Sociedade e Desenvolvimento
Capital Social: um pilar do desenvolvimento local

"Se quer ir rápido, vá sozinho. Se quer ir longe, vá em grupo." Provérbio Africano

Faça uma análise de qualquer projeto ou case de desenvolvimento local ou regional e encontrará um ponto importantíssimo e comum em todos eles: o Capital Social. Não estou falando aqui daquele Capital Social que aparece no Contrato das empresas, refiro-me à capacidade de relacionamento entre os atores da cidade ou região em prol de um objetivo comum.

Conceitos mais modernos de desenvolvimento, que suplantam o econômico, trazem a premissa de que, para ser sustentável, o processo tem que ser também integrado, endógeno e abranger a todos os envolvidos. Juarez de Paula, meu ex-colega de Sebrae, em seu livro Desenvolvimento Local Como fazer?, apresenta quatro pontos-chave para o processo se perpetuar: Capital Humano, Capital Social, Capital Empresarial e Capital Natural. Em síntese, significa olhar para as pessoas, para as relações entre elas, para o econômico e para a natureza.

Porém, essa teia somente se mantém ao longo do tempo se estiver ancorada nas relações entre as partes, o tecido, o Capital Social. Porque requer o crescimento dos níveis de cooperação e confiança entre as pessoas. Não há metodologia, processo, discurso ou recurso suficientes, se não houver a participação efetiva e o empoderamento das pessoas.

Já tivemos em nosso município várias tentativas de criar movimentos para pensar o futuro, criar projetos de longo prazo e trabalhar pelo desenvolvimento sócio-econômico local e regional. Todos tiveram sua importância e contribuição, e alcançamos avanços importantes. Na minha modesta opinião, o fundamento de sustentação destas e de quaisquer outras iniciativas passa pela constituição de um Capital Social forte, seja institucional, de lideranças ou das pessoas envolvidas.

Durante muitos anos trabalhei com projetos de Desenvolvimento Local em dezenas de municípios, e vi muitos planos excelentes acabarem no fundo das gavetas. Mas também pude ver projetos medianos alcançarem resultados fantásticos baseado no engajamento, comprometimento e entusiasmo de pessoas que assumiram o protagonismo e fizeram as coisas acontecerem.

É mister, portanto, que se constituam redes de cooperação e ajuda mútua, onde a confiança e a solidariedade sejam os princípios norteadores. Precisamos deixar um pouco de lado o paradigma da competição. Em quaisquer aspectos, ao olharmos somente para a “lei do mercado”, a “lei do mais forte”, ou até aquela famosa “Lei de Gérson”, não é possível avançar com sustentabilidade. Após certo ponto, as relações se deterioram, as lideranças se enfraquecem, o processo míngua.

O novo paradigma é o da diversidade, flexibilidade, interdependência, cooperação e parceria. Estas são as condições de sustentabilidade dos sistemas complexos. Basta olharmos com uma visão sistêmica, ou seja, olharmos o todo, na sua complexidade e no dinamismo da relação entre as partes, que vamos constatar que nada está isolado, tudo faz parte de uma densa teia de relações, uma grande rede. Essa rede deve ter seus nós bem apertados, firmes, não pode se romper. E, caso haja o rompimento de um nó, os outros devem ser fortes o suficiente para manter a teia.

“Portanto, o capital social é essa teia, esse tecido, essa rede de conexões, que quanto mais forte, mais capaz será de gerar desenvolvimento sustentável. O capital social é o produto da confiança e da cooperação entre os atores sociais, que lhes confere organização, capacidade de participação e empoderamento. O desenvolvimento, de certa forma, é produto do capital social”, cita Juarez de Paula.

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Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

Um movimento a favor do futuro

Na última sexta feira, dia 10, realizou-se na Acicam um encontro cujo tema principal foi a discussão de Estratégias de Desenvolvimento Local. A partir da apresentação de diversos exemplos de municípios que criaram projetos de longo prazo a partir de movimentos sociais organizados, lideranças mourãoenses tiveram a oportunidade de perceber a importância de assumir o protagonismo e trabalhar em conjunto para a construção de um futuro mais próspero para o município e região.

