Tribuna Livre
Como evitar o endividamento familiar?

Ainda sofrendo com os reflexos da crise econômica no país, muitas pessoas apresentam dificuldades para quitar as dívidas e sair do vermelho. De acordo com a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada em abril pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), 60% das famílias brasileiras estão endividadas e não conseguirão pagar as contas deste mês.

Já o percentual de famílias inadimplentes, ou seja, que já têm contas atrasadas, chega a 25% do total. A maioria das despesas, segundo a pesquisa, vem do cartão de crédito: 76,1% dos entrevistados afirmam que têm dívidas em abril. A falta de um planejamento financeiro estruturado é uma das razões que pode explicar o endividamento das famílias. Mas como se organizar e evitar o acúmulo de contas?

O primeiro passo é evitar gastos desnecessários e supérfluos que podem comprometer o orçamento familiar. Apesar de ser uma tarefa difícil, é essencial resistir às ofertas do comércio e cortar os exageros para reduzir as despesas atuais.

Uma dica é colocar todos os gastos essenciais no papel para entender o que pode ser abandonado e o que é imprescindível para a família. Mensure em uma planilha de custos quanto do seu rendimento vai para o pagamento de contas básicas (luz, água, telefone, supermercado); quanto vai para outros gastos constantes (impostos, prestação do apartamento/carro, combustível, plano de saúde); e quanto sobra para o “poder de compra”. Neste momento, o ideal é ter uma conversa com todos os membros da família para que, juntos, consigam chegar a um acordo.

Mas, para garantir que esse processo funcione dentro de casa, é necessário ter um controle de gastos e um bom planejamento durante o ano inteiro. Afinal, é comum que apareçam despesas imprevistas que exijam desprender um valor maior do que o esperado. Nestes casos, uma reserva financeira para situações de urgência poderá fazer toda a diferença.

As compras com cartão de crédito também têm papel decisivo no comprometimento do orçamento. Por isso, o ideal é evitar ao máximo as parcelas infinitas oferecidas pelo comércio, já que elas podem prejudicar a organização das finanças.

Para sair do vermelho e ter um ano mais tranquilo, o importante é garantir que as despesas da família nunca sejam maiores do que os ganhos. Isso só é possível quando todos os integrantes colaboram com o controle de gastos e conseguem traçar um bom planejamento para evitar o acúmulo de dívidas.

*Dora Ramos é especialista em Contabilidade, orientadora financeira e diretora responsável pela Fharos Gestão Empresarial (www.fharos.com.br).

O sucesso da intercooperação

O Paraná possui o cooperativismo mais organizado e desenvolvido do país, sendo exemplo para várias outras regiões. São 13 ramos ou setores que incluem cooperativas de crédito, saúde, trabalho, habitação, educação, mineração, consumo, produção, infraestrutura, turismo e lazer, transporte e setores especiais, organizadas sob o guarda-chuva da Organização das Cooperativas do Paraná – OCEPAR.

Todos nós temos algum tipo de relação com alguma cooperativa, seja por sermos associados a uma ou por comprarmos produtos e serviços oriundos desse tipo de organização. Estima-se que 1 a cada 7 pessoas no mundo é associada a alguma das 2,6 milhões de cooperativas de que se tem registro.

O agronegócio é um dos setores mais importantes do Brasil, representando algo próximo a 25% do PIB. No Paraná, esse número é ainda maior, chegando a 30% de toda riqueza gerada no estado. O que poucos sabem é que mais de 55% da produção agropecuária do estado está nas mãos de cooperativas. E os números são realmente impressionantes, se considerarmos que elas somam pouco mais de 70 cooperativas no setor. O ranking da revista Exame identificou em 2016, 17 cooperativas agroindustriais paranaenses entre as Maiores e Melhores empresas no Brasil.

As cooperativas do agronegócio são organizações complexas, com sistemas de gestão e governança modernos e transparentes, e atuam conforme os 7 princípios do cooperativismo, as quais existem desde as primeiras manifestações dessa modalidade de negócios, no ano de 1844, em Rochdale-Manchester, no interior da Inglaterra. São eles:

1) Adesão voluntária e livre: as cooperativas são abertas a todos que dela queiram participar, sem discriminação;

2) Gestão democrática: todos os seus membros participam da gestão por meio de assembleias, e o voto de cada um tem o mesmo peso, independente de seu porte;

3) Participação econômica dos membros: os membros contribuem equitativamente para o capital da organização, e recebem sua parte dos resultados;

4) As cooperativas são organizações autônomas, de ajuda mútua, controladas por seus membros, e nada deve mudar isso;

5) Educação, formação e informação: as cooperativas promovem a educação e a formação para que seus membros e trabalhadores possam contribuir para o desenvolvimento dos negócios e, consequentemente, dos lugares onde estão presentes;

6) Intercooperação: cooperativismo é trabalhar em conjunto. Atuando juntas que as cooperativas dão mais força ao movimento e servem de forma mais eficaz aos cooperados.

