Sociedade e Desenvolvimento
Havan? A, vá!!

“Se você não quer errar, fica sentado em casa, você não erra. Tem que tomar a coragem de tomar decisões e, se estiver errado, troca ela, acerta ela”. Luciano Hang

17 de agosto de 2019. Estava descendo a rua São Paulo rumo à nova loja da Havan, prestes a ser inaugurada. Eram 8h30 da manhã. A abertura das portas ao público estava marcada para 10h. Ainda assim, era grande o número de pessoas que começavam a chegar para a tão esperada inauguração.

Entrando na loja para a parte inicial do evento, reservada à autoridades, imprensa e amigos do empreendedor Luciano Hang, pude notar que o grupo de 150 funcionários contratados para a unidade mourãoense já se encontrava lá, de uniforme e coroa, animados por um colaborador e exclamando palavras de motivação.

Fizemos então um tour pela loja, liderados pelo anfitrião, até que chegamos ao ponto onde encontravam-se os colaboradores. Luciano sobe ao palco e profere uma palestra motivacional a todos os presentes com maior foco, obviamente, a seus novos colaboradores.

Um dos principais defensores da direita, Luciano Hang coleciona polêmicas e transita entre o amor e o ódio por todo o Brasil. Por isso, não me atreverei nesse texto a abordar questões políticas ou pontos de vista defendidos ou atacados por ele.

Minha intenção aqui é tecer algumas observações quanto ao impacto da 130ª loja da Havan na economia de Campo Mourão.

Primeiro, as partes mais óbvias: geração de 150 postos de trabalho diretos e recolhimento de impostos (a empresa faturou em 2018 R$ 7,3 bilhões de reais).

Outro ponto importante é que fortalece o comércio de Campo Mourão como polo regional. Segundo estudos, já temos um coeficiente de faturamento no comércio acima da média, o que demonstra que o comércio é atraente regionalmente. A coisa funciona como um shopping. Mais pessoas vão a um shopping à medida que este tenha as chamadas “lojas âncoras”, as grandes chamarizes. Para a cidade, funciona igual. Mais pessoas virão a Campo Mourão pela Havan, e parte de suas necessidades será atendida por outros segmentos do comércio local.

Mas o que me chamou a atenção durante a visita do sábado, e onde creio que será a grande contribuição da Havan para Campo Mourão será na inovação do varejo e mudança no modelo de gestão de muitos lojistas locais.

Senão vejamos: a loja é bonita, moderna, e diferente das outras lojas da Havan, principalmente daquelas que têm mais de dois ou três anos. Houve uma profunda mudança no modelo de lay-out, decoração e exposição. Ou seja, mesmo numa empresa que está crescendo a níveis chineses, não há estagnação. Recado: inove, mude, atraia seu cliente com novidades.

Mais um aspecto: um grande envolvimento da equipe e valorização de cada colaborador. Pessoas com muitos ano de casa sendo valorizados e servindo como inspiração aos jovens entrantes. O próprio presidente da empresa de 20 mil pessoas trazendo uma mensagem junto à equipe, e demonstrando confiança nela. Na frente de seus convidados e clientes. Recado: coloque sua equipe em primeiro lugar. Se seu funcionário não gosta de sua empresa, você espera que seu cliente vá gostar?

Terceiro e último pela limitação do espaço: experiência de compra. A Havan é mais do que uma loja. Se posiciona como um ponto de encontro, até turístico, colocando estátuas da liberdade na frente das lojas e proporcionando um ambiente de interesse ao seu público.

Creio que a visão que se deve ter é de aproveitar a Havan como uma oportunidade, aprendendo com o que ela traz de novidade. Recursar-se a mudar e lamentar por um grande concorrente que chega só vai levar ao fracasso. Afinal, existem mais 129 lojas espalhadas pelo Brasil, e em todos os municípios ainda existe comércio.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

A inovação nossa de cada dia

“Se eu perguntasse a meus compradores o que eles queriam, teriam dito que era um cavalo mais rápido”. Henry Ford

Estamos trabalhando junto à Câmara de Inovação do Codecam um texto para a criação da Lei de Inovação de Campo Mourão. É uma iniciativa para estimular um ambiente de negócios mais inovador para nossa cidade, atingindo não só empresas mas também organizações e poder público.

