Tribuna Livre
Por que quero ser senador - Alex Canziani

Neste ano, completo três décadas de vida pública. Desde minha primeira eleição como vereador, em 1988, foram diversas experiências gratificantes. Fui o mais jovem presidente da Câmara Municipal de Londrina até hoje, além de vice-prefeito da cidade e agora deputado federal, cargo que ocupo desde 1998.

Nestes trinta anos, acredito que correspondi à confiança de meus eleitores, que sempre me honraram com uma votação maior a cada eleição. Na ultima delas, em 2014, fui o segundo deputado federal mais votado do Paraná, com 187.475 votos.

Essas duas décadas na Câmara Federal me levaram a conclusão que não há uma real união e harmonia das forças políticas em favor dos interesses do Estado.

Nos últimos 25 anos, as cadeiras do Paraná no Senado, por exemplo, foram ocupadas pelos mesmos atores, que tiveram uma atuação muito mais política do que em defesa de questões paranistas. Uma atuação eminentemente partidária, sem nunca descer do palanque. Isto precisa mudar. Nossa gente quer um senador que atue pelo Estado, em favor das pessoas e do futuro.

Creio que hoje reúno condições e experiência suficientes para novos desafios, para um salto maior, para uma nova frente de trabalho por meu Estado. O caminho natural para isto é uma candidatura para representar o Paraná no Senado da República, um espaço onde quero apresentar algumas propostas que venho pensando há alguns anos.

O Senado é um espaço democrático, que permite um debate aberto de propostas, ideais e sonhos. Eu defendo, há mais de 20 anos, a causa da educação, da ciência e tecnologia e da inovação. Sonho com gerações preparadas para uma sociedade diferente, educada e que respeite o próximo. Sonho com a revolução que a educação e a inovação podem proporcionar aos paranaenses que vivem do agronegócio e que fazem nossas metrópoles regionais crescerem.

Há outras bandeiras que acredito serem fundamentais para o futuro do nosso Paraná, como um planejamento estratégico de médio e longo prazo. Nosso Estado é importante demais para não ter isso claramente definido. Temos que unir, institucionalmente, todas as forças do Estado e consolidar um planejamento para os desafios do futuro.

Conheço Brasília! Quero trabalhar, quero fazer a diferença, quero ser um catalisador das forças produtivas, quero ser um senador realmente em favor do desenvolvimento permanente do Paraná.

Vou ser a ponte que unirá os interesses da nossa sociedade com os governos estadual e federal para transformar o Paraná que sonhamos. Como disse Peter Drucker, “Não podemos prever o futuro, mas podemos criá-lo’’.

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Alex Canziani, deputado federal é presidente do PTB do Paraná, presidente da Frente Parlamentar da Educação do Congresso Nacional, que reúne mais de 200 deputados e senadores, e pré-candidato a uma das duas cadeiras paranaenses no Senado nas eleições de outubro.

Eleições 2018 e mudanças na legislação eleitoral

Sob a justificativa de se promover a atualização da legislação eleitoral, após trâmite no Congresso Nacional, foram sancionadas, em 6 de outubro de 2017, as Leis 13.487/2017 e 13.488/2017, que reformaram diversos dispositivos da Lei 9.504/1997 (Lei das Eleições), da Lei 9.096/1995 (Lei dos Partidos Políticos) e da Lei 4.737/1965 (Código Eleitoral).

Dentre as principais mudanças legislativas trazidas pela Lei 13.487/2017, está a extinção do horário da propaganda partidária no rádio e na televisão. Dessa forma, a partir do dia 1º de janeiro de 2018, acabou a propaganda partidária que era realizada pelos partidos políticos em períodos não eleitorais.

Já a Lei 13.488/2017 introduziu no ordenamento jurídico eleitoral um número muito maior de alterações, em especial no tocante aos temas ligados à propaganda eleitoral.

Foi mantida a permissão da chamada pré-campanha eleitoral, que, nos termos do artigo 36-A da Lei 9.504/1997, consiste na possibilidade de que os pré-candidatos façam menção às suas pretensas candidaturas, exaltem suas qualidades, participem de entrevistas, programas, encontros ou debates, divulguem atos parlamentares e debates legislativos e organizem reuniões para divulgação de ideias, objetivos e propostas, desde que não haja pedido explícito de votos.

