Sociedade e Desenvolvimento
Desindustrialização

Industrializar aceleradamente o país; transferir do exterior para nosso território as bases do desenvolvimento autônomo; fazer da indústria manufatureira o centro dinâmico das atividades econômicas nacionais - isso resumiria o meu propósito, a minha opção. — Juscelino Kubitschek 1902 - 1976

Estivesse JK vivo, veria quão séria é a redução da indústria de transformação no Brasil. Nos anos 80 e 90, no ponto mais alto da industrialização, esse setor representou 35% da produção nacional. Hoje não é nem 12% e está caindo.

O Brasil está experimentando uma das maiores desindustrializações da história, em um período muito curto, e isso é muito preocupante, pois a indústria é um setor estratégico do ponto de vista de geração de novas tecnologias, desenvolvimento regional, crescimento da produtividade e contribuição ao balanço de pagamentos, por exemplo.

O IBGE divulgou em março os dados consolidados referentes ao ano passado. Em 2018, a indústria de transformação contribuiu com apenas 11,3% do PIB do Brasil, sendo este o menor percentual de toda a série histórica, a preços correntes, iniciada em 1947 (conforme gráfico).

Enquanto na China cada 20 unidades monetárias 3 são geradas na indústria, no Brasil esse número foi de 1,13 em 2018. A continuar assim, a participação da Indústria no PIB será de menos de 10% daqui a dois anos, afirmam alguns economistas.

Além dos graves problemas conjunturais, a indústria vive profundo colapso estrutural. É como se ela estivesse parada no caminho de duas locomotivas, a da manufatura asiática liderada pela China e a da nova revolução industrial, compara Fernando Sarti, professor do Instituto de Economia da Unicamp.

Sem uma forte ação para frear esse movimento, o Brasil continuará perdendo terreno no mercado internacional, podendo ficar fora da revolução tecnológica que acontece mundo afora. Enquanto o mundo caminha para a Indústria 4.0, o Brasil parece ter parado na Indústria 2.0.

Planejamento, política industrial moderna, reforma tributária, investimentos públicos podem ser caminhos para reverter essa tendência e devolver o crescimento industrial ao país.

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Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

O desafio de assumir a ação coletivamente

"Se quer ir rápido, vá sozinho. Se quer ir longe, vá em grupo." - Provérbio Africano

Creio que é desnecessário reforçar o quanto a competitividade do mundo atual afeta a nós todos. Seja no âmbito de empresas, equipes ou mesmo instituições, todos somos direcionados a buscar soluções inovadoras e incrementar produtividade em nossas atividades.

Bem, não conheço forma mais eficaz de resolver essa equação do que engajar pessoas dispostas a trabalhar com sua causa. A má notícia é que está cada vez mais difícil fazer isso. Os modelos de liderança atuais são menos eficientes a cada dia.

Conheço organizações que, em nome da competitividade, promovem estratégias de atuação que levam ao individualismo, à não-cooperação, pois as pessoas são motivadas a apresentar metas cumpridas, resultados individuais, em detrimento de ações duradouras em equipe.

Os líderes tradicionais, nestas organizações, consideram o poder como uma autoridade singular. Eles retêm informações e entregam soluções aprovadas. Criam uma dependência de certas funções e responsabilidades, o que limita a atuação de seus seguidores. É uma forma de empoderamento.

Por outro lado, líderes que assumem a ação junto com seu time são considerados líderes colaborativos, e reconhecem que o poder é a maior motivação em seu time. Eles promovem processos através de ideias vindas da própria equipe, através de reuniões de brainstorming, por exemplo, e encorajam o compartilhamento de ideias e sugestões.

Ao assumir a ação juntamente com seu time o líder desenvolve um ambiente de co-criação, senso coletivo e compartilhamento de responsabilidades. E o engajamento da equipe sobrepõe as dificuldades individuais.

Líderes colaborativos acreditam que dar poder às pessoas é a melhor forma de competitividade. Líderes colaborativos não se preocupam em liderar porque detém mais informações e conhecimentos, ao contrário, lideram porque sabem compartilhar.

Líderes colaborativos encorajam sugestões, facilitam brainstorming, e incentivam ideias surgidas no grupo.

Líderes colaborativos buscam causas de seus problemas, não ficam na superficialidade de tratar sintomas.