Após uma série de provocações do Secretário Estadual Silvio Barros, principalmente chamando a atenção para as novas tecnologias emergentes e seu impacto no planejamento das cidades, foi a vez da apresentação de um dos mais emblemáticos exemplos de organização social em prol de um projeto de desenvolvimento que eu conheço: o Codem de Maringá.

Num segundo momento, uma parte mais técnica apresentada por executivos dos Conselhos, trouxe boas práticas adotadas por Conselhos já constituídos em municípios Paranaenses.

Meu objetivo aqui é trazer algumas reflexões e considerações sobre estes movimentos e as lições aprendidas por eles.

Em primeiro lugar, é necessário que os envolvidos com o planejamento da Cidade, sejam do poder público ou da sociedade organizada busquem saber quais serão os desafios do futuro, as tecnologias que estão a surgir e como elas afetarão a vida das pessoas na cidade.

A partir de um grupo de pessoas comprometidas com o território é que um projeto dessa natureza começa. Normalmente surge num momento de crise, como foi o caso de Maringá, que viu sua economia fraquejar em meados de 1990, o que fez as lideranças se moverem para mudar a realidade da cidade e não terem que mudar de cidade.

O compromisso com a cidade deve ser acompanhado da parceria entre o movimento da sociedade civil organizada com o poder público. O movimento social deve ser auxiliar dos poderes constituídos e não mais uma instância reivindicatória. A cumplicidade entre essas forças é condição sine qua non para que o desenvolvimento aconteça. Porque serão forças complementares. Nas situações em que o poder público não pode agir, seja por questões de caráter legal, burocrático ou político, é onde a sociedade entra. O contrário também é verdadeiro. Cada um contribui com sua parcela de responsabilidade.

Um outro aspecto que gostaria de destacar é a condução do processo propriamente dito. As lideranças devem cuidar para ter uma metodologia de trabalho, que agregue pessoas, não crie concorrência com outros conselhos ou movimentos existentes, e que permita a participação construtiva daqueles interessados em contribuir. Gerar pequenos resultados no curto prazo é importante para manter a motivação do grupo.

Usar experiências anteriores do município, buscar benchmarking em outras regiões com projetos semelhantes, harmonizar a competência dos envolvidos e das entidades que representam são cuidados importantes para a manutenção do movimento.

E, complementarmente, um bom diagnóstico, que demonstre a “realidade real” e que permita uma expansão dos conhecimentos das pessoas acerca de seu ambiente é fundamental. Como disse Albert Einstein, “nós não podemos resolver um problema com o mesmo estado mental que o criou”, então é necessário ampliar os horizontes, entender as razões das dificuldades pelas quais passamos, e avaliar com clareza as potencialidades que deverão ser exploradas para a consecução do objetivo comum.

Por ora, a última observação diz respeito à necessidade de recursos para viabilizar os estudos e uma equipe técnica. O comprometimento de lideranças voluntariamente é importante, o conhecimento dessas pessoas é um diferencial importante, mas chegará o momento em que será preciso contratar profissionais, empresas, estudos que subsidiarão as decisões e ações do Conselho.

Campo Mourão iniciou o movimento e criou seu conselho, o Codecam. Com o apoio da administração pública e de diversas entidades, inicia-se este importante processo de pensar além de mandatos eleitorais, visando projetar uma Campo Mourão mais forte, sem perder a capacidade de acolher a todos e promover um desenvolvimento sustentável, humano e contínuo. É imprescindível neste momento inicial que superemos os egos, prelevemos os erros, e caminhemos juntos com os olhos no futuro que sonhamos para nosso município.

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Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

Aceleração de Empresas

Um conceito relativamente novo no mundo do empreendedorismo no Brasil, especialmente no campo de empresas de tecnologia, é o de Aceleração de Empresas.

Mas porque empresas podem ou devem ser aceleradas? O que é acelerar uma empresa? Que benefícios isso traz?

As primeiras experiências de aceleração de empresas surgiram no EUA (sempre eles) em 2005, ligadas às startups – empresas de tecnologia.

O modelo utilizado se baseava em investir cedo nos projetos, aportando um pequeno capital e oferecendo um programa para ajudar as empresas a chegarem do ponto A ao B de maneira mais rápida. Mentores e investidores fechavam o resto da equação, apoiando os empreendedores com a sua experiência e capital.

