos empreendedores e dos jovens.

Embora em questões de orçamento ainda estamos nas últimas posições entre as Secretarias do Município, o apoio da administração tem sido fundamental para nosso trabalho. A busca de parcerias tem se mostrado capaz de viabilizar muitos projetos.

Acreditamos que a nova Casa do Empreendedor, como ponto único de relacionamento com os empresários e empreendedores, trará a agilidade e a desburocratização que almejamos para tornar o ambiente de negócios de Campo Mourão um dos melhores para se investir.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

O que é uma Smart City

“Quanto mais uma cidade educar e treinar o cidadão, mais eles vão estar sensíveis para assuntos e políticas públicas” Alain Grimard, Oficial Internacional Senior da ONU Habitat

Nos últimos anos, um termo que vem ganhando espaço quando se trata de políticas públicas é Smart City, ou Cidade Inteligente.

Por trata-se de um conceito relativamente novo, ainda existem dúvidas sobre o que exatamente significa.

Bem, o conceito de smart cities tem sido usado em diversas partes do planeta como sendo a busca por tornar o presente e o futuro melhores do que foi o passado, tentando solucionar os problemas urbanos, causados pelo crescimento desordenado e predatório com que as cidades se desenvolveram.

Desde Jericó, considerada a cidade mais antiga do Mundo, a primeira organização urbana teria começado por volta 11 mil anos atrás ainda durante a pré-história. Então, as cidades desenvolveram-se como um meio para o fortalecimento da vida humana e de habitação. O surgimento das cidades foi uma resposta natural para as circunstâncias de vida, mas também teve um impacto profundo e duradouro sobre a evolução da espécie humana como um todo (Schuurman, Baccarne, De Marez, & Mechant, 2012).

Acontece que o perfil das cidades foi mudando ao longo da história, passando dos assentamentos, incorporando funções agrícolas, domínio de elites culturais e religiosas, e assim por diante. Após a Revolução Industrial, muitas cidades passaram a ser grandes centros de fabricação, com presença de operários, empresários e a organização para importação e exportação de produtos manufaturados.

Atualmente, os grandes desafios urbanos estão relacionados ao desenvolvimento econômico, inclusão social, segurança, saúde, transporte, entre outros. Porém as recentes tecnologias têm mudando drasticamente as relações entre as pessoas, sua capacidade produtiva, e sua forma de pensar e agir.

No fim dos anos 90, surgiu o termo Smart City para tentar conceituar o desenvolvimento urbano impactado pela tecnologia e inovação. Atualmente, o conceito considera três fatores principais em uma cidade: tecnologia, pessoas e instituições.

No Brasil esse conceito também já existe há algum tempo, e, assim como em outros países, cidadãos e governantes passaram a buscar resolver os problemas comuns utilizando soluções tecnológicas e inovadoras. Aumentar a qualidade de vida das pessoas a partir de um desenvolvimento sustentável é a ideia central. Para isso, recursos, comunicação, serviços devem ser utilizados com visão de longo prazo.

Dependendo da forma como são aplicadas as estratégias, surgem dois tipos de smart cities:

Smart cities focadas na tecnologia – são aquelas que buscam soluções para otimizar o tempo das pessoas, ampliar o acesso aos serviços, investir em tecnologia para a segurança, etc, de maneira integrada. Neste tipo de opção, as melhorias são feitas PARA os cidadãos.

Smart cities focadas na economia – aqui, o empreendedorismo é fomentado para gerar valor para a cidade, fortalecendo a economia com novos negócios e empoderando as pessoas para que elas busquem ter mais autonomia, participação na sociedade e qualidade de vida. São melhorias feitas COM os cidadãos.

Através das atividades da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, buscamos desenvolver o protagonismo, elevar a autoestima e fortalecer o perfil empreendedor dos mourãoenses, para que possam juntos construir a melhor cidade para se viver.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

As ideias do Empreende Week

“Você nunca sabe que resultados virão da sua ação. Mas se você não fizer nada, não existirão resultados”. Mahatma Gandhi

Na semana passada, dois dias antes de iniciar o III Empreende Week, foi publicado o resultado final do Programa Sinapse da Inovação. É um programa de incentivo ao empreendedorismo inovador que busca transformar ideias de estudantes, pesquisadores, professores, empreendedores, em negócios de sucesso oferecendo recursos financeiros e capacitações.