7) Interesse pela comunidade: contribuir para o desenvolvimento sustentável das comunidades é algo natural ao cooperativismo.

Baseadas no 6°princípio, o da intercooperação, três grandes cooperativas paranaenses - Castrolanda, Frísia e Capal – localizadas na Região de Castro e Carambeí, deram início a um processo de intercooperação inovador, considerado único na história do país.

Fundada e 1925, a Frísia é a cooperativa mais antiga do Paraná, e tem sua produção voltada ao leite, carne e grãos, principalmente, trigo, soja e milho. Possui 760 associados e atua em mais de trinta municípios do Paraná, com um faturamento de R$ 2,4 bilhões em 2017.

A Capal se originou em 1980, de um pequeno grupo de produtores rurais holandeses, em Arapoti. No início sua principal atividade econômica era a produção de leite. Hoje concentra-se na agricultura (soja, milho, trigo e feijão) e na produção de suínos e leite, além da produção de café em algumas áreas. Atua em 80 municípios no Paraná e áreas do interior de São Paulo, com 16 unidades de produção. Obteve um faturamento de R$ 1,2 bilhões em 2017.

A Castrolanda foi fundada em 1951 e localiza-se em Castro. Possui 2,9 mil empregados em duas grandes unidades de negócios: operações (carnes, agrícola, leite, batata, feijão e corporativa) e industrial (carnes, leite e batata). Com 878 cooperados, seu faturamento alcançou R$ 2,83 bilhões em 2017.

Essas cooperativas criaram a Unium. Não se trata de uma fusão ou nova cooperativa, mas sim uma marca guarda-chuva, que tem abaixo de si, as marcas de produtos das três cooperativas, que deixam de utilizar suas marcas de fabricante. Mas não foi somente uma questão da gestão das marcas de dezenas de produtos que vão desde feijão, leite, iogurtes até cerveja e carnes e alimentos processados, mas inclui também um complexo modelo de gestão de negócios, produção e logística.

O modelo se baseia na liderança de cada uma das três cooperativas em negócios específicos, onde a cooperativa líder já possui estrutura ou expertise mais desenvolvido, porém, mantendo suas identidades organizacionais e jurídicas. Esse modelo busca otimizar as plantas industriais das cooperativas e evitar investimentos duplicados ou concorrência desnecessária entre elas. Por exemplo, a Castrolanda é líder no beneficiamento de leite e industrialização de carnes, enquanto a Frisia lidera a moagem de trigo, e assim por diante. Embora a operação seja de responsabilidade daquela cooperativa que assume a liderança, as decisões são tomadas em comum acordo com as três cooperativas, por meio de comitês gestores. As participações são proporcionais em cada unidade compartilhada.

Com isto pretendeu-se: aumentar o foco no resultado, afastando as influências políticas; aumentar a escala e, consequentemente, a competitividade; capitalização direta da unidade de negócios; diluição de custos corporativos, entre outros.

Os investimentos também passaram a ter um modelo próprio, onde a cooperativa entra com 60% e o cooperado com 40%, com participação nos resultados (indústria) garantida. Ou seja, o cooperado tem a oportunidade de agregar valor à sua produção de forma direta, por meio da unidade de negócios na qual ele investiu.

Este processo, que se iniciou em 2010 e agora chega à sua maturidade com a criação da Unium, resultou em um modelo que envolve 5 mil famílias cooperadas; 3 milhões de litros de leite processados por dia; 115 mil toneladas de grãos moídos por dia; 3,2 mil suínos abatidos por dia, e 1,8 mil toneladas de carne industrializada por mês. Além de exportar para 25 países nas Américas do Sul e Central, África, Oriente Médio e Europa, este grupo de cooperativas possui a única certificação do Paraná em bem-estar animal em carne suína.

*Alex Ferraresi é Doutor em Administração pela FEA/USP e Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Gestão de Cooperativas da PUCPR (Mestrado profissional).

Mais impostos, para quê? - Celso Luiz Tracco

Um dos principais problemas estruturais do Brasil é o gigantismo da máquina pública, mantido pela arrecadação tributária. Porque é tão difícil reduzir despesas?

Responder essa pergunta, é uma dificuldade, uma vez que não há controle. Além disso os nossos parlamentares, deputados federais e senadores eleitos pelo povo, e constitucionalmente legisladores, são os que aprovam o orçamento da União. Nunca se vê redução de gastos. Deputado julgado, condenado e preso, continua recebendo seu gordo salário mesmo estando afastado de suas obrigações. O número de assessores parlamentares ou cargos de confiança ninguém sabe quantos são e pior, ninguém sabe o que fazem nem para que servem.

