Projeto da Itaipu mobiliza municípios por sustentabilidade
Representantes de instituições públicas, universidades, organizações sociais e lideranças estão participando durante esta semana de encontros do Núcleo de Cooperação Socioambiental (NCS) do Setentrião Paranaense, iniciativa que integra uma rede de governança participativa voltada à preservação ambiental e ao desenvolvimento sustentável nos territórios de influência da usina de Itaipu. Nessa quinta-feira (12), a reunião de trabalho foi realizada em Marmeleiro. Já na quarta-feira (11), Campo Mourão foi sede do evento.
O núcleo faz parte de uma ampla estrutura coordenada pela Itaipu Binacional e pelo Itaipu Parquetec (Parque Tecnológico da Itaipu), que mantém 21 núcleos de cooperação socioambiental distribuídos pelo Paraná e pelo sul do Mato Grosso do Sul. Juntos, eles abrangem 434 municípios, sendo 399 no Paraná e 35 no sul do Mato Grosso do Sul, todos localizados em áreas cujos rios deságuam no reservatório da hidrelétrica.
Segundo a coordenadora do núcleo do Setentrião Paranaense, Ana Yara Caruso, a proposta é reunir diferentes atores da sociedade para discutir desafios locais e construir soluções coletivas voltadas à sustentabilidade.
“O núcleo reúne lideranças e atores territoriais para que possamos sentar à mesa e verificar quais são os problemas existentes no território e, juntos, encontrar soluções que gerem impacto coletivo”, explicou.

O Núcleo do Setentrião Paranaense reúne representantes de 30 municípios da região. Os encontros ocorrem de forma periódica e seguem uma metodologia de discussão e planejamento coletivo voltada à governança participativa. A iniciativa está ligada às estratégias socioambientais da Itaipu, que busca ampliar a preservação ambiental a partir da articulação com as comunidades. Como a usina depende da qualidade da água para a geração de energia, ações voltadas à conservação dos rios e à organização social do território são consideradas fundamentais.
“A Itaipu entende que a preservação ambiental também passa pelas questões sociais e econômicas das comunidades. Por isso, as estratégias socioambientais cuidam das pessoas, da economia e do meio ambiente ao mesmo tempo”, afirmou Ana Yara.
De acordo com a coordenadora, além dos debates e formações, o trabalho do núcleo já começa a gerar resultados práticos nos municípios envolvidos. Entre as ações estão oficinas comunitárias, projetos de hortas e atividades culturais, como oficinas de grafite. “Os encontros são formativos, de reflexão e discussão, mas também saem do campo das ideias. Já estamos colhendo frutos com ações acontecendo nos municípios do território”, destacou.
Para 2026, estão previstos quatro encontros presenciais do núcleo, reunindo representantes dos municípios participantes. Os primeiros encontros do ano, que estão sendo realizados neste mês de março, marcam o início do planejamento das atividades que serão desenvolvidas ao longo do período.
Entre os eventos programados está também um seminário voltado à juventude, previsto para 1º de abril, com o tema “Futuro do Trabalho”, que discutirá perspectivas profissionais, desenvolvimento territorial e participação dos jovens nas transformações sociais.

O funcionamento do núcleo ocorre por meio de parcerias entre diferentes instituições presentes no território, incluindo prefeituras, universidades, organizações sociais e entidades locais. Segundo Ana Yara, essa rede de cooperação é essencial para viabilizar as atividades. “Somos um núcleo de cooperação. As ações acontecem justamente por meio das parcerias com entidades, prefeituras e universidades que participam do núcleo”, afirmou.
Os encontros geralmente são realizados em espaços cedidos pelas instituições parceiras. Já a alimentação dos participantes é contratada, sempre que possível, de cooperativas da agricultura familiar, estratégia adotada para fortalecer a economia local.
“Fazemos questão de contratar cooperativas da agricultura familiar. É uma forma de fomentar esse trabalho tão importante nos territórios e valorizar quem produz”, disse a coordenadora.



