Sociedade e Desenvolvimento
A inovação como saída

“Algo mudou radicalmente no terreno dos negócios mundo afora”. (Tapscott, 2012)

Transformar Campo Mourão numa cidade inovadora. Este é o principal objetivo do Pacto pela Inovação, assinado por diversas Entidades, Empresas e Poder Público na última sexta, 19, no encerramento do Empreende Week 2018.

A economia do século XXI é reconhecidamente baseada no conhecimento. Depois de um século em que a economia mundial se baseou em fontes energéticas, matérias-primas e industrialização, agora é a vez do talento e tecnologia predominarem no cenário de desenvolvimento econômico.

Antes de tudo, é importante dizer que o conceito de inovação não pode ser entendido apenas como implementação de inovações tecnológicas, robotização, criação de softwares e hardwares e coisas afins ligadas à indústria.

O conceito de inovação, segundo o Manual de Oslo, é a introdução de um bem ou serviço novo ou significativamente melhorado, no que se refere às suas características ou usos previstos, ou ainda, à implementação de métodos ou processos de produção, distribuição, marketing ou organizacionais novos ou significativamente melhorados. Ou seja, uma organização qualquer, seja pública ou privada, indústria ou comércio, pode ser inovadora, desde busque formas diferentes de realizar seus processos ou entregar seus produtos.

Isso quer dizer que inovar é fundamental para que as empresas e o próprio país se desenvolvam. E isso nem sempre requer investimentos, mas sim criatividade e determinação. Inovamos para evoluir. E evoluir é da natureza humana. Inovar é fazer de um jeito diferente para buscar um resultado melhor. E nos últimos anos, com o desenvolvimento tecnológico avançando em ritmo alucinante, a inovação tem ocupado um destacado lugar nas discussões sobre desenvolvimento.

Sendo assim, os territórios (cidades, estados, países) também podem ser inovadores, à medida que sejam capazes de criar condições para que as capacidades instaladas sejam bem utilizadas e que possam ter uma utilização inteligente. É o chamado “ecossistema”, onde os atores locais interagem e cooperam de forma a criar um ambiente propício e estimulante a práticas inovadoras.

Com isso, buscamos um ambiente que cultive a crença de que a inovação não vem apenas das lideranças ou empresas, mas que pode partir de qualquer pessoa, em qualquer posição. É a cultura da inovação, na qual as pessoas compreendem que manter o status quo não é mais suficiente para competir de forma eficaz, que é necessário buscar novas formas de fazer e obter resultados, em todas as instâncias.

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico tem estado atenta a este cenário, e está atuando como um agente indutor e catalisador junto aos parceiros municipais para que o ecossistema de inovação mourãoense esteja cada vez mais fortalecido.

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Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

Uma oportunidade perdida

“Se você colhe o que planta, não regue suas ervas daninhas”. Mayara Aline

Faltando 6 dias para o primeiro turno das eleições, difícil não falar desta temática. No próximo dia 7, mais de 147 milhões de brasileiros irão votar para escolher seu novo Presidente da República, Governadores, Senadores, Deputados Federais e Estaduais.

Na minha modesta opinião, acabamos de perder mais uma importante oportunidade de discutir alternativas para um país com profundas necessidades de mudança.

Em qualquer roda de conversa com pessoas um pouco esclarecidas, é fácil listar as principais expectativas em relação ao futuro de curto prazo do Brasil: como viabilizar um sistema de previdência sustentável, que tipo de sistema tributário seria mais justo e proporcionaria um fôlego para a economia e para as pessoas, como tornar o Estado brasileiro capaz de voltar a investir em áreas como infraestrutura, saúde, segurança, entre outras?

E, apesar de tentar acompanhar um pouco dos programas e reportagens durante a campanha, o que eu vi (talvez tenha perdido algo), foram discussões, acusações, ataques e quase nenhuma profundidade de debate em nenhum desses itens que citei.