Para efeitos da Lei, obviamente haverá um “corte” no conceito de inovação, para contemplar as iniciativas em que possa haver incentivos ou subsídios e que possam gerar novos produtos ou serviços.

Mas hoje, gostaria de ressaltar que o conceito de inovação não pode ser entendido como aquela coisa de startup do Vale do Silício, ou aquelas invenções disruptivas que criam novos produtos diferentes e aposentam os que utilizamos hoje.

Aliás, é bem o contrário: atualmente, é quase obrigação pensar em inovação, qualquer que seja seu ramo de atividade.

Se pegarmos a palavra innovatia, termo latino que origina a palavra inovação, ele representa uma criação que não tem equivalente em padrões anteriores. Porém, hoje em dia, o conceito vai bem além disso. Pode-se inovar em porte de empresa, seja através da melhoria (inovação incremental), ou da introdução de algo totalmente novo (inovação disruptiva).

O importante é considerar que, se não estimular a inovação nas empresas ou organizações, estará destinando-as ao obsoletismo e ao lugar-comum no mercado.

Nesse aspecto, um dado preocupante é que os empreendimentos iniciais brasileiros apresentam baixíssimo potencial inovador. Em 98,8% dos casos o produto não é novo para ninguém, em 99,5% a tecnologia existe há mais de cinco anos e em 98,6% os consumidores estão apenas no Brasil. Estes dados são da Pesquisa GEM – Global Entrepreneurship Monitor sobre Empreendedorismo no Brasil.

A falta de planejamento e inovação nos novos negócios que surgem no Brasil podem explicar em parte, o ainda elevado número de empresas que fecham antes de completar dois anos no mercado, pois, apesar de a inovação não ter o mesmo nível de importância em todas as áreas, na maioria das atividades a inovação é essencial para manter a empresa em nível de competitividade.

Pensar em novos produtos, novos processos, novas abordagens de mercado, novos modelos de negócios são essenciais para atender a clientes que estão diariamente sendo bombardeados com novidades. É preciso ousadia, como na frase de Henry Ford, para criar novas necessidades e novos mercados.

Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]

Faça algo malfeito

“Tornar o simples complicado é lugar-comum; tornar o complicado simples, isso é criatividade”.

Charles Mingus, músico de jazz.

 

O texto a seguir não é meu. É de autoria de Steve Chandler, consultor e treinador em liderança para mais de 20 empresas da Fortune 500.

Às vezes, não fazemos certas coisas porque não temos certeza de que iremos fazê-las bem. Achamos que não estamos com vontade ou energia suficiente para cumprir aquela tarefa, então adiamos, ou esperamos até que a inspiração venha a nós.

O exemplo mais conhecido desse fenômeno é o que os escritores chamam de “bloqueio criativo”. Uma barreira mental parece se erguer, impedindo o escritor de continuar a escrever sua obra. Às vezes, é tão grave que muitos procuram um psicólogo para ajudá-los.

O “bloqueio” (ou falta de automotivação) ocorre não porque o escritor não consegue escrever, mas porque ele pensa que não pode escrever bem. Ou seja, ele acha que não tem energia ou inspiração para escrever algo que seja bom o suficiente. Então, a voz pessimista dentro de si o desencoraja, o faz duvidar da própria capacidade. Isso acontece com muitos de nós, mesmo com algo tão insignificante quanto um e-mail ou um relatório.

Mas o escritor não precisa de terapia para resolver isso. Basta compreender como a mente humana funciona no momento do “bloqueio”. A cura para o bloqueio criativo – e também o caminho para a automotivação – é simples: ir adiante e escrever mal.

