Sociedade e Desenvolvimento
Semana histórica

“É impossível progredir sem mudança, e aqueles que não mudam suas mentes não podem mudar nada.”

George Bernard Shaw

Na última semana tivemos dois fatos de grande relevância para o Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão, principalmente se pensarmos no significado deles a longo prazo.

Primeiro, a mudança da data de comemoração do aniversário da Cidade. Aparentemente, isso soa muito pouco, pois nem sequer foi extinto o Feriado, mas apenas reposicionado. Ou seja, nem um dia útil a mais. Mas eu valorizo mais as nuances do processo. Para começar, a administração permitiu uma discussão na sociedade, ao enviar o processo para o Legislativo. Depois, houve um debate amplo, com audiência pública, pesquisa de opinião, reuniões. Por último, o Legislativo mostrou maturidade em uma decisão mais técnica e menos populista. Independentemente do objeto – no caso a mudança do Feriado – o processo foi muito bom. E a união dos empresários em prol de uma causa foi bastante animadora. Me deu a esperança de que continuem essa união para outros desafios maiores que precisam enfrentar.

Segundo, e bem mais simbólico, a criação do Conselho de Desenvolvimento Econômico – Codecam. Já escrevi sobre sua importância em outras oportunidades. Não é um movimento totalmente inédito. Já tivemos iniciativas parecidas com criação do Fórum de Desenvolvimento, por exemplo. Antes, já houve outro Conselho, e outro fórum. Nenhum duradouro. Porque devemos acreditam no Codecam?

1) Tem um foco muito claro: diferente do Fórum de Desenvolvimento, que teve a intenção de trabalhar em 5 eixos de Desenvolvimento, o Codecam nasce com o foco econômico. Embora existam Câmaras Técnicas de Saúde, Educação e Cultura, a discussão será em torno da influência desses temas no Desenvolvimento Econômico da Cidade e vice-versa.

2) Terá uma estrutura administrativa e operacional: por mais desejo e envolvimento no processo que haja, é muito difícil produzir projetos e administrar seu andamento baseado apenas em algumas horas de voluntariado. Além da importantíssima participação das lideranças voluntárias, uma equipe técnica para operacionalizar as ações certamente não deixará a roda parar.

3) Projetos: derivada a anterior, o Codecam deverá trabalhar em projetos específicos, focados e com mensuração de resultados. Aliás, esta última já foi objeto de muitas discussões quando da elaboração de PPA, quando o Conselho contribuiu na elaboração de indicadores de desenvolvimento para o município.

4) Ancorada em Lei: é natural em movimentos dessa dimensão, que tem atuação além de mandatos políticos, que as relações com o Poder Público passem por altos e baixos. Sendo criado por uma Lei, torna-se mais difícil a sua extinção ou não-participação nas decisões de políticas públicas.

Mas será que isso será suficiente? Eu já disse em várias reuniões que, além e mais importante que tudo isso será o comprometimento e a participação dos envolvidos. Dentro de alguns dias, as entidades indicarão os nomes para compor o Conselho. Se estas pessoas não tiverem um forte sentimento de engajamento, desapego, visão de longo prazo e paciência para trabalhar em grupo, o Codecam se reduzirá a um Conselho burocrático, existente para cumprir a Lei, sem a voz ativa e empoderada que merece.

Desenvolvimento Tecnológico

“Existem três tipos de pessoas. As que fazem as coisas acontecer, as que ficam vendo as coisas acontecerem e as que se perguntam: O que aconteceu?” (Philip Kotler)

Na última terça, dia 17, estivemos em Pato Branco, sudoeste do Paraná, conhecendo as iniciativas daquele município em relação a Desenvolvimento Econômico e Tecnológico.

Pudemos visitar a Feira Inventum, um evento que eles denominam “a maior feira de Ciência e Tecnologia do Paraná”. E de fato é surpreendente: 110 mil pessoas visitando um evento de 6 dias, onde não tem show sertanejo, parque de diversões e nem barracas de “kapeta”.

