Sociedade e Desenvolvimento
Meu amigo Pedro

Promova o respeito e verás teus valores respeitados.

Escrevi um texto para a Revista da Acicam há algum tempo e achei interessante relembrá-lo.

O tema central é “Valores”. Valores são princípios morais ou éticos que consideramos bons e importantes. É aquilo que faz sentido para nós. Muitas pessoas passam boa parte da vida sem parar para pensar em quais são seus valores mestres, aqueles inegociáveis. São esses valores governam nossas decisões, e é nos momentos de decisão que nosso destino é traçado. Então, quando você define claramente seus valores, pode decidir com muito mais clareza o quer para sua vida, ou sua empresa. Fica muito claro porque você admira certas coisas e abomina outras.

Raul Seixas, considerado um dos pioneiros do rock brasileiro, falecido em 1989, tem uma música muito interessante, chamada Meu Amigo Pedro, feita em parceria com Paulo Coelho, onde trata com um amigo sobre os valores e a visão de mundo dos dois, que eram bem distintos.

Na música, Raul fala do amigo Pedro, que é um burocrata frustrado, que chora no banheiro, usa sempre o mesmo terno, se queixa da solidão e não sabe se o seu trabalho é bom ou ruim.

Por outro lado, Pedro rotula Raul de vagabundo e louco, e tenta ensiná-lo que a vida é dura, e que ele deve arrumar um emprego.

Sob a ótica de valores, não podemos julgar nem um nem outro. Simplesmente porque o que importa para cada um deles são coisas diferentes.

Enquanto Pedro valoriza a segurança, a seriedade, o trabalho formal como algo dignificante, Raul quer viver da arte e da música, sem compromisso.

A questão começa a “esquentar” quando um tenta convencer o outro a mudar, argumentando que os seus valores é que são os melhores, mais corretos do ponto de vista da aceitação social – que, aliás, é também um valor de muita gente.

Isso tem muito a ver com alguns conflitos que vivemos hoje! Pois, sem uma coerência de valores entre as pessoas, não se constrói um projeto comum.

Numa empresa, por exemplo, se o líder não deixa claro os valores da Organização, dificilmente conseguirá alcançar resultados positivos no longo prazo. Percebe-se que, nutrindo bons valores, será possível obter o engajamento de seus funcionários e chegar a resultados muito melhores.

Conheço empresas que definem seus valores e os colocam em um quadro na parede. Muito mais do que isso, é preciso praticar esses valores por meio das atitudes diárias. Talvez os valores sejam a parte da Identidade Organizacional que mais tenha efeito na gestão das pessoas. Se as ações diárias não são coerentes com o quadro na parede, a confiança é quebrada e os efeitos são nefastos.

Isso vale também para qualquer projeto coletivo, porque quando as pessoas conhecem seus valores e sabem respeitar os valores dos outros, torna-se muito mais fácil a negociação e a convivência entre as partes.

E antes de reclamar que as pessoas não estão engajadas em projetos, empresas ou entidades, lembre-se: As pessoas não deixam as organizações; elas simplesmente abandonam líderes cujos valores conflitam com os seus.

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Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

Somos mais do que isso!

Eu escolho ser otimista. Porque se escolher ser pessimista, tudo acaba antes de começar. Gary Vaynerchuk

Quando estudava no ensino fundamental, havia uma piadinha. Diziam que Deus, ao criar o mundo, foi indagado por um de seus anjos assessores: Senhor, estás criando o mundo, e naquele país chamado Brasil não há terremotos, maremotos, nem vulcões, nem peste! Deus respondeu: ah, mas você não sabe o povo que vou colocar lá!

Naquela época também eu ouvia dizer que o Brasil era o país do futuro. Que era um país “em desenvolvimento”! Quase quarenta anos depois, esse futuro não chegou?

Vivemos nesses anos todos vários ciclos, ora com mais progresso, ora com retrocesso. Em 2016 chegamos a indicadores socioeconômicos idênticos a 10 anos atrás. Deixamos o país retroceder. Deixamos muitos sonhos virarem pesadelos. Deixamos muitos municípios – o nosso inclusive – estacionados econômica e socialmente.