O custo do parlamento brasileiro é estimado em R$ 6.5 bilhões por ano, 4 vezes mais caro que o da França e quase 8 vezes mais caro que o da Argentina, para efeitos de comparação. Há mordomias sem fim: auxílio paletó, auxilio para correio (em plena era da internet) auxílio para gasolina, garçons, engraxates, segurança, viagens em aviões da FAB, plano de saúde sem limites, a lista é extensa. Mas isso é apenas a ponta do iceberg.

Devemos somar a essa fábula o custo do legislativo e do executivo de 26 estados e DF, de 5570 municípios, do judiciário, das autarquias e empresas estatais. Existem 146 empresas estatais federais ativas, cujos diretores e gerentes são indicados pelos seus padrinhos políticos. Quantas mais existem nos estados e municípios? O desperdício com o dinheiro público é infindável e crescente.

O Brasil, entre trinta países pesquisados, é o que, todos os anos, mostra o pior resultado em relação aos benefícios para a população por imposto arrecadado. Não é apenas uma questão financeira, mas sobretudo humanitária. O dinheiro não vai para quem precisa, principalmente para os mais de 50 milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza.

Mas prepare-se: o rombo das contas públicas federais está estimado em torno de R$ 150 bi. Nossos representantes certamente irão sugerir mais aumento de impostos, apesar de aprovarem isenções e anistias aos poderosos entes econômicos: grandes empresários, países "amigos" devedores, sistema financeiro e outros. São "bondosos" com os poderosos mas severos com trabalha e vive de salário: a tabela de isenção do Imposto de Renda, está há anos defasada, deveria ser ajustada em, no mínimo, 90%.

Nós, população, podemos mudar isso com o voto. Vamos limpar o Congresso de uma só vez, não reelegendo quem está lá. Será que teremos maturidade e coragem na hora do voto?

* Celso Luiz Tracco é economista e autor do livro Às Margens do Ipiranga - a esperança em sobreviver numa sociedade desigual.

O tempo é o senhor da razão - Beto Richa

 

O tempo é o senhor da razão. O tempo é o senhor da razão. O tempo é o senhor da razão. Este é um mantra que venho repetindo para mim mesmo, e algumas vezes publicamente, há mais de três anos. Acho que já posso parar.

Há algumas semanas, o jornal Folha de São Paulo trouxe a manchete “Estados cortam R$ 23 bilhões em investimentos”, complementada com a informação que vinte e cinco das 27 unidades da federação cortaram investimentos entre 2014 e 2017, o que resultou em obras paralisadas, contas em desequilíbrio e recessão, com redução de investimentos em infraestrutura, saúde e segurança nesses 25 Estados.

Menos no Paraná e em Rondônia, os dois únicos que não cortaram investimentos. O ranking da Folha mostrou o Paraná em primeiro lugar em investimentos.

É importante relembrarmos alguns fatos pois, para aumentar os investimentos nos últimos anos o Paraná teve, como diz o jornal, “um caminho doloroso”. A reportagem se refere às críticas e à incompreensão que enfrentamos desde o final de 2014, quando iniciamos as medidas de ajuste fiscal e corte de gastos para impedir que o Paraná mergulhasse na crise que agora fica evidente em 25 Estados.

O Paraná fez o dever de casa, passou por um ajuste fiscal que garantiu o equilíbrio de suas contas num período em que o Brasil entrou numa crise econômica e social sem precedentes, talvez a crise mais grave da história.

O tempo é o senhor da razão. Vemos hoje em rede nacional, onde antes nosso Paraná era, injustamente, destaque negativo, que 25 Estados brasileiros cortam investimentos e param obras.

Não é o caso do Paraná. Só neste ano, estão reservados no orçamento R$ 8,4 bilhões para investimentos em infraestrutura, segurança, saúde e educação.

O Paraná de hoje é um canteiro de obras na sua infraestrutura, com duplicações de rodovias, modernização de portos e aeroportos, investimentos vigorosos em energia, saneamento e tecnologia da informação e construções de equipamentos urbanos que garantem mais atenção às pessoas.

Cada um dos 399 municípios do nosso Estado pode testemunhar hoje o trabalho que realizamos. Não há um só canto, uma só cidade, um só rincão do Paraná que tenha sido esquecido pelo nosso governo.

Fizemos um ajuste que cortou R$ 2 bilhões por ano nas despesas, com a racionalização dos gastos e a revisão de despesas de custeio. Fizemos isso para que o Estado gastasse menos em si próprio e mais com os paranaenses.

