Sociedade e Desenvolvimento
Balanço de 2017

“A gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem”. Oscar Niemeyer

Na semana que passou, tivemos a oportunidade de fazer um balanço das principais realizações da Administração de Campo Mourão em 2017. Apesar das grandes dificuldades em que encontramos o município, foi um balanço bastante positivo.

Esta será minha última coluna de 2017, e portanto, farei um breve resumo das ações mais importantes na Secretaria de Desenvolvimento Econômico.

CASA DO EMPREENDEDOR - Inauguramos a Casa do Empreendedor em fevereiro, com a missão de ser um ponto de referência ao atendimento dos Micro Empreendedores Individuais. Começamos com o atendimento aos MEI´s, e em abril iniciamos os serviços do Banco do Empreendedor. Através de parcerias com o Sebrae, Unespar e Agência de Fomento, disponibilizamos várias oportunidades de capacitação, orientação e crédito aos empreendedores mourãoenses. Hoje, atendemos cerca de 400 MEI´s por mês, já financiamos mais de R$ 1 milhão, e semanalmente temos consultorias gratuitas de finanças, marketing e produção.

I FEIRA DO MEI - Durante a Semana do Micro Empreendedor Individual, realizada em parceria com o Sebrae no mês de maio, organizamos a I Feira do MEI, na Praça São José. Com 17 participantes, a Feira serviu para mostrar a força e a diversidade de atividades que podem ser enquadradas nesta categoria.

I EMPREENDE WEEK - Temos convicção de que a aproximação entre as Universidades e as empresas permitirá um crescimento para ambos, pois o conhecimento gerado nos cursos que temos em Campo Mourão poderá ser utilizado pelos empresários, e os alunos, por sua vez, adquirirão experiência de mercado. Outra perspectiva neste sentido é o de manter na cidade os alunos que aqui se formam, seja através de empregos de qualidade ou pelo viés do empreendedorismo. No Empreende Week – Semana de Empreendedorismo, desafiamos 40 jovens estudantes universitários a pensarem projetos para melhoria da cidade e do cidadão. Estes projetos deveriam ser viáveis para tornarem-se negócios. O resultado que, depois de uma semana intensa de capacitação e motivação, surgiram 7 projetos de excelente qualidade, e com a possibilidade dos próprios alunos tornarem-se novos empreendedores.

FEIRA DA ECONOMIA CRIATIVA - O objetivo com a Feira da Economia Criativa é permitir aos artesãos, artistas, produtores agrícolas, colecionadores, entre outros, mostrar e comercializar seus trabalhos na praça São José, aos domingos. Por outro lado, dar à população uma opção de entretenimento e encontro semanal, com suas famílias, desfrutando de uma local privilegiado que temos em Campo Mourão.

REMODELAÇÃO DO PRÓ-CAMPO - Depois da alteração da Lei do Pró-Campo em dezembro de 2015, nenhum processo de incentivo econômico foi encaminhado. Encontramos na Secretaria 47 processos avaliados pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico, mas sem condições de serem atendidos, pois com a alteração da Lei não poderia mais haver concessão de terrenos ou doação sem prévia licitação. Iniciamos então um processo de identificação, liberação e documentação de terrenos que pudessem ser alienados à empresas, e elaboramos projeto de Lei para venda de 11 terrenos com subsídios de 40 a 80% a título de incentivo à industrialização. A Lei foi aprovada em novembro e o edital de licitação sairá ainda em 2017.

Temos metas mais ambiciosas para 2018, já alinhadas com nossa Equipe e com o Prefeito. Entre elas, a realização de uma grande Feira de Ciência e Tecnologia, e a centralização na Casa do Empreendedor de todos os processos referentes à abertura de empresas em Campo Mourão. Será o fim das idas e vindas a várias Secretarias e Departamentos para levar e pegar papéis.

Gostaria de agradecer ao apoio de todos os parceiros com quem trabalhamos em 2017, desejar a todos um Feliz Natal e que 2018 seja de muitas realizações.

