Sociedade e Desenvolvimento
5 maneiras de participar do desenvolvimento de sua cidade

Há uma semana, Campo Mourão completou 70 anos de emancipação política, e, nestas ocasiões, sempre surgem os votos e desejos de mais desenvolvimento, uma cidade melhor, etc, etc ...

Bem, se pensamos em ter uma cidade melhor para nossos filhos, que tal sermos melhores para nossa cidade? Como podemos pensar em participar agora de seu desenvolvimento, contribuir mais para mitigar seus problemas, enfim... exercer a cidadania, por mais clichê que isso pareça?

Contribuir de alguma forma para a cidade ou para a sociedade é uma coisa que cada vez mais leva muitas pessoas a refletir. Prova disso é que cresce o número de iniciativas individuais e coletivas para ações de cunho social, cuidado ao meio ambiente, filantropia, ajudar entidades e outras causas.

Esta participação popular é reforçada de certa forma pela ausência do Estado, que comete atos que envolvem corrupção, descuido com o planejamento das políticas públicas e pouquíssimo incentivo para o desenvolvimento econômico.

Outros exemplos dessas atividades encontramos em empresas e organizações do terceiro setor, que vêm contribuindo bastante para o bem comum. É claro que o governo deveria cumprir seu dever e fazer muitas coisas diferentes no Brasil. Mas ações governamentais apenas não bastam.

Alguns intelectuais e estudiosos defendem que o Estado sozinho não é suficiente para resolver os problemas da sociedade. E que as ações de pessoas e empresas do terceiro setor também são necessárias e bem-vindas para a construção do desenvolvimento humano. Então, como fazer isso?

1) Mudar a si mesmo em primeiro lugar. Não adianta querer mudar o mundo se no cotidiano não se faz pequenas ações como ajudar o outro, ser educado, não jogar lixo no chão.

2) Conhecer e obedecer a Lei. As leis existem para representar as necessidades da população e organizar a convivência em sociedade. Para agir em prol de seu desenvolvimento é necessário não só conhecer, mas respeitar as legislações.

3) Votar e ser votado. Podemos escolher nossos governantes e representantes, vivemos numa democracia. Escolher bem é importante. E se você deseja ser este representante, candidate-se.

4) Participar. Manifestações, conselhos, fóruns, audiências públicas, que vemos ocorrer quase que diariamente e são formas de garantir o debate de prioridades da sociedade.

5) Fazer responsabilidade social nas empresas. Se você é empresário ou trabalha em uma empresa, propunha uma ação de responsabilidade social. Além de valorizar a marca, traz melhor relacionamento com clientes, fornecedores, comunidade.

Melhorar nosso ambiente, nossa cidade e nossa sociedade depende de cada um. Pense em outras formas de participar de mudanças para uma Campo Mourão e um Brasil melhor.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão.

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O difícil entendimento de “coisa pública”

A corrupção política é apenas uma consequência das escolhas do povo.

Laércio Monteiro

Entro numa escola pública para um evento. Antes do início, peço para utilizar o banheiro. Deparo-me então, com louças quebradas, torneiras arrancadas e portas sem fechadura com frases impublicáveis arranhadas.

Na sala, carteiras quebradas encostam-se em paredes também esfoladas por chaves, canetas, ou sei lá o que, que arrancam a tinta e o reboco para mais uma vez, anotar nomes e apelidos dos jovens frequentadores.

Não bastasse, encontro em cada local público que frequento uma realidade parecida. Praças, escolas, teatros, calçadas, enfim, um sem-número de estruturas e locais públicos tomados de desmazelo e descuidado.

Fico imaginando de onde vem essa dificuldade de entendermos que os bens públicos são públicos – e público deve significar de todos, e não de ninguém. Pois, quando entende-se um bem público como sendo de ninguém, imediatamente vem o raciocínio: se é de ninguém, porque não pode ser meu?

E aí é que a coisa fica séria, pois, seguindo esse pensamento, cada um poderia apropriar-se de uma vantagem em relação a outros, quanto ao uso, acesso ou posse de bens públicos.