Em relação ao pedido explícito de votos, a jurisprudência mais recente dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Tribunal Superior Eleitoral tem entendido que expressões como “conto com você”, “conto com seu apoio”, “vamos juntos” e assemelhadas equiparam-se ao expresso pedido de voto, restando vedada sua utilização no período da pré-campanha eleitoral, sob pena de caracterização de campanha eleitoral antecipada, passível de ordem de retirada ou paralisação, além de multa.

No tocante à propaganda eleitoral em geral, as inovações legislativas promoveram profunda alteração ao prever que somente serão aceitas as formas de propaganda descritas com especificidade em lei, rompendo assim com a lógica da livre propaganda em bens particulares. Dessa forma, para o pleito de 2018, somente será permitida a propaganda em bens particulares por meio de adesivos plásticos que não excedam ao tamanho de meio metro quadrado, em automóveis, caminhões, bicicletas, motocicletas e janelas residenciais. Nos automóveis, também é possível a utilização de adesivos microperfurados que não ultrapassem a extensão do para-brisas traseiro. Continua permitida a utilização de bandeiras ao longo das vias públicas, desde que sejam móveis e não prejudiquem o bom andamento do trânsito de pessoas e veículos.

Outra importante alteração está na vedação da utilização de carros de som ou minitrios como forma autônoma de propaganda, sendo facultada a sua utilização somente durante a realização de carreatas, caminhadas e passeatas ou durante a realização de reuniões ou comícios, mantidas as restrições quanto ao horário e à distância de órgãos públicos, hospitais e escolas quando em funcionamento.

Por fim, houve importante flexibilização quanto à veiculação de propaganda paga na internet, que continua sendo ilícita, porém, as inovações legislativas viabilizaram a possibilidade de pagamento para o impulsionamento de conteúdos, desde que identificados de forma explícita como tal e contratados os serviços exclusivamente por partidos, coligações, candidatos e seus representantes.

Armando Antônio Sobreiro Neto, Procurador de Justiça. Coordenadoria das Promotorias de Justiça Eleitorais

Vamos falar de autismo

Pessoa com autismo é humana, é gente, é deficiente. Primeiro é preciso aceitar, compreender, e depois debater isso. Pessoa com autismo é humana, então é nossa irmã. E se é deficiente precisa do nosso apoio e compreensão.

A melhor ajuda que se pode dar a um autista é aceitá-lo. O Dia Mundial da Conscientização do Autismo, criado pela ONU, é sempre lembrado em 2 de abril. Ainda tem gente que questiona a necessidade dessa data e de muitas outras que abordam o tema da PcD (pessoa com deficiência).

O autismo não recebe tanta atenção por ser “silencioso”. O TEA (Transtorno do Espectro Autista) tem enormes desafios para sua inclusão, um deles justamente o fato de ter graus menores e não apresentar características físicas que “perturbem” a sociedade, o que o torna uma deficiência menosprezada.

E quando uma pessoa com TEA tem seu comportamento alterado em público, é muitas vezes, erroneamente, julgada como se estivesse drogada, alcoolizada. As pessoas não entendem que o que julgam inconveniente é fruto de uma deficiência. E as famílias dos autistas sentem-se constrangidas, por vezes optando por restringir o contato social. Um erro sucedendo a outro.

Autistas possuem emoções tal qual eu e você. Se alegram e se entristecem, choram e se divertem. E quanto mais cedo o diagnóstico e o inicio dos tratamentos terapêuticos, maiores chances de desenvolvimento terão. Isso trará condições para que se tornem adultos autossuficientes e estabeleçam relações profissionais e sociais, se insiram na escola, no trabalho, no mundo.

Então tudo começa com o diagnóstico precoce, que transformei em lei em Curitiba ao propor a alteração no código de saúde municipal que instituiu como padrão um teste de triagem para crianças com até três anos de idade. Isso permite que os casos de autismo sejam identificados mais cedo, aumentando em 80% a possibilidade de desenvolvimento da criança.

No início de março, em parceria com o Instituto Ico Project e prefeitura, lançamos um programa de capacitação de pais e cuidadores de autistas. Este programa, desenvolvido pela fundação Autism Speaks e Organização Mundial de Saúde, objetiva atender em 5 anos, todas as famílias que possuem autistas na faixa etária de 2 a 9 anos. Também criei a lei que estabelece a Semana de Conscientização sobre o Autismo, que acontece sempre próximo ao 2 de abril, para somar forças com a data da ONU.


