Sociedade e Desenvolvimento
É hora de empreender

Para ter um negócio de sucesso, alguém, algum dia, teve que tomar uma atitude de coragem. Peter Drucker

Ouvimos falar tanto em empreendedorismo que acabamos por colocar esse termo na vala comum dos jargões de motivação. Mas gostaria de falar um pouco sobre isso, diante do ano que temos pela frente.

A raiz da palavra empreendedor remete-nos há 800 anos, com o verbo francês entreprendre, que significa fazer algo. A história apresenta inúmeras versões e atualizações, mas quem mais se debruçou sobre o tema foi Joseph Schumpeter, que teve grande influência sobre o desenvolvimento da teoria e prática do empreendedorismo. Em seus estudos, ele o descreve como a máquina propulsora do desenvolvimento da economia. A inovação trazida pelo empreendedorismo permite ao sistema econômico renovar-se e progredir constantemente. De acordo com Schumpeter, sem inovação, não há empreendedores, sem investimentos empreendedores, não há retorno de capital e o capitalismo não se propulsiona.

Ora, se pensamos em Desenvolvimento Econômico, não há como desassociar de empreendedorismo. Pois aquele não acontecerá sem este. Portanto, o estímulo ao empreendedorismo, pode e deve facilitar o alcance do objetivo de gerar empresas e novos empregos, sob diversas formas. Fazê-lo de forma articulada por meio dos diversos mecanismos e órgãos já existentes como, por exemplo, o Sebrae e as diversas incubadoras de novas empresas, e também por intermédio de parcerias com as universidades e empresas privadas nos parece um caminho plausível.

Quando atravessamos épocas de indefinições políticas e econômicas, devemos prestar especial atenção na possibilidade de retração do ímpeto empreendedor. Embora o Brasil tenha níveis relativamente altos de atividade empreendedora, momentos de crise podem induzir ao que chamamos de empreendedorismo por necessidade, o qual não é positivo sob diversos aspectos.

No entanto, é importante ressaltar que o empreendedor, ou candidato a, não deve deixar-se contaminar por perspectivas negativas. Afinal, desde quando você ouve que estamos em momentos difíceis, que políticos roubam, que ondas econômicas sobem e descem? O tempo passa e quem fica esperando o melhor momento para agir corre o risco de não agir nunca.

Obviamente não estou aqui taxando o momento atual de uma simples marola, nem tampouco incentivando investimentos sem as mínimas precauções. O que quero dizer é que devemos buscar um entendimento realista sobre o que está acontecendo, seguir nossas convicções e enfrentar os possíveis problemas com coragem, prudência e equilíbrio. Mas agir! Fazer algo!

Hoje em dia existem inúmeras fontes de informação sobre empreendedorismo, como anda realidade do mercado, mentorias, coaching, consultorias. A decisão não é simples, mas é na crise que muitos projetos de sucesso começam.

Lembre-se: não se preocupe com ideias ruins. Ruim mesmo é não ter ideias.

E, se decidir empreender em Campo Mourão, conte com a Casa do Empreendedor.

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Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

Perspectivas para 2018

Aquele que não luta para ter o futuro que quer deve aceitar o futuro que vier.

Na última coluna de 2017, apresentamos um Balanço com as principais realizações do primeiro ano à frente da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão.

Hoje, a proposta é apresentar as perspectivas para 2018, projetos os quais já estamos trabalhando para viabilização.

CASA DO EMPREEDEDOR 2.0 – A criação da Casa do Empreendedor teve como objetivo criar um ponto de referência a todo aquele cidadão que pretende investir em Campo Mourão, seja como MEI, Micro ou Pequena Empresa, para que possa, em um único espaço, iniciar e tramitar o processo necessário para regularização de sua atividade. Em 2018, além dos serviços já prestados hoje aos MEI´s e Banco do Empreendedor, vamos reunir em um único espaço o atendimento do Corpo de Bombeiros, Vigilância Sanitária, Alvará, enfim, todo o processo tramitará em um único local. Com isso, além de terminar o que eu venho chamando de Turismo do Carimbo – onde o cidadão anda por diversos órgãos à busca de carimbos e autorizações – vamos acelerar o processo, pois não haverá mais protocolos e malotes de uma Secretaria para outra.