Apropriar-se de bens públicos... levar vantagem a partir do acesso ao poder público... você está pensando o mesmo que eu?

Porque será que, apesar de todas as notícias, provas, julgamentos, e tudo o mais que vemos e ouvimos contra o ex-presidente Lula, ele continua á frente nas pesquisas? Será que o povo realmente considera crime o que ele fez? Pode uma nação de corruptos julgar e condenar um igual? Ou simplesmente assiste à corrupção com um sentimento de rouba, mas faz? Ou talvez: ele roubou, mas melhorou minha condição de vida, e isso me basta?

Administração pública, dinheiro público e os bens públicos em geral são coisas sérias e devem ser tratadas como tal. A utilização delas em proveito particular ou para beneficiar terceiros é um crime que não pode ter mais a menor aceitação da sociedade brasileira.

O mínimo que se espera de um homem público é a honestidade. Essas histórias de que "rouba, mas faz" são coisas do passado e não passam de desculpas sem fundamento.

Mas não se deve esperar o mesmo do cidadão comum? Ao se deparar com um investimento, uma obra, um equipamento, rua, bueiro, enfim, aquelas coisas ao seu entorno que servem ao povo, não deveria qualquer cidadão defender e proteger seu patrimônio?

Etimologicamente, o termo "corrupção" surgiu a partir do latim corruptus, que significa o "ato de quebrar aos pedaços", ou seja, decompor e deteriorar algo. E está intimamente relacionado a obter vantagens em relação aos outros por meios considerados ilegais ou ilícitos.

Sempre que ouço críticas à políticos corruptos, penso no cotidiano da pessoa que critica. Será que realmente a crítica é ao sistema, ou é apenas uma manifestação de que gostaria de estar do outro lado? E, lá estando, quem sabe não faria o mesmo?

Sou bem intolerante com furões de fila, inadimplentes de clube e condomínio, fraudadores de tv a cabo e internet, negociadores de jeitinhos para auferir vantagens, etc., ainda mais quando escuto dessas mesmas pessoas, reclamações quanto a corrupção e má gestão pública.

Comecemos a entender que a coisa pública é pública. Minha, sua, e de todos. Eleitos ou eleitores. Temos muito a avançar...

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão - [email protected]

Os “especialistas” das redes sociais

Você nunca vai chegar ao seu destino se você parar e atirar pedras em cada vira-lata que late!!

Winston Churchill

Esse fim de semana fiz uma brincadeira no Facebook para testar uma teoria: postei um checkin no Rock´in Rio. Resultado: quase uma centena de likes, alguns comentários de admiração e cumprimentos. O detalhe é que não saí de Campo Mourão. A brincadeira foi só para comprovar como é fácil iludir através das redes sociais.

Vemos inúmeros casos de falsas notícias, parciais, comentários que vão aumentando a história como aquela brincadeira antiga do telefone sem fio.

As redes sociais se tornaram superpoderosas a partir do momento que começamos a viver uma era de imediatismo. Queremos respostas prontas, na hora, a paciência se esgota num sopro. Experimente responder ao seu filho adolescente ou criança Espere um pouco, quando ele te pedir algo. Vai perceber do que eu estou falando.

Só que essa pressa toda leva as pessoas a não ler uma notícia além da manchete, a não pesquisar uma fonte confiável, e a ser facilmente ludibriado como na brincadeira que eu fiz. Muito mais fácil assistir um vídeo do Youtube e virar especialista no assunto.

Quer um exemplo? O comediante e youtuber Whindersson Nunes foi eleito numa pesquisa do Google divulgada no último dia 11 como a personalidade mais influente do país. Pudera, tem 23 milhões de seguidores em seu canal. Entre seus vídeos mais acessados estão: Qual é a senha do wi-fi e O dia em que eu tive piolho. Profundo... Lógico, trata-se de um comediante, tem talento, e seus fãs buscam diversão.

Outros exemplos aparecem em pesquisas. Uma delas, da FGV, mostrou que perfis automatizados, ou seja, robôs, atuaram nas eleições e na votação do impeachment de Dilma Roussef. Em outra, a Nature revelou que 120 artigos científicos publicados em revistas científicas entre 2008 e 2013 foram criados em um aplicativo chamado gerados de lero-lero.

