Comerciante que morou em Taiwan na epidemia de SARS diz que não gostaria de estar no lugar do prefeito

“Tenho dó do prefeito. Ele está numa encruzilhada e no lugar dele eu não saberia o que fazer”. A frase foi dita pelo comerciante mourãoense, Edson Guimarães de Carvalho, sobre a pressão na cidade para reabertura do comércio. Edinho, como é mais conhecido, comercializa lanches em Campo Mourão há 15 anos, mas entre 2002 e 2004 morou em Taiwan (uma ilha que pertence à China). Na época ele era seminarista católico. 

Quando morou em Taiwan, a China enfrentou uma epidemia também causada por coronavírus chamada de SARS (sigla em inglês para Síndrome Respiratória Aguda Grave). Embora tenha sido rapidamente contida, a doença causou quase 800 mortes no país e também se espalhou para outros países. No Brasil foi denominada pneumonia asiática.

“Na época estávamos lá em mais de 20 seminaristas e talvez o pânico tenha sido muito pior do que estamos vendo hoje. Chegou ao ponto que também foram suspensas as missas e só podia sair de máscara. Vimos muita gente morrer. Taiwan é uma cidade turística, atividade que caiu cerca de 60 por cento, porque ninguém queria ir pra lá”, relata Edinho. O isolamento social, segundo ele, foi a forma como as autoridades também enfrentaram o problema.

Mesmo afetado pelo decreto que restringe atividades comerciais como a dele, Edinho defende as ações do poder público.  “Como comerciante eu deveria dizer que o comércio tem que reabrir. Mas como pessoa física que viveu essa experiência há 15 anos, essa quarentena está evitando de ter muito mais casos. Se fosse eu o prefeito, sinceramente, não saberia como conciliar saúde e economia”, pondera.