Em 2007 o movimento se expandiu para a Europa e em 2011 chegou ao Brasil. E então surgiram as Aceleradoras, empresas especializadas em oferecer esse suporte às empresas nascentes, de forma a buscar o desenvolvimento e rápido crescimento de startups, auxiliando-as a obter novas rodadas de investimento ou a atingir seu ponto de equilíbrio - quando elas conseguem pagar suas próprias contas com as receitas do negócio.

Um programa de aceleração, no entanto, não consiste somente em aportar capital. Aliás, é cada vez mais evidente que o capital não financeiro, o chamado capital inteligente, tem efeito tão ou mais positivo na consolidação da empresa.

Além do recurso financeiro, um programa de aceleração deve conter:

Acesso ao Mercado - uma rede de relacionamentos com grandes empresas, por exemplo. Permite-se, dessa forma, que as empresas aceleradas tenham acesso a oportunidades de negócios em seus mercados.

Acesso a Investidores - A apresentação a investidores pode ocorrer tanto de forma coletiva, quanto de forma individual, durante ou após o programa de aceleração, de forma a permitir que startups com diferentes necessidades de capital e em diferentes setores consigam captar.

Mentoria - De forma a complementar os conhecimentos e a experiência do empreendedor, o programa pode oferecer um quadro de mentores diversificado, contando com outros empreendedores mais experientes, empresários e especialistas em temas específicos. O mentor é um guia, um conselheiro, alguém com vasta experiência profissional no campo de trabalho da pessoa que está sendo ajudada. A mentoria é talvez a ferramenta de desenvolvimento profissional mais importante, e consiste em uma pessoa experiente ajuda outros menos experientes.

Workshops - Todos os empreendedores das empresas aceleradas recebem inúmeros treinamentos e capacitações, geralmente abrangendo áreas como inovação, desenvolvimento ágil, marketing, aspectos jurídicos, finanças, negociação, oratória, captação de investimento, entre outros.

Benefícios com Parceiros – algumas aceleradoras contam com uma série de parceiros que oferecem serviços e descontos para as empresas aceleradas, o que permite a elas economizar recursos.

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico tem um projeto para a criação de um Centro de Inovação, que contará com espaço de coworking, espaços para incubação e um programa de Aceleração. Já existem alguns projetos de aceleradoras públicas com bons resultados, e a intenção é lançar a novidade em Campo Mourão também.

Por outro lado, fizemos em 2017 uma adaptação do conceito de Aceleração de Empresas para atender aos Micro Empreendedores Individuais – MEI´s atendidos pela Casa do Empreendedor. Com resultados bastantes satisfatórios, a versão 2018 do programa está sendo lançada nos próximos dias. O objetivo do VOA MEI – Programa de Aceleração para Empreendedores Individuais – é oferecer a oportunidade de ter acesso a informação, mentoria, crédito e capacitação para transformar seu negócio e buscar um patamar mais alto de empreendimento.

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Um ano de desafios

“A política é quase tão excitante como a guerra e não menos perigosa. Na guerra a pessoa só pode ser morta uma vez, mas na política diversas vezes.” - Winston Churchill

No final de 2017, falava-se muito entre o empresariado que 2018 seria um ano difícil. Copa do Mundo e Eleições normalmente tumultuam o ambiente econômico no Brasil e fazem com que as empresas e os investidores segurem o ritmo.

Bem, passada a Copa do Mundo, que afinal foi um pouco mais curta para nós do que o esperado, entramos no segundo semestre com a perspectiva eleitoral.

Se o primeiro semestre não demonstrou grande reação da economia, a perspectiva é que até as eleições de outubro o país pare de vez.

O Congresso Nacional está em recesso, e são poucas as chances de que, após o seu término, os deputados e senadores voltem a um ritmo de trabalho condizente com o que o país necessita. Pelo contrário, a probabilidade é de que saiam a seus redutos eleitorais a caça dos votos.

Com isso continua o marasmo que tomou conta de 2018. Nenhuma votação importante, nenhuma reforma significativa, decisões tomadas sob a pressão do eleitoralmente correto, nada de ações que possam desagradar eleitores.