E é justamente esse o lado perverso da situação. Criamos autoridades imediatas, com argumentos rasos, nem sempre verdadeiros, e com razoável risco de manipulação. Basta uma conta numa rede social, um blog, uma enquete, um canal de vídeo. Ou até mesmo um perfil falso alimentado por um robô.

As notícias correm com a velocidade de um clique, e seus efeitos às vezes são nefastos. Especialistas, estudiosos, mestres e doutores que levaram anos pesquisando, se aperfeiçoando, buscando teorias válidas cientificamente em seus campos de atuação são questionados e confrontados por leigos proprietários de uma conta numa rede social.

Um ambiente assim obviamente tem muitas vantagens, pois permite a democratização da informação, a participação sem censura, a discussão de diversos pontos de vista, etc. O cuidado que devemos ter é de não perder o foco de nossos objetivos ao dar atenção a todo e qualquer comentário não fundamentado, ilegítimo, improcedente ou até maldoso.

Tentar explicar tudo, buscar um consenso inalcançável, dar importância a cada cão que late, como citou Churchill, certamente nos desviará de nossa missão. No mínimo, perderemos velocidade em nossas ações. É preciso então manter nosso foco e nossas crenças, buscar ter claro nosso objetivo e as razões que nos fazem buscá-lo. Aproveitar as críticas, quando construtivas, é uma atitude de inteligência. Perder-se em tentar responder a todo latido, é maluquice.

Quem pode promover o desenvolvimento?

Comece de onde você está. Use o que você tiver. Faça o que você puder.

Arthur Ashe

O Brasil é um país de cultura estatista. A maioria das pessoas pensa que as políticas de desenvolvimento são uma responsabilidade exclusiva do Estado. Porém, se analisarmos as bem-sucedidas experiências de desenvolvimento mundo afora, podemos aprender que na maioria dos casos existe uma elevada cooperação entre o Estado, a Sociedade e o chamado Mercado – entendido como os agentes econômicos presentes numa sociedade.

O desenvolvimento somente será sustentável se existir o protagonismo local, pois os maiores responsáveis pelo desenvolvimento de uma localidade são as pessoas que vivem nela. Nenhuma política ou promoção de desenvolvimento exógena alcançará êxito sem o interesse, envolvimento, compromisso e adesão das pessoas.

Bem, mas como fazer isso? Algumas estratégias de planejamento e gestão compartilhada serão necessárias. Porque permitirão à comunidade local, através da experiência prática, o aprendizado necessário para que ela seja capaz de identificar potencialidades, oportunidades, vantagens comparativas e competitivas, problemas, limites e obstáculos ao seu desenvolvimento, e, a partir disso, poderá escolher vocações, estabelecer metas, definir estratégias e prioridades, monitorar e avaliar resultados.

Há que se promover, então, a capacitação requerida para planejar e gerenciar, de forma compartilhada, o processo de desenvolvimento local.

As estratégias de planejamento e gestão compartilhada, por serem participativas, contribuem para o crescimento da capacidade das pessoas (capital humano), e das relações de confiança entre elas (capital social), ampliando as possibilidades de empoderamento da população local e facilitando a conquista da boa governança, que são algumas das condições necessárias para o desenvolvimento sustentável.

Sabemos da necessidade do Brasil e de nossa região e se desenvolver econômica e socialmente. Nos incomoda quando vemos estudos de alcance mundial que colocam nosso país em situações vexatórias em rankings de educação, ambiente de negócios, violência, concentração de renda, entre outros.

Mas para operar um processo de desenvolvimento robusto, precisaremos resolver nossa carência em protagonizar nossa própria história. Tivemos alguns flashes de manifestações há algum tempo, mas hoje vivemos em um tempo de reclamações sem ações.

O atual cenário político, econômico e ético das nossas instituições pede ação. Como nunca.

Não conheço quem duvide da necessidade do Brasil em se construir como uma nação mais próspera, onde o resultado de suas potencialidades se transforme em riquezas e que o desenvolvimento alcance os níveis mais baixos da pirâmide social.