Foram 1.850 ideias inovadoras submetidas ao programa, e, depois de 3 etapas de classificação, restaram as 100 classificadas que ganharão até 40 mil reais para o desenvolvimento do negócio ou produto.

A divulgação dessa lista nos deixou muito felizes, pois Campo Mourão teve 5 das 100 ideias classificadas. Ficamos apenas atrás de grandes centros como Curitiba, Maringá, Londrina, e a única cidade do porte de Campo Mourão com mais classificados foi Pato Branco (7). Mas, ainda mais relevante, foi que as duas ideias vencedoras dos hackathon´s que fizemos no Empreende Week de 2017 e 2018 foram classificadas.

Ou seja, aquele círculo virtuoso que projetamos como resultado da movimentação dos atores locais em prol da inovação está acontecendo. Funciona mais ou menos assim: jovens universitários ou secundaristas são provocados a pensar em soluções para problemas da cidade, ou de alguma instituição ou empresa; organizam-se em grupos, são capacitados, aprendem a pensar criativamente, e propõe projetos. Esses projetos, por sua vez, quando considerados potencialmente viáveis, serão abrigados em algum espaço de pré-inclubação ou incubação, e vai receber mentoria, investimento e apoio. Como decorrência disso, esperamos reter esses jovens em Campo Mourão, criando uma empresa, gerando empregos e investindo aqui.

Já temos bons exemplos acontecendo: além dos dois projetos classificados no Sinapse, vários outros estão sendo desenvolvidos no Hotel Tecnológico da UTFPR e na Incubadora da Fundação Educere.

Com isso, novos espaços surgem: no último dia 19 foi inaugurada a Incubadora da UTFPR, e até o final de 2019 a Secretaria de Desenvolvimento Econômico inaugura, em parceria com o Sicoob, um espaço de coworking e incubação de startups.

Durante o Empreende Week, além das atividades de estimulo ao conhecimento de ciências e tecnologia, os jovens participantes foram desafiados a pensar novos projetos. Realizamos 2 oficinas de Open Inovation, um Hackathon, e o Empreende Move.

Algumas das ideias apresentadas, que poderão virar projetos e futuros negócios desenvolvidos em Campo Mourão:

- Aplicativo para aproximar bandas e bares ou pubs.

- Tratamento de água biológico para corantes de indústria têxtil.

- Uma pulseira para monitoramento de pacientes internados.

- Tratamento de pragas com ozônio.

- Aplicativo para estimular o uso de espaços públicos e sua preservação.

- Plataforma para capacitação de colaboradores do comércio.

- Aplicativo para localização e compartilhamento de caçambas.

- Plataforma de comunicação entre a população e a Secretaria de Meio ambiente.

Entendemos que, ao estimular os jovens estudantes a pensar em desafios que possam ser implementados através de tecnologias, modelos de negócios ou iniciativas deles mesmos, criamos uma cultura de empreendedorismo que, se bem acolhida pelo Poder Público e Instituições, pode transformar o município.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

III Empreende Week começa nesta quarta-feira

Começa nesta quarta, dia 18, a terceira edição do Empreende Week. Um movimento que começamos em 2017, com 40 alunos na Casa da Cultura, que pensaram soluções para a cidade.

Em 2018, já no Parque de Exposições, passaram cerca de 4.000 pessoas pelo evento.

Mas o Empreende Week não é só um evento de 4 dias. É o ponto alto de um movimento que trabalha com a juventude mourãoense no sentido de despertar o pensamento inovador e empreendedor.

Durante todo o ano, são várias palestras, encontros, mentorias, reuniões, entre outras coisas, trazendo para Campo Mourão o que acontece de mais contemporâneo no mercado de startups e inovações.

Como já escrevi aqui há algum tempo, nossa utopia é que os jovens venham estudar em Campo Mourão, e, contagiados por um ambiente empreendedor, transformem suas ideias em Negócios, iniciem aqui suas Startups, e gerem empregos de alto nível em nossa Cidade. Assim, teremos um virtuoso ciclo de educação gerando empreendimentos, que investem no município, que atrai mais talentos, que estudam e empreendem aqui.

