Sindiscam anuncia greve a partir do dia 7; prefeitura sustenta proposta de reajuste
O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Campo Mourão (Sindiscam) anunciou nesta quarta-feira (1) a deflagração de greve por tempo indeterminado a partir do próximo dia 7 deste mês. Dois ofícios formalizando a medida foram protocolados nessa terça-feira (31), junto à administração municipal, caso não haja avanço nas negociações.
De acordo com o sindicato, a decisão foi aprovada em assembleia realizada na sexta-feira (27), após a categoria considerar insuficiente a proposta apresentada pelo município. No documento encaminhado à prefeitura, o sindicato reafirma a reivindicação de reajuste salarial de 5%, sendo 4% retroativos a março e 1% a partir de junho, além de aumento mínimo de R$ 100,00 no auxílio-alimentação.
Segundo o Sindiscam, a proposta busca recompor perdas acumuladas e preservar o poder de compra dos servidores. O sindicato argumenta ainda que a categoria partiu de uma reivindicação inicial de 10%, reduzida posteriormente para 5%, enquanto a administração municipal apresentou primeiro 3,81% e, depois, 4%, percentual que não foi aceito em assembleia.
Apesar do indicativo de paralisação, o sindicato informa que os serviços essenciais serão mantidos, com atendimento mínimo à população, conforme prevê a legislação. A entidade também sustenta que permanece aberta ao diálogo e à construção de uma solução negociada.
A greve havia sido inicialmente cogitada para esta terça-feira, mas a paralisação foi suspensa temporariamente após a prefeitura elevar de 3,81% para 4% a proposta de reajuste salarial.
Embora o novo índice tenha sido considerado insuficiente, o sindicato avaliou que a mudança sinalizou possibilidade de negociação e decidiu elaborar nova contraproposta antes de retomar o aviso formal de greve.
Outro lado
Em nota divulgada no dia 24 de março, a prefeitura de Campo Mourão informou que a proposta apresentada ao sindicato prevê reposição inflacionária com base no IPCA acumulado entre março de 2025 e fevereiro de 2026. A administração municipal afirmou que a proposta foi construída com responsabilidade fiscal e tem como objetivo garantir o poder de compra dos servidores sem comprometer o equilíbrio das contas públicas e a continuidade dos serviços prestados à população.
O município destacou ainda que, além da reposição inflacionária, continuam assegurados à categoria mecanismos já incorporados à carreira, como o adicional de 1% por anuênio para todos os servidores e os 2% de promoção por merecimento, conforme critérios de avaliação de desempenho. Segundo a prefeitura, esses instrumentos representam ganhos reais ao longo da carreira e integram a política permanente de valorização do funcionalismo.
Outro argumento apresentado pela administração é a queda na arrecadação em comparação com o mesmo período do ano passado. De acordo com o município, o cenário exige cautela na ampliação de despesas permanentes. A prefeitura alega ainda que as reivindicações iniciais apresentadas pelo sindicato ultrapassariam R$ 50 milhões em novas despesas, valor considerado inviável dentro da atual capacidade financeira do município.
Na avaliação da gestão, a reposição inflacionária integral está dentro do que é possível conceder neste momento, preservando segurança fiscal e sustentabilidade das contas públicas no médio e longo prazo.
A prefeitura informou também que permanece aberta ao diálogo com o sindicato, mas reforçou que a proposta atual considera o cenário econômico e financeiro do município. Com o novo aviso protocolado, a greve poderá ser iniciada no próximo dia 7, caso não haja nova proposta que contemple os termos defendidos pela categoria.


