Renato e Daniele conseguiram apoio da prefeitura

Mesmo não querendo deixar a casa 1891, Renato e Daniele acabaram acatando a ordem de saída. E a deixaram no final de maio. Para que isso acontecesse, os dois conseguiram ajuda do município. Através de uma espécie de “aluguel social”, a prefeitura irá colaborar com seis meses de aluguel. “Nossa renda é mínima. Mas com a ajuda que estamos tendo acreditamos que dará tudo certo”, explicou Daniele.

O maior dilema da família é a grana curta demais pra tanta gente. Além do casal, são outros nove filhos, quatro de Daniele, cinco de Renato. A esposa diz que não consegue trabalhar devido às crianças pequenas. Então, a única renda vem de Renato, que nem carteira registrada tem. Fora isso, eles também recebem recursos do Bolsa Família, além de ajuda da assistência social do município.

Para ajudar nas despesas, esta semana Daniele começou a fazer pães caseiros em casa. E as vendas estão indo bem. O faturamento vem servindo para ajudar a família. E os gastos, definitivamente, não são pequenos. O varal que o diga. Isso porque, com a chuvarada da última semana, faltou lugar a tanta roupa para secar. Fora os produtos de limpeza, são 11 bocas a alimentar. A casa alugada pela família fica próxima à casa 1891, mas fora do Fortunato Perdoncini. Agora, ao invés de dois quartos, possuem três.

Na casa “nova”, Daniele monitora um varal enorme com roupas a perder de vista

História

Em 2018, após fracassar no casamento, Renato acabou só, com os cinco filhos pequenos. Por motivos pessoais, a esposa voltou a morar com a mãe, em Manoel Ribas. Juntos, residiam num imóvel precário em Campo Mourão. Para piorar a situação, mais adiante ele perdeu o emprego. Agora, sem grana, acabou na rua. E, desesperado, não teve outra maneira a não ser invadir uma residência abandonada, no Conjunto Fortunato Perdoncini: a casa 1891. Renato sempre buscou agir pelas vias corretas. Mas, sentindo a possibilidade de submeter os cinco meninos às ruas, fez o que achou prudente naquele momento. E a invadiu.

Desejando o bem maior às crianças e, acima de tudo, com uma esperança infinita, acabou encontrando Daniela, ainda em 2020. Com história de vida bastante semelhante à sua e, também divorciada, levou ao imóvel outras cinco crianças, filhas dela. Com um amor indiscutível, o casal passou a ser uma única família. Dois pais, 10 filhos. E tudo caminhava bem. Pelo menos, até o início de maio, quando uma ordem de despejo emitida pela Justiça Federal bateu à porta da pequena casa. “Perdemos nosso chão. Se isso acontecer mesmo, se tiver que deixar a casa, não teremos pra onde ir”, desabafou Renato, na época.

Conta ele que estava no imóvel já, há quase cinco anos. E, desde então, promoveu diversas melhorias no local. Fez a pintura. Muros. Jardim. Renato sempre soube que invadir não era o correto. Na verdade, trata-se de uma ilegalidade. E ele estava ciente disso. No entanto, argumenta que não poderia deixar os filhos à mercê das ruas. Então, invadiu. “Fiz o papel de um pai”, afirmou.

Renato possui cinco meninos, todos ainda menores. Daniele cinco meninas, também pequenas. Ele trabalha numa empresa de reciclagens e ganha R$100 por dia. Já a companheira fica em casa, cuidando da turminha. Além da pouca renda do marido, outros R$1500 vem do governo federal, através do Bolsa Família. Ontem, a comida já estava no fim. E, quando a situação aperta, amigos do casal prestam socorro. Como legítimos brasileiros, a cada dia, um leão a enfrentar.

Para deixar a casa 1891, o casal teve a ajuda da assistência social do município. Através de uma espécie de “aluguel social”, a prefeitura os ajudará nos próximos seis meses. Depois disso, o aluguel é de responsabilidade deles. Daniele e Renato confessam que não queriam deixar o imóvel. Mas, com o despejo a caminho, acreditam que a decisão foi necessária.