Mas o que tem nessa feira de tão especial? Ciência, inovação e tecnologia, muita tecnologia. Escolas de todos os níveis participando com projetos, experiências, ideias; alunos e professores motivados a pensar e apresentar projetos para desenvolvimento da cidade. Modelos de aprendizado baseados na metodologia maker, ou seja, aprender fazendo. Baseado em desafios, os alunos desenvolveram catapultas, pontes de macarrão, carros sem motor, fizeram corridas de drones, disputas de robôs, torneios de videogames, enfim, um sem-número de alternativas e opções para atrair a atenção de uma nova geração de pessoas, conectadas o tempo todo em novidades e conceitos heterodoxos.

Mas o mais impressionante é que o evento, o Inventum, é apenas o resultado demonstrado de inúmeras iniciativas e projetos que o município desenvolve há anos focado em desenvolvimento tecnológico. Com apenas 80 mil habitantes, Pato Branco tem um invejável currículo nessa área: 90 cursos superiores, mais de 250 empresas de tecnologia, robótica nas escolas fundamentais, Parque Tecnológico, e um ambiente que atrai empresas e talentos de todos os lados.

Necessário entender, obviamente, que resultados deste nível não são conquistados no curto prazo. E aí é que entra um ingrediente fundamental: um arcabouço institucional forte, focado e parceiro numa mesma visão. Politicamente, também em Pato Branco houve diferença de modelo de gestão e prioridades. Mas as instituições souberam manter o foco no projeto de longo prazo e superar as adversidades momentâneas.

Municípios que queiram se desenvolver precisam criar esse “núcleo duro” decisório e guardião de sua visão de futuro. Cidade grandes não são tão dependentes do poder público como as pequenas. Para estas, é primordial que se sintonizem os interesses institucionais ao redor de um tema ou vocação que permita superar e progredir apesar de algumas vezes não ter o total apoio político.

EMPREENDE WEEK – a Secretaria de Desenvolvimento Econômico está promovendo de 6 a 11 de novembro a primeira Empreende Week – Semana de Empreendedorismo e Inovação. Com objetivo é fomentar o empreendedorismo nos Universitários, incentivando o protagonismo através da geração de projetos que contribuam com o desenvolvimento do Município. Serão 40 estudantes divididos em 8 grupos, sendo 2 de cada Faculdade de Campo Mourão, que deverão criar projetos nas áreas de Urbanismo e Meio Ambiente e Soluções para a Sociedade. Durante a semana, esses jovens terão oficinas e mentorias, de forma a participar de uma banca e apresentar seus projetos na tarde do sábado, dia 11. Os 3 primeiros receberão prêmios e terão seus projetos apresentados à Administração Municipal para viabilização da sua implantação. É o primeiro movimento no município levando o conhecimento gerado nas Faculdades para a aplicação na melhoria da própria cidade. Queremos disseminar o empreendedorismo como possibilidade de carreira para os jovens.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão.

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5 maneiras de participar do desenvolvimento de sua cidade

Há uma semana, Campo Mourão completou 70 anos de emancipação política, e, nestas ocasiões, sempre surgem os votos e desejos de mais desenvolvimento, uma cidade melhor, etc, etc ...

Bem, se pensamos em ter uma cidade melhor para nossos filhos, que tal sermos melhores para nossa cidade? Como podemos pensar em participar agora de seu desenvolvimento, contribuir mais para mitigar seus problemas, enfim... exercer a cidadania, por mais clichê que isso pareça?

Contribuir de alguma forma para a cidade ou para a sociedade é uma coisa que cada vez mais leva muitas pessoas a refletir. Prova disso é que cresce o número de iniciativas individuais e coletivas para ações de cunho social, cuidado ao meio ambiente, filantropia, ajudar entidades e outras causas.

Esta participação popular é reforçada de certa forma pela ausência do Estado, que comete atos que envolvem corrupção, descuido com o planejamento das políticas públicas e pouquíssimo incentivo para o desenvolvimento econômico.

Outros exemplos dessas atividades encontramos em empresas e organizações do terceiro setor, que vêm contribuindo bastante para o bem comum. É claro que o governo deveria cumprir seu dever e fazer muitas coisas diferentes no Brasil. Mas ações governamentais apenas não bastam.