Madeleine Carter, quando escreveu para um projeto de pesquisa do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, definiu cinco qualidades do líder colaborativo:

a. São ávidos ouvintes

b. São otimistas quanto ao futuro

c. São corajosos para assumir riscos

d. Têm paixão pela causa

e. São dispostos a compartilhar conhecimentos, poder e reconhecimento.

As organizações estão mudando. A liderança está mudando. O futuro será dos líderes que assumem a ação junto com sua equipe.

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Políticas para a prosperidade 3

O melhor programa econômico de governo é não atrapalhar aqueles que produzem, investem, poupam, empregam, trabalham e consomem.

Irineu Evangelista de Sousa, o Visconde de Mauá

Eficiência Regulatória é outro dos indicadores de liberdade econômica medidos pela metodologia da Heritage Foundation. Este indicador se subdivide em liberdade de negócios, liberdade de trabalho e liberdade monetária.

A liberdade de negócios é a possibilidade de qualquer pessoa estabelecer um empreendimento sem a interferência indevida do Estado. As regulações do estado, quando exageradas, pesadas e redundantes inibem o empreendedorismo e aumentam os custos de produção, tirando a competitividade das empresas.

Dentre todas, as regulações vinculadas ao licenciamento de novas atividades ou novos negócios são aquelas que mais inibem o empreendedorismo, pois oneram em tempo e dinheiro o empreendedor antes mesmo de começar a faturar.

Por isso, alguns países adotam um procedimento extremamente facilitado para obtenção de uma licença para abrir um negócio, deixando-o tão simples como enviar um formulário e recolher uma pequena taxa. Assim, enquanto em Hong Kong, por exemplo, obtém-se uma licença com o preenchimento de um único formulário e em poucas horas, no Brasil o processo pode levar meses, exigir inúmeras idas e vindas à repartições públicas e autorizações dos burocratas de plantão. Aliás, Hong Kong aparece em terceiro lugar entre os melhores países para negócios no ranking 2019 da Forbes.

Liberdade de Trabalho, outro indicador, relaciona-se com a capacidade das empresas de contratar livremente e dispensar trabalhadores quando houver necessidade, assim como com a habilidade dos indivíduos de procurar oportunidades de emprego e trabalho.

A intervenção do Estado nesse indicador se dá através de várias formas, como exigências de locais de trabalho, limites nas horas trabalhadas, restrições nas contratações e demissões, entre outras normas. Assim, os sindicatos é que devem ter um papel importante na regulação da liberdade de trabalho, pois, dependendo de sua atividade, podem ser uma força a favor de mais liberdade ou um impedimento para a geração de empregos, à medida que oneram demasiadamente as empresas, gerando dificuldades tanto para estas como para os trabalhadores.

Quanto um país adota regulações trabalhistas muito rígidas, impedem empregadores e empregados de negociarem livremente seus termos e condições de trabalho, o que frequentemente geral desajustes entre oferta e demanda no campo trabalhista.

O terceiro indicador deste índice aponta que para se ter liberdade monetária, o país deve ter uma moeda estável e preços determinados pelo mercado. Quem se lembra dos tempos de alta inflação no Brasil deve recordar da dificuldade de criar qualquer projeto de longo prazo, acumular capital e até empreender.

Países com liberdade econômica buscam uma política monetária com foco em combate a inflação, estabilidade de preços e preservação das suas riquezas, gerando confiança nas pessoas, e permitindo investimentos, poupanças e outros planos de longo prazo.

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Políticas para a prosperidade 2

Não pode haver liberdade sem liberdade econômica. Margaret Thatcher

Semana passada comentei sobre o índice de Liberdade Econômica, que é medido pela Heritage Foundation desde 1995. Como citado, esse índice afere 12 aspectos da liberdade econômica, agrupados em 4 categorias:

- Tamanho do governo (Carga Tributária, Gastos do Governo e Saúde Fiscal)

- Estado de Direito (Direitos de Propriedade, Eficiência Judicial e Integridade de Governo)

- Eficiência Regulatória (Liberdade de Negócios, Liberdade de Trabalho, Liberdade Monetária);

- Mercados Abertos (Liberdade de Comércio Exterior, Liberdade de Investimento e Liberdade Financeira)

No Brasil fala-se muito em diminuir o tamanho do governo, então vou começar por esse indicador.