O que me dá conforto e esperança é que não estou sozinho nesta causa. Os grupos organizados pelos pais prestam um papel fundamental neste processo. Esses grupos apoiam os legisladores, com demandas e esse é o princípio de tudo: participação social, alinhamento, diálogo. É assim que políticas públicas de qualidade surgem.

Todo dia é dia de conscientização, dia de falar no autismo, dia de protegê-lo e dia de repetir que a pessoa com TEA precisa de atenção e inclusão.

Pier Petruzziello, 35, advogado, líder do prefeito Rafael Greca na Câmara de Vereadores de Curitiba.

A páscoa da ressurreição

A palavra "páscoa" vem do hebraico "pessach" e do grego "pascha" que significam "passagem". Os espanhóis chamam a festa de Pascua, os italianos de Pasqua e os franceses de pâques. Possui diversos significados, tais como a passagem da morte para a vida, a passagem da escravidão para a liberdade, enfim, a passagem pela qual o homem que se encontra neste mundo, passa na linguagem bíblica, para um novo céu e uma nova terra.

Modernamente, temos nos esquecido, em função de tantas ocupações, do real significado da Festa da Páscoa, pois, temos contato apenas com a versão comercial, perdendo-se o verdadeiro sentido de libertação, ressurreição e renovação, que ela, de fato, simboliza.

A data como é comemorada não traz nenhum benefício, se não compreendermos que Cristo é a verdadeira Páscoa; portanto, se quisermos comprar ovos de chocolate, façamos isso como quem compra chocolate e não com reverência pascal, porque a introdução tanto do ovo como do coelho nesta data, possuem outras razões e interesses aculturados.

É importante recordar que Páscoa é libertação e surgiu como sendo uma festa que marcava o fim da opressão escravizadora do Faraó Ramsés II, sobre o povo hebreu, que celebrava o êxodo por oito dias. Um caráter prospectivo, porque profetizava a libertação antes dela acontecer e prenunciava a obra de Cristo. Aceitar o sacrifício de Cristo feito por nós como diz as Escrituras, é comer da Páscoa e começar uma nova vida.

O próprio Cristo disse-nos "Desejei muito comer convosco esta Páscoa, antes que padeça; porque vos digo que não a comerei mais até que ela se cumpra no reino de Deus e, tomando o cálice, e havendo dado graças, disse: Tomai-o, e reparti-o entre vós. Fazei isso em memória de mim". Nesse episódio, Cristo introduz naturalmente a Ceia como sendo a substituta da festa pascal do Antigo Testamento. A memória desse feito permite-nos gozar da certeza da libertação do pecado, da morte e da miséria na qual estávamos, e nos permite olhar para o futuro com esperança, pois cada vez que ceamos anunciamos a morte do Senhor até que ele venha, para que como na festa dos hebreus, nos liberte da opressão desse mundo.

Ocorre, que na verdade, a páscoa pagã surgiu no meio da igreja e a páscoa bíblica desapareceu; o cordeiro de Páscoa, imaculado, deu lugar ao coelho sobrenatural, como ocorreu com outras datas. Com o passar dos anos, as tradições de diferentes povos se mesclaram. Na Páscoa, por exemplo, nas religiões orientais e na mitologia grega, o ovo sempre teve significado de princípio de vida, pois, aparentemente morto contém uma vida que surge repentinamente, passando-se, então, a simbolizar a ressurreição.

As lendas e estórias sobre os coelhos, parecem ter surgido por volta de 1215, na França, onde eram tidos como símbolos de fecundidade e abundância. A tradição do coelho da Páscoa foi trazida à América por imigrantes alemães em meados de 1.700. No antigo Egito, o coelho simbolizava o nascimento e a nova vida. Alguns povos da antiguidade o consideravam o símbolo da Lua. É possível que ele se tenha tornado o símbolo pascal devido ao fato de a Luz determinar a data da Páscoa.

E o ovo? Surgiu de um episódio, segundo contam os historiadores, na Alemanha, que estava em guerra e tinha por tradição, comemorar a páscoa, com a distribuição de presentes, como ocorre no Natal. Como nessa época, não havia recurso para manter o costume, e na região havia muitos ovos de galinha, tiveram então a ideia de pintá-los com cores vivas e colocá-los junto às árvores. Na manhã da Páscoa, as crianças procuravam os presentes na floresta e quando chegavam eram surpreendidas com milhares de ovos coloridos. Ao perguntarem quem os trouxe, a resposta vinha pronta e rápida: os coelhos! Dando origem à nova tradição.

