Carneiro no Buraco teve origem em 1962, lembra historiador Jair Elias
Você sabia que o Carneiro no Buraco, prato típico de Campo Mourão, já tem 63 anos de existência? É o que informa o historiador de Campo Mourão, Jair Elias. Consultado pela TRIBUNA, Jair Elias informou que o prato típico, conhecido como Carneiro no Buraco, teve origem em 1962, fruto de experiências culinárias realizadas por quatro moradores da cidade: Ênio Camargo Queiroz, Joaquim Teodoro de Oliveira e Saul Ferreira Caldas tiveram a ideia após assistirem a um filme de faroeste, no qual observaram que os personagens cozinhavam alimentos dentro de buracos no chão. “Eles costumavam se reunir ocasionalmente com amigos e familiares para momentos de confraternização — ocasiões em que surgiu a ideia da nova receita”, informou Jair Elias.
O historiador disse que cada um deles teve um papel importante no processo de criação. “Inspirado pelo filme americano, Ênio Camargo Queiroz sugeriu preparar carne de carneiro de forma diferente. Joaquim Teodoro de Oliveira e Saul Caldas contribuíram oferecendo os carneiros para os testes, enquanto Adelaide Teodoro de Oliveira, ao lado de Ênio, experimentou diversas combinações de temperos e modos de preparo, com base na inspiração cinematográfica”, informou.

Assim nasceu o prato: uma refeição à base de carne ovina, cozida com legumes e condimentos dentro de um tacho com tampa, enterrado em um buraco no chão com lenha seca, simulando um forno subterrâneo. O prato é tradicionalmente servido com arroz, almeirão e pirão — este último feito com o caldo da própria carne misturado com farinha de mandioca.
Jair Elias informou que, após diversas tentativas com diferentes combinações de legumes e temperos, o prato foi sendo aperfeiçoado, graças à dedicação de Adelaide Teodoro de Oliveira, que se destacou no aprimoramento da receita. “O resultado foi um prato saboroso e original, que começou a ser servido em reuniões familiares e confraternizações na cidade”, comentou.

O historiador disse que, na década de 1970, o Carneiro no Buraco já era presença garantida em eventos locais. Nos anos 1980, o prato ganhou novo impulso com Tony Nishimura, que recebeu a receita diretamente de Adelaide e passou a ser reconhecido como o mestre cuca da iguaria, contribuindo com novas técnicas e aprimoramentos no preparo. Em 1985, iniciaram-se os primeiros estudos e articulações para transformar o prato em um evento oficial. A ideia era criar uma festa que celebrasse a iguaria típica e fortalecesse sua identidade mourãoense.
Jair Elias recordou que foi em 1991 que a proposta da Festa do Carneiro no Buraco se concretizou: o Aero Clube de Campo Mourão abraçou a ideia da criação da festa. “No mesmo ano, em reunião realizada no dia 14 de maio pela tradicional Boca Maldita de Campo Mourão, a proposta foi novamente apoiada com entusiasmo. Preocupados com a possibilidade de o prato ser apropriado por outros municípios, os membros do grupo articularam, junto às autoridades locais, a realização da primeira Festa Nacional do Carneiro no Buraco, em julho de 1991.”

Com o crescimento do evento, a responsabilidade pela preparação do prato passou a ser assumida por um grupo organizado: a Associação Panela, que há muitos anos cuida da chamada Cozinha Única da festa. À frente da equipe está Walter Tonelli, conhecido popularmente como “Peteleco”, figura central na condução da cozinha e símbolo da dedicação e tradição envolvidas na preparação do Carneiro no Buraco.
“Reconhecida como patrimônio imaterial de Campo Mourão, a Festa Nacional do Carneiro no Buraco tornou-se uma das maiores expressões da cultura gastronômica regional, promovendo a integração da comunidade, o turismo e a valorização das tradições locais”, lembrou Jair Elias.