Ele é dividido em três sub-categorias: Carga Tributária, Gastos do Governo e Saúde Fiscal.

Carga tributária: todos os governos impõem encargos fiscais sobre a atividade econômica. Logicamente, é preciso fazer fundos para garantia dos direitos da população. No entanto, quando os governos permitem aos indivíduos e empresas gerenciar uma parcela maior de usa renda, maximizam a liberdade econômica. Por outro lado, quando a participação do governo é maior na renda ou riqueza, torna menor o retorno das pessoas para a atividade econômica, e portanto, menor o incentivo para empreender. Em linhas gerais, impostos elevados diminuem a atividade econômica.

Existe um teoria, a Curva de Laffer, que representa a relação entre os valores arrecadados com um importo a diferentes alíquotas. Ela ilustra que, a partir de uma certa carga tributária, a receita começa a declinar. Vários economistas estimam que a carga tributária máxima antes do início da queda na arrecadação estaria por volta de 30 a 33%.

Gastos do Governo: as despesas do governo são bastante diversificadas, e alguns gastos governamentais não são necessariamente prejudiciais. Por exemplo, gasta-se para desenvolver infraestrutura, custear pesquisas, gasta-se em bens públicos, etc. Porém todo gasto governamental precisa ser financiado por impostos, portanto tirando recursos do privado para o público. Consequentemente, quando excessivos, estes gastos geram o esvaziamento da atividade econômica, conforme já vimos. Mesmo quando tenta-se um crescimento econômico por meio da intervenção pública – contratação de obras, por exemplo, essa expansão é apenas temporária, pois ao final da obra o investimento deve ser pago por todos nós.

Saúde Fiscal: para entender se os gestores respeitam os princípios de um governo eficiente, basta analisar o orçamento de um governo. Ao organizar a alocação de recursos, o orçamento deve sinalizar claramente em que áreas o governo vai interferir na atividade econômica, e em que proporção. Mas, principalmente, o orçamento reflete se o governo é comprometido com uma gestão financeira eficiente.

Ao apontar déficit e crescimento da dívida pública, além da má gestão, o principal dano é a deterioração da saúde fiscal do país, o que gera incertezas econômicas e limitam a liberdade econômica.

Se um governo apresenta déficits consecutivos, principalmente se for gerado por gastos de consumo e não de investimento, causará a diminuição do crescimento geral, e pode levar à estagnação econômica em vez do crescimento.

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Políticas para a prosperidade

Para construir um mundo melhor, nós precisamos ter a coragem de fazer um novo começo.  Nós precisamos remover os obstáculos e liberar a energia criativa dos indivíduos. Nós precisamos criar  condições favoráveis ao progresso em vez de planejar o progresso. Friedrich A. Hayek

Vou iniciar hoje uma sequencia de colunas para tratar de políticas para a prosperidade e liberdade econômica.  Como sabemos, a liberdade econômica é um componente fundamental para a dignidade humana, pois permite autonomia e fortalecimento das pessoas. Por isso, poderia considerar que teria um valor em si mesma. Porém, consideramos que, tão importante quanto isso, é o fato de que a liberdade econômica permite progresso e sucesso econômico.

Essencialmente, a liberdade econômica diz respeito à autonomia das pessoas, a liberdade de escolha que é desfrutada pelo indivíduo ao adquirir e usar bens de caráter econômico. A questão defendida por essa tese é que os indivíduos devem ter independência e responsabilidade de cuidar de si mesmo e de sua família, seguindo suas prioridades e valores pessoais, ao invés de ter sua vida decidida pelo governo ou mandatários que não consideram as particularidades sociais.

Desde 1995, existe um índice de Liberdade Econômica, que é medido pela Heritage Foudation – uma entidade sem fins lucrativos e apartidária, com sede em Washington, nos Estados Unidos.

Esse índice afere 12 aspectos da liberdade econômica, agrupados em 4 categorias:

- Estado de Direito (Direitos de Propriedade, Eficiência Judicial e Integridade de Governo)

- Tamanho do governo (Carga Tributária, Gastos do Governo e Saúde Fiscal)

- Eficiência Regulatória (Liberdade de Negócios, Liberdade de Trabalho, Liberdade Monetária);

- Mercados Abertos (Liberdade de Comércio Exterior, Liberdade de Investimento e Liberdade Financeira)

Cada aspecto medido tem um efeito no crescimento econômico e na prosperidade de um país. A lógica é que, políticas que promovam mais liberdade estimulam o crescimento, que, por sua vez, é um elemento básico no nível de prosperidade duradoura do território.