FEIRA NA PRAÇA – Através da Divisão de Turismo da Secretaria, criamos a Feira da Economia Criativa, que realizou algumas edições em 2017. Após o Carnaval, a Feira se torna semanal, e reunirá aos domingos na Praça São José diversas atividades ligadas à Economia Criativa. Artesanato, Alimentos Artesanais e Orgânicos, Antiguidades, Coleções, Artes em geral terão espaço para reunir os mourãoenses no Centro viabilizando entretenimento e negócios.

NOVOS TERRENOS – A partir da aprovação da Lei nº 3878, em novembro de 2017, que autoriza o Executivo Municipal a alienar bens imóveis, visando à implementação de políticas de incentivo à industrialização, estamos realizando credenciamento e avaliação de projetos de Empresas que queiram instalar-se no Município, e que poderão obter subsídios de 10 a 80% no valor dos terrenos, além de carência e parcelamento para pagamento. Em 2018 acontecerão mais leilões, à medida que consigamos liberar novos terrenos para esta finalidade.

CEITEC – também já foi abordado na coluna de 12/12/2017, e temos a meta de viabilizá-lo em 2018 com as primeiras start-ups incubadas. Temos o desenho do processo de geração de ideias e projetos de novas empresas de tecnologia – alguns já realizados em 2017, como o Empreende Week – e o Ceitec as abrigará até seu desenvolvimento para o mercado.

FEIRA DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA – o Empreende Week – Semana de Inovação e Tecnologia será transformado em uma Feira de Ciência e Tecnologia, realizada no Parque Industrial, que reunirá Escolas Públicas e Privadas, Universidades, Empresas, Mostra de Ciências, Visitas a Laboratórios, Palestrantes, Hackathon, enfim, uma vasta programação que poderá mostrar o potencial criativo e inovador de Campo Mourão.

PARQUE DAS PEQUENAS INDÚSTRIAS – Talvez a mais difícil das metas, em função do processo burocrático, elaboração de projetos executivos e viabilização de recursos, é a criação de um novo parque industrial, voltado a pequenas indústrias. Temos em Campo Mourão uma vasta gama de pequenas empresas, muitos Micro Empreendedores que trabalham hoje em condições precárias, e buscam condições de investir em maior espaço para seus empreendimentos. Seguindo a mesma metodologia dos atuais terrenos, serão disponibilizados com subsídios, carência e parcelamento para pagamento.

Temos adotado uma Política de apoio a Pequenos Negócios, Inovação e Tecnologia – e sem deixar de lado as oportunidades de atração de indústrias e novas empresas – cremos em uma política consistente de valorização de nosso empreendedor como aposta de Desenvolvimento Econômico para Campo Mourão. Votos de um 2018 de muito sucesso!

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Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

Balanço de 2017

A gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem. Oscar Niemeyer

Na semana que passou, tivemos a oportunidade de fazer um balanço das principais realizações da Administração de Campo Mourão em 2017. Apesar das grandes dificuldades em que encontramos o município, foi um balanço bastante positivo.

Esta será minha última coluna de 2017, e portanto, farei um breve resumo das ações mais importantes na Secretaria de Desenvolvimento Econômico.

CASA DO EMPREENDEDOR - Inauguramos a Casa do Empreendedor em fevereiro, com a missão de ser um ponto de referência ao atendimento dos Micro Empreendedores Individuais. Começamos com o atendimento aos MEI´s, e em abril iniciamos os serviços do Banco do Empreendedor. Através de parcerias com o Sebrae, Unespar e Agência de Fomento, disponibilizamos várias oportunidades de capacitação, orientação e crédito aos empreendedores mourãoenses. Hoje, atendemos cerca de 400 MEI´s por mês, já financiamos mais de R$ 1 milhão, e semanalmente temos consultorias gratuitas de finanças, marketing e produção.