A Páscoa cristã, em verdade, é celebrada no coração de cada um, que oferece a Deus sua própria vida, salva pelo Cordeiro Divino, que tem em si mesmo, vida eterna, podendo assim, ser o cordeiro de toda família humana, exceção feita aos que não veem na morte do cordeiro, sua páscoa, seu livramento, sua "passagem" da morte para a vida.

A partir de agora, tu podes ressurgir de ti mesmo, sair do lugar, da rotina, da mesmice. Renascer é recomeçar, libertar-se.

Abençoada e Feliz seja a tua PÁSCOA!

* GILMAR CARDOSO, advogado, poeta, membro do Centro de Letras do Paraná e da Academia Mourãoense de Letras

Os calores democráticos – qual é o ambiente político para as eleições de 2018?

Os últimos anos foram tumultuados no cenário político nacional. Discussões ideológicas tomaram os almoços de domingo, as ruas, as universidades. A cisão entre “direita” e “esquerda” não se limitou apenas ao Planalto, dividindo amizades e, não raro, famílias. Diante de tantos dissabores, qual é o ambiente para as eleições em outubro?

Não devemos esperar o povo brasileiro unido em torno de um ideal comum. Anos eleitorais afloram os ânimos dos eleitores, que se vestem com as cores que defendem e não aceitam nada que não seja a vitória dos seus partidos. Não penso que devemos temer uma guerra civil, como apregoam os apocalípticos, mas os candidatos também não podem se iludir e esperar ambientes pacíficos. Os casos recentes de corrupção exposta deixaram o eleitor desconfiado. Ninguém é inocente a ponto de pensar que o PT inventou a corrupção, esse fantasma assombra a política há muito tempo – infelizmente. A diferença é que agora toda a sujeira foi exposta, e serão poucos os brasileiros que não esmiuçarão o passado dos seus candidatos antes de votar.

A arena dual parece clara: direita e esquerda. São definições rasas que se aplicam a ideias pouco concretas, onde quem se identifica a um lado enxerga o outro como o mal a ser extirpado. Esse raciocínio é falho e perigoso, afinal em política há interesses – ninguém é vilão ou herói. Mas os candidatos terão que lidar com essa lógica, é inescapável. Políticos profissionais, que já conhecem como o mecanismo funciona, alinham-se previamente a uma corrente de pensamento ou outra, valendo-se das siglas dos seus partidos para expressar sua ideologia. Esses tubarões conhecem as águas em que nadam, abocanhando eleitores como a peixes, garantindo seus votos. Mas o oceano é grande e há muito o que explorar.

É nesse meio que se inserem os personagens desgrudados do mundo politiqueiro. Homens e mulheres que não são “políticos de carreira” e pouco ou nunca se envolveram no meio. Surgem em momentos como o atual, com eleitores desconfiados de suas lideranças, revendo as posições ideológicas perpetuadas por tanto tempo. A parcela da população disposta a arriscar com essas caras novas, normalmente empresários de sucesso, é expressiva. Ao abandonarem a crença nas figurinhas repetidas, cansados de mandatos desastrosos em todos os poderes, buscam gestores para ditar os rumos do país. Resta saber como serão as campanhas, de que forma convencerão o eleitorado de que são a melhor opção. Penso que podemos aplicar os ensinamentos do livro Quem pensa enriquece, de Napoleon Hill, ao mundo político – e parafrasear o título do livro com “quem pensa se elege”. As estratégias de campanha terão que ser inovadoras, com planejamento de marketing pesado; as redes sociais, por exemplo, onde boa parte das ideias se espalha nos dias atuais, é uma ótima ferramenta na hora de conseguir votos – Barack Obama não me deixa mentir.

O grande entrave para o surgimento de caras novas é um só: é cada vez mais difícil encontrar um empresário que arrisque seu patrimônio e seu nome para entrar em um mundo cercado por tantas polêmicas. O povo brasileiro já lê “política” como sinônimo de “mau-caratismo”. Resta esperarmos pelo surgimento de homens e mulheres fortes, com índole impecável e sólida carreira em seu meio de atuação. Quem melhor para acertar os rumos do nosso país do que um candidato competente, confiante e dedicado a um ideal?