Alguns intelectuais e estudiosos defendem que o Estado sozinho não é suficiente para resolver os problemas da sociedade. E que as ações de pessoas e empresas do terceiro setor também são necessárias e bem-vindas para a construção do desenvolvimento humano. Então, como fazer isso?

1) Mudar a si mesmo em primeiro lugar. Não adianta querer mudar o mundo se no cotidiano não se faz pequenas ações como ajudar o outro, ser educado, não jogar lixo no chão.

2) Conhecer e obedecer a Lei. As leis existem para representar as necessidades da população e organizar a convivência em sociedade. Para agir em prol de seu desenvolvimento é necessário não só conhecer, mas respeitar as legislações.

3) Votar e ser votado. Podemos escolher nossos governantes e representantes, vivemos numa democracia. Escolher bem é importante. E se você deseja ser este representante, candidate-se.

4) Participar. Manifestações, conselhos, fóruns, audiências públicas, que vemos ocorrer quase que diariamente e são formas de garantir o debate de prioridades da sociedade.

5) Fazer responsabilidade social nas empresas. Se você é empresário ou trabalha em uma empresa, propunha uma ação de responsabilidade social. Além de valorizar a marca, traz melhor relacionamento com clientes, fornecedores, comunidade.

Melhorar nosso ambiente, nossa cidade e nossa sociedade depende de cada um. Pense em outras formas de participar de mudanças para uma Campo Mourão e um Brasil melhor.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão.

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O difícil entendimento de “coisa pública”

“A corrupção política é apenas uma consequência das escolhas do povo.”

Laércio Monteiro

Entro numa escola pública para um evento. Antes do início, peço para utilizar o banheiro. Deparo-me então, com louças quebradas, torneiras arrancadas e portas sem fechadura com frases impublicáveis arranhadas.

Na sala, carteiras quebradas encostam-se em paredes também esfoladas por chaves, canetas, ou sei lá o que, que arrancam a tinta e o reboco para mais uma vez, anotar nomes e apelidos dos jovens frequentadores.

Não bastasse, encontro em cada local público que frequento uma realidade parecida. Praças, escolas, teatros, calçadas, enfim, um sem-número de estruturas e locais públicos tomados de desmazelo e descuidado.

Fico imaginando de onde vem essa dificuldade de entendermos que os bens públicos são públicos – e público deve significar “de todos”, e não “de ninguém”. Pois, quando entende-se um bem público como sendo “de ninguém”, imediatamente vem o raciocínio: se é de ninguém, porque não pode ser meu?

E aí é que a coisa fica séria, pois, seguindo esse pensamento, cada um poderia apropriar-se de uma vantagem em relação a outros, quanto ao uso, acesso ou posse de bens públicos.

Apropriar-se de bens públicos... levar vantagem a partir do acesso ao poder público... você está pensando o mesmo que eu?

Porque será que, apesar de todas as notícias, provas, julgamentos, e tudo o mais que vemos e ouvimos contra o ex-presidente Lula, ele continua á frente nas pesquisas? Será que o povo realmente considera crime o que ele fez? Pode uma nação de corruptos julgar e condenar um igual? Ou simplesmente assiste à corrupção com um sentimento de “rouba, mas faz”? Ou talvez: “ele roubou, mas melhorou minha condição de vida, e isso me basta”?

Administração pública, dinheiro público e os bens públicos em geral são coisas sérias e devem ser tratadas como tal. A utilização delas em proveito particular ou para beneficiar terceiros é um crime que não pode ter mais a menor aceitação da sociedade brasileira.

O mínimo que se espera de um homem público é a honestidade. Essas histórias de que "rouba, mas faz" são coisas do passado e não passam de desculpas sem fundamento.

Mas não se deve esperar o mesmo do cidadão comum? Ao se deparar com um investimento, uma obra, um equipamento, rua, bueiro, enfim, aquelas coisas ao seu entorno que servem ao povo, não deveria qualquer cidadão defender e proteger seu patrimônio?

Etimologicamente, o termo "corrupção" surgiu a partir do latim corruptus, que significa o "ato de quebrar aos pedaços", ou seja, decompor e deteriorar algo. E está intimamente relacionado a obter vantagens em relação aos outros por meios considerados ilegais ou ilícitos.