Talvez você esteja imaginando que posição o Brasil ocupa neste índice. Uma pista para descobrir isso é imaginar o quanto você se sente tutelado pelo governo. Por exemplo: o governo faz uma reserva financeira compulsória para o trabalhador (o FGTS), porque? Porque acredita que o brasileiro não terá disciplina para formar seu patrimônio, e quando for demitido passará dificuldades? Esse e outros exemplos de regulamentação ao invés de liberdade fazem o Brasil ser a 153ª economia mais livre do mundo no Índice de 2018.

Gostaria de explicar que o objetivo da liberdade econômica não é a ausência de coersão ou restrição por parte do Governo, mas a criação de um senso comum de liberdade. Algumas ações governamentais são necessárias, logicamente, para promover a evolução pacífica da sociedade civil. Porém, ao longo da história, os governos impuseram restrições de toda ordem à atividade econômica, muitas vezes em nome de proteção ou igualdade, mas que criaram benefícios de interesses não tão sublimes, e, atravancam o progresso em muitas áreas.

Nas próximas semanas, continuaremos a explorar esse tema e também a detalhar melhor o estudo de liberdade econômica publicado em 2018.

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As melhores desculpas para não mudar de vida

Converso constantemente com empresários e líderes, acerca de suas dificuldades, seus objetivos e o que têm feito para atingi-los. E é incrível quantas pessoas indicam outros responsáveis pelas suas falhas. E essa fala quase sempre vem acompanhada de uma explicação, uma espécie de justificativa para sua atuação limitada.

Essas justificativas eu chamo de desculpas verdadeiras, pois, na maioria das vezes, são verdade mesmo. Mas ainda assim são desculpas. E desculpas verdadeiras são paralisantes, pois à medida que se tornam crenças limitantes, reforçam a nossa zona de conforto e nos mantém nela.

Separei algumas das melhores (ou seriam as piores?) desculpas que ouço por aí:

1. Não tenho dinheiro. A maioria dos líderes bem-sucedidos trata um empreendimento como a ciência de realizar mais com menos: menos dinheiro, menos pessoas e menos tempo. Enfrente a realidade. Nunca terá o dinheiro suficiente. Se não tem capital suficiente para conseguir seu objetivo da maneira que planeja, mude o seu plano.

2. Não tenho tempo. Essa é a mais clássica. Todos têm a mesma quantidade de tempo, a única diferença é o que você está disposto a fazer com o seu. Imagine que ficou preso debaixo de um desabamento e tem apenas 24 horas de oxigênio disponíveis. Tenho a certeza que não irá verificar a sua conta de Whatsapp ou Facebook ou conversar com um amigo ou ficar horas em frente à televisão. Tenho a certeza que irá cavar, cavar e cavar durante as 24 horas até conseguir sair. Aplique o mesmo nível de importância e urgência para alcançar o que pretende e verá que consegue ter tempo para tudo.

3. Não sei como fazer. Sem problemas. Aprenda. Leia um livro. Volte para a escola. Leia 10 livros. Converse com os seus amigos. Busque ajuda de especialistas. Tudo isto parece-lhe muito difícil? Grande o suficiente para não valer a pena? Então aceite o fato de que nunca irá ter essas habilidades e pare de se queixar.

4. Não consigo pensar numa grande ideia. Sonhar com algo completamente novo é muito, muito difícil. Reagir e trabalhar sobre o que já existe é muito, muito mais fácil. O Google não foi o primeiro buscador na Internet, nem o Facebook foi o primeiro nas mídias sociais. E muitos outros exemplos mostram que a inovação nunca é um fez e está feito; ao contrário, baseia-se em aperfeiçoar ideias e inovações anteriores. Novo é difícil de imaginar. Melhor é muito mais fácil. A maioria das carreiras e negócios são construídos sobre melhorar e não sobre o novo.