O resultado é que temos hoje uma taxa de investimentos que chega a 10,5% das receitas próprias, o que nos coloca no topo das unidades federativas que mais investem.

O nível de endividamento do Paraná caiu de 90% das receitas correntes líquidas em 2010 para os atuais 27%, o que demonstra definitivamente a boa saúde financeira do Estado, reconhecida por organismos como a agência de riscos Fitch que, recentemente, classificou o Paraná, pelo segundo ano consecutivo, na categoria de AA+, o melhor resultado entre todos os Estados brasileiros.

Se antes não havia ambiente para o investimento da iniciativa privada, nós invertemos essa lógica. Hoje estamos novamente no radar dos investimentos de grandes empresas nacionais e estrangeiras.

No ano passado o executivo Luiz Fernando Furlan, do movimento de lideranças empresariais, o Lide, disse que nosso ajuste fiscal “não apenas arrumou as contas públicas como também criou um cenário positivo para o crescimento do setor privado”.

Para chegar a isso houve sacrifícios pessoais, noites insones, dificuldades inúmeras, enquanto meu maior capital político, a minha popularidade, era derretido.

Mas valeu a pena, porque nunca arredei pé da convicção que estava no governo para melhorar a vida dos paranaenses, e não para coroar um projeto pessoal.

Trabalhamos fortemente no ajuste fiscal e nas medidas administrativas mas também cuidamos das pessoas. O Paraná foi o Estado que mais reduziu a pobreza no Sul e Sudeste, com uma redução de 57,4% segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O Paraná de hoje está pronto para seguir adiante, com grande capacidade para investir e crescer. Trabalhar e gerar empregos. O Paraná de amanhã será ainda melhor porque fizemos a nossa parte na história, criando uma base segura para seguir avançando.

Beto Richa, ex-governador do Paraná e presidente estadual do PSDB

Pretexto e consequências - Marcello Richa

O embargo estabelecido pela União Europeia para a exportação de carne de frango brasileira, anunciada em 19 de abril e que afeta diretamente empresas do Paraná, levanta questões importantes a respeito de interesses econômicos internacionais e a necessidade de fortalecermos a credibilidade do país na área comercial. 

 

O Brasil é o maior exportador de carne de frango do mundo e o Paraná é responsável por um terço de toda a produção nacional. Ou seja, muitas famílias vivem do trabalho da avicultura no estado e serão atingidas pelo embargo, que poderá gerar um prejuízo de até um bilhão por ano para o país, de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

 

O embargo estabelecido pela União Europeia se baseia em uma suposta deficiência no sistema de controle da bactéria Salmonella. Atualmente a maior parte da exportação da carne de frango brasileiro é crua com adição de 1,2% de sal, um formato de produto que paga um imposto menor do que se fosse vendida “in natura” (sem adição de sal). Enquanto o primeiro passa por inspeção de 2,6 mil tipos de Salmonella, o segundo tem inspeção para apenas dois tipos diferentes da bactéria. 

 

Não é novidade que os interesses comerciais se sobreponham aos relacionamentos entre países e blocos, porém essa decisão da União Europeia precisa ser vista com muita atenção. O impacto do embargo não será pequeno e poderá afetar até 35% das exportações da carne de frango brasileira, além de causar o fechamento de 30 mil vagas diretas e indiretas de trabalho. 

 

Infelizmente sofremos com nossa própria ganância e abrimos brechas para que existam justificativas para esse tipo de ação. A 3ª fase da operação Carne Fraca revelou um esquema entre frigoríficos e laboratórios privados para concessão de laudos falsos em relação à presença da Salmonella, o que afetou diretamente a credibilidade de nossos produtos, oferecendo um pretexto perfeito para o embargo e diminuição da participação brasileira no mercado.

 

Algumas medidas já estão sendo tomadas para combater essa situação, como a ação do Ministério da Agricultura na Organização Mundial do Comércio (OMC), que afirma que a decisão da União Europeia é protecionista e utiliza questões de cuidados sanitários com interesse de criar uma barreira comercial, já que o Brasil cumpre o estabelecido pelo Acordo de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias.

 

Também estão sendo realizadas reuniões e debates com as empresas embargadas para promover as adequações necessárias em relação às novas exigências sanitárias. Uma vez que isso esteja finalizado, o Brasil deverá solicitar uma missão junto a União Europeia para comprovar que os produtos estão aptos para exportação.

 

É necessário união entre todos os setores para reverter essa situação com urgência, buscando maior e constante fiscalização, legislações atualizadas e específicas no segmento, segurança jurídica e implantação de programas que fortaleçam o essencial trabalho do agronegócio. Assim poderemos recuperar a credibilidade brasileira no mercado, bem como promover ações que evitem margem para que situações semelhantes possam acontecer novamente. 