Então, enquanto os Governantes Federais e Estaduais estão de olho no poder a partir de 2019, você, empresário e empreendedor, passa por mais um período de grandes desafios para se manter no mercado.

Além das questões de ordem legislativa e executiva ficarem estagnadas, há ainda uma grande incerteza em relação ao próprio processo eleitoral e seu desdobramento – leia-se resultado das urnas.

A economia encontra-se numa encruzilhada, pois ainda é muito incerto o cenário eleitoral. A começar pela própria elegibilidade de Lula, que pode ser decidida em mérito final somente após as eleições. Ou seja, se ele puder ser candidato, poderá, em caso de vitória, tomar posse? Num cenário desses, quem arrisca empreender ou investir no país?

Mas, ainda que resolvida a questão do líder do PT antes do pleito, há ainda muitas incertezas quanto ao perfil do candidato eleito, bem como seu poder de liderança para fazer acontecer as reformas necessárias.

Um vencedor de características reformistas, vencendo a eleição com um percentual de votos significativo e maioria no Congresso pode levar o país a enfrentar mais rapidamente suas agruras e avançar nas questões mais urgentes, como a reforma da Previdência, por exemplo. Este cenário poderia levar o país a um patamar de crescimento do PIB de 3% ao ano, indicam alguns especialistas.

Por outro lado, com um presidente conservador eleito, o mercado pode sentir um cenário antirreformista instalado, o que segundo os analistas, poderia causar um efeito negativo forte. A avaliação é de que a economia brasileira teria maior percepção de risco, podendo levar a uma desvalorização do real, aumento de inflação e juros, afastando ainda mais investimentos e crescimento econômico. Neste cenário, o PIB não cresce mais de 1% a.a., indicam economistas.

Um exemplo que ilustra essa situação é uma entrevista da diretora-geral da Sephora no Brasil, Flávia Bittencourt, no site UOL Economia. Segundo a executiva, a abertura de novas lojas no país vai ficar para 2019. Apesar de afirmar que acredita no país, opta pela cautela na hora de decidir a expansão da rede.

Infelizmente, é o que temos para esse período. É uma realidade para muitas outras empresas. Precisamos agir com prudência, mas em perder o otimismo. Acima de tudo, buscar as melhores opções para as eleições, pensando no interesse coletivo e no melhor para o país. E acreditar que teremos a partir de 2019 um país melhor para nós, nossas empresas e nossas famílias.

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Qual é o papel do Poder Público na geração de emprego?

"O primeiro passo rumo ao sucesso é dado quando você se recusa a ser um refém do ambiente em que se encontra" – Mark Caine, jornalista

É comum em épocas de campanha os candidatos prometerem gerar emprego. Mas qual é o papel do Poder Público na geração de vagas de trabalho? A não ser que o prefeito contrate gente para trabalhar na Prefeitura, que é a única forma direta de atender a esta promessa, as outras formas serão sempre relacionadas a dar condições e motivos para os empreendedores fazerem isso. Seja através de novas contratações para as empresas que já existem, seja através da criação de novas empresas no município.

É notório que o Brasil de forma geral tem um ambiente hostil para o empreendedorismo. Enorme carga tributária, legislação ultrapassada, burocracia excessiva são, entre outros, fatores que afastam qualquer motivação para empreender ou contratar mais colaboradores.

Além disso, criou-se ao longo do tempo uma visão de que é um excelente negócio ser funcionário público. Emprego estável, em geral com carga horária menor do que o setor privado, bons salários, aposentadoria integral, e outros atrativos levam cada vez mais pessoas a quererem fazer um concurso público.

Percebemos isso quando vamos fazer palestras ou apresentações da Secretaria nas Faculdades ou Escolas de Campo Mourão. A cada 100 jovens, 95 pelo menos não pensam em empreender. E 90 querem fazer concurso.

Mas, voltando ao tema principal, cabe ao poder público mitigar estas dificuldades para permitir que cada vez mais pessoas possam trabalhar e obter renda, seja através do emprego, seja através do empreendedorismo.

