Com início da colheita, soja avança em boas condições na Comcam, aponta Deral

O mais recente Boletim Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (15) pela Divisão de Conjuntura Agropecuária do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, aponta a evolução positiva das lavouras de soja na região da Comcam, apesar do início ainda tímido da colheita.

Na área de abrangência da Comcam, 95% das lavouras de soja são avaliadas como em boas condições, percentual superior ao registrado na semana anterior, quando o índice era de 93%. A área considerada em bom estado soma 662.752 hectares. No núcleo regional de Campo Mourão, o total cultivado chega a 704.680 hectares.

De acordo com o boletim, 3% das lavouras (20.929 hectares) estão classificadas como em condição média, enquanto 2% (13.953 hectares) são avaliadas como ruins. A estimativa de produção para a região é de aproximadamente 2.536.848 toneladas.

A colheita teve início nesta semana, mas ainda alcança apenas 1% da área total. Os primeiros trabalhos estão concentrados principalmente em municípios onde a safra foi implementada mais cedo, como Ubiratã e Campina da Lagoa, por exemplo.

O levantamento também detalha o estágio de desenvolvimento das lavouras: 9% estão em floração, 73% em frutificação e 18% em maturação. O agente técnico do Deral em Campo Mourão, Paulo Borges, explica que o cenário atual é reflexo das condições climáticas favoráveis. “O início da colheita ainda é bastante pontual, mas o desenvolvimento das lavouras em campo segue melhorando. O regime de chuvas bem distribuídas, aliado à boa luminosidade, tem favorecido a cultura neste momento”, explicou.

Em nível estadual, o boletim do Deral também aponta melhora gradual nas condições das lavouras. As áreas consideradas em boas condições passaram de 89% para 90% do total semeado no Paraná. Embora a variação seja discreta, segundo o engenheiro agrônomo do Deral, Carlos Hugo Winckler Godinho, o cenário reforça a expectativa de uma produção em torno de 22 milhões de toneladas na safra atual.

Conforme Godinho, as condições observadas até o momento são superiores às registradas nas últimas oito safras, incluindo o ciclo recorde de 2022/2023, quando o Estado colheu 22,3 milhões de toneladas de soja.

“A colheita no Paraná ainda é tímida, concentrada principalmente na região Oeste, e representa apenas 0,3% da área total cultivada, estimada em 5,78 milhões de hectares”, informou o agrônomo. Apesar dos bons indicativos iniciais de produtividade, o Deral alerta que a maior parte das lavouras ainda atravessará fases críticas de consolidação da produção. Atualmente, apenas 12% estão em maturação, enquanto 88% seguem em estágios anteriores.

Godinho observou que, se o cenário produtivo é considerado positivo, o mesmo não ocorre no mercado. Segundo ele, os preços da soja no Paraná permanecem pressionados, com a saca de 60 quilos oscilando entre R$ 115,00 e R$ 120,00 desde janeiro de 2025. “O comportamento reflete a estabilidade das cotações internacionais e a valorização do real frente ao dólar ao longo do último ano”, explicou.

De acordo com o Deral, em janeiro de 2025, o preço médio recebido pelo produtor foi de R$ 119,18 por saca. Já na primeira semana de 2026, a média caiu para R$ 118,16, recuo de cerca de 1%.