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Marcello Richa é presidente do Instituto Teotônio Vilela do Paraná (ITV-PR)

Por que quero ser senador - Alex Canziani

Neste ano, completo três décadas de vida pública. Desde minha primeira eleição como vereador, em 1988, foram diversas experiências gratificantes. Fui o mais jovem presidente da Câmara Municipal de Londrina até hoje, além de vice-prefeito da cidade e agora deputado federal, cargo que ocupo desde 1998.

Nestes trinta anos, acredito que correspondi à confiança de meus eleitores, que sempre me honraram com uma votação maior a cada eleição. Na ultima delas, em 2014, fui o segundo deputado federal mais votado do Paraná, com 187.475 votos.

Essas duas décadas na Câmara Federal me levaram a conclusão que não há uma real união e harmonia das forças políticas em favor dos interesses do Estado.

Nos últimos 25 anos, as cadeiras do Paraná no Senado, por exemplo, foram ocupadas pelos mesmos atores, que tiveram uma atuação muito mais política do que em defesa de questões paranistas. Uma atuação eminentemente partidária, sem nunca descer do palanque. Isto precisa mudar. Nossa gente quer um senador que atue pelo Estado, em favor das pessoas e do futuro.

Creio que hoje reúno condições e experiência suficientes para novos desafios, para um salto maior, para uma nova frente de trabalho por meu Estado. O caminho natural para isto é uma candidatura para representar o Paraná no Senado da República, um espaço onde quero apresentar algumas propostas que venho pensando há alguns anos.

O Senado é um espaço democrático, que permite um debate aberto de propostas, ideais e sonhos. Eu defendo, há mais de 20 anos, a causa da educação, da ciência e tecnologia e da inovação. Sonho com gerações preparadas para uma sociedade diferente, educada e que respeite o próximo. Sonho com a revolução que a educação e a inovação podem proporcionar aos paranaenses que vivem do agronegócio e que fazem nossas metrópoles regionais crescerem.

Há outras bandeiras que acredito serem fundamentais para o futuro do nosso Paraná, como um planejamento estratégico de médio e longo prazo. Nosso Estado é importante demais para não ter isso claramente definido. Temos que unir, institucionalmente, todas as forças do Estado e consolidar um planejamento para os desafios do futuro.

Conheço Brasília! Quero trabalhar, quero fazer a diferença, quero ser um catalisador das forças produtivas, quero ser um senador realmente em favor do desenvolvimento permanente do Paraná.

Vou ser a ponte que unirá os interesses da nossa sociedade com os governos estadual e federal para transformar o Paraná que sonhamos. Como disse Peter Drucker, “Não podemos prever o futuro, mas podemos criá-lo’’.

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Alex Canziani, deputado federal é presidente do PTB do Paraná, presidente da Frente Parlamentar da Educação do Congresso Nacional, que reúne mais de 200 deputados e senadores, e pré-candidato a uma das duas cadeiras paranaenses no Senado nas eleições de outubro.

Eleições 2018 e mudanças na legislação eleitoral

Sob a justificativa de se promover a atualização da legislação eleitoral, após trâmite no Congresso Nacional, foram sancionadas, em 6 de outubro de 2017, as Leis 13.487/2017 e 13.488/2017, que reformaram diversos dispositivos da Lei 9.504/1997 (Lei das Eleições), da Lei 9.096/1995 (Lei dos Partidos Políticos) e da Lei 4.737/1965 (Código Eleitoral).

Dentre as principais mudanças legislativas trazidas pela Lei 13.487/2017, está a extinção do horário da propaganda partidária no rádio e na televisão. Dessa forma, a partir do dia 1º de janeiro de 2018, acabou a propaganda partidária que era realizada pelos partidos políticos em períodos não eleitorais.

Já a Lei 13.488/2017 introduziu no ordenamento jurídico eleitoral um número muito maior de alterações, em especial no tocante aos temas ligados à propaganda eleitoral.

Foi mantida a permissão da chamada pré-campanha eleitoral, que, nos termos do artigo 36-A da Lei 9.504/1997, consiste na possibilidade de que os pré-candidatos façam menção às suas pretensas candidaturas, exaltem suas qualidades, participem de entrevistas, programas, encontros ou debates, divulguem atos parlamentares e debates legislativos e organizem reuniões para divulgação de ideias, objetivos e propostas, desde que não haja pedido explícito de votos.

Em relação ao pedido explícito de votos, a jurisprudência mais recente dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Tribunal Superior Eleitoral tem entendido que expressões como “conto com você”, “conto com seu apoio”, “vamos juntos” e assemelhadas equiparam-se ao expresso pedido de voto, restando vedada sua utilização no período da pré-campanha eleitoral, sob pena de caracterização de campanha eleitoral antecipada, passível de ordem de retirada ou paralisação, além de multa.