Para isso criam-se políticas públicas de desenvolvimento econômico. Em Campo Mourão, estamos trabalhando com a revisão e ampliação da Lei das Micro e Pequenas Empresas. Foi criado, em novembro de 2017, o Comitê Gestor Municipal das Micro e Pequenas Empresas, com a missão de fazer implementar no município as prerrogativas legais de incentivos às ‘MPEs” já existentes no Brasil desde 2006, com a criação da Lei Geral federal.

Um dos principais aspectos relacionados ao trabalho deste Comitê é a criação do chamado “ambiente mais favorável” para empreender. Com iniciativas de desburocratização, simplificação de processos, acesso a crédito, entre outros, espera-se que as pessoas consigam iniciar e manter seus negócios, gerando mais empregos.

De acordo com o Sindicato das Micro Empresas de São Paulo – SIMPI, em média uma micro empresa gera 7 empregos diretos e 15 indiretos. São números como estes que nos fazem acreditar o caminho para uma economia mais sustentável passa pelos pequenos empreendedores.

Outra iniciativa que tem gerado bons resultados é a Casa do Empreendedor. No primeiro semestre de 2018, foram atendidas quase 4000 pessoas, e criaram-se 357 novos micro- empreendedores. Numa conta rápida, se metade destes novos empresários tiverem um auxiliar, o que é permitido por lei, teremos mais de 500 pessoas que saíram da fila do desemprego e estão gerando sua própria renda.

Precisamos de pessoas que queiram transformar seus sonhos em realidade, através do empreendedorismo. Mas precisamos de Políticas Públicas que não obstruam esse desejo. Cabe ao Poder Público e às entidades de apoio criar condições de desenvolvimento de novos negócios e ampliação daqueles que já estão no mercado.

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Política x gestão pública

O Brasil progride à noite, enquanto os políticos estão dormindo. Elias Murad

Neste texto, vou me permitir usar o vocábulo “Política” como sinônimo da Política Partidária, essa que nós vemos diariamente nos noticiários, essa dos acordos de poder. Então, para efeitos desta coluna de hoje, não estou falando da Ciência de Governar, nem do conceito aristotélico de homem político.

Isto posto, o que vemos é um descrédito quase unânime com a política. E desde os manifestos de 2013 as decepções só crescem. Na sequência do movimento das ruas veio a Lava-Jato, e cada nova operação deflagrada traz uma nova lista de políticos envolvidos em algum esquema de propina, financiamento de campanha, desvio de recursos públicos, etc, etc.

Ocorre que estamos prestes a realizar uma Eleição de enormes dimensões. E, ao meu ver, o momento é muito mais delicado do que outras eleições pelas quais passamos. Primeiro, porque a enxurrada de delações, denúncias e operações envolvendo os políticos atuais e ex-ocupantes de cargos públicos criou uma espécie de desconfiança generalizada da sociedade, não se distinguindo neste meio os bons e maus políticos. Depois, esse desgaste generalizado dos políticos leva a população em geral a não querer aprofundar debates, muitas vezes simplesmente porque “não quer saber desses políticos”.

Este segundo aspecto é facilmente perceptível quando observamos a superficialidade de debates em torno de projetos importantes para o País, o Estado ou o Município.

Cada vez mais comum é o cidadão colocar “no mesmo saco” os políticos profissionais e os gestores públicos.

Se quisermos superar as agruras do momento atual e buscar iniciar um novo ciclo de desenvolvimento para o Brasil, é necessária uma reflexão mais profunda quanto ao perfil dos ocupantes de cargos públicos.

Lembro quando o João Dória se elegeu prefeito de São Paulo, e não perdia uma oportunidade de dizer que não era político, e sim gestor. Claro que se tratava de um embuste, tanto que largou o cargo rapidamente para se candidatar a governador. Mas a tentativa dele naquela época era justamente descolar da figura do político profissional e tentar emplacar a imagem de um gestor público.

Mas, diferente do exemplo do ex-prefeito, temos nas diversas instâncias de poder pessoas com alta capacidade de gestão. São profissionais capacitados que colocam seus conhecimentos e experiência ao bem do público, cuidando de Ministérios, Secretarias, Procuradorias, Educação, Desenvolvimento Econômico, etc.