Quero neste texto refletir um pouco sobre o nosso – me incluo – posicionamento passivo enquanto cidadão. Porque há uma mania de pensar que ser cidadão é ter direitos. E que lutar pelos direitos é legitimo, necessário e suficiente. E que nossos direitos têm que ser providos por alguém, seja o Prefeito, o Deputado, o Vereador, o Patrão, o Chefe, o Vizinho. E que se não temos nossos direitos atendidos devemos ter o direito de reclamar.

E é bem nesse aspecto que eu creio que perdemos muito espaço para outros povos. Porque nos depreciamos, nos desvalorizamos e terceirizamos a responsabilidade pelo nosso sucesso. E essa baixa autoestima nos leva a olhar sempre para o copo meio vazio.

Mas o Brasil e o brasileiro precisam ser mais do que isso. Porque somos milhões de honestos a mais do que alguns políticos corruptos. Somos multidões de solidários a mais do que alguns egoístas. Somos uma massa de tolerantes contra alguns racistas e homofóbicos. Somos uma legião de empreendedores e apenas alguns descrentes e desmotivados. Somos muito mais solidários do que alguns indiferentes. Somos um país de riquezas, embora com algumas regiões de pobreza.

Sabe qual é a grande armadilha? É a grande maioria deixar-se levar pelas queixas dos reclamadores de plantão. É desanimar-se a cada crítica recebida. É pensar que a vida é assim mesmo, não conseguiremos passar disso. É começar a achar que não vale a pena discutir porque desgasta. A grande armadilha acontece quando os bons silenciam.

Porque é isso mesmo que os pessimistas, críticos, maldosos e corruptos querem. Apostam no “quanto pior, melhor”. Jogam não para subir, mas para fazer os outros caírem. Buscam o equilíbrio no nível deles, o mais baixo possível.

Essa é a arapuca. É disso que devemos fugir. E nesse caso, fugir significa enfrentar. E enfrentar é argumentar, participar, discutir, apresentar ideias, dar exemplo.

Somos mais do que isso que estamos vendo.

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O que atrai uma empresa

“Você pode ficar desapontado se falhar, mas você está condenado se não tentar” – Beverly Sills.

A existência de programas estruturados para tornar a região ou o município mais atraentes para o investidor é uma boa ideia, pois “despersonaliza” o apoio e o faz mais duradouro.

No Paraná existe, a título de exemplo, o Programa Paraná Competitivo. Criado em 2011 como uma evolução do Paraná Mais Empregos, investe em novas empresas ou na expansão das já instaladas no Estado. Os benefícios são fiscais, como parcelamento, diferimento ou transferência de crédito de ICMS, ou isenção deste imposto na energia elétrica e gás.

Campo Mourão, por sua vez, possui o Pro-Campo, criado em 1995 para incentivar o desenvolvimento industrial do Município. Sua última revisão, em dezembro de 2015, permite ao Município várias formas de apoio ao empreendedor: isenção de tributos, prestação de serviços, alienação subsidiada de imóveis, concessão de direito de uso de barracões industriais e capacitação de mão-de-obra.

Indo um pouco além dos benefícios fiscais característicos destes programas, um município eficiente na captação de empresas pressupõe outros atrativos.

Localização

A localização é importante para a logística, e esta pode ser determinante na planilha de custos de uma indústria. Muitas empresas e indústrias escolhem aonde irão abrir suas filiais pela localização. Estar perto de aeroportos, estradas e rodovias que interligam os Estados, que passam entre grandes polos industriais ou que levam aos portos é um ponto fundamental na escolha do município pelas indústrias.

Infraestrutura

Oferecer a infraestrutura necessária, como tratamento de água, rede de esgoto, estradas e energia elétrica e rede de internet que chegam até as empresas são condições básicas.

