Conflito no Oriente Médio pressiona preços dos combustíveis em Campo Mourão

A escalada do conflito no Oriente Médio já começa a refletir no mercado de combustíveis em Campo Mourão. Nas últimas horas, consumidores e produtores rurais intensificaram a procura por diesel e gasolina, temendo novos aumentos e possível falta do produto. Em alguns postos da cidade, o movimento foi considerado acima do normal, conforme apurado pela reportagem da TRIBUNA.

O Procon de Campo Mourão passou a monitorar a situação após receber questionamentos de consumidores sobre o aumento dos preços. Para se ter ideia, tem posto na cidade comercializando o litro da gasolina a R$ 6,40 e óleo diesel até R$ 8,30. As perspectivas são de que os preços aumentarão ainda mais nos próximos dias. Segundo o diretor do órgão, Edilson Moreira Cordeiro, equipes estiveram em campo para verificar as notas fiscais e acompanhar os valores praticados pelas distribuidoras e pelos postos. “Nós estivemos nos postos levantando notas fiscais dos últimos 15 dias para entender se esses aumentos que estão acontecendo têm justificativa”, explicou.

De acordo com o levantamento inicial, os postos têm adquirido o litro do diesel entre R$ 7,07 e R$ 7,30 junto às distribuidoras. Considerando custos como transporte e despesas operacionais, o valor final ao consumidor pode chegar a aproximadamente R$ 8,10 por litro, dependendo do estabelecimento. “Temos nota fiscal de posto que pagou R$ 7,24 no litro do diesel. Somando o frete e demais custos, o valor final acaba chegando próximo de R$ 8,10 para a venda ao consumidor. Neste caso justifica”, afirmou Cordeiro.

A instabilidade internacional é apontada como um dos fatores que pressionam o mercado. Segundo o diretor do Procon, a guerra no Oriente Médio tem impacto direto na cadeia global de combustíveis, afetando a produção e a distribuição. “Infelizmente essa guerra no Oriente Médio acaba nos atingindo aqui também, porque interfere na produção e no funcionamento de refinarias”, disse.

Diante do cenário, o Procon prepara notificação às distribuidoras para que apresentem explicações sobre os valores repassados aos postos de combustíveis. “Nós estamos montando, em conjunto com os Procons do Brasil, uma notificação para as distribuidoras para entender qual é o custo que elas estão repassando aos postos e se há justificativa para esses aumentos”, destacou.

Segundo Cordeiro, embora a relação comercial direta exista entre distribuidoras e postos, o objetivo é garantir transparência ao consumidor final. “Quem acaba pagando essa conta é o consumidor. Por isso estamos buscando esclarecimentos junto às distribuidoras e também com outros Procons do Paraná e do Brasil”, ressaltou.

Apesar da corrida aos postos, o Procon informou que não há registro de desabastecimento no município até o momento. Os estabelecimentos fiscalizados apresentaram notas fiscais recentes e confirmaram que o fornecimento segue normal. “Nos postos que visitamos havia combustível disponível. Alguns compram diariamente, outros semanalmente, mas todos apresentaram as notas fiscais normalmente”, explicou.

Mesmo assim, a procura elevada tem causado preocupação entre comerciantes e consumidores. A possibilidade de aumento nos preços tem levado algumas pessoas a tentar estocar combustível em casa, prática considerada perigosa. “Algumas pessoas acabam querendo armazenar combustível em casa, muitas vezes de forma inadequada. Isso é perigoso e também aumenta ainda mais a procura nos postos”, alertou o diretor.

O aumento da demanda também está ligado ao momento do setor agrícola. Produtores rurais estão em período de colheita e plantio da segunda safra do milho, o que eleva o consumo de diesel. Em um dos estabelecimentos mais tradicionais da cidade, o Posto Andrade, o estoque de óleo diesel chegou a se esgotar na manhã desta quarta-feira (11), reflexo da procura intensa nas últimas horas.

De acordo com informações, muitos produtores anteciparam a compra do combustível com receio de falta nas próximas semanas. “Enquanto o cenário internacional permanece incerto, seguiremos monitorando os preços e a oferta de combustíveis no município”, disse Cordeiro. Ele acrescentou que, caso sejam identificadas irregularidades ou aumentos sem justificativa, medidas administrativas poderão ser adotadas.