No tocante à propaganda eleitoral em geral, as inovações legislativas promoveram profunda alteração ao prever que somente serão aceitas as formas de propaganda descritas com especificidade em lei, rompendo assim com a lógica da livre propaganda em bens particulares. Dessa forma, para o pleito de 2018, somente será permitida a propaganda em bens particulares por meio de adesivos plásticos que não excedam ao tamanho de meio metro quadrado, em automóveis, caminhões, bicicletas, motocicletas e janelas residenciais. Nos automóveis, também é possível a utilização de adesivos microperfurados que não ultrapassem a extensão do para-brisas traseiro. Continua permitida a utilização de bandeiras ao longo das vias públicas, desde que sejam móveis e não prejudiquem o bom andamento do trânsito de pessoas e veículos.

Outra importante alteração está na vedação da utilização de carros de som ou minitrios como forma autônoma de propaganda, sendo facultada a sua utilização somente durante a realização de carreatas, caminhadas e passeatas ou durante a realização de reuniões ou comícios, mantidas as restrições quanto ao horário e à distância de órgãos públicos, hospitais e escolas quando em funcionamento.

Por fim, houve importante flexibilização quanto à veiculação de propaganda paga na internet, que continua sendo ilícita, porém, as inovações legislativas viabilizaram a possibilidade de pagamento para o impulsionamento de conteúdos, desde que identificados de forma explícita como tal e contratados os serviços exclusivamente por partidos, coligações, candidatos e seus representantes.

Armando Antônio Sobreiro Neto, Procurador de Justiça. Coordenadoria das Promotorias de Justiça Eleitorais

Vamos falar de autismo

Pessoa com autismo é humana, é gente, é deficiente. Primeiro é preciso aceitar, compreender, e depois debater isso. Pessoa com autismo é humana, então é nossa irmã. E se é deficiente precisa do nosso apoio e compreensão.

A melhor ajuda que se pode dar a um autista é aceitá-lo. O Dia Mundial da Conscientização do Autismo, criado pela ONU, é sempre lembrado em 2 de abril. Ainda tem gente que questiona a necessidade dessa data e de muitas outras que abordam o tema da PcD (pessoa com deficiência).

O autismo não recebe tanta atenção por ser “silencioso”. O TEA (Transtorno do Espectro Autista) tem enormes desafios para sua inclusão, um deles justamente o fato de ter graus menores e não apresentar características físicas que “perturbem” a sociedade, o que o torna uma deficiência menosprezada.

E quando uma pessoa com TEA tem seu comportamento alterado em público, é muitas vezes, erroneamente, julgada como se estivesse drogada, alcoolizada. As pessoas não entendem que o que julgam inconveniente é fruto de uma deficiência. E as famílias dos autistas sentem-se constrangidas, por vezes optando por restringir o contato social. Um erro sucedendo a outro.

Autistas possuem emoções tal qual eu e você. Se alegram e se entristecem, choram e se divertem. E quanto mais cedo o diagnóstico e o inicio dos tratamentos terapêuticos, maiores chances de desenvolvimento terão. Isso trará condições para que se tornem adultos autossuficientes e estabeleçam relações profissionais e sociais, se insiram na escola, no trabalho, no mundo.

Então tudo começa com o diagnóstico precoce, que transformei em lei em Curitiba ao propor a alteração no código de saúde municipal que instituiu como padrão um teste de triagem para crianças com até três anos de idade. Isso permite que os casos de autismo sejam identificados mais cedo, aumentando em 80% a possibilidade de desenvolvimento da criança.

No início de março, em parceria com o Instituto Ico Project e prefeitura, lançamos um programa de capacitação de pais e cuidadores de autistas. Este programa, desenvolvido pela fundação Autism Speaks e Organização Mundial de Saúde, objetiva atender em 5 anos, todas as famílias que possuem autistas na faixa etária de 2 a 9 anos. Também criei a lei que estabelece a Semana de Conscientização sobre o Autismo, que acontece sempre próximo ao 2 de abril, para somar forças com a data da ONU.


O que me dá conforto e esperança é que não estou sozinho nesta causa. Os grupos organizados pelos pais prestam um papel fundamental neste processo. Esses grupos apoiam os legisladores, com demandas e esse é o princípio de tudo: participação social, alinhamento, diálogo. É assim que políticas públicas de qualidade surgem.

Todo dia é dia de conscientização, dia de falar no autismo, dia de protegê-lo e dia de repetir que a pessoa com TEA precisa de atenção e inclusão.

Pier Petruzziello, 35, advogado, líder do prefeito Rafael Greca na Câmara de Vereadores de Curitiba.