Esta coluna volta na segunda quinzena de janeiro.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

Centro de Empreendedorismo, Inovação e Tecnologia – CEITEC

“Quando você compartilha sua inovação, a sociedade fica melhor”. Gil Giardelli, professor na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM)

O município de Campo Mourão já possui os principais players, demandas e histórico de sucesso para compor um centro de Inovação. São 7 faculdades e Universidades, sendo uma delas federal, além das instituições de ensino técnico igualmente formadoras de notório capital humano capaz de atuar no desenvolvimento de produtos e empresas de alto potencial em nosso município. Também temos várias empresas de tecnologia espalhadas pelo tecido urbano, inclusive participando de movimentos nacionais de startups.

motivos que ensejam a criação deste centro também levam em conta as pesquisas dos mais de 240 mestres e 160 doutores que atuam na cidade. Muitos deles realizam pesquisas em grandes universidades e que podem encontrar condições de aplicabilidade e escalabilidade no CIETEC.

Ainda, há um histórico na experiência de incubação de empresas de base tecnológica trazida pela Fundação Educere, cujas 16 empresas que ali surgiram já faturam mais de R$ 45 milhões/ ano, gera mais de R$ 6 milhões em impostos e mais de 200 empregos diretos, com produtos de inovação disruptiva sendo ali desenvolvidos.

O CEITEC – Centro de Empreendedorismo, Inovação e Tecnologia é um projeto que mescla as atividades de uma incubadora de empresas, centro P, D & I (pesquisa, desenvolvimento e inovação), aceleradora de empresas e co-working em um único espaço físico, fomentando um ecossistema de capital humano e empresas inovadoras em produtos, serviços e processos.

A principal diferença entre este centro e uma incubadora de empresas comum é que, enquanto neste último o foco é apoiar apenas as empresas em si, no CEITEC a ideia é apoiar não apenas as empresas, mas também criar sinergia no mesmo espaço físico entre empresários, profissionais liberais, estudantes, pesquisadores e atividades de consultoria e assessoria necessárias para a aceleração de negócios.

de modo exemplificativo, teríamos em um mesmo prédio empresas de base tecnológica em estágio nascente, empresas em fase de consolidação de mercado, escritórios de consultoria jurídica, contábil, RH, marketing, acesso a mercados e captação de recursos.

O espaço de co-working poderá ser utilizado por outros profissionais liberais, pesquisadores e estagiários, formando uma rede estratégica de capital humano para o empreendimento.

Em síntese, o CIETEC deverá ser a instituição catalisadora entre os empreendedores regionais e as sete Instituições de Ensino Superior presentes no município, de maneira multidisciplinar e capaz de atrair investimentos e produzir negócios caracterizados pela inovação e escala.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

A distribuição desigual do espaço público

“A cidade avançada não é aquela em que os pobres andam de carro, mas aquela em que os ricos usam transporte público” - Enrique Peñalosa

Há algum tempo venho observando a distribuição desigual do espaço público, em relação aos pedestres, ciclistas e condutores de automóveis. Li um artigo onde o especialista em mobilidade urbana, Mikael Colville-Andersen, qualifica esse fenômeno como “a arrogância do espaço”.

Do ponto de vista desse planejador urbano e fundador do Copenhagenize (uma companhia especializada em cidades com qualidade de vida e no uso urbano da bicicleta), este termo pode ser aplicado às cidades que são dominadas pela engenharia de trânsito do século passado, isto é, aquelas que estão planejadas prioritariamente para os automóveis.

Para exemplificar seu posicionamento, Mikael analisou a quantidade de espaço que possui cada um desses grupos, além do espaço “morto” e dos edifícios, em algumas ruas de Calgary – Canadá , Paris e Tóquio e fez uma comparação de cada setor com diferentes cores. Mikael assegura que esta ferramenta permite ter uma ideia que o uso do espaço não está de acordo com sua demanda.

