Sociedade e Desenvolvimento
A distribuição desigual do espaço público

A cidade avançada não é aquela em que os pobres andam de carro, mas aquela em que os ricos usam transporte público - Enrique Peñalosa

Há algum tempo venho observando a distribuição desigual do espaço público, em relação aos pedestres, ciclistas e condutores de automóveis. Li um artigo onde o especialista em mobilidade urbana, Mikael Colville-Andersen, qualifica esse fenômeno como a arrogância do espaço.

Do ponto de vista desse planejador urbano e fundador do Copenhagenize (uma companhia especializada em cidades com qualidade de vida e no uso urbano da bicicleta), este termo pode ser aplicado às cidades que são dominadas pela engenharia de trânsito do século passado, isto é, aquelas que estão planejadas prioritariamente para os automóveis.

Para exemplificar seu posicionamento, Mikael analisou a quantidade de espaço que possui cada um desses grupos, além do espaço morto e dos edifícios, em algumas ruas de Calgary – Canadá , Paris e Tóquio e fez uma comparação de cada setor com diferentes cores. Mikael assegura que esta ferramenta permite ter uma ideia que o uso do espaço não está de acordo com sua demanda.

Isso porque observando os pedestres que estão esperando no cruzamento ou circulando pelas calçadas, estes superam muito em quantidade os condutores de automóveis. Estes últimos, porém, ocupam uma área muito maior com seus veículos.

No cruzamento mais movimentado do mundo, em Shibuya, Tóquio, convivem pedestres e ciclistas. A presença destes se explica pela existência de vários bicicletários nos arredores da estação de ônibus e trens de Shibuya. Em Tóquio nota-se uma distribuição do espaço um pouco mais equitativa.

Agora, e se fizéssemos um estudo assim no centro de Campo Mourão? Do alto de um edifício, observarmos o espaço de ruas e estacionamentos destinados aos automóveis, em contrapartida aos espaços dos pedestres ou ciclistas?

Há uma queixa generalizada sobre o trânsito em nossa cidade, especialmente no Centro. E, de fato, existem vários gargalos a serem superados, principalmente porque o número de veículos cresceu muito acima do que o número de pessoas, proporcionalmente. E as ruas não cresceram.

Só que, além disso, não se pensou até então em alternativas para diminuir o número de carros. Pelo contrário. Criaram-se opções para cada vez socar mais veículos nas ruas do centro. Estacionamento diagonal, no canteiro central, na praça da Igreja, etc. E venha para o Centro com seu carro, nós damos um jeito.

É hora de pensarmos numa cidade mais caminhável. Pessoas andando a pé, de bicicleta, de patins. Temos que ter projetos de calçadões, áreas livres de veículos, para dar segurança às pessoas. Não é possível mais uma cidade plana, arborizada e de clima agradável como Campo Mourão fazer-se refém de veículos motorizados. Ou você, empresário, acha que seu cliente é aquele cara estressado dentro de um carro procurando estacionamento?

Para isso, é mister um novo modelo de transporte coletivo, uma nova engenharia das ruas, assim como um novo comportamento de motoristas e motociclistas.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

A necessária inovação do dia-a-dia

Inove sempre que puder. Mas, principalmente, quando não puder - Henrique Szklo

Semana passada participei do 5º. Congresso Paranaense das Cidades Digitais, em Curitiba. Em pauta, apresentação de cases de diversos municípios que estão investindo em tecnologia e oportunidades de inovação para cidades de todos os portes.

E, sim, é absolutamente necessário o investimento em tecnologia e inovação na Gestão Pública. E, com a velocidade que observamos no desenvolvimento tecnológico nos últimos anos, eu diria mais: é urgente também.

As alterações demográficas, tecnológicas, econômicas e ambientais que temos verificado ao longo dos últimos anos impactam severamente o planejamento e a gestão das cidades. Mais de 85% da população brasileira vive em áreas urbanas, e por isso, somente tornar as cidades cada vez mais resilientes e inteligentes poderá garantir, a longo prazo, um desenvolvimento sustentável eficaz e qualidade de vida aos seus cidadãos.

