Chuvas trazem alívio ao campo e beneficiam lavouras de verão na Comcam
As chuvas registradas durante essa quinta-feira (29) e a madrugada desta sexta-feira (20) trouxeram alívio ao campo e contribuíram para a recuperação das lavouras de verão na região de Campo Mourão. Embora a soja seja a cultura predominante, áreas cultivadas com milho também foram beneficiadas, especialmente aquelas que vinham sofrendo com o estresse hídrico provocado pelas altas temperaturas e a irregularidade das precipitações.
Na área de abrangência do núcleo regional do Deral de Campo Mourão, são 704,68 mil hectares de soja cultivados. A estimativa de produção é de aproximadamente 2,54 milhões de toneladas, com produtividade média variando entre 3.400 e 3.800 quilos por hectare, conforme dados técnicos do órgão. Porém, conforme as projeções, este número deve aumentar. Já a área com milho é de 13.845 hectares. O plantio está em andamento. Atingiu 4% da área e avança conforme o andamento da colheita da soja.
De acordo com o boletim semanal divulgado pelo Deral, até a última segunda-feira, a colheita de soja na região da Comcam havia alcançado 17% da área total, o equivalente a 119.795 hectares, com produção obtida de 437.251 toneladas e produtividade média de 3.650 quilos por hectare.
O levantamento aponta que 44% das lavouras ainda se encontram no estágio de frutificação, considerado o mais crítico da cultura por ser altamente suscetível à falta de água. Outros 53% já estão na fase de maturação, enquanto 3% permanecem em floração. Quanto às condições de desenvolvimento das lavouras, os números são considerados positivos: 96% das áreas são avaliadas como boas, 2% médias e apenas 2% em situação ruim.
Segundo o agente técnico do Deral, Paulo Borges, a chuva registrada até quinta-feira (29), com acumulado entre 45 a 50 milímetros, foi decisiva para a recuperação das áreas mais sensíveis. “Muitas lavouras, principalmente as que estavam em fase de frutificação, já vinham sofrendo com a seca. Essa chuva veio melhorar a situação”, explicou.
Borges ressalta que, apesar de a precipitação ter paralisado temporariamente os trabalhos de colheita, a chuva chegou em boa hora no campo. “Para quem estava colhendo, houve interrupção, mas o benefício agronômico supera isso”, avaliou. A previsão de mais 40 milímetros de chuva para a terça-feira da próxima semana, segundo ele, deve proporcionar alívio ainda maior às lavouras.
As áreas mais afetadas pela estiagem, conforme o técnico, são aquelas implantadas sobre solos de arenito, onde naturalmente a produtividade já é menor e a dependência de chuvas regulares é maior. “Essas regiões vinham sentindo muito mais a falta de água, inclusive com a produtividade já afetada”, destacou.
Na prática, o impacto das chuvas é sentido diretamente pelo produtor. Em Farol, o agricultor Ivar Tonete cultiva 270 alqueires de soja nesta safra. Ele disse à TRIBUNA que o calor excessivo vinha comprometendo o desenvolvimento das plantas. “Estava escaldante. A chuva amenizou. Gerou um alívio total. ‘Salvou a pátria’”, afirmou.
Na propriedade de Tonete, cerca de 80% das lavouras estão em maturação e 20% ainda em frutificação. O produtor lembra que o maior prejuízo da safra ocorreu em novembro do ano passado, quando uma forte chuva de granizo destruiu parte da área cultivada, obrigando o replantio de aproximadamente 35 alqueires.
“Foi um grande prejuízo. Justamente essa área replantada era a que mais vinha sofrendo com a falta de chuva e as altas temperaturas”, relatou. Segundo ele, o volume de chuva registrado em sua propriedade chegou a 72 milímetros. “Foi decisivo para a recuperação das plantas”, complementou.
Apesar das adversidades climáticas, a expectativa de produção é positiva. Tonete projeta 160 sacas por alqueire. O que preocupa, segundo ele, é a queda nos preços da soja. Atualmente, a saca de 60 quilos está cotada em média a R$ 111,00 na praça de Campo Mourão. No mesmo período do ano passado, o valor era de R$ 117,00, o que representa uma desvalorização de 5,13%.
“Mas não podemos deixar a peteca cair”, afirmou o produtor, ao informar que os trabalhos de colheita devem começar em aproximadamente uma semana em sua propriedade. “Agora é pedir a Deus e torcer para que o clima ajude no restante da safra, para que tudo ocorra da melhor maneira possível”, concluiu.