Na próxima quarta, na Praça São José, iniciamos a terceira edição do Empreende Week, que este ano tem como tema central o Meio Ambiente, e vai contar com a seguinte programação básica:

Quarta dia 18 – 19h40 – Praça São José: Palestra com Átila Iamarino, do Canal Nerdologia do Youtube – se não conhece o Átila, pergunte pro seu filho adolescente. Ele vai conhecer. O canal Nerdologia tem mais de 2,5 milhões de seguidores.

Quinta, dia 19 e sexta, dia 20, o evento acontece no Campus da UTFPR.

Lá, acontecem várias competições, como o Lançamento de Foguetes, Construção de Pontes de Palito de Sorvetes, Robótica, Concurso de Cosplay, e duas oficinas de Open Innovation, onde os participante trabalham o dia todo em uma solução para um problema proposto.

Os visitantes também contarão com várias oficinas, como drones, desafios cerebrais, instrumentos musicais.

Aliás, uma novidade do EW 2019 é o espaço Empreende Music & arts, que pretende mostrar que é possível empreender também nas artes. Serão palestras com artistas que contarão como sobrevivem da arte, além de apresentações culturais.

Há também uma programação voltada a quem já é empresários e quer acompanhar o que há de mais novo em inovação. Serão palestras, reuniões e bate-papos no espaço Sebrae, o Sebrae Talks. Quer saber quem vem? Tiago Romeritz, que era do site Omelete e agora está o E-Banx, Luis Ajita, presidente do Sicoob, Carlos Walter, presidente eleito da Fiep, entre outros.

Na sexta à tarde iniciamos o Hackathon, que nesta edição será como tema Soluções para Resíduos Sólidos. A equipe vencedora ganhará um prémio de R$ 1.500,00 em dinheiro.

Fique por dentro e participe do maior evento de ciência, tecnologia, inovação e empreendedorismo da região. Acompanhe pelo site www.empreendeweek.com.br.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

Informalidade

“Uns queriam um emprego melhor; outros, só um emprego. Uns queriam uma refeição mais farta; outros, só uma refeição”. Chico Xavier

R$ 1,2 trilhão!! Este é o total de movimentação da economia informal no País em 12 meses, segundo estudo realizado pelo Instituto de Ética Concorrencial (ETCO), em parceria com o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE). O período apurado é de julho de 2017 a julho de 2018.

Esse valor equivale a praticamente 17% do PIB brasileiro, e é superior ao PIB de países como Dinamarca e Irlanda.

O ETCO chama de “economia subterrânea” a produção de bens e serviços não reportada ao governo deliberadamente, com o objetivo de sonegar impostos, não contribuir com a Previdência, descumprir leis e normas regulamentadoras ou trabalhistas, para reduzir custos.

Outro dado, desta vez da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, mostra que exigem 37,3 milhões de brasileiros trabalhando na informalidade. Ou seja, quase 40% da população que trabalha de alguma forma. Se considerarmos que em 2002 eram 56%, há uma melhora. Mas ainda distante de qualquer indicador aceitável.

Algumas explicações para a informalidade tão alta podem se dar pela recessão que o país atravessa, e também por questões culturais e estruturais.

Conforme já citei aqui em algumas oportunidades, o ambiente de negócios do Brasil é um dos piores do mundo. Burocracia, dificuldades de acesso a crédito, inúmeras normas trabalhistas e fiscais, altíssima tributação.

Alguns setores são mais afetados: na área do vestuário, por exemplo, com a qual trabalhei alguns anos, presume-se que 35% de tudo que é vendido sofre algum tipo de irregularidade, como pirataria, meia-nota, emprego informal, ou materiais não apropriados para a produção das roupas.

Outro setor importante que também sofre com a informalidade é o da Construção Civil. Segundo o Sinduscom/PR, o custo elevado para contratação é um dos principais fatores. O presidente do Sindicato, Sérgio Crema, em entrevista para a revista da Fiep, cita que as obrigações sociais de uma construtora formal giram em torno de 140% sobre o valor do salário.

Se, por um lado, um empreiteiro contratado informalmente não tem esse custo, o risco no setor é enorme para o contratante, pois este absorve todo o risco trabalhista e social.