Sempre que ouço críticas à políticos corruptos, penso no cotidiano da pessoa que critica. Será que realmente a crítica é ao sistema, ou é apenas uma manifestação de que gostaria de estar do outro lado? E, lá estando, quem sabe não faria o mesmo?

Sou bem intolerante com furões de fila, inadimplentes de clube e condomínio, fraudadores de tv a cabo e internet, negociadores de jeitinhos para auferir vantagens, etc., ainda mais quando escuto dessas mesmas pessoas, reclamações quanto a corrupção e má gestão pública.

Comecemos a entender que a coisa pública é pública. Minha, sua, e de todos. Eleitos ou eleitores. Temos muito a avançar...

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão - [email protected]

Os “especialistas” das redes sociais

Você nunca vai chegar ao seu destino se você parar e atirar pedras em cada vira-lata que late!!

Winston Churchill

Esse fim de semana fiz uma brincadeira no Facebook para testar uma teoria: postei um checkin no Rock´in Rio. Resultado: quase uma centena de likes, alguns comentários de admiração e cumprimentos. O detalhe é que não saí de Campo Mourão. A brincadeira foi só para comprovar como é fácil iludir através das redes sociais.

Vemos inúmeros casos de falsas notícias, parciais, comentários que vão aumentando a história como aquela brincadeira antiga do telefone sem fio.

As redes sociais se tornaram superpoderosas a partir do momento que começamos a viver uma era de imediatismo. Queremos respostas prontas, na hora, a paciência se esgota num sopro. Experimente responder ao seu filho adolescente ou criança “Espere um pouco”, quando ele te pedir algo. Vai perceber do que eu estou falando.

Só que essa pressa toda leva as pessoas a não ler uma notícia além da manchete, a não pesquisar uma fonte confiável, e a ser facilmente ludibriado como na brincadeira que eu fiz. Muito mais fácil assistir um vídeo do Youtube e virar especialista no assunto.

Quer um exemplo? O comediante e youtuber Whindersson Nunes foi eleito numa pesquisa do Google divulgada no último dia 11 como a personalidade mais influente do país. Pudera, tem 23 milhões de seguidores em seu canal. Entre seus vídeos mais acessados estão: “Qual é a senha do wi-fi” e “O dia em que eu tive piolho”. Profundo... Lógico, trata-se de um comediante, tem talento, e seus fãs buscam diversão.

Outros exemplos aparecem em pesquisas. Uma delas, da FGV, mostrou que perfis automatizados, ou seja, robôs, atuaram nas eleições e na votação do impeachment de Dilma Roussef. Em outra, a Nature revelou que 120 artigos científicos publicados em revistas científicas entre 2008 e 2013 foram criados em um aplicativo chamado “gerados de lero-lero”.

E é justamente esse o lado perverso da situação. Criamos autoridades imediatas, com argumentos rasos, nem sempre verdadeiros, e com razoável risco de manipulação. Basta uma conta numa rede social, um blog, uma enquete, um canal de vídeo. Ou até mesmo um perfil falso alimentado por um robô.

As notícias correm com a velocidade de um clique, e seus efeitos às vezes são nefastos. Especialistas, estudiosos, mestres e doutores que levaram anos pesquisando, se aperfeiçoando, buscando teorias válidas cientificamente em seus campos de atuação são questionados e confrontados por leigos proprietários de uma conta numa rede social.

Um ambiente assim obviamente tem muitas vantagens, pois permite a democratização da informação, a participação sem censura, a discussão de diversos pontos de vista, etc. O cuidado que devemos ter é de não perder o foco de nossos objetivos ao dar atenção a todo e qualquer comentário não fundamentado, ilegítimo, improcedente ou até maldoso.

Tentar explicar tudo, buscar um consenso inalcançável, dar importância a cada cão que late, como citou Churchill, certamente nos desviará de nossa missão. No mínimo, perderemos velocidade em nossas ações. É preciso então manter nosso foco e nossas crenças, buscar ter claro nosso objetivo e as razões que nos fazem buscá-lo. Aproveitar as críticas, quando construtivas, é uma atitude de inteligência. Perder-se em tentar responder a todo latido, é maluquice.

