Tribuna Livre
O que é isso, ministro? Mais imposto?

Há apenas 3 meses, cobramos publicamente o ministro da Fazenda sobre suas declarações de que pretendia aumentar impostos. Fomos ouvidos.

Nesta semana, ficamos indignados com o anúncio da alta de impostos sobre os combustíveis.

Ministro, aumentar imposto não vai resolver a crise; pelo contrário, irá agravá-la bem no momento em que a atividade econômica já dá sinais de retomada, com impactos positivos na arrecadação em junho.

Aumento de imposto recai sobre a sociedade, que já está sufocada, com 14 milhões de desempregados, falta de crédito e sem condições gerais de consumo.

Todos sabem que o caminho correto é cortar gastos, aumentar a eficiência e reduzir o desperdício.

De janeiro a maio deste ano, em comparação com o mesmo período de 2016, o governo cortou R$ 11 bilhões de investimento. Também cortou R$ 12 bilhões de outras despesas. Porém, este esforço foi por água abaixo devido ao aumento de R$ 12 bilhões em gastos com pessoal (11,8% acima da inflação) e ao aumento de R$ 15 bilhões em gastos com a Previdência.

A FIESP mantém sua coerência. Desde 2015 empreendemos forte campanha contra o aumento de impostos, que obteve amplo respaldo popular, com 1,2 milhão de assinaturas. Conseguimos evitar a recriação da CPMF e outras tentativas de aumento de impostos.

Mantemos nossas bandeiras e convicções, independentemente de governos. Somos contra o aumento de impostos porque acreditamos que isso é prejudicial para o conjunto da sociedade. Não cansaremos de repetir: Chega de Pagar o Pato. Diga não ao aumento de impostos! Ontem, hoje e sempre.

Paulo Skaf

Presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo – Fiesp e Ciesp

Joel, simplesmente um amigo.

A morte sempre surpreende. Mesmo aquela que era esperada (e essa não era). Mas vem para todos, indistintamente, sem atentar para a situação de fortuna, ou de posição social, ou de profissão, ou de outra qualidade qualquer.

Joel Albuquerque morreu.

Não. Não era uma pessoa comum. Aliás, daria até para dizer, sem receios dos exageros tão frequentes em situações como esta, que era um homem extraordinário. E tinha uma verdadeira coleção de amigos, cultivados ao longo de sua vida, que não conheceu ressentimentos, invejas ou ódios contra qualquer pessoa. O sorriso era uma constante como se um cirurgião plástico o houvesse plantado ali — propositadamente — como um adminículo de sua simpatia pessoal. Palavras como “mágoa”, “ressentimento”, “ódio”, ou “inveja”, se lhe dissessem qualquer delas, era possível que perguntasse o significado, eis que não existiam no seu vocabulário.

Músico de talento fértil para vários instrumentos — e creio que aprendidos de forma autodidata, nas esquinas da vida — mas era no violão que o seu virtuosismo se esparramava de forma mais abundante. Era fértil e fácil em qualquer gênero musical.

Jogador de futebol na juventude, com promissora carreira, teve truncada a sua aspiração quando uma fratura numa das pernas o tirou dos campos. Desculpem. Não tirou não. Apenas o afastou do profissionalismo, porque, mesmo com a perna quebrada e com articulações visivelmente desencontradas, ainda jogava com muito talento.

Advogado de formação, mas não de profissão. Percorreu por pouco tempo os caminhos do foro, mas voltou-se a outras atividades sem se deixar seduzir pelos encantos dessa profissão.

Joel era uma dessas presenças que nos fazem bem à alma e cuja amizade nos causa orgulho natural. Mas sua amizade não era só isso: era também como um porto de segurança, como uma estaca firme de certeza que, quando precisássemos dele, estaria ali, “rente e quente” como dizem os mineiros. E quando precisássemos de um amigo, Joel era o primeiro da fila. Suas amizades não eram seletivas, mas, ao contrário, eram variadas em gênero e espécie: os encontros efusivos eram tanto com um doutor, um magnata, um industrial, um magistrado, como também com um homem simples, da roça, um matuto qualquer, para quem abria o mesmo sorriso e mostrava a mesma alegria, com um abraço de onde vertia sinceridade.

Filho de família ilustre e tradicional, Campo Mourão já devia muito à Francisco Albuquerque, seu pai, que lutou pela emancipação política da cidade e que foi baluarte de muitas conquistas. Cidade que também devia muito à D. Anita, pessoa cativante e humilde que nos deixou há pouco tampo. Campo Mourão agora deve a Joel, numa dívida que jamais será resgatada.

Cumpriu a sua etapa. Terminou.

E seguiu a muitos que já foram, mas antecipou-se a tantos que ainda ficam. E sofri agora a tentação de escrever meia dúzia de nomes, mas cometeria a injustiça contra milhares de outros, para os quais precisaríamos de um longo livro para relacionar, e, mesmo assim, com certeza, ainda seríamos lacunosos e deixaríamos alguma injustiça.