Mas e os políticos que já estão no poder e buscam a reeleição? Observamos um fenômeno comum entre eles: a troca de partidos. Presente principalmente entre os deputados, o prazo para a troca se encerra no dia 7 de março. A intenção é conseguir uma bancada maior na câmara, facilitando a votação de pautas futuras. Podemos esperar um grande mercadão nos próximos dias, com partidos oferecendo vantagens enormes aos parlamentares para que realizem a troca. Repito: os candidatos se alinharão às ideologias que mais conversam com os eleitores que pretendem atingir. A troca de partidos é uma boa estratégia para alcançar esse fim – o eleitor só precisa ficar atento para distinguir o que é um verdadeiro alinhamento ideológico de apenas um movimento marqueteiro.

O ano será um festival de caras velhas e novas disputando o poder, enquanto o povo, assistindo ao desenrolar das discussões, espera por ideias inéditas e bem fundamentadas. Não se deve pensar que as promessas batidas convencerão os eleitores críticos que os últimos anos formaram. No fim, para além das disputas e alianças internas entre partidos e candidatos, é a população que escolhe quem comandará o Brasil pelos próximos anos. E são eles, tristes com os últimos acontecimentos, muitas vezes raivosos, que precisam ser reconquistados.

Namir Piacentini

Mulher deve se proteger contra violência doméstica

Há muitos casos de violência doméstica e a mulher precisa saber como se proteger. A lei 11.340/2006 cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião.

O advogado criminalista Adriano Alves, do escritório Alves & Franquini Advocacia, explica que um grande destaque desta Lei é que o agressor não precisa morar na mesma casa da vítima para garantir a proteção da vítima. “A simples relação afetiva pode ser suficiente para a aplicação da lei. É garantida a proteção na unidade domestica, na família e na relação de afeto, que em tese são três situações diferentes”.

É importante também ressaltar que a violência doméstica não está caracterizada somente por haver agressão física. A Lei Maria da Penha, nº11.340-06, trouxe novidade sobre o assunto considerando também a agressividade psicológica , sexual, patrimonial e moral. “A psicológica é entendida como que cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação”, conta Alves, que completa: “e a sexual é qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força”.

Sobre a agressão sexual, “a Lei é completa ao dizer que a vítima não pode ser induzida a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos”.

A agressão patrimonial, segundo a Lei Maria da Penha, é qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos. “Além de instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades”.

Moralmente falando, a Lei é enfática e ainda mais clara, segundo Dr. Adriano Alves. “É entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria”. Ao identificar qualquer que seja a violência sofrida, antes mesmo de tomar uma atitude externa, “é importante que a mulher tenha certeza do que vai fazer e das consequências judiciais, por isso, é essencial consultar um advogado criminalista e se possível seus familiares antes de qualquer ação”.

Os primeiros passos

Segundo Alves, o primeiro passo é registrar o boletim de ocorrência, onde é possível detalhar a agressão. “Em caso onde existe ameaça, pode pedir medidas de proteção, onde judicialmente é determinado o afastamento do agressor”.

Esse boletim pode ser realizado tanto na delegacia de mulher, nas localidades que há uma especializada, “mas nas cidades menores qualquer delegacia pode atender a ocorrência”. E o advogado ressalta: “O principal caminho é o boletim de ocorrência na delegacia de polícia, pois através deste pode ser concedida uma medida protetiva garantindo a integridade da vítima”.

A lei Maria da Penha não define quantidade de pena, pois a pena depende do crime cometido pelo agressor. “A lei define situações de proteção emergencial para mulher. Somente em 2016, no Estado de São Paulo, foram concedidas mais de 60 mil medidas protetivas”, finaliza o advogado Adriano Alves.

O fim da estabilidade no serviço público

O Brasil passa por período de mudanças tendentes a modernizar e dinamizar a vida política e administrativa no âmbito do governo, por isso acredito ser oportuno repensar e discutir a estabilidade funcional no serviço público. Esse instituto vem do tempo em que a carreira apresentava poucos atrativos em comparação com a iniciativa privada e por isto buscou-se proporcionar alguma garantia ante as incertezas do mercado de trabalho no setor particular. Hoje, a estabilidade tem gerado vícios que visivelmente comprometem a prestação do serviço, daí a necessidade de reconsiderá-la, debatendo a viabilidade de sua extinção ou aplicação de novo ordenamento nas relações de trabalho na área oficial.

É sabido que, com poucas ressalvas, a prestação do serviço público à população é deficiente, morosa e extremamente burocrática com decisões centralizadas sujeitas a uma legislação extensa e complicadora e algumas normas ultrapassadas. A vitalícia garantia do emprego favorece a falta de empenho e a acomodação, produzindo falsa necessidade de mais funcionários para execução das mesmas tarefas. Daí, mais concursos, mais gente contratada que logo estará igualmente desmotivada e acomodada.