Uma oportunidade pode ser tentar trazer os fornecedores das empresas e indústrias que já estão alocados no município. É preciso saber quem são, do que precisam para a produção de seus produtos/serviços, e ir atrás deles, condensando a cadeia no município ou região.

Mão de obra qualificada

Quem nunca reclamou de não conseguir mão-de-obra qualificada? É preciso ver se a cidade terá pessoas que ofereçam esses serviços. As empresas, antes de escolherem onde abrirão novas fábricas e filiais, procuram se informar se a mão de obra da região irá atender suas necessidades. Nesse caso, é preciso se antecipar e procurar por parcerias com escolas profissionalizantes. A presença de boas universidades e incubadoras de empresas aumenta a oferta de mão-de-obra qualificada.

Facilidade na abertura e manutenção

Municípios com processos burocráticos mais céleres, atendimento ao empreendedor centralizado, setores da administração focados no desenvolvimento econômico são diferenciais para novos empreendimentos.

Qualidade de vida

Outro fator, muitas vezes não levado em conta, é o apoio que a cidade oferece para os empresários. Analisa-se se há hotéis, hospitais, escolas, shoppings ou áreas de lazer no município ou em uma cidade ao redor.

De 2000 a 2010, os Estados Unidos viram uma migração de 13 milhões de pessoas da área rural para a urbana. Desse total, seis milhões optaram por morar nos municípios menores. Na prática, isso significa que as grandes cidades vêm perdendo participação na população urbana. Muitas pessoas, empresários ou não, têm fugido dos males das grandes cidades, como custo de vida alto, trânsito caótico e violência.

Cuidar da cidade

Ninguém gosta de trabalhar numa cidade visualmente feia, suja e pouco arborizada. Cada vez mais estes fatores estão sendo levados em consideração.

É necessário extrapolar os aspectos apenas tributários e buscar oferecer diferenciais para novos investidores em nosso município.

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Atração de empresas

A maior força de uma cidade é ter muitos cidadãos instruídos. Martinho Lutero

As cidades geralmente competem para atrair investimentos externos. Não é raro ver prefeitos, vereadores, governadores e deputados lutando para atrair uma empresa de porte para seu reduto eleitoral. E eu considero um anseio justo, por conta da necessidade de geração de empregos e tributos que irrigarão a economia local, tornando-a mais sustentável frente à crescente demanda social.

Uma consideração que faço é a respeito da qualidade do emprego que se pretende gerar. Sabemos que a quantidade de vagas é importante. Melhor as pessoas trabalhando do que dependentes da ação social. Em alguns casos, porém, os empregos gerados podem custar caro à municipalidade. Senão vejamos: uma empresa que detém grande porcentual de sua força de trabalho em níveis salariais mínimos, cria uma demanda ao poder público de investimentos em saúde, educação, transporte, moradia, entre outros, pois seus funcionários certamente não terão condições de arcar com esses custos.

Quero dizer com isso que, por exemplo, uma empresa que gera 200 empregos insalubres de salário mínimo, demandará do poder público a manutenção dessas pessoas através de saúde, educação e transporte gratuito, entre outros custos. Se para atrair essa empresa a cidade abriu mão de impostos e fez investimentos como doações ou serviços, daí então não recuperará esses recursos nem a médio prazo.

Logicamente essa não é uma equação fácil de resolver. Afinal, nenhum governante optaria em não investir em uma empresa que geraria centenas de vagas de trabalho, não é mesmo?

A solução talvez seja mais a longo prazo. Investir na qualidade do emprego. Atração de empresas mais competitivas e tecnológicas, fortalecimento das pequenas empresas locais, para que estas contratem mais ou pelo menos mantenham seus funcionários são algumas apostas. Melhorar o perfil de sua economia através de maior valor agregado, exportações, e incentivos para instalação de empresas de base tecnológica podem contribuir muito.