Isso porque observando os pedestres que estão esperando no cruzamento ou circulando pelas calçadas, estes superam muito em quantidade os condutores de automóveis. Estes últimos, porém, ocupam uma área muito maior com seus veículos.

No cruzamento mais movimentado do mundo, em Shibuya, Tóquio, convivem pedestres e ciclistas. A presença destes se explica pela existência de vários bicicletários nos arredores da estação de ônibus e trens de Shibuya. Em Tóquio nota-se uma distribuição do espaço um pouco mais equitativa.

Agora, e se fizéssemos um estudo assim no centro de Campo Mourão? Do alto de um edifício, observarmos o espaço de ruas e estacionamentos destinados aos automóveis, em contrapartida aos espaços dos pedestres ou ciclistas?

Há uma queixa generalizada sobre o trânsito em nossa cidade, especialmente no Centro. E, de fato, existem vários gargalos a serem superados, principalmente porque o número de veículos cresceu muito acima do que o número de pessoas, proporcionalmente. E as ruas não cresceram.

Só que, além disso, não se pensou até então em alternativas para diminuir o número de carros. Pelo contrário. Criaram-se opções para cada vez “socar” mais veículos nas ruas do centro. Estacionamento diagonal, no canteiro central, na praça da Igreja, etc. E venha para o Centro com seu carro, nós damos um jeito.

É hora de pensarmos numa cidade mais “caminhável”. Pessoas andando a pé, de bicicleta, de patins. Temos que ter projetos de calçadões, áreas livres de veículos, para dar segurança às pessoas. Não é possível mais uma cidade plana, arborizada e de clima agradável como Campo Mourão fazer-se refém de veículos motorizados. Ou você, empresário, acha que seu cliente é aquele cara estressado dentro de um carro procurando estacionamento?

Para isso, é mister um novo modelo de transporte coletivo, uma nova engenharia das ruas, assim como um novo comportamento de motoristas e motociclistas.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

A necessária inovação do dia-a-dia

“Inove sempre que puder. Mas, principalmente, quando não puder” - Henrique Szklo

Semana passada participei do 5º. Congresso Paranaense das Cidades Digitais, em Curitiba. Em pauta, apresentação de cases de diversos municípios que estão investindo em tecnologia e oportunidades de inovação para cidades de todos os portes.

E, sim, é absolutamente necessário o investimento em tecnologia e inovação na Gestão Pública. E, com a velocidade que observamos no desenvolvimento tecnológico nos últimos anos, eu diria mais: é urgente também.

As alterações demográficas, tecnológicas, econômicas e ambientais que temos verificado ao longo dos últimos anos impactam severamente o planejamento e a gestão das cidades. Mais de 85% da população brasileira vive em áreas urbanas, e por isso, somente tornar as cidades cada vez mais resilientes e inteligentes poderá garantir, a longo prazo, um desenvolvimento sustentável eficaz e qualidade de vida aos seus cidadãos.

Embora as amarras jurídicas e burocráticas dificultem o processo (imaginem que a Lei 8666, que rege licitações e compras públicas, é de 1993 – tem 24 anos) muitos gestores estão trilhando este caminho, e com ótimos resultados.

Desde a eliminação de papéis, passando transparência na resposta ao cidadão, gestão de trânsito, segurança, são inúmeros os exemplos das chamadas “smart cities”.

Mas não basta investir em equipamentos sofisticados e computadores de última geração. É necessário inovar em processos, treinar pessoas, ousar em modelos de gestão.

As pessoas estão sendo bombardeadas por novas tecnologias diariamente, as novidades não param de surgir, e querem ver isso também na gestão de sua cidade. Querem ter a mesma facilidade que têm para pagar uma conta com seu smartphone quando precisam pagar uma taxa de serviço público. Querem agendar uma consulta no postinho como se agenda uma hospedagem no hotel. Querem requisitar seus serviços sem precisar de inúmeros cadastros repetitivos, com papéis a serem entregues e carimbados em diversas repartições. Espera reconhecer gestores que buscam alternativas inovadoras para os seus municípios.