I FEIRA DO MEI - Durante a Semana do Micro Empreendedor Individual, realizada em parceria com o Sebrae no mês de maio, organizamos a I Feira do MEI, na Praça São José. Com 17 participantes, a Feira serviu para mostrar a força e a diversidade de atividades que podem ser enquadradas nesta categoria.

I EMPREENDE WEEK - Temos convicção de que a aproximação entre as Universidades e as empresas permitirá um crescimento para ambos, pois o conhecimento gerado nos cursos que temos em Campo Mourão poderá ser utilizado pelos empresários, e os alunos, por sua vez, adquirirão experiência de mercado. Outra perspectiva neste sentido é o de manter na cidade os alunos que aqui se formam, seja através de empregos de qualidade ou pelo viés do empreendedorismo. No Empreende Week – Semana de Empreendedorismo, desafiamos 40 jovens estudantes universitários a pensarem projetos para melhoria da cidade e do cidadão. Estes projetos deveriam ser viáveis para tornarem-se negócios. O resultado que, depois de uma semana intensa de capacitação e motivação, surgiram 7 projetos de excelente qualidade, e com a possibilidade dos próprios alunos tornarem-se novos empreendedores.

FEIRA DA ECONOMIA CRIATIVA - O objetivo com a Feira da Economia Criativa é permitir aos artesãos, artistas, produtores agrícolas, colecionadores, entre outros, mostrar e comercializar seus trabalhos na praça São José, aos domingos. Por outro lado, dar à população uma opção de entretenimento e encontro semanal, com suas famílias, desfrutando de uma local privilegiado que temos em Campo Mourão.

REMODELAÇÃO DO PRÓ-CAMPO - Depois da alteração da Lei do Pró-Campo em dezembro de 2015, nenhum processo de incentivo econômico foi encaminhado. Encontramos na Secretaria 47 processos avaliados pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico, mas sem condições de serem atendidos, pois com a alteração da Lei não poderia mais haver concessão de terrenos ou doação sem prévia licitação. Iniciamos então um processo de identificação, liberação e documentação de terrenos que pudessem ser alienados à empresas, e elaboramos projeto de Lei para venda de 11 terrenos com subsídios de 40 a 80% a título de incentivo à industrialização. A Lei foi aprovada em novembro e o edital de licitação sairá ainda em 2017.

Temos metas mais ambiciosas para 2018, já alinhadas com nossa Equipe e com o Prefeito. Entre elas, a realização de uma grande Feira de Ciência e Tecnologia, e a centralização na Casa do Empreendedor de todos os processos referentes à abertura de empresas em Campo Mourão. Será o fim das idas e vindas a várias Secretarias e Departamentos para levar e pegar papéis.

Gostaria de agradecer ao apoio de todos os parceiros com quem trabalhamos em 2017, desejar a todos um Feliz Natal e que 2018 seja de muitas realizações.

Esta coluna volta na segunda quinzena de janeiro.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

Centro de Empreendedorismo, Inovação e Tecnologia – CEITEC

Quando você compartilha sua inovação, a sociedade fica melhor. Gil Giardelli, professor na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM)

O município de Campo Mourão já possui os principais players, demandas e histórico de sucesso para compor um centro de Inovação. São 7 faculdades e Universidades, sendo uma delas federal, além das instituições de ensino técnico igualmente formadoras de notório capital humano capaz de atuar no desenvolvimento de produtos e empresas de alto potencial em nosso município. Também temos várias empresas de tecnologia espalhadas pelo tecido urbano, inclusive participando de movimentos nacionais de startups.

motivos que ensejam a criação deste centro também levam em conta as pesquisas dos mais de 240 mestres e 160 doutores que atuam na cidade. Muitos deles realizam pesquisas em grandes universidades e que podem encontrar condições de aplicabilidade e escalabilidade no CIETEC.