Embora as amarras jurídicas e burocráticas dificultem o processo (imaginem que a Lei 8666, que rege licitações e compras públicas, é de 1993 – tem 24 anos) muitos gestores estão trilhando este caminho, e com ótimos resultados.

Desde a eliminação de papéis, passando transparência na resposta ao cidadão, gestão de trânsito, segurança, são inúmeros os exemplos das chamadas smart cities.

Mas não basta investir em equipamentos sofisticados e computadores de última geração. É necessário inovar em processos, treinar pessoas, ousar em modelos de gestão.

As pessoas estão sendo bombardeadas por novas tecnologias diariamente, as novidades não param de surgir, e querem ver isso também na gestão de sua cidade. Querem ter a mesma facilidade que têm para pagar uma conta com seu smartphone quando precisam pagar uma taxa de serviço público. Querem agendar uma consulta no postinho como se agenda uma hospedagem no hotel. Querem requisitar seus serviços sem precisar de inúmeros cadastros repetitivos, com papéis a serem entregues e carimbados em diversas repartições. Espera reconhecer gestores que buscam alternativas inovadoras para os seus municípios.

Elas resistem à mudança, mas querem uma cidade melhor para viver. Quando o cidadão avança, mas a cidade para, cria-se uma zona de conflito com o Gestor Público, que precisa propor e explorar um conjunto de coisas. Fazer iniciativas temporárias, ajudar as pessoas a ultrapassar os seus medos e a enfrentar os cenários. Dizer isto pode até não funcionar, mas não sabemos, vamos experimentar.

Dizem que não devemos ter medo do caminho, mas sim de não caminhar. Existe ainda muito trabalho a ser feito para criar mais cidades inteligentes e sustentáveis, que dêem aos cidadãos melhores condições de vida. Muitos municípios já estão olhando para isso como uma oportunidade única para cumprir com estes objetivos, pois já perceberam que não inovar pode conduzir a uma gestão ineficiente, com falsos pressupostos que não trarão o bem-estar a seus cidadãos.

É crucial planejar e identificar tendências e possíveis oportunidades para o funcionamento da cidade de modo inteligente. Isso é pensar hoje a cidade de amanhã.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

Seu desejo não é seu direito

"Você tem o direito de ter desejos. Mas não espere que todo desejo seja um direito" – Carlos A. Facco

Tenho percebido um comportamento cada vez mais comum na sociedade: a reivindicação de desejos como sendo direitos.

Talvez fruto de uma educação mais liberal por pais de uma geração que foi criada com muito rigor, e que agora considera que ser um pai legal e amigo de seu filho é deixá-lo fazer o que quiser, estamos criando uma legião de pessoas que estão com dificuldade de viver em comunidade, simplesmente porque isso pressupõe limites e concessões, que eles não aprenderam a ter.

Como em um conhecido quadrinho onde os pais de hoje, ao receberem um boletim do filho com notas baixas, questionam o professor, e não o filho, sobre o porquê do resultado ruim.

Desde cedo, as pessoas estão aprendendo que têm tudo o que querem, bastando um bater de pés, um choro, uma chantagem, uma birra. O problema é que, quando adultos, estas mesmas pessoas, que não aprenderam a receber um não como resposta, começam a receber. E aí, frustradas, fazem de tudo para obter seus desejos. Mesmo que precisem roubar, corromper, esconder.

Isso gera uma dificuldade de viver em comunidade. Porque comunidade significa qualidade das coisas e noções comuns a diversos indivíduos, significa concordância, harmonia. E isso se consegue com concessões, condições gerais de vida, e não com desejos individuais, desarmonia, logro e óbices.

Se queremos viver numa república, que significa coisa pública, de todos, teremos que abrir mão de alguns desejos.