Quem pode promover o desenvolvimento?

Comece de onde você está. Use o que você tiver. Faça o que você puder.

Arthur Ashe

O Brasil é um país de cultura estatista. A maioria das pessoas pensa que as “políticas de desenvolvimento” são uma responsabilidade exclusiva do Estado. Porém, se analisarmos as bem-sucedidas experiências de desenvolvimento mundo afora, podemos aprender que na maioria dos casos existe uma elevada cooperação entre o Estado, a Sociedade e o chamado Mercado – entendido como os agentes econômicos presentes numa sociedade.

O desenvolvimento somente será sustentável se existir o protagonismo local, pois os maiores responsáveis pelo desenvolvimento de uma localidade são as pessoas que vivem nela. Nenhuma política ou promoção de desenvolvimento exógena alcançará êxito sem o interesse, envolvimento, compromisso e adesão das pessoas.

Bem, mas como fazer isso? Algumas estratégias de planejamento e gestão compartilhada serão necessárias. Porque permitirão à comunidade local, através da experiência prática, o aprendizado necessário para que ela seja capaz de identificar potencialidades, oportunidades, vantagens comparativas e competitivas, problemas, limites e obstáculos ao seu desenvolvimento, e, a partir disso, poderá escolher vocações, estabelecer metas, definir estratégias e prioridades, monitorar e avaliar resultados.

Há que se promover, então, a capacitação requerida para planejar e gerenciar, de forma compartilhada, o processo de desenvolvimento local.

As estratégias de planejamento e gestão compartilhada, por serem participativas, contribuem para o crescimento da capacidade das pessoas (capital humano), e das relações de confiança entre elas (capital social), ampliando as possibilidades de empoderamento da população local e facilitando a conquista da boa governança, que são algumas das condições necessárias para o desenvolvimento sustentável.

Sabemos da necessidade do Brasil e de nossa região e se desenvolver econômica e socialmente. Nos incomoda quando vemos estudos de alcance mundial que colocam nosso país em situações vexatórias em rankings de educação, ambiente de negócios, violência, concentração de renda, entre outros.

Mas para operar um processo de desenvolvimento robusto, precisaremos resolver nossa carência em protagonizar nossa própria história. Tivemos alguns flashes de manifestações há algum tempo, mas hoje vivemos em um tempo de reclamações sem ações.

O atual cenário político, econômico e ético das nossas instituições pede ação. Como nunca.

Não conheço quem duvide da necessidade do Brasil em se construir como uma nação mais próspera, onde o resultado de suas potencialidades se transforme em riquezas e que o desenvolvimento alcance os níveis mais baixos da pirâmide social.

É um desafio de uma nação inteira, que precisa acabar com um entulho de leis, normas, procedimentos, regras e principalmente posturas, construído por gerações, que culmina agora com a falência do Estado, demonstrada claramente em sua incapacidade de resolver os problemas mais emergentes de nossa sociedade.

Mas é um desafio de todos. Governo, Sociedade, Mercado. Há que se trabalhar com um novo padrão de relacionamento entre estes atores. Devemos, juntos, sonhar com a universalização da cidadania, a ampliação dos direitos e oportunidades para todos, o empoderamento e protagonismo do cidadão, a conquista da sustentabilidade.

Só é preciso acreditar.

Desenvolvimento para todos

“Nenhuma sociedade pode ser próspera e feliz, se a maioria dos seus membros é pobre e miserável. ”

Adam Smith, A Riqueza das Nações – 1776

Há duas semanas, escrevi que vejo o desenvolvimento de uma sociedade como uma busca pela liberdade.

Vamos partir do princípio de que os valores humanos fundamentais devam ser estendidos para toda a população:

- Oportunidade de emprego,

- Alimentação,

- Habitação,

- Oportunidades de estudar,

- Saúde,

- Aumento da qualidade de vida,

- Segurança social,

- Democracia, participação política na vida da comunidade,

- Igual tratamento perante a lei,

- Respeito pela dignidade individual.