Como citei, esses profissionais podem e devem contribuir para um debate firme e de qualidade, produzindo ideias e projetos capazes de produzir resultados de longo prazo ao País.

Estamos em um momento que exige reformas estruturais em diversos aspectos. Deixar esses debates ao sabor dos acordos de poder entre partidos, ou das trocas de favor entre lideranças dos poderes legislativos e executivo é a receita certa para a catástrofe.

A manutenção da democracia e a chance de mudanças só se dará através do voto. Dizer que não quer saber de política, não querer participar de debates, não ouvir gestores públicos competentes, é terceirizar seu futuro e o futuro do país. Não exercer sua opção é deixar os outros optarem por você.

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Empreendedorismo como propósito

 “Escolha um trabalho que você ama e você nunca terá que trabalhar na vida”.

A frase proferida por Confúcio, por volta do ano 500 a.C., resume uma tendência cada vez mais forte entre aqueles que decidem empreender no Brasil – a de empreender como um propósito, uma opção de carreira.

Um novo Estudo de Tendências de Sustentabilidade para Pequenos Negócios, divulgado pelo  Centro Sebrae de Sustentabilidade demonstra que cada vez mais são criadas empresas por profissionais de diversas idades e áreas que se retiram do setor corporativo devido ao cansaço de negócios convencionais e desejo de trabalhar em ambientes menos hierárquicos e mais abertos a novas ideias.

Essas pessoas resolvem criar empresas e empreendimentos que correspondem às suas crenças e valores, segundo Ricardo Voltolini, coordenador técnico do Estudo. O objetivo delas é contribuir com soluções para os desafios da insustentabilidade da sociedade e do planeta, assim como para as questões socioambientais, sem visar apenas lucro. Nesse terreno, nascem os negócios de impacto social e ambiental.

Se há alguns anos quase metade dos novos empreendimentos no Brasil era derivada do chamado empreendedorismo ”por necessidade”, hoje o perfil tem mudado bastante, e empreender é cada vez mais uma opção de vida.

Uma nova geração de empreendedores busca realizar propósitos pessoais e contribuir com a solução de desafios da sociedade, criando seus próprios negócios com foco mais amplo do que somente o dinheiro.

São empreendimentos com visão “além do lucro”, que buscam contribuir de alguma maneira com o planeta e suas necessidades, e propiciar aos seus criadores melhor qualidade de vida, muitas vezes trocando salários e benefícios por flexibilidade, agilidade e realização.

Formados principalmente por jovens, esses novos negócios que estão chegando ao mercado são focados na insatisfação com as soluções atuais apresentadas, e buscam seu espaço utilizando-se de tecnologias para identificar os gaps do mercado e procurar solucioná-los com novos produtos e serviços.

Produtos exclusivos para veganos, livrarias para público evangélico, salões de beleza para pele e cabelos negros, roupas plus size e outras iniciativas ligadas à segmentação de mercado representam oportunidades de negócios para os empreendedores atentos.

Tecnologias para reciclagem, produtos verdes, novas formas de distribuição, internet das coisas, agrosmart, biotecnologia, nanotecnologia, robótica, enfim, uma infinidade de possibilidades que favorecem o início de novos negócios tem sido o grande estímulo a essa geração.

Importante ressaltar que o poder público deve estar atento às novas tendências, e aproveitar as oportunidades de aproximar o setor produtivo, as universidades, incubadoras, e empresários para o surgimento de novos negócios. Pois, assim como a diversidade de negócios e oportunidades, são diferentes também as demandas destes empreendedores.

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A criatividade é mais importante que o conhecimento

Não foi exatamente assim que este aforismo foi publicado em 1931 pelo físico Albert Einstein. Na verdade o parágrafo inteiro diz mais ou menos assim: “Eu acredito na intuição e na inspiração. A imaginação é mais importante que o conhecimento. O conhecimento é limitado, enquanto a imaginação abraça o mundo inteiro, estimulando o progresso, dando à luz à evolução”.

E criatividade é o principal ingrediente do que estamos vendo todos os domingos na praça São José em Campo Mourão. Idealizada pelo Prefeito Tauillo Tezelli e organizada pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SEDEC), a Feira de Economia Criativa, em menos de 4 meses, já torna-se um programa dominical para centenas de mourãoenses.