5. É extremamente difícil. Quando você olha para um problema como um todo é difícil. Mas focar nos passos individuais é bem mais fácil. Se você sentado no seu sofá durante anos e de repente decide correr uma maratona, você está certo: é muito difícil. Mas nada o impede de sair à rua e correr um ou dois quilômetros. Até pode nem ser correr, basta andar. É possível dar um pequeno passo em direção a um objetivo difícil. Depois outro. Depois outro. Ninguém consegue atingir qualquer meta difícil do dia para a noite, mas qualquer um consegue dar um passo, ainda que pequeno, para alcançar esse objetivo.

Pense nas mentiras que anda contando a você mesmo, e arranje uma desculpa para buscar seus objetivos!

Até a próxima.

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O Líder baseado em valores

Hoje em dia razão e o amor quase não andam juntos. William Shakespeare

Talvez não faça sentido falar que estamos numa época de mudanças, marcada pela complexidade e velocidade das informações. Isso seria falar mais do mesmo, daquilo que já estamos ouvindo há tempos.

Quanto a isso não há novidades. Ou você já percebeu e concorda com isso, ou, se ainda não percebeu, não adianta falar mais.

O que talvez possamos acrescentar a este tema seria uma tentativa de buscar explicações mais profundas de porque é um desafio tão grande para as organizações e para as lideranças.

Senão vejamos: a revolução tecnológica e informacional – vide mídias sociais, como exemplo - traz a possibilidade para as pessoas questionarem cada vez mais as verdades absolutas, o que cria um vale-tudo interpretativo em que qualquer afirmação pode ser desconstruída com base em outra perspectiva teórica, metodológica, ou simplesmente por preferência pessoal.

Então, aquelas visões compartilhadas da realidade, que ajudavam a remar em uma mesma direção e cooperar de modo a produzir melhores frutos para indivíduos e comunidades, é um desafio muito maior hoje do que já foi no passado.

A superficialidade do debate atual infelizmente proporciona a destruição de tradições, o cultivo do individualismo e a interpretação equivocada de muitas situações.

Diante disso, o líder precisa, cada vez mais, desenvolver sua capacidade de engajar seus colaboradores e liderados. Pois aquela antiga coerção pela necessidade de trabalhar não tem mais o peso que tinha antigamente. Mesmo estando empregado, há inúmeras formas de não cooperar, o que ameaça a sustentabilidade das empresas ao longo do tempo.

Construir uma cooperação necessária ao trabalho depende de várias atitudes do líder, como construir um significado do trabalho, estabelecer laços sociais entre os indivíduos da organização e destes com a empresa, e principalmente, da percepção de valor que a organização produz para seus clientes e para a sociedade de forma geral.

Daí surge um conceito do qual tenho falado em várias oportunidades: a liderança baseada em valores.

O líder que trabalha baseado em valores é aquele que enxerga que deve trabalhar com sentido, ética e realização, e não somente em pressão por resultados e redução de custos. Este líder, dizendo não ao coitadismo (já tratei deste tema aqui anteriormente) e ao pessimismo, encontra espaços para mobilizar as pessoas na construção de alternativas possíveis e necessárias, que façam sentido para elas. É uma espécie de antídoto para aquelas soluções fáceis, mas que não são duráveis.

Nas empresas com mentalidade antiga, como o empreendedor tinha profundo conhecimento do seu negócio, tinha mérito quem entrega o melhor resultado financeiro, produtivo ou operacional. Ou seja, fazia o que lhe era mandado.

Hoje, com a complexidade das demandas e das oportunidades que surgem dia-a-dia, as pessoas precisam de outro tipo de motivação. O mérito passa a ser, então, da capacidade de inovar, de agregar novos conhecimentos, do compartilhamento de experiências e resultados.

É necessário mais do que nunca estabelecer vínculos de valores entre as organizações e as pessoas, que serão sustentáveis a longo prazo e que tornarão as empresas mais sustentáveis também. Manter o mando e a coerção com base na pressão por resultados deve ser substituído por criar um grupo com base no consenso e confiança. O que é muito mais sustentável e duradouro.

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Empreendedorismo e a Economia Local

"O segredo do empreendedorismo é ter 100% de convicção com apenas 80% da resposta" Aaron Levie

Sempre que faço alguma apresentação sobre a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão eu falo das 3 premissas que adotamos em nosso projeto:

1) Desenvolvimento tecnológico

2) Pequenas Empresas Locais Competitivas

3) Empreendedorismo como Alavanca da Economia Local.

Hoje gostaria de explanar um pouco sobre a terceira, ainda que já tenha tratado esse tema por muitas vezes.

