De pai para filho: Jovem transforma paixão por pipas em arte e tradição

Uma tradição que atravessa gerações e ganha novos formatos. Em Campo Mourão, o jovem operador de máquinas, William Rezende Oliveira, de 24 anos, vem chamando a atenção ao produzir pipas artesanais, incluindo uma réplica inspirada no avião 14 Bis, maior peça já fabricada por ele. A réplica mede cerca de dois metros e foi construída de forma totalmente artesanal, peça por peça, ao longo de uma semana.

O trabalho, no entanto, não começou agora. William conta que a relação com as pipas teve início ainda na infância. “Eu comecei a fabricar desde os 11, 12 anos. Fazia pipas para vender. Quando morava em São Paulo, vendia bastante. Depois vim para Campo Mourão e continuei no meu tempo livre”, relata.

William mostra orgulhoso suas produções. Há pipas para todos os gostos

A origem da paixão está dentro de casa. O hábito de soltar pipa foi herdado do pai, Altair Rezende, que desde cedo incentivou o filho. “Foi meu pai. Ele soltava pipa e me levava junto. Aí comecei a gostar também”, diz William.

Altair confirma a influência. Segundo ele, a prática já fazia parte de sua própria história, mesmo com dificuldades na infância. “Eu sempre gostei de pipa, mas meu pai não deixava. Eu escondia para soltar. Depois, quando ele nasceu, viu a gente fazendo e seguiu a tradição”, conta. Hoje, pai e filho mantêm a atividade juntos.

A réplica do 14 Bis, que viralizou entre moradores da cidade, surgiu a partir de uma imagem vista na internet. Sem medidas oficiais, William desenvolveu o projeto com base em observação e adaptação. “Eu vi uma imagem de um rapaz que fez em São Paulo e decidi fazer também. Como não tem as medidas, fiz com as minhas próprias”, explica. Apesar da repercussão, a peça ainda não foi testada em voo. “Terminei faz pouco tempo. Ainda não soltei, mas estou querendo testar”, afirma.

A maior pipa já construída por William é uma réplica inspirada no avião 14 Bis. Mede cerca de dois metros

Além das peças diferenciadas, William produz pipas tradicionais e sob encomenda. Ele afirma que atende diferentes preferências de clientes. “Tenho pipas pequenas, médias, grandes. Faço do jeito que a pessoa quiser. Se quiser comprar, é só vir”, diz. Em relação aos preços das peças, William preferiu não informar.

O processo de produção acontece na casa de Willian, localizada na Rua João Francisco Rocha, 1620, no Residencial Arnaldo Walter Bronzel, onde também são realizadas as vendas. Mesmo com o potencial comercial, o jovem admite que mantém uma relação afetiva com o que produz. “Esse 14 Bis é um xodó. Mas se quiserem comprar, eu vendo”, afirma. O pai destaca que, em muitos casos, o apego às peças dificulta a venda. “Ele gosta mais de fazer do que vender. Se depender dele, não vende”, comenta Altair.

Tradição e responsabilidade

A prática de soltar pipa, embora popular, ainda enfrenta preconceitos. Para Altair, o problema está no uso inadequado. “Muita gente solta em lugar errado ou utiliza linha com cerol, o que é um crime. Tem risco, principalmente para quem anda de moto. Tem que ter responsabilidade, escolher lugar certo, como campo ou parque”, alerta. Ele relembra casos de acidentes graves e defende a conscientização como forma de preservar a tradição.

A mãe Edinéia e o filho mostrando alguns exemplares

Altair disse ainda que em grandes centros, como São Paulo, onde a família viveu, a prática de empinar pipas é ainda mais presente. “Lá é comum, tem festival de pipa. Aqui também tem espaço, mas precisa usar com cuidado”, diz. Em Campo Mourão, William segue mantendo viva essa cultura, agora com um diferencial: a personalização e a criatividade.

Entre linhas, varetas e papel, a história construída no quintal de casa mostra que a pipa, mais do que um brinquedo, pode ser expressão de arte, memória e vínculo familiar. Uma tradição que, neste caso, ganhou forma e “voa” de pai para filho.

William mostra orgulhoso suas produções. Há pipas para todos os gostos

Serviço

Interessados em comprar uma das pipas produzidas por Willian, podem comparecer ao seguinte endereço: João Francisco Rocha, 1620, no Residencial Arnaldo Walter Bronzel.