Então, ao pensar políticas públicas para o desenvolvimento de uma comunidade, devemos ter especial atenção para não nos limitar ao conceito puramente econômico, ainda que este seja importantíssimo como irrigador de recursos para outras áreas.

Se pretendemos um Desenvolvimento Local sustentável, a visão ampliada deste conceito deve prevalecer para que os investimentos, energia e recursos dispensados tragam ganhos duradouros aos padrões de emprego e vida e que reduzam a pobreza. Que promovam uma maior equidade e igualdade de oportunidades. E, obviamente, que respeitem a liberdade humana e protejam o meio ambiente.

Políticas parciais, ora voltadas somente ao econômico, ora voltadas ao social, depois ao ambiental, mas sem integração e correspondência entre os eixos, acabam por minar os esforços e às vezes até concorrer entre as iniciativas.

Um projeto de cidade deve então considerar todos os segmentos e ações de forma inter-relacionada, sendo irradiado por todos seus bairros e classes socioeconômicas. Não existirá projeto de crescimento empresarial sem proposta de trabalho justo e respeitoso, assim como não haverá projeto social sustentável se não contemplar a oportunidade de emprego, renda e dignidade do ser humano.

Um grupo de pesquisadores de diversos países, reunidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), discutiram a seguinte pergunta: “O que é Qualidade de Vida? ”. Observaram que a Qualidade de Vida tem aspectos subjetivos (bem-estar, felicidade, amor, prazer, realização pessoal, entre outros) e aspectos objetivos (renda, escolaridade, e todos os fatores relacionados ao desenvolvimento econômico e social). Assim, um projeto para aumentar a qualidade de vida de uma população deve considerar estes dois eixos.

Em Campo Mourão, estamos trabalhando para um projeto de desenvolvimento que contemple uma economia aberta e fluente, onde reduziremos os obstáculos para novos negócios. E que essa economia tenha negócios competitivos, baseada em empreendimentos de pequeno porte. Com empreendimentos inovadores e trabalhando em parceria com as Universidades, Um projeto onde as pessoas sejam as protagonistas de seu futuro, buscando as oportunidades, compartilhando as experiências e gerando um ambiente de prosperidade. Creio que assim estaremos em direção ao objetivo citado no início deste artigo.

ACELERA MEI – O projeto Acelera Mei, que tem como objetivo potencializar 20 negócios de Micro Empreendedores Individuais mourãoenses, teve 40 inscritos, e hoje haverá a banca para a seleção dos empreendimentos a serem acelerados. É grande a expectativa do pessoal. O projeto nasceu na Secretaria de Desenvolvimento, e o Sebrae Paraná está estudando adota-lo como projeto do Estado para 2018.

Nenhuma sociedade se desenvolve se não quiser – parte II

Na última coluna escrevi sobre a necessidade do engajamento da comunidade para o desenvolvimento da região.

Reforçando, a ideia de fazer de nossa comunidade um lugar melhor para vivermos tem que ser uma ideia querida por todos.

Por “todos”, refiro-me à população, empresas e instituições, organizações do terceiro setor, que, aliás, vêm contribuindo bastante para a melhoria da coletividade. E não há nada de errado nisso, já que os governos em geral deveriam cumprir o seu dever, e as coisas seriam diferentes. Mas também ficar esperando as ações governamentais não adianta, até porque somente estas não bastarão para mudar nossa realidade.

A falta de credibilidade dos políticos e consequentemente do poder público, outrossim, não devem ser motivos para não agirmos, e sim, mais uma razão para juntar forças e trabalhar.

Às vezes fico imaginando como seria o Brasil sem os inúmeros Clubes de Serviço, Instituições Filantrópicas, Igrejas e Entidades Religiosas, enfim, este sem-número de pessoas engajadas em ações de ajuda ao próximo, que, a rigor, deveriam ser viabilizadas com os trilhões de impostos que recolhemos ano a ano.

Muitos estudiosos defendem que não é apenas o Estado que deve resolver os problemas da sociedade. Que as ações de empresas e do terceiro setor organizado também são necessárias e bem-vindas para a construção de ideias criativas e novas metodologias para o desenvolvimento humano. Mas então, porque vemos ainda tanto comportamento que demonstra o contrário?

