Dengue, calor e intoxicações elevam alerta na UPA 24h de Campo Mourão neste verão
O aumento das temperaturas e o período de verão têm alterado o perfil dos atendimentos realizados na Unidade de Pronto Atendimento Maria Zuleica Theodoro, conhecida como UPA 24h, de Campo Mourão, localizada no Jardim Isabel, sem, no entanto, provocar crescimento significativo na demanda total de pacientes. Ainda assim, a unidade reforça o alerta à população para o surgimento de doenças mais comuns nesta época do ano, especialmente aquelas relacionadas ao calor.
A avaliação é do diretor da unidade, doutor Rafael Moreira Augusto André, em entrevista concedida à TRIBUNA, na qual detalhou os principais quadros registrados, os riscos associados ao calor excessivo e as perspectivas de ampliação da rede municipal de urgência e emergência.
Segundo o médico, apesar de ser comum um aumento de atendimentos nesta época do ano, o que tem sido observado entre o final de 2025 e o início de 2026 é uma relativa regularidade no número de pacientes. “Teve uma troca do perfil das doenças, mas a gente não estava vendo o aumento do número de atendimentos”, afirmou. Entre os principais motivos de procura pela UPA, estão os casos de dengue, síndromes gripais, com confirmações de covid-19 e influenza, e problemas relacionados à desidratação provocada pelo calor.
De acordo com o diretor, o crescimento das síndromes gripais está associado, principalmente, ao maior contato entre as pessoas durante as festas de fim de ano e o período de férias, especialmente escolares. Já a dengue segue como uma preocupação constante. “Essas chuvas reacendem os focos de dengue. Dengue nunca pode ser esquecida”, alertou. Dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) apontam que, em 2025, Campo Mourão confirmou 110 casos da doença.
Outro grupo de ocorrências frequentes envolve as intoxicações alimentares, que, segundo o médico, representam atualmente o maior volume de atendimentos relacionados ao calor. “O volume maior está nas gastroenterocolites, que são as intoxicações alimentares”, afirmou. Ele explicou que as altas temperaturas favorecem a proliferação bacteriana quando os alimentos permanecem fora da refrigeração por mais tempo. Os principais sintomas são diarreia, náuseas e vômitos.
Além disso, a UPA tem atendido muitos pacientes com sinais de desidratação, como tontura, queda da pressão arterial e cãibras, especialmente idosos, crianças e trabalhadores expostos ao sol. O doutor Rafael detalhou que, em situações de calor extremo, o organismo tem dificuldade de dissipar a temperatura corporal.
“A gente começa a suar para dispersar esse calor, só que por causa da temperatura muito alta esse calor não é dispersado, então, isso começa a gerar repercussões”, explicou, citando como exemplo trabalhadores que perdem líquidos e eletrólitos e acabam se reidratando apenas com água, o que pode agravar as cãibras.
Para prevenir esses quadros, o médico reforçou que a hidratação deve ser contínua ao longo do dia, e não apenas ao final das atividades. Ele também orientou evitar exposição solar entre 10 e 15 horas, priorizando o início da manhã e o fim da tarde para esforços físicos, além de buscar ambientes frescos e arejados.
Para trabalhadores expostos ao sol, a recomendação é a reposição adequada de eletrólitos. “O ideal é que seja feito a reposição com solução daquelas mais hipertônicas, que é o soro de reidratação oral, sendo válida também a água de coco, para que a gente reponha não só o líquido, mas o eletrólito que foi perdido no suor”, salientou.
O especialista chamou a atenção, ainda, para a relação entre o calor e o agravamento de doenças cardiovasculares, como infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC), sobretudo em pacientes idosos e com comorbidades. Segundo ele, a desidratação, infecções e o próprio estresse térmico podem desencadear complicações mais graves, especialmente em pessoas que já fazem uso de medicamentos que provocam vasodilatação. A prevenção, nesses casos, passa pelos mesmos cuidados: evitar exposição prolongada ao calor, manter a hidratação e seguir corretamente os tratamentos médicos.
Outro ponto destacado pelo diretor é o risco da automedicação, muitas vezes estimulada por informações obtidas em buscas na internet. Ele alertou que diagnósticos feitos sem avaliação profissional podem ser equivocados e perigosos. “Procurar o atendimento médico é essencial para que a gente consiga esse diagnóstico e fazer as condutas corretas”, enfatizou.
No funcionamento da UPA, Rafael André reforçou a importância da compreensão da população quanto à ordem de atendimento. Ele explicou que todos os pacientes passam por triagem baseada em um protocolo internacional de classificação de risco, que prioriza os casos mais graves. Segundo o médico, a demora eventual não é exclusiva de Campo Mourão e ocorre em serviços de urgência de forma geral, mas todos os pacientes são atendidos conforme o grau de gravidade.
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Ampliação da UPA 24h
Para 2026, há a proposta de realizar a reabertura da UPA 24h na região do Jardim Lar Paraná, em Campo Mourão, local onde funciona atualmente o Centro de Especialidades e Pronto Atendimento (PA), com atendimentos de segunda a sexta-feira, das 7 às 23 horas. A reestruturação da rede municipal de saúde visa retomar o funcionamento contínuo do antigo posto, ampliando a capacidade de atendimento na região.
O diretor comentou sobre a proposta de ampliação da rede de urgência e emergência no município. “A gente vê com os olhos bem positivos essa reabertura da UPA 24h, primeiro pela questão localizatória, cada um está em pontos bem diferentes na cidade, e a outra é que a gente vem vendo que o atendimento na UPA só desponta”, afirmou o doutor Rafael.
Para ele, com mais uma unidade na cidade, os atendimentos vão “desafogar” bastante, atendendo também a outra ala de Campo Mourão, de forma mais regular, contínua e integral.

