A alegria em vida
Mais uma vez vou me permitir abrir mão de falar das novidades do basquete para homenagear uma pessoa muito querida.
Trata-se de Kenny Jeferson Choptian.
Quem é ele? O que fez? Por quê falar dele?
Kenny é um jovem, 24 anos, 1m90.
Iniciou no basquete aos 14 anos. Tinha um potencial físico muito acima da média. Saltava muito. Atrevo-me a dizer que tinha uma das maiores impulsões verticais de todo Estado do Paraná.
Foi campeão estadual, foi finalista nos Jogos da Juventude realizado em Campo Mourão em 2003, campeão da fase final dos Jogos Colegiais do Paraná, dentre tantas outras conquistas.
Sua performance o levou a ser convocado para a seleção paranaense infanto-juvenil em 2002. Representando o Paraná, sagrou-se vice-campeão brasileiro de basquete. Muitos sonharam em jogar como ele. Mesmo sem saber, ele foi modelo para os garotos mais novos daquela geração.
Tentou a sorte em Garça-SP, onde jogou uma temporada. Na época, Garça tinha uma das melhores equipes de São Paulo.
Nos últimos anos, já não treinava mais basquete, mas fazia questão de jogar competitivamente com seus amigos em Goioêre. O basquete continuava a correr apaixonadamente em suas veias.
Paralelo à sua vida nas quadras, ele também teve trajetória acadêmica intensa. Quando adolescente não era dos melhores alunos do Colégio Marechal Rondon, nem dos mais esforçados. E olha que estou sendo generoso.
Contudo, amadureceu com os anos. Formou-se em Farmácia, na Faculdade Integrado. Já mostrava características de profissional inovador e estagiando na área, demonstrou seu espírito batalhador.
Quis voar mais alto. Resolveu ir para a cidade boliviana de Santa Cruz de La Sierra para realizar seu maior sonho: cursar Medicina.
Estava no segundo ano e nesse pouco tempo, fez inúmeras amizades. Dizia ele: – Aqui na Bolívia, as pessoas gostam muito de mim.
Mas por que estou falando da vida desse jovem?
Essa foi a maneira encontrada para imortalizar a trajetória terrena deste amigo que faleceu nesta última quinta-feira, vítima de complicações em lesões sofridas em um sério acidente de moto na Bolívia.
Tentando ser menos formal reproduzo abaixo um texto que está postado no blog do basquete de Campo Mourão em homenagem ao nosso amigo.
Tristeza. Tristeza que dói.
Esse é o sentimento que predomina nos corações dos basqueteiros de Campo Mourão. Emoção oposta à alegria permanente e contagiante que nosso Kenny “Gersu” compartilhava.
É a imagem que quero eternizar.
O brincalhão. O palhaço. O parceiro.
Muleke.
Como eu gostava desse moleque.
Com certeza foi um dos líderes nas estatísticas dos esporros tomados. Que figura!
Mas foi MVP* no amadurecimento. O muleke tinha virado Homem.
Como eu torcia pelo seu sucesso.
E fora das quadras?
Brilhou na vida.
Batalhou seus sonhos.
Fez milhões de amigos.
Se eternizou com o exemplo de alegria deixado.
Desejo aos pais de Kenny: Edson Choptian e Jê, seus irmãos e demais familiares, muita força e fé neste momento de extrema tristeza e reforço mais uma vez o sucesso que vocês tiveram ao educar essa criatura, que plantou muita alegria no coração de seus amigos e pessoas que puderam compartilhar de seu convívio.