A páscoa da ressurreição

A palavra "páscoa" vem do hebraico "pessach" e do grego "pascha" que significam "passagem". Os espanhóis chamam a festa de Pascua, os italianos de Pasqua e os franceses de pâques. Possui diversos significados, tais como a passagem da morte para a vida, a passagem da escravidão para a liberdade, enfim, a passagem pela qual o homem que se encontra neste mundo, passa na linguagem bíblica, para um novo céu e uma nova terra.

Modernamente, temos nos esquecido, em função de tantas ocupações, do real significado da Festa da Páscoa, pois, temos contato apenas com a versão comercial, perdendo-se o verdadeiro sentido de libertação, ressurreição e renovação, que ela, de fato, simboliza.

A data como é comemorada não traz nenhum benefício, se não compreendermos que Cristo é a verdadeira Páscoa; portanto, se quisermos comprar ovos de chocolate, façamos isso como quem compra chocolate e não com reverência pascal, porque a introdução tanto do ovo como do coelho nesta data, possuem outras razões e interesses aculturados.

É importante recordar que Páscoa é libertação e surgiu como sendo uma festa que marcava o fim da opressão escravizadora do Faraó Ramsés II, sobre o povo hebreu, que celebrava o êxodo por oito dias. Um caráter prospectivo, porque profetizava a libertação antes dela acontecer e prenunciava a obra de Cristo. Aceitar o sacrifício de Cristo feito por nós como diz as Escrituras, é comer da Páscoa e começar uma nova vida.

O próprio Cristo disse-nos "Desejei muito comer convosco esta Páscoa, antes que padeça; porque vos digo que não a comerei mais até que ela se cumpra no reino de Deus e, tomando o cálice, e havendo dado graças, disse: Tomai-o, e reparti-o entre vós. Fazei isso em memória de mim". Nesse episódio, Cristo introduz naturalmente a Ceia como sendo a substituta da festa pascal do Antigo Testamento. A memória desse feito permite-nos gozar da certeza da libertação do pecado, da morte e da miséria na qual estávamos, e nos permite olhar para o futuro com esperança, pois cada vez que ceamos anunciamos a morte do Senhor até que ele venha, para que como na festa dos hebreus, nos liberte da opressão desse mundo.

Ocorre, que na verdade, a páscoa pagã surgiu no meio da igreja e a páscoa bíblica desapareceu; o cordeiro de Páscoa, imaculado, deu lugar ao coelho sobrenatural, como ocorreu com outras datas. Com o passar dos anos, as tradições de diferentes povos se mesclaram. Na Páscoa, por exemplo, nas religiões orientais e na mitologia grega, o ovo sempre teve significado de princípio de vida, pois, aparentemente morto contém uma vida que surge repentinamente, passando-se, então, a simbolizar a ressurreição.

As lendas e estórias sobre os coelhos, parecem ter surgido por volta de 1215, na França, onde eram tidos como símbolos de fecundidade e abundância. A tradição do coelho da Páscoa foi trazida à América por imigrantes alemães em meados de 1.700. No antigo Egito, o coelho simbolizava o nascimento e a nova vida. Alguns povos da antiguidade o consideravam o símbolo da Lua. É possível que ele se tenha tornado o símbolo pascal devido ao fato de a Luz determinar a data da Páscoa.

E o ovo? Surgiu de um episódio, segundo contam os historiadores, na Alemanha, que estava em guerra e tinha por tradição, comemorar a páscoa, com a distribuição de presentes, como ocorre no Natal. Como nessa época, não havia recurso para manter o costume, e na região havia muitos ovos de galinha, tiveram então a ideia de pintá-los com cores vivas e colocá-los junto às árvores. Na manhã da Páscoa, as crianças procuravam os presentes na floresta e quando chegavam eram surpreendidas com milhares de ovos coloridos. Ao perguntarem quem os trouxe, a resposta vinha pronta e rápida: os coelhos! Dando origem à nova tradição.

A Páscoa cristã, em verdade, é celebrada no coração de cada um, que oferece a Deus sua própria vida, salva pelo Cordeiro Divino, que tem em si mesmo, vida eterna, podendo assim, ser o cordeiro de toda família humana, exceção feita aos que não veem na morte do cordeiro, sua páscoa, seu livramento, sua "passagem" da morte para a vida.

A partir de agora, tu podes ressurgir de ti mesmo, sair do lugar, da rotina, da mesmice. Renascer é recomeçar, libertar-se.

Abençoada e Feliz seja a tua PÁSCOA!

* GILMAR CARDOSO, advogado, poeta, membro do Centro de Letras do Paraná e da Academia Mourãoense de Letras

Os calores democráticos – qual é o ambiente político para as eleições de 2018?