A escritora Anne Lamott tem um capítulo em seu maravilhoso livro Palavra por palavra chamado “Primeiros esboços ruins”. A chave para escrever, ela afirma, é apenas começar a produzir qualquer coisa – pode ser o pior texto que você já escreveu, mas não importa. “Quase toda boa escrita começa com primeiros esboços ruins”, diz Anne. “Você precisa iniciar de alguma maneira. Comece pondo alguma coisa – qualquer coisa – no papel.” Com o mero ato de digitar um texto, você enfraquece a voz pessimista que tenta convencê-lo a não tentar. De repente, está escrevendo. Uma vez que entra em ação, fica mais fácil obter mais energia e qualidade para o seu trabalho.

Um exemplo pessoal de como acabamos desistindo de algo pelo receio de não fazê-lo com perfeição é quando penso em correr para me exercitar. Por julgar que não estou em grande forma, a voz diz “Hoje não”. Mas a cura para isso é sair para correr de qualquer jeito. “Não estou com vontade de correr agora, então vou dar um trote bem devagar, de um jeito bem preguiçoso que não vai me levar a nada, mas pelo menos terei cumprido a tarefa.” No entanto, assim que começo a correr, algo sempre acontece que muda o que eu estava sentindo antes. No final, percebo que a corrida foi ótima e me fez muito bem.

De muitas maneiras, somos todos escritores. Nossos livros são as nossas vidas. E muitos de nós sofrem de uma forma trágica de bloqueio criativo que nos leva a não escrever mais nada. É uma tragédia mesmo, porque no fundo todos somos muito criativos. Poderíamos escrever uma vida maravilhosa. Só que temos tanto medo de escrever mal que acabamos não preenchendo sequer uma linha.

Não deixe que isso aconteça com você. Se não está motivado para fazer algo que sabe que precisa fazer, resolva fazer mal e porcamente. Permita-se rir de si mesmo. Seja péssimo naquilo que está fazendo. Depois surpreenda-se com o que vai acontecer assim que iniciar o processo.

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Escassez de liderança no Brasil

“Liderança não é sobre títulos, cargos ou hierarquias. Trata-se de uma vida que influencia outra” – John C. Maxwell.

Semana passada, durante algumas palestras que realizei para servidores na Sipat, apresentei alguns dados referentes à escassez de liderança no Brasil.

São várias pesquisas sobre o assunto: O IBC – Instituto Brasileiro de Coaching, durante o Congresso Brasileiro de Treinamento e Desenvolvimento, entrevistou 266 pessoas, e entre os principais resultados estão:

a) 97% afirmaram que existe escassez de líderes no mercado, e

b) 74% afirmaram que os líderes de suas empresas não estão preparados para desenvolver novos talentos.

Outra pesquisa com público semelhante, em 4.400 entrevistas realizadas em todo o Brasil identificou que apenas 14% dos entrevistados consideram que receberam toda a preparação necessária para a liderança ao serem promovidos. Na mesma pesquisa, de 50 diretores de RH respondentes, 54% acreditam que o novo líder não tem as habilidades suficientes para a função.

Outra pesquisa, a Global Workforce Study – 2016 constatou que somente 54% dos empregados brasileiros confiam no trabalho da alta liderança de suas organizações. Metade dos respondentes acredita que os líderes têm sincero interesse no bem-estar dos empregados, enquanto apenas 48% consideram bom o trabalho feito pela liderança de sua organização no que se refere ao desenvolvimento de futuros líderes.

E continua... 56% dos empregados avalia os gestores de forma positiva em relação à clareza na comunicação de metas e atribuições e somente 47% acham justas decisões tomadas em termos de remuneração vinculada ao desempenho. Quando o tema é tempo para lidar com as pessoas no trabalho, a avaliação cai ainda mais, com apenas 44% dos participantes avaliando positivamente o papel dos gestores neste quesito.

Em 2018, o grupo Cia de Talentos apresentou a 17ª edição da pesquisa Carreira dos Sonhos. Esta edição do estudo foi realizada em nove países do continente americano. Foram 87.161 mil respondentes somente no Brasil, no total a pesquisa falou com mais de 130 mil pessoas, e os resultados trazem um panorama do que os jovens, a média gestão e a alta liderança estão enxergando e esperando do mercado de trabalho atual.