Fato é que ainda existem confusões acerca do tema Empreendedorismo e Empreendedor, pois as origens teóricas partem de duas visões distintas, porém complementares.

A primeira visão de Empreendedor, de Schumpeter, identifica-o como empresário, aquele que inicia e gere um negócio. É, portanto, uma visão econômica.

Ao longo do tempo surgiu uma nova visão, baseado na teoria comportamental, capitaneada principalmente por David McClelland, que trouxe as 10 Características do Comportamento Empreendedor – CCE´s.

Mas como o empreendedorismo – aquele dos negócios – infuencia e é influenciado pela Economia?

Alguns dados podem ser reveladores, por exemplo:

1) Com a crise econômica que o Brasil enfrentou nos últimos anos, houve um aumento nas taxas de empreendedorismo no país. A Casa do Empreendedor de Campo Mourão, em 2017 e 2018 abriu mais de mil novos Mei´s, aumentando em 20% o total de Micro Empreendedores Individuais no Município.

2) O Brasil encerrou o ano de 2018 com cerca de 2,5 milhões de novas empresas formalizadas, o maior já atingido desde que a pesquisa começou a ser feita, em 2010. A alta foi de 15,1% se comparado a 2017, segundo o Serasa Experian.

3) No último mês de fevereiro, as Micro e Pequenas Empresas geraram, 125,2 mil empregos com carteira assinada, o equivalente a 72,3% do total de vagas no país. Para se ter uma ideia, é 3,5 vezes mais do que o saldo de empregos gerados nas grandes empresas.

4) Os fundos de capital de risco aplicados nas startups de tecnologia, em 2017, cresceu 207%, chegando ao recorde de 2,86 bilhões de reais, segundo a Lavca, a Associação Latino-Americana de Fundos de Capital de Risco.

5) Pelo menos 41% dos micro e pequenos empresários do varejo e do setor de serviços pretendem investir em seus negócios nos próximos três meses, demonstra um levantamento feito em fevereiro pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

Bem, são apenas alguns dados que demonstram a importância do empreendedorismo para a economia local e do país. Além da produção de riquezas, também porque contribui para mudanças positivas em toda a sociedade.

Trabalhamos para criar um ambiente favorável ao empreendedorismo que estimule cada vez mais pessoas a transformar seu sonho em realidade.

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Smart Cities, Smart People.

Pessoas inteligentes entendem a importância das pessoas em seus arredores para obter apoio, oportunidades e criar um ambiente saudável. Pessoas inteligentes podem gerar um ambiente agradável para a cidade e uma força de trabalho positiva. Tomar decisões inteligentes em diferentes situações leva as pessoas a encarar a realidade e julgar-se honestamente para superar os problemas. Shristi Gupta, Syed Ziaul Mustafa, and Harish Kumar, em Pessoas Inteligentes para Cidades Inteligentes.

Pelo segundo ano, tivemos a oportunidade de participar do Smart City Expo Curitiba, evento mundial que discute soluções e aplicações para cidades inteligentes.

O congresso abrangeu quatro temáticas principais:

1) Viabilizando Tecnologias para cidades inteligentes, trouxe fornecedores e desenvolvedores de soluções para as cidades, envolvendo inteligência artificial, internet das coisas, robótica, startups e empreendedorismo, entre outros assuntos.

2) Cidades criativas, sustentáveis e humanas foi o segundo tópico e teve debates relacionados a cidades verdes, economia colaborativa, bem-estar e qualidade de vida e inclusão social.

3) Governança em cidades digitais foi o terceiro tema, e dedicou-se a tratar sobre Governo Aberto, tecnologias para o cidadão, estratégias das cidades inteligentes e governança inteligente.

4) Por fim, Planejando cidades inovadoras e inclusivas, foi uma vertente que abordou assuntos como gestão de resíduos, energia sustentável, mobilidade, mudanças climáticas, entre outras.

Foram dois dias de muitas novidades, desde equipamentos, modelos de gestão pública, investimentos privados, todos relacionados à transformar a forma como viveremos nas cidades no futuro.