Os últimos anos foram tumultuados no cenário político nacional. Discussões ideológicas tomaram os almoços de domingo, as ruas, as universidades. A cisão entre “direita” e “esquerda” não se limitou apenas ao Planalto, dividindo amizades e, não raro, famílias. Diante de tantos dissabores, qual é o ambiente para as eleições em outubro?

Não devemos esperar o povo brasileiro unido em torno de um ideal comum. Anos eleitorais afloram os ânimos dos eleitores, que se vestem com as cores que defendem e não aceitam nada que não seja a vitória dos seus partidos. Não penso que devemos temer uma guerra civil, como apregoam os apocalípticos, mas os candidatos também não podem se iludir e esperar ambientes pacíficos. Os casos recentes de corrupção exposta deixaram o eleitor desconfiado. Ninguém é inocente a ponto de pensar que o PT inventou a corrupção, esse fantasma assombra a política há muito tempo – infelizmente. A diferença é que agora toda a sujeira foi exposta, e serão poucos os brasileiros que não esmiuçarão o passado dos seus candidatos antes de votar.

A arena dual parece clara: direita e esquerda. São definições rasas que se aplicam a ideias pouco concretas, onde quem se identifica a um lado enxerga o outro como o mal a ser extirpado. Esse raciocínio é falho e perigoso, afinal em política há interesses – ninguém é vilão ou herói. Mas os candidatos terão que lidar com essa lógica, é inescapável. Políticos profissionais, que já conhecem como o mecanismo funciona, alinham-se previamente a uma corrente de pensamento ou outra, valendo-se das siglas dos seus partidos para expressar sua ideologia. Esses tubarões conhecem as águas em que nadam, abocanhando eleitores como a peixes, garantindo seus votos. Mas o oceano é grande e há muito o que explorar.

É nesse meio que se inserem os personagens desgrudados do mundo politiqueiro. Homens e mulheres que não são “políticos de carreira” e pouco ou nunca se envolveram no meio. Surgem em momentos como o atual, com eleitores desconfiados de suas lideranças, revendo as posições ideológicas perpetuadas por tanto tempo. A parcela da população disposta a arriscar com essas caras novas, normalmente empresários de sucesso, é expressiva. Ao abandonarem a crença nas figurinhas repetidas, cansados de mandatos desastrosos em todos os poderes, buscam gestores para ditar os rumos do país. Resta saber como serão as campanhas, de que forma convencerão o eleitorado de que são a melhor opção. Penso que podemos aplicar os ensinamentos do livro Quem pensa enriquece, de Napoleon Hill, ao mundo político – e parafrasear o título do livro com “quem pensa se elege”. As estratégias de campanha terão que ser inovadoras, com planejamento de marketing pesado; as redes sociais, por exemplo, onde boa parte das ideias se espalha nos dias atuais, é uma ótima ferramenta na hora de conseguir votos – Barack Obama não me deixa mentir.

O grande entrave para o surgimento de caras novas é um só: é cada vez mais difícil encontrar um empresário que arrisque seu patrimônio e seu nome para entrar em um mundo cercado por tantas polêmicas. O povo brasileiro já lê “política” como sinônimo de “mau-caratismo”. Resta esperarmos pelo surgimento de homens e mulheres fortes, com índole impecável e sólida carreira em seu meio de atuação. Quem melhor para acertar os rumos do nosso país do que um candidato competente, confiante e dedicado a um ideal?

Mas e os políticos que já estão no poder e buscam a reeleição? Observamos um fenômeno comum entre eles: a troca de partidos. Presente principalmente entre os deputados, o prazo para a troca se encerra no dia 7 de março. A intenção é conseguir uma bancada maior na câmara, facilitando a votação de pautas futuras. Podemos esperar um grande mercadão nos próximos dias, com partidos oferecendo vantagens enormes aos parlamentares para que realizem a troca. Repito: os candidatos se alinharão às ideologias que mais conversam com os eleitores que pretendem atingir. A troca de partidos é uma boa estratégia para alcançar esse fim – o eleitor só precisa ficar atento para distinguir o que é um verdadeiro alinhamento ideológico de apenas um movimento marqueteiro.

O ano será um festival de caras velhas e novas disputando o poder, enquanto o povo, assistindo ao desenrolar das discussões, espera por ideias inéditas e bem fundamentadas. Não se deve pensar que as promessas batidas convencerão os eleitores críticos que os últimos anos formaram. No fim, para além das disputas e alianças internas entre partidos e candidatos, é a população que escolhe quem comandará o Brasil pelos próximos anos. E são eles, tristes com os últimos acontecimentos, muitas vezes raivosos, que precisam ser reconquistados.

Namir Piacentini