É perfeitamente natural uma zona de conflito de interesses, gerada pela diferença entre o desejo individual do requerente e sua possibilidade diante do interesse coletivo.

O problema começa quando alguns menos conformados, que não aprenderam a ceder, continuam achando que podem impor suas condições e seu querer. Daí nasce a corrupção, a depredação, a apropriação indevida do que não aceita abrir mão.

Se pretendemos uma sociedade desenvolvida, progressista, com oportunidade para todos, precisamos pensar no indivíduo em formação. Nas famílias, na educação desde a primeira infância, onde se aprenda a conviver, ou seja, viver com. Viver com pessoas diferentes, prioridades diferentes, visão de mundo diferentes, desejos diferentes.

Dizem que empatia é a capacidade de se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente, de querer o que ela quer, de compreender do modo como ela compreende. Meu pai me ensinou a chamar isso de respeito.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

Empreendedorismo na veia

"Nenhum projeto disruptivo foi realizado sem risco. Deve-se estar disposto a arriscar sempre" – James Cameron

Nesta semana, de 6 a 11 de novembro, realizamos um evento de empreendedorismo universitário inédito em Campo Mourão. Mas o Empreende Week – Soluções para a Cidade começou a ser plantado ainda no primeiro semestre.

Nossa crença é que podemos fazer com que os jovens universitários que vem de vários estados estudarem aqui em Campo Mourão fiquem aqui após sua formatura. E melhor, empreendendo.

Hoje temos quase 10 mil jovens no Ensino Superior em Campo Mourão. Esforços e investimentos como a implantação do então Cefet, a criação do Integrado e Unicampo por empresários locais, a transformação da Fecilcam em Unespar foram decisivos para isso. Atraem estudantes de vários estados do Brasil.

Agora, temos que dar um passo adiante. Manter esses jovens em Campo Mourão, com empresas de tecnologia, empregos de valor agregado e geração de conhecimento locais será fundamental para uma transformar nossa economia regional.

Acreditamos que o Poder Público deve ser o grande indutor desse processo. Por isso, desde o início do ano, através da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, estivemos em todas as faculdades instigando os alunos e professores a sair às ruas, conhecendo problemas locais e propondo soluções.

Começamos com as dificuldades da própria Prefeitura. Levantamos necessidades de algumas secretarias e alguns alunos, orientados, passaram a propor soluções. Já temos aplicativos prontos para a Diretoria de Trânsito e Vigilância Sanitária.

O Empreende Week foi o segundo passo. Propusemos às 4 Faculdades presenciais o desafio: montar grupos de estudantes para passarem uma semana pensando e propondo soluções para a cidade em dois eixos: Urbanismo e Meio Ambiente, ou Soluções para a Sociedade.

Tínhamos capacidade para 8 grupos. Inscreveram-se 20. Os selecionados tiveram uma semana intensa de Oficinas, Palestras, Mentoria. Após um preparo de 3 dias, entraram em uma maratona de ideação para propor seus projetos.

O clima gerado com esses jovens durante a semana foi arrepiante. Envolvimento, compromisso, brilho nos olhos, vontade de não sair da sala para terminar o projeto. Enfim, no sábado à tarde, chegou a hora da Banca de Avaliação.

E o que vimos foram projetos muito acima de qualquer expectativa. Desde ideias simples e funcionais para questões como trânsito e coleta de resíduos, até aplicativos para a área de saúde e conservação de energia.

Os projetos serão objeto de divulgação pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico nos próximos dias. Mas, independentemente da particularidade de cada um, já temos a convicção que estamos criando um ambiente de inovação, tecnologia, troca de conhecimento, e principalmente, empreendedorismo entre os jovens.

O projeto prevê próximos passos, como a incubação das start-ups no Centro de Inovação e Empreendedorismo – Ceitec, a implantação das soluções no município de Campo Mourão como validação destas, a busca de mentores e investidores para que as empresas nascidas aqui prosperem no mercado.