Não adianta querer que a comunidade seja melhor se no cotidiano não se faz pequenas ações como ajudar o outro, não ser educado no trânsito, jogar lixo no chão. Óbvio, né? Mas como queremos ações de maior extensão e impacto, se não começamos com as pequenas coisas?

A participação em movimentos populares, Conselhos, Conferências, Audiências Públicas, etc, é outro indicador de que a população está interessada ou não em fazer mudanças. A participação é um direito do cidadão e o melhor caminho para expor sua opinião, defender seus direitos e debater as prioridades para o município. Se há dificuldade em compor Conselhos e ter presença em Audiências Públicas, isso é sinal de pouco engajamento.

Estas dificuldades, não exclusivas de nosso município, são reflexos de uma cultura brasileira que, desde seu descobrimento, foi descrito como “um paraíso, onde se plantando, tudo dá”. Ora, para que trabalhar mesmo?

Aliás, Marilena Chauí, em seu livro Brasil – Mito Fundador e Sociedade Autoritária (Editora Fundação Perseu Abramo), apresenta uma percepção de que este mito de um Brasil maravilhoso foi se arraigando no inconsciente do país ao longo dos séculos para firmar uma cultura de “não-culpa” e de opressão. Ou seja, a existência de uma sociedade em que as relações sociais se dão sempre entre um superior, que manda, e um inferior, que obedece. “O outro jamais é reconhecido como sujeito nem como sujeito de direitos, jamais é reconhecido como subjetividade nem como alteridade”, escreve ela.

O desafio é imenso. Nem por isso menos motivador.

Nenhuma sociedade se desenvolve se não quiser

“Algumas poucas pessoas, em alguns poucos lugares, fazendo algumas poucas coisas, podem mudar o mundo.” (autor anônimo, Muro de Berlim)

Como morei por 10 anos em Maringá, é comum me perguntarem se é melhor aqui ou lá. Respondo sempre: o melhor lugar para se viver é onde você vive bem. Em uma época, vivi melhor em Maringá. Hoje, aqui. Mas sua cidade não se desenvolve sozinha.

Certa vez, o economista Celso Furtado disse que “nenhuma sociedade se desenvolve se não quiser” e “para se desenvolver e querer se desenvolver, é preciso que essa sociedade participe e construa esses referenciais de desenvolvimento”.

Escrevo hoje para você que quer mudar a realidade e desenvolver a cidade e o país onde mora. E, como me incluo neste grupo, vou usar a terceira pessoa do plural.

Semana passada passamos pelo constrangimento de ver o quanto caíram os Indicadores Fiscais de nossa Cidade. E isso nos inquieta, nos deixa inconformados, apesar de muitas vezes calados. Mas, ainda que não nos manifestemos publicamente, sabemos que não há chance de mudar se não pararmos de repetir o passado e começar a reinventar o futuro que desejamos.

Em algumas reuniões, tenho dito que precisamos de uma intervenção cirúrgica, não de um tratamento homeopático. É preciso coragem para enfrentar a realidade e promover as mudanças. E, como já escrevi em outra oportunidade, não acredito que isso será feito somente por alguns poucos. As pessoas fazem toda a diferença. Precisam conquistar outras pessoas, fazer acontecer algo no seu bairro, na sua rua. Precisamos de mais auto-estima, auto-confiança, acreditar em nossos talentos e em nossa cidade.

Qualquer localidade que quer se desenvolver precisa buscar um objetivo comum, um propósito para se alcançar. Precisa de amor à sua terra, precisa acreditar que é possível um lugar melhor pra se viver. E nós devemos assumir o protagonismo e a responsabilidade pelas mudanças, ao invés de indicar culpados pelas circunstâncias.

Por outro lado, isso acontece se conseguimos acreditar no outro, confiar, reconhecer suas forças e suas limitações. Porque é na cooperação que reside a força. A conhecida charge que mostra um barco furado, e cujas pessoas não se movimentam para ajudar porque “o buraco é do lado deles!”, ilustra bem o tipo de comportamento que levará a todos para o buraco. E sem carneiro.

