Tribuna Fashion
Oh abre alas... Que eu ainda quero passar!

O Carnaval já passou, mas muito se fala sobre ele. E não é à toa. Considerado  a festa mais comemorada no Brasil, tudo que acontece em cinco dias é planejado e comentado o ano todo. O mundo inteiro vira os olhos para o carnaval. E o Tribuna Fashion também.

Durante toda essa folia aí, nós nos fantasiamos, dançamos axé, formamos blocos, corremos atrás de trios elétricos. E, nem imaginamos que estamos perpetuando rituais de mais de 10 mil anos.

 

Pintura Rupestre da Pré História representando festividade


O Brasil tomou conta do Carnaval de uma forma que ele já é um elemento da cultura nacional. Cada região do país festeja de acordo com as suas tradições. Porém, apesar de toda influencia que exerce mundo afora, nada começou aqui.

Lá na Antiguidade (por volta de 600 a.C.), os cultos agrários eram bem populares. Neles, as pessoas comemoravam através de danças, fartos banquetes e rituais característicos.

 

Pintura egípcia sobre a Colheita

 

Na Babilônia, a mais conhecida eram as Sacéias. Durante alguns dias, um prisioneiro eleito, assumia o papel do Rei. Vestia-se, alimentava-se e desposava as mulheres da Majestade. No final, era chicoteado e depois enforcado.

 

 

Pintura retratando a inversão dos papeis sociais


Já em Roma, o que deixou histórias foram as Lupercálias. Durante sete dias, em fevereiro – considerado o mês das divindades infernais e das purificações – senhores e escravos trocavam de papéis para dançar, comer e beber abundantemente. Lá, eles também comemoravam as Saturnálias. Um carro naval, o “carrum navalis”, percorria as ruas das cidades com pessoas vestidas de máscaras em volta e homens e mulheres nus em cima.

 

As Saturnálias na Roma Antiga


O comum desses dois rituais mesopotâmicos é a subversão de papéis sociais, encontrado hoje no costume dos homens se vestirem de mulher e vice- e – versa durante alguns Carnavais do Brasil. E o curioso é a idéia de carros alegóricos tripulados por homens e mulheres nus em relação ao desfile das escolas de samba brasileiras.

Lá na Grécia, podemos achar toda a associação do Carnaval com as orgias. Festas dedicadas ao deus do vinho Dionísio (conhecido também como Baco), eram marcadas pela embriaguez e pela entrega aos prazeres da carne.

 

 “O Jovem Baco” de William Adolphe Bouguereau, 1884

 

Pintura dos bacanais Gregos


Os assírios, também possuíam ações comumente observadas no carnaval de rua contemporâneo. Eles organizavam uma festa em tributo à deusa Ísis, divindade egípcia dos navegantes. Com máscaras, seguiam em procissão atrás de um carro que transportava a oferenda – geralmente uma embarcação. Porém, essa origem é controversa sendo a da Antiguidade Clássica a mais aceita.

Na idade medieval, por volta do século XI, antes de começar as novas plantações, homens jovens se fantasiava de mulheres e saíam nas ruas e nos campos a noite durante alguns dias. Os domicílios os recebiam com comidas, bebidas e beijos por parte das jovens das casas.

 

Com a disseminação do cristianismo, o crescimento da influencia e a consolidação da hierarquia  da Igreja Católica toda essa folia começou a tomar um rumo diferente. Mesmo consideradas pagãs – acreditava-se que inversão social também invertia a relação de Céu e Inferno – essas festividades não foram totalmente extintas.

 

“O Combate do Carnaval com a Quaresma”, de Peter Brueghel, 1559

 

No mesmo século XI, foi implantada a Quaresma e a Semana Santa. Então o acordo era que, essas festas, teriam de ser realizadas nos dias anteriores a esse período religioso. Assim, as pessoas cometeriam seus excessos e se purificariam logo em seguida diante da severidade religiosa de oração e jejum. Nos 40 dias recorrentes, a abstinência era total: de carne, de festas, de relações sexuais e de qualquer forma de diversão.

No Renascimento, do século XIII ao XVII grandes bailes de máscaras e fantasias eram organizados pela elite para comemorar o Carnaval – principalmente na Itália. As personagens mais presentes no baile eram os Arlequins, Columbinas e Pierrô, que até hoje são considerados figuras carnavalescas e participam de comemorações.

No século XIX já encontramos, principalmente em Paris, vestígios do Carnaval moderno com desfiles e fantasias. Produto da sociedade vitoriana, a folia parisiense serviu como principal modelo exportador da festa carnavalesca para o mundo.

 

Carnaval na Idade Média


Com o passar do tempo, todas essas características subversivas do Carnaval foram perdendo espaço para grandes eventos que exigiam lugares e organizações específicos para essa data.

Em relação à origem da palavra “Carnaval”, os estudiosos se dividem em duas vertentes. Para uns, vale a origem de “Carrum Navalis” – os carros navais de Roma. Para outros vem do latim “carne vale” marcado pela significação de “adeus à carne”, nome dado ao período referente a Quaresma.

No Brasil, a festança veio junto com a colonização. Como tudo nessa época, era fruto de influencia da cultura portuguesa. Mas muita coisa mudou. E hoje, não somos à toa, o maior Carnaval do mundo. Mas isso fica para o próximo post!