Bem, o fortalecimento das pequenas empresas locais pode-se buscar de forma mais rápida, pois elas já estão instaladas no município. Necessário o poder público dialogar com o setor produtivo, entender suas demandas, buscar parcerias e dar respostas adequadas. É como aquela história de tentar conquistar um novo cliente e esquecer daquele que já compra na sua loja. As empresas já estão na cidade, então, se o município vai fazer investimentos para atrair outras de fora, pode também fazê-los para as que já estão trabalhando no local.

A vinda de novas empresas é importantíssima também, para oxigenar a economia, trazer novos modelos de gestão, acirrar a concorrência e, claro, ampliar a oferta de empregos e os recolhimentos de tributos.

Neste aspecto, é importante que o gestor municipal tenha em mente o que deve fazer para que seu município oferte condições diferenciadas para atrair empresas de qualidade. Entrar em guerras fiscais ou de incentivos tributários é o pior caminho, pois via de regra as empresas interessadas somente nestes tipos de benefícios não têm muito compromisso com o município.

Enfim, não existe fórmula mágica: a cidade tem que ser atrativa e viável para gerar uma economia saudável, e assim gerar recursos para as demandas sociais cada vez mais crescentes.

Na próxima semana, trarei algumas ponderações sobre o que mais atrai as empresas a uma cidade.

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Poder de compra público

Anda! Parar é covardia e olhar para a cidade do passado é ignorância! Khalil Gibran

Você imagina quantas empresas de Campo Mourão tem um volume de compras de quase 100 milhões por ano? Devem ser bem poucas, mas uma delas é a Prefeitura. Segundo o Portal da Transparência, o orçamento de 2018 apresenta despesas correntes na ordem de 267 milhões. Tirando a folha de pagamento, algumas transferências a entidades, juros e pagamento de dívidas, o restante praticamente todo é consumido comprando-se alguma coisa.

As Secretarias do Município, para fazerem frente às demandas da população, compram produtos e serviços. Combustíveis, manutenção de frotas, material de escritório, equipamentos de informática, veículos e pneus, enfim, uma lista enorme de itens.

Essas compras todas são realizadas com o dinheiro dos impostos, lógico. Então, cada vez que a Prefeitura adquire um bem ou serviço de uma empresa de fora, na prática ela pega nosso dinheiro, e repassa a uma empresa de outro município, para que esta preste um serviço ou entregue um bem. A empresa, por sua vez, emprega pessoas, recolhe impostos e compra matéria-prima na sua cidade de origem. Ou seja, nós pagamos os impostos aqui e os recursos são transferidos para o desenvolvimento de outro Município ou Estado.

O ciclo virtuoso – contrário ao que descrevi acima – seria: o Município usa os recursos que a população pagou de impostos, compra de suas pequenas empresas locais, e estas, por sua vez, empregam a mão-de-obra, recolhem seus impostos, compra matéria-prima do próprio Município. Daí os recursos ficam aqui. A mesma pessoa que pagou o IPTU, por exemplo, pode trabalhar na empresa que fornece o Município, e paga seu salário. Ele compra no supermercado local, que paga o imposto pro Município, e assim a roda gira.

Para acontecer esse ciclo virtuoso, é necessário que ambos os lados – comprador e vendedor – estejam dispostos a colaborar.

De parte da legislação federal, já existem importantes ajustes para permitir aos Municípios darem prioridade às pequenas empresas locais em seus Editais de Licitação. Editais exclusivos a Micro e Pequenas Empresas, possibilidade de pagamento de até 10% a mais para uma empresa local, quando concorrente de uma empresa de fora, são alguns exemplos. Existem outros dispositivos.

O outro lado, no entanto, parece carecer de maior atenção. Pelo menos em Campo Mourão, temos encontrado dificuldades em ter participação de empresas locais nas licitações. Na semana passada comentei sobre uma pesquisa que apontou algumas razões. O fato é que temos diversas concorrências desertas, dificuldade em obter orçamentos e, consequentemente, comprar das empresas mourãoenses.