Ainda, há um histórico na experiência de incubação de empresas de base tecnológica trazida pela Fundação Educere, cujas 16 empresas que ali surgiram já faturam mais de R$ 45 milhões/ ano, gera mais de R$ 6 milhões em impostos e mais de 200 empregos diretos, com produtos de inovação disruptiva sendo ali desenvolvidos.

O CEITEC – Centro de Empreendedorismo, Inovação e Tecnologia é um projeto que mescla as atividades de uma incubadora de empresas, centro P, D & I (pesquisa, desenvolvimento e inovação), aceleradora de empresas e co-working em um único espaço físico, fomentando um ecossistema de capital humano e empresas inovadoras em produtos, serviços e processos.

A principal diferença entre este centro e uma incubadora de empresas comum é que, enquanto neste último o foco é apoiar apenas as empresas em si, no CEITEC a ideia é apoiar não apenas as empresas, mas também criar sinergia no mesmo espaço físico entre empresários, profissionais liberais, estudantes, pesquisadores e atividades de consultoria e assessoria necessárias para a aceleração de negócios.

de modo exemplificativo, teríamos em um mesmo prédio empresas de base tecnológica em estágio nascente, empresas em fase de consolidação de mercado, escritórios de consultoria jurídica, contábil, RH, marketing, acesso a mercados e captação de recursos.

O espaço de co-working poderá ser utilizado por outros profissionais liberais, pesquisadores e estagiários, formando uma rede estratégica de capital humano para o empreendimento.

Em síntese, o CIETEC deverá ser a instituição catalisadora entre os empreendedores regionais e as sete Instituições de Ensino Superior presentes no município, de maneira multidisciplinar e capaz de atrair investimentos e produzir negócios caracterizados pela inovação e escala.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

A distribuição desigual do espaço público

A cidade avançada não é aquela em que os pobres andam de carro, mas aquela em que os ricos usam transporte público - Enrique Peñalosa

Há algum tempo venho observando a distribuição desigual do espaço público, em relação aos pedestres, ciclistas e condutores de automóveis. Li um artigo onde o especialista em mobilidade urbana, Mikael Colville-Andersen, qualifica esse fenômeno como a arrogância do espaço.

Do ponto de vista desse planejador urbano e fundador do Copenhagenize (uma companhia especializada em cidades com qualidade de vida e no uso urbano da bicicleta), este termo pode ser aplicado às cidades que são dominadas pela engenharia de trânsito do século passado, isto é, aquelas que estão planejadas prioritariamente para os automóveis.

Para exemplificar seu posicionamento, Mikael analisou a quantidade de espaço que possui cada um desses grupos, além do espaço morto e dos edifícios, em algumas ruas de Calgary – Canadá , Paris e Tóquio e fez uma comparação de cada setor com diferentes cores. Mikael assegura que esta ferramenta permite ter uma ideia que o uso do espaço não está de acordo com sua demanda.

Isso porque observando os pedestres que estão esperando no cruzamento ou circulando pelas calçadas, estes superam muito em quantidade os condutores de automóveis. Estes últimos, porém, ocupam uma área muito maior com seus veículos.

No cruzamento mais movimentado do mundo, em Shibuya, Tóquio, convivem pedestres e ciclistas. A presença destes se explica pela existência de vários bicicletários nos arredores da estação de ônibus e trens de Shibuya. Em Tóquio nota-se uma distribuição do espaço um pouco mais equitativa.

Agora, e se fizéssemos um estudo assim no centro de Campo Mourão? Do alto de um edifício, observarmos o espaço de ruas e estacionamentos destinados aos automóveis, em contrapartida aos espaços dos pedestres ou ciclistas?

Há uma queixa generalizada sobre o trânsito em nossa cidade, especialmente no Centro. E, de fato, existem vários gargalos a serem superados, principalmente porque o número de veículos cresceu muito acima do que o número de pessoas, proporcionalmente. E as ruas não cresceram.