Avanços seriam possíveis com iniciativas que tornem o ambiente de negócios mais eficiente, com custos menores para a produção, um sistema tributário mais inteligente e racional – e obviamente com uma carga tributária menor e melhor distribuída.

O aspecto educacional também merece ser abordado. Principalmente em épocas de crise, há um abandono das escolas por parte dos adolescentes que precisam ajudar a família. No entanto, isso gera um círculo vicioso e cruel: sem estudo, não consegue o emprego formal. Ao ir para a informalidade, não consegue condições de melhores estudos. Políticas públicas que permitissem aos jovens maior acesso a estágios remunerados, sem que saíssem da escola, talvez ajudem a reverter esse quadro.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

Liberdade econômica

“A lei da economia não respeita e nem tolera quem pretende receber sem dar”. Napoleon Hill

Numa semana em que a Amazônia foi assunto quase que exclusivo em todas os noticiários, o Senado aprovou – com algumas alterações – a MP da Liberdade Econômica, que agora vai para sanção do Presidente da República. A MP foi justificada pela necessidade urgente de afastar a percepção de que, no Brasil, o exercício de atividades econômicas depende de prévia permissão do Estado. Esse cenário deixaria o particular sem segurança para gerar emprego e renda.

Figurando na 150º posição no ranking de Liberdade Econômica da Heritage Foundation/Wall Street Journal, 144º posição no ranking de Liberdade Econômica do Fraser Institute, e 123º posição no ranking de Liberdade Econômica e Pessoal do Cato Institute”, o Brasil vê na MP 881 o empoderamento do particular contra os excessos de intervenção do Estado, com vistas a estimular o empreendedorismo e o desenvolvimento econômico.

No sumário executivo da MP, lê-se que “A liberdade econômica é fundamental para o desenvolvimento de um país, ainda mais no caso do Brasil, que atualmente está mergulhado em crise econômica. Estudos envolvendo mais de 100 países a partir da segunda metade do século XX comprovam essa relação entre a liberdade econômica e o progresso”.

Entre os principais pontos da MP, que busca eliminar ou reduzir procedimentos administrativos e burocracias que dificultam o exercício da atividade econômica e consomem tempo e recursos públicos desnecessariamente, alguns merecem destaque:

1) Registro de ponto

O registro dos horários de entrada e saída do trabalho será obrigatório para empresas com mais de 20 funcionários, contra mínimo de 10 empregados atualmente.

2) Alvará e licenças

Atividades de baixo risco, que representam a maioria dos pequenos comércios, não exigirão alvará de funcionamento.

3) Fim do e-Social

O Sistema, que unifica o envio de dados de trabalhadores e de empregadores será substituído por um sistema mais simples.

4) Carteira de trabalho eletrônica

A emissão de novas carteiras de Trabalho será preferencialmente em meio eletrônico, com o número do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) como identificação única do empregado.

5) Documentos públicos digitais

Documentos públicos digitalizados terão o mesmo valor jurídico do documento original.

6) Desconsideração da personalidade jurídica

Será proibida a cobrança de bens de outra empresa do mesmo grupo econômico para saldar dívidas de uma empresa. O patrimônio dos sócios de uma empresa será separado do patrimônio da empresa em caso de falência ou execução de dívidas.

7) Negócios jurídicos

As partes de um negócio poderão definir livremente a interpretação de acordo entre eles, mesmo que diferentes das regras previstas em lei.

O texto foi remetido para sanção presidencial, o que deverá ocorrer até o dia 12/9. Como diria o Ely Rodrigues: “Vamos aguardar para ver o que vai dar”.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

Havan? A, vá!!

“Se você não quer errar, fica sentado em casa, você não erra. Tem que tomar a coragem de tomar decisões e, se estiver errado, troca ela, acerta ela”. Luciano Hang

17 de agosto de 2019. Estava descendo a rua São Paulo rumo à nova loja da Havan, prestes a ser inaugurada. Eram 8h30 da manhã. A abertura das portas ao público estava marcada para 10h. Ainda assim, era grande o número de pessoas que começavam a chegar para a tão esperada inauguração.