Elas resistem à mudança, mas querem uma cidade melhor para viver. Quando o cidadão avança, mas a cidade para, cria-se uma zona de conflito com o Gestor Público, que precisa propor e explorar um conjunto de coisas. Fazer iniciativas temporárias, ajudar as pessoas a ultrapassar os seus medos e a enfrentar os cenários. Dizer “isto pode até não funcionar, mas não sabemos, vamos experimentar”.

Dizem que não devemos ter medo do caminho, mas sim de não caminhar. Existe ainda muito trabalho a ser feito para criar mais cidades inteligentes e sustentáveis, que dêem aos cidadãos melhores condições de vida. Muitos municípios já estão olhando para isso como uma oportunidade única para cumprir com estes objetivos, pois já perceberam que não inovar pode conduzir a uma gestão ineficiente, com falsos pressupostos que não trarão o bem-estar a seus cidadãos.

É crucial planejar e identificar tendências e possíveis oportunidades para o funcionamento da cidade de modo inteligente. Isso é pensar hoje a cidade de amanhã.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

Seu desejo não é seu direito

"Você tem o direito de ter desejos. Mas não espere que todo desejo seja um direito" – Carlos A. Facco

Tenho percebido um comportamento cada vez mais comum na sociedade: a reivindicação de desejos como sendo direitos.

Talvez fruto de uma educação mais liberal por pais de uma geração que foi criada com muito rigor, e que agora considera que ser um pai “legal” e “amigo” de seu filho é deixá-lo fazer o que quiser, estamos criando uma legião de pessoas que estão com dificuldade de viver em comunidade, simplesmente porque isso pressupõe limites e concessões, que eles não aprenderam a ter.

Como em um conhecido quadrinho onde os pais de hoje, ao receberem um boletim do filho com notas baixas, questionam o professor, e não o filho, sobre o porquê do resultado ruim.

Desde cedo, as pessoas estão aprendendo que têm tudo o que querem, bastando um bater de pés, um choro, uma chantagem, uma birra. O problema é que, quando adultos, estas mesmas pessoas, que não aprenderam a receber um “não” como resposta, começam a receber. E aí, frustradas, fazem de tudo para obter seus desejos. Mesmo que precisem roubar, corromper, esconder.

Isso gera uma dificuldade de viver em comunidade. Porque comunidade significa qualidade das coisas e noções comuns a diversos indivíduos, significa concordância, harmonia. E isso se consegue com concessões, condições gerais de vida, e não com desejos individuais, desarmonia, logro e óbices.

Se queremos viver numa república, que significa coisa pública, de todos, teremos que abrir mão de alguns desejos.

É perfeitamente natural uma zona de “conflito de interesses”, gerada pela diferença entre o desejo individual do requerente e sua possibilidade diante do interesse coletivo.

O problema começa quando alguns menos conformados, que não aprenderam a ceder, continuam achando que podem impor suas condições e seu querer. Daí nasce a corrupção, a depredação, a apropriação indevida do que não aceita abrir mão.

Se pretendemos uma sociedade desenvolvida, progressista, com oportunidade para todos, precisamos pensar no indivíduo em formação. Nas famílias, na educação desde a primeira infância, onde se aprenda a conviver, ou seja, viver com. Viver com pessoas diferentes, prioridades diferentes, visão de mundo diferentes, desejos diferentes.

Dizem que empatia é a capacidade de se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente, de querer o que ela quer, de compreender do modo como ela compreende. Meu pai me ensinou a chamar isso de respeito.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

Empreendedorismo na veia

"Nenhum projeto disruptivo foi realizado sem risco. Deve-se estar disposto a arriscar sempre" – James Cameron

Nesta semana, de 6 a 11 de novembro, realizamos um evento de empreendedorismo universitário inédito em Campo Mourão. Mas o Empreende Week – Soluções para a Cidade começou a ser plantado ainda no primeiro semestre.

