Procon vai acionar MP após aumento de reclamações contra Copel em Campo Mourão

O Procon de Campo Mourão encaminhará uma recomendação ao Ministério Público (MP) diante do aumento das reclamações de consumidores contra a Copel, principalmente relacionadas a quedas constantes de energia elétrica e aumento nas faturas após a troca de medidores. Segundo o diretor do órgão, Edilson Moreira Cordeiro, a medida será tomada após diversas tentativas de diálogo com a concessionária sem que houvesse solução concreta para os problemas relatados pela população.

Diante da falta de respostas consideradas satisfatórias e do aumento das reclamações, decidimos encaminhar o caso ao Ministério Público para que o órgão avalie possíveis medidas”, falou Cordeiro. Ele comentou que o problema não se limita a Campo Mourão e também tem sido registrado em outros municípios do Paraná.

Nos últimos meses, moradores de vários bairros da cidade passaram a registrar interrupções frequentes no fornecimento de energia, muitas vezes mesmo sem chuva ou qualquer condição climática adversa. Nós temos cobrado um posicionamento da Copel em relação a essas melhorias que precisam ocorrer. O que chama atenção é que muitas vezes nem começou a chover e ocorre queda de energia em vários bairros”, afirmou Cordeiro.

De acordo com o diretor do Procon, as reclamações relacionadas à falta de energia se tornaram praticamente diárias. Segundo ele, o problema não se restringe apenas à área urbana. também registros de falhas no fornecimento em regiões rurais do município. Mesmo com tempo bom estamos tendo essas quedas. Quando temporal, ainda poderia haver uma justificativa, mas o problema vem ocorrendo até com clima estável”, explicou. Diante da situação, o órgão notificou a concessionária e aguarda uma resposta oficial sobre as medidas que serão adotadas para melhorar o fornecimento.

Outro ponto que vem gerando grande número de reclamações no Procon é o aumento expressivo nas contas de energia após a troca dos medidores, processo que começou a ser realizado pela concessionária em 2025. Segundo Cordeiro, casos em que o consumo praticamente dobrou ou até triplicou, sem que o consumidor tenha alterado seus hábitos.

O consumidor gastava em média 100 kWh por mês e, após a troca do medidor, passou a registrar 200 ou até 300 kWh. Isso tem sido muito frequente”, afirmou. O diretor do órgão relata que o Procon tem solicitado perícias nos equipamentos para verificar se irregularidades. Tem casos em que durante um ano inteiro o consumo ficou entre 80 e 120 kWh. Depois da troca do medidor, o consumo passa para 300 ou 400 kWh. Não tem como justificar isso apenas pela compra de algum equipamento dentro da casa”, ressaltou.

O Procon também aponta dificuldades no contato com a concessionária para resolver os problemas apresentados pelos consumidores. Conforme Cordeiro, após a privatização, os Procons passaram a utilizar um canal de comunicação chamado canal focal, ligado à ouvidoria da empresa. No entanto, segundo ele, a ferramenta não tem garantido respostas rápidas ou soluções efetivas. O consumidor chega aqui e muitas vezes nós ligamos para as empresas para tentar resolver o problema na hora. Com a Copel isso não acontece. Abrimos o processo e a resposta costuma ser padrão, dizendo que o consumo está correto”, relatou.

Ele também citou um caso em que precisou ir pessoalmente até a residência de uma consumidora para verificar a situação do medidor. Fui até a casa dela porque ela não tinha condições de vir até o Procon. O medidor estava afastado do visor e nem era possível identificar a numeração. Mesmo assim, a resposta foi que a leitura estava correta”, contou.

Orientação ao consumidor

O diretor do Procon orienta que consumidores que sofram prejuízos com quedas de energia, como queima de equipamentos eletrônicos, registrem imediatamente um protocolo junto à concessionária. A solicitação pode ser feita por meio do aplicativo da Copel ou pelo telefone 0800. É importante fazer o protocolo porque, caso haja dano em algum equipamento, o consumidor pode solicitar ressarcimento. Esse pedido pode ser feito diretamente à Copel ou também por meio do Procon, explicou.