Só que, além disso, não se pensou até então em alternativas para diminuir o número de carros. Pelo contrário. Criaram-se opções para cada vez socar mais veículos nas ruas do centro. Estacionamento diagonal, no canteiro central, na praça da Igreja, etc. E venha para o Centro com seu carro, nós damos um jeito.

É hora de pensarmos numa cidade mais caminhável. Pessoas andando a pé, de bicicleta, de patins. Temos que ter projetos de calçadões, áreas livres de veículos, para dar segurança às pessoas. Não é possível mais uma cidade plana, arborizada e de clima agradável como Campo Mourão fazer-se refém de veículos motorizados. Ou você, empresário, acha que seu cliente é aquele cara estressado dentro de um carro procurando estacionamento?

Para isso, é mister um novo modelo de transporte coletivo, uma nova engenharia das ruas, assim como um novo comportamento de motoristas e motociclistas.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

A necessária inovação do dia-a-dia

Inove sempre que puder. Mas, principalmente, quando não puder - Henrique Szklo

Semana passada participei do 5º. Congresso Paranaense das Cidades Digitais, em Curitiba. Em pauta, apresentação de cases de diversos municípios que estão investindo em tecnologia e oportunidades de inovação para cidades de todos os portes.

E, sim, é absolutamente necessário o investimento em tecnologia e inovação na Gestão Pública. E, com a velocidade que observamos no desenvolvimento tecnológico nos últimos anos, eu diria mais: é urgente também.

As alterações demográficas, tecnológicas, econômicas e ambientais que temos verificado ao longo dos últimos anos impactam severamente o planejamento e a gestão das cidades. Mais de 85% da população brasileira vive em áreas urbanas, e por isso, somente tornar as cidades cada vez mais resilientes e inteligentes poderá garantir, a longo prazo, um desenvolvimento sustentável eficaz e qualidade de vida aos seus cidadãos.

Embora as amarras jurídicas e burocráticas dificultem o processo (imaginem que a Lei 8666, que rege licitações e compras públicas, é de 1993 – tem 24 anos) muitos gestores estão trilhando este caminho, e com ótimos resultados.

Desde a eliminação de papéis, passando transparência na resposta ao cidadão, gestão de trânsito, segurança, são inúmeros os exemplos das chamadas smart cities.

Mas não basta investir em equipamentos sofisticados e computadores de última geração. É necessário inovar em processos, treinar pessoas, ousar em modelos de gestão.

As pessoas estão sendo bombardeadas por novas tecnologias diariamente, as novidades não param de surgir, e querem ver isso também na gestão de sua cidade. Querem ter a mesma facilidade que têm para pagar uma conta com seu smartphone quando precisam pagar uma taxa de serviço público. Querem agendar uma consulta no postinho como se agenda uma hospedagem no hotel. Querem requisitar seus serviços sem precisar de inúmeros cadastros repetitivos, com papéis a serem entregues e carimbados em diversas repartições. Espera reconhecer gestores que buscam alternativas inovadoras para os seus municípios.

Elas resistem à mudança, mas querem uma cidade melhor para viver. Quando o cidadão avança, mas a cidade para, cria-se uma zona de conflito com o Gestor Público, que precisa propor e explorar um conjunto de coisas. Fazer iniciativas temporárias, ajudar as pessoas a ultrapassar os seus medos e a enfrentar os cenários. Dizer isto pode até não funcionar, mas não sabemos, vamos experimentar.

Dizem que não devemos ter medo do caminho, mas sim de não caminhar. Existe ainda muito trabalho a ser feito para criar mais cidades inteligentes e sustentáveis, que dêem aos cidadãos melhores condições de vida. Muitos municípios já estão olhando para isso como uma oportunidade única para cumprir com estes objetivos, pois já perceberam que não inovar pode conduzir a uma gestão ineficiente, com falsos pressupostos que não trarão o bem-estar a seus cidadãos.

É crucial planejar e identificar tendências e possíveis oportunidades para o funcionamento da cidade de modo inteligente. Isso é pensar hoje a cidade de amanhã.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

Seu desejo não é seu direito

"Você tem o direito de ter desejos. Mas não espere que todo desejo seja um direito" – Carlos A. Facco

Tenho percebido um comportamento cada vez mais comum na sociedade: a reivindicação de desejos como sendo direitos.