Nossa crença é que podemos fazer com que os jovens universitários que vem de vários estados estudarem aqui em Campo Mourão fiquem aqui após sua formatura. E melhor, empreendendo.

Hoje temos quase 10 mil jovens no Ensino Superior em Campo Mourão. Esforços e investimentos como a implantação do então Cefet, a criação do Integrado e Unicampo por empresários locais, a transformação da Fecilcam em Unespar foram decisivos para isso. Atraem estudantes de vários estados do Brasil.

Agora, temos que dar um passo adiante. Manter esses jovens em Campo Mourão, com empresas de tecnologia, empregos de valor agregado e geração de conhecimento locais será fundamental para uma transformar nossa economia regional.

Acreditamos que o Poder Público deve ser o grande indutor desse processo. Por isso, desde o início do ano, através da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, estivemos em todas as faculdades instigando os alunos e professores a “sair às ruas”, conhecendo problemas locais e propondo soluções.

Começamos com as dificuldades da própria Prefeitura. Levantamos necessidades de algumas secretarias e alguns alunos, orientados, passaram a propor soluções. Já temos aplicativos prontos para a Diretoria de Trânsito e Vigilância Sanitária.

O Empreende Week foi o segundo passo. Propusemos às 4 Faculdades presenciais o desafio: montar grupos de estudantes para passarem uma semana pensando e propondo soluções para a cidade em dois eixos: Urbanismo e Meio Ambiente, ou Soluções para a Sociedade.

Tínhamos capacidade para 8 grupos. Inscreveram-se 20. Os selecionados tiveram uma semana intensa de Oficinas, Palestras, Mentoria. Após um preparo de 3 dias, entraram em uma maratona de ideação para propor seus projetos.

O clima gerado com esses jovens durante a semana foi arrepiante. Envolvimento, compromisso, brilho nos olhos, vontade de não sair da sala para terminar o projeto. Enfim, no sábado à tarde, chegou a hora da Banca de Avaliação.

E o que vimos foram projetos muito acima de qualquer expectativa. Desde ideias simples e funcionais para questões como trânsito e coleta de resíduos, até aplicativos para a área de saúde e conservação de energia.

Os projetos serão objeto de divulgação pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico nos próximos dias. Mas, independentemente da particularidade de cada um, já temos a convicção que estamos criando um ambiente de inovação, tecnologia, troca de conhecimento, e principalmente, empreendedorismo entre os jovens.

O projeto prevê próximos passos, como a incubação das start-ups no Centro de Inovação e Empreendedorismo – Ceitec, a implantação das soluções no município de Campo Mourão como validação destas, a busca de mentores e investidores para que as empresas nascidas aqui prosperem no mercado.

Nossa utopia é que os jovens venham estudar em Campo Mourão, e, contagiados por um ambiente empreendedor, transformem suas ideias em Negócios, iniciem aqui suas Start-ups, e gerem empregos de alto nível em nossa Cidade. Assim, teremos um virtuoso ciclo de educação gerando empreendimentos, que investem no município, que atrai mais talentos, que estudam e empreendem aqui.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

País difícil para empreender

"Comece de onde você está. Use o que você tiver. Faça o que você puder"

Arthur Ashe, tenista

O Banco Mundial realiza anualmente um estudo chamado Doing Business. Foi lançado em 2002, e examina as pequenas e médias empresas nacionais, analisando as regulamentações aplicadas a elas durante o seu ciclo de vida. Assim, este estudo serve de ferramenta para se medir o impacto das regulamentações sobre as atividades empresariais ao redor do mundo.

Em outras palavras, serve para medir e comparar o que chamamos de “ambiente de negócios”.

O Doing Business incentiva os países a competir para alcançar uma regulamentação mais eficiente; oferece padrões de referência sobre reformas regulatórias; e serve como uma ferramenta para acadêmicos, jornalistas, membros do governo, empresários, pesquisadores e outros interessados no ambiente de negócios de cada país.