A pesquisa mostrou que apenas 54% dos jovens, 55% da média gestão e 63% da alta liderança confiam nos seus CEO’s. Esse dado indica que o cenário atual é de desconfiança nas organizações.

Um outro estudo, realizado pelo Grupo Empreenda, demonstra que 71% das empresas dizem não terem líderes suficientes, em quantidade e qualidade, para garantir a execução estratégica das empresas nos próximos anos. O estudo mostra também que as empresas não acreditam que seus modelos de gestão estejam adequados: 27% das organizações acredita ser preciso reinventar o modelo atual e mais de 70% dizem necessitar, ao menos, fazer algum ajuste.

Nesse sentido, é preciso ter em mente que cada vez mais serão necessários líderes em maior quantidade que no passado. As empresas e instituições precisam investir em liderança em todos os níveis se quiserem se manter competitivas. As empresas que liderarão mercados no futuro serão aquelas que souberem desenvolver lideranças transformadoras – e não apenas gerentes eficientes.

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A tecnologia e a crise: aliadas do empreendedorismo

“As pessoas sempre têm medo das mudanças. Tinham medo da eletricidade quando foi inventada!” Bill Gates

No início do mês de julho cerca de 185 mil empreendedores optaram pelo sistema de recolhimento de tributos em valores fixos mensais – opção do Simples Nacional na figura do MEI – micro empreendedor individual. Esse número é 19% acima do verificado no final de dezembro de 2018. Esses dados são do Portal do Empreendedor, plataforma do Governo Federal que centraliza a formalização dos MEI´s. É um crescimento bastante superior ao aumento do emprego formal, que no período de dezembro de 2018 até maio de 2019 cresceu ínfimos 0,91%.

Em julho, o Portal do Empreendedor apresentou um número total de microempreendedores individuais na ordem de 8,5 milhões de pessoas. Do outro lado da moeda, a taxa de desocupação do IBGE – emprego formal e informal – cresceu de 11,6% para 12,3%. E no primeiro trimestre de 2019, a economia demonstrou uma queda de 0,2% do PIB.

Juntando as partes, não é difícil concluir que o crescimento do número de empreendedores tem a ver com a busca de alternativas para obter trabalho e renda. O assessor especial do Ministério da Economia Guilherme Afif Domingos, que já foi presidente do Sebrae, afirma: “Na verdade, são empreendedores que estão trabalhando por conta própria, porque emprego, no sistema tradicional, está raro e vai ser muito raro daqui para frente”.

Na avaliação de Afif, a hora é oportuna para empreender. “No momento de crise, você encontra pessoas dispostas a arriscar sair da zona de conforto para buscar alternativas para própria sobrevivência. Portanto, a crise é alimentadora de atitudes empreendedoras”.

O empreendedor é aquele que vê oportunidade onde outros vêem recessão e desemprego. Porque a crise não faz o dinheiro sumir. Ela o faz mudar de dono. Centenas são as histórias de empreendedores e empresas que surgiram em função de uma oportunidade identificada num momento de crise. Basta dar uma “googada” e aprender com elas.

Hoje em dia, com a tecnologia e as informações cada vez mais abertas, têm surgido muitas demandas novas para as pessoas, as famílias, seus animais, o meio ambiente, a mobilidade, entre outras.

Basta ver o número de aplicativos que surgiram e se massificaram nos últimos anos. E o potencial de geração de ocupação de alguns: seja na startup que o desenvolve, seja nas oportunidades que ele gera ao cidadão. Estima-se que no Brasil 40 milhões de pessoas trabalham com aplicativos – desde motoristas, entregadores, youtubers, jogadores profissionais, desenvolvedores, etc.

Essa tecnologia disponível tem criado uma nova categoria de empreendedores, que iniciam seus negócios muito cedo, com baixíssimos recursos e praticamente sem controle do Estado. Aliás, muitos Municípios e Estados tem corrido atrás de pensar em modelos legais, incentivos, redes de cooperação, alianças com Universidades, entre outras iniciativas, para amparar não só o surgimento de cada vez mais startups, como o desenvolvimento dessa importante classe de empresas, que não só fazem crescer a geração de renda e ocupação, como contribuem na resolução de muitos problemas sociais.