Entrando na loja para a parte inicial do evento, reservada à autoridades, imprensa e amigos do empreendedor Luciano Hang, pude notar que o grupo de 150 funcionários contratados para a unidade mourãoense já se encontrava lá, de uniforme e coroa, animados por um colaborador e exclamando palavras de motivação.

Fizemos então um tour pela loja, liderados pelo anfitrião, até que chegamos ao ponto onde encontravam-se os colaboradores. Luciano sobe ao palco e profere uma palestra motivacional a todos os presentes com maior foco, obviamente, a seus novos colaboradores.

Um dos principais defensores da direita, Luciano Hang coleciona polêmicas e transita entre o amor e o ódio por todo o Brasil. Por isso, não me atreverei nesse texto a abordar questões políticas ou pontos de vista defendidos ou atacados por ele.

Minha intenção aqui é tecer algumas observações quanto ao impacto da 130ª loja da Havan na economia de Campo Mourão.

Primeiro, as partes mais óbvias: geração de 150 postos de trabalho diretos e recolhimento de impostos (a empresa faturou em 2018 R$ 7,3 bilhões de reais).

Outro ponto importante é que fortalece o comércio de Campo Mourão como polo regional. Segundo estudos, já temos um coeficiente de faturamento no comércio acima da média, o que demonstra que o comércio é atraente regionalmente. A coisa funciona como um shopping. Mais pessoas vão a um shopping à medida que este tenha as chamadas “lojas âncoras”, as grandes chamarizes. Para a cidade, funciona igual. Mais pessoas virão a Campo Mourão pela Havan, e parte de suas necessidades será atendida por outros segmentos do comércio local.

Mas o que me chamou a atenção durante a visita do sábado, e onde creio que será a grande contribuição da Havan para Campo Mourão será na inovação do varejo e mudança no modelo de gestão de muitos lojistas locais.

Senão vejamos: a loja é bonita, moderna, e diferente das outras lojas da Havan, principalmente daquelas que têm mais de dois ou três anos. Houve uma profunda mudança no modelo de lay-out, decoração e exposição. Ou seja, mesmo numa empresa que está crescendo a níveis chineses, não há estagnação. Recado: inove, mude, atraia seu cliente com novidades.

Mais um aspecto: um grande envolvimento da equipe e valorização de cada colaborador. Pessoas com muitos ano de casa sendo valorizados e servindo como inspiração aos jovens entrantes. O próprio presidente da empresa de 20 mil pessoas trazendo uma mensagem junto à equipe, e demonstrando confiança nela. Na frente de seus convidados e clientes. Recado: coloque sua equipe em primeiro lugar. Se seu funcionário não gosta de sua empresa, você espera que seu cliente vá gostar?

Terceiro e último pela limitação do espaço: experiência de compra. A Havan é mais do que uma loja. Se posiciona como um ponto de encontro, até turístico, colocando estátuas da liberdade na frente das lojas e proporcionando um ambiente de interesse ao seu público.

Creio que a visão que se deve ter é de aproveitar a Havan como uma oportunidade, aprendendo com o que ela traz de novidade. Recursar-se a mudar e lamentar por um grande concorrente que chega só vai levar ao fracasso. Afinal, existem mais 129 lojas espalhadas pelo Brasil, e em todos os municípios ainda existe comércio.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

A inovação nossa de cada dia

“Se eu perguntasse a meus compradores o que eles queriam, teriam dito que era um cavalo mais rápido”. Henry Ford

Estamos trabalhando junto à Câmara de Inovação do Codecam um texto para a criação da Lei de Inovação de Campo Mourão. É uma iniciativa para estimular um ambiente de negócios mais inovador para nossa cidade, atingindo não só empresas mas também organizações e poder público.

Para efeitos da Lei, obviamente haverá um “corte” no conceito de inovação, para contemplar as iniciativas em que possa haver incentivos ou subsídios e que possam gerar novos produtos ou serviços.

Mas hoje, gostaria de ressaltar que o conceito de inovação não pode ser entendido como aquela coisa de startup do Vale do Silício, ou aquelas invenções disruptivas que criam novos produtos diferentes e aposentam os que utilizamos hoje.