O estudo é realizado em 190 países, e o Brasil vem se destacando em cair ano a ano na posição do ranking. De 121ª. em 2015, 123ª. em 2016, agora aparece na 125ª posição. Se analisarmos somente o quesito facilidade de abrir a empresa, o ranking é ainda pior: 176º.

O tempo que se leva para abertura de empresas é um dos quesitos mais divulgados do Doing Business. Enquanto a média global é de 21 dias, no Brasil passa de 80. Além da peregrinação por vários órgãos e custos pré-operacionais altíssimos, que são os principais entraves do processo. A Nova Zelândia, líder neste quesito, não demora mais que 8 dias para colocar uma empresa pra trabalhar.

Em um país com tantas dificuldades, tanto desemprego e necessidade de melhorar a distribuição de renda, penso que seria lógico investir no espírito empreendedor de seu povo, permitindo que surgissem inúmeras pequenas empresas a cada ano e que elas fossem cada vez mais sustentáveis. Infelizmente, não é o que vemos acontecer.

Parece que nossos governantes, principalmente a nível federal, não estão nem aí com os mais de 13 milhões de desempregados, muitos dos quais poderiam estar empreendendo, gerando seu sustento e deixando de depender de programas sociais.

Em Campo Mourão, estamos atentos ao movimento e importância dos pequenos negócios – já escrevi sobre isso aqui.

A partir do início de 2018, a Casa do Empreendedor será o único ponto de relacionamento do empreendedor com a Prefeitura. Centralizaremos todos os processos de abertura de empresas num único local, de forma que o empreendedor não mais precise se deslocar para entregar documentos, projetos, guias, etc. Entregará os documentos na Casa do Empreendedor e retirará o processo pronto no mesmo local.

Essa mudança nos permitirá avaliar e melhorar o processo, pois teremos todas as informações sobre os gargalos que porventura existirem. A partir daí, prosseguiremos com a desburocratização e agilização. Acreditamos que podemos criar um ambiente mais favorável ao empreendedorismo em nossa cidade.

Semana histórica

“É impossível progredir sem mudança, e aqueles que não mudam suas mentes não podem mudar nada.”

George Bernard Shaw

Na última semana tivemos dois fatos de grande relevância para o Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão, principalmente se pensarmos no significado deles a longo prazo.

Primeiro, a mudança da data de comemoração do aniversário da Cidade. Aparentemente, isso soa muito pouco, pois nem sequer foi extinto o Feriado, mas apenas reposicionado. Ou seja, nem um dia útil a mais. Mas eu valorizo mais as nuances do processo. Para começar, a administração permitiu uma discussão na sociedade, ao enviar o processo para o Legislativo. Depois, houve um debate amplo, com audiência pública, pesquisa de opinião, reuniões. Por último, o Legislativo mostrou maturidade em uma decisão mais técnica e menos populista. Independentemente do objeto – no caso a mudança do Feriado – o processo foi muito bom. E a união dos empresários em prol de uma causa foi bastante animadora. Me deu a esperança de que continuem essa união para outros desafios maiores que precisam enfrentar.

Segundo, e bem mais simbólico, a criação do Conselho de Desenvolvimento Econômico – Codecam. Já escrevi sobre sua importância em outras oportunidades. Não é um movimento totalmente inédito. Já tivemos iniciativas parecidas com criação do Fórum de Desenvolvimento, por exemplo. Antes, já houve outro Conselho, e outro fórum. Nenhum duradouro. Porque devemos acreditam no Codecam?

1) Tem um foco muito claro: diferente do Fórum de Desenvolvimento, que teve a intenção de trabalhar em 5 eixos de Desenvolvimento, o Codecam nasce com o foco econômico. Embora existam Câmaras Técnicas de Saúde, Educação e Cultura, a discussão será em torno da influência desses temas no Desenvolvimento Econômico da Cidade e vice-versa.