Em geral, a própria mídia – não generalizando – contribuiu para isso. Alguns programas e emissoras, por exemplo, promoveram entrevistas com os principais candidatos, até com um bom tempo de duração. Mas, ao invés de questioná-los sobre como fazer o país voltar a andar, passaram quase a totalidade do tempo tentando encontrar alguma incoerência no discurso do candidato, ou alguma acusação referente à sua atuação passada, etc. Projeto para o País? Não obrigado. Vamos falar das coligações, das acusações, das investigações.

E olhem só como o interesse do eleitor vai se afastando: segundo o TSE, o número de jovens eleitores, aqueles que tem o voto facultativo, caiu 14% nestas eleições. Outro dado: segundo o Google Trends, plataforma que demonstra as pesquisas do Google, nos último 7 dias, no tema “Principais questões sobre votar”, as principais buscas foram, pela ordem: 1) O que é voto útil? 2) Como anular o voto? 3) Como justificar o voto? 4) o que acontece se eu não votar? e 5) o que acontece com o voto nulo?.

Perceba que, ao invés de o eleitor buscar Planos de Governo, ou resposta aos seus anseios através de conhecer seu candidato e suas propostas, o que está fazendo é se ausentar do debate e do interesse. Isso abre um espaço para que o melhor discurso, e não o melhor projeto, ganhe espaço. Pior: cria um sectarismo perigoso.

A eleição 2018 vai resolver os nossos problemas? Não, é claro. Mas não pode agravá-los. E, acredite: com a polarização que parece ter se formado, isso não é tão difícil de acontecer. A menos de uma semana, nos resta torcer para que o eleitor ainda consiga superar sua decepção com a política e fazer as escolhas certas.

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The book is on the table

Já há tempos é notório que os termos em inglês estão cada vez mais presentes no nosso cotidiano. Principalmente no mundo dos negócios. Mas nos últimos anos, com o movimento das startups (taí um deles!), ficaram muito mais frequentes.

Há alguns dias, no lançamento do Empreende Week – evento de tecnologia e empreendedorismo que será realizado de 17 a 19 de outubro no Parque de Exposições – citamos alguns termos e observamos comentários sobre a frequência deles no vocabulário dos empreendedores atuais.

De fato, pode até ser um exagero. Mas as empresas de tecnologia tendem a ser empresas globais, ou pelo menos internacionalizadas. Então seus jovens criadores acabam incorporando a terminologia até para uma melhor comunicação com parceiros mundo afora.

Neste sentido, recentemente assisti uma palestra em Curitiba de uma startup paranaense que está fazendo muito sucesso nos Estados Unidos. Já tem até escritório no Vale do Silício. E a principal mensagem do palestrante/empresário foi: sua empresa deve nascer com foco no mercado mundial. A startup em questão, só para termos uma ideia, começou a projetar seu aplicativo totalmente em inglês. O site da empresa é em inglês. As páginas dos seus criadores são em inglês. E eles não falavam nada de inglês.

É no mínimo muito interessante ouvirmos as falas do pessoal jovem ligado ao movimento, pois eles criam quase que um novo idioma, um misto de português e inglês, porém com alguns termos que não são nem uma coisa nem outra.

Apenas a título de curiosidade, alguns termos que ouvimos constantemente:

Startup: empresa emergente com um modelo de negócio escalável.

Co-working: Espaço de trabalho compartilhado por diversas empresas, que passam a poder se relacionar e a trocar conhecimentos. Uma variação é o “co-living”, que é um espaço compartilhado para moradia (lembra da república? Virou co-living).

Pitch: apresentação da ideia para investidores e/ou mentores, de forma muito rápida;

Hackaton: eventos com propósito de unir criadores de produtos em competições para desenvolver uma solução ou resolver um problema da empresa patrocinadora.

Founder: Criador de um negócio.

Crowdfunding: forma de levantar recursos para um projeto baseada em financiamento coletivo, normalmente feito por uma plataforma especializada.

Core Business: negócio principal da empresa.

Business plan: plano de negócios.

Business model Canvas: ferramenta para definir o modelo de negócio a ser seguido durante todo o projeto. É a fase mais básica do planejamento.

MVP (Minimum Viable Product): produto minimamente viável. É basicamente um produto que é lançado no mercado em teste.