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Por que o Brasil cresce menos do que pode

Fabio Giambiagi e Alexandre Schwartsman – dois importantes economistas que estudam a realidade econômica nacional há tempos, são autores da obra Complacência: Entenda por que o Brasil cresce menos do que pode, onde fazem uma análise de temas complexos da economia brasileira e procuram desmitificar e responder por que o país cresce tão pouco. Apesar de ser uma obra publicada em 2014, ainda se mostra atualizada em vários aspectos, principalmente porque alguns caminhos que os autores apontam que deveriam ser trilhados para garantir o crescimento – e que não foram – ainda não estão sendo seguidos, como: necessidades de investimentos em educação e infraestrutura, iniciar uma política de contenção de gastos, e a elevação da produtividade.  

“Produtividade, inovação, superação: essas são as marcas do sucesso. E nós, nesse panorama, como estamos?”, perguntam os autores.

Diante de um mundo globalizado, os autores apontam que o Brasil, de 1940 a 1980,  cresceu assustadoramente — 4,2% ao ano — devido a pequenos incrementos de educação e ao processo migratório das zonas rurais para as urbanas, pois o país caminhava aceleradamente rumo à industrialização.

Quando esse processo migratório da população chegou ao fim, o desafio de aumentar a produtividade para conduzir ao crescimento econômico sustentado passou a ser outro: crescer por incorporação de tecnologia. Ou seja: para que possamos buscar um novo ciclo de crescimento, o caminho é um só: sermos mais produtivos. E, para alçarmos patamares mais altos de produtividade nesta nova ordem que se globaliza, é fundamental que nos tornemos mais educados.

Na coluna do dia 16 de junho, falamos sobre a questão dos jovens e da educação principalmente no ensino médio. Os autores da obra, no tocante a faixas da população que possuem curso superior, apresentam vá­rios dados comparativos entre diversos países. Veja-se a comparação do Brasil com outros dois países de distintas realidades: sul-americano Chile e a européia Finlândia.

Dos 25 aos 64 anos, o Brasil possui 12% de sua população com curso superior; o Chile, 29%; a Finlândia, 39%. Dos 25 aos 34 anos, persiste a diferença. Brasil, 13%; Chile, 41%; Fin­lândia, 39%. Na faixa dos 35 aos 44 anos, a diferença de realidades continua arrasadora. Brasil, 12%; Chile, 30%; Finlândia, 47%. Dos 45 aos 54 anos, o Brasil possui somente 9% de sua população com curso superior; o Chile, 23%; a Finlândia, 41%. Por fim, dos 55 anos aos 64 anos, 9% dos brasileiros possuem curso superior, enquanto que, no Chile, são 21% e, na Finlândia, 31%.

Outro indicador que demonstra nossa precária situação da elevação da produtividade via educação é o Programa Interna­cional de Avaliação de Estu­dantes (Programe for In­ter­national Student Assessment — PISA). Giambiagi e Schwartsman alertam, quanto aos resultados, que “a posição internacional do país é simplesmente constrangedora. Em termos relativos, nessas provas, é como se, numa Copa do Mundo de 32 ti­mes, o país ficasse na posição 29 ou 30”. Afinal,  dos 40 países que participaram da competição, o país ficou na 33ª.  posição. Onde estão os campeões em educação? Resposta: na Ásia. Os três primeiros colocados — China, Cingapura e Coreia do Sul — são provenientes de lá.

Ainda nesse tema, Giambiagi e Schwartsman apontam que é preciso uma ação guiada por um sentido de direção de longo prazo. Nesse sentido, produzir mais, utilizando menos recursos, é elevar a produtividade que o velho guru do capitalismo mundial — Adam Smith — já mencionava há alguns séculos, no seu famoso livro “A Riqueza das Nações”. O desafio é imenso. Transcende gerações. Só nos resta, portanto, um caminho: o de elevar a produtividade. Afinal, “a fatura um dia chega”, e já estamos pagando o preço de tomadas de decisão equivocadas e da falta de coragem para as mudanças necessárias.

