Tribuna Livre
Viva o Advento como um tempo de espera e esperança!

“Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento abaixo do céu: tempo de amar, tempo de odiar; tempo de guerra e tempo de paz.”

“O tempo do Advento, que hoje começamos de novo, restitui-nos o horizonte da esperança, uma esperança que não desilude porque está fundada na Palavra de Deus. Uma esperança que não decepciona, simplesmente porque o Senhor nunca desilude! Ele é fiel! Ele não desilude! Pensemos e sintamos esta beleza”, disse o Papa Francisco no Ângelus do primeiro domingo do Advento, em 2013.

O Advento, que antecede o Natal, é o momento em que os fiéis cristãos esperam a chegada do Salvador. É o tempo da esperança por criar em nós uma grande expectativa: esperar Jesus que virá. Começa no domingo mais próximo a festa de Santo André Apóstolo (30 de novembro), podendo ser adiantado até 27 de novembro ou ser atrasado até o dia 3 de dezembro.

É o início de um novo Ciclo Litúrgico; diferente do ano civil, a Igreja inicia seu ano novo a partir do 1º Domingo do Advento e termina na última semana do Tempo Comum, onde de celebra a solenidade de Cristo Rei. Dura quatro semanas.

O Advento é o tempo de preparação para celebrar o Natal e começa quatro domingos antes desta festa. Além disso marca o início do Novo Ano Litúrgico católico. Nas famílias, os preparativos para o Natal, a correria para a compra dos presentes, além dos diversos compromissos de fim de ano, podem fazer com que o verdadeiro sentido deste tempo seja esquecido. Por isso, é deve-se recordar que a principal preparação neste período deve ser interior, na espera da vinda de Jesus.

A liturgia do Advento caracteriza-se como período de preparação, como pode-se deduzir da própria palavra advento que origina-se do verbo latino advenire, que quer dizer chegar. Advento é tempo de espera d’Aquele que há de vir. Pelo Advento nos preparamos para celebrar o Senhor que veio, que vem e que virá.

O Advento está dividido em duas partes. As primeiras duas semanas servem para meditar sobre a vinda final do Senhor. As leituras da Missa convidam a viver a esperança na vinda do Senhor em todos os seus aspectos: sua vinda ao fim dos tempos, sua vinda agora, cada dia, e sua vinda há dois mil anos. As duas semanas seguintes servem para refletir concretamente sobre o nascimento de Jesus e sua irrupção na história do homem no Natal.

A fim de fazer sensível esta dupla preparação de espera, durante o Advento, a Liturgia suprime alguns elementos festivos. Na Missa, não é proclamado o hino do Glória.

Nos templos e casas se colocam as coroas de Advento, a cada domingo se acende uma vela. Do mesmo modo, os paramentos do sacerdote e as toalhas do altar são roxos, como símbolo de preparação e penitência.

O objetivo desses simbolismos é expressar de maneira tangível que, enquanto dura peregrinar do homem, falta-lhe algo para que seu gozo completo. Quando o Senhor se fizer presente no meio do seu povo, a Igreja terá chegado à sua festa completa, representada pela Solenidade do Natal.

No tempo do Advento, faz-se um apelo aos cristãos, a fim de que vivam de maneira mais profunda algumas práticas específicas, como: a vigilância na fé, na oração, na busca de reconhecer o Cristo que vem nos acontecimentos e nos irmãos; a conversão, procurando consertar os próprios caminhos e andar nos caminhos do Senhor, para seguir Jesus em direção Reino do Pai; o testemunho da alegria que Jesus traz, através de uma caridade paciente e carinhosa para com os outros; a pobreza interior, de um coração disponível para Deus, como Maria, José, João Batista, Zacarias, Isabel; a alegria, na feliz expectativa do Cristo que vem e na invencível certeza de que Ele não falhará.

O momento que antecede o Natal deverá ser para nós, cristãos, um tempo de preparação para vivermos a alegria prometida. A expectativa de relembrar um fato histórico, que se atualiza a cada dezembro, tornando-se uma motivação para uma tomada de decisão: viver o tempo do Advento como oportunidade para nos arrependermos dos nossos pecados e promover, por meio das nossas atitudes, sinais que caracterizam o tempo de amar, de ser fraterno e viver a cultura da paz.

O tempo do Advento é tempo do Espírito Santo. O Espírito Santo é o verdadeiro, porém escondido, Precursor de Cristo em sua primeira vinda, e é Ele agora o Precursor da segunda vinda do Senhor: falou por meio dos profetas, inspirou os textos messiânicos, antecipou a alegria da vinda de Cristo em protagonistas como Zacarias, Isabel, João, Maria.

Para nós a alegria que nos invadirá com a celebração do Nascimento de Jesus começa sendo gestada nestas quatro semanas de expectativa pela vinda do Salvador. Quando nos aproximarmos da manjedoura de Belém nossa alegria será maior se soubermos nos preparar para ela, com o tempo da espera e da vigilância que caracterizam o Advento.

Vivendo o Advento, portanto, já estamos celebrando o Natal. E celebrando o Natal, estaremos de fato vivendo o feliz Advento do Senhor.

A todos um abençoado Advento do Senhor!

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Gilmar Cardoso, advogado, poeta, membro do Centro de Letras do Paraná e da Academia Mourãoense de Letras – AML.