Preparação e racionalização do processo aquisitivo por parte do Município será fundamental para atingirmos os objetivos. Precisamos repensar o modelo para permitir à pequena empresa local competir nas vendas à Administração Pública. Pregões presenciais, cronogramas de entrega coerentes, registros de preços, ampla divulgação das necessidades de compra, aquisição de cooperativas locais e produtores rurais, celeridade e pontualidade nos pagamentos, enfim, são muitas as possibilidades de a Prefeitura ampliar o volume de compras locais e contribuir para manter os recursos circulando no próprio Município.

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Um mercado gigante e pouco explorado

Você é o que faz e não o que fala ou pensa.

Responda rápido: qual a maior dificuldade para uma pequena empresa manter-se competitiva? Se respondeu “encontrar clientes dispostos a comprar seus produtos”, acertou no item mais significativo. Agora... se alguns clientes anunciassem publicamente quem são, o que querem comprar e quanto querem pagar, não ficaria muito mais fácil? Pois bem, assim é o mercado de compras públicas. Todos os dias, milhares de Editais são abertos no Brasil com listas de produtos que empresas públicas querem comprar. É um mercado gigantesco, que movimenta R$ 700 bilhões anualmente (20% PIB).

Difícil é entender por que uma parcela do empresariado brasileiro, principalmente as micro e pequenas empresas, insiste em ignorar este segmento de mercado.

Nos últimos anos, por conta da sua grande importância na economia brasileira, as micro e pequenas empresas (MPE) têm recebido maior atenção do setor público. A Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, de 2006, contribuiu positivamente com o desempenho dos pequenos negócios, aumentando de 14% para 28% a participação das MPE em licitações públicas. Porém, apenas 4% de seu faturamento correspondem à venda para o governo.

Se para as empresas pode ser uma grande fonte de vendas, para o governo torna-se um importante fator para fortalecer o desenvolvimento regional. Com a nova legislação, a administração pública passou a comprar de MPEs em diversos segmentos, o que fortalece o mercado. Os benefícios dessas regras também incluem cooperativas, empreendedores e microempreendedores individuais e produtores rurais.

Ao comprar de pequenas empresas locais, o município tem ao seu alcance a possibilidade de manter a renda no município, gerar mais empregos e permitir uma melhor distribuição de renda.

Realizamos no final do ano passado, em parceria com o Observatório Social, uma pesquisa para identificar porque as pequenas empresas de Campo Mourão não participam das licitações públicas. Não só o Município, mas também outros órgãos, como Universidades, Sistema S, Emater, entre outros, relatam essa dificuldade de comprar localmente.

Este levantamento, sem a pretensão de ser uma pesquisa cientificamente precisa, obteve 500 respostas, que mostraram 4 principais razões para a não participação nos certames. A ordem foi essa: “Não fico sabendo dos Editais (25,8%), " “Não sei como participar” (25,4%)", "“Acho que as licitações são direcionadas” (22,2%)", " e “Medo de não receber” (11,8%)".

Sabemos que licitações são procedimento detalhista e sofisticado. O ente público deve avaliar seus fornecedores com critérios objetivos e garantir que os interessados concorram em igualdade de condições. Por outro lado, o empresário precisa estar apto a participar de licitações, dominar as “regras do jogo”.

Mas esse ajuste é fundamental para obter melhores resultados. E estes podem ser extremamente satisfatórios para ambos os lados.

Na próxima semana detalharemos algumas ações nas quais estamos trabalhando para tornar este cenário mais favorável.

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Cidade inteligente - como ela vai melhorar sua vida

“Eu nunca penso no futuro. Ele não tarda a chegar”. Albert Einstein

Dando continuidade ao tema de Cidades Inteligentes, como a população em geral se beneficia ao morar em uma Smart City?

Vamos começar voltando ao conceito: uma cidade inteligente é aquela que se utiliza de soluções tecnológicas para promover um desenvolvimento sustentável, crescimento econômico e melhoria na qualidade de vida. E, como citamos na semana passada, temos experimentado um crescimento muito rápido da tecnologia.