Talvez fruto de uma educação mais liberal por pais de uma geração que foi criada com muito rigor, e que agora considera que ser um pai legal e amigo de seu filho é deixá-lo fazer o que quiser, estamos criando uma legião de pessoas que estão com dificuldade de viver em comunidade, simplesmente porque isso pressupõe limites e concessões, que eles não aprenderam a ter.

Como em um conhecido quadrinho onde os pais de hoje, ao receberem um boletim do filho com notas baixas, questionam o professor, e não o filho, sobre o porquê do resultado ruim.

Desde cedo, as pessoas estão aprendendo que têm tudo o que querem, bastando um bater de pés, um choro, uma chantagem, uma birra. O problema é que, quando adultos, estas mesmas pessoas, que não aprenderam a receber um não como resposta, começam a receber. E aí, frustradas, fazem de tudo para obter seus desejos. Mesmo que precisem roubar, corromper, esconder.

Isso gera uma dificuldade de viver em comunidade. Porque comunidade significa qualidade das coisas e noções comuns a diversos indivíduos, significa concordância, harmonia. E isso se consegue com concessões, condições gerais de vida, e não com desejos individuais, desarmonia, logro e óbices.

Se queremos viver numa república, que significa coisa pública, de todos, teremos que abrir mão de alguns desejos.

É perfeitamente natural uma zona de conflito de interesses, gerada pela diferença entre o desejo individual do requerente e sua possibilidade diante do interesse coletivo.

O problema começa quando alguns menos conformados, que não aprenderam a ceder, continuam achando que podem impor suas condições e seu querer. Daí nasce a corrupção, a depredação, a apropriação indevida do que não aceita abrir mão.

Se pretendemos uma sociedade desenvolvida, progressista, com oportunidade para todos, precisamos pensar no indivíduo em formação. Nas famílias, na educação desde a primeira infância, onde se aprenda a conviver, ou seja, viver com. Viver com pessoas diferentes, prioridades diferentes, visão de mundo diferentes, desejos diferentes.

Dizem que empatia é a capacidade de se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente, de querer o que ela quer, de compreender do modo como ela compreende. Meu pai me ensinou a chamar isso de respeito.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

Empreendedorismo na veia

"Nenhum projeto disruptivo foi realizado sem risco. Deve-se estar disposto a arriscar sempre" – James Cameron

Nesta semana, de 6 a 11 de novembro, realizamos um evento de empreendedorismo universitário inédito em Campo Mourão. Mas o Empreende Week – Soluções para a Cidade começou a ser plantado ainda no primeiro semestre.

Nossa crença é que podemos fazer com que os jovens universitários que vem de vários estados estudarem aqui em Campo Mourão fiquem aqui após sua formatura. E melhor, empreendendo.

Hoje temos quase 10 mil jovens no Ensino Superior em Campo Mourão. Esforços e investimentos como a implantação do então Cefet, a criação do Integrado e Unicampo por empresários locais, a transformação da Fecilcam em Unespar foram decisivos para isso. Atraem estudantes de vários estados do Brasil.

Agora, temos que dar um passo adiante. Manter esses jovens em Campo Mourão, com empresas de tecnologia, empregos de valor agregado e geração de conhecimento locais será fundamental para uma transformar nossa economia regional.

Acreditamos que o Poder Público deve ser o grande indutor desse processo. Por isso, desde o início do ano, através da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, estivemos em todas as faculdades instigando os alunos e professores a sair às ruas, conhecendo problemas locais e propondo soluções.

Começamos com as dificuldades da própria Prefeitura. Levantamos necessidades de algumas secretarias e alguns alunos, orientados, passaram a propor soluções. Já temos aplicativos prontos para a Diretoria de Trânsito e Vigilância Sanitária.