Nossa utopia é que os jovens venham estudar em Campo Mourão, e, contagiados por um ambiente empreendedor, transformem suas ideias em Negócios, iniciem aqui suas Start-ups, e gerem empregos de alto nível em nossa Cidade. Assim, teremos um virtuoso ciclo de educação gerando empreendimentos, que investem no município, que atrai mais talentos, que estudam e empreendem aqui.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

País difícil para empreender

"Comece de onde você está. Use o que você tiver. Faça o que você puder"

Arthur Ashe, tenista

O Banco Mundial realiza anualmente um estudo chamado Doing Business. Foi lançado em 2002, e examina as pequenas e médias empresas nacionais, analisando as regulamentações aplicadas a elas durante o seu ciclo de vida. Assim, este estudo serve de ferramenta para se medir o impacto das regulamentações sobre as atividades empresariais ao redor do mundo.

Em outras palavras, serve para medir e comparar o que chamamos de ambiente de negócios.

O Doing Business incentiva os países a competir para alcançar uma regulamentação mais eficiente; oferece padrões de referência sobre reformas regulatórias; e serve como uma ferramenta para acadêmicos, jornalistas, membros do governo, empresários, pesquisadores e outros interessados no ambiente de negócios de cada país.

O estudo é realizado em 190 países, e o Brasil vem se destacando em cair ano a ano na posição do ranking. De 121ª. em 2015, 123ª. em 2016, agora aparece na 125ª posição. Se analisarmos somente o quesito facilidade de abrir a empresa, o ranking é ainda pior: 176º.

O tempo que se leva para abertura de empresas é um dos quesitos mais divulgados do Doing Business. Enquanto a média global é de 21 dias, no Brasil passa de 80. Além da peregrinação por vários órgãos e custos pré-operacionais altíssimos, que são os principais entraves do processo. A Nova Zelândia, líder neste quesito, não demora mais que 8 dias para colocar uma empresa pra trabalhar.

Em um país com tantas dificuldades, tanto desemprego e necessidade de melhorar a distribuição de renda, penso que seria lógico investir no espírito empreendedor de seu povo, permitindo que surgissem inúmeras pequenas empresas a cada ano e que elas fossem cada vez mais sustentáveis. Infelizmente, não é o que vemos acontecer.

Parece que nossos governantes, principalmente a nível federal, não estão nem aí com os mais de 13 milhões de desempregados, muitos dos quais poderiam estar empreendendo, gerando seu sustento e deixando de depender de programas sociais.

Em Campo Mourão, estamos atentos ao movimento e importância dos pequenos negócios – já escrevi sobre isso aqui.

A partir do início de 2018, a Casa do Empreendedor será o único ponto de relacionamento do empreendedor com a Prefeitura. Centralizaremos todos os processos de abertura de empresas num único local, de forma que o empreendedor não mais precise se deslocar para entregar documentos, projetos, guias, etc. Entregará os documentos na Casa do Empreendedor e retirará o processo pronto no mesmo local.

Essa mudança nos permitirá avaliar e melhorar o processo, pois teremos todas as informações sobre os gargalos que porventura existirem. A partir daí, prosseguiremos com a desburocratização e agilização. Acreditamos que podemos criar um ambiente mais favorável ao empreendedorismo em nossa cidade.

Semana histórica

É impossível progredir sem mudança, e aqueles que não mudam suas mentes não podem mudar nada.

George Bernard Shaw

Na última semana tivemos dois fatos de grande relevância para o Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão, principalmente se pensarmos no significado deles a longo prazo.

Primeiro, a mudança da data de comemoração do aniversário da Cidade. Aparentemente, isso soa muito pouco, pois nem sequer foi extinto o Feriado, mas apenas reposicionado. Ou seja, nem um dia útil a mais. Mas eu valorizo mais as nuances do processo. Para começar, a administração permitiu uma discussão na sociedade, ao enviar o processo para o Legislativo. Depois, houve um debate amplo, com audiência pública, pesquisa de opinião, reuniões. Por último, o Legislativo mostrou maturidade em uma decisão mais técnica e menos populista. Independentemente do objeto – no caso a mudança do Feriado – o processo foi muito bom. E a união dos empresários em prol de uma causa foi bastante animadora. Me deu a esperança de que continuem essa união para outros desafios maiores que precisam enfrentar.

Segundo, e bem mais simbólico, a criação do Conselho de Desenvolvimento Econômico – Codecam. Já escrevi sobre sua importância em outras oportunidades. Não é um movimento totalmente inédito. Já tivemos iniciativas parecidas com criação do Fórum de Desenvolvimento, por exemplo. Antes, já houve outro Conselho, e outro fórum. Nenhum duradouro. Porque devemos acreditam no Codecam?

1) Tem um foco muito claro: diferente do Fórum de Desenvolvimento, que teve a intenção de trabalhar em 5 eixos de Desenvolvimento, o Codecam nasce com o foco econômico. Embora existam Câmaras Técnicas de Saúde, Educação e Cultura, a discussão será em torno da influência desses temas no Desenvolvimento Econômico da Cidade e vice-versa.

2) Terá uma estrutura administrativa e operacional: por mais desejo e envolvimento no processo que haja, é muito difícil produzir projetos e administrar seu andamento baseado apenas em algumas horas de voluntariado. Além da importantíssima participação das lideranças voluntárias, uma equipe técnica para operacionalizar as ações certamente não deixará a roda parar.

3) Projetos: derivada a anterior, o Codecam deverá trabalhar em projetos específicos, focados e com mensuração de resultados. Aliás, esta última já foi objeto de muitas discussões quando da elaboração de PPA, quando o Conselho contribuiu na elaboração de indicadores de desenvolvimento para o município.

4) Ancorada em Lei: é natural em movimentos dessa dimensão, que tem atuação além de mandatos políticos, que as relações com o Poder Público passem por altos e baixos. Sendo criado por uma Lei, torna-se mais difícil a sua extinção ou não-participação nas decisões de políticas públicas.

Mas será que isso será suficiente? Eu já disse em várias reuniões que, além e mais importante que tudo isso será o comprometimento e a participação dos envolvidos. Dentro de alguns dias, as entidades indicarão os nomes para compor o Conselho. Se estas pessoas não tiverem um forte sentimento de engajamento, desapego, visão de longo prazo e paciência para trabalhar em grupo, o Codecam se reduzirá a um Conselho burocrático, existente para cumprir a Lei, sem a voz ativa e empoderada que merece.

Desenvolvimento Tecnológico

Existem três tipos de pessoas. As que fazem as coisas acontecer, as que ficam vendo as coisas acontecerem e as que se perguntam: O que aconteceu? (Philip Kotler)

Na última terça, dia 17, estivemos em Pato Branco, sudoeste do Paraná, conhecendo as iniciativas daquele município em relação a Desenvolvimento Econômico e Tecnológico.

Pudemos visitar a Feira Inventum, um evento que eles denominam a maior feira de Ciência e Tecnologia do Paraná. E de fato é surpreendente: 110 mil pessoas visitando um evento de 6 dias, onde não tem show sertanejo, parque de diversões e nem barracas de kapeta.

Mas o que tem nessa feira de tão especial? Ciência, inovação e tecnologia, muita tecnologia. Escolas de todos os níveis participando com projetos, experiências, ideias; alunos e professores motivados a pensar e apresentar projetos para desenvolvimento da cidade. Modelos de aprendizado baseados na metodologia maker, ou seja, aprender fazendo. Baseado em desafios, os alunos desenvolveram catapultas, pontes de macarrão, carros sem motor, fizeram corridas de drones, disputas de robôs, torneios de videogames, enfim, um sem-número de alternativas e opções para atrair a atenção de uma nova geração de pessoas, conectadas o tempo todo em novidades e conceitos heterodoxos.

