Prefeitura deve pedir reversão de área à Adescam, mas presidente fala em melhorias e descarta devolução

Instalada há 36 anos em uma área concedida pelo município de Campo Mourão, próximo a Secretaria de Meio Ambiente, na asa leste, a Adescam (Associação dos Docentes do Ensino Superior de Campo Mourão), poderá ter de reverter o espaço ao município, que alega abandono do local e desvio de finalidade. A área, que era para ser um espaço de recreação para professores da Unespar, já chegou a servir para realização de bailões por terceiros. Atualmente seu barracão está ocupado por 8 carros e um ônibus, retirados do campus da Unespar. Os veículos foram depositados ali por meio de convênio entre a Universidade e a Adescam. 

O presidente da Adescam, Alberto Barbosa, que assumiu a presidência da entidade em maio do ano passado, informou que tem projetos de melhorias para o local que já estavam em andamento, mas com a chegada da pandemia tudo foi paralisado. Segundo ele, existe também interesse da Universidade de usar o imóvel para projetos com alunos, projetos de extensão, entre outros. 

“O reitor da Unespar está preparando projetos para usar o espaço em nome da Universidade por meio de m convênio com a Associação para uso do espaço. É um desperdício não usar um espaço daquele. Concordo plenamente com isso. No entanto, não temos porque fazer a reversão para o erário. Nós vamos fazer a manutenção, mas não temos como fazer isso imediatamente”, ressaltou. 

Ele explicou que, há alguns anos professores começaram a não ter recursos para pagamento das mensalidades para a manutenção do imóvel. Na época, para manter, a diretoria fez um contrato de locação para uma empresa explorar o espaço com bar e refeições para os associados e a comunidade em geral. Porém, com o passar dos anos, os responsáveis passaram a desvirtuar o objeto do contrato. “E começou a se tornar difícil a relação. Eles pararam de nos pagar o aluguel em 2018. Estávamos com dificuldades de negociar para deixarem o local”, falou. 

Os inquilinos deixaram ó imóvel no fim do ano passado sem avisar a direção da Adescam. “E nisso chegou a notificação do município”,  falou Barbosa. Os inquilinos deixaram o imóvel em outubro do ano passado. “Eles já tinham parado com os bailes um pouco antes e fomos negociando. Resistiram bastante para sair e quando saíram nem nos avisaram”, frisou.

Segundo o professor, quando o projeto de melhorias do local começou a ganhar corpo chegou a pandemia do coronavírus (Covid-19) paralisando as ações.  “Para as melhorias no local preciso de dinheiro. Pouco antes da pandemia fizemos uma assembleia e apresentei o projeto. Íamos iniciar uma promoção para levantar recursos quando fomos surpreendidos pela pandemia”, ressaltou.  

Ele disse que após a pandemia irá dar continuidade nos projetos de melhorias do local. “Já pedimos alguns orçamentos para restabelecer energia, já restabelecemos a água. Vamos colocar agora alarme e algumas câmeras. Já negociei também com a Universidade o pagamento de um custo pela segurança dos veículos que estão no local, problemas que aliás é do Estado. Isso vai fazer com que a gente já comece a ter uma segurança melhor no local”, explicou.

De acordo com a prefeitura, há também denúncias da população de que usuários de drogas frequentam o local para consumo de entorpecentes, isso sem contar da sujeira e fossas sépticas que estariam abertas, colocando em risco a vida de pessoas. Recentemente ocorreu um furto no barracão onde estão os veículos da Unespar. Os ladrões levaram algumas peças. 

“As visitas por vândalos têm dois pontos que tem que ser considerados. Primeiro que o local está aberto, não tem cerca e temos que investir em torno de R$ 20 mil para isso. E, segundo, tem um matagal nos fundos em uma área da prefeitura. Já solicitei para eles roçarem. Do lado nosso tem a Associação dos Contabilistas que também sofre com vândalos”, falou Barbosa. 

Segundo ele, a sede da Adescam, sempre foi alvo dos vândalos, que já furtaram até disjuntores elétricos do local. Os marginais invadem o local arrombando portas e até pelo telhado. Tanto que danificaram o forro de PVC do imóvel.  “É uma responsabilidade da associação porque é um imóvel que foi repassado para nós. Mas não adianta eu fazer qualquer investimento ‘meia boca’ lá e perder dinheiro”, justificou Barbosa. 

Ele disse que desde o furto aos veículos, ainda não fez limpeza do local para preservar a cena do crime para investigação da polícia. “Mas vamos consultar o jurídico e se liberar, vamos providenciar a limpeza varrendo o chão e retirando o lixo que nem imaginávamos que estava lá”, falou. 

Sobre a situação das fossas sépticas abertas no local, ele disse que ainda não foi notificado pela prefeitura. Mas alegou que não estão abertas e que a Associação está soterrando com entulhos. “Não queremos deixar aquele local como se fosse uma ameaça para a população. De maneira alguma”, ressaltou. 

Sucatas de veículos

Em relação aos veículos depositados no barracão da Adescam, o diretor do campus da Unespar de Campo Mourão, João Marcos Borges Avelar, explicou que o espaço foi cedido através de convênio. São 8 carros e um ônibus, veículos inservíveis, que estavam abandonados há cerca de 10 anos deixados no pátio do campus da Universidade. 

“Quando cheguei na gestão estes veículos já estavam inservíveis. Alguns estavam no Colégio Agrícola. Reunimos todos para que o Departamento de Trânsito viesse buscar e desse a destinação correta. Mas até agora não tivemos retorno”, esclareceu.

O diretor comentou que alguns veículos estavam no pátio da Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná (Codapar), mas tiveram de ser retirados a pedido a Companhia. “Nos deram 30 dias para a retirada. A única saída foi firmar este convênio com a Adescam para colocar os veículos dentro do barracão da Associação”, afirmou. 

Segundo ele, dois veículos ficaram do lado de fora, mas são semanalmente verificados para que não aconteça de acumular água. “Venho há dois anos tentando desfazer destes veículos. Solicitei ao Estado para que façamos a doção, mas ainda estamos aguardando autorização por se tratar de bem público”, acrescentou.