Cão é escalpelado vivo e caso mobiliza PAIS e MP em Campo Mourão
Um caso de extrema crueldade contra um cão de pequeno porte idoso, registrado no domingo (11), no Jardim Alvorada, em Campo Mourão, está sendo investigado pelo Ministério Público (MP) com apoio da Associação dos Protetores de Animais Independentes (PAIS). O animal foi encontrado gravemente ferido, chegou a ser resgatado com vida, mas não resistiu e morreu na manhã de segunda-feira (13). Para se ter ideia da tamanha maldade, ele estava sem a pele, com a carne exposta em toda a parte do dorso do peito para trás. Aparentemente foi escalpelado. Uma cena chocante.
O resgate foi feito pela voluntária da PAIS, Amanda Tonet, após receber uma fotografia do cão caído em uma calçada, nas proximidades de um mercado, na Avenida das Torres. “Quando recebi a imagem, achei que ele já estivesse morto. Fui imediatamente ao local e percebi que ainda estava vivo”, relatou Amanda.
Segundo a voluntária, o resgate ocorreu no fim da tarde, por volta das 17 horas. O cão foi levado imediatamente para atendimento veterinário. No local onde o bicho foi encontrado, surgiram versões divergentes sobre o que teria ocorrido. Há relatos de moradores de que o animal teria sido atropelado, inclusive com o veículo passando mais de uma vez sobre seu corpo. Outras testemunhas apontam a possibilidade de que o cão tenha sido atacado com objeto cortante, provocando as lesões com exposição da carne.
“Não temos como afirmar exatamente o que foi feito. O que sabemos é que ele foi encontrado em condições extremamente graves, na calçada em frente a uma casa. Vizinhos chegaram a relatar o suposto autor, mas não sabemos quem realmente foi”, explicou Amanda. Ela também informou que foram solicitadas imagens de câmeras de segurança de um imóvel próximo, mas o pedido foi negado em um primeiro momento.
Amanda informou que o caso já chegou ao Ministério Público, que entrou em contato com ela solicitando informações adicionais. Novas tentativas de acesso às imagens estão sendo feitas para esclarecer os fatos. “Estamos investigando, porque não dá para afirmar com certeza quem fez isso ou exatamente como aconteceu. Pode até não ter sido a pessoa indicada por moradores, mas alguém fez essa atrocidade”, lamentou.
Lei
Foi aprovada em 2019 pela Câmara de Campo Mourão a Lei Municipal nº 22/2019, de autoria do Executivo, que estabelece penalidades administrativas para quem praticar ato de abuso, maus-tratos, abandonar, ferir ou mutilar animais, a qual impõe multas pesadas aos infratores que ultrapassam R$ 2 mil reais.
Além disso, existe a Lei Sansão (Lei nº 14.064/2020), que aumentou as punições para maus-tratos, prevendo reclusão de 2 a 5 anos, multa e proibição de guarda. Crimes contra outros animais (silvestres, domésticos) também têm penas de detenção (3 meses a 1 ano) e multa, com agravante de 1/6 a 1/3 da pena se houver morte do animal. Mas nem mesmo essas medidas têm impedido este tipo de conduta na cidade. A fiscalização da lei municipal está a cargo da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
Nos últimos meses, as Polícias Civil e Militar, com apoio da PAIS, têm realizado diversas ações, resultando na apreensão de animais vítimas de maus-tratos em Campo Mourão. “Os maus-tratos não estão limitados apenas a cães, mas sim a qualquer outro tipo de animal, como gatos, pássaros, entre outros”, lembrou Amanda.
Serviço
Amanda reforçou o pedido de apoio da comunidade com denúncias à Polícia Militar pelo 190, Secretaria de Meio Ambiente, no telefone 3525-4449, ou à própria PAIS (44) 99937-7075 no caso de flagrantes de maus-tratos a animais para que os responsáveis sejam punidos.