Mas essas iniciativas tecnológicas devem estar conectadas, tornando o ambiente, a economia e a sociedade interligadas para que esse esforço resulte em eficiência no uso de recursos, melhor mobilidade e serviços mais baratos e eficientes.

E com isso quem ganha é a sociedade. Alguns exemplos de como isso vai impactar sua vida:

1) Conectividade: o início de um projeto de Smart City invariavelmente começa pela oferta de conexões à internet a toda a população. Isso pode se dar por uma rede de luminárias com internet, ou com pontos de wi-fi espalhados pelo município. Com isso, amplia-se a frequência de uso de aplicativos que ajudam o dia-a-dia.

2) Mobilidade: a partir da conectividade, será possível coordenar semáforos, ou consultar em seu celular o local exato onde está seu ônibus quando chegar em um ponto.

3) Menor impacto ambiental: a partir de instalação de sensores interconectados, será possível monitorar níveis de emissão de gases, prevenir enchentes, sincronizar o trânsito, encontrar um estacionamento de forma muito mais rápida, diminuindo a emissão de CO2, sem falar em iluminação inteligente que permite grande economia de energia elétrica.

4) Educação: novas formas de ensinar, gameficação de projetos, materiais escolares digitais e interativos, atuação em rede entre pais, alunos e professores a partir de aplicativos da escola.

5) Serviços públicos eficientes e baratos: ao investir em tecnologia e sistemas inteligentes, o próprio município passa a oferecer maior acesso a informações de forma remota, permitir o acompanhamento em tempo real a seus processos, propiciar requisições e gerar demandas a partir de aplicativos de celular, entre outras possibilidades.

Esses são apenas alguns exemplos, entre tantos que podem surgir a partir de um projeto de cidade inteligente. No Brasil já existem iniciativas bem consistentes, algumas das quais observamos no evento Smart Cities Expo World Congress, em Curitiba, nos dias 28 de fevereiro e 1 de março.

E uma das conclusões a que chegamos é que essa ideia não é mais um projeto de futuro. Já deve ser tratada como uma necessidade das Cidades para fazer frente às demandas crescentes por serviços, com recursos cada vez mais escassos. Investir em um projeto de Cidade Inteligente será a melhor forma de superar os gargalos e desafios para atender as necessidades dos seus cidadãos.

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Cidades inteligentes

“Não há fatos eternos, assim como não há verdades absolutas” Friedrich Nietzsche

Nos últimos anos experimentamos um desenvolvimento tecnológico formidável, muito além de qualquer expectativa de nosso pais ou avós. Para se ter uma ideia, o volume de dados criado nos últimos dois anos é maior do que a quantidade produzida em toda a história da humanidade. Só no Google, a humanidade faz cerca de 40.000 consultas por segundo, o que significa 3,5 bilhões de buscas por dia e 1,2 trilhão por ano. Em agosto de 2015, mais de 1 bilhão de pessoas usaram o Facebook em um único dia. Esse povo assiste a 2,77 milhões de vídeos por minuto. No YouTube, mais de 300 horas de vídeo são enviadas no canal por minuto.

Poderia enumerar mais uma centena de dados relevantes para comprovar esse crescimento. Mas apenas mais um dado muito importante: Em 2015, cerca de 1,4 bilhão de smartphones foram comercializados com sensores capazes de coletar todos os tipos de dados, sem mencionar as informações geradas pelos usuários. Até 2020, o mundo terá mais de 6,1 bilhões de smartphones. Em 2017, o smartphone ultrapassou o computador como principal dispositivo para acessar dados e notícias no Brasil.

O reflexo disso tudo é que hoje temos condições de ter na palma da mão um volume muito grande de informações e uma agilidade e rapidez na busca de dados. De pedido de comida delivery a pagamento de boletos, de chamada de táxi a mensagens de vídeo com um amigo distante, tudo está ao alcance da telinha.

Porque então não temos a mesma facilidade e comodidade com os serviços públicos? Se consigo comprar uma geladeira pela internet do meu telefone, porque não consigo pedir para podar a árvore ou trocar a lâmpada de frente à minha casa? Se posso fazer aplicações e pagamentos no meu Internet Banking, porque preciso ir até a prefeitura para retirar guias e fazer solicitações?