Portanto, seria conveniente a adoção de normas que contribuam para motivação funcional e consequente dinamização da atividade sem sistemáticas admissões que incham a máquina e aumentam despesas sem observância do critério custo/benefício. Uma das alternativas pode ser o ganho por produtividade. A iniciativa privada utiliza esse sistema com proveito em termos de aumento da produtividade e da qualidade, com empregados em constantes treinamentos, reciclagem e avaliação séria que resultam em vantagens salariais. No âmbito público, em diversas carreiras isso é possível, como no ensino, no atendimento de saúde. Haveria com certeza maior motivação, mais empenho e participação com ganho para ambas as partes. A ascensão deve ter por base o mérito, a dedicação e a produtividade. É verdade que a administração federal aplica processo de avaliação, porém mais vale para o currículo funcional contando pontos para eventual processo de promoção. Além do mais, não utiliza critérios que assegurem imparcialidade. É a chamada Avaliação 360 Graus, onde, curiosamente, o funcionário participa e avalia a si próprio.

No fundo, tal avaliação não tem nada a ver com ganho por produtividade, um mecanismo tão importante que até os clubes de futebol de ponta, obrigados a altas contratações de profissionais caros passaram a adotar uma tabela especial vinculando o salário do atleta a conquistas do clube que revertam em mais renda, inclusive contratos publicitários e de merchandising.

Um dos problemas do princípio da estabilidade é sua banalização e extensão a categorias que se acham fora do benefício. Hoje, o custo da máquina pública com funcionários que exercem atividade-meio ultrapassa o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal criando dificuldades e impossibilitando o governo de melhorar o nível salarial, oferecer gratificações, treinamento e reciclagem àqueles que exercem atividade-fim, ou seja, que tratam diretamente com a população, que atendem às pessoas, pois são esses que efetivamente cumprem o papel do Estado. Os outros burocratizam o serviço e entravam o atendimento público. Deve-se ter em conta que governo existe para atender ao povo.

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Luiz Carlos Borges da Silveira é empresário, médico e professor. Foi Ministro da Saúde e Deputado Federal. 

Em 2018, vamos de vice

O brasileiro não gosta de pensar em vices. Somos um povo ligado ao futebol, acostumados ao topo das competições, e falar em vice é remeter ao segundo lugar. O termo de fato não é bem-vindo no mundo esportivo, mas quando se trata de Política, os vices são mais importantes do que o eleitor costuma pensar.

Em uma leitura recente, deparei-me com a notícia de que o Vice-Prefeito de Campo Mourão, Beto Voidelo (PPS), pediu demissão da Secretaria de Ação Social. Oficialmente, o discurso é de que se limitar a uma única secretaria o deixava “meio preso”. Eu próprio já fui Vice-Prefeito da cidade e sei que as relações no gabinete nem sempre são simples. Afinal, é comum que se enxergue o vice como mero suplente, o que é uma definição limitada – e que pode impor limites aos vices. Exercer o posto de vice é participar ativamente da campanha. Não raro vemos um candidato ao cargo executivo como pessoa experiente e mais velha. Ao seu lado, aparece a figura mais jovem e disposta a assumir o front no caso das necessidades. O vice precisa estar em sintonia com o titular, participando das reuniões e auxiliando nos momentos de decisão ao mesmo tempo em que se apresenta como contraponto, alicerce para ponderações.

Desconfio que o pedido de demissão de Voidelo pode refletir algo mais profundo. O que de fato ocorreu no gabinete que levou ao afastamento precoce? Disputas internas são frequentes, muitas delas resolvidas com algumas concessões, outras desencadeando rompimentos. Alguns titulares enxergam sombras perigosas em seus suplentes, ameaças ao cargo. No meu mandato, recordo que o Prefeito raramente se afastava da Prefeitura, sempre alerta, como quero-quero protegendo o ninho. Tinha medo de um “golpe”. Nossas discordâncias se avolumaram ao decorrer do mandato, as limitações que me eram impostas se tornaram claustrofóbicas, o que desencadeou o rompimento da nossa aliança. Constatar esse cenário é uma ilustração de como, na Política, a tropa de choque é uma e a de ocupação, outra. Se durante as campanhas as alianças entre as equipes são firmes, todos jogando juntos como em uma partida entrosada da nossa Seleção, na hora de governar, os vencedores costumam dar poder aos seus próprios apadrinhados. Nessa equação, o vice acaba sendo posto para escanteio.