O Empreende Week foi o segundo passo. Propusemos às 4 Faculdades presenciais o desafio: montar grupos de estudantes para passarem uma semana pensando e propondo soluções para a cidade em dois eixos: Urbanismo e Meio Ambiente, ou Soluções para a Sociedade.

Tínhamos capacidade para 8 grupos. Inscreveram-se 20. Os selecionados tiveram uma semana intensa de Oficinas, Palestras, Mentoria. Após um preparo de 3 dias, entraram em uma maratona de ideação para propor seus projetos.

O clima gerado com esses jovens durante a semana foi arrepiante. Envolvimento, compromisso, brilho nos olhos, vontade de não sair da sala para terminar o projeto. Enfim, no sábado à tarde, chegou a hora da Banca de Avaliação.

E o que vimos foram projetos muito acima de qualquer expectativa. Desde ideias simples e funcionais para questões como trânsito e coleta de resíduos, até aplicativos para a área de saúde e conservação de energia.

Os projetos serão objeto de divulgação pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico nos próximos dias. Mas, independentemente da particularidade de cada um, já temos a convicção que estamos criando um ambiente de inovação, tecnologia, troca de conhecimento, e principalmente, empreendedorismo entre os jovens.

O projeto prevê próximos passos, como a incubação das start-ups no Centro de Inovação e Empreendedorismo – Ceitec, a implantação das soluções no município de Campo Mourão como validação destas, a busca de mentores e investidores para que as empresas nascidas aqui prosperem no mercado.

Nossa utopia é que os jovens venham estudar em Campo Mourão, e, contagiados por um ambiente empreendedor, transformem suas ideias em Negócios, iniciem aqui suas Start-ups, e gerem empregos de alto nível em nossa Cidade. Assim, teremos um virtuoso ciclo de educação gerando empreendimentos, que investem no município, que atrai mais talentos, que estudam e empreendem aqui.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

País difícil para empreender

"Comece de onde você está. Use o que você tiver. Faça o que você puder"

Arthur Ashe, tenista

O Banco Mundial realiza anualmente um estudo chamado Doing Business. Foi lançado em 2002, e examina as pequenas e médias empresas nacionais, analisando as regulamentações aplicadas a elas durante o seu ciclo de vida. Assim, este estudo serve de ferramenta para se medir o impacto das regulamentações sobre as atividades empresariais ao redor do mundo.

Em outras palavras, serve para medir e comparar o que chamamos de ambiente de negócios.

O Doing Business incentiva os países a competir para alcançar uma regulamentação mais eficiente; oferece padrões de referência sobre reformas regulatórias; e serve como uma ferramenta para acadêmicos, jornalistas, membros do governo, empresários, pesquisadores e outros interessados no ambiente de negócios de cada país.

O estudo é realizado em 190 países, e o Brasil vem se destacando em cair ano a ano na posição do ranking. De 121ª. em 2015, 123ª. em 2016, agora aparece na 125ª posição. Se analisarmos somente o quesito facilidade de abrir a empresa, o ranking é ainda pior: 176º.

O tempo que se leva para abertura de empresas é um dos quesitos mais divulgados do Doing Business. Enquanto a média global é de 21 dias, no Brasil passa de 80. Além da peregrinação por vários órgãos e custos pré-operacionais altíssimos, que são os principais entraves do processo. A Nova Zelândia, líder neste quesito, não demora mais que 8 dias para colocar uma empresa pra trabalhar.

Em um país com tantas dificuldades, tanto desemprego e necessidade de melhorar a distribuição de renda, penso que seria lógico investir no espírito empreendedor de seu povo, permitindo que surgissem inúmeras pequenas empresas a cada ano e que elas fossem cada vez mais sustentáveis. Infelizmente, não é o que vemos acontecer.

Parece que nossos governantes, principalmente a nível federal, não estão nem aí com os mais de 13 milhões de desempregados, muitos dos quais poderiam estar empreendendo, gerando seu sustento e deixando de depender de programas sociais.

