Sociedade e Desenvolvimento
Política x gestão pública

O Brasil progride à noite, enquanto os políticos estão dormindo. Elias Murad

Neste texto, vou me permitir usar o vocábulo “Política” como sinônimo da Política Partidária, essa que nós vemos diariamente nos noticiários, essa dos acordos de poder. Então, para efeitos desta coluna de hoje, não estou falando da Ciência de Governar, nem do conceito aristotélico de homem político.

Isto posto, o que vemos é um descrédito quase unânime com a política. E desde os manifestos de 2013 as decepções só crescem. Na sequência do movimento das ruas veio a Lava-Jato, e cada nova operação deflagrada traz uma nova lista de políticos envolvidos em algum esquema de propina, financiamento de campanha, desvio de recursos públicos, etc, etc.

Ocorre que estamos prestes a realizar uma Eleição de enormes dimensões. E, ao meu ver, o momento é muito mais delicado do que outras eleições pelas quais passamos. Primeiro, porque a enxurrada de delações, denúncias e operações envolvendo os políticos atuais e ex-ocupantes de cargos públicos criou uma espécie de desconfiança generalizada da sociedade, não se distinguindo neste meio os bons e maus políticos. Depois, esse desgaste generalizado dos políticos leva a população em geral a não querer aprofundar debates, muitas vezes simplesmente porque “não quer saber desses políticos”.

Este segundo aspecto é facilmente perceptível quando observamos a superficialidade de debates em torno de projetos importantes para o País, o Estado ou o Município.

Cada vez mais comum é o cidadão colocar “no mesmo saco” os políticos profissionais e os gestores públicos.

Se quisermos superar as agruras do momento atual e buscar iniciar um novo ciclo de desenvolvimento para o Brasil, é necessária uma reflexão mais profunda quanto ao perfil dos ocupantes de cargos públicos.

Lembro quando o João Dória se elegeu prefeito de São Paulo, e não perdia uma oportunidade de dizer que não era político, e sim gestor. Claro que se tratava de um embuste, tanto que largou o cargo rapidamente para se candidatar a governador. Mas a tentativa dele naquela época era justamente descolar da figura do político profissional e tentar emplacar a imagem de um gestor público.

Mas, diferente do exemplo do ex-prefeito, temos nas diversas instâncias de poder pessoas com alta capacidade de gestão. São profissionais capacitados que colocam seus conhecimentos e experiência ao bem do público, cuidando de Ministérios, Secretarias, Procuradorias, Educação, Desenvolvimento Econômico, etc.

Como citei, esses profissionais podem e devem contribuir para um debate firme e de qualidade, produzindo ideias e projetos capazes de produzir resultados de longo prazo ao País.

Estamos em um momento que exige reformas estruturais em diversos aspectos. Deixar esses debates ao sabor dos acordos de poder entre partidos, ou das trocas de favor entre lideranças dos poderes legislativos e executivo é a receita certa para a catástrofe.

A manutenção da democracia e a chance de mudanças só se dará através do voto. Dizer que não quer saber de política, não querer participar de debates, não ouvir gestores públicos competentes, é terceirizar seu futuro e o futuro do país. Não exercer sua opção é deixar os outros optarem por você.

___

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]