Em tempos recentes, a imagem do vice em nosso país remete também ao atual Presidente da República, Michel Temer (PMDB). Sua ascensão ao cargo executivo mais alto do país não foi pacífica ou isenta de polêmicas. Parte do eleitorado da ex-Presidente Dilma Rouseff (PT) desaprova que seu vice tenha assumido a presidência – grande parte do eleitorado da oposição tampouco assume relação de plenos amores com o Presidente. Mas, ao votar na chapa de Dilma Rouseff, o eleitor tinha conhecimento que o cargo de vice era ocupado por Temer – escolhido para que se firmasse a então aliança entre PT e PMDB. Estamos diante da prova de que o brasileiro não se atenta para o cargo de “suplente”? Retornando ao cenário local de Campo Mourão, os eleitores mais atentos recordarão o ocorrido entre Rodrigo Salvadori (PSD) e a ex-Prefeita Regina Dubay (PR). O que começou como uma bela eleição para Dubay e oportunidade para Salvadori, acabou em desentendimentos e até mesmo declarações abertas à Imprensa por parte do vice contra a Prefeita. Na eleição seguinte, concorreram um contra o outro e ambos acabaram derrotados, enfraquecidos pelas disputas internas.

Mas o cargo não é rondado apenas por experiências malsucedidas. Há casos de vices prósperos. Cida Borguetti (PP) é exemplo de fortuna. Como Vice-Governadora do Estado do Paraná, participou ativamente do governo de Beto Richa (PSDB), e não esconde a pretensão de se candidatar ao cargo de Governadora nas eleições de 2018. O Governador deve apoiá-la, tanto como ela o apoiará na corrida pelo Senado. Em Campo Mourão, Tauillo Tezelli atuou como um vice leal ao Prefeito Rubens Bueno (PPS), em um mandato sem tempestades, o que lhe valeu o apoio de Bueno e o levou ao cargo de Prefeito em 1996 e à reeleição em 2000, além do mandato atual. E na presente gestão da Prefeitura de Curitiba as relações entre o Prefeito Rafael Greca (PMN) e seu vice, Eduardo Pimentel, também parecem correr bem – se permanecerem pacíficas, Greca conta com um ótimo cenário para administrar a capital com tranquilidade. Será que podemos dizer o mesmo de Campo Mourão frente ao acontecimento recente? Afinal, a Política é feita do compartilhamento de ideias, do diálogo entre visões diferentes e de alianças firmes. Brigas internas na administração são sinais de que algo não está bem alinhado e podem ser catastróficas para o futuro de uma cidade, estado ou país.

O ano que entra é de eleição. Para além dos cargos executivos e legislativos, é importante que o eleitor se atente aos vices das chapas dos seus candidatos para Presidente e Governador – sem se esquecer das eleições para Prefeitos em 2020. A informação é primaz no momento de escolher aqueles que devem ditar os rumos do Brasil pelos próximos quatro anos. E se, em pleno ano de Copa do Mundo, tudo que o brasileiro quer é evitar o vice, na Política, fugir dessa palavra pode ser ignorar um importante agente de transformação na vida de todos os cidadãos.

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Namir Piacentini

Parar de fumar pode render R$ 1 milhão em 30 anos

O consumo de cigarro vem caindo gradativamente nos últimos anos, mas o número de pessoas que possui esse vício no Brasil ainda é grande. Além de gerar problemas para a saúde física, o fumante também é prejudicado em outra saúde, a financeira. Se parar de fumar um maço de cigarro por dia, economizar e investir o valor na poupança, a pessoa terá R$ 1.028.274,92 ao final de 30 anos.

A conta é simples, se um maço custa em torno de R$ 8, um fumante que consome um maço de cigarro por dia gastará a mais, por mês, R$ 240. Esse aumento de custo no orçamento mensal das pessoas com certeza fará com que muitos repensem sobre a importância de acabar com esse vício.

Infelizmente, com os preços atuais, poucas pessoas se dão conta do risco financeiro que isso proporciona. É lógico que esse risco é muito menor do que os físicos, entretanto não podemos negar que esse impacto reflita na economia diária do fumante, especialmente neste momento de crise econômica. 

Uma forma de vermos a importância de parar de fumar para a economia de uma pessoa é analisar que, com os preços atuais do cigarro, se deixar de fumar e investir esse valor (R$ 240/mês, corrigindo anualmente) em uma poupança, por exemplo, ao final de 10 anos, ela terá R$ 63.291,18 e ao final de 20 anos, terá R$ 293.901,45. 

