Projeto da Unespar doa kits e capacita produtores para instalar sistema de proteção de nascentes
Desenvolvido pelo curso de Geografia da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus de Campo Mourão, o projeto de extensão Sanear passou por atualização metodológica e agora oferece aos produtores rurais kits de proteção de nascente e capacitação para que o próprio agricultor possa implantar o sistema de forma independente na propriedade.
Criado em 2020 pelo professor Jefferson de Queiroz Crispim, o projeto atende principalmente produtores de base familiar de vários municípios da região, com foco na proteção e recuperação de nascentes por meio da técnica de solo-cimento, um método de baixo custo utilizado para evitar a contaminação da água.
A técnica consiste na vedação do ponto de surgência da nascente, isolando-o de contaminantes externos e permitindo apenas a captação da água por tubulações adequadas, reduzindo riscos de poluição por matéria orgânica, animais ou infiltrações provenientes do uso agrícola do solo.
Entre as mudanças implantadas no projeto está a criação do kit Sanear, desenvolvido pela própria equipe de pesquisadores e entregue diretamente ao agricultor participante. Além do material, o produtor passa por um workshop de capacitação, no qual recebe um tutorial com orientações detalhadas sobre a instalação do sistema de proteção da nascente.
De acordo com o professor Jefferson Crispim, o objetivo é tornar o agricultor mais autônomo na implantação da tecnologia. “Até junho, nosso objetivo é incluir esse tutorial na cartilha que foi criada junto com o projeto para que o agricultor, com o kit em mãos, consiga fazer a instalação de forma independente”, explicou.
Outra mudança importante foi a forma de avaliação da qualidade da água. Antes realizada por parceiros externos, a análise agora é feita pela própria equipe do projeto, o que permite maior agilidade no acompanhamento das nascentes atendidas.

Parcerias e contrapartida
No modelo anterior, a equipe do projeto levava aos produtores tubulações com diferentes medidas e o cimento utilizado na técnica. Com a atualização do projeto, passou a existir contrapartida das prefeituras e dos próprios agricultores, responsáveis pelo fornecimento do cimento utilizado na produção do solo-cimento. Outra exigência do projeto é a presença do próprio agricultor durante a implantação do sistema.
Segundo Crispim, anteriormente era comum que produtores enviassem funcionários ou representantes para acompanhar o processo. “Agora pedimos que seja o próprio dono da propriedade, para que ele possa aprender a técnica e repassá-la posteriormente aos demais trabalhadores”, explicou.
Atuação regional
O projeto Sanear é coordenado pelo Laboratório de Pesquisa Geoambiental (Lapege), vinculado ao curso de Geografia da Unespar. Atualmente, a iniciativa atende 25 municípios da região de Campo Mourão. Desde o início das atividades, mais de 500 nascentes já foram atendidas pelo projeto, contribuindo para melhorar a qualidade da água utilizada por famílias agricultoras e reduzir riscos de contaminação.
Além da recuperação das nascentes, o trabalho inclui orientações sobre manejo ambiental, proteção do entorno das fontes de água e boas práticas sanitárias no meio rural, ações consideradas essenciais para a preservação dos recursos hídricos. A previsão é que o projeto continue em execução pelos próximos dois anos, ampliando o atendimento a novas propriedades da região.
O projeto
As ações que deram origem ao Sanear surgiram a partir de pesquisas realizadas no Laboratório de Pesquisa Geoambiental da Unespar, que desenvolve estudos sobre saneamento ambiental rural e proteção de nascentes em propriedades agrícolas.
Esses estudos apontaram que muitas famílias rurais utilizam diretamente a água de nascentes para consumo, frequentemente sem proteção adequada contra contaminação, o que pode comprometer a qualidade da água e a saúde das comunidades rurais.
A partir desse diagnóstico, o projeto passou a aplicar tecnologias simples e de baixo custo para proteção das fontes de água, combinando pesquisa acadêmica, extensão universitária e capacitação de agricultores.
Serviço
Para mais informações sobre o projeto, os interessados podem entrar em contato pelo telefone (44) 99177-0207.

