Casa de Passagem Indígena de Campo Mourão passará por revitalização
A antiga Casa da Música, hoje Casa de Passagem Indígena em Campo Mourão, receberá obras de revitalização para oferecer mais conforto aos indígenas que passam pelo local. Em breve, também grupos de crianças poderão conhecer o espaço.
A professora da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus de Campo Mourão, Gisele Ramos Onofre, uma das idealizadoras do projeto, explicou que a ação foi idealizada pelo então prefeito Tauillo Tezelli e agora está sendo continuada pelo prefeito Douglas Fabrício, em parceria com a Itaipu, a Unespar e diversas entidades locais, como Rota da Fé, Caminhos de Peabiru, Caminhos de Compostela e Cavalgada de São José. “Nosso objetivo é proporcionar mais dignidade, qualidade de vida e renda para os indígenas que vendem seu artesanato desde o início da ocupação da nossa região”, falou a professora.
Segundo Gisele, o projeto de revitalização já conta com a aprovação da Itaipu, que destinou R$ 300 mil para reestruturar a Casa de Passagem. Entre as melhorias previstas estão novas janelas, piso, cobertura e fogões a lenha com chaminés, garantindo mais segurança e conforto. O espaço também servirá para que os indígenas comercializem artesanato e lembranças para turistas que visitam a cidade.

“Além disso, temos planos para a construção de um espaço cultural e de um museu no terreno ao lado”, falou a professora. A ideia, segundo ela, é criar um ponto de encontro cultural para mostrar a arte indígena, tanto para visitantes quanto para estudantes de diferentes universidades, como Unespar, Integrado e UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná). Gisele explicou que também estão previstas atividades para escolas de ensino fundamental e médio, como oficinas de arte indígena, galerias de arte e cursos que incentivem o aperfeiçoamento dos próprios indígenas.
A Casa de Passagem Indígena tem capacidade para receber até 25 famílias por vez, com permanência máxima de 25 dias. Atualmente, apenas a comunidade de Manoel Ribas está alojada no local. Ainda conforme informações, cerca de 2 mil indígenas já passaram pela casa desde o seu funcionamento. Os demais seguem para outras casas de passagem no Paraná. “Esse projeto é uma iniciativa do Governo do Estado, apoiada pelos municípios, garantindo dignidade e oportunidades para os indígenas”, ressaltou.
Gisele disse também que o projeto contribui para o aumento da renda dessas famílias, fortalecendo sua presença cultural e espiritual. “A maioria dos indígenas é cristã, e ter um espaço estruturado permite que eles trabalhem com dignidade, oferecendo suas peças não apenas para moradores, mas também para turistas, compartilhando um pouco de sua cultura e abençoando lares com seu artesanato”, enfatizou.

‘Brincar é Viver’
A bolsista Neusa Caetano da Silva, que cursa o terceiro ano de Pedagogia na Unespar, é uma das voluntárias do projeto. Ela disse que foi “muito gratificante” receber o convite para participar da ação. “O projeto é de extensão universitária, em que podemos colocar em prática a teoria aprendida no curso”, frisou.
Atualmente, Neusa atua com contação de histórias e oficinas para crianças indígenas, por meio do projeto ‘Brincar é Viver’. “Nosso objetivo é proporcionar aprendizado, diversão e respeito à cultura deles. É muito gratificante. Eles são muito participativos nas atividades propostas”, descreveu, ao comentar que as atividades são trabalhadas utilizando a linguagem deles (Kaingang) com tradução para que eles sintam-se à vontade.
Neusa informou que o número de crianças atendidas varia de 10 a 25 por visita, dependendo do grupo presente na Casa de Passagem. “Isso mostra a importância e o impacto desse espaço na vida das novas gerações indígenas”, ressaltou.
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