Isso sem que contemos os gastos que um fumante terá nesse período com problemas de saúde ocasionado pelo cigarro e com a perda de rendimento no trabalho em função do cansaço que esse vício proporciona. 

O ato de fumar não faz só que o viciado perca dinheiro, o tabagismo gera uma despesa mundial de bilhões de dólares por ano, considerando os tratamentos das doenças relacionadas ao tabaco, às mortes de cidadãos em idade produtiva, o maior índice de aposentadorias precoces, o aumento no índice de falta ao trabalho e o menor rendimento produtivo. 

Isso é, o cigarro também faz com que os governos tenham menos dinheiro para investir em outras áreas da saúde, o que garantiria uma maior longevidade à toda população. Agora, se você é fumante, imagine: como você estará daqui a trinta anos se continuar a fumar? Sua saúde estará boa? Quanto você terá gasto?

 Mas, se as pessoas pararem de fumar hoje e investirem esse dinheiro, daqui trinta anos, além de terem uma qualidade de vida muito maior, ainda terão uma boa reserva financeira. Será que não vale realmente a pena parar de fumar? 

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Reinaldo Domingos é doutor em educação financeira, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) e da DSOP Educação Financeira e autor do best-seller Terapia Financeira, do lançamento Diário dos Sonhos e da primeira Coleção Didática de Educação Financeira do Brasil.

2018 vai ser muito melhor

O ano de 2017 não foi fácil para muitos paranaenses e muitos brasileiros. Foi um ano de superação. E essa talvez seja a marca mais profunda que ficará registrada quando olharmos para trás, puxando em nossas memórias esse período: a superação que nos fortaleceu e nos uniu.

Também foi um ano de construção. Em meio aos ajustes necessários que o nosso País viveu em tantas áreas, começamos a construir as bases para um cenário diferente no futuro. Um cenário de crescimento e que projeta esse crescimento sustentado em ações que se traduzem em mais respeito e mais dignidade.

E essa foi exatamente a linha que seguimos. Foi exatamente isto o que fizemos. Eu e meus companheiros do PSD, do PSC, e de vários partidos que nos acompanham, percorremos boa parte do Paraná em encontros regionais para dialogar com as pessoas em um diálogo franco e aberto onde mais ouvimos do que falamos. Em cada encontro, além da mão amiga, as pessoas nos estenderam suas esperanças, suas crenças e suas sabedorias para indicar qual o melhor caminho para chegarmos a um futuro melhor, possível para todos, com o respeito que cada cidadão merece.

Neste Paraná tão grande, onde cada região tem realidades e características próprias, discutimos os assuntos de interesses locais, mas a partir de uma visão ampla e integrada. Penso que é assim que nosso estado deve ser gerido e que a inovação passa obrigatoriamente por esse olhar atento que reconhece, compreende e respeita as características e as necessidades de cada região, de cada município. O Paraná não pode ter esquecidos.

Porque acreditamos na força do diálogo, do entendimento e na cooperação, penso que o caminho está sendo bem trilhado pois alguns pontos em comum já começam a cristalizar.

Se este ano que está iniciando será crucial para a realização do futuro que queremos para todos os paranaenses, é fundamental que comecemos a pensar e planejar a realização de programas de gestão pública focados em qualidade e que sejam ininterruptos. É preciso assumir um compromisso de zelo com a coisa pública. Um compromisso com a eficiência.

Temos a grande oportunidade de contrariar as previsões pessimistas. Não podemos adiar as mudanças e os avanços que a sociedade espera. Não podemos deixar que o radicalismo, tampouco as teimosias ou interesses pessoais, formem uma barreira contra o avanço, contra a inovação.

Os sinais são cada vez mais claros de que as mudanças são inadiáveis. A distância que se coloca entre o Paraná de hoje e o Paraná inovador, mais forte e mais competitivo, deixará de existir quando as ações de gestão do nosso estado passarem a fazer parte de um consistente planejamento estratégico, capaz de elevar o nosso estado ao patamar de desenvolvimento sonhado por todos.

2018 será bem melhor. Vamos avançar na direção de um futuro mais próspero, condizente com o enorme potencial do nosso estado. Vamos trabalhar para que esse cenário se realize. Tenham certeza. Bom ano novo para todos.

*Ratinho Júnior é deputado estadual pelo PSD