Campo Mourão já supera em 31,9% a média de chuva para outubro; região sofre estragos

O município de Campo Mourão registrou 258,6 milímetros de chuva do dia 1º de outubro até as 21 horas dessa quarta-feira (14). O volume é 31,9% superior à média histórica de 196,1 milímetros para o mês inteiro. Enquanto as precipitações seguem elevando o acumulado, municípios da Comunidade dos Municípios da Região de Campo Mourão (Comcam) registram prejuízos, principalmente na zona rural, com estradas danificadas, bueiros destruídos e perdas em lavouras.

Os números referentes ao volume de chuvas foram levantados pela TRIBUNA junto à base de dados e levantamentos do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). Até terça-feira (13), Campo Mourão acumulava 219,8 milímetros. Outros 38,8 milímetros registrados entre a meia-noite e as 21 horas de quarta elevaram o total para 62,5 milímetros acima da média mensal.

Conforme os números, mesmo antes da metade do mês, o acumulado de Campo Mourão já ultrapassou os totais registrados em outubro de 2020, quando choveu 228,4 milímetros; de 2022, com 256 milímetros; e de 2025, com 232 milímetros.

Entre os registros históricos levantados pela TRIBUNA para a última década, os destaques foram outubro de 2017, com 396 milímetros; de 2021, com 383 milímetros; e de 2016, com 326,9 milímetros. Os números correspondem aos meses completos, enquanto o acumulado de 2026 abrange apenas os primeiros 14 dias. Ou seja, considerando que há previsão de mais chuvas significativas para os próximos dias, a expectativa é que outubro deste mês possa ser o mais chuvoso dos últimos 10 anos.

Estragos na região

O volume excessivo de chuvas tem causado estragos nos municípios. Em Engenheiro Beltrão, as chuvas deixaram trechos de estradas rurais intransitáveis e afetaram pelo menos 15 pontos de vias. O município registrou 105 milímetros entre sexta-feira (9) e a manhã de terça-feira (13). As equipes municipais trabalham na limpeza e no desentupimento de bueiros, especialmente onde a enxurrada passou sobre as vias.

A continuidade da chuva limita a recuperação. Segundo o secretário municipal de Obras e Urbanismo, Wando Batista, são necessários pelo menos quatro dias consecutivos de sol para que as máquinas possam trabalhar em condições adequadas. Por enquanto, os serviços são emergenciais, para manter condições mínimas de passagem. Há registros de danos também em outros municípios. Em Roncador, a chuva destruiu estradas e bueiros. Também ocorreram deslizamentos na PRC-487, no trecho entre Luiziana e Nova Tebas.

Em Nova Cantu, o prefeito Airton Agnolin relatou danos em bueiros e estradas. Ele já espera ajuda do Governo Estadual na recuperação dos danos. Em Campina da Lagoa, o prefeito Padre Gianny disse estar preocupado com a elevação dos rios: se a chuva persistir e o nível da água continuar subindo, pontes poderão ser arrastadas, segundo ele.

Já em Araruna, produtores rurais relatam prejuízos severos nas lavouras de mandioca. A cultura abastece a indústria de farinha, atividade tradicional do município. A preocupação aumenta com a previsão de mais chuvas para os próximos dias.

Conforme o Simepar, a persistência das instabilidades está ligada à combinação de uma extensa área de baixa pressão com alterações na circulação dos ventos em diferentes altitudes e um fluxo de calor e umidade que favorece a formação de nuvens de tempestade.

O meteorologista Leonardo Furlan, do Simepar, explica que o transporte de calor e umidade funciona como combustível para os sistemas de chuva que atuam sobre o Paraná. No boletim desta quinta-feira (15), o instituto informou que novas instabilidades avançavam do Paraguai e de Mato Grosso do Sul em direção ao Estado.

A tendência, informa o Simepar, é de redução gradual das chuvas entre esta quinta-feira (15) e sexta-feira (16), com a entrada de uma massa de ar mais fria e seca após o deslocamento de um sistema frontal pelo oceano. Ainda assim, permanece a possibilidade de pancadas isoladas e trovoadas em algumas regiões.