Risco de dengue faz aumentar procura por repelentes em Campo Mourão
Pelas estimativas dos profissionais da Vigilância Sanitária com base no índice de infestação do mosquito Aedes aegypti, Campo Mourão deverá entrar em epidemia de dengue nos próximos dias. O aumento de casos da doença fez aumentar também as medidas de prevenção. Uma delas é o uso de repelentes.
“Nunca vendi tanto repelente como neste início de ano. Aqui acredito que as vendas aumentaram em mais de 300 por cento”, disse o farmacêutico Julio Cesar Pereira, que trabalha em uma farmácia no centro da cidade. Segundo ele, no estabelecimento são cinco marcas diferentes à venda, com preços variando de R$ 10,00 a R$ 100,00. Além de spray, o produto é encontrado também em creme e loção.
O farmacêutico diz que o repelente com ação prolongada e por isso o mais indicado pelos médicos é a base de icaridina. Mas esse está entre os mais caros. “Todos fazem efeito, senão nem seriam liberados pela Anvisa. A diferença é o tempo da ação”, acrescenta, ao lembrar que também há repelentes mais indicados para crianças e gestantes, por exemplo.
Já em outras duas farmácias que ficam nos bairros, consultadas pela reportagem da TRIBUNA, os farmacêuticos disseram que aumentou, mas bem abaixo do esperado. “Aqui a gente não vendia quase nada. Agora estamos vendendo de 10 a 15 por semana”, disse a farmacêutica Carla Colavite, que trabalha em uma farmácia no Conjunto Cohapar. Lá são vendidas quatro marcas de repelentes, com preços entre R$ 13,50 e R$ 30,00.
“Pelo número de pessoas que atendemos e pelo risco de dengue na cidade, a procura por repelentes deveria ser muito maior”, analisa. Em outra farmácia, a média mensal de venda era de 2 a 3 repelentes. Agora essa é a média semanal. “Os preços também subiram um pouco em função da maior procura”, disse o farmacêutico.
Profissionais da saúde explicam que repelentes naturais, como citronela e cravo da índia, são eficazes. Porém, o tempo de proteção é bem menor. ”São estratégias paliativas”, explica o infectologista Alberto Chebabo, da Sociedade Brasileira de Infectoloigia, ao destacar que o uso do repelente convencional proporciona uma proteção maior, mas é preciso estar atento ao tempo que cada fabricante recomenda para uma nova aplicação. “Se a pessoa suar muito ou esquecer de aplicar em alguma parte do corpo, ainda assim poderá ser picada. Cada marca tem uma composição diferente, o que leva a um tempo específico de proteção”, diz o especialista.