Mas fica guardada em cada coração a lembrança que não terminará tão cedo. E, junto com ela, essa saudade corrosiva e triste que nos reserva o travo amargo da ausência.

Irajá Pereira Messias, advogado.

Dia das mães, avós, bisavós, filhas, irmãs, esposas, mulheres...

“Mãe, três letras apenas, mas com um sentido profundo. Céu, também só tem três letras, no entanto, é a redenção do mundo!”

Compartilho com o pensamento do Padre Zezinho-scj, à respeito da celebração do Dia das Mães, de que para homenageá-las, é difícil achar palavras novas…Quase impossível dizer mais do que já foi dito…E não faz sentido reprisar poemas.

Sobre as mães já se esgotaram todas as palavras bonitas. No entanto, entra ano e sai ano, em algum improvisado palco, em púlpitos, em salões do mundo, em emissoras de rádio e televisão, no dia das mães, alguém dirá, outra vez,a palavra mãe , mãe , mãe , mãe…como se diz Pai Nosso e Ave Maria, como se repetem rosários e ladainhas e mantras, As mães ouvirão, emocionadas ou serenas, o cantar, os beijos, as homenagens de filhos e marido, receberão, encantadas, os presentes, e, lá no fundo de seu coração materno, a maioria delas dirá que valeu a pena.

Mas só elas saberão o que significou a sublime renúncia de ser mãe.

O Dia das Mães também é uma data para reflexão, oração e saudade, para os filhos e filhas que têm a imagem, exemplos, lições e ternura dessa Mulher amável, meiga, terna, amiga e com singular bondade, não mais fisicamente, mas presente na cabeça e no coração, pois no Céu ela tem muito mais espaço para cobrir de bênçãos a cada um dos seus amados.

Para elas, Carlos Drummond de Andrade – o poeta maior – cantou no poema “Para Sempre” – Por que Deus permite que as mães vão-se embora? Mãe não tem limite, é tempo sem hora, luz que não apaga quando sopra o vento e chuva desaba, veludo escondido na pele enrugada, água pura, ar puro, puro pensamento. Morrer acontece com o que é breve e passa sem deixar vestígio. Mãe, na sua graça, é eternidade. Por que Deus se lembra – mistério profundo – de tirá-la um dia? Fosse eu Rei do Mundo, baixava uma lei: Mãe não morre nunca, mãe ficará sempre junto de seu filho e ele, velho embora, será pequenino feito grão de milho.

Agonizando na cruz do calvário, antes de entregar ao Pai celestial o seu espírito; Jesus – o Cristo, num gesto de preocupação com o futuro de Maria, a sua Mãe terrena, buscou força e inspiração para dizer a João, o discípulo amado: - Amigo, eis aí a tua mãe. - e voltando o olhar para a Mãe: - Mulher, eis aí o teu filho!

Mãe que é mãe se cansa, mas descansar, não descansa!

Cremos que há algo nas mulheres que lembra Deus! Sua ação é vida: tornou-se gente; caminha com a gente; sofre, chora, consola, perdoa, anima, renova e santifica. Amor-doação, dado de graça. Amor grande demais. Deus é Mãe!

Concluo com o evangelizador, Padre Zezinho, nos versos da canção – Desculpa, mãe! - DESCULPA-ME, DEPOIS DE TANTO TEMPO/ PORQUE TE MAGOEI AQUELA VEZ /DESCULPA-ME POR TANTOS CONTRATEMPOS/ QUE A MINHA REBELDIA TE CAUSOU/ DESCULPA, MINHA MÃE, POR NÃO TER DITO UM DEUS TE PAGUE/ DESCULPA, MINHA MÃE, POR NÃO SABER TE AGRADECER/ DESCULPA, PELAS FALTAS DE RESPEITO/ DESCULPA ESTE TEU FILHO QUE CRESCEU/
O TEMPO CAMINHOU DEPRESSA E APESAR DOS MEUS DEFEITOS/ ACABEI VIRANDO ALGUÉM. TEU / CORAÇÃO NÃO TINHA PRESSA/ SABIA QUE EU IRIA ME ENCONTRAR/ AGORA QUE EU ACHEI, PROCURO A MÃE QUE EU TIVE/ PARA DAR-LHE UM BEIJO AGRADECIDO/ E ATRASADO, MAS FELIZ/
DESCULPA-ME MAMÃE, PELA DEMORA IMENSA/ LEVA-SE UMA VIDA PARA ENTENDER O QUE É TER MÃE....

GILMAR CARDOSO, advogado, poeta, membro do Centro de Letras do Paraná, membro fundador da cadeira nº 1 da Academia Mourãoense de Letras