É um desafio de uma nação inteira, que precisa acabar com um entulho de leis, normas, procedimentos, regras e principalmente posturas, construído por gerações, que culmina agora com a falência do Estado, demonstrada claramente em sua incapacidade de resolver os problemas mais emergentes de nossa sociedade.

Mas é um desafio de todos. Governo, Sociedade, Mercado. Há que se trabalhar com um novo padrão de relacionamento entre estes atores. Devemos, juntos, sonhar com a universalização da cidadania, a ampliação dos direitos e oportunidades para todos, o empoderamento e protagonismo do cidadão, a conquista da sustentabilidade.

Só é preciso acreditar.

Desenvolvimento para todos

Nenhuma sociedade pode ser próspera e feliz, se a maioria dos seus membros é pobre e miserável.

Adam Smith, A Riqueza das Nações – 1776

Há duas semanas, escrevi que vejo o desenvolvimento de uma sociedade como uma busca pela liberdade.

Vamos partir do princípio de que os valores humanos fundamentais devam ser estendidos para toda a população:

- Oportunidade de emprego,

- Alimentação,

- Habitação,

- Oportunidades de estudar,

- Saúde,

- Aumento da qualidade de vida,

- Segurança social,

- Democracia, participação política na vida da comunidade,

- Igual tratamento perante a lei,

- Respeito pela dignidade individual.

Então, ao pensar políticas públicas para o desenvolvimento de uma comunidade, devemos ter especial atenção para não nos limitar ao conceito puramente econômico, ainda que este seja importantíssimo como irrigador de recursos para outras áreas.

Se pretendemos um Desenvolvimento Local sustentável, a visão ampliada deste conceito deve prevalecer para que os investimentos, energia e recursos dispensados tragam ganhos duradouros aos padrões de emprego e vida e que reduzam a pobreza. Que promovam uma maior equidade e igualdade de oportunidades. E, obviamente, que respeitem a liberdade humana e protejam o meio ambiente.

Políticas parciais, ora voltadas somente ao econômico, ora voltadas ao social, depois ao ambiental, mas sem integração e correspondência entre os eixos, acabam por minar os esforços e às vezes até concorrer entre as iniciativas.

Um projeto de cidade deve então considerar todos os segmentos e ações de forma inter-relacionada, sendo irradiado por todos seus bairros e classes socioeconômicas. Não existirá projeto de crescimento empresarial sem proposta de trabalho justo e respeitoso, assim como não haverá projeto social sustentável se não contemplar a oportunidade de emprego, renda e dignidade do ser humano.

Um grupo de pesquisadores de diversos países, reunidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), discutiram a seguinte pergunta: O que é Qualidade de Vida? . Observaram que a Qualidade de Vida tem aspectos subjetivos (bem-estar, felicidade, amor, prazer, realização pessoal, entre outros) e aspectos objetivos (renda, escolaridade, e todos os fatores relacionados ao desenvolvimento econômico e social). Assim, um projeto para aumentar a qualidade de vida de uma população deve considerar estes dois eixos.

Em Campo Mourão, estamos trabalhando para um projeto de desenvolvimento que contemple uma economia aberta e fluente, onde reduziremos os obstáculos para novos negócios. E que essa economia tenha negócios competitivos, baseada em empreendimentos de pequeno porte. Com empreendimentos inovadores e trabalhando em parceria com as Universidades, Um projeto onde as pessoas sejam as protagonistas de seu futuro, buscando as oportunidades, compartilhando as experiências e gerando um ambiente de prosperidade. Creio que assim estaremos em direção ao objetivo citado no início deste artigo.

ACELERA MEI – O projeto Acelera Mei, que tem como objetivo potencializar 20 negócios de Micro Empreendedores Individuais mourãoenses, teve 40 inscritos, e hoje haverá a banca para a seleção dos empreendimentos a serem acelerados. É grande a expectativa do pessoal. O projeto nasceu na Secretaria de Desenvolvimento, e o Sebrae Paraná está estudando adota-lo como projeto do Estado para 2018.

Nenhuma sociedade se desenvolve se não quiser – parte II

Na última coluna escrevi sobre a necessidade do engajamento da comunidade para o desenvolvimento da região.