Em Campo Mourão, estamos atentos ao movimento e importância dos pequenos negócios – já escrevi sobre isso aqui.

A partir do início de 2018, a Casa do Empreendedor será o único ponto de relacionamento do empreendedor com a Prefeitura. Centralizaremos todos os processos de abertura de empresas num único local, de forma que o empreendedor não mais precise se deslocar para entregar documentos, projetos, guias, etc. Entregará os documentos na Casa do Empreendedor e retirará o processo pronto no mesmo local.

Essa mudança nos permitirá avaliar e melhorar o processo, pois teremos todas as informações sobre os gargalos que porventura existirem. A partir daí, prosseguiremos com a desburocratização e agilização. Acreditamos que podemos criar um ambiente mais favorável ao empreendedorismo em nossa cidade.

Semana histórica

É impossível progredir sem mudança, e aqueles que não mudam suas mentes não podem mudar nada.

George Bernard Shaw

Na última semana tivemos dois fatos de grande relevância para o Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão, principalmente se pensarmos no significado deles a longo prazo.

Primeiro, a mudança da data de comemoração do aniversário da Cidade. Aparentemente, isso soa muito pouco, pois nem sequer foi extinto o Feriado, mas apenas reposicionado. Ou seja, nem um dia útil a mais. Mas eu valorizo mais as nuances do processo. Para começar, a administração permitiu uma discussão na sociedade, ao enviar o processo para o Legislativo. Depois, houve um debate amplo, com audiência pública, pesquisa de opinião, reuniões. Por último, o Legislativo mostrou maturidade em uma decisão mais técnica e menos populista. Independentemente do objeto – no caso a mudança do Feriado – o processo foi muito bom. E a união dos empresários em prol de uma causa foi bastante animadora. Me deu a esperança de que continuem essa união para outros desafios maiores que precisam enfrentar.

Segundo, e bem mais simbólico, a criação do Conselho de Desenvolvimento Econômico – Codecam. Já escrevi sobre sua importância em outras oportunidades. Não é um movimento totalmente inédito. Já tivemos iniciativas parecidas com criação do Fórum de Desenvolvimento, por exemplo. Antes, já houve outro Conselho, e outro fórum. Nenhum duradouro. Porque devemos acreditam no Codecam?

1) Tem um foco muito claro: diferente do Fórum de Desenvolvimento, que teve a intenção de trabalhar em 5 eixos de Desenvolvimento, o Codecam nasce com o foco econômico. Embora existam Câmaras Técnicas de Saúde, Educação e Cultura, a discussão será em torno da influência desses temas no Desenvolvimento Econômico da Cidade e vice-versa.

2) Terá uma estrutura administrativa e operacional: por mais desejo e envolvimento no processo que haja, é muito difícil produzir projetos e administrar seu andamento baseado apenas em algumas horas de voluntariado. Além da importantíssima participação das lideranças voluntárias, uma equipe técnica para operacionalizar as ações certamente não deixará a roda parar.

3) Projetos: derivada a anterior, o Codecam deverá trabalhar em projetos específicos, focados e com mensuração de resultados. Aliás, esta última já foi objeto de muitas discussões quando da elaboração de PPA, quando o Conselho contribuiu na elaboração de indicadores de desenvolvimento para o município.

4) Ancorada em Lei: é natural em movimentos dessa dimensão, que tem atuação além de mandatos políticos, que as relações com o Poder Público passem por altos e baixos. Sendo criado por uma Lei, torna-se mais difícil a sua extinção ou não-participação nas decisões de políticas públicas.

Mas será que isso será suficiente? Eu já disse em várias reuniões que, além e mais importante que tudo isso será o comprometimento e a participação dos envolvidos. Dentro de alguns dias, as entidades indicarão os nomes para compor o Conselho. Se estas pessoas não tiverem um forte sentimento de engajamento, desapego, visão de longo prazo e paciência para trabalhar em grupo, o Codecam se reduzirá a um Conselho burocrático, existente para cumprir a Lei, sem a voz ativa e empoderada que merece.