Vejo o desenvolvimento de uma sociedade como uma busca pela liberdade. Afinal, mais desenvolvimento significa mais oportunidades, e mais oportunidades significam remoção das privações. E, com menos privações, temos mais qualidade de vida.

Mas é claro que isso não é tão simples: a falta de credibilidade dos políticos e consequentemente do poder público, a polaridade política, o baixo nível de educação, e a expectativa imediatista são alguns dos principais entraves.

Trataremos destas dificuldades oportunamente.

A força dos pequenos

Experimente sair pelas avenidas centrais da cidade, e observar as empresas instaladas. Quantas tem menos de 10 ou 15 funcionários? A grande maioria, quase a totalidade. Segundo o Sebrae, os pequenos negócios representam 99% de todos os CNPJs do País, o que equivale a mais de 7 milhões de empresas. São responsáveis por gerar 70% dos novos empregos com carteira assinada, por pagar cerca de 40% da massa salarial e empregar aproximadamente 15 milhões de brasileiros. É um segmento decisivo para a geração de emprego e renda, mas tem um importante papel também na inclusão social e na distribuição de renda, porque é na pequena empresa onde a diferença de salário entre o empresário e os funcionários é menor.

A pequena empresa nasce de pessoas que têm fortes vínculos com a comunidade. O funcionário que saiu do emprego, o universitário que se graduou, dois amigos que identificaram uma oportunidade. Esses pequenos negócios têm relacionamento com vizinhos do bairro, participam de entidades de classe e assistenciais, contratam e compram no próprio município.

Ter o negócio próprio é o sonho de 44% dos brasileiros, perdendo apenas para o sonho da casa própria. Eles preferem ter uma empresa ao invés de ter um emprego formal.

O Brasil é o sétimo entre os países que possuem a maior quantidade de empreendedores no mundo. Em números absolutos, essa taxa significa aproximadamente 10 milhões de empreendedores. Infelizmente, o outro lado dessa moeda é que temos um dos piores ambientes de negócios do mundo. Neste quesito, é o país de número 123, de uma lista de 190, onde é mais fácil abrir negócios, segundo o relatório “Doing Business 2017”, divulgado pelo Banco Mundial.

Por isso, é necessário que políticas públicas de apoio às microempresas e empresas de pequeno porte estimulem mais o empreendedorismo e a profissionalização, de forma que se crie um ambiente mais favorável e que os empresários possam ter condições de competir e crescer. A universidade nunca foi tão importante nesse processo como hoje. Temos cerca de 10 mil universitários em Campo Mourão.

As cidades hoje devem pensar globalmente. Campo Mourão conseguiu contribuir para o surgimento de uma das maiores cooperativas do planeta, num período analógico, onde tudo era mais difícil, lento e caro. Está na hora de aproveitarmos as tecnologias da informação (que agilizam, barateiam e facilitam) para criarmos novos modelos e novas cadeias de valor em nossa cidade.

CASA DO EMPREENDEDOR – A Casa do Empreendedor, espaço dedicado ao atendimento de empreendedores e Mei´s já formalizados, tem atendido cerca de 75 pessoas por semana, à busca de informações, formalização de seu negócio e consultorias gratuitas.

MAIS DE 200 – Desde a inauguração em fevereiro, a Casa do Empreendedor já formalizou 225 novos Mei´s. São mais de duzentos empreendedores que já trabalham com CNPJ, e segurança para ampliar seus negócios.

MEIO MILHÃO – funciona na Casa do Empreendedor o Banco do Empreendedor, que voltou a operar há menos de 90 dias, e já disponibilizou R$ 500 mil em crédito para pequenos negócios, para investimentos e capital de giro.

ACELERA MEI – programa idealizado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico em parceria com o Sebrae, vai “acelerar” 20 Microempreendedores Individuais com consultorias, mentorias e crédito, tornando mais rápida a expansão desses negócios.

FACEBOOK – acompanhe as ações da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e confira o que estamos fazendo em prol dos pequenos negócios em Campo Mourão. Curta a página em www.facebook.com/sedeccm/.