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O que seu funcionário responde quando perguntam o que ele faz?

“As pessoas não compram o que você faz, elas compram o por que você faz” – Simon Sinek

Certo dia, passava um homem pela frente de um grande canteiro de obras cheio de andaimes, ferragens e madeiras. Ficou surpreso com o tamanho da obra e curioso para saber o que estaria sendo construído ali. Notou que logo próximo da calçada havia um operário trabalhando. Calmamente, com sua enxada, ele misturava areia e cimento.

O homem, então, perguntou: ‘- O que você está fazendo?’ E este, distraído, respondeu: ‘- Estou preparando argamassa.’

Passado algum tempo, o mesmo homem, estando novamente por aquele lugar, encontrou um outro operário também misturando areia e cimento. Tornou a fazer a mesma pergunta para ver se, desta vez, descobria que obra era aquela; e a resposta foi: ‘- Eu estou levantando uma parede.’
Num outro dia o homem, de volta ao mesmo local encontrou um terceiro operário que, como os outros, misturava areia e cimento. E como das outras vezes, também perguntou: ‘- O que você está fazendo?’; o operário, então, parou, olhou para o homem e, com muito orgulho respondeu: ‘- Eu estou construindo uma Catedral.‘

Essa fábula antiga e conhecida retrata um aspecto cada vez mais importante na gestão de empresas, instituições e do seu próprio negócio, se for um empreendedor.

Demonstra a importância de ter clareza no propósito para o qual você e sua equipe trabalham. É sabido que, quanto mais existe essa clareza, ou seja, se os colaboradores entendem que seu trabalho tem um significado maior do que apenas dar lucro ao dono da empresa, maior é o nível de motivação e engajamento da equipe.

Todo mundo, quando pensa em abrir um negócio, tem um propósito. Mesmo que em um primeiro momento esse propósito for de sustentar a sua família, mas ele está presente. Mas mesmo este, se não estiver vinculado à resolução de algum tipo de problema, não terá sucesso. O fato é que existirá sempre uma razão para iniciar um negócio, ou para liderar uma instituição.

Gosto muito da frase: “Quando pensar em desistir, lembre-se do por que você começou”. Porque às vezes, no decorrer do tempo, passamos a conviver com os problemas diários, os desafios, e perdemos de vista aquele propósito inicial, o que causa certa desmotivação. Retomar aquele sonho inicial é uma nova injeção de ânimo e renovação do espírito do líder e do empreendedor.

Simon Sinek, autor britânico-americano do livro Comece pelo Porque, no qual apresenta sua tese de que as empresas que oferecem seus produtos apresentando primeiramente as suas funções e recursos tem muito menos sucesso do que aquelas que “vendem” primeiramente a razão do produto em si, passando pelo como e apenas no fim citar os recursos e o que ele faz.

Então, é importante lembrar que não se deve pensar apenas em “eu trabalho pra ganhar dinheiro, oras!”, mas sim uma crença mais profunda: qual a sua causa, no que você acredita, por que a sua empresa existe, em primeiro lugar, e por que eu deveria me importar com isso?

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Bom líder é aquele que ouve com humildade

“Saber ouvir estabelece um vínculo de confiança, que é o fundamento de todos os relacionamentos duradouros”. Brian Tracy

James Hunter, autor de “O Monge e o Executivo”, salienta que o bom líder influencia, deixa a sua marca nos outros e está sempre disposto a ouvir com humildade aqueles a quem lidera.

A verdadeira liderança envolve amar os outros, servi-los, tratá-los como você quer ser tratado, é o que diz em outra passagem do livro.

Sabe aquela frase que diz que Deus nos fez com duas orelhas e uma só boca, para ouvirmos mais do que falamos? Quando assumimos uma posição de liderança, ela se torna ainda mais verdadeira e necessária.