Outsourcing: terceirização de um trabalho.

Open inovation: inovação aberta. Podem ser eventos parecidos com o hackaton, porém sem prototipagem.

Spin-off: Parte de uma empresa que se separa da empresa mãe e ingressa no mercado.

Venture Capital: capital de risco. É o investimento feito em empresas muito jovens que apresentam alto potencial de crescimento.

Pivotar: Pivotar significa mudar a estratégia e o rumo de uma empresa.

E, como estes, muitos outros estão cada vez mais no nosso cotidiano. E você, o que está esperando para fazer um pitch, apresentar seu MVP e encontrar um venture capital para pivotar sua startup?

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O Sebrae vai virar museu?

O museu pegou fogo. E quem se queima é o Sebrae...

Hoje peço licença para sair um pouco do tema da coluna e tratar de um assunto que tomou conta de parte da mídia na última semana. Aliás, não acho que saiamos tanto do tema, uma vez que trata-se de um atentado à maior instituição brasileira de fomento ao empreendedorismo: falo da proposta de criação de uma agência de museus que pretende utilizar cerca de 200 milhões de recursos oriundos do Sebrae.

Como todos já sabem, um incêndio destruiu grande parte do acervo do Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, na Zona Norte do Rio, no domingo dia 2 de setembro. E, em apenas uma semana, sem sequer ter esclarecido as causas do incêndio, muito menos proporcionado um debate sobre o tema (conservação de patrimônio histórico-cultural), o Governo editou uma medida provisória na segunda-feira, dia 10, criando a Agência Brasileira de Museus (Abram), que substitui o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).

Em meio a uma discussão sobre reduções de recursos e responsabilidades, causas e efeitos, Governo e Universidade se estapeavam trocando acusações, mas o Presidente Temer sacou mais rápido e deu o ultimato: assaltar o Sistema S e criar um novo cabide (ops), serviço, transformando o Instituto em Agência (agora sim!!) com recursos e gestão no modelo de Organização Social.

Interessante observar que ambos os lados reclamam que não foram ouvidos. Nem o pessoal do atual Ibram – que, aliás, tem sérias críticas ao modelo proposto; nem o pessoal do Sistema S – que vai entrar com os recursos.

Parece-me aquela típica solução mais desastrosa do que o próprio desastre. Só pra se ter uma ideia, na enquete da própria página do Congresso Nacional onde é noticiada a Medida Provisória (https://www.congressonacional.leg.br/materias/medidas-provisorias/-/mpv/134245) aparece uma avaliação de 5.956 opiniões negativas contra 169 positivas (dados de 16/9 às 20h).

Mas, além do atropelo que considero ter sido cometido com a decisão, cabe aqui ressaltar a importância de uma Instituição tão representativa do empreendedorismo e do apoio aos pequenos negócios como o Sebrae, embora a questão dos recursos do Sistema S volta e meia se encontra em debates.

Criado em 1990 pela Lei 8.029, o então Cebrae (com C) desvinculou-se do poder público e transformou-se em serviço social autônomo, passando a ter acesso aos recursos do chamado Sistema S, e tornou-se o responsável pelo atendimento ao segmento das micro e pequenas empresas, setor responsável por 12,2 milhões de estabelecimentos no Brasil atualmente.

O orçamento do Sistema Sebrae para 2018, segundo o Portal da Transparência da entidade, é de 4,5 bilhões, dos quais 3,1 são da chamada Contribuição Social. No entanto, segundo o mesmo portal, pouco mais de 26% do orçamento são gastos de gestão operacional e investimentos, sendo mais de 70% aplicados na operação, ou seja, reinvestidos no atendimento a seu público-alvo. Bem diferente dos gastos do governo.

Enfim, é claro que, como em qualquer instituição, possam haver ajustes e economias a fazer. Assim como na gestão dos museus também deve ser feito algo. A questão é porque fazê-lo de forma tão abrupta, sem quaisquer indícios de algum estudo mais aprofundado sobre o tema. E justamente utilizando recursos tão importantes para incentivar o empreendedorismo, que é significativo para fomentar a economia, gerar empregos e irrigar o próprio governo com mais impostos. Parece uma saída pela contramão.