Aliás, é bem o contrário: atualmente, é quase obrigação pensar em inovação, qualquer que seja seu ramo de atividade.

Se pegarmos a palavra innovatia, termo latino que origina a palavra inovação, ele representa uma criação que não tem equivalente em padrões anteriores. Porém, hoje em dia, o conceito vai bem além disso. Pode-se inovar em porte de empresa, seja através da melhoria (inovação incremental), ou da introdução de algo totalmente novo (inovação disruptiva).

O importante é considerar que, se não estimular a inovação nas empresas ou organizações, estará destinando-as ao obsoletismo e ao lugar-comum no mercado.

Nesse aspecto, um dado preocupante é que os empreendimentos iniciais brasileiros apresentam baixíssimo potencial inovador. Em 98,8% dos casos o produto não é novo para ninguém, em 99,5% a tecnologia existe há mais de cinco anos e em 98,6% os consumidores estão apenas no Brasil. Estes dados são da Pesquisa GEM – Global Entrepreneurship Monitor sobre Empreendedorismo no Brasil.

A falta de planejamento e inovação nos novos negócios que surgem no Brasil podem explicar em parte, o ainda elevado número de empresas que fecham antes de completar dois anos no mercado, pois, apesar de a inovação não ter o mesmo nível de importância em todas as áreas, na maioria das atividades a inovação é essencial para manter a empresa em nível de competitividade.

Pensar em novos produtos, novos processos, novas abordagens de mercado, novos modelos de negócios são essenciais para atender a clientes que estão diariamente sendo bombardeados com novidades. É preciso ousadia, como na frase de Henry Ford, para criar novas necessidades e novos mercados.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

Faça algo malfeito

“Tornar o simples complicado é lugar-comum; tornar o complicado simples, isso é criatividade”.

Charles Mingus, músico de jazz.

 

O texto a seguir não é meu. É de autoria de Steve Chandler, consultor e treinador em liderança para mais de 20 empresas da Fortune 500.

Às vezes, não fazemos certas coisas porque não temos certeza de que iremos fazê-las bem. Achamos que não estamos com vontade ou energia suficiente para cumprir aquela tarefa, então adiamos, ou esperamos até que a inspiração venha a nós.

O exemplo mais conhecido desse fenômeno é o que os escritores chamam de “bloqueio criativo”. Uma barreira mental parece se erguer, impedindo o escritor de continuar a escrever sua obra. Às vezes, é tão grave que muitos procuram um psicólogo para ajudá-los.

O “bloqueio” (ou falta de automotivação) ocorre não porque o escritor não consegue escrever, mas porque ele pensa que não pode escrever bem. Ou seja, ele acha que não tem energia ou inspiração para escrever algo que seja bom o suficiente. Então, a voz pessimista dentro de si o desencoraja, o faz duvidar da própria capacidade. Isso acontece com muitos de nós, mesmo com algo tão insignificante quanto um e-mail ou um relatório.

Mas o escritor não precisa de terapia para resolver isso. Basta compreender como a mente humana funciona no momento do “bloqueio”. A cura para o bloqueio criativo – e também o caminho para a automotivação – é simples: ir adiante e escrever mal.

A escritora Anne Lamott tem um capítulo em seu maravilhoso livro Palavra por palavra chamado “Primeiros esboços ruins”. A chave para escrever, ela afirma, é apenas começar a produzir qualquer coisa – pode ser o pior texto que você já escreveu, mas não importa. “Quase toda boa escrita começa com primeiros esboços ruins”, diz Anne. “Você precisa iniciar de alguma maneira. Comece pondo alguma coisa – qualquer coisa – no papel.” Com o mero ato de digitar um texto, você enfraquece a voz pessimista que tenta convencê-lo a não tentar. De repente, está escrevendo. Uma vez que entra em ação, fica mais fácil obter mais energia e qualidade para o seu trabalho.

Um exemplo pessoal de como acabamos desistindo de algo pelo receio de não fazê-lo com perfeição é quando penso em correr para me exercitar. Por julgar que não estou em grande forma, a voz diz “Hoje não”. Mas a cura para isso é sair para correr de qualquer jeito. “Não estou com vontade de correr agora, então vou dar um trote bem devagar, de um jeito bem preguiçoso que não vai me levar a nada, mas pelo menos terei cumprido a tarefa.” No entanto, assim que começo a correr, algo sempre acontece que muda o que eu estava sentindo antes. No final, percebo que a corrida foi ótima e me fez muito bem.