A ideia de reunir na Praça São José atividades da chamada Economia Criativa – artesanato, coleções, antiguidades, culinária, produção agrícola, entre outras – surgiu de uma demanda da população que já frequentava a Praça, porém buscava algo mais para o domingo com a família. Como a Sedec já desenvolvia um trabalho de apoio e desenvolvimento aos MEI´s – microempreendedores individuais, percebeu-se uma forma de unir as duas coisas.

Soma-se ainda o fato da Economia Criativa ser uma tendência de trabalho bastante em alta no mundo todo, principalmente em períodos de recessão. No Brasil, segundo dados do SEBRAE, o setor tem mais de 2 milhões de empresas e movimenta em torno de R$ 110 bilhões (2,7% do PIB).

Outro ponto que vale destacar é que a Economia Criativa envolve muitos outros setores, que vão bem além do que vemos na Praça São José. O setor envolve também as áreas de design, arte digital, arquitetura, mídia, artes visuais entre outras.

O fato de escolhermos a praça central também é parte de todo o movimento de empoderar e induzir a população a ocupar novamente os espaços públicos da cidade. E a Praça São José veio bem ao encontro de se criar um espaço democrático de convívio, consumo e entretenimento. Afinal, esse espaço tem sua função social, e se buscarmos os conceitos de Praça, veremos que um ponto comum é exatamente o local de reuniões e encontros. “As praças são locais onde o povo se reúne para fins comerciais, políticos, sociais ou religiosos ou, ainda, onde se desenvolvem atividades de entretenimento. A praça contemporânea não tem uma função específica; sua finalidade é a de se constituir um lugar atrativo de encontros e reuniões”, diz a Engenheira Florestal Alessandra Teixeira Silva, em seu artigo A Praça e sua Função Social.

Aos poucos vão chegando os expositores, pequenos produtores, artistas, artesãos, e que hoje já somam uma presença média de 18 tendas, com um faturamento que já passa dos R$ 51 mil reais nas oito edições da Feira. Além do entretenimento, a ideia é que os pequenos empreendedores tenham a oportunidade de se lançar no mercado, testar produtos, testar tendências, comercializar e se expor com o menor custo possível. Se a imaginação é capaz de abraçar o mundo inteiro, por que não imaginar o mundo inteiro abraçando a nossa praça?

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Empreendedorismo se faz com... empreendedores!

Na última semana, perdemos uma pessoa que para mim foi muito especial como amigo, profissional e homem de caráter. Um cara empreendedor à sua maneira. Essa coluna é em homenagem ao Professor João Carlos Leonello.

Já escrevi aqui em outras ocasiões sobre o que é ser empreendedor. Diferente de ser empresário, ser empreendedor é uma postura, um estilo de vida, que permite à pessoa fazer alguma coisa para ver o nascimento de algo positivo, criar algo. Por isso, não precisa abrir um negócio próprio ou ter aquela excelente ideia para ser e agir como um empreendedor.

A carreira é, provavelmente, o maior consumidor de tempo de nossa vida. Então, porque não fazer dela a melhor coisa da vida? Porque não fazer desse tempo o melhor tempo da sua vida? É a sua vida!!  Se tiver uma postura empreendedora e com propósito, pode fazer de seu trabalho seu maior amor e o seu melhor passatempo. E quando vemos alguém perder a vida num flash, isso toma uma importância gigantesca.

A fugacidade da vida não permite que simplesmente passemos os dias. Passar os dias pensando naquilo que poderia ser e não é, naquilo que realmente gosta e fazer e não faz, naquela felicidade adiada pelas obrigações, é a receita para o stress, a depressão, o desânimo. 

O primeiro quesito para superar isso é a paixão, o propósito. Se está em um momento de sua carreira que não gosta do que faz, então mude. Não tenha medo de mudar pelo que realmente faz sentido para você! Porque a sua paixão é o que alimenta seus dias, é o que faz você levantar todas as manhãs – ou desligar o despertador e virar pro outro lado. Ser feliz, mesmo na relação com os outros, depende de sentir-se bem no dia-a-dia.