Estas e muitas outras soluções fazem parte do conceito de Smart Cities. Segundo a FGV, Smart Cities são cidade criativas e sustentáveis, que fazem uso da tecnologia em seu processo de planejamento com a participação dos cidadãos.

Essa ideia tem sido amplamente disseminada não como moda, mas por uma real necessidade. Afinal, 3,9 bilhões de pessoas vivem em áreas urbanas. Esse volume representa mais da metade da população mundial (54%). No Brasil 85% da população já vive em áreas urbanizadas. Essa concentração de pessoas faz com que os serviços públicos devam ser cada vez mais eficazes. E, para garantir isso, é necessário que a administração pública realize uma gestão eficiente, priorizando a melhoria da qualidade de vida do cidadão. A busca por tecnologias que proporcionem às cidades serviços inteligentes é saída para enfrentar esse grande desafio.

Segundo a Revista Exame, para qualquer uma das 1.000 maiores empresas norte-americanas, um aumento de 10% no investimento em acessibilidade de dados poderia resultar em mais de US$ 65 milhões de lucro adicional por ano. Para um Município, aumentar o investimento em tecnologia é fundamental para equilibrar as contas entre a crescente demanda de serviços e a prestação destes com qualidade e baixo custo.

Nos dias 28 de fevereiro e 1 de março estivemos em um grande evento de Smart Cities em Curitiba. Nas próximas colunas, voltaremos a este importe tema.

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Desenvolvimento para ser sustentável tem que ser endógeno

“Não deixe que ninguém defina sua vida, defina-a você mesmo”. Harvey Firestone, empresário.

Sempre ouvimos dizer que o brasileiro é um povo que espera um “salvador da pátria”, principalmente em tempo de crise e próximo das eleições. Uma característica cultural de esperar no próximo uma solução para seus problemas.

Há que se considerar, no entanto que, se queremos pensar em desenvolvimento sustentável e crescente no longo prazo, esse paradigma precisa a ser quebrado.

Desde o final dos anos 80 discutem-se questões relacionadas ao desenvolvimento regional endógeno.

Antonio Vázquez Barquero, Catedrático de Economia e Professor Emérito da Universidade Autonoma de Madrid, diz que o desenvolvimento endógeno ocorre “quando a comunidade local é capaz de utilizar o potencial de desenvolvimento e liderar o processo de mudança”. Requer, ainda segundo o autor, “a existência de um sistema produtivo capaz de gerar rendimentos crescentes, mediante o uso de recursos disponíveis e a introdução de inovações, garantindo criação de riqueza e melhoria do bem estar”.

Ou seja: a premissa é que cada território gerencie internamente o capital social – as relações, e capital humano – a capacidade das pessoas, para fazer com que a política de desenvolvimento local supere os desequilíbrios.

Quando falamos em desenvolvimento a partir de empresas locais, estamos buscando tirar proveito do potencial de desenvolvimento existente no território. O desenvolvimento da região está relacionado aos fatores sociais, ambientais e culturais do local. Infelizmente no Brasil temos um modelo de gestão pública onde os recursos são centralizados no Governo Federal, que, através de políticas macro, oferece projetos ou proposições aos Estados e Municípios, muitas vezes não considerando aspectos e necessidades locais. Não é raro vermos projetos de municípios buscando recursos para coisas não essenciais ou não urgentes, apenas porque a oportunidade de captação se dá naquela área e não na verdadeira necessidade local.

Em várias regiões do mundo, entretanto, ao invés de dar subsídios indiscriminados para indústrias ou empresas, os governos estão reconhecendo que a melhor política regional é a de criar um ambiente mais favorável nas regiões, para que estas possam enfrentar os desafios da competição e dos avanços tecnológicos.