De muitas maneiras, somos todos escritores. Nossos livros são as nossas vidas. E muitos de nós sofrem de uma forma trágica de bloqueio criativo que nos leva a não escrever mais nada. É uma tragédia mesmo, porque no fundo todos somos muito criativos. Poderíamos escrever uma vida maravilhosa. Só que temos tanto medo de escrever mal que acabamos não preenchendo sequer uma linha.

Não deixe que isso aconteça com você. Se não está motivado para fazer algo que sabe que precisa fazer, resolva fazer mal e porcamente. Permita-se rir de si mesmo. Seja péssimo naquilo que está fazendo. Depois surpreenda-se com o que vai acontecer assim que iniciar o processo.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

Escassez de liderança no Brasil

“Liderança não é sobre títulos, cargos ou hierarquias. Trata-se de uma vida que influencia outra” – John C. Maxwell.

Semana passada, durante algumas palestras que realizei para servidores na Sipat, apresentei alguns dados referentes à escassez de liderança no Brasil.

São várias pesquisas sobre o assunto: O IBC – Instituto Brasileiro de Coaching, durante o Congresso Brasileiro de Treinamento e Desenvolvimento, entrevistou 266 pessoas, e entre os principais resultados estão:

a) 97% afirmaram que existe escassez de líderes no mercado, e

b) 74% afirmaram que os líderes de suas empresas não estão preparados para desenvolver novos talentos.

Outra pesquisa com público semelhante, em 4.400 entrevistas realizadas em todo o Brasil identificou que apenas 14% dos entrevistados consideram que receberam toda a preparação necessária para a liderança ao serem promovidos. Na mesma pesquisa, de 50 diretores de RH respondentes, 54% acreditam que o novo líder não tem as habilidades suficientes para a função.

Outra pesquisa, a Global Workforce Study – 2016 constatou que somente 54% dos empregados brasileiros confiam no trabalho da alta liderança de suas organizações. Metade dos respondentes acredita que os líderes têm sincero interesse no bem-estar dos empregados, enquanto apenas 48% consideram bom o trabalho feito pela liderança de sua organização no que se refere ao desenvolvimento de futuros líderes.

E continua... 56% dos empregados avalia os gestores de forma positiva em relação à clareza na comunicação de metas e atribuições e somente 47% acham justas decisões tomadas em termos de remuneração vinculada ao desempenho. Quando o tema é tempo para lidar com as pessoas no trabalho, a avaliação cai ainda mais, com apenas 44% dos participantes avaliando positivamente o papel dos gestores neste quesito.

Em 2018, o grupo Cia de Talentos apresentou a 17ª edição da pesquisa Carreira dos Sonhos. Esta edição do estudo foi realizada em nove países do continente americano. Foram 87.161 mil respondentes somente no Brasil, no total a pesquisa falou com mais de 130 mil pessoas, e os resultados trazem um panorama do que os jovens, a média gestão e a alta liderança estão enxergando e esperando do mercado de trabalho atual.

A pesquisa mostrou que apenas 54% dos jovens, 55% da média gestão e 63% da alta liderança confiam nos seus CEO’s. Esse dado indica que o cenário atual é de desconfiança nas organizações.

Um outro estudo, realizado pelo Grupo Empreenda, demonstra que 71% das empresas dizem não terem líderes suficientes, em quantidade e qualidade, para garantir a execução estratégica das empresas nos próximos anos. O estudo mostra também que as empresas não acreditam que seus modelos de gestão estejam adequados: 27% das organizações acredita ser preciso reinventar o modelo atual e mais de 70% dizem necessitar, ao menos, fazer algum ajuste.

Nesse sentido, é preciso ter em mente que cada vez mais serão necessários líderes em maior quantidade que no passado. As empresas e instituições precisam investir em liderança em todos os níveis se quiserem se manter competitivas. As empresas que liderarão mercados no futuro serão aquelas que souberem desenvolver lideranças transformadoras – e não apenas gerentes eficientes.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]