Sociedade e Desenvolvimento
Cadeias propulsivas

“O truque está no que se enfatiza. Ou nos tornamos infelizes ou nos fortalecemos. A quantidade de trabalho é a mesma.” Carlos Castaneda.

Quando estudamos desenvolvimento econômico local, um conceito que não pode deixar de ser analisado na região em foco é o de Cadeias Produtivas Propulsivas. As cadeias propulsivas são aquelas que proporcionam o ingresso da renda na região. Elas podem ser de diversas categorias, como, por exemplo: as exportadoras, as que se baseiam em recursos públicos transferidos para o território, e as baseadas na oferta de serviços e produtos a pessoas físicas ou jurídicas de fora da região ou município.

Quando uma indústria se instala no município, por exemplo, e vende seus produtos para empresas ou pessoas de outras regiões, o recurso que entra nesta empresa vem acrescentar à economia local, aumentando a riqueza em circulação, transformada em impostos, salários, pagamento de fornecedores locais, etc. Isso também pode acontecer no comércio, desde que ele tenha capacidade de atração de pessoas de outras localidades. Caso contrário, o giro de riqueza ficará apenas no local, transferido de uma pessoa para outra, sem aumento de volume. Então, será apenas uma atividade reflexiva, ou reflexa.

O Professor Carlos Paiva, em seu trabalho denominado Fundamentos da Análise e do Planejamento de Economias Regionais, de 2013, apresenta alguns critérios para que possamos hierarquizar as cadeias propulsivas, e assim pensarmos em prioridades. Salienta Paiva: “A hierarquização destas cadeias para fins de políticas de desenvolvimento regional se estrutura sobre seis critérios fundamentais: 1) volume absoluto e percentual de emprego e renda, gerados atualmente pela cadeia no território; 2) perspectivas de mercado e capacidade de expansão da produção internamente; 3) potencial de “alongamento” (internalização de novos elos) e “adensamento” (incorporação de novos agentes e organizações nos elos já consolidados) da cadeia no território; 4) padrão de distribuição territorial das mesmas; e 5) capacidade de enfrentamento de gargalos e desafios a partir da mobilização dos recursos endógenos e 6) sinergia com as demais cadeias”.

Assim, se quisermos pensar em priorizar alguns focos enquanto política pública regional de desenvolvimento econômico, deveríamos pensar nestes critérios, aplicados em um estudo das cadeias existentes na região da Comcam. Nesse sentido, geração de empregos, potencial de mercado, capacidade de expansão – seja no alongamento como na inclusão de novos agentes – seriam as pistas mais importantes no sentido de definir prioridades.

Ainda é necessário mapear os gargalos destas cadeias, e a capacidade de superação através de esforços próprios da comunidade envolvida, pois, quanto maior for essa capacidade, mais será a velocidade e o crescimento da cadeia.

Todos sabemos que os recursos, sejam públicos ou privados, são limitados, e cabe então avaliar que resultados queremos. Pois  a pulverização desses recursos apenas baseada na demanda dos agentes e empreendedores, sem um estudo que possa priorizar alguma perspectiva de resultados mais significativos a curto e médio prazos, pode levar a resultados pífios, ou a nenhum avanço. É preciso investir com cautela e discernimento para alavancar a economia local/territorial.  

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Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]