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Capital Humano

“Quando o capital e a tecnologia são acessíveis a todos igualmente, o que marca a diferença é a qualidade do capital humano”. Tom Peters

Na coluna de 22 de agosto tratamos sobre um dos pilares de qualquer processo de Desenvolvimento sustentável: o capital social. Hoje, gostaria de tratar de outro destes pilares, tão importante quanto o primeiro: o Capital Humano.

Afinal, quem são os protagonistas do desenvolvimento, senão as pessoas que residem na localidade/região? Ou seja, os moradores de uma determinada região assumem seu papel de sujeitos de sua própria história. Então, em qualquer processo de desenvolvimento que se queira sustentável a premissa básica é a de envolvimento e capacitação das pessoas.

Porque para buscar o desenvolvimento, é necessário que as pessoas mudem seu status atual, através do crescimento de habilidades, conhecimentos e competências. Este conjunto de fatores vou considerar aqui como o Capital Humano.

Então, ampliar o capital humano significa investir em educação, principalmente, mas também em outros fatores relacionados à vida das pessoas, como condições de saúde, alimentação, habitação, segurança, entre outros. Pois a educação por si só, não consegue atingir seus objetivos se as pessoas não tiverem satisfeitas suas necessidades básicas.

Baixos índices de capital humano, obviamente, se traduzem em menores possibilidades de desenvolvimento. Se as pessoas não desenvolverem suas potencialidades, não será possível falar de desenvolvimento, cujo princípio básico é o de melhorar as condições de vida das pessoas.

O desenvolvimento não é um resultado somente do crescimento econômico, envolve relações humanas, e o desejo dessas pessoas em alcançarem uma melhor qualidade de vida para todos. O desenvolvimento depende da adesão das pessoas, elas precisam se colocarem como sujeitos do movimento. Então, a qualidade do processo de desenvolvimento depende diretamente da qualidade das pessoas, e de seu interesse e capacidade de aderir e contribuir com o processo.

Não é possível existir desenvolvimento sem que as pessoas tenham desenvolvido suas competências e qualidades. O capital humano passa a ser a principal fonte do valor. E este valor não está somente nos bens físicos, mas principalmente nos bens imateriais, como intelecto, tecnologias, conhecimento aplicado, etc.

Pessoas bem preparadas contribuirão com a boa governança do processo, melhorando a capacidade da sociedade de construir canais de participação, com níveis de representatividade, legitimidade e confiança entre o Governo e a sociedade organizada.

Um bom governo também depende das qualidade e compromissos dos governantes, mas sobretudo, da capacidade de escolha das pessoas que o elegerão.

E isto, indiscutivelmente, está relacionado com os níveis de empoderamento da sociedade, o que por sua vez depende dos níveis de capital humano e capital social.

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O PIB e você

“Um dos grandes segredos da sabedoria econômica é saber aquilo que se não sabe”. John Galbraith, economista, filósofo e escritor estado-unidense.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgou na última sexta-feira (31), o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no 2º trimestre de 2018. O resultado é que cresceu 0,2%, na comparação com os três meses anteriores, Em valores correntes, o PIB totalizou R$ 1,693 trilhão.

Desmembrando um pouco esse número, temos as seguintes variações:

  • Serviços: 0,3%
  • Indústria: -0,6%
  • Agropecuária: 0
  • Consumo das famílias: 0,1%
  • Consumo do governo: 0,5%
  • Investimentos: -1,8%
  • Construção civil: -0,8%

 

Na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, o PIB avançou 1%. No acumulado em 12 meses, o PIB cresceu 1,4% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores.