Dentre tudo que pudemos observar e discutir, duas me chamaram particularmente a atenção:

Primeiro, um consenso entre os debatedores e especialistas que estiveram no evento, foi o aspecto relacionado às pessoas: sejam os dirigentes, gestores públicos, empreendedores, ou cidadãos comuns, uma smart city não se torna realidade sem as pessoas. Pessoas que precisam estar tão conectadas quanto os dispositivos, pois só tem sentido um cidade inteligente se for a serviço do seu morador.

Nesse sentido, o desenvolvimento de uma cidade inteligente envolve vários especialistas, como consultores, empresas, especialistas em marketing e autoridades municipais, para enquadrar como a cidade inteligente pode ser conceituada, compreendida e planejada.

O outro aspecto, derivado do primeiro, é a definição de uma agenda, ou seja: um propósito ao qual deve ser seguido. Caso não exista clareza na visão de futuro da cidade, o que deseja em termos de futuro. Sob risco de investir muito e não chegar a lugar nenhum, simplesmente por dispersão de energia e recursos.

É necessário cada vez mais que as pessoas estejam conectadas, focadas, buscando qualificação, aprendizado ao longo da vida, flexibilidade e criatividade. Smart people para smart cities.

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Burocracia: transformando o fácil em difícil através do inútil

"A burocracia tem um poder de sedução incrível: parece que está se produzindo algo, mas, não está..." Oseias Faustino Valentim

- Desculpe, Senhor! Sua Carteirinha de Idoso está vencida! Precisa ir pessoalmente ao Órgão responsável, com seus documentos, preencher e assinar em três vias o requerimento, ir até o Banco recolher a taxa e retirar sua nova Carteirinha após 3 dias úteis! Ah, essa retirada também deve ser pessoalmente, caso contrário deverá mandar uma autorização com firma reconhecida com quem for retirar!

Ao que o Idoso respondeu: - Por acaso, após dois anos, eu deixo de ser idoso, pra ter que renovar a Carteirinha?

Quem nunca ouviu algo parecido de um órgão do qual estava aguardando um documento essencial para cumprir a legislação? Quem nunca se incomodou em receber todo tipo de justificativa para seu pedido demorar muito mais do que o razoável, quando se trata de Governo?

Pois bem... o Brasil é considerado o país mais burocrático do mundo. Segundo estudos do Banco Mundial, as empresas gastam em média 1.958 horas por ano para cumprir todas as regras do Fisco. Na planilha da burocracia tributária no Brasil estão 63 tributos, 97 obrigações acessórias e 3.790 normas. No papel, uma extensão de seis quilômetros de burocracia, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação - IBPT. Isso pra pagar imposto!!

Em Campo Mourão, fizemos um levantamento no final de 2018 mapeando o processo a ser percorrido para a abertura de uma empresa. O resultado foi de que demora-se entre 90 e 251 dias para que todos os trâmites sejam cumpridos.

Para ter sucesso, um empreendimento depende do conhecimento, da capacidade produtiva – própria ou da equipe, do talento econômico e ainda da aceitação de seus clientes, fornecedores, empregados, credores e investidores. A burocracia, por sua vez, apenas precisa obriga-lo a obedecer às decisões dos burocratas de plantão, que, muitas vezes sem nunca ter pisado no chão de uma fábrica, exercem poderes arbitrários e o forçam a trabalhar em função de regras discutíveis e nem sempre razoáveis.

Porque, ao contrário do empreendedor, que precisa ter uma visão abrangente sobre seu negócio e seu mercado para sobreviver, os burocratas pensam cada um na sua caixinha. O empreendedor não pode forçar ninguém a comprar seus produtos: se comete um erro, se não atende bem, ou se tem o preço um pouco acima do mercado, seu cliente simplesmente vai embora, e ele assume os prejuízos. O burocrata não corre esse risco: se ele comete um erro, você sofre as consequências. Se o processo te obriga a apresentar vários documentos, várias vezes, para várias repartições, o problema é seu.

Algumas iniciativas estão sendo tomadas no sentido de desregrar o Estado. Mas ainda muito tímidas e carentes de lógica e agilidade. Não há investimentos visíveis em integração de dados, automação e agilização de processos.

É preciso que os gestores dos Serviços Públicos nas 3 esferas assumam uma postura de empreendedorismo público e cidadão, e, assim como o empreendedor econômico, busque na criatividade, na iniciativa e no protagonismo as ações necessárias para mudar essa realidade do país. Só espero que a burocracia não atrase a desburocratização.

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Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]