2) Terá uma estrutura administrativa e operacional: por mais desejo e envolvimento no processo que haja, é muito difícil produzir projetos e administrar seu andamento baseado apenas em algumas horas de voluntariado. Além da importantíssima participação das lideranças voluntárias, uma equipe técnica para operacionalizar as ações certamente não deixará a roda parar.

3) Projetos: derivada a anterior, o Codecam deverá trabalhar em projetos específicos, focados e com mensuração de resultados. Aliás, esta última já foi objeto de muitas discussões quando da elaboração de PPA, quando o Conselho contribuiu na elaboração de indicadores de desenvolvimento para o município.

4) Ancorada em Lei: é natural em movimentos dessa dimensão, que tem atuação além de mandatos políticos, que as relações com o Poder Público passem por altos e baixos. Sendo criado por uma Lei, torna-se mais difícil a sua extinção ou não-participação nas decisões de políticas públicas.

Mas será que isso será suficiente? Eu já disse em várias reuniões que, além e mais importante que tudo isso será o comprometimento e a participação dos envolvidos. Dentro de alguns dias, as entidades indicarão os nomes para compor o Conselho. Se estas pessoas não tiverem um forte sentimento de engajamento, desapego, visão de longo prazo e paciência para trabalhar em grupo, o Codecam se reduzirá a um Conselho burocrático, existente para cumprir a Lei, sem a voz ativa e empoderada que merece.

Desenvolvimento Tecnológico

“Existem três tipos de pessoas. As que fazem as coisas acontecer, as que ficam vendo as coisas acontecerem e as que se perguntam: O que aconteceu?” (Philip Kotler)

Na última terça, dia 17, estivemos em Pato Branco, sudoeste do Paraná, conhecendo as iniciativas daquele município em relação a Desenvolvimento Econômico e Tecnológico.

Pudemos visitar a Feira Inventum, um evento que eles denominam “a maior feira de Ciência e Tecnologia do Paraná”. E de fato é surpreendente: 110 mil pessoas visitando um evento de 6 dias, onde não tem show sertanejo, parque de diversões e nem barracas de “kapeta”.

Mas o que tem nessa feira de tão especial? Ciência, inovação e tecnologia, muita tecnologia. Escolas de todos os níveis participando com projetos, experiências, ideias; alunos e professores motivados a pensar e apresentar projetos para desenvolvimento da cidade. Modelos de aprendizado baseados na metodologia maker, ou seja, aprender fazendo. Baseado em desafios, os alunos desenvolveram catapultas, pontes de macarrão, carros sem motor, fizeram corridas de drones, disputas de robôs, torneios de videogames, enfim, um sem-número de alternativas e opções para atrair a atenção de uma nova geração de pessoas, conectadas o tempo todo em novidades e conceitos heterodoxos.

Mas o mais impressionante é que o evento, o Inventum, é apenas o resultado demonstrado de inúmeras iniciativas e projetos que o município desenvolve há anos focado em desenvolvimento tecnológico. Com apenas 80 mil habitantes, Pato Branco tem um invejável currículo nessa área: 90 cursos superiores, mais de 250 empresas de tecnologia, robótica nas escolas fundamentais, Parque Tecnológico, e um ambiente que atrai empresas e talentos de todos os lados.

Necessário entender, obviamente, que resultados deste nível não são conquistados no curto prazo. E aí é que entra um ingrediente fundamental: um arcabouço institucional forte, focado e parceiro numa mesma visão. Politicamente, também em Pato Branco houve diferença de modelo de gestão e prioridades. Mas as instituições souberam manter o foco no projeto de longo prazo e superar as adversidades momentâneas.

Municípios que queiram se desenvolver precisam criar esse “núcleo duro” decisório e guardião de sua visão de futuro. Cidade grandes não são tão dependentes do poder público como as pequenas. Para estas, é primordial que se sintonizem os interesses institucionais ao redor de um tema ou vocação que permita superar e progredir apesar de algumas vezes não ter o total apoio político.