Senão vejamos: se sua liderança for acompanhada de um cargo de autoridade, possivelmente você começará a sofrer de um mal chamado impaciência. Seu cargo de chefia ou gerência pressupõe responsabilidade por resultados, e aí, a disponibilidade de ouvir começa a ficar mais rara. Esse é um erro grave, pois, quanto mais você se afasta da “linha de frente”, mais precisa ouvir as pessoas para saber o que se passa na organização.

Conheço organizações em que a Diretoria ouve somente seus gerentes imediatos. Não se preocupa em criar canais informais de comunicação, conferir de vez em quando a opinião de seus colaboradores nas áreas de operação.

Suas orientações, então, passam a pertencer a um modelo autocrático, com visão limitada e decisões precipitadas. Seus colaboradores estão limitados a ouvir sempre a opinião do “chefe”, mas seu grau de comprometimento é cada vez menor.

Ao contrário, quanto maior seu grau de autoridade, maior deve ser sua capacidade de ouvir. Somente uma interação real e sincera permitirá que os seus colaboradores confiem em você, e depositem suas ideias, opiniões e sentimentos nesta relação.

O escritor Jim Rohn (autor de As sete estratégias para a prosperidade e a felicidade, 2007) afirma que um dos maiores presentes que se pode dar a uma pessoa é a atenção. Acredito que esse presente seja mútuo, pois ao começar a ouvir com humildade e atenção, você se surpreenderá com o que vai aprender!

E, se quiser reclamar quando seus funcionários o deixam, lembre-se: quando as pessoas deixarem de acreditar que você as ouve, procurarão alguém que o faça.

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Os jovens, o estudo e o trabalho no Brasil

“Se você acha que educação é cara, experimente a ignorância.” Derek Bok

Recentemente, durante o processo de seleção de novos funcionários para a filial da Havan em Campo Mourão, houve a formação de uma fila de interessados que atingiu cerca de 600 pessoas durante a noite. Detalhe: haviam 800 senhas para serem distribuídas, portanto, apesar de termos um número muito maior de desempregados no município, o total de senhas só foi preenchido durante o dia seguinte.

Segundo a perspectiva do pessoal da Agência do Trabalhador, esta situação deveu-se ao fato de que foi amplamente divulgado pela empresa que seria exigido o 2º. Grau completo para concorrer à qualquer vaga, e isso restringiu bastante a procura. Pois, segundo a Agência, a maior parte dos que procuram empregos não possui esta formação mínima exigida.

Apesar de sabermos que a formação no Ensino Médio não dará automaticamente a qualificação para o trabalhador, é cada vez mais presente a exigência de um nível de estudo maior por parte dos pretensos concorrentes ao mercado de trabalho.

E o motivo disso é claramente visível quando se observa a obra da loja, por exemplo. Utilizando tecnologia de construção avançada, o prédio a cada dia evolui mais rapidamente. Mas para operar essa tecnologia toda, o perfil dos trabalhadores, mesmo durante a construção, está mais exigente.

Por outro lado, existem cada vez mais opções para a busca do nível de ensino mínimo exigido pelo mercado. E o cenário educacional até vem melhorando nos últimos anos em alguns aspectos. Porém, conforme dados divulgados pelo IBGE em dezembro de 2018, de cada 100 alunos que ingressam na escola, apenas 59 concluem o ensino médio aos 19 anos. Ou seja, 36,5% dos brasileiros com 19 anos não têm ensino médio. Pior: desses 59 que recebem diploma de educação básica, 27,5% possuem conhecimento adequado em português e apenas 7,3% têm aprendizagem adequada em matemática.

Outra situação preocupante é que o país sequer ter conseguido ampliar o número de matrículas no ensino médio, ao contrário. As matrículas tiveram queda em 2017, e já contabiliza-se cerca de 1,5 milhão de jovens de 15 a 17 anos fora da escola. Segundo o MEC, em 2017 haviam 7.930.384 alunos matriculados no ensino médio no Brasil, o que representa uma queda de 2,5% em relação às matrículas de 2016.