Reforçando, a ideia de fazer de nossa comunidade um lugar melhor para vivermos tem que ser uma ideia querida por todos.

Por todos, refiro-me à população, empresas e instituições, organizações do terceiro setor, que, aliás, vêm contribuindo bastante para a melhoria da coletividade. E não há nada de errado nisso, já que os governos em geral deveriam cumprir o seu dever, e as coisas seriam diferentes. Mas também ficar esperando as ações governamentais não adianta, até porque somente estas não bastarão para mudar nossa realidade.

A falta de credibilidade dos políticos e consequentemente do poder público, outrossim, não devem ser motivos para não agirmos, e sim, mais uma razão para juntar forças e trabalhar.

Às vezes fico imaginando como seria o Brasil sem os inúmeros Clubes de Serviço, Instituições Filantrópicas, Igrejas e Entidades Religiosas, enfim, este sem-número de pessoas engajadas em ações de ajuda ao próximo, que, a rigor, deveriam ser viabilizadas com os trilhões de impostos que recolhemos ano a ano.

Muitos estudiosos defendem que não é apenas o Estado que deve resolver os problemas da sociedade. Que as ações de empresas e do terceiro setor organizado também são necessárias e bem-vindas para a construção de ideias criativas e novas metodologias para o desenvolvimento humano. Mas então, porque vemos ainda tanto comportamento que demonstra o contrário?

Não adianta querer que a comunidade seja melhor se no cotidiano não se faz pequenas ações como ajudar o outro, não ser educado no trânsito, jogar lixo no chão. Óbvio, né? Mas como queremos ações de maior extensão e impacto, se não começamos com as pequenas coisas?

A participação em movimentos populares, Conselhos, Conferências, Audiências Públicas, etc, é outro indicador de que a população está interessada ou não em fazer mudanças. A participação é um direito do cidadão e o melhor caminho para expor sua opinião, defender seus direitos e debater as prioridades para o município. Se há dificuldade em compor Conselhos e ter presença em Audiências Públicas, isso é sinal de pouco engajamento.

Estas dificuldades, não exclusivas de nosso município, são reflexos de uma cultura brasileira que, desde seu descobrimento, foi descrito como um paraíso, onde se plantando, tudo dá. Ora, para que trabalhar mesmo?

Aliás, Marilena Chauí, em seu livro Brasil – Mito Fundador e Sociedade Autoritária (Editora Fundação Perseu Abramo), apresenta uma percepção de que este mito de um Brasil maravilhoso foi se arraigando no inconsciente do país ao longo dos séculos para firmar uma cultura de não-culpa e de opressão. Ou seja, a existência de uma sociedade em que as relações sociais se dão sempre entre um superior, que manda, e um inferior, que obedece. O outro jamais é reconhecido como sujeito nem como sujeito de direitos, jamais é reconhecido como subjetividade nem como alteridade, escreve ela.

O desafio é imenso. Nem por isso menos motivador.

Nenhuma sociedade se desenvolve se não quiser

Algumas poucas pessoas, em alguns poucos lugares, fazendo algumas poucas coisas, podem mudar o mundo. (autor anônimo, Muro de Berlim)

Como morei por 10 anos em Maringá, é comum me perguntarem se é melhor aqui ou lá. Respondo sempre: o melhor lugar para se viver é onde você vive bem. Em uma época, vivi melhor em Maringá. Hoje, aqui. Mas sua cidade não se desenvolve sozinha.

Certa vez, o economista Celso Furtado disse que nenhuma sociedade se desenvolve se não quiser e para se desenvolver e querer se desenvolver, é preciso que essa sociedade participe e construa esses referenciais de desenvolvimento.

Escrevo hoje para você que quer mudar a realidade e desenvolver a cidade e o país onde mora. E, como me incluo neste grupo, vou usar a terceira pessoa do plural.

Semana passada passamos pelo constrangimento de ver o quanto caíram os Indicadores Fiscais de nossa Cidade. E isso nos inquieta, nos deixa inconformados, apesar de muitas vezes calados. Mas, ainda que não nos manifestemos publicamente, sabemos que não há chance de mudar se não pararmos de repetir o passado e começar a reinventar o futuro que desejamos.