Diante deste cenário e em plena campanha eleitoral, como isso afeta a vida do cidadão? Algumas considerações de um administrador se metendo a economista:

  1. Observe que um dos setores avaliados para determinar o crescimento do PIB é o consumo das famílias. Ocorre que estamos vivendo um período de desemprego recorde e isso obviamente afeta diretamente este indicador. No trimestre encerrado em julho, 12,9 milhões de trabalhadores estavam desempregados no Brasil. E tem um outro indicador interessante: o chamado “desalento”, formado por aqueles que não trabalham, mas também não procuram vaga – esse número chegou a 4,8 milhões.
  2. Observe também que, exceto pelo setor de serviços, a atividade econômica continua dando sinais de recessão. Indústria e Construção Civil apresentaram variações negativas, e a Agropecuária não variou. A incerteza eleitoral e a baixa capacidade de investimentos do setor produtivo certamente são algumas das causas deste resultado.
  3. Um item positivo – aliás, o maior – é o consumo do governo: positivo em meio ponto percentual. Este é um ponto polêmico, e não é o objetivo aqui discutir o nível de gastos do governo. O fato é que esse indicador foi positivo no trimestre por conta do calendário eleitoral, que provocou uma antecipação de gastos e fez com que o consumo do governo fosse o componente de maior crescimento do indicador do PIB. O problema é que a eleição vai passar.... e não podemos esperar muitos investimentos com um déficit primário de R$ 17,82 bilhões só no primeiro semestre.

E já que estamos em época de avaliar propostas de governo, importa considerar que não haverá uma solução mágica, ou um salvador da pátria que mudará essa situação rapidamente. Embora os candidatos insistam em tentar nos convencer disso.

Uma politica fiscal austera, que permita conter os gastos do governo, aliada a uma agenda reformista, não são soluções simples de implementar. Necessitarão de apoio político e da sociedade, e principalmente de tempo, como em um campeonato de várias rodadas, onde o próximo resultado depende do desempenho imediato.

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A difícil missão da inovação no Brasil

“Tecnologia é qualquer coisa que não estava por aí quando você nasceu”. Alan Kay – cientista da computação.

As dificuldades e entraves enfrentados pelos inovadores no Brasil foi tema de uma publicação lançada em junho no auditório da Fapesp, em São Paulo. Trata-se do livro Novos Caminhos para a Inovação no Brasil, da economista Fernanda de Negri, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O trabalho foi desenvolvido com apoio da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma) e do Wilson Center Brazil Institute, em Washington, a partir de entrevistas com parlamentares brasileiros e empreendedores.

No livro, a autora traz um levantamento sistematizado dos fatores que afetam a inovação, apontando três fatores principais – pessoas, infraestrutura e o ambiente. Os três são influenciados pelas políticas públicas, formando um ecossistema propício ou não para a inovação. O livro mostra que ainda falta muito no ecossistema brasileiro de inovação, seja nos três fatores principais, seja nas políticas públicas. Conclusão: é difícil inovar no Brasil.

Nas entrevistas com empresários, a economista ouviu argumentos de que inovação não depende apenas de financiamento e de instalações, mas também de um ambiente estimulante e dinâmico, onde as competências existentes possam prosperar e se desenvolver adequadamente. Há uma crença de que o Brasil tem competências relevantes em várias áreas, mas a burocracia dificulta que os conhecimentos produzidos nos ambientes universitários se transformem em novos produtos.

Algumas condições para a melhoria do ambiente de inovação foram apontadas na pesquisa de De Negri. Em primeiro lugar, capital humano. Nas se faz ciência sem pessoas. Depois, uma infraestrutura adequada para que esse capital humano possa produzir, incluindo aí instalações, equipamentos, etc. Cercando isso, uma regulação menos burocratizada e que proporcione que o conhecimento científico seja transferido para o setor produtivo. Para complementar, um sistema de propriedade intelectual que dê segurança e previsibilidade, para que os investimentos de risco sejam incentivados.

O último fator relacionado ao ambiente diz respeito à estrutura de mercado. O argumento é de que a competição é o motor fundamental da inovação. Uma economia fechada, com empresas protegidas de seus concorrentes, não tem incentivos para produzir inovação.

Outro aspecto interessante da publicação diz respeito aos investimentos públicos e empresariais em inovação. Somando gastos públicos e empresariais, o Brasil investe 1,27% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em P&D. Isso é bem menos do que a média dos países da OCDE, onde esse investimento representa 2,38% do PIB, mas está acima de países latino-americanos, como México e Argentina. “Mas, se os investimentos totais em P&D do Brasil não são tão baixos, os investimentos empresariais, que deveriam ser estimulados pelas políticas públicas, são menores do que em vários outros países e têm permanecido relativamente estáveis ao longo do tempo. No Brasil, as empresas respondem por pouco menos da metade dos investimentos em P&D realizados no país, o que totalizou aproximadamente 0,6% do PIB em 2014. Essa proporção costuma ser maior nos países desenvolvidos. Tomando a média da OCDE como exemplo, nesses países as empresas são responsáveis por quase 70% do investimento total em P&D, ou cerca de 1,63% do PIB”, conclui a autora.

Então, a melhoria das condições institucionais e sistêmicas, produzindo conhecimento de ponta ao mesmo tempo que incentiva as empresas para inovarem, através de um ambiente favorável e estimulante é o que poderá mudar este cenário no Brasil.

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Capital Social: um pilar do desenvolvimento local

"Se quer ir rápido, vá sozinho. Se quer ir longe, vá em grupo." Provérbio Africano

Faça uma análise de qualquer projeto ou case de desenvolvimento local ou regional e encontrará um ponto importantíssimo e comum em todos eles: o Capital Social. Não estou falando aqui daquele Capital Social que aparece no Contrato das empresas, refiro-me à capacidade de relacionamento entre os atores da cidade ou região em prol de um objetivo comum.

Conceitos mais modernos de desenvolvimento, que suplantam o econômico, trazem a premissa de que, para ser sustentável, o processo tem que ser também integrado, endógeno e abranger a todos os envolvidos. Juarez de Paula, meu ex-colega de Sebrae, em seu livro Desenvolvimento Local Como fazer?, apresenta quatro pontos-chave para o processo se perpetuar: Capital Humano, Capital Social, Capital Empresarial e Capital Natural. Em síntese, significa olhar para as pessoas, para as relações entre elas, para o econômico e para a natureza.

Porém, essa teia somente se mantém ao longo do tempo se estiver ancorada nas relações entre as partes, o tecido, o Capital Social. Porque requer o crescimento dos níveis de cooperação e confiança entre as pessoas. Não há metodologia, processo, discurso ou recurso suficientes, se não houver a participação efetiva e o empoderamento das pessoas.

Já tivemos em nosso município várias tentativas de criar movimentos para pensar o futuro, criar projetos de longo prazo e trabalhar pelo desenvolvimento sócio-econômico local e regional. Todos tiveram sua importância e contribuição, e alcançamos avanços importantes. Na minha modesta opinião, o fundamento de sustentação destas e de quaisquer outras iniciativas passa pela constituição de um Capital Social forte, seja institucional, de lideranças ou das pessoas envolvidas.

Durante muitos anos trabalhei com projetos de Desenvolvimento Local em dezenas de municípios, e vi muitos planos excelentes acabarem no fundo das gavetas. Mas também pude ver projetos medianos alcançarem resultados fantásticos baseado no engajamento, comprometimento e entusiasmo de pessoas que assumiram o protagonismo e fizeram as coisas acontecerem.

É mister, portanto, que se constituam redes de cooperação e ajuda mútua, onde a confiança e a solidariedade sejam os princípios norteadores. Precisamos deixar um pouco de lado o paradigma da competição. Em quaisquer aspectos, ao olharmos somente para a “lei do mercado”, a “lei do mais forte”, ou até aquela famosa “Lei de Gérson”, não é possível avançar com sustentabilidade. Após certo ponto, as relações se deterioram, as lideranças se enfraquecem, o processo míngua.

O novo paradigma é o da diversidade, flexibilidade, interdependência, cooperação e parceria. Estas são as condições de sustentabilidade dos sistemas complexos. Basta olharmos com uma visão sistêmica, ou seja, olharmos o todo, na sua complexidade e no dinamismo da relação entre as partes, que vamos constatar que nada está isolado, tudo faz parte de uma densa teia de relações, uma grande rede. Essa rede deve ter seus nós bem apertados, firmes, não pode se romper. E, caso haja o rompimento de um nó, os outros devem ser fortes o suficiente para manter a teia.

“Portanto, o capital social é essa teia, esse tecido, essa rede de conexões, que quanto mais forte, mais capaz será de gerar desenvolvimento sustentável. O capital social é o produto da confiança e da cooperação entre os atores sociais, que lhes confere organização, capacidade de participação e empoderamento. O desenvolvimento, de certa forma, é produto do capital social”, cita Juarez de Paula.

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Um movimento a favor do futuro

Na última sexta feira, dia 10, realizou-se na Acicam um encontro cujo tema principal foi a discussão de Estratégias de Desenvolvimento Local. A partir da apresentação de diversos exemplos de municípios que criaram projetos de longo prazo a partir de movimentos sociais organizados, lideranças mourãoenses tiveram a oportunidade de perceber a importância de assumir o protagonismo e trabalhar em conjunto para a construção de um futuro mais próspero para o município e região.

Após uma série de provocações do Secretário Estadual Silvio Barros, principalmente chamando a atenção para as novas tecnologias emergentes e seu impacto no planejamento das cidades, foi a vez da apresentação de um dos mais emblemáticos exemplos de organização social em prol de um projeto de desenvolvimento que eu conheço: o Codem de Maringá.

Num segundo momento, uma parte mais técnica apresentada por executivos dos Conselhos, trouxe boas práticas adotadas por Conselhos já constituídos em municípios Paranaenses.

Meu objetivo aqui é trazer algumas reflexões e considerações sobre estes movimentos e as lições aprendidas por eles.

Em primeiro lugar, é necessário que os envolvidos com o planejamento da Cidade, sejam do poder público ou da sociedade organizada busquem saber quais serão os desafios do futuro, as tecnologias que estão a surgir e como elas afetarão a vida das pessoas na cidade.

A partir de um grupo de pessoas comprometidas com o território é que um projeto dessa natureza começa. Normalmente surge num momento de crise, como foi o caso de Maringá, que viu sua economia fraquejar em meados de 1990, o que fez as lideranças se moverem para mudar a realidade da cidade e não terem que mudar de cidade.

O compromisso com a cidade deve ser acompanhado da parceria entre o movimento da sociedade civil organizada com o poder público. O movimento social deve ser auxiliar dos poderes constituídos e não mais uma instância reivindicatória. A cumplicidade entre essas forças é condição sine qua non para que o desenvolvimento aconteça. Porque serão forças complementares. Nas situações em que o poder público não pode agir, seja por questões de caráter legal, burocrático ou político, é onde a sociedade entra. O contrário também é verdadeiro. Cada um contribui com sua parcela de responsabilidade.

Um outro aspecto que gostaria de destacar é a condução do processo propriamente dito. As lideranças devem cuidar para ter uma metodologia de trabalho, que agregue pessoas, não crie concorrência com outros conselhos ou movimentos existentes, e que permita a participação construtiva daqueles interessados em contribuir. Gerar pequenos resultados no curto prazo é importante para manter a motivação do grupo.

Usar experiências anteriores do município, buscar benchmarking em outras regiões com projetos semelhantes, harmonizar a competência dos envolvidos e das entidades que representam são cuidados importantes para a manutenção do movimento.

E, complementarmente, um bom diagnóstico, que demonstre a “realidade real” e que permita uma expansão dos conhecimentos das pessoas acerca de seu ambiente é fundamental. Como disse Albert Einstein, “nós não podemos resolver um problema com o mesmo estado mental que o criou”, então é necessário ampliar os horizontes, entender as razões das dificuldades pelas quais passamos, e avaliar com clareza as potencialidades que deverão ser exploradas para a consecução do objetivo comum.

Por ora, a última observação diz respeito à necessidade de recursos para viabilizar os estudos e uma equipe técnica. O comprometimento de lideranças voluntariamente é importante, o conhecimento dessas pessoas é um diferencial importante, mas chegará o momento em que será preciso contratar profissionais, empresas, estudos que subsidiarão as decisões e ações do Conselho.