Desta forma, há urgente necessidade da organização dos atores, bem como de decidir qual a dificuldade que primeiro deve ser enfrentada. Com a organização do sistema local, cria-se um ambiente favorável à geração de economia de escala e à redução dos custos de transação, assim como ao crescimento econômico.

Poder público, empresas, instituições de ensino e representativas, devem partilhar de objetivos comuns com foco em sua característica locacional e a partir daí buscar fontes de superação e realização destes objetivos. A população em geral deve partilhar desse movimento, e entender que é somente a partir de seu desenvolvimento próprio e de sua participação terá avanços. Isso exige o desenvolvimento de instituições que sejam democráticas, modernas, representativas, transparentes e competentes e que possibilitem o planejamento com participação da população. Não que isso signifique criar uma região isolada ou fechada. Ao contrário, o desenvolvimento endógeno deve ser entendido como um processo de transformação, fortalecimento e qualificação das estruturas regionais.

A resposta dos atores locais aos desafios colocados pelo aumento da competitividade é o que desencadeia os processos de seu desenvolvimento, e não o “Salvador da Pátria”.

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2018 – Finalmente

“A melhor maneira de cuidar do futuro é cuidar do momento presente.” Thich Nhat Hanh

Primeira semana após o Carnaval, e o Brasil começa a andar. Será? 2018 surgiu com a expectativa de ser o ano para retomada do crescimento, após 2017 sinalizar minimamente para a saída do fundo do poço.

Porém, passados os primeiros 50 dias do ano, terminando o Carnaval (sim, em algumas regiões do país está terminando agora!) nos deparamos com a real perspectiva para o ano.

O cenário econômico aponta otimismo, principalmente em função da aparente inflação controlada e taxa de juros baixa, mas também baseada na melhora da confiança de empresários e consumidores.

Mas algumas incertezas contribuem para certa nebulosidade à frente. Primeiro, é um ano curto, do ponto de vista de eventos de vulto que costumam tirar a atenção do brasileiro para que o realmente importa: Carnaval, Copa do Mundo de Futebol e Eleições Presidenciais.

Outro fator importante é que a confiança do consumidor e o dinheiro mais barato não significam em crescimento econômico sustentável, haja visto que dependem do comportamento desse mesmo consumidor. Basta lembrar que, há alguns anos, a economia cresceu baseada em consumo, o que levou ao endividamento de grande parcela da população e, consequentemente, algum tempo de recessão.

Preocupação semelhante vejo no andamento, ou não, das reformas. Praticamente paralisadas por falta de vontade política tanto do Governo Federal como do Legislativo - cada um mais preocupado com seu ganho individual do que com o futuro do país. Pior do que aprovar ou não é manter um longo período de indefinições, pois isso afasta investimentos estrangeiros, segura as iniciativas de empreendimentos e dos próprios consumidores que temem o desemprego e a insegurança quanto a aposentadoria.

Finalmente, creio que o maior desafio será a eleição, pois é o principal fator de incertezas. Primeiro pela definição de quantos candidatos concorrerão à Presidência, e quais serão suas propostas. O fato é que, sem um vencedor que enfrente a realidade dos gastos públicos, viabilize um ajuste fiscal para reduzir o déficit público, entre outras reformas, não conseguiremos alavancar o crescimento.

E a definição de participação ou não do ex-presidente Lula talvez seja o elemento central do tema. Condenado em 2ª. instância, sua participação na corrida eleitoral não está descartada ainda, e isso gera mais hesitação e indecisão. Se chegar a participar e vencer ancorado em recursos judiciais a serem julgados mais tarde, terá capacidade e legitimidade de promover a articulação para as reformas? Se não concorrer, haverá um candidato que conseguirá uma coalisão para temas tão árduos?

Fato é que a sociedade não pode deixar mais um ano passar sem uma profunda discussão acerca do que desejamos. É hora de amadurecer os aprendizados sobre a crise que estamos passando e fazer opções. Mais do que torcer para o Brasil ganhar a Copa do Mundo, precisamos torcer para o Brasil ganhar um futuro próspero e benéfico a todos os brasileiros.

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