EMPREENDE WEEK – a Secretaria de Desenvolvimento Econômico está promovendo de 6 a 11 de novembro a primeira Empreende Week – Semana de Empreendedorismo e Inovação. Com objetivo é fomentar o empreendedorismo nos Universitários, incentivando o protagonismo através da geração de projetos que contribuam com o desenvolvimento do Município. Serão 40 estudantes divididos em 8 grupos, sendo 2 de cada Faculdade de Campo Mourão, que deverão criar projetos nas áreas de Urbanismo e Meio Ambiente e Soluções para a Sociedade. Durante a semana, esses jovens terão oficinas e mentorias, de forma a participar de uma banca e apresentar seus projetos na tarde do sábado, dia 11. Os 3 primeiros receberão prêmios e terão seus projetos apresentados à Administração Municipal para viabilização da sua implantação. É o primeiro movimento no município levando o conhecimento gerado nas Faculdades para a aplicação na melhoria da própria cidade. Queremos disseminar o empreendedorismo como possibilidade de carreira para os jovens.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão.

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5 maneiras de participar do desenvolvimento de sua cidade

Há uma semana, Campo Mourão completou 70 anos de emancipação política, e, nestas ocasiões, sempre surgem os votos e desejos de mais desenvolvimento, uma cidade melhor, etc, etc ...

Bem, se pensamos em ter uma cidade melhor para nossos filhos, que tal sermos melhores para nossa cidade? Como podemos pensar em participar agora de seu desenvolvimento, contribuir mais para mitigar seus problemas, enfim... exercer a cidadania, por mais clichê que isso pareça?

Contribuir de alguma forma para a cidade ou para a sociedade é uma coisa que cada vez mais leva muitas pessoas a refletir. Prova disso é que cresce o número de iniciativas individuais e coletivas para ações de cunho social, cuidado ao meio ambiente, filantropia, ajudar entidades e outras causas.

Esta participação popular é reforçada de certa forma pela ausência do Estado, que comete atos que envolvem corrupção, descuido com o planejamento das políticas públicas e pouquíssimo incentivo para o desenvolvimento econômico.

Outros exemplos dessas atividades encontramos em empresas e organizações do terceiro setor, que vêm contribuindo bastante para o bem comum. É claro que o governo deveria cumprir seu dever e fazer muitas coisas diferentes no Brasil. Mas ações governamentais apenas não bastam.

Alguns intelectuais e estudiosos defendem que o Estado sozinho não é suficiente para resolver os problemas da sociedade. E que as ações de pessoas e empresas do terceiro setor também são necessárias e bem-vindas para a construção do desenvolvimento humano. Então, como fazer isso?

1) Mudar a si mesmo em primeiro lugar. Não adianta querer mudar o mundo se no cotidiano não se faz pequenas ações como ajudar o outro, ser educado, não jogar lixo no chão.

2) Conhecer e obedecer a Lei. As leis existem para representar as necessidades da população e organizar a convivência em sociedade. Para agir em prol de seu desenvolvimento é necessário não só conhecer, mas respeitar as legislações.

3) Votar e ser votado. Podemos escolher nossos governantes e representantes, vivemos numa democracia. Escolher bem é importante. E se você deseja ser este representante, candidate-se.

4) Participar. Manifestações, conselhos, fóruns, audiências públicas, que vemos ocorrer quase que diariamente e são formas de garantir o debate de prioridades da sociedade.

5) Fazer responsabilidade social nas empresas. Se você é empresário ou trabalha em uma empresa, propunha uma ação de responsabilidade social. Além de valorizar a marca, traz melhor relacionamento com clientes, fornecedores, comunidade.

Melhorar nosso ambiente, nossa cidade e nossa sociedade depende de cada um. Pense em outras formas de participar de mudanças para uma Campo Mourão e um Brasil melhor.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão.

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