Campo Mourão iniciou o movimento e criou seu conselho, o Codecam. Com o apoio da administração pública e de diversas entidades, inicia-se este importante processo de pensar além de mandatos eleitorais, visando projetar uma Campo Mourão mais forte, sem perder a capacidade de acolher a todos e promover um desenvolvimento sustentável, humano e contínuo. É imprescindível neste momento inicial que superemos os egos, prelevemos os erros, e caminhemos juntos com os olhos no futuro que sonhamos para nosso município.

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Aceleração de Empresas

Um conceito relativamente novo no mundo do empreendedorismo no Brasil, especialmente no campo de empresas de tecnologia, é o de Aceleração de Empresas.

Mas porque empresas podem ou devem ser aceleradas? O que é acelerar uma empresa? Que benefícios isso traz?

As primeiras experiências de aceleração de empresas surgiram no EUA (sempre eles) em 2005, ligadas às startups – empresas de tecnologia.

O modelo utilizado se baseava em investir cedo nos projetos, aportando um pequeno capital e oferecendo um programa para ajudar as empresas a chegarem do ponto A ao B de maneira mais rápida. Mentores e investidores fechavam o resto da equação, apoiando os empreendedores com a sua experiência e capital.

Em 2007 o movimento se expandiu para a Europa e em 2011 chegou ao Brasil. E então surgiram as Aceleradoras, empresas especializadas em oferecer esse suporte às empresas nascentes, de forma a buscar o desenvolvimento e rápido crescimento de startups, auxiliando-as a obter novas rodadas de investimento ou a atingir seu ponto de equilíbrio - quando elas conseguem pagar suas próprias contas com as receitas do negócio.

Um programa de aceleração, no entanto, não consiste somente em aportar capital. Aliás, é cada vez mais evidente que o capital não financeiro, o chamado capital inteligente, tem efeito tão ou mais positivo na consolidação da empresa.

Além do recurso financeiro, um programa de aceleração deve conter:

Acesso ao Mercado - uma rede de relacionamentos com grandes empresas, por exemplo. Permite-se, dessa forma, que as empresas aceleradas tenham acesso a oportunidades de negócios em seus mercados.

Acesso a Investidores - A apresentação a investidores pode ocorrer tanto de forma coletiva, quanto de forma individual, durante ou após o programa de aceleração, de forma a permitir que startups com diferentes necessidades de capital e em diferentes setores consigam captar.

Mentoria - De forma a complementar os conhecimentos e a experiência do empreendedor, o programa pode oferecer um quadro de mentores diversificado, contando com outros empreendedores mais experientes, empresários e especialistas em temas específicos. O mentor é um guia, um conselheiro, alguém com vasta experiência profissional no campo de trabalho da pessoa que está sendo ajudada. A mentoria é talvez a ferramenta de desenvolvimento profissional mais importante, e consiste em uma pessoa experiente ajuda outros menos experientes.

Workshops - Todos os empreendedores das empresas aceleradas recebem inúmeros treinamentos e capacitações, geralmente abrangendo áreas como inovação, desenvolvimento ágil, marketing, aspectos jurídicos, finanças, negociação, oratória, captação de investimento, entre outros.

Benefícios com Parceiros – algumas aceleradoras contam com uma série de parceiros que oferecem serviços e descontos para as empresas aceleradas, o que permite a elas economizar recursos.

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico tem um projeto para a criação de um Centro de Inovação, que contará com espaço de coworking, espaços para incubação e um programa de Aceleração. Já existem alguns projetos de aceleradoras públicas com bons resultados, e a intenção é lançar a novidade em Campo Mourão também.

Por outro lado, fizemos em 2017 uma adaptação do conceito de Aceleração de Empresas para atender aos Micro Empreendedores Individuais – MEI´s atendidos pela Casa do Empreendedor. Com resultados bastantes satisfatórios, a versão 2018 do programa está sendo lançada nos próximos dias. O objetivo do VOA MEI – Programa de Aceleração para Empreendedores Individuais – é oferecer a oportunidade de ter acesso a informação, mentoria, crédito e capacitação para transformar seu negócio e buscar um patamar mais alto de empreendimento.

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