A necessidade de trabalhar é a alegação mais comum para não estudar ou se qualificar entre as pessoas de 15 a 29 anos. Segundo a PNAD, em 2017, 25,1 milhões das pessoas de 15 a 29 anos de idade não frequentavam escola, cursos pré-vestibular, técnico de nível médio ou de qualificação profissional e não haviam concluído uma graduação.

Porém, em 2017, das 48,5 milhões de pessoas com 15 a 29 anos de idade, 23,0% (11,2 milhões) não trabalhavam nem estudavam ou se qualificavam, contra 21,9% em 2016. Ou seja, de um ano para o outro, esse contingente cresceu 5,9%, o que equivale a mais 619 mil pessoas nessa condição.

É preciso que o país reverta urgentemente essa situação, pois não estou nem falando em qualidade do ensino – isso daria uma outra pauta – e sim apenas do quantitativo. Sabidamente, países que conseguiram avançar socio-economicamente, sem exceção, investiram pesadamente em educação. Não há porque não acreditarmos que esse é o caminho.

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O Uber, os patinetes e as cidades

“O verdadeiro progresso é por a tecnologia ao alcance de todos” Henry Ford

Nos últimos dias observamos polêmicas relacionadas à regulamentação do uso de patinetes em algumas grandes cidades do Brasil. Tempos atrás, a polêmica foi em relação ao Uber e outros aplicativos de mobilidade. E, seguramente, em breve surgirão outras relacionadas à novas tecnologias que impactam a vida das pessoas nas cidades.

Já comentei em artigos anteriores sobre a interferência do Governo na vida do cidadão, regulamentando (ao meu ver, exageradamente) os mais diversos aspectos da economia e da vida urbana no Brasil.

O fato é que as chamadas Urban Techs – empresas de tecnologia que buscam tornar as cidades melhores, estão cada vez mais presentes no cotidiano e as cidades precisam se atentar a isso.

Aliás, são muitas as empresas que levam o “tech” no nome hoje em dia, como as Health Techs (na área da saúde), Ed Techs (educação) Fin Techs (finanças), entre outras. Essas nomenclaturas são utilizadas para empresas focadas em tecnologia, inteligência artificial, big datas, etc). Mas voltemos às Urban Techs.

As Urban Techs são bem conhecidas, pois tratam-se de empresas como o Uber, Airbnb, Green, entre outras, que nasceram para tornar a vida nas cidades melhor, impactando a nossa forma de se locomover, morar, se hospedar e trabalhar.

E é justamente nas cidades que estão as maiores oportunidades para as startups, já que, segundo a ONU, 54% da população mundial vive em áreas urbanas atualmente, e até 2050, essa proporção deve chegar a 66%, atingindo um total de 6 bilhões de pessoas em 2045.

E é por conta desse potencial todo que as Urban Techs estão atraindo investimentos de proporções gigantescas mundo afora. Segundo um relatório da KPMG Pulse Of Fintech, a aplicação global em tecnologia financeira atingiu US$ 57,9 bilhões investidos somente no primeiro semestre de 2018.

Uma questão importante é quanto as Urban Techs vão impactar e remodelar as legislações municipais. Governos, principalmente os municipais, nem sempre enxergam isso, e daí surgem as tentativas de regulamentar uma tecnologia disruptiva com base em mentalidade analógica, de forma tardia e muitas vezes confusas. Novas empresas e tendências surgirão em breve, e se as cidades não evoluírem em suas legislações, o impacto positivo para a população poderá ficar reduzido, ou deixar que essas empresas se concentrem em grandes cidades, limitando o benefício que se propõem trazer a todos.

Porque é a partir das necessidades humanas é que surgem as ideias que melhoram nossa forma de lidar com transporte, coleta de lixo, moradia, segurança, enfim, as tecnologias que melhoram nossa qualidade de vida nas cidades.

E é aí que entra o papel dos governantes, que precisam não apenas pensar nas eleições, mas em deixar uma cidade melhor para as pessoas. Precisam se atualizar e abraçar movimentos de inovação como as Urban Techs, para que tenhamos cidades mais funcionais, seguras, e humanas.

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