Tribuna Fashion
Carneiro no guarda-roupa

Inspirados por um filme de faroeste exibido no Cine Mourão nos anos 60, os (já falecidos) pioneiros Ênio Queiroz, Joaquim Teodoro de Oliveira e Saul Ferreira Caldas, cozinharam a primeira idéia do então prato típico da cidade de Campo Mourão – o Carneiro no Buraco.

Passando por várias adaptações e aprimoramentos com a ajuda do apaixonado pela arte da culinária, Tony Nishimura o prato foi ficando com a cara, ou melhor, sabor do qual ele possui nos dias de hoje. Assim e aos poucos, foi sendo conhecido nacionalmente.

Em 1990, depois de muitas “12 horas de preparo”, em conseqüência de um movimento encabeçado pela confraria da Boca Maldita local, o prato se tornou oficialmente o típico da cidade acontecendo então, em 1991, a primeira Festa Nacional do Carneiro do Buraco.

E este ano, aconteceu a 23ª Festa com o almoço servido no domingo.

Deixando a história e a tradição da cidade de lado, é curioso lembrar que esse tal carneiro está presente em nossas vidas nessa mesma época do ano mas, de diferente forma.

Com o inverno aí (mesmo que ele esteja meio instável) passamos a usar roupas mais pesadas, casacos, botas, luvas, toucas para nos proteger melhor. Além de bons edredons, cobertores e acolchoados nas noites frias.

E, um dos materiais mais utilizados em toda a humanidade para fabricar  e revestir tudo isso é a lã. E de onde vem a lã? Da ovelha, o feminino do nosso querido Carneiro.

Cobrir o corpo com pele de animais com certeza vem desde os tempos remotos e são os primeiros indícios de roupas na humanidade, como na pré-história.

Assim, a lã é derivada do pêlo da ovelha, tosquiada entre o final da primavera e começo do verão.  Esse tecido tem como principal função o isolamento térmico e, por ser natural, não esquenta tanto sob o sol (em comparação com tecidos sintéticos) sendo o mais apropriado para nos manter quentinhos em dias gelados.

Antigamente, na casa de avós de muita gente ter um “acolchoado de ovelha”. Feito a partir da lã, era pesado e quente. E, geralmente ficavam anos na família. Além da colcha, as técnicas de como eram feitas também passavam pelas gerações.

Aqui no Paraná, a principal região onde se encontra a criação de carneiros é a de Ponta Grossa (vem de lá o nosso Carneiro no Buraco também), e é na região de Tibagi que se encontra os artesanatos de lã. Qualquer posto, mercado ou churrascaria da região vai ter essas peças expostas para os turistas que passam por lá.

As primeiras cores de tingimento de lã eram o vermelho, o verde e o preto. Hoje, devido a estudos e tecnologias outras várias cores já são possíveis. Mesmo assim, a preferência fashion da lã é a de sua cor natural.

 

A LÃ DE CAXEMIRA

A conhecida ‘caxemira’ é uma opção para muitos quando se fala em suéteres e casacos, por exemplo. Conhecida também por “Cashmere” é uma lã fina e macia obtida a partir dos pêlos de cabras (lembrando que a cabra é da mesma família que o carneiro) da região de Caxemira, situada entre as fronteiras da Índia com o Paquistão.

Além de ser um fio especial ele pode ser usado puro ou misturado a outras lãs de tecidos.

No século XIX, o termo “Cashmere” foi usado para designar os tecidos originalmente indianos, obtidos a partir dessa lã ou de suas misturas usados , principalmente, na confecção de xales com estampas de folhas com pontas curvas (mais conhecidos por Pashminas, tinham a lã misturada com seda  e teve seu auge no Ocidente no final dos anos 90). Mais tarde, essa estampa de folhas em formato de lágrimas se tornou sinônimo desse tecido.

Já a Casimira, é um tecido encorpado de lã, usado em peças do vestuário masculino.

Vale lembrar que usar casacos de peles de animais que necessitam ser sacrificados para isso, é uma atitude reprovável por ambientalistas e pelo Tribuna Fashion também.  A lã tem várias finalidades e não prejudica em nada o animal, sendo ainda a tosquia uma prática necessária na questão de melhoramento genético de ovinos.

Bom Carneiro a todos!!