Em algumas reuniões, tenho dito que precisamos de uma intervenção cirúrgica, não de um tratamento homeopático. É preciso coragem para enfrentar a realidade e promover as mudanças. E, como já escrevi em outra oportunidade, não acredito que isso será feito somente por alguns poucos. As pessoas fazem toda a diferença. Precisam conquistar outras pessoas, fazer acontecer algo no seu bairro, na sua rua. Precisamos de mais auto-estima, auto-confiança, acreditar em nossos talentos e em nossa cidade.

Qualquer localidade que quer se desenvolver precisa buscar um objetivo comum, um propósito para se alcançar. Precisa de amor à sua terra, precisa acreditar que é possível um lugar melhor pra se viver. E nós devemos assumir o protagonismo e a responsabilidade pelas mudanças, ao invés de indicar culpados pelas circunstâncias.

Por outro lado, isso acontece se conseguimos acreditar no outro, confiar, reconhecer suas forças e suas limitações. Porque é na cooperação que reside a força. A conhecida charge que mostra um barco furado, e cujas pessoas não se movimentam para ajudar porque o buraco é do lado deles!, ilustra bem o tipo de comportamento que levará a todos para o buraco. E sem carneiro.

Vejo o desenvolvimento de uma sociedade como uma busca pela liberdade. Afinal, mais desenvolvimento significa mais oportunidades, e mais oportunidades significam remoção das privações. E, com menos privações, temos mais qualidade de vida.

Mas é claro que isso não é tão simples: a falta de credibilidade dos políticos e consequentemente do poder público, a polaridade política, o baixo nível de educação, e a expectativa imediatista são alguns dos principais entraves.

Trataremos destas dificuldades oportunamente.

A força dos pequenos

Experimente sair pelas avenidas centrais da cidade, e observar as empresas instaladas. Quantas tem menos de 10 ou 15 funcionários? A grande maioria, quase a totalidade. Segundo o Sebrae, os pequenos negócios representam 99% de todos os CNPJs do País, o que equivale a mais de 7 milhões de empresas. São responsáveis por gerar 70% dos novos empregos com carteira assinada, por pagar cerca de 40% da massa salarial e empregar aproximadamente 15 milhões de brasileiros. É um segmento decisivo para a geração de emprego e renda, mas tem um importante papel também na inclusão social e na distribuição de renda, porque é na pequena empresa onde a diferença de salário entre o empresário e os funcionários é menor.

A pequena empresa nasce de pessoas que têm fortes vínculos com a comunidade. O funcionário que saiu do emprego, o universitário que se graduou, dois amigos que identificaram uma oportunidade. Esses pequenos negócios têm relacionamento com vizinhos do bairro, participam de entidades de classe e assistenciais, contratam e compram no próprio município.

Ter o negócio próprio é o sonho de 44% dos brasileiros, perdendo apenas para o sonho da casa própria. Eles preferem ter uma empresa ao invés de ter um emprego formal.

O Brasil é o sétimo entre os países que possuem a maior quantidade de empreendedores no mundo. Em números absolutos, essa taxa significa aproximadamente 10 milhões de empreendedores. Infelizmente, o outro lado dessa moeda é que temos um dos piores ambientes de negócios do mundo. Neste quesito, é o país de número 123, de uma lista de 190, onde é mais fácil abrir negócios, segundo o relatório Doing Business 2017, divulgado pelo Banco Mundial.

Por isso, é necessário que políticas públicas de apoio às microempresas e empresas de pequeno porte estimulem mais o empreendedorismo e a profissionalização, de forma que se crie um ambiente mais favorável e que os empresários possam ter condições de competir e crescer. A universidade nunca foi tão importante nesse processo como hoje. Temos cerca de 10 mil universitários em Campo Mourão.

As cidades hoje devem pensar globalmente. Campo Mourão conseguiu contribuir para o surgimento de uma das maiores cooperativas do planeta, num período analógico, onde tudo era mais difícil, lento e caro. Está na hora de aproveitarmos as tecnologias da informação (que agilizam, barateiam e facilitam) para criarmos novos modelos e novas cadeias de valor em nossa cidade.