Mas o mais impressionante é que o evento, o Inventum, é apenas o resultado demonstrado de inúmeras iniciativas e projetos que o município desenvolve há anos focado em desenvolvimento tecnológico. Com apenas 80 mil habitantes, Pato Branco tem um invejável currículo nessa área: 90 cursos superiores, mais de 250 empresas de tecnologia, robótica nas escolas fundamentais, Parque Tecnológico, e um ambiente que atrai empresas e talentos de todos os lados.

Necessário entender, obviamente, que resultados deste nível não são conquistados no curto prazo. E aí é que entra um ingrediente fundamental: um arcabouço institucional forte, focado e parceiro numa mesma visão. Politicamente, também em Pato Branco houve diferença de modelo de gestão e prioridades. Mas as instituições souberam manter o foco no projeto de longo prazo e superar as adversidades momentâneas.

Municípios que queiram se desenvolver precisam criar esse núcleo duro decisório e guardião de sua visão de futuro. Cidade grandes não são tão dependentes do poder público como as pequenas. Para estas, é primordial que se sintonizem os interesses institucionais ao redor de um tema ou vocação que permita superar e progredir apesar de algumas vezes não ter o total apoio político.

EMPREENDE WEEK – a Secretaria de Desenvolvimento Econômico está promovendo de 6 a 11 de novembro a primeira Empreende Week – Semana de Empreendedorismo e Inovação. Com objetivo é fomentar o empreendedorismo nos Universitários, incentivando o protagonismo através da geração de projetos que contribuam com o desenvolvimento do Município. Serão 40 estudantes divididos em 8 grupos, sendo 2 de cada Faculdade de Campo Mourão, que deverão criar projetos nas áreas de Urbanismo e Meio Ambiente e Soluções para a Sociedade. Durante a semana, esses jovens terão oficinas e mentorias, de forma a participar de uma banca e apresentar seus projetos na tarde do sábado, dia 11. Os 3 primeiros receberão prêmios e terão seus projetos apresentados à Administração Municipal para viabilização da sua implantação. É o primeiro movimento no município levando o conhecimento gerado nas Faculdades para a aplicação na melhoria da própria cidade. Queremos disseminar o empreendedorismo como possibilidade de carreira para os jovens.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão.

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5 maneiras de participar do desenvolvimento de sua cidade

Há uma semana, Campo Mourão completou 70 anos de emancipação política, e, nestas ocasiões, sempre surgem os votos e desejos de mais desenvolvimento, uma cidade melhor, etc, etc ...

Bem, se pensamos em ter uma cidade melhor para nossos filhos, que tal sermos melhores para nossa cidade? Como podemos pensar em participar agora de seu desenvolvimento, contribuir mais para mitigar seus problemas, enfim... exercer a cidadania, por mais clichê que isso pareça?

Contribuir de alguma forma para a cidade ou para a sociedade é uma coisa que cada vez mais leva muitas pessoas a refletir. Prova disso é que cresce o número de iniciativas individuais e coletivas para ações de cunho social, cuidado ao meio ambiente, filantropia, ajudar entidades e outras causas.

Esta participação popular é reforçada de certa forma pela ausência do Estado, que comete atos que envolvem corrupção, descuido com o planejamento das políticas públicas e pouquíssimo incentivo para o desenvolvimento econômico.

Outros exemplos dessas atividades encontramos em empresas e organizações do terceiro setor, que vêm contribuindo bastante para o bem comum. É claro que o governo deveria cumprir seu dever e fazer muitas coisas diferentes no Brasil. Mas ações governamentais apenas não bastam.

Alguns intelectuais e estudiosos defendem que o Estado sozinho não é suficiente para resolver os problemas da sociedade. E que as ações de pessoas e empresas do terceiro setor também são necessárias e bem-vindas para a construção do desenvolvimento humano. Então, como fazer isso?

1) Mudar a si mesmo em primeiro lugar. Não adianta querer mudar o mundo se no cotidiano não se faz pequenas ações como ajudar o outro, ser educado, não jogar lixo no chão.

2) Conhecer e obedecer a Lei. As leis existem para representar as necessidades da população e organizar a convivência em sociedade. Para agir em prol de seu desenvolvimento é necessário não só conhecer, mas respeitar as legislações.

3) Votar e ser votado. Podemos escolher nossos governantes e representantes, vivemos numa democracia. Escolher bem é importante. E se você deseja ser este representante, candidate-se.

4) Participar. Manifestações, conselhos, fóruns, audiências públicas, que vemos ocorrer quase que diariamente e são formas de garantir o debate de prioridades da sociedade.

5) Fazer responsabilidade social nas empresas. Se você é empresário ou trabalha em uma empresa, propunha uma ação de responsabilidade social. Além de valorizar a marca, traz melhor relacionamento com clientes, fornecedores, comunidade.

Melhorar nosso ambiente, nossa cidade e nossa sociedade depende de cada um. Pense em outras formas de participar de mudanças para uma Campo Mourão e um Brasil melhor.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão.

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O difícil entendimento de “coisa pública”

A corrupção política é apenas uma consequência das escolhas do povo.

Laércio Monteiro

Entro numa escola pública para um evento. Antes do início, peço para utilizar o banheiro. Deparo-me então, com louças quebradas, torneiras arrancadas e portas sem fechadura com frases impublicáveis arranhadas.

Na sala, carteiras quebradas encostam-se em paredes também esfoladas por chaves, canetas, ou sei lá o que, que arrancam a tinta e o reboco para mais uma vez, anotar nomes e apelidos dos jovens frequentadores.

Não bastasse, encontro em cada local público que frequento uma realidade parecida. Praças, escolas, teatros, calçadas, enfim, um sem-número de estruturas e locais públicos tomados de desmazelo e descuidado.

Fico imaginando de onde vem essa dificuldade de entendermos que os bens públicos são públicos – e público deve significar de todos, e não de ninguém. Pois, quando entende-se um bem público como sendo de ninguém, imediatamente vem o raciocínio: se é de ninguém, porque não pode ser meu?

E aí é que a coisa fica séria, pois, seguindo esse pensamento, cada um poderia apropriar-se de uma vantagem em relação a outros, quanto ao uso, acesso ou posse de bens públicos.

Apropriar-se de bens públicos... levar vantagem a partir do acesso ao poder público... você está pensando o mesmo que eu?

Porque será que, apesar de todas as notícias, provas, julgamentos, e tudo o mais que vemos e ouvimos contra o ex-presidente Lula, ele continua á frente nas pesquisas? Será que o povo realmente considera crime o que ele fez? Pode uma nação de corruptos julgar e condenar um igual? Ou simplesmente assiste à corrupção com um sentimento de rouba, mas faz? Ou talvez: ele roubou, mas melhorou minha condição de vida, e isso me basta?

Administração pública, dinheiro público e os bens públicos em geral são coisas sérias e devem ser tratadas como tal. A utilização delas em proveito particular ou para beneficiar terceiros é um crime que não pode ter mais a menor aceitação da sociedade brasileira.

O mínimo que se espera de um homem público é a honestidade. Essas histórias de que "rouba, mas faz" são coisas do passado e não passam de desculpas sem fundamento.

Mas não se deve esperar o mesmo do cidadão comum? Ao se deparar com um investimento, uma obra, um equipamento, rua, bueiro, enfim, aquelas coisas ao seu entorno que servem ao povo, não deveria qualquer cidadão defender e proteger seu patrimônio?

Etimologicamente, o termo "corrupção" surgiu a partir do latim corruptus, que significa o "ato de quebrar aos pedaços", ou seja, decompor e deteriorar algo. E está intimamente relacionado a obter vantagens em relação aos outros por meios considerados ilegais ou ilícitos.

Sempre que ouço críticas à políticos corruptos, penso no cotidiano da pessoa que critica. Será que realmente a crítica é ao sistema, ou é apenas uma manifestação de que gostaria de estar do outro lado? E, lá estando, quem sabe não faria o mesmo?