Não se iniba de sonhar. De buscar seu ideal. Isso não significa ficar insatisfeito ou ingrato pelo que tem. Significa ficar insatisfeito com o que não tem e que gostaria de ter. Isso não é somente em termos de bens materiais, mas também de conhecimento, profissionalismo, bem-estar da família, sonhos pessoais e dos filhos. 

O trabalho que faz sentido é aquele que o ajuda a ser melhor, moldando suas habilidades e competências e permitindo que as use para o bem comum. E é conquistado com esforço, pois ninguém conquista aquilo que gosta sem uma dose de sacrifício.

Você já se perguntou qual o seu papel dentro da sociedade em que atua? Qual será seu legado, sua herança? Como as pessoas se lembrarão de você? Respondendo a essas questões, certamente encontrará seus valores principais, que são a base para seu propósito de vida.

João Appolinário, fundador da Polishop, diz que “qualquer empreendedor tem problemas todos os dias. Mas o empreendedor não pode ser um cara que só enxerga problemas, tem de enxergar oportunidades.”

Pessoas empreendedoras, cada uma de seu jeito, fazem o mundo acontecer. São aqueles seres iluminados que nos provocam a sermos melhores. Seja através do compartilhamento de uma experiência, de uma provocação de melhoria, um conselho ou apenas pelo convívio agradável. Através delas aprendemos a pensar positivamente e agir em prol de uma causa. Com elas percebemos que é necessário lutar, ter iniciativa, persistência e propósito.

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Liderança Cívica

Liderança é ação, não posição. Donald H. McGannon

Essa frase, do Donald H. McGannon, executivo americano da Westinghouse Broadcasting Company, falecido em 1984, resume, em minha opinião, o entendimento de várias questões relacionadas à falta de liderança.

Acontece que tenho visto muitos profissionais, estudantes, donas-de-casa, executivos, enfim, pessoas de todas as classes e categorias profissionais que, num suspiro, expressam: ah, se eu fosse o dono disso, se eu fosse o presidente daquilo, se eu fosse o responsável por aquele outro, aí sim faria diferença!

Ora, quem foi que disse que você precisa de uma posição ou cargo para liderar e fazer as coisas como acha correto?

Quem age dessa forma, além de não se permitir contribuir, ainda deixa uma carga de trabalho e responsabilidade nas costas dos pobres voluntários que assumem os cargos nas instituições!

Falando em liderança cívica e cooperativa, precisamos ir muito além das posições. Se queremos ter um lugar melhor para viver, cada um deve utilizar-se de sua capacidade de mobilização e agir.

Aliás, a palavra mobilização hoje é interpretada como um movimento público, uma manifestação numa praça, ou uma passeata em prol de alguma causa.

No entanto, manifestação significa convocar desejos e vontades para buscar um objetivo comum (parece que já falamos sobre isso?!). As pessoas têm a escolha por fazer ou não, sem precisar de uma posição formal de liderança.

No trabalho de um líder, é comum ser necessária uma ação de mobilização. O líder tem que perceber em que ações a mobilização é a ferramenta a ser utilizada para alcançar os objetivos, pois demandará dele credibilidade e legitimidade.

Isso somente será conseguido com o líder cumprindo o prometido aos seus liderados. Se não se tem autonomia para honrar uma promessa, não se deve assumir compromissos.

E a crise de liderança que vivemos atualmente talvez pela falta exatamente desta credibilidade. Para alcançar os objetivos, o líder deve assumir responsabilidades, motivar seus pares e repassar os créditos de sucesso a seus liderados.

É simples: podemos notar nas cidades mais desenvolvidas que são os empreendedores visionários e os líderes cívicos os fatores críticos de sucesso da sua história. Neste conceito se incluem os prefeitos empreendedores, os líderes políticos e os líderes comunitários que trabalham de forma integrada para o benefício de todos.

Neste contexto, aparece o conceito de líder cívico, que é um articulador de energias sociais através da tríade identidade-confiança-interatividade. O papel do líder cívico é articular e desenvolver as pessoas, despertando o potencial delas para o desenvolvimento de toda a comunidade, atuando para fazer com o que o todo seja maior do que as partes.

A principal crença de um líder cívico é que há desenvolvimento quando os talentos humanos dão o melhor de si. A começar por ele mesmo.

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