Resistência em deixar vício e pandemia fazem sobrar vagas em instituições
Campo Mourão conta com duas instituições mais conhecidas pelo trabalho com dependentes químicos: o Lar Dom Bosco (para mulheres) e a Comunidade Terapêutica Redenção (CTR), para o público masculino. O tratamento, porém, depende da aceitação da pessoa, que não pode ser forçada. Embora o número de dependentes seja grande, a resistência em querer deixar o vício faz com que sobrem vagas nas entidades, mantidas com recursos públicos e por doações.
A pandemia de Coronavírus também refletiu para a sobra de vagas. Isso porque as entidades tem que seguir protocolos de saúde, que inclui quarentena na hora do acolhimento. “Por ter que ficar um período em isolamento dentro da própria instituição, alguns acabam desistindo”, explica Anderson Bittar, coordenador da CTR. Segundo ele, a entidade dispõe de 45 vagas, mas atualmente atende 16. “Temos uma fila de espera de umas 12 pessoas, mas por ter que cumprir quarentena o processo de acolhimento é bem mais demorado que o normal”, explica.
O Lar Dom Bosco tem capacidade para atender até 30 mulheres dependentes químicas, mas atualmente são apenas 7 internas. “No fim do ano é comum diminuir o público. E não podemos impedir quem quer sair, porque o tratamento só tem eficácia se a própria pessoa estiver comprometida com a recuperação e não apenas a família”, esclarece a assistente social Carina Paiva. A maior resistência, segundo ela, é do público adolescente. Tanto que a maioria das internas são mulheres adultas.
O tratamento completo em ambas as instituições dura no mínimo nove meses. Mas a maior parte de quem é acolhido não conclui o tempo recomendado. Essa é outra razão para que sempre haja vagas sobrando. “Aqui cerca de 30 por cento concluem, mas é preciso lembrar que alguns dos que não concluem conseguem manter a sobriedade depois de dois ou três meses”, afirma Anderson, ao acrescentar que a CTR acolhe apenas adultos.
Mesmo com a pandemia, o trabalho das entidades não parou. “Nossa atividade não tem como parar. Adotamos os protocolos recomendados e suspendemos as visitas”, explicou Carina, ao acrescentar que o Lar Dom Bosco recebeu normalmente os recursos de convênios com o município e com o governo federal. “As doações da comunidade também se mantiveram”, informou.
Ela lembra que mesmo com um público reduzido, as despesas continuam a crescer. “A estrutura tem que funcionar para atender 7 ou 30”, justifica. No Lar são cinco educadoras, uma psicóloga, nutricionista, cozinheira, enfermeira, assistente social e caseiro.
Fundado em 1991 pela igreja católica com a finalidade de atender menores, em 2003 o Lar Dom Bosco foi assumido pela Congregação das Irmãs da Copiosa Redenção para atender dependentes químicas femininas. Além do trabalho espiritual, o Lar presta serviços de saúde, educacional e atividades para ocupar o tempo de forma saudável, inclusive com grupos terapêuticos voltados à reintegração.