Sou bem intolerante com furões de fila, inadimplentes de clube e condomínio, fraudadores de tv a cabo e internet, negociadores de jeitinhos para auferir vantagens, etc., ainda mais quando escuto dessas mesmas pessoas, reclamações quanto a corrupção e má gestão pública.

Comecemos a entender que a coisa pública é pública. Minha, sua, e de todos. Eleitos ou eleitores. Temos muito a avançar...

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão - [email protected]

Os “especialistas” das redes sociais

Você nunca vai chegar ao seu destino se você parar e atirar pedras em cada vira-lata que late!!

Winston Churchill

Esse fim de semana fiz uma brincadeira no Facebook para testar uma teoria: postei um checkin no Rock´in Rio. Resultado: quase uma centena de likes, alguns comentários de admiração e cumprimentos. O detalhe é que não saí de Campo Mourão. A brincadeira foi só para comprovar como é fácil iludir através das redes sociais.

Vemos inúmeros casos de falsas notícias, parciais, comentários que vão aumentando a história como aquela brincadeira antiga do telefone sem fio.

As redes sociais se tornaram superpoderosas a partir do momento que começamos a viver uma era de imediatismo. Queremos respostas prontas, na hora, a paciência se esgota num sopro. Experimente responder ao seu filho adolescente ou criança Espere um pouco, quando ele te pedir algo. Vai perceber do que eu estou falando.

Só que essa pressa toda leva as pessoas a não ler uma notícia além da manchete, a não pesquisar uma fonte confiável, e a ser facilmente ludibriado como na brincadeira que eu fiz. Muito mais fácil assistir um vídeo do Youtube e virar especialista no assunto.

Quer um exemplo? O comediante e youtuber Whindersson Nunes foi eleito numa pesquisa do Google divulgada no último dia 11 como a personalidade mais influente do país. Pudera, tem 23 milhões de seguidores em seu canal. Entre seus vídeos mais acessados estão: Qual é a senha do wi-fi e O dia em que eu tive piolho. Profundo... Lógico, trata-se de um comediante, tem talento, e seus fãs buscam diversão.

Outros exemplos aparecem em pesquisas. Uma delas, da FGV, mostrou que perfis automatizados, ou seja, robôs, atuaram nas eleições e na votação do impeachment de Dilma Roussef. Em outra, a Nature revelou que 120 artigos científicos publicados em revistas científicas entre 2008 e 2013 foram criados em um aplicativo chamado gerados de lero-lero.

E é justamente esse o lado perverso da situação. Criamos autoridades imediatas, com argumentos rasos, nem sempre verdadeiros, e com razoável risco de manipulação. Basta uma conta numa rede social, um blog, uma enquete, um canal de vídeo. Ou até mesmo um perfil falso alimentado por um robô.

As notícias correm com a velocidade de um clique, e seus efeitos às vezes são nefastos. Especialistas, estudiosos, mestres e doutores que levaram anos pesquisando, se aperfeiçoando, buscando teorias válidas cientificamente em seus campos de atuação são questionados e confrontados por leigos proprietários de uma conta numa rede social.

Um ambiente assim obviamente tem muitas vantagens, pois permite a democratização da informação, a participação sem censura, a discussão de diversos pontos de vista, etc. O cuidado que devemos ter é de não perder o foco de nossos objetivos ao dar atenção a todo e qualquer comentário não fundamentado, ilegítimo, improcedente ou até maldoso.

Tentar explicar tudo, buscar um consenso inalcançável, dar importância a cada cão que late, como citou Churchill, certamente nos desviará de nossa missão. No mínimo, perderemos velocidade em nossas ações. É preciso então manter nosso foco e nossas crenças, buscar ter claro nosso objetivo e as razões que nos fazem buscá-lo. Aproveitar as críticas, quando construtivas, é uma atitude de inteligência. Perder-se em tentar responder a todo latido, é maluquice.