Time campeão amador espera premiação há cinco anos

Completaram cinco anos no mês de maio que o América, time que representou Campo Mourão no Campeonato da Liga de Futebol Amador de 2016, espera a premiação pelo título do Torneio. O caso foi parar na justiça, onde tramita desde 2017, mas por enquanto sem sentença. O valor é de R$ 25 mil, correspondente a um carro zero quilômetro prometido como prêmio ao vencedor. O então presidente da Liga, Roberto Soares, assumiu a responsabilidade pelo pagamento.

Gabriel Zanatta, que na época era técnico da equipe e atualmente mora em Umuarama, disse que o processo já completou 1.400 dias de trâmite. “Como brasileiro não podemos perder a esperança. Gostaríamos de receber esse dinheiro para repassar aos atletas. É uma injustiça porque batalhamos para ganhar o campeonato, fizemos investimentos e espero que a justiça prevaleça. E se não recebermos, que o cidadão que prometeu seja punido, pois ele prejudicou pessoas que contavam com esse dinheiro”, disse Zanata.

O América sagrou-se campeão da competição ao vencer o Luiziana por 2 a 1 no Estádio Roberto Brzezinski, em Campo Mourão. No dia da decisão, um Fiat Uno zero quilômetro que seria o prêmio ao vencedor estava exposto no estádio. A Liga, porém, ofereceu a opção da equipe receber o carro ou o valor em dinheiro (R$ 25 mil). A diretoria optou pelo dinheiro. Entretanto, ao término da partida recebeu apenas o troféu. 

“Como era ano eleitoral e o presidente da Liga foi candidato a vereador, a gente não quis polemizar e tratamos do assunto sempre de forma discreta, diretamente com ele, que sempre prometeu pagar”, conta Zanata. Quatro meses após o término do campeonato, a diretoria da Liga assinou documento comprometendo-se com o pagamento até o dia 12 de setembro de 2016. Entretanto, o ano terminou e o compromisso não foi cumprido. 

No início de 2017, em reunião com a diretoria da Liga, o compromisso do pagamento foi renovado. “Como não foi cumprido ingressamos com uma ação judicial no mês de agosto daquele mesmo ano contra toda a diretoria”, informa Zanata. Em maio de 2018, em uma audiência do processo, as partes fizeram um acordo que o presidente da Liga pagaria o prêmio em 11 parcelas e os outros três integrantes da diretoria foram retirados do processo. Mas esse compromisso também não foi cumprido. Por isso, o América pediu a reabertura do processo, com a inclusão dos outros membros da Liga e acréscimo de 30 por cento no valor do prêmio. 

Cada uma das oito equipes participantes do Campeonato pagaram mais de R$ 7 mil pela inscrição, que seria para cobrir custos da arbitragem e do prêmio. “Até hoje os atletas nos cobram esse prêmio, que seria dividido entre todos e por isso muitos fizeram compromissos com o dinheiro e depois tiveram que fazer empréstimos para honrá-los”, afirma Zanata, ao acrescentar que também arcou com despesas do próprio bolso para ajudar alguns atletas. O presidente do time, Enoque Lourenço, disse que teve um prejuízo de R$ 12 mil. 

Defesa 

O ex-presidente da Liga, Roberto Soares, disse à TRIBUNA no final de 2018 que a premiação em dinheiro não estava prevista no regulamento do campeonato. “Mesmo não constando nada sobre premiação em carro ou dinheiro no regulamento, assumi esse compromisso e pretendo cumpri-lo, mais cedo ou mais tarde, pode ter certeza”, disse Soares. Mas avisou que não aceitaria mais tratar do assunto em outra esfera que não fosse a judicial.

Ele alega que não conseguiu quitar o débito porque também não recebeu recursos prometidos por patrocinadores. Quanto ao dinheiro pago pelos times como inscrição, segundo ele, foi utilizado para quitar pendências do Campeonato do ano anterior e despesas dos três campeonatos realizados pela Liga naquele ano: Amador, Juvenil e Veteranos. 

“Nunca neguei nem vou negar que assumi esse compromisso”, disse Soares, ao reforçar que é o único da diretoria da Liga que assumiu o compromisso de pagar o prêmio e que os outros dirigentes não participaram das negociações. “Assumi com as equipes esse compromisso confiando também que entraria esse recurso, mas infelizmente todas as pessoas que se comprometeram não ajudaram”, justifica Soares.