CASA DO EMPREENDEDOR – A Casa do Empreendedor, espaço dedicado ao atendimento de empreendedores e Mei´s já formalizados, tem atendido cerca de 75 pessoas por semana, à busca de informações, formalização de seu negócio e consultorias gratuitas.

MAIS DE 200 – Desde a inauguração em fevereiro, a Casa do Empreendedor já formalizou 225 novos Mei´s. São mais de duzentos empreendedores que já trabalham com CNPJ, e segurança para ampliar seus negócios.

MEIO MILHÃO – funciona na Casa do Empreendedor o Banco do Empreendedor, que voltou a operar há menos de 90 dias, e já disponibilizou R$ 500 mil em crédito para pequenos negócios, para investimentos e capital de giro.

ACELERA MEI – programa idealizado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico em parceria com o Sebrae, vai acelerar 20 Microempreendedores Individuais com consultorias, mentorias e crédito, tornando mais rápida a expansão desses negócios.

FACEBOOK – acompanhe as ações da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e confira o que estamos fazendo em prol dos pequenos negócios em Campo Mourão. Curta a página em www.facebook.com/sedeccm/.

O Desenvolvimento e a Sociedade Organizada

A pergunta é direta: De quem é a responsabilidade pelo desenvolvimento de uma cidade?

Imagine a história de seu município como uma longa viagem. Durante o trajeto, vários motoristas revezam-se na tarefa de conduzir o ônibus. Para isso, recebem o veículo de seu antecessor e o conduzem até entregar ao seu sucessor.

Pois bem. Quem determina o destino? Quem deve monitorar o motorista para que ele siga o roteiro pré-estabelecido? Quem cuida para que o veículo se mantenha em condições de chegar ao seu destino?

Essa analogia serve para refletirmos que, ao delegar ao Prefeito e Vereadores de plantão os destinos de nossa cidade, corremos o sério risco da descontinuidade de projetos, da não sequencia de ações importantes, de perder o rumo.

O mandatário de plantão, durante seu período de condução do município, deveria receber um plano de viagem, que diga para onde a comunidade quer ir, e em que condições quer chegar lá.

Nesse período, o motorista deve zelar pelo veículo, cuidar de sua manutenção, solicitar ajuda e participação dos passageiros no caso de alguma eventualidade, e jamais mudar o trajeto.

A proposta de Lei que cria o Conselho de Desenvolvimento de Campo Mourão, encaminhada esta semana à Câmara de Vereadores, tem como principal missão estabelecer essa ordem de importância, dando à sociedade organizada a condução de seus destinos.

Através da criação de um grupo de cidadãos voluntários, organizados por eixos temáticos de áreas prioritárias, a sociedade terá voz para propor, acompanhar e ser parceira dos projetos do município. Assim, em um momento de dificuldades não só locais, mas nacionais, Campo Mourão se junta a outros importantes municípios nos quais a sociedade organizada põe a mão-na-massa e trabalha junto com o Poder Público para buscar soluções, parcerias e melhor qualidade de vida para todos.

E é justamente essa a outra face desse movimento: não mais deixar a cidade apenas sob responsabilidade dos eleitos, mas participar. Ainda há uma cultura de levantar os problemas, mas, na hora de resolvê-los, passar a bola para a Prefeitura, o Deputado, o Governador. É hora de a sociedade apropriar-se de seu destino e participar não só do levantamento de situações que carecem de melhoria, mas envolver-se principalmente na busca de soluções conjuntas.

Assim, com a atuação da população nas políticas e projetos, há um fortalecimento do município e da intervenção social, e forma-se um ambiente para mudanças no modo de pensar e agir das pessoas, que adquirem uma consciência da importância de sua colaboração na política do seu Município.

Nossa viagem deve seguir sempre rumo ao destino que traçarmos juntos. Pode ser mais acelerada, pode ser mais devagar. Pode até dar umas paradinhas, mas não pode ficar dando volta e não sair do mesmo lugar.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão.