Chuva contribui para recuperação de lavouras do milho safrinha impactadas pela estiagem

Os quatro dias de chuvas que atingiram a região – precipitações volumosas foram registradas de segunda a quinta-feira – devem auxiliar na recuperação das lavouras de milho, impactadas pela estiagem que perdurava em toda a região da Comcam e no Estado como um todo. A avaliação é do analista do Departamento de Economia Rural (Deral-PR), Edmar Wardensk Gervásio, no boletim conjuntural semanal.

Para se ter ideia, em Campo Mourão foram registrados, de segunda a quinta, em torno de 125 milímetros de chuva, conforme o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). Conforme Gervásio, as condições das lavouras permaneceram estáveis, se comparadas à semana anterior.

Na Comcam, dos 371.199 mil hectares com milho 2ª safra, 80% apresentam boas condições de desenvolvimento, 17% condição mediana, e 3% condição ruim no campo. De acordo com os dados divulgados, até terça-feira, 72% das culturas estavam em estado de frutificação, 20% floração, e 8% já em maturação.

Em nível de Paraná, dos mais de 2,4 milhões de hectares plantados, 84% apresentam condição boa, 14% mediana e 2% ruim no campo. O analista comentou que os preços do cereal mantêm a tendência de queda. Nesta sexta-feira (16), na praça de Campo Mourão, o preço recebido pelo produtor pela saca de 60 kg está em R$ 47,00, queda superior a 40% quando comparado ao fechamento de maio de 2022.

Comercialização da soja

Em relação à soja, a comercialização da safra 2022/23 segue lenta. Na média das últimas safras a comercialização chegava a superar 70% da produção conforme o Deral, no último relatório no final de maio esse percentual era de 43% e ‘não deve ter evoluído muito nos últimos 15 dias’. A queda nos preços da oleaginosa faz com que o produtor que tem possibilidade de armazenagem acabe segurando mais o produto.

O preço recebido pelo produtor de soja pela saca de 60 quilos é em torno de R$119,00, queda de aproximadamente 32% quando comparado a junho de 2022, onde a cotação atingia R$176,00. Uma maior oferta do produto no mercado doméstico, cotações em queda no mercado internacional, valorização do Real frente ao Dólar são alguns fatores que pressionam o preço da soja atualmente.

Trigo

O boletim conjuntural traz informações também sobre o trigo. Conforme o Deral, pesquisa semestral do IBGE sobre a quantidade de trigo estocada, divulgada recentemente, revelou um recorde no volume armazenado em 31 de dezembro de 2022 no Brasil, atingindo 7,42 milhões de toneladas. Esse valor representa um aumento de 16% em relação ao mesmo período de 2021 (6,42 milhões de toneladas).

No final do segundo semestre a safra brasileira se acumula, sendo os volumes estocados neste período sempre superiores aos levantados ao final do primeiro semestre. “Porém, se considerarmos apenas os valores registrados no último dia do ano, podemos observar um crescimento contínuo desde 2019, acumulando boas safras e importações relevantes”, observou o engenheiro agrônomo Carlos Hugo Godinho.

Conforme informou, essas 7,42 milhões de toneladas armazenadas seriam suficientes para atender o consumo dos moinhos brasileiros até meados de agosto deste ano. “Esse fato explica parcialmente a queda nos preços do trigo em território nacional neste primeiro semestre de 2023, assim como a redução nas importações”, observou.

De acordo com o agrônomo, especificamente no Paraná estavam armazenadas 2,30 milhões de toneladas, maior valor desde 2014, enquanto no Rio Grande do Sul o volume chegou a 3,89 milhões, recorde local. “Uma das causas do acúmulo mais intenso pelos gaúchos é que estes têm buscado o exterior para comprar a produção do seu cereal, com os embarques se intensificando apenas após a virada do ano. O Paraná, por sua vez, tornou-se o maior parque moageiro do Brasil em meados dos anos 2010, aumentando o consumo imediato de trigo; soma-se a isso o uso do produto paranaense pelos paulistas, que são o segundo maior estado produtor de farinha”, explicou.