Fiscalização Covid em Campo Mourão recebe até denúncias inusitadas
As denúncias sobre descumprimento dos decretos que visam o enfrentamento do Covid-19 são recebidas em Campo Mourão pelo telefone 156 (Ouvidoria) e também pela página do município pela rede social. Mas quem fica na retaguarda para fazer esse atendimento recebe também muitas denúncias ou solicitações pitorescas. Foi o que revelou à reportagem da TRIBUNA o servidor da prefeitura, Fernando Dias, um dos que atende a linha 156 e também mensagens na rede social.
Entre as denúncias inusitadas está uma atendida em meados do ano passado, onde um homem solicitava a Fiscalização em uma “zona” (casa de prostituição). “Na conversa ele afirmava que o problema não era aglomeração ou outra irregularidade, mas o preço muito alto da cerveja praticada naquele ambiente”, relata Fernando, que teve dificuldades para fazer o cidadão entender que o caso em questão não era competência da Fiscalização Covid.
O servidor conta que há casos de esposas que denunciam maridos no bar ou jogando futebol de forma clandestina, assim como mães que denunciam os próprios filhos por estarem em festas. “Teve uma festa clandestina que recebemos a localização enviada pela mãe que foi desobedecida pelo filho”, comenta Fernando.
Ele acrescenta que no dia-a-dia a Fiscalização enfrenta as mais variadas situações, inclusive denúncias improcedentes. “Há casos que a pessoa liga para denunciar o vizinho, mas às vezes o problema é perturbação do sossego (som alto), e não descumprimento dos decretos do Covid. Reunião de família em residências também são denunciadas, aí você chega lá estão mãe, pai, filhos, ou seja, pessoas do mesmo convívio”, observa.
Para filtrar as denúncias, Fernando admite que às vezes é necessário usar de psicologia. “A gente vai fazendo perguntas, investigando para tentar filtrar antes de enviar as equipes de fiscalização, na maioria das vezes acompanhadas pela Polícia Militar. São poucos fiscais para tanta demanda e ao atender uma denúncia improcedente você deixa de atender uma procedente”, pondera o servidor, ao acrescentar que na área rural, por exemplo, um atendimento pode demorar horas.
Ele ressalta que os fiscais não são investigadores. “As pessoas fazem essa confusão. Alguns mandam prints de situações mas não sabem informar onde é. Não é papel dos fiscais investigar´, atendemos denúncias. Trabalhamos à noite, até duas, três horas da manhã”, complementa Fernando.
Ele explica que os fiscais são agentes públicos com autoridade para notificar e, se for o caso, multar. “Até agora, mais de 400 multas foram lançadas no CPF de pessoas